Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

O APRENDIZADO DE PODERES PSI

 

 

 
Larissa Vilenskaya
São Francisco janeiro de 1986.
 
Durante meu primeiro ano na faculdade, aconteceu um fa­to inesperado, o primeiro em uma longa cadeia de even­tos que mudaram completamente minha vida. Ou não eram inesperados, mas intencionais? Era meu destino? Meu karma? Um prelúdio para minha missão neste mundo? E eu tenho uma? Todos têm uma? Eu não tinha respostas para essas per­guntas naquele momento e não as encontrei ainda... Mas deixe-me voltar ao caso.
Em 1967, presenciei uma palestra demonstrativa de Karl Nikolayev e Yuri Kamensky, o tão conhecido grupo telepático, com o qual os cientistas soviéticos vinham trabalhando há algum tempo. O teste era feito em duas salas diferentes. Era um teste ESP, no qual Kamensky devia mandar um objeto telepaticamen­te para Nikolayev. Era uma espécie de corrente ou colar de me­tal. Mas um amigo teve uma idéia interessante: talvez pudéssemos interferir na sessão e mandar nossa própria imagem. A idé­ia era compreender se estávamos assistindo a uma demonstra­ção de palco, truques mágicos, ou se estávamos realmente vendo uma interação de mentes humanas.
Nikolayev estava isolado em uma sala distante, e meu ami­go e eu decidimos nos concentrar e enviar a ele a imagem de um magneto. Por vários minutos, nós nos concentramos em mandar a ele a imagem de um magneto que eu havia trazido por acaso do laboratório de física. Eu imaginei Nikolayev parado atrás de mim, olhando o magneto sobre meu ombro. Logicamente, não tínhamos como saber o que ele estava relatando; os resultados da experiência só foram conhecidos após o término da demons­tração.
Tudo que foi dito por Nikolayev na outra sala foi trans­crito. Descobrimos, mais tarde, que ele começou por descrever o colar – longo, fino, de metal e cor dourada; mas, então, ele co­meçou a descrever nosso magneto como retangular, de metal, cinza-prateado, seu tamanho aproximado e assim por diante. Depois ele voltou a falar do colar. Isso nos provou que pudemos interferir na experiência e fazer uma transmissão telepática bem-sucedida.
 
Esse evento me levou a um sério interesse pelo fenôme no psi e pela Parapsicologia. Dirigi-me ao Laboratório de Bio­informação da Sociedade Científica e Tecnológica A. S. Popov, para Engenharia e Comunicação de Rádio em Moscou, pri­meiro como voluntária e depois como chefe do laboratório pa­ra o Grupo Experimental e de Treinamento. Tive a sorte de logo trabalhar com Rosa Kuleshova, especializada em "dermo-­óptica" ou "visão sem olhar". Foi fascinante observar Rosa identificar cores com os dedos, mesmo quando as amostras eram colocadas sob várias camadas de papel opaco, e eu mesma não tinha visto as cores. Mas mais fascinante ainda foi sa­ber que Rosa havia aprendido essa aptidão através de exercí­cios persistentes enquanto trabalhava com os cegos. Comecei a brincar com a idéia de que eu poderia desenvolver poderes semelhantes e, desde o início de minhas tentativas para estu­dar essas extraordinárias qualidades, cheguei à conclusão de que os pesquisadores do fenômeno psi não deveriam somente estudar essas aptidões nos outros, mas tentar desenvolvê-las em si mesmos.
 
Tentei, e embora não possa dizer que aprendi a ler com os dedos, tive sucesso na identificação das cores, letras grandes e desenhos. Logo comecei a treinar outras pessoas nesse tipo de percepção dermo-óptica. Enquanto a maioria das garotas do meu grupo finalmente aprendiam algum grau de "dermo-ópti­ca", outro resultado do projeto foi de maior interesse.
 
Isso começou em 1969, um pouco antes de trabalhar com Rosa Kuleshova, quando me tornei aluna do curador paranor­mal Sergei Vronsky, que também trabalhava no Laboratório de Bioinformação. Eu tinha vinte e um anos naquela época, muito tímida e insegura. Vronsky me assegurou de que eu poderia curar através da aplicação das mãos se eu me empenhasse em conhecer e simpatizar com o sofrimento do outro indivíduo. Ele nos ensinou várias técnicas de visualização e nos dirigiu na con­centração na sensação de energia que fluía através de nossas mãos.
 
"Se o paciente sofre de dor de cabeça", Vronsky instruía seus alunos,"imaginem a dor de cabeça como uma névoa e ali­viem a pessoa doente dela pensando na dispersão dessa névoa, usando a energia de suas mãos para conseguir isso." Usei essa técnica para aliviar a dor de cabeça de uma amiga. Ela estava sentada com os olhos fechados e, quando eu "visualizei" na mi­nha tela mental que toda a névoa havia se dispersado, a garota abriu os olhos e, para minha surpresa, disse: "O que você fez? A dor se foi!" Mais adiante, cheguei intuitivamente à idéia da cura com cores, sem saber sobre as numerosas publicações e os prati­cantes ocidentais que defendiam esse método. Isso aconteceu após minhas primeiras tentativas de percepção dermo-óptica, quando descobri que o desenvolvimento dessa percepção aumenta a sensibilidade do indivíduo para o biocampo humano (aura) e a capacidade para perceber as cores, a estrutura da aura e fazer a diagnose.
 
Comecei a trabalhar com diversas pessoas que haviam pre­viamente aprendido a dermo-óptica e descobri que muitas delas sentiam uma leve sensação de formigamento (zumbido e/ou vi­bração) enquanto moviam as mãos ao longo do corpo humano, quinze a quarenta e cinco centímetros do mesmo. Acreditamos que isso era produzido por uma interação entre a mão da pessoa e o biocampo humano (aura). Aprendemos que uma pessoa sem enfermidades tem um biocampo mais ou menos regular, cons­tante e previsível. Mas, quando a pessoa doente tinha alguma desordem, meus alunos e eu sentíamos uma distorção (desequilíbrio) no campo energético. Muitas vezes, não podíamos explicar isso em termos médicos, pois todos nós tínhamos pouco conhecimento dessa área. Naquela época, comecei a dar pales­tras sobre o fenômeno psi e cura.
 
Quando a palestra era para uma audiência sem conheci­mentos médicos, normalmente eu evitava demonstrações de diagnoses e curas, porque eu não desejava transformar a minha apresentação em algo parecido com um espetáculo de circo. Mas, quando falava para uma audiência médica, eu sempre de­monstrava com sucesso as diagnoses, apontando onde as pes­soas doentes tinham problemas - inflamações, tumores, úlce­ras, cicatrizes de operações anteriores etc. Embora estivesse atraída pelas possibilidades que essa espécie de diagnose pode­ria trazer, e gosto de poder ajudar as pessoas, eu estava mais in­teressada em uma possibilidade ainda maior: mostrar às pesso­as seus potenciais escondidos. Eu disse a mim mesma: "Todos nós somos clarividentes, curadores, somente precisamos permi­tir-nos ver, sentir e experimentar."
 
Nessa época, no começo dos anos setenta, comecei a traba­lhar com Barbara no Laboratório de Bioinformação. Ela logo se tornou minha professora e amiga mais querida. Embora ela nunca tivesse olhado para nosso relacionamento nos termos de professora/aluna, seu vasto conhecimento, sua intuição surpre­endente e seu otimismo inesgotável trouxeram com muita luz e alegria para minha vida. Barbara, que tem ajudado centenas de indivíduos de várias cidades e aldeias da União Soviética a des­pertar seus poderes de cura, repetidamente nos aconselhou a sermos muito cuidadosos com esse tipo de treinamento:
"Ter a aptidão de irradiar bioenergia não é suficiente para dar a alguém o direito de curar. Antes de tudo, uma harmoniza­ção de ambos, pessoa doente e curador, é necessária, e somente depois, deve se tentar mandar a energia. Não pode haver resul­tados finais sem um certo desenvolvimento ético e moral."
 
Graças à sugestão de Barbara, compreendi que é perigoso levar as pessoas a um desenvolvimento de seus poderes de cura sem um desenvolvimento espiritual simultâneo, pois as mesmas energias podem ser usadas não somente em uma direção positi­va, mas também negativa. Porém, levar as pessoas a um desen­volvimento espiritual na Rússia daqueles tempos era extrema­mente difícil (se não impossível), onde ESP era chamado de "bioinformação" e aura de "biocampo".
 
Enquanto eu ainda estava buscando meus interesses em muitos aspectos do psi e do auto-desenvolvimento e continuan­do a dar palestras sobre Parapsicologia e cura, decidi não mais liderar grupos de treinamento. Nas minhas meditações, cheguei primeiro a uma sensação, e depois à decisão, de que eu deveria mudar minha vida completamente e deixar a União Soviética.
 
Levei três dolorosos anos para obter meu visto de saída da URSS. Durante esses anos, passei por muitos problemas, o stress era insuportável e tive que diminuir minha sensibilidade inten­cionalmente. Quando finalmente consegui sair (primeiro para Israel e depois para os Estados Unidos) e emergir sozinha em um mundo completamente desconhecido, sentia-me totalmente exausta, gasta e esgotada - física, emocional e espiritualmente. Parecia-me que estava muitos anos atrás olhando para o desen­volvimento dos meus próprios poderes paranormais; muito foi perdido, pensei, nessa luta pela liberdade. Embora eu tentasse fazer curas ocasionais para ajudar amigos, não me sentia com vontade de tentar ir adiante, nem em pesquisa ou auto-desen­volvimento. Até parei minhas meditações. Quando me mudei para os Estados Unidos em 1981, logo comecei a revista Psi Research, uma edição trimestral internacional sobre Parapsicologia e estu­dos sobre o potencial humano. Naquela época, sentia que escre­ver era a única atividade que havia para mim, mas, dois anos mais tarde, descobri que não era bem assim.
 
No começo de 1983, recebi um artigo da União Soviética que me intrigou. Intitulado "Conheça-se a Si Mesmo", o artigo descrevia um entusiasta soviético da auto-exploração, Valery Avdeyev, que demonstrava o andar sobre brasas cruzando, sem nenhum dano, uma fogueira de brasas ardentes de 9,9 metros de comprimento, baseado em sua firme crença do virtual e ilimita­do potencial humano escondido. "Assim que submetemos nosso organismo a condições extremas pondera ele, "além dos meca­nismos de proteção instintiva, outros mecanismos de defesa es­pecíficos e subconscientes serão ativados." Avdeyev descreveu não somente sua primeira tentativa bem-sucedida de andar so­bre brasas, como também uma outra ocasião em que ele "não conseguiu permanecer em um estado apropriado de mente" e se queimou. "Essa segunda tentativa me ensinou muito", escreveu ele. "Compreendi que o fator primordial necessário para andar sobre as brasas era entrar em um estado de consciência no qual isso parecesse possível. Pode-se aprender não somente a tocar violino, correr 100 metros rasos, nadar  de peito, mas também se dessensibilizar do fogo."
 
Tive logo a oportunidade de convencer-me de que ele esta­va certo através da minha própria experiência. No outono de 1983, fui convidada para um "workshop sobre andar sobre bra­sas" em Portland, Oregon, conduzido por um professor espiri­tual da Califórnia, Tolly Burkan, que aprendera essa arte do alu­no de um tibetano. Embora Tolly prometesse ensinar todos como andar com segurança sobre brasas em menos de quatro horas, eu tinha ido com a intenção de não fazer a maluquice de andar sobre brasas", mas sim para escrever sobre o assunto para a revista Psi Research. Mas, quando eu vi Tolly andando so­bre as quentes brasas vermelhas, e depois outros, inclusive uma garota de doze anos que o seguiu, lembrei-me de Avdeyev e per­guntei a mim mesma: "Se ele pode andar sobre aquelas brasas, se Tolly pode, se outros também, por que eu não poderia? Eles têm a mesma pele e tecido que eu!" Senti que tudo bem se eu participasse. As brasas, de um laranja claro brilhante, pareciam convidativas e amigáveis. Subitamente percebi que eu podia fazê-lo, que eu iria fazê-lo — e fui! As brasas eram quentes, mas não insuportáveis; era como andar sobre areia quente. Senti-me estimulada: "Consegui! Consegui!"
 
Agora eu tinha certeza: sim, andar sobre brasas é definiti­vamente possível até para indivíduos destreinados. Estudei físi­ca ao mesmo tempo e sei que o tecido humano normalmente não suporta temperaturas acima de 60°C (140°F) e a tempera­tura das brasas normalmente excede 600°C (1200/1300°F). Que forças e mecanismos protegem, então, a pele das queimaduras? Revisei cuidadosamente a literatura disponível. Histórias de pessoas andando através de infernos sem nenhum dano vieram da índia, Grécia, Bulgária, Sri Lanka, Pacífico do Sul, África, In­donésia e Japão. A Dra. Vittoria Manganas, ao estudar por dois anos os gregos que andavam sobre brasas, conduziu testes médi­cos e psiquiátricos. Ela acredita que o componente crucial é a compreensão clara de que se irá vencer: "Os dançarinos gregos sobre brasas, filipinos, islâmicos e indianos usam diferentes tipos de fé religiosa para conseguir a força da crença absoluta."
 
Parece-me agora que compreendo o que aconteceu no workshop de Tolly Burkan sobre andar em brasas. Quando as pessoas vêem alguém fazendo algo que parece impossível (por exemplo, andar sobre brasas!), elas sentem uma mudança ins­tantânea em seu sistema de crença, o que faz com que seja possí­vel a elas "desaprender" suas limitações e "reprogramar-se" ins­tantaneamente. De uma maneira semelhante, quando Rosa Kuleshova demonstrou suas capacidades dermo-ópticas e então pediu a outros que reconhecessem cores e desenhos com os olhos fechados, muitos foram bem-sucedidos, pois haviam aca­bado de testemunhar outra pessoa fazendo a "proeza impossí­vel”. Eu havia demonstrado anteriormente a diagnose da aura e a cura, o que levou as pessoas a acreditarem em poderes "impos­síveis". Agora compreendo que possuo uma "arma" muito mais importante: ser capaz de mostrar como se anda sobre brasas. Heureca! Era disso que eu precisava. Fui até Tolly Burkan e dis­se: "Gostaria de estudar com você. Quero saber tudo o que você sabe. Quero compreender a arte de andar sobre o fogo e ser capaz de conduzir esses workshops."
 
Em maio de 1984, fui convidada para participar de uma viagem de estudo por três semanas com Tolly Burkan e sua es­posa Peggy com o objetivo de me tornar uma "instrutora do an­dar sobre brasas" - aprender a conduzir workshops sobre andar nas brasas. Durante esse treinamento, Tolly e Peggy nos leva­ram não somente para exercícios de respiração e transpiração terapêutica nas tendas aquecidas de índios americanos, como também através de testes inéditos.
 
O tópico específico dos seminários de Tolly era sobrepujar o medo e as limitações através do andar  sobre brasas, e nós, os onze em treinamento (incluindo três mulheres), fomos convida­dos a romper com nossos próprios medos e limitações. As tare­fas propostas a nós durante essas "três semanas fora dos limites" incluíam fazer explorações na maior caverna da Califórnia (que começava com uma descida de 66 metros em uma corda), salto de pára-quedas, passar uma noite sozinha na floresta e outras "provas" semelhantes. Isso foi muito mais difícil para mim do que andar sobre as brasas, pois alguns desses testes requeriam um certo grau de aptidão física, o que eu não tenho, mas ainda assim tive que enfrentar o desafio. Ao iniciar a descida de um escarpado com a ajuda de cordas ou ao pular de um avião (fiz dois saltos de pára-quedas), pensava: "Estarei nas mãos de Deus! Sei que fisicamente não estou preparada para fazer algo assim, mas eu posso e farei!"
 
Enquanto nosso grupo viajava pela costa oeste dos Estados Unidos, presenciei centenas de pessoas "destreinadas" andarem sobre leitos de brasas ardentes após três ou quatro horas de se­minários, e saírem ilesas ou com uma bolha ocasional. Fiquei in­teressada nas diferenças que havia entre os que tinham bolhas e os que saíam completamente ilesos do leito de brasas. Minhas observações preliminares indicavam que não havia diferenças óbvias ou facilmente detectáveis. A única tendência que eu po­dia localizar com precisão era que aqueles que caminhavam com maior confiança (não necessariamente rápido, muitas ve­zes bem ao contrário) muito raramente tinham bolhas. Quando perguntei a Peggy Burkan se ela tinha uma técnica "anti-bolhas", sua resposta foi imediata: "Às vezes eu também tenho bolhas. O mais importante é não ir para o fogo negligentemente! Quando eu começo a ter bolhas, preciso elevar o nível da minha energia." Sua resposta me recordou o que havia lido algum tempo atrás a respeito do andar sobre brasas na Polinésia.
No começo do século, o Coronel Gudgeon escreveu acerca de uma cerimônia de andar sobre brasas na Polinésia, na qual quatro europeus participaram. Ele descreveu que o sacerdote local (chamado tohunga no dialeto) e seu discípulo vieram até os europeus, e o discípulo entregou a um deles um galho da planta Ti (dracena), enquanto o sacerdote dizia a ele: "Eu entrego meu mana (poder) a você; guie seus amigos." Gudgeon, que andou pelas quentes pedras vermelhas sem dano, enfatiza nesse relato: "um homem precisa ter mana para fazer isso; se ele não tem, será muito tarde quando estiver sobre as pedras quentes... Eu só posso lhes dizer que isso é mana - mana tangata e mana atua."
 
Será que essa é só mais uma crença que pode ser dispensada tão facilmente quanto a noção de observar-se uma específica dieta para andar com sucesso sobre as brasas (que é conhecida na Grécia e outros países)? Ou estamos novamente nos depa­rando com esse conceito sobre "energia vital" conhecido como Prana, Chi ou Mana? Afinal, todos os pesquisadores (por exem­plo, Joseph Chilton Pearce e Andrew Weil) indicam uma clara ligação entre andar sobre brasas e cura:
"Concordo com os gregos que andam sobre brasas que o
poder que os protege da queima também pode curar doenças (ênfase acrescentada). A mente possui a çhave para a cura, e a cura é tão extraordinária como andar sobre brasas. Também pode fazer uso de alguns caminhos e mecanismos nervosos."
 
Os Yogues afirmam que o prana cura, e os mestres chineses de chi-gong atribuem as mesmas qualidades à energia chi. Fico propensa a acreditar que os workshops sobre andar nas brasas, que normalmente incluem o canto coletivo, Aum, entoações e outros tipos de interação grupal, levam a um "focar de energia" dos participantes (se podemos falar nesses termos), para criar uma energia grupai unificada e sinergética. Barbara conduz ses­sões de cura em massa onde ela trabalha com todo o grupo de uma maneira semelhante àquela usada quando cura uma só pes­soa doente. Ela acredita que o "campo de energia grupal" é cria­do durante esse processo. Outro curador de Moscou, Alexander Maisyuk, discute idéias semelhantes:
"Todas as ações em que o ser humano participa podem ser subdivididas em individuais e coletivas. "Coletivo" supõe três ou mais pessoas. Quando são somente duas, ainda é um ato pesso­al. Nas sociedades primitivas, supõe-se que uma consciência, coletiva, tem um grau maior de poder e influência. Isso é baseado na bem conhecida afirmação de que um pensamento é uma ação. Isso confronta uma das questões básicas da filoso­fia: o que é uma ação? O conceito ou idéia de uma ação corresponde à ação em si mesma? Se é assim, possivelmente podemos explicar os fenômenos e as visões que ocorrem na cura em grupo e oração em grupo."
 
Quando estudei sobre andar nas brasas com Tolly e Peggy Burkan, recebi uma pista mais interessante na mesma direção. No último dia do nosso curso de treinamento, eles conduziram um tipo de "cerimônia de graduação" do nosso grupo, que in­cluía um antigo ritual indígena americano com penas. Enquanto Peggy colocava sálvia no carvão ardente e orava, Peggy nos cha­mou um a um para perto dela e moveu as penas do ritual em vol­ta da pessoa, sussurrando algo que era quase inaudível para o resto do grupo. Quando fui até ela, não tinha nenhuma expecta­tiva ou preconceitos a respeito do que iria acontecer; na verda­de, eu respeitei o ritual, mas não esperei nada em especial. Po­rém, parada com meus olhos fechados, como era esperado, senti um tremendo surto de energia através do meu corpo, de uma in­tensidade que eu nunca havia sentido antes em minha vida. E então eu ouvi as palavras de Peggy: "Tome o poder!"
 
Concordo que esse conceito de energia externa leva à mes­ma questão feita pelo Dr. Weil: "Por que os que andam sobre brasas, de Fiji até a Grécia, pensam que seus poderes vêm de di­vindades e santos ao invés de suas próprias mentes?" Acredito que não há contradição entre as duas visões: somos interligados uns aos outros e as forças e energias externas, conhecidas e des­conhecidas, e o que se acredita ser o poder da nossa mente po­dem ser o resultado dessas interligações globais.
 
Logo após meu aprendizado com os Burkans, comecei meus próprios workshops sobre andar nas brasas pelos Estados Unidos e Europa. Senti-me então muito mais confiante: quero usar essa técnica como um instrumento, como uma metáfora pa­ra levar as pessoas a sobrepor seus medos e crenças limitadoras, para curar, mudar e crescer psicologicamente. "Se você pode andar sobre as brasas, você pode fazer tudo o que quiser", falo, repetindo Tolly. Concordo plenamente com ele de que "nada nos limita mais do que o medo", e, embora eu compreenda que o andar nas brasas não seja o único meio de se libertar do medo, pela minha própria experiência, vejo que é eficaz.
 
Com a recente difusão do interesse pelo andar nas brasas, tenho também pensado em outra intrigante possibilidade. Já se sabe de longa data que os dançarinos sobre brasas gregos "consi­deram-se curadores de toda a comunidade." Crenças semelhan­tes estão difundidas em outras partes do mundo onde o andar e dançar sobre brasas são praticados como um ritual. Eu estou longe de endossar as reivindicações que a Meditação Transcen­dental (TM) advoga que a prática da TM por muitos indivíduos cria um efeito inexplicável no "campo social", que resulta em uma diminuição de acidentes, doenças e crimes (como foi apu­rado por indicadores estatísticos sociais) em suas comunidades. Mas, uma vez que fiquei mais integrada ao andar sobre brasas, meus pensamentos ficam retornando à possibilidade de que an­dar sobre brasas tem potenciais iguais para representar esse pa­pel. Afinal, tem-se comprovado que muitas lendas e rituais anti­gos estão baseados em fatos e não na imaginação das pessoas. Por que não uma outra?
 
Acredito que estudar o andar sobre brasas (tanto a prática tradicional como a contemporânea) nos levará a uma melhor compreensão dos mecanismos da cura parapsicológica e auto-cura, especialmente à luz das sugestões dadas acima por J.C. Pearce, A.Weil e outros, onde se diz que "andar sobre brasas en­volve o mesmo processo da cura inata." Agora, todos meus inte­resses se encontraram: junto com a direção de seminários sobre andar nas brasas, comecei novamente a ensinar cura "parapsico­lógica" e "por energia" (alguns dos meus seminários de cura ter­minam com um caminhar sobre brasas). Fico muito feliz de ver que muitos dos participantes dos seminários sobre andar nas brasas estão extremamente interessados em explorar as implica­ções espirituais dessa prática, considerando os seminários como experiências espirituais profundas. Ao mesmo tempo, a maior parte dos participantes compreende claramente que o andar so­bre brasas não é o último objetivo, mas apenas o início da auto-exploração, transformação pessoal e uma melhor compreensão de nós mesmos, nossa consciência e o universo.
 
Do livro ”O CÁLICE DOURADO”, de Barbara Ivanova

________________

Poderes adquiridos por seres de pouca consciência acabam exigindo um controle externo? O artigo A INFLUÊNCIA DIRETIVA POR TRÁS DO PROCESSO HISTÓRICO  toca nessa questão. No entanto, o caminho do crescimento implica integrar mais e mais partes reprimidas ou desconhecidas em nós.

 
publicado por conspiratio às 20:28
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