Sábado, 4 de Outubro de 2008

SWEDENBORG, KANT E O SOBRENATURAL

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Algumas vezes, na verdade raras, estamos justificados ao usar a palavra "gênio". O autor deste livro, que se importa um bocado com a evolução e o significado exato das palavras, acredita que Emanuel Swedenborg (1688-1772) pode ser cha­mado de gênio. Ele concebeu idéias sem precedentes, mostrou­-se inspirado em vários e extraordinários sentidos e suas idéias estimularam o trabalho de homens imaginativos, tais como William Blake, W. B. Yeats, Maurice Maeterlinck, Honoré Bal­zac, e August Strindberg. Algumas das concepções científicas de Swedenborg estavam séculos à frente da sua época. Porque ele escreveu muito e porque seus trabalhos exigiram tradutores excepcionalmente hábeis, muitas das coisas que discerniu foram alcançadas pelos acontecimentos dos séculos XVIII e XIX. E, acima de tudo, este não é um homem fácil de classificar; aqui estava uma autoridade em metalurgia que, alegando haver falado com o próprio Deus, delineou uma detalhada concepção da lei universal e da estrutura da vida além da morte.

Onde a erudição e o conhecimento prático estão interli­gados, tão de perto, com visões pessoais, fazer um julgamento definitivo sobre a estabilidade de um homem seria pura vai­dade. Swedenborg foi o que foi; importa muito pouco se sofria de alucinações ou se, pelos padrões do seu e do nosso século, sua mente acompanhava os limites da sanidade. Foi típica a reação do seu contemporâneo, o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), que, como gangorra, balançou-se num so­be-e-desce, em alternativas de admiração e desprezo por Sweden­borg, mas cujas próprias idéias podem ter encontrado suas se­mentes na luxuriante vegetação dos conceitos swedenborguianos.

Swedenborg nasceu em Estocolmo, no dia 28 de janeiro de 1688, estudou em Uppsala e visitou a Alemanha, a França, a Holanda e a Inglaterra, a fim de ampliar seus conhecimentos. Com a idade de vinte e dois anos, publicou um volume de versos latinos. Filosofia, literatura e teologia atraíram-lhe a imagina­ção, tanto quanto a engenharia e as ciências naturais. Radi­cou-se em Uppsala e, em 1716, foi nomeado assessor de minas do governo sueco. Por dois anos editou o jornal Daedalus Hyperboreus, dedicado a reportagens sobre engenharia e ma­temática. Com uma versatilidade intelectual semelhante à de Leonardo da Vinci, criou engenhos mecânicos para transportar barcos por terra, analisou a economia da moeda corrente, a produção e o custo do álcool e a aplicação do sistema decimal, assim como a relação entre importações e exportações e a economia nacional.

Depois disso, Swedenborg visitou empresas de mineração em vários países europeus. Na volta, em 1724, resignou a cadeira de matemática na Universidade de Uppsala, uma vez que desejava estar associado com a aplicação, mais do que com a teoria da matemática. Sua mente ultrapassou a capacidade daquela sociedade que foi sua contemporânea e, ao mesmo tempo em que era altamente respeitado por sua cultura, a len­tidão própria dos órgãos do governo, na adoção de suas idéias, deve tê-lo sufocado.

Até mesmo quando tinha, apenas, trinta e poucos anos, Swedenborg procurou explicações sobre o uni­verso, baseando-se nas informações científicas disponíveis; apro­ximou-se da paleontologia, da geologia, dos estudos dos fósseis e desenvolveu uma avançada teoria sobre a expansão nebular, para explicar a origem do sistema solar. Suas idéias espraia­ram-se com tanta amplitude que incluíram a cristalografia e a navegação.

Em 1734, seu ambicioso trabalho, Prodromus philosophiae ratiocinatis de infinito et causa finali creationis, assentou-lhe os alicerces do interesse final: a alma no universo. Idéias filosó­fico-teológicas levaram-no a estudar o cérebro humano, inclu­sive os elementos do sistema nervoso do corpo e as glândulas endócrinas. Ele pesquisava sem descanso, conseguia manter-se com pouco tempo de sono e sua vida privada parece ter estado limitada às funções profissionais e sociais. A vida adulta, falando em termos simples, foi dividida em duas partes: a primeira metade foi devotada aos estudos científicos, com forte orienta­ção para a Medicina e a Fisiologia; a segunda, a uma investi­gação em busca de conhecimentos sobre a alma humana rela­cionada com Deus e o universo numa estrutura de idéias cristã. Ele escreveu, numa de suas cartas, que havia sido introduzido "pelo Senhor", primeiro nas ciências naturais, e mais tarde, "com esta preparação, durante os anos de 1710 a 1745, o céu foi aberto".

Embora ele tivesse caminhado em direção à pesquisa espi­ritual durante décadas, o ano decisivo foi 1747, quando se demitiu do posto de assessor de minas. Estava, então, com cinqüenta e nove anos de idade. A fim de empreender uma reinterpretação do Velho e do Novo Testamento, empenhou‑se num novo estudo do hebraico, complementando sua habilidade em latim e grego. Seu inglês também era muito fluente; ele passou muitos anos em Londres (onde, de fato, faleceu, no dia 29 de março de 1772). A demissão não o tirou da proeminência; seus contatos com a comunidade acadêmica e com a família real permaneceram fortes. Cada vez mais, po­rém, as opiniões religiosas altamente pessoais, a afirmação de contatos exclusivos com os espíritos dos mortos, e de experiên­cias psíquicas, inclusive de clarividência, fascinaram e intrigaram os amigos e também aqueles que não o conheciam.

Com respeito às experiências psíquicas de Swedenborg e sua influência sobre o filósofo alemão Kant, podemos tirar pro­veito do discernimento e dos notáveis e eruditos trabalhos de um ilustre filósofo e pesquisador psíquico, C. D. Broad, do Trinity College, em Cambridge, antigo presidente da Socie­dade de Pesquisas Psíquicas, de Londres. Os estudos do pro­fessor Broad sobre o tema "Kant and Psychical Research" [Kant e a Pesquisa Psíquica] aparecem em Religion, Philosophy and Psychical Research [Religião, Filosofia e Pesquisa Psíquica] (Londres, 1953; Nova Iorque, 1969). Visitante freqüente dos países escandinavos, Broad emprega uma acurada observação pessoal nas pesquisas relacionadas com Swedenborg. Ele obser­va que Kant estava com cerca de quarenta anos de idade quando ficou, pela primeira vez, intrigado com as experiências e com as idéias de Swedenborg. Ele ainda não alcançara o mais alto grau do magistério, na Universidade de Kõnigsberg. Como Swedenborg, interessava-se pela Medicina, pela Astro­nomia e pela Geografia, mas estava, ainda, no processo de desenvolvimento dos seus conceitos filosóficos. Seu primeiro comentário conhecido sobre Swedenborg aparece numa carta escrita para a senhorita Charlotte von Knobloch, em 1763. Nela, ele se refere a uma notícia concernente ao contato de Swedenborg com a rainha Lovisa Ulrika, irmã de Frederico o Grande, da Prússia, e esposa do rei Adolf Frederick, da Suécia. De acordo com a estória, a rainha havia perguntado a Sweden­borg, em tom mais ou menos galhofeiro, se ele poderia trazer­-lhe uma mensagem de seu falecido irmão. Esta conversação teve lugar em fins de outubro ou princípios de novembro, de 1761. No domingo antes do dia 18 de novembro, Sweden­borg visitou o palácio real em Estocolmo e, confidencialmente, disse à rainha algo que a obrigou a exclamar: "Isto é uma coisa que ninguém poderia ter dito, a não ser o meu irmão."

Um membro da corte, o Conde Tessin, escreveu, em seu diário, que a rainha estava muito abalada com a mensagem de Swedenborg. A razão provável desse abalo, de acordo com o Conde A. J. von Hõpken, pode ter sido o fato de que a rainha havia mantido correspondência secreta com seu irmão, embora, nessa época, a Suécia e a Prússia estivessem em guerra. Depois da morte da rainha, Hõpken escreveu que Swedenborg entregara — a ela — um pedido de desculpas do seu falecido irmão, por haver deixado de responder sua carta, assim como, também, uma resposta a essa missiva. Hõpken cita a rainha como tendo dito: "Ninguém, exceto Deus, sabe deste segredo."

Ora, em sua carta para a senhorita Knobloch, Kant de­clarou que sempre fora muito cético com respeito às alegações de poderes psíquicos, mas que procurara confirmar a estória da carta da rainha e que as proezas de Swedenborg haviam-no disposto a investigar essas alegações com maior tolerância. Kant pedira a um inglês de suas relações, um homem chamado Green, para verificar essa estória durante sua próxima visita à Suécia. Green escreveu-lhe dizendo que todas as pessoas im­portantes que consultara em Estocolmo haviam confirmado o caso da carta. Green visitou Swedenborg e ficou impressionado com sua personalidade, com a amplitude dos seus conheci­mentos e com a crença profunda e sincera, que ele sentia, em seu poder de comunicar-se com os mortos.

Green escreveu a Kant, mencionando duas provas psíqui­cas acontecidas com Swedenborg; o filósofo alemão relatou-as em sua missiva à senhorita Knobloch. Uma dizia respeito à viúva do embaixador holandês em Estocolmo, que falecera no dia 25 de abril de 1760. Um ourives, cujo nome era Croon, pediu à viúva que pagasse um serviço de mesa, de prata, que seu marido encomendara e recebera, mas deixara de pagar. A viúva, Madame de Marteville, muito contrariada, sentiu-se certa de que seu marido liquidara a conta do ourives. Ela pediu a Swedenborg que se comunicasse com o espírito do seu marido. Três dias mais tarde, Swedenborg retornou e disse-lhe que procurasse numa escrivaninha, no andar superior. A viúva contou-lhe que a escrivaninha já havia sido rebuscada e que nenhum recibo fora encontrado. Ele, então, pediu-lhe para abrir a gaveta esquerda do móvel e procurar um comparti­mento particular. A princípio relutante, ela assim o fez e encontrou o recibo, num escaninho secreto. De acordo com este relato, um grupo de pessoas, que nesse dia tomara café com a viúva do embaixador, estava presente quando o com­partimento secreto foi descoberto, contendo a correspondência privada do embaixador.

O segundo incidente agora já se tornou um caso clássico da literatura sobre pesquisas psíquicas; na verdade é uma das experiências mais identificadas com os poderes clarivi­dentes de Swedenborg. No dia 19 de julho de 1759, às três horas da tarde, um incêndio irrompeu em Estocolmo, na seção de Sõdermalm. O fogo consumira várias casas. Ora, conforme a narrativa de Kant, naquela mesma tarde Swedenborg desembarcou do navio que o trouxera da Inglaterra, na cidade de Gõteborg, distante da capital sueca mais de 480 quilômetros. Jantou com a fa­mília de William. Castell, naquela tarde, juntamente com mais umas quinze outras pessoas. Ao redor das seis horas ele deixou o grupo, saiu e retornou pouco depois, parecendo pálido e alarmado. Tornou a sair várias vezes e depois disse, ao grupo ali reunido, que um incêndio irrompera em Sõdermalm, perto de sua própria casa, e que a residência de um amigo já quei­mara até os alicerces. Lá pelas oito horas ele falou que o fogo já fora dominado, a uma distância de três portas da sua pró­pria casa. Na manhã seguinte, domingo, o governador de Gõ­teborg, que na noite anterior ouvira falar dessa impressão clarividente, conversou sobre o assunto, com Swedenborg. Na segunda-feira à noite, um mensageiro chegou de Estocolmo trazendo uma carta que descrevia o sinistro. Mais tarde, na terça-feira, uma mensagem real confirmou os fatos, inclusive o do fogo haver sido dominado às oito horas da noite.

Uma boa quantidade de doutos esforços foi empregada para conferir este e outros fatos adicionais. Todas as evidências, quando existem, são de segunda mão. Broad declara, secamente, que nenhum desses relatos tem o mínimo valor comprobatório, de certo pelos padrões contemporâneos e mais recentes, da pesquisa psíquica. Contudo, Swedenborg e seus amigos recontaram o incidente em várias ocasiões, quase que tão sumariamente quanto acima, e ele tem sido amplamente citado. Para nossos propósitos, o que vale é que Swedenborg confirmou-o repetidas vezes e que Kant ficou perplexo e irritado com esse episódio. Ele talvez tenha sido parcialmente responsável por sua aceitação inicial das idéias de Swedenborg, por seu subseqüente impulso de ridicularizá-las e por sua con­seqüente atitude respeitosa, se bem que intrigada, para com o homem e suas concepções.

Num livro curioso, Dreams of a Ghost Seer [Sonhos de um Vedor de Fantasmas], publicado em 1766, Kant usou vinte mil palavras para tratar com o "Vedor de Fantasmas", que é Swedenborg. Broad aponta, com típica candura, que "faltava, a Kant, a arte de condensação; falando em termos simples, ele tinha um fôlego tremendo", e que seu livro abundava em "motejos elefantinos". Primeiro, Kant publicou o livro anonimamente; isso está em agudo contraste com a curiosidade tolerante demonstrada em suas cartas para a senhorita Kno­bloch; e, conforme Broad coloca a questão, faz nascer indaga­ções, talvez irrespondíveis, acerca dos motivos que levaram Kant a dar-se o trabalho de escrevê-lo e "a adotar, para com o assunto em geral e Swedenborg em particular", uma tal atitude zombeteira e desdenhosa. O livro de Kant começa com uma indagação filosófica, feita nos mundos dos espíritos, sobre as relações entre o corpo e a alma e sobre as alegações de contato com esse mundo espiritual. Então, ele reconta as três expe­riências de Swedenborg. Em seguida, trata da doutrina, de Swedenborg, relativa à natureza e às leis do mundo espiritual, baseado no que ele considerou como suas observações pessoais, feitas durante visitas àquele mundo e em conversas com os espíritos.

Kant lera, com extrema meticulosidade, o volumoso tra­balho de Swedenborg, Arcana Caelestia. Broad julga sua sinopse da doutrina geral de Swedenborg, adequada, acurada e clara. Todavia, Kant declara, no seu trabalho Practical Conclusions of the Whole, Treatise [Conclusões Práticas Sobre Todo o Tra­tado], que o homem não tem nada que se preocupar com assuntos tais como os espíritos, sua existência ou seu significado para os vivos. Conforme Broad interpretou, Kant sentiu que a especulação sobre o mundo após a morte é infrutífera e não pode estimular a moralidade genuína, mas que qualquer ho­mem moralmente bom sente-se seguro da sobrevivência humana após a morte e não precisava de evidências metafísicas ou me­diúnicas para convencê-lo.

Kant não foi franco, neste livro. Ele escreveu, ao tratar do incêndio de Estocolmo, que dinheiro e tempo suficientes tornariam possível descobrir a verdade sobre a alegação de clarividência, feita por Swedenborg. Ele não mencionou que seu amigo inglês atuara como detetive privado e lhe entregara um relatório positivo, baseado em toda e qualquer evidência que pudera descobrir. Ainda assim, pouco antes do final do livro, Kant escreveu que permanecia "grave e indeciso" acerca dos relatos de experiências psíquicas. Suas maneiras sem-ceri­mônia são ilustradas pela irritação que demonstrou sentir por ter sido obrigado a pagar sete libras inglesas para adquirir o Arcana Caelestia, estes "oito volumes in, quarto, repletos de asneiras"; mas ele agregou que seu livro beneficiaria os leitores, evitando que fizessem uma despesa semelhante.

Seria preciso cultivar uma rabujice particularmente sovina para ir tão longe, a ponto de escrever um livro somente para que um gasto de bom tamanho, em dinheiro e em dias de leitura tediosa, não fosse desperdiçado. Embora, por tudo quanto sabemos, isso possa haver contribuído para a decisão — de Kant — de liquidar a questão com Swedenborg, pa­recem existir razões mais profundas. Conforme tudo o que já ficou para trás, e falando com franqueza, Swedenborg incomodou Kant. Ele tinha idéias brilhantes, em quantidade excessiva; ele sabia demais, o danado, sobre coisas demais, para ser posto de lado sem mais nem menos; e é óbvio que algo, em suas idéias, empolgou o birrento futuro autor de A Crítica da Razão Pura (1781). Sweden­borg declarou que obtivera seu conhecimento, sobre o mundo dos espíritos, por meio de contato direto. Kant chegou quase às mesmas conclusões, no que se refere à existência da alma, do homem, em dois níveis, supostamente por transportes espe­culativos; ele compara a penetração de Swedenborg aos "delí­rios de um poeta que, por acaso, profetiza a verdade". Broad, com sua maneira desapaixonada, comenta: "Poderia ocorrer, a um observador imparcial, que essa concordância pode não estar inteiramente desligada do fato de Kant haver lido e resumido, com extremo cuidado, a doutrina de Swedenborg, na mesma época em que estava no encalço de suas especulações metafísicas sobre o assunto."

À medida que foi envelhecendo, que foi obtendo maior apreciação e após publicar sua contribuição inédita à filosofia, a doutrina do Idealismo Crítico ou Transcendental, Kant deu uma terceira olhadela em Swedenborg. Ministrou uma série de aulas, mais ou menos no ano de 1774, e as anotações dos estudantes indicam que elas continham sumários dos conceitos de Swedenborg, sobre a alma humana, apresentados, conforme observa Broad, "com evidente aprovação". Assim, Kant disse que "a pessoa virtuosa não vai para o céu mas já está lá, aqui e agora. Todavia, somente depois da morte ela poderá ver-se participando dessa comunhão. Do mesmo modo, os maus não podem ver-se no inferno, embora, na verdade, já estejam lá". Isto, conforme o leitor descobrirá no capítulo sobre Aldous Huxley, está bem próximo das conclusões a que este autor chegou durante as experiências feitas com drogas alucinóge­nas e que publicou sob o título Heaven and Hell [Céu e Inferno].

Agora, arredemo-nos para o lado e deixemos a última palavra com o professor Broad: "A conclusão do assunto é que eu não penso que seria seguro dizer mais nada além do que vai a seguir. Kant, em aulas dirigidas a estudantes do curso elementar, isto alguns anos depois da publicação do Sonhos de um Vedor de Fantasmas, falou de Swedenborg com respeito. Nessas aulas, na parte que trata de um tema que ele afirmou ter destroçado por completo em seus trabalhos já publicados, ele selecionou um aspecto específico da doutrina dos espíritos, de Swedenborg, para comentários favoráveis. Até mesmo aqui ele rejeita, explicitamente, certas outras doutrinas que não são menos características de Swedenborg, isto é, a possibilidade de comunicação — nesta vida — com os espíritos dos mortos; e descreve a doutrina que sele­cionou para mencionar favoravelmente, como um caso de opinião que não pode ser provada.

"A inferência parece ser esta: Kant, em seus momentos mais 'desabotoados', formou um conceito, não-desfavorável, sobre certos aspectos das doutrinas de Swedenborg, que são compatíveis (embora alcancem mais além) com sua própria explicação do eu 'empírico' e do 'noumenal', na Crítica da Razão Pura e na Crítica da Razão Prática (1788). Sua opinião privada talvez tenha sido a de que alguma coisa parecida com esta parte da doutrina de Swedenborg pode, muito bem, ser verdadeira ou, pelo menos, pode ser a mais rente aproximação da verdade que é concebível por nós, aqui e agora, e que pode ser expressa em nossa linguagem. Todavia, em suas contri­buições profissionais à filosofia — publicadas — ele não estava preparado para comprometer-se, mesmo por implicações, com qualquer coisa além daquilo que pensava ser possível, em prin­cípio, comprovar.

Kant, com certeza, não terá sido o único a alimentar, em particular, pensamentos audaciosos sobre a alma humana e a vida depois da morte, embora demonstrando, publicamente, ce­ticismo e menosprezo. Um estudioso, ambicioso e cheio de prestígio, por certo não colocará sua reputação em jogo fazendo exibições públicas de audácia. Conforme veremos, outros, tais como Freud e Jung, sentiram-se constrangidos a agir com idêntica cautela. Somente os escritores, sem nada a perder além das suas coroas de louros, puderam, sem perigo, transfor­mar as idéias de Swedenborg em novelas balzaquianas, poemas yeatsianos, epigramas maeterlinckianos e peças de teatro strínd­berguianas. Suas demonstrações públicas de compromisso poé­tico teriam enchido Kant de desdém ou inveja.

Se é possível dizer que filósofos têm sucessores, o seguidor de Kant foi Arthur Schopenhauer (1788-1860), que olhou para trás, para o cômodo desdém que o século XVIII demonstrava pelos vedores de espíritos, com a acanhada tolerância do século XIX. Em contraste com Kant, ele procurou estudar os fenô­menos psíquicos em primeira mão e expressou seu interesse por eles, publicamente e com uma boa dose de entusiasmo.

Um exemplo do interesse direto de Schopenhauer foi o sonho premonitório de uma criada. Uma manhã, ele estava sentado à sua escrivaninha, redigindo uma carta de negócios, em inglês. Era uma carta importante e ele estava empenhado em colocar, nela, tudo o que queria e com muita exatidão.

Quando chegou ao fim da terceira página, estendeu a mão para pegar sua areia finamente pulverizada, para secar a tinta; mas, em vez disso, apanhou o tinteiro e derramou-o sobre a folha. Furioso consigo mesmo, tocou a campainha e chamou a criada. Com um balde d'água ao lado, ela começou a limpar o chão. Enquanto o filósofo olhava o serviço de limpeza, a criada disse: "A noite passada eu sonhei que estava tirando manchas de tinta deste soalho." Schopenhauer foi brusco: "Isso não é verdade." Mas, ela o contradisse: "É verdade. Depois que acordei, contei meu sonho para a criada com quem compar­tilho o meu quarto."

A segunda serviçal, uma moça de dezessete anos de idade, entrou no estúdio de Schopenhauer enquanto a primeira ainda estava limpando o chão. O filósofo interpelou-a, imediata­mente: "O que é que essa aí andou sonhando a noite passada?" Resposta: "Eu não sei." Schopenhauer: "Certamente! Ela contou a você, depois que acordou." A jovem criada: "Oh, sim. Ela sonhou que estaria limpando manchas de tinta deste soalho."

Schopenhauer era um observador requintado e um ana­lista de fenômenos psíquicos. No mesmo instante, agarrou-se ao difícil problema de distinguir se o sonho da criada fora telepático (pondo-se em sintonia, por assim dizer, com sua intenção de escrever) ou precognitivo (antecipando, de fato, o acontecimento). Ele negou que a criada pudesse ter lido sua mente, enquanto ela dormia; e escreveu em seu ensaio “Ex­periência Concernente à Visão de Fantasmas e Assuntos Afins” que havia derramado a tinta "totalmente contra as mi­nhas intenções e inteiramente dependente de um pequeno erro de minha mão".

Schopenhauer enfatizou o conceito de que "tudo o que acontece, ocorre por necessidade", um tema que dominou mui­tas de suas teorias sobre ética. Ele sustentou que os sonhos proféticos acontecem porque a capacidade clarividente é au­mentada durante o sono, mas é raramente relembrada, assim como a maioria dos aspectos dos sonhos. Observou que muitos sonhos são apenas alegorias, que não revelam seu significado oculto até que um acontecimento profetizado tenha de fato ocorrido. Certas vezes, porém, a "sombria antecipação", submersa em um sonho esquecido, eleva-se para a superfície quando o primeiro acontecimento, relacionado com o sonho profético, "começa a se manifestar" — "quando estamos a ponto de em­barcar no navio que irá naufragar ou quando nos aproximamos clã torre de pólvora que vai voar pelos ares".

Schopenhauer também disse: "O irresistivelmente miraculoso, o sonho premonitório que permanece inacreditável até que tenha sido verificado milhares de vezes, que desvenda o que está oculto, o "ausente e o distante, perde, por fim, sua qualidade totalmente incompreensível quan­do consideramos, como eu já disse tantas vezes, que o mundo objetivo é apenas um fenômeno do cérebro; ordem e disciplina, condições sobre as quais o espaço, o tempo e a causalidade (como funções do cérebro) estão baseados, são particularmente eliminadas pelo sonho premonitório."

Schopenhauer deu continuidade ao conceito, de Kant, de que o mundo ao nosso redor deve ser visto como o resultado subjetivo da percepção do homem. Em seu trabalho-chave “O Mundo como Vontade e Re­presentação” (1819), o filósofo alemão traçou estes conceitos, em detalhe; muito do que ele escreveu após a publicação deste trabalho serviu para reforçar suas idéias básicas. De acordo com o professor Hans Bender (Universidade de Freiburg), Schopenhauer encarou os acontecimentos ocultos como estando entre as experiências humanas incomuns, que permitem ao homem "penetrar em direção à natureza do universo". Em sua introdução à obra de Schopenhauer “Escritos Parapsicológicos”, Bender observou que o filósofo discordava da ilustração presunçosa do século XVII, que procurara banir todo o ocultismo para a cesta de papéis da estupidez pré-científica do homem.

Em seu ensaio sobre "Visões de Fantasmas" — o título era uma irônica bofetada em Kant — Schopenhauer disse que os "desprezados fantasmas", que o "supertalentoso século pas­sado' procurara banir, haviam sido "reabilitados". Ele aplicou seus conceitos de imagens subjetivas, à aparição de espíritos. Disse que "todas as explicações anteriores, das aparições fan­tasmais, haviam sido espiritualistas, até mesmo aquelas que haviam sofrido a crítica de Kant". Schopenhauer insistiu que qualquer um que "ainda duvide dos fatos concernentes ao magnetismo animal (mais tarde, mesmerismo ou hipnose) e à clarividência, não devia ser encarado como alguém que duvida, mas sim como um ignorante". Ele procurou fisiologistas, para que examinassem o mecanismo dos sonhos clarividentes, por­que "a solução desta questão será o primeiro passo em direção a uma fisiologia válida, do sonho".

Do livro "Eles Conheceram o Desconhecido", Martins Ebon, Editora Pensamento, 1972

https://ssl498.locaweb.com.br/pensamento-cultrix/zoom.asp?cod=85-315-0207-1

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http://www.swedenborg.com.br/sweden/obras/experien.htm

Mas, além desses casos mais difundidos, há inúmeros outros episódios igualmente interessantes e dignos de serem incluídos nesta biografia. Um dos mais notáveis é o de John Wesley, que está reproduzido, integralmente em carta do Sr. John Isaac Hawkins, engenheiro e inventor dos mais conhecidos, ao Reverendo Samuel Noble, datada de 6 de fevereiro de 1826, transcrita parcialmente abaixo.

"Em resposta à sua carta sobre o caso Wesley, posso afirmar-lhe que, em diversas ocasiões, por volta de 1787 ou 1788, ouvi o Reverendo Samuel Smith, um dos colaboradores do Reverendo Wesley, contar que estava trabalhando com o referido Reverendo na organização de sua cruzada anual, quando este recebeu uma carta que o deixou atônito. Refeito do susto, o Reverendo leu aos presentes a carta escrita mais ou menos nos seguintes termos:

"Great Bath Street, Cold Bath Fields, Fevereiro [?] de 1772.
"Prezado Sr. , fui informado, no mundo dos espíritos, que o senhor desejava ardentemente conversar comigo. Terei prazer de receber sua visita. Sou, de Vossa Senhoria, humilde servidor.
"(as.) Emanuel Swedenborg.

"O Sr. Wesley confessou aos presentes que realmente estava desejoso de conhecer Swedenborg e conversar com ele, mas que nunca revelara esse desejo a ninguém. Respondendo a Swedenborg, o Reverendo Wesley disse-lhe que estava em véspera de iniciar uma viagem de seis meses e que voltaria a entrar em contato com ele assim que retornasse a Londres.

"O Sr. Smith disse-me, então, que soube que Swedenborg respondeu à carta do Reverendo Wesley, dizendo-lhe que a visita seria impossível, pois então, ele, Swedenborg, já teria entrado no mundo dos espíritos, a 29 do mês seguinte, para nunca mais voltar.

"O Dr. Tafel, em seu livro Documents Concerning Swedenborg apresenta testemunhos irrefutáveis sobre a veracidade desse caso".

(Do livro: Swedenborg, Vida e Ensinamentos, George L. Trobridge, S.R.N.J, Rio, 1999)

Eventos como esses eram comuns na vida de Swedenborg e serviam para espalhar sua fama. Mas ele não se importava com a notoriedade. De fato, achava que um excessivo interesse com relação às faculdades de que fora dotado poderia desviar o foco de atenção da finalidade real de seus Escritos.

Escolhido para descrever a natureza do espírito, Swedenborg foi levado pessoalmente a ter experiências tão inusitadas e diversas, que até hoje o homem comum sequer tem noção de que existem. Da obra acima citada, "O Céu e o Inferno", tiraremos alguns exemplos:

1º)- o estado constante em que viveu, por 28 anos, numa experiência única até então e, ao que se sabe, até hoje, de se manter consciente nos dois planos da existência ao mesmo tempo em pleno estado de vigília, no qual ouvia homens e espíritos e falava com uns e outros;

b)- a experiência de ser conduzido quanto ao espírito, dentro do plano natural, para outros lugares e cidades, como a experiência testificada do incêndio de Estocolmo;

c)- de ser conduzido quanto ao espírito, ainda dentro do plano natural, para outros planetas habitados no universo e falar com os habitantes dali;

d)- de ser conduzido quanto ao espírito para fora do plano natural, às dimensões espirituais superiores e inferiores, chamadas céus e infernos;

e)- e, ainda, a experiência rara de ser fisicamente transportado para outro lugar sem que se tenha noção disso, pois a consciência fica no plano espiritual. Este estado foi experimentado por alguns dos profetas bíblicos, do qual diziam terem "sido levados pelo Espírito" para outro lugar. Sobre isto, Swedenborg escreveu: "enquanto dura esse estado, não se reflete de modo algum sobre o caminho, mesmo quando ele fosse de muitas milhas; não se reflete também sobre o tempo, mesmo quando ele fosse de muitas horas ou de muitos dias; e não se experimenta fadiga alguma; então é-se também conduzido, por caminhos que nós mesmos ignoramos, até ao lugar designado, sem enganos" (CI 441).

f)- e, finalmente, a chamada experiência de quase morte em que foi deliberadamente introduzido a fim de descrevê-la, retendo, no entanto, plena consciência. Dedicou um capítulo inteiro de "O Céu e o Inferno" para descrever as etapas do processo porque passa o espírito humano na morte e em sua ressurreição ou entrada na vida eterna (CI 445-452).

Ao descrever todas essas experiências e expor os ensinamentos daí alcançados, Swedenborg se porta de forma categórica; seu estilo é positivo e direto, sem explicações vagas ou incertezas. Não deixa dúvidas quanto ao caráter da Pessoa Divina, a quem chama o Divino Humano, o Senhor Deus Jesus Cristo. Usa a terminologia mais simples possível para descrever as coisas espirituais. Por exemplo, chama de anjos os seres espirituais elevados, e espíritos demoníacos aqueles que atentam contra o bem-estar do ser humano. Chama de céus as regiões espirituais onde o homem se realiza na prestação de usos, que é a felicidade mesma, e infernos onde o espírito se inflama em cobiças e se vê frustrado por não mais conseguir realizá-las. Se essa terminologia é emprestada da religião, é porque a abertura dos planos espirituais só se tornou possível mediante a instrução que a religião recebem como revelação.

Falando das experiências de Swedenborg, não seria justo deixar de mencionar que, quando as descreveu em suas numerosas obras, o objetivo que ele que elas não fossem vistas como fins em si mesmas, mas como meios de se alcançar, por meio delas, a sabedoria de um modo de vida mais humano e, assim, mais celeste. Como ele repetiu centenas de vezes em todos os seus trabalhos, tais coisas foram descritas para que, como disse no prefácio de seu "Céu e Inferno" "a ignorância possa ser assim esclarecida e que a incredulidade possa ser dissipada. Se hoje é concedida uma tal revelação imediata, é porque ela é o que é significado pela Vinda do Senhor" (CI 1).

Em outras palavras: as revelações em sua obra, que para nós parecem espantosas, para ele apenas conduziam a um fim: a abertura para a raça humana de uma fonte de conhecimento das verdades acerca da existência espiritual. Essas verdades, que tinham sido conhecidas pelos antiqüíssimos da Idade de Ouro e de Prata, se perderam depois pelos enganos e pelo mero materialismo. Mas agora, como a raça humana chegava a um certo amadurecimento intelectual, fazia-se necessário abrir outras portas, de acordo com o que o Senhor Jesus havia dito aos Seus primeiros discípulos: "Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, mas vós não podeis suportá-las agora". Chegava o tempo em que Ele iria podia voltar novamente, agora como o Espírito da Verdade, revelar-Se no sentido espiritual das Escrituras e guiar-nos ao conhecimento de toda verdade, verdades para uma nova era da raça humana, um novo conceito de vida e de amor ao próximo.

Os ensinamentos de Swedenborg dão assim, novos conceitos acerca de Deus, da existência humana, da vida do espírito, e tudo mais. Por se haver adiantado e distanciado em muito do pensamento religioso de seu tempo (e, na verdade, ao pensamento de hoje), as obras de Swedenborg sofreram - e ainda sofrem - censura e discriminação, de um lado, por parte dos pseudo-cientistas, que, por não entenderem, não admitem a hipótese da harmonia ou fusão do conhecimento científico com o da revelação divina de um Deus infinitamente Humano, sábio e amoroso. Por outro lado, da parte dos líderes tradicionais cristãos, por terem receio da abertura dos mistérios da fé, talvez porque sabem que assim perderão o pretenso monopólio das verdades espirituais.

A teologia exposta por Swedenborg juntamente com o relato das experiências tão vivas no plano espiritual desconcertam muitos religiosos, os que, teoricamente, mais deviam saber sobre o espírito e a vida após a morte, pois que estas coisas foram dadas muitos desses indivíduos, sentindo-se ameaçados, reajam contra essa nova abertura da revelação e, especialmente, contra o autor, fazendo circular boatos difamadores a respeito de sua sanidade. Em decorrência disso, também a sua reputação anterior de grande cientista e filósofo ficou comprometida.

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publicado por conspiratio às 20:54
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