Domingo, 20 de Dezembro de 2009

RUÍNAS DE UMA ANTIGA CIDADE DESCONHECIDA, NO BRASIL




O manuscrito 512, ou documento 512, consiste em um dos arquivos manuscritos da época Brasil colonianista que está guardado no acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Tal documento, tem caráter expedicionário, e consiste em um relato de um grupo de bandeirantes, embora o nome de seu autor seja desconhecido.


Este manuscrito é a base da maior fábula arqueológica nacional, e um dos mais famosos documentos da Biblioteca Nacional. O acesso ao relato original é extremamente restrito atualmente, embora uma versão digitalizada dele tenha sido disponibilizada recentemente com a atualização digital da biblioteca nacional.


Descoberta e Valorização


Não obstante a datação do anos de 1753, estima-se que a escritura seja realmente setecentista por determinados aspectos relatados, seu descobrimento e noção de relevância, contudo, ocorreram apenas em 1839. De forma um tanto irônica para com a importância do documento, e ainda de maneira a reforçar todo o mito que envolve o objeto, o documento 512 foi encontrado ao acaso, esquecido no acervo da biblioteca da corte (então a biblioteca nacional).


O manuscrito, muito antigo, e já deteriorado pelo tempo, foi descoberto por Manuel Ferreira Lagos, e posteriormente entregue ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB); foi nas mãos de um dos fundadores do instituto que a escritura teve seu real valor reconhecido e e divulgado: após leitura o cônego Januário da Cunha Barbosa publicou uma cópia integral do manuscrito na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com a adição de um prefácio no qual esboçava uma teoria de ligação entre o assunto do documento e a saga de Roberto Dias, um homem que fora aprisionado pela coroa portuguesa por se negar a fazer revelações a respeito de minas de metais preciosos na Bahia.


Em um contexto de busca da identidade nacional, e valoração dos atributos brasileiros, o documento ganhou um destaque e um enfoque cada vez maiores ao longo dos anos, tanto por parte de aventureiros, como intelectuais, religiosos, e até do próprio imperador Dom Pedro II. O tão investigado relato que faz o documento, e que foi motivo de sua relevância ao longo da história defendido arduamente por muitos, contestado calorosamente por outros, e obsessivamente buscado por alguns: o documento 512 traz o relato do encontro de alguns bandeirantes com as ruínas de uma cidade perdida, uma civilização arruinada em meio à selva brasileira com indícios de desenvolvimento cognitivo, além de riquezas, e um fim desconhecidos.


O Mito da Cidade Perdida


O documento que hoje traz o subtitulo de Relação histórica de uma occulta e grande povoação antiquissima sem moradores, que se descobriu no anno de 1753, narra o encontro do grupo de bandeirantes com ruínas de uma cidade perdida e desconhecida até então.


O relato da expedição, em sua parte mais conhecida, conta que houve quem avistasse de uma grande montanha brilhante, em consequência da presença de cristais e que atraiu a atenção do grupo, bem como seu pasmo e admiração. Tal montanha frustou o grupo ao tentar escalá-la, e transpô-la foi possível apenas por acaso, pelo fato de um negro que acompanhava a comitiva ter feito caça a um animal e encontrado na perseguição um caminho pavimentado em pedras que passada por dentro da montanha rumo a um destino ignorado.


Após atingir o topo da montanha de cristal os bandeirantes avistaram uma grande cidade, que a princípio confundiram com alguma pole já existente da costa brasileira e devidamente colonizada e civilizada, todavia ao inspecioná-la verificaram uma lista de estranhezas entre ela e o estilo local, além do fato de estar em alguns trechos completamente arruinada, e absoluta e totalmente vazia: seus prédios, muitos deles co mais de um andar jaziam abandonados e sem qualquer vestígio de presença humana, como móveis ou outros artefatos.


A entrada da cidade era possível apenas por meio de somente um caminho, macadamizado, e ornado na entrada com três arcos, o principal e maior ao centro, e dois menores aos lados; o autor do texto expedicionário observa que todos traziam inscrições em uma letra indecifrável no alto, que lhes foi impossível ler dada a altura dos arcos, e menos ainda reconhecer.


O aspecto da cidade narrada no documento 512 mescla caracteres semelhantes aos de civilizações antigas, porém traz ainda outros elementos inidentificados ou sem associação; o cronista observa que todas as casas do local semelhavam à apenas uma, por vezes ligadas entre si em uma construção simétrica e uníssona.


Há descrição de diversos ambientes observados pelos bandeirantes, admirados e confusos com seu achado, todos relatados com associações do narrador, tais como: a praça na qual se erguia uma coluna negra e sobre ela uma estátua que apontava o norte, o pórtico da rua que era encimado por uma figura despida da cintura para cima e trazia na cabeça uma coroa de louros, os edifícios imensos que margeavam a praça e traziam em relevo figuras de alguma espécie de corvos e cruzes.


Segundo a narrativa transcrita no documento, próximo a tal praça haveria ainda um rio que foi seguido pela comitiva e que terminaria em uma cachoeira, que aparentemente teria alguma função semelhante a de um cemitérios, posto que estava rodeada de tumbas com diversas inscrições, foi neste local que os homens encontraram um curioso objeto que segue descrito a seguir.


Entrementes, quando a expedição seguiu adiante e encontrou os rios Paraguaçu e Una, o manuscrito foi confeccionado em forma de carta, com o respectivo relato, e enviado às autoridades no Rio de Janeiro; a identidade dos bandeirantes do grupo aparentemente foi perdida, restando apenas o manuscrito enviado, e a localização da cidade supostamente visitada tornou-se um mistérios que viria atrair atenção de renomadas figuras históricas.


A Moeda de Ouro e O Rapaz Ajoelhado


O único objeto mencionado pela expedição de bandeirantes, que foi encontrado ao acaso, e descrito cuidadosamente na carta consiste em uma grande moeda confeccionada em ouro. Tal objeto, de existência e destino incógnitos, trazia emblemas em sua superfície: cravados na peça havia em uma face o desenho de um rapaz ajoelhado, e no reverso combinados permaneciam as imagens de um arco, uma coroa, e uma flecha.


O Manuscrito 512


Relação historica de huma oculta, e grande Povoação, antiguissima sem moradores, que se descubrio no anno de 1753.


Em a America ................. nos interiores ................. contiguo aos ................. Mestre de campo .................. e sua comitiva, havendo dez annos de que viajava pelos certões, a vêr se descubria as decantadas minas de Prata do grande descubridor Moribeca, que por culpa de hum Governador se não fizerão patentes, pois queria lhe uzurpar-lhe esta gloria e o teve prezo na Bahia até morrer, e fi-arão por descubrir: Veio esta noticia ao Rio de Janeiro em principio do anno de 1754.


Depois de huma longa, e inoportuna perigrinação, incitados da incaciavel cobiça de ouro, e quazi perdidos em muitos annos por este vastissimo certão, descubrimos huma cordi-lheira de montes tão elevados, que parecia chegavão a Região etheria, e que servirão de throno ao vento as mesmas estrellas; o luzimento que de Longe se admirava, principalmente quando o Sol fazia impressão ao Cristal de que era composta e formando hu-ma vista tão grande e agradavel, que nin-guem daquelles reflexos podia afastar os olhos: entrou a chover antes de entrarmos a registrar esta christallina maravilha e viamos sobre a pedra escalvada correr as agoas precipitando-se dos altos rochedos, parecendo-nos como a neve, ferida dos raios do sol, pelas admiraveis vistas daquelle chris .................. uina se reduziria ................. das aguas e tranqui-lidade do tempo nos resolvemos a investigar aquelle admiravel prodigio da natureza, chegando-nos no pé dos Montes, sem embaraço algu de Matos, ou Rios, que nos difficultasse o trânsito, porem, circulando as Montanhas, não achamos pasio franco para exe-cutar-mos a rezolução de accommeter-mos estes Al-pes e Pyrineos Brasílicos, rezultando-nos deste des-engano huma inexplicavel tristeza.


Abarracados nós, e com o dezignio de retrocedermos no dia seguinte, sucedeo correr hum negro, andando à lenha, a hum veado branco, que vio, e descobrir por este acazo o caminho entre duas serras, que parecião cortadas por artifi-cio, e não pela Natureza: com o alvoroço desta novi-dade principiamos a subir, achando muita pedra solta, e amontoada por onde julgamos ser calçada desfeita com a continuação do tempo. Gasta-mos boas tres horas na subida, porém suave pelos christaes que admiravamos, e no cume do Monte, fizemos alto, do qual estendendo a vista, vimos em hum Campo razo maiores demonstracoes para a nossa admiração.


Divisamos cousa de legoa, e meia huma Povoação grande, persuadindo-nos pelo dilatado da figu-ra ser alguma cidade da Corte do Brazil: descemos logo ao Valle com cautela ................ lferia em semelhante cazo, mandando explorar ................ gar a qualidade, e ................. se bem que repararam ................. Fuminés, sendo este, hum dos signaes evidentes das povoações.


Estivemos dois dias esperando aos ex-ploradores para o fim que muito desejavamos, e só ouviamos cantar gallos para ajuizar que havia alli po-voadores, até que chegarão os nossos desenganados de que não havia moradores,ficando todos confu-zos: Resolveo-se depois hum índio da nossa com-mitiva a entrar a todo risco, e com precaução, mas tornando assombrado, afirmou não achar, nem desco-brir rastro de pessoa algua: este cazo nos fez confundir de sorte, que não o acreditamos pelo que via-mos de domecilios, e assim se arranjarão todos os exploradores a ir seguindo os passos do índio.


Vierão, confirmando o referido depoimento de não haver povo, e assim nos determinamos todos a entrar com armas por esta povoação, em huma madrugada, sem haver quem nos sahisse ao encontro a impedir os passos, e não achamos outro caminho senão o unico que tem a grande povoação, cuja entrada he por tres arcos de grande altura, o do meio he maior, e os dois dos lados são mais pequenos: sobre o grande, e principal devizamos Letras, que se não poderão copiar pela grande altura


Faz huma rua da largura dos três arcos, com cazas de sobrados de huma, e outra parte, com as fronteiras de pedra lavrada, e já denegrida. So ................ inscripções, abertas todas ................. ortas são baxas defei................. nas, notando que pela regularidade, e semetria em que estão feitas, pa-rece huma só propriedade de cazas, sendo em realidade muitas, e alguas com seus terraços des-cubertos, e sem telha, porque os tetos são de ladri-lho requeimado huns, e de lajes outros.


Corremos com bastante pavor alguas cazas, e em nenhuma achamos vestígios de alfaias, nem móveis, que pudéssemos pelo uso, e trato, conhecer a qualidade dos naturaes: as cazas são todas escuras no interior, e apenas tem huma escaça luz, e como são abóbodas, ressoavam os ecos dos que falavão, e as mesmas vozes atemorizavão.


Passada, e vista a rua de bom cumprimento, demos em huma Praça regular, e no meio della huma collumna de pedra preta de grandeza extraordinária, e sobre ella huma Estatua de homem ordinario, com huma mão na ilharga esquerda, e o braço direito estendido, mostrando com o dedo index ao Polo do Norte: em cada canto da dita Praça está huma Agulha a immitação das que usavão os Romanos, e mais algumas já maltratadas, e partidas, como feridas de alguns raios.


Pelo lado direito desta Praça esta hum soberbo edifício, como casa principal de algu se-nhor da Terra, faz hum grande sallão na entrada e ainda com medo não corremos todas as casas, sendo tantas, e as retrat ................... zerão formar algu............... mara achamos hum................. massa de extraordinária................. pessoas lhe custavão a levanta lla.


Os morcegos erão tantos, que investião as caras das gentes, e fazião uma tal bulha, que admirava: sobre o pórtico principal da rua está huma figura de meio relevo talhada da mes-ma pedra e despida da cintura para cima, coroa-da de louro: reprezenta pessoa de pouca idade, sem barba, com huma banda atraveçada, e hum fraldelim pela cintura: debaixo do escudo da tal figura tem alguns characteres já gastos com o tempo, divizão-se, porém os seguintes:


Da parte esquerda da dita Praça esta outro edifício totalmente arruinado, e pelos vestígios bem mostra que foi Templo, porque ainda conserva parte de seu magnífico frontespicio, e alguas naves de pedra inteira: ocupa grande territorio, e nas suas arruinadas paredes, se vem obras de primor com alguas figuras, e retratos embutidos na pedra com cruzes de vários feitios, corvos, e outras miudezas que carecem de largo tempo para admira llas. Segue-se a este edificio huma grande parte de Povoação toda arruinada e sepultada em grandes, e medonhas aberturas da terra, sem que em toda esta circunferencia se veja herva, arvore, ou plan-ta produzida pela natureza, mas sim montões de pedra, humas toscas outras lavradas, pelo que entendemos ha as fronteiras de ................. verção, porque ainda entre ................. da de cadáveres, que ................ e parte desta infeliz ................. da, e desamparada, ............. talves por algum terremoto.


Defronte da dita Praça corre hum caudalozo Rio, arrebatadamente largo, e espaçoso com alguas margens, que o fazem muito agradavel a vista, terá de largura onze, até doze braças, sem voltas concideraveis, limpas as margens de arvoredo, e troncos, que as inundações costumão trazer: sondamos a sua Altura, e achamos nas partes mais profundas quinze, até dezesseis braças. Daparte dalém tudo são campos muito viçosos, e com tanta variedade de flores, que parece entoar a Natureza, mais cuida-doza por estas partes, fazendo produzir os mais mi-mozos campos de Flora: admiramos tambem algu-mas lagôas todas cheias de arrôs: do qual nos aproveitamos e também dos innumeraveis ban-dos de patos que se crião na fertilidade destes campos, sem nos ser deficil cassa-llos sem chum-bo mas sim as mãos.


Tres dias caminhamos Rio abaixo, e topamos huma catadupa de tanto estrondo pela força das agoas, e rezistencia no lugar, que julgamos não faria maior as boccas do decantado Nillo: depois deste salto espraia de sorte o Rio que parece o grande Oceano: He todo cheio de Peninsulas, cubertas de verde relva: com alguas arvores disperças, que fazem...............hum tiro com davel. Aqui achamos................. a falta delle de noss............... ta variedade de caça................ tros muitos animais criados sem cassadores que os corrão, e os persigão.


Daparte do oriente desta catadupa achamos varios subcavões, e medonhas covas, fazendo-se experiência de sua profundidade com muitas cordas; as quais por mais compridas que fossem, nunca podemos topar com o seu centro. Achamos também alguas pedras soltas, e na superfície da terra, cravadas de pra-ta, como tiradas das minas, deixadas no tempo


Entre estas furnas vimos huma coberta com huma grande lage, e com as seguintes figuras lavradas na mesma pedra, que insinuão grande mistério ao que parece. **** Sobre o Portico do Templo vimos outras da forma seguinte dessignadas.


Afastado da Povoação, tiro de canhão, está hum edificio, como caza de campo, de duzentos e sincoenta passos de frente; pelo qual se entra por hum grande portico, e se sobe, por huma escada de pedra de varias côres, dando-se logo em huma grande salla, e depois desta em quin-ze cazas pequenas todas com portas para a dita salla, e cada huma sobre si, e com sua bica de agoa ...............qual agoa de ajunta ...............mão no pateo externo ..................columnatas em cir- ................dra quadrados por arteficio, suspensa com os seguintes caracteres:


Depois destas admirações entramos pelas margens do Rio a fazer experiencia de descobrir ouro e sem trabalho achamos boa pinta na superficie da terra, prometendo-nos muita grandeza, assim de ouro, como de prata: admiramo-nos ser deixada esta Povoação dos que a habita-vão, não tendo achado a nossa exacta diligencia por estes certões pessoa algua, que nos conte desta deploravel maravilha de quem fosse esta povoação, mostrando bem nas suas ruínas a figura, de grandeza que teria, e como seria populosa, e oppulenta nos séculos em que floreceu povoada; estando hoje habitada de andorinhas, Morcegos, Ratos e Rapozas que cebadas na muita creação de galinhas, e patos, se fazem maiores que hum cão perdigueiro. Os Ratos tem as per-nas tão curtas, que saltão como pulgas, e não andão, nem correm como os de povoado.


Daqui deste lugar se apartou hum companheiro, o qual com outros mais, depois de nove dias de boa marcha avistarão a beira de huma grande enseada que faz hum Rio a huma canôa com duas pessoas brancas, e de cabellos pretos, e soltos, vestidos a Europea, e dando hum tiro como signal para sever .................... para fugirem. Ter ................ felpudos, e bravos, .................. ga a elles se encrespão todos, e investem


Hum nosso companheiro chamado João Antonio achou em as ruinas de huma caza hum dinheiro de ouro, figura esferica, maior que as nossas moedas de seis mil e quatrocentos: de huma parte com a imagem, ou figura de hum moço posto de joelhos, e da outra parte hum arco, huma coroa e huma setta, de cujo genero não duvidarmos se ache muito na dita povoação, ou cidade dissolada, por que se foi subversão por algu terremoto, não daria tempo o repente a por em recato o preciozo, mas he necessario hum braço muito forte, e poderozo para revolver aquele entulho calçado de tantos annos como mostra.


Estas noticias mando a v.m., deste cer-tão da Bahia, e dos Rios Pará-oaçu, Uná, assen-tando não darmos parte a pessoa algua, por-que julgamos se despovoarão Villas, e Arraiais; mas eu a V.me. a dou das Minas que temos descuberto, lembrando do muito que lhe devo.


Suposto que da nossa Companhia sahio já hum companheiro com pretexto differente, contudo peço-lhe a V.me. largue essas penúrias, e venha utilizar-se destas grandezas, usando da industrias de peitar esse indio, para se fazer perdido, e conduzir a V.me. para estes thesouros, etc ................... Acharão nas entradas .................... sobre lages.


Referências


* ANÔNIMO. Relação histórica de uma oculta e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no ano de 1753. Na América [...] nos interiores [...] contiguos aos [...] mestre de campo e sua comitiva, havendo dez anos, que viajava pelos sertões, a ver se descobria as decantadas minas de prata do grande descobridor Moribeca, que por culpa de um governador se não fizeram patentes, pois queria uzurpar-lhe esta glória, e o teve preso na Bahia até morrer, e ficaram por descobrir. Veio esta notícia ao Rio de Janeiro no princípio do ano de 1754.. Bahia/Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, documento n. 512, 1754.




http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuscrito_512

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2009-05-04 17:27


Há quase 250 anos a narração de uma viagem de bandeirantes indicava a existência de uma cidade fantástica no interior da Bahia. Muitos pesquisadores procuraram por ela e, agora, existem indícios de que ela pode ter sido encontrada.



Pablo Villarrubia Mauso



Estava caminhando por uma longa estrada de pedras arredondadas, marcada pela presença das ruínas de inúmeras casas de pedra. Algumas eram construídas com blocos ciclópicos bem cortados e com até dois metros de comprimento, que deviam pesar mais de três toneladas. À minha esquerda, vi grandes amontoados de lajes e, poucos passos à direita, abria-se um desfiladeiro que se perdia de vista. Tinha deixado para trás um complexo de ruas e ruínas de construções espalhadas sobre uma grande área montanhosa.


Emocionado e cansado após muitas horas de caminhada subindo a encosta, finalmente o resultado valeu a pena: tinha chegado à famosa ‘cidade perdida’ do Brasil, a ‘Machu Picchu brasileira’, a mesma que o célebre coronel inglês Percy Harrison Fawcett buscou com tanta tenacidade e afinco entre os anos de 1921 e 1925, data de seu trágico desaparecimento nas selvas do Mato Grosso.


Continuei descendo a montanha até encontrar um edifício com muitas janelas e com mais de 30 metros de comprimento. Estava na cidade abandonada de Igatú, município de Andaraí, em plena Chapada Diamantina, no estado da Bahia. “Esta é a cidade que aparece no manuscrito número 512, conservado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, o mesmo documento que despertou o interesse de muitos estudiosos”, afirmou o explorador alemão Heinz Budweg, em São Paulo. A se acreditar nisso, Budweg conseguiu decifrar um dos maiores enigmas arqueológicos do século: o da existência de uma cidade pré-colombiana em território sul-americano oriental, onde se supunha que apenas haviam habitado indígenas ‘selvagens’, que jamais tinham construído cidades de pedra.


Muitas hipóteses controversas foram elaboradas sobre a origem dos construtores da cidade perdida, até então conhecida apenas por meio de lendas e crônicas. Para uns, poderiam ser incas, pré-incas, egípcios e até mesmo sobreviventes do continente perdido da Atlântida, como acreditava cegamente o coronel Fawcett.


Eu havia seguido as indicações de Budweg para chegar a Igatú, saindo de Salvador e percorrendo mais de 450 km até a vila que sequer aparece nos mapas. Igatú fica no alto de uma serra isolada e escarpada, próxima ao povoado de Andaraí, ‘um lugar esquecido por Deus’. A maltratada estrada que sobe a Igatú mostrava um cenário titânico, com centenas de formações rochosas trabalhadas pela erosão, construindo formas de criaturas monstruosas. Um chuvisco sublinhava ainda mais o aspecto oculto e misterioso da região.


Expedição Misteriosa


Ainda que sejam bem conhecidas a história do coronel Fawcett e sua procura incessante pela cidade perdida em Mato Grosso, a viagem solitária que realizou pela Bahia não é tão famosa. Em sua expedição, o explorador inglês chegou muito perto de Igatú, uma vez que esteve na vila de Lençóis — um importante ponto de encontro de exploradores que buscavam riquezas e onde havia um consulado francês para negociar a compra de ouro e diamantes. No entanto, naquela época, falava-se que indígenas ‘hostis’ e não-catequizados habitavam as selvas da Bahia.


Em Lençóis, percorri o antigo mercado, no qual Fawcett chegou com suas mulas em 1921 e comprou provisões para seguir viagem. Alguns investigadores acreditam que o teimoso inglês conseguiu chegar à cidade perdida e a importantes minas de prata, mas preferiu se calar e buscar outras ruínas em Mato Grosso.


Que mistérios se escondem nas pesquisas de Fawcett na Bahia? Segundo seu diário, no Rio de Janeiro ele teve acesso às páginas de um manuscrito redigido em 1753 — conhecido pelo número 512 —, que no século passado foi reproduzido por uma revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Na antiga capital do país, conheceu o ex-cônsul inglês, coronel O’Sullian Beare, que lhe disse ter chegado a uma cidade antiga na Bahia, em 1913, com a ajuda de um guia mestiço. Lá, viu uma coluna negra no meio de uma praça, no alto da qual havia uma estátua, tal como tinha sido descrito no documento 512.


Fawcett dirigiu-se à região dos rios Contas e Pardos, onde ouviu relatos de camponeses que, ao se perderem, encontraram uma cidade de pedra com estátuas e uma confusão de ruas. Os índios aimorés e botocudos contaram a ele sobre a existência de ‘aldeias de fogo’, uma cidade com telhados de ouro semelhante às descrições do Eldorado e das Sete Cidades de Cibola.


O explorador inglês acreditava que o Brasil era o continente mais antigo do mundo, tanto geologicamente como também pelos vestígios de espécies pré-históricas. Primeiro, teria sido habitado por ‘trogloditas’ e, mais tarde, por sobreviventes do cataclismo que aniquilou a Atlântida, aos quais denominou toltecas, fundadores de grandes cidades no que hoje é o território brasileiro.


Enquanto percorria a Chapada Diamantina — cujas montanhas e desfiladeiros gigantescos são semelhantes aos do deserto do Arizona e Colorado, no EUA —, caminhando e acampando, pensei que ainda existem muitos enigmas sobre a cidade perdida. Um deles é o significado das inscrições que aparecem no documento 512. Nos anos 30, Bernardo da Silva Ramos, aficcionado por arqueologia e paleografia — e que já havia decifrado uma inscrição supostamente fenícia da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro —, descobriu que os sinais que aparecem reproduzidos no manuscrito faziam referência a um antigo governante grego, Pisistrates, e a um conselho de montanheses gregos no santuário de Demeter e Apolo, na Grécia. Os últimos símbolos ele interpretou como sendo planetas do sistema solar. Uma civilização astronômica no planalto baiano? Talvez. Nos anos 80, a arqueóloga Maria da Conceição Beltrão, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, encontrou no interior da Bahia muitas pinturas rupestres com simbologia astronômica e efeitos de luz durante os equinócios e solstícios.






Vikings no Brasil


A exemplo do que ocorreu com o Alasca e a Austrália, a partir de meados do século passado, a Chapada Diamantina foi invadida por um número muito grande de pessoas à procura de riquezas minerais, especialmente ouro e diamante. A vila de Igatú, que chegou a ter 10.000 habitantes, foi um dos acampamentos desses aventureiros que abandonavam a região assim que esgotavam seus recursos naturais.


Por isso é que eu caminhava por ruas desertas, com exceção da entrada da vila, onde cerca de 300 habitantes ainda resistem em abandonar o local, ainda que vivam em condições paupérrimas. São descendentes daqueles aventureiros e de escravos africanos. Em outros tempos, ali haviam sido erguidos os palácios, templos, inscrições misteriosas, estátuas e colunas de pedra negra, sobre a chamada ‘serra resplandecente’, que fascinou a lendária expedição dos Bandeirantes em 1753.


Como me revelou Heinz Budweg, “a cidade foi construída pelos vikings em cerca do ano 1000 de nossa era. Deixaram um sistema complexo de encanamentos para esgoto que, segundo os livros de história, jamais havia existido no Brasil até o final do século passado. Também encontrei várias inscrições rúnicas na entrada de uma mina. Todo o planalto está marcado por caminhos, os peabirus usados pelos vikings e incas para se comunicarem com a América andina”. Budweg apóia e amplia as hipóteses do francês Jacques de Mahieu, dos anos 60, e do investigador brasileiro Amadeu do Amaral, por volta de 1900.


O septuagenário lingüista e explorador Luis Caldas Tibiriçá apresenta outra hipótese. “Os índios brasileiros jamais construíram casas de pedra”, disse quando entrevistado em São Paulo. “Alguns edifícios assemelham-se aos da Idade Média da Etiópia. As inscrições encontradas poderiam ser do idioma gueez, dos etíopes, os mesmos que, em suas crônicas, falavam de terras distantes que alcançaram com suas embarcações”. Tibiriçá acrescenta que os exploradores de riquezas aproveitaram as antigas construções para fazer suas casas, usando o cimento ou modificando algumas paredes, fato que se percebe na diferença existente entre as duas arquiteturas: uma, ciclópica, a outra de estilo colonial, com pedras menores.






Cidade Fantástica


A história da cidade perdida da Bahia aparentemente tem início em meados do século XVIII, com o já mencionado documento 512 que tem como título Relato histórico sobre uma grande, muito antiga e secreta cidade, sem quaisquer habitantes, descoberta no ano de 1753. O destinatário desconhecido da carta havia anotado na mesma que “esta notícia chegou ao Rio de Janeiro no início de 1754”.


O manuscrito, parcialmente devorado pelos cupins — e, por isso, ocultando o nome do autor —, começa falando de uma expedição de bandeirantes que percorria o interior do Brasil. O grupo, que havia partido de São Paulo, viajava já há 10 anos por locais desconhecidos de Minas Gerais em busca das lendárias minas de prata de Muribeca, ou Robério Dias, que Felipe II, da Espanha, tentou localizar sem êxito.


Os bandeirantes se depararam com uma cordilheira cujas montanhas eram tão altas que “pareciam que chegavam à região etérea, e que serviam de trono ao vento, às próprias estrelas”. Temperado com toques poéticos e de mistério, o relato descreve as montanhas como sendo de cristal, em cuja superfície refletiam intensamente os raios de sol, a ponto de deslumbrar os exploradores. Um raríssimo e providencial veado branco, surgido do nada, foi o guia que os conduziu por uma estrada de pedra até as ruínas da cidade perdida. Os rudes aventureiros passaram entre duas serras, através de um vale com uma selva espessa repleta de riachos. Durante a caminhada, os bandeirantes ouviam o canto de um galo e, por isso, julgavam estarem próximos de uma região povoada. Assim como outros ‘galos encantados’ que existem na América, o fenômeno foi interpretado como sendo de origem sobrenatural, uma vez que não existiam povoados na região.


De madrugada, os bandeirantes chegaram à cidade perdida, amedrontados e com as armas prontas a disparar diante de um eventual inimigo escondido. A entrada era formada por “três arcos de grande altura”, sendo que sobre o maior havia inscrições. A seguir, o cronista descreve uma rua com casas de sobrados, cujos telhados eram de cerâmica ou de lajes. “Percorremos com bastante pavor algumas casas, e em nenhuma achamos vestígios de utensílios domésticos, nem móveis... têm pouca luz e, como são abobadadas, ressoavam os ecos dos que falavam e as mesmas vozes aterrorizavam”.


No final da rua principal, os experientes, mas então temerosos exploradores, encontraram uma praça em cujo centro erguia-se uma coluna de pedra negra, encimada pela estátua de “um homem comum, com a mão no quadril esquerdo e o braço direito estendido, mostrando com o dedo indicador o Pólo Norte. Em cada canto da praça, está uma Agulha, semelhante às que usavam os romanos”. Que agulhas eram aquelas? Marcadores geográficos ou astronômicos?






Templários na América


Mais adiante, o relato fala de milhares de morcegos que moravam num ‘palácio’, no qual existe um friso sobre o pórtico com a imagem de uma pessoa jovem e sem barba, vestindo apenas uma espécie de faixa que atravessava seu peito até os quadris. A cabeça ostentava uma coroa de louros, e algumas inscrições incompreensíveis estavam abaixo de seus pés, as quais o cronista procurou copiar.


O Relato Histórico falava de outro grande edifício que foi interpretado como sendo um templo, em cujas paredes podiam ser vistas “figuras e retratos encravados na pedra com cruzes de várias formas, corvos e outras miudezas...”.


Depois desse ‘templo’, os bandeirantes encontraram um terreno apocalíptico, ferido por aberturas na terra, onde jazia sepultada parte da cidade e no qual não nascia qualquer vegetação. À distância de um ‘tiro de canhão’, os aventureiros encontraram um enorme edifício com comprimento de “250 passos de frente”, no qual se entrava por um grande pórtico e subia-se uma escada de pedra de várias cores. A escada terminava num grande salão rodeado por 15 habitações, cada uma com uma fonte e um pátio com colunas circulares.


Um dos bandeirantes, João Antonio, encontrou entre as ruínas de uma casa uma moeda de ouro que, de um lado, trazia a imagem de um jovem ajoelhado, e do outro lado um arco, uma coroa e uma seta. Investigando meus arquivos, encontrei uma foto publicada pelo já mencionado Jacques de Mahieu em seu livro Os Templários na América, na qual se vê uma moeda com características semelhantes, porém de prata. Mahieu acreditava que os templários teriam sido ‘sócios’ dos vikings na exploração de minas de prata na Bolívia e no Brasil por volta do século XIV.


Perto da praça, corria um rio largo por cujas margens aqueles homens caminharam por três dias, até chegar a uma imensa cascata cuja força das águas foram comparadas às do rio Nilo. Caíam com grande estrondo e formavam um rio tão largo que “parecia um oceano”. Entre as rochas que sobressaíam do rio, o grupo encontrou algumas pedras repletas de inscrições que “insinuam um grande mistério”. Perto dali, localizaram pedras com veios de prata. Alguns dias depois de excursionar por Igatú, explorando a Chapada Diamantina, encontrei uma gigantesca cascata, a Cachoeira da Fumaça, cuja altura supera os 300 metros e que poderia ser a mesma do enigmático documento.

Os últimos parágrafos do manuscrito informam que ele havia sido redigido nos sertões da Bahia, entre os rios Paraoaçu (Paraguaçu) e Una. Quem era o autor daquela misteriosa carta? Alguns historiadores propuseram a possibilidade de que fosse uma farsa bem elaborada. No entanto, o importante historiador Pedro Calmon, em seu livro O Segredo das Minas de Prata (Rio de Janeiro, 1950), conseguiu identificar o cronista: o capitão João da Silva Guimarães, falecido entre 1764 e 1766.

O manuscrito foi encontrado por um jovem erudito, Manoel Ferreira Lagos (1816 – 1871), funcionário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Estava nas prateleiras da Biblioteca Pública da Corte do Rio de Janeiro, e foi reproduzido em 1839, no primeiro número da mencionada Revista do IHGB. Mais tarde, foi traduzido para o inglês e anexado a outra obra, The Highlands of the Brazil, do famoso explorador inglês Richard F. Burton.

Continua a Busca


Entre 1841 e 1846, o cônego Benigno José de Carvalho e Cunha (1789 – 1848), correspondente do IHGB, lançou-se numa aventura para encontrar a cidade perdida na Bahia, acreditando poder localizá-la no sul da inexplorada Serra de Sincorá. Benigno era um personagem curioso: português de Trás-dos-Montes, estudioso de línguas orientais e ex-estudante de matemática na Universidade de Coimbra. Chegou ao Brasil em 1834 e dedicou quatro anos de sua vida à busca das ruínas, com patrocínio do IHGB e do presidente da então província da Bahia.


A partir das informações de um viajante — que não se atreveu a penetrar na espessa selva que então cobria as ruínas —, Benigno ganhou coragem e organizou sua expedição. Os dados fornecidos pelo viajante coincidiam com os dos bandeirantes: próximo, havia uma grande cascata formada pelo Rio Sincorá, em cujas margens se encontravam ricas e profundas minas de ouro e prata. Os camponeses contaram a Benigno que a cidade perdida havia sido destruída por um terremoto e que nela morava um dragão que devorava os intrusos.


Tudo indica que o cônego Benigno esteve muito perto da cidade, se é que não conseguiu encontrá-la. Em uma das cartas que enviou ao IHGB, menciona um proprietário de terras e seu escravo negro que haviam estado na cidade perdida, próxima a um quilombo. No entanto, o proprietário não permitiu que o escravo acompanhasse o sacerdote, que já estava sofrendo com a malária, que também atingiu os 22 homens que formavam sua expedição. Nem mesmo as mulas escaparam às febres terríveis. A falta de recursos financeiros interrompeu a expedição do religioso.


Apesar do aparente fracasso da longa jornada de Benigno, na primeira metade do século XX outro investigador do tema, Estelita Jr., referiu-se aos rumores de que o sacerdote teria descoberto a cidade. Os superiores de Benigno teriam proibido que ele divulgasse tal descoberta, uma vez que existiam minas de prata e outras riquezas minerais nas proximidades.


Mais tarde, em 1880, Teodoro Sampaio, um erudito e explorador das terras baianas, atingiu os paredões da Serra de Sincorá, onde encontrou inúmeras pinturas rupestres e formações geológicas que lembravam uma cidade de pedra. “Não há dúvida”, ele escreveu na época, “o autor do Relato Histórico de 1753 teve diante de suas vistas esse terreno... onde se ouvem estrondos e estampidos misteriosos, o canto do galo nos locais obscuros onde jamais alguém penetrou e que mantém a tradição das célebres minas de prata de Robério Dias.” (O Rio de São Francisco e a Chapada Diamantina, Bahia, 1938).


A procura pela cidade perdida continua sendo, em pleno século XX, tema de muitas discussões. O recentemente falecido arqueólogo brasileiro Aurélio de Abreu acreditava que nos planaltos e desertos da Bahia ainda se escondem muitas outras cidades perdidas, que aguardam ser descobertas e escavadas, algumas possivelmente obras dos incas. Outros investigadores têm encontrado vestígios de tais cidades na Bahia, como os pesquisadores e escritores Renato Bandeira e Gabrielle D’Annunzio Baraldi.

Fonte: http://www.revistasextosentido.net/news/a-cidade-perdida-do-manuscrito-512/
publicado por conspiratio às 16:51
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