Domingo, 24 de Agosto de 2008

A ABDUÇÃO DE WHITLEY STRIEBER

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Texto de W. Strieber
26 de Dezembro de 1985


Por volta das oito e meia, liguei o alarme contra ladrões, que fica conectado com as janelas que permitem fácil acesso ao interior da casa e com todas as portas. Sem qualquer razão aparente, criei um hábito pouco comum no outono anterior. Eu dava, secretamen­te, uma volta pela casa inteira, verificando armários e até mesmo olhando debaixo da cama do quarto de hóspedes à procura de in­trusos. Fiz isto imediatamente depois de ligar o alarme. Pelas dez horas já estávamos deitados, e, às onze, ambos dormíamos.

A noite do dia 26 foi fria e nublada. Havia talvez vinte centí­metros de neve no chão, e ainda nevava levemente.

Não me lembro de quaisquer sonhos ou distúrbios. Aparente­mente, um objeto longo e desconhecido fora visto nas imediações nesta época do mês, mas isto só seria noticiado na outra semana. Mesmo quando eu li a matéria referente, não a relacionei de forma alguma com a experiência pela qual passei. Por que deveria? A no­tícia abordava o relato da visão como uma brincadeira. Só muito depois, quando eu mesmo fui pesquisar sobre o assunto, descobri como o artigo era impreciso.

Eu nunca havia visto um objeto voador não identificado. Pen­sava que esse assunto já fora totalmente explicado pela ciência. Le­vei uns dois meses para estabelecer a conexão entre o que me aconteceu com a possibilidade de se tratar de visitantes não-humanos, tão estranha me parecia esta ligação.

No meio da noite de 26 de dezembro — não me recordo exata­mente da hora —, subitamente acordei. E sabia o motivo: havia es­cutado um barulho diferente que vinha de baixo, da sala de estar. Não era um mero rangido nem provinha de qualquer instalação da casa; era um som como se muitas pessoas estivessem se movendo rapidamente naquele aposento.
Escutei com atenção. O barulho simplesmente não fazia sentido. Sentei-me na cama, atônito e muito curioso. Senti uma pontada de medo. A noite estava calma, sem ventos. Olhei diretamente para o painel do alarme contra ladrões, que ficava ao lado da cama. O sistema estava ligado e funcionando perfeitamente. Nenhuma das janelas ou portas conectadas estava aberta e ninguém havia entra­do, pelo menos era o que indicavam as luzes do painel.

O que eu fiz a seguir pode parecer estranho: deitei-me de novo na cama. Por alguma razão, apesar de estranhar muito o que estava ouvindo, não tomei qualquer providência. Durante esta narrativa, tal tipo de comportamento, totalmente inadequado, se repetirá por muitas vezes. Reagimos de maneira muito diferente do que manda a razão quando nos deparamos com algo demasiadamente estranho. É como se a mente, impelida por algum tipo de instinto, se desligasse.

Tão logo voltei a me deitar, percebi que uma das portas duplas que levavam ao nosso quarto estava se fechando. Este movimento era feito para fora, fazendo com que a abertura se tornasse menor, escondendo algo que estivesse por detrás. Sentei-me de novo. Mi­nha mente estava atenta. Eu não estava dormindo nem em estado hipnagógico, entre o sono e a vigília. Quero deixar bem claro que, no momento, estava totalmente desperto e no total controle de mi­nhas faculdades. Eu poderia, sem qualquer problema, ter me levan­tado e lido um livro ou escutado o rádio, ou mesmo saído para um passeio noturno pela neve.

Eu não imaginava o que poderia estar acontecendo e me senti muito desconfortável. Meu coração começou a bater mais forte. Eu já não estava mais deitado; estava sentado, uma indagação se for­mando na minha mente: o que poderia estar movendo a porta?

Então eu vi, esgueirando-se por ela, uma figura compacta. Era tão nítida, tão completa e inacreditavelmente estarrecedora, que, de início, não consegui entender coisa alguma. Apenas fiquei sentado, de olhos fixos, aturdido demais para me mexer.

Meses depois eu encontraria outra pessoa que também tivera essa experiência com os visitantes. O vulto peculiar fora na sua di­reção da mesma forma que este, agora, vinha na minha.

Antes de narrar os próximos segundos, eu gostaria de dar a des­crição exata de como esta figura se parecia para mim. Primeiramente, vou descrever as condições físicas sob as quais eu a via. O quarto estava na penumbra, mas não na escuridão. O alarme contra ladrões emitia luz suficiente para que eu pudesse enxergar. Também o fato de haver neve no chão acrescentava luz ao ambiente. Se fosse uma pessoa que tivesse entrado no quarto, eu poderia ver as suas feições claramente.

Esta figura era muito pequena para ser uma pessoa, a menos que fosse uma criança. Eu medi a distância aproximada do topo da cabeça ao chão, baseado na minha memória da posição da figura em relação à porta, e acredito que mal chegasse a um metro, menor e mais leve que meu filho.

Eu pude ver, talvez, um terço da figura, a parte que se debru­çava ao redor da porta para que pudesse me ver. Usava um chapéu leve e redondo, com uma borda estranha e pontuda que se prolon­gava por dez centímetros pelo lado que eu podia ver. Abaixo, havia uma área indistinta. Eu não podia ver a sua fisionomia, ou talvez não quisesse vê-la. Momentos depois, quando a figura se aproxi­mou da cama, percebi, em lugar dos olhos, dois buracos escuros, e contornando a boca, uma linha negra curvada para baixo que de­pois se transformou em um O.

Do ombro até a cintura via-se a terceira parte de uma placa qua­drada formada de círculos concêntricos. Esta placa se estendia da parte inferior do queixo até a altura do diafragma. Na hora, pensei que se parecia com algum tipo de brasão ou mesmo uma armadura. Abaixo, havia uma vestimenta retangular cobrindo da parte infe­rior da cintura até os joelhos. O ângulo em que a criatura se encon­trava era tal, que a parte inferior das pernas se escondia atrás da porta.

Eu estava muito chocado, mas o que via era tão estranho que tive de concluir que se tratava de um sonho. Talvez por isto eu te­nha continuado sentado na cama, sem ação. Ou talvez minha men­te estivesse sob algum tipo de controle.

De qualquer modo, eu estava aterrorizado, mas incapaz ou im­potente para enfrentar o que estava acontecendo. Tive uma explica­ção racional para a visão: embora eu estivesse totalmente acordado, devia ser uma alucinação hipnagógica. Este fenômeno às vezes se dá na mudança entre o estado de sono e o de vigília. Pensei que al­gum pequeno distúrbio me tivesse acordado e que tudo não passava de uma ilusão, pouco importando o fato de que me sentia totalmente desperto.

***


Lembro-me, a seguir, da figura entrando no quarto. Depois de um período de tempo que não posso precisar, veio a escuridão. Eu não me recordo se dormi ou permaneci acordado. A lembrança que tenho é muito mais perturbadora. Ficando consciente, lembro-me de estar em movimento. Estava com pés e mãos estendidos, como se estivessem congelados no meio de um salto. Eu estava saindo do quarto. Não havia em mim qualquer sensação física, fosse a de ser tocado ou a de sentir frio ou calor. Eu me sentia apenas como se fosse uma forma com substância dentro, totalmente insensível ao resto. Era como se eu estivesse profundamente paralisado. Apesar de desejar desesperadamente me movimentar, não o conseguia.

Ante o estado de paralisia em que me encontrava, não posso dizer se flutuava em alguma maca magnetizada ou num tapete voa­dor. Talvez eu estivesse apenas sendo carregado. De qualquer ma­neira, estava em pânico.

Não tinha mais a ilusão de que isto era apenas um sonho fugaz ou uma alucinação. Algo estava errado, tão errado que o meu ra­ciocínio parou. Mesmo que eu fosse capaz de emitir um som, o que duvido, não podia sequer tentar.

Posso ter perdido a consciência de novo, pois não mais me lem­bro de estar sendo movido. Minha próxima recordação é a de me encontrar sentado em um tipo de depressão no bosque, com uma trepadeira congelada em volta de mim, me apertando. Lembro-me de ter ficado admirado pelo fato de não haver neve na terra cinzenta.

***
Então, vi galhos de árvores passando rapidamente por mim, vindo, a seguir, copas de árvores. Olhei para baixo e vi todo o bos­que, que, lentamente, se distanciava à direita. Não havia como ex­plicar como eu conseguira ficar acima das árvores. Eu apenas vi e retive na memória. Então, um chão cinza obscureceu minha visão, deslizando debaixo de meus pés como um olho que se fecha.

Lembro-me, a seguir, de estar sentado em um estranho quarto redondo. Neste momento, tive a impressão de que estava sendo em­balado por estas pessoas, como se estivessem cientes do que estava por se tornar conhecido. Levado para este ambiente totalmente des­conhecido, tão repentinamente e sob condições tão incomuns, eu fora despojado de qualquer porção de serenidade que ainda pudes­se ter. Se até aquele momento eu fora capaz de manter algum nível de controle, perdi-o totalmente, tornado de pavor. Esta não foi uma experiência teórica, nem mesmo mental, mas algo profundamente físico.

"Whitley" cessou de existir. O que havia era um corpo, envol­vido por um medo tão grande quanto uma grossa e sufocante corti­na, fazendo com que a paralisia se aproximasse da morte. Não acho que a minha condição humana comum sobreviveu à transição para este pequeno quarto. Eu morri e no meu lugar apareceu um animal selvagem. Mas nem tudo estava perdido. O que restou, não obstan­te ser pouco, ocupou-se em fazer uma tarefa essencial de verifica­ção. Eu olhava ao redor o máximo que podia para me lembrar do que estava vendo.

O pequeno quarto circular tinha um teto arredondado, de cor cinzenta, com vigas aparecendo de trinta em trinta centímetros. Eu tive a impressão de que era um local de moradia, e em total desor­dem. Do outro lado do quarto, à direita, algumas roupas estavam jogadas no chão. Cheguei mesmo a pensar que o local era sujo. Eu me sentia confinado. Era um lugar pequeno, apertado e todo fe­chado. O quarto me parecia abafado e muito seco, de modo que o torpor causado pelo medo estava desaparecendo.

Pequenos indivíduos se moviam com muita rapidez. Sua pres­sa era perturbadora e curiosamente desagradável. Eu pensei que es­tava sendo levado embora e me lembrei de minha família. Tive uma forte impressão de que estava preso em uma armadilha. Era uma sensação realmente horrível, a que se somava o fato de eu me en­contrar impotente nas mãos destas estranhas figuras.

Apesar de extremamente aterrorizado, eu estava consciente do que se passava ao meu redor. Sei que estava sentado num banco, apoiado contra a parede. As cores predominantes eram bege e cin­za. O banco era da mesma cor das paredes, com uma camada marrom-escuro nas bordas. Pela nitidez de minhas lembranças em relaçÃo a essas cores, concluo que havia luz no quarto, apesar de não haver notado de onde ela pudesse vir.

Havia algo de muito bonito, acho que se relacionava com uma lente no teto, mas disto eu me lembro muito pouco. Talvez houves­se uma lente em algum ponto do teto, através da qual se via uma paisagem colorida.

Não há como ter certeza de quanto tempo eu permaneci neste quarto. Pareceram-me não mais de alguns minutos, segundos tal­vez. Mas poderia ser mais, pois eu tive tempo de olhar ao redor e perceber vários detalhes. Antes, eu estava totalmente paralisado, mas agora conseguia pelo menos mexer os olhos, talvez até mesmo a ca­beça.

Eu estava com tanto medo que as minhas lembranças são in­distintas, como se tivesse sofrido de amnésia. Mesmo descrevendo isto, estou ciente de que muito mais aconteceu. Apenas não consigo lembrar o que foi. Talvez a amnésia fosse causada por pavor, ou drogas, ou hipnose, ou ainda pela conjugação destes três fat6res. Existe uma droga, tetradotoxina, cujo efeito é semelhante. Em pe­quenas doses, provoca uma espécie de anestesia externa. Doses maio­res provocam uma sensação de "desligamento do corpo", algumas vezes mencionadas por vítimas de abdução. Em grande quantida­de, pode provocar a aparência de morte — até mesmo o cérebro per­de a capacidade de detectar o que se passa.

Cada detalhe do ambiente em que eu me encontrava era tão estranho para mim que eu simplesmente "apaguei", no sentido de per‑der a capacidade de direcionamento, tanto física quantomentalmente. Eu não estava apenas anestesiado (apesar de não estar tão paralisado como se estivesse desmaiado), mas me encontrava em um estado mental que me separava de mim mesmo de maneiratão completa que eu não tinha como filtrar as minhas emoções ou reações mais imediatas, nem era capaz de começar qualquer coisa. Fiquei reduzido à mera resposta biológica. Era como se o meu cére­bro tivesse sido separado do resto do meu sistema e tudo que restas­se fosse uma criatura primitiva, na realidade um macaco, de quem nós evoluímos há muito tempo. Entretanto, eu não estava na "por­ção" macaco. Estava no meu cérebro, trancado do resto de mim mesmo. Minha mente era uma prisão.

Um indivíduo estava do meu lado direito, outro, do esquerdo. Dentro do meu campo de visão, percebi que uma grande correria começou novamente. Em seguida, lembro-me de me mostrarem uma pequena caixa cinza com uma tampa deslizante. Havia uma borda curva em um dos lados para facilitar a sua abertura. Uma pessoa esbelta, graciosa, de aparência indistinta, segurava-a. Seria aquela mulher novamente? Não estou certo. Pelo que me recordo, parece que fizeram alguma coisa na minha vista para que eu perdesse a ca­pacidade de concentração. Lembro-me de haver olhado de relance pelo quarto, mas qualquer tentativa de fixar a imagem e observar um ser específico redundava num borrão. Seria interessante saber se isto era devido a um efeito induzido ou causado pelo meu pró­prio medo do que estava acontecendo.

Lembro-me, a seguir, de um indivíduo agachado, curvado co­mo se estivesse apoiado em cima de alguma coisa. A ele foi entre­gue a caixa, e ele a abriu, revelando uma agulha brilhante, tão fina quanto um fio de cabelo, colocada sobre uma superfície preta. Quan­do vi esta agulha com o canto do olho, ela brilhava, mas era prati­camente invisível observada de frente.

Eu me dei conta — acho que me disseram — de que eles esta­vam propensos a inseri-la no meu cérebro. Se antes eu já estava com medo, naquele momento fiquei tran­sido de terror. Discuti com eles. Lembro-me de haver dito: Este lugar é sujo. Vocês vão destruir uma mente mara­vilhosa.

Eu podia imaginar a minha família se levantando pela manhã e me encontrando como um vegetal. Uma grande tristeza se abateu sobre mim. Não me lembro de ter gritado, mas evidentemente o es­tava fazendo, pois me recordo claramente do próximo intercâmbio.

Um dos seres, acho que o primeiro, a quem eu havia identifica­do como mulher, disse:
— O que podemos fazer para você parar de gritar?

Sua voz era marcante. Indubitavelmente auricular, isto é, eu podia ouvi-la mais do que senti-la. Havia uma sutil tonalidade ele­trônica e um sotaque do Meio-Oeste.

A minha resposta foi inesperada. Eu me ouvi dizer:

— Você poderia me deixar cheirá-la.

Fiquei envergonhado; isto não era um pedido normal, e me in­comodou. Mas fazia muito sentido, como descobri mais tarde.
Aquele que estava à minha direita retrucou, falando rapidamen­te com uma voz semelhante, apoiando uma das mãos contra o meu rosto e segurando a minha cabeça com a outra:

— Oh, está bem, eu posso fazer isso.

O cheiro era diferente e deu-me exatamente o que eu precisava, um apoio na realidade. Permaneceu como o espectro mais convin­cente de minhas lembranças, porque aquele odor não era diferente de um verdadeiro. Não parecia de modo algum um sonho ou aluci­nação. Eu me lembro de um cheiro real.

Havia um leve cheiro de cartolina, como se parte da manga do macacão que cobria o meu rosto fosse feita de uma substância semelhante a papel. A mão tinha um discreto, porém perceptível, odor de suor. Não era um cheiro humano, mas, sem dúvida, o cheiro de algo vivo. Havia um sutil matiz que se assemelhava a canela.

Em seguida, lembro-me de uma pancada e um clarão, e desco­bri que eles tinham feito na minha cabeça a operação que preten­diam. Eu chorei e lembro-me de ter afundado em uma espécie de berço de pequenos braços.


***
Cena do filme "Communion"</a>cena do filme "Communion"</a>
Sobre este livro, “Comunhão”, quero dizer algumas palavras antes que as primeiras impressões se desvaneçam engolidas pela máquina explicatória da mente. É também sobre isto o livro, sobre se podemos perceber sem explicar, ter uma percepção direta sem o filtro e o escudo das explicações. A intromissão extraterrestre em nosso dia-a-dia é o toque do desconhecido varrendo a familiaridade do mundo e, com ela, a realidade, como a concebemos. A realidade sucumbe ante uma experiência tão intensamente surreal e tangível, de tal modo que sonho e vigília são constantemente evocados por um estado intolerável de hipervigília.

É, como diz Gilda Moura, uma iniciação. E nos revela o quanto nosso sistema de referências, nosso mapa é o mundo para nós. E o quanto este conhecimento de papel não nos prepara para o contato com o Universo real.


Emocionalmente, tenho muitas dificuldades com a idéia de naves espaciais e visitantes. Apenas não consigo evita-lo, apesar de que possa parecer obtuso para as futuras gerações. À vistas da evidências, o motivo de minha reticência é obscuro, embora não mais diferente do que a relutância da maioria dos meus amigos de formação científica ou acadêmica em aceitar naturalmente a hipótese dos visitantes.

Isso acontece porque a idéia de visitantes intelectual e tecnologicamente avançados, que escondem de nós seu conhecimento, é ameaçadora e enfurecedora. Sugere que há algo ignóbil sobre a humanidade, ou mesmo que somos prisioneiros em nosso planeta. Es­tas idéias são horríveis, e eu, por mim, preferiria um universo vazio a outro que nos encare com desdém ou com olímpica indiferença.

Nós, seres humanos, temos um interesse muito natural no va­lor e na validade de nossas espécies e nossas mentes. E isto é dupla­mente verdadeiro naqueles cuja sensação de valor pessoal vem do trabalho intelectual. Se a mente humana é de segunda categoria, en­tão também o são aqueles que a possuem.

Num nível mais profundo, entretanto, acho que estou come­çando a ficar um pouco mais acostumado com a idéia de que visi­tantes podem realmente existir. E isto decorre de uma razão inesperada. Eu penso naquelas pequenas figuras correndo, aqueles olhos assombrados, os cheiros, os pequenos quartos, os uniformes, o senso de trabalhar pesado. Lembro de como pareciam rígidos e semelhantes aos dos insetos os movimentos dos visitantes, e quão cuidadosos eles eram para me manter o tempo todo sob controle, e acho que posso saber o motivo da maneira peculiar com que eles lidam conosco. Se eu estiver certo, então a fonte da reticência deles não é o desdém, mas sim o medo, e bem fundado. Eles não têm me­do da selvageria ou da ambição do homem, mas da sua capacidade de agir independentemente.





Eu os vi bem de perto, e se o que vi eram seres reais, então o mais impressionante a respeito deles era que pareciam se movimen­tar como que coreograficamente...como se toda ação da parte de cada ser independente fosse decidida em outro lugar e então trans­mitida ao indivíduo.

Volto ao pensamento de que eles possam ser um tipo de col­méia. Se isto for verdadeiro, então, com efeito, eles podem ser uma única mente com milhões de corpos — uma criatura brilhante, mas sem a velocidade da humanidade, independente e sagaz. Se eles pen­sam de maneira lenta, talvez o ser humano, autônomo e de raciocí­nio rápido, represente uma ameaça séria. Pode ser que uma inteligência essencialmente primitiva e antiga tenha encontrado uma nova e avançada forma, e esteja com receio do potencial que a nos­sa totalidade como indivíduos nos dá.


***


O mais interessante aqui é o padrão. Envolve dois tipos de interação com os visitantes. Um deles parece envolver a abordagem de um único indivíduo ou um grupo pequeno, como aconteceu na noite da bola de fogo, na casa de minha avó, no apartamento da East Seventy-fifth Street e no campo em 4 de Outubro. O outro tipo de incidentes é o de uma visitação longa, como a do trem, em 1957,... e a de 26 de dezembro de 1985. Estas experiências normalmente incluem mais interação e geralmente se dão no campo do visitante.

As visitas breves parecem quase sempre envolver atividade psicológica; as mais longas, testes físicos, quase como se fizessem preparativos ou se observassem resultados naqueles momentos.

Quando Dezembro de 1985 chegou, devo ter tido estes encontros pelo menos umas doze vezes. Contudo, nunca aprendi com eles. A cada experiência, eu ficava tão amedrontado, atordoado e surpreso quanto antes.

Este é um dos problemas internos mais difíceis ligados à experiência. Poder-se-ia pensar que a mente, por si só, teria compartimentado todo este material junto, como faz com sonhos e pesadelos repetidos, de forma que quando eu entrasse em transe teria tido outras experiências semelhantes, mesmo que — como em pesadelos que se repetem — o material ainda fosse terrível.

Minha condição real quase parece sugerir que houve uma tentativa de me deixar tão indefeso quanto possível, colocando-me num estado em que cada experiência era percebida dentro e a partir de si mesma, sem referências a encontro passados. Logo, a cada vez a surpresa era total.




Extraído do livro "Comunhão", de Whitley Strieber, Ed. Record, traduzido do inglês. Título original "Communion". O livro inspirou o filme: "Estranhos Visitantes" ("Communion") fonte da imagem abaixo:


________________________________-.




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publicado por conspiratio às 21:40
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2 comentários:
De Anónimo a 2 de Março de 2011 às 23:15
Interessante o post, o encontrei sem querer procurando por link pra download do filme, muito bacana.

Tenho tido inúmeras experiências desde os 5 anos quando tive um tipo de epifania e naquele mesmo instante me tornei vegetariano, protetor dos animais e demais seres equivocadamente considerados inferiores pelos chamados humanos, e comecei a minha busca espiritual. Lembro que naquela mesma época, era quando passava o cometa Halley e tinha toda aquela verdadeira propaganda em torno do evento, eu tinha um álbum de fingurinhas a respeito, inclusive, acabei não vendo o cometa, mas vi uma bola laranja brilhante cortando o céu numa velocidade estonteante, e eu já entendia que era algo extra/intraterrestre ou coisa parecida, e descobri depois que minha mãe também teve inúmeras experiências quando estava grávida, antes de eu nascer.

Hoje, 26 anos depois, e já após o término da busca, depois do que realizei, sou mais o que diz o Dr. David Jacobs, viu... Não sei se conhece[m], mas em todo caso fica aqui a dica: ele entende, após profundo estudo com centenas de supostos abduzidos, que os alienígenas estão realizando um grande programa de hibridização [afinal, já vem desde 1947 pelo menos] cujo objetivo final é nos substituir pelos híbridos, nos mantendo como cobaias, e com eles, os alienígenas, no comando. Uma colonização. Podem haver extraterrestres bons e creio que haja, mas aqueles que abduzem pessoas parecem ser colonizadores executando um longo programa de hibridização com aquela meta nada interessante para nós. Não é simplesmente um estudo biológico, uma iniciação de contato que culminará numa nova e bela era espiritualizada nem nada daquilo tudo. Mas, como disseram a Whitley, e com toda a razão, eles têm o direito. Basta lembrarmos uma só das inúmeras crueldades contra animais que já sabemos sem sombra de dúvida que eles têm esse direito.

Não vejo nada como o ponto de vista de Gilda Moura, por exemplo. Pelo contrário, a única 'iniciação' que parece estar ocorrendo, é a da parte final do plano dominador deles.

Isso se tudo não for loucura e não estivermos todos presos em nossas fantasias, é claro [o que acho bem mais provável, aliás].

Deixo aqui um link com uma entrevista [em inglês] muito interessante com o Dr. David Jacobs, talvez até já tenham visto:

http://aliensandchildren.org/InterviewwithProf.htm

Sinceramente,

Samuel Pelegrini
De Célia Barcellos a 3 de Março de 2011 às 00:04
Oi Samuel, obrigada pelo texto. Muito interessante seu depoimento. Vc poderia abrir um blog com suas pesquisas e experiências.

Li 2 livros em português de Jacobs e tenho uma ou duas postagens aqui. Eu ainda não sei o que concluir de tudo o que tenho visto. A única coisa que permanece firme em minha mente é a decisão de juntar informações e fatos que paracem díspares e distantes entre si, mas que podem ser peças de um mesmo quebra-cabeça. Por exemplo, Milton Cooper (veja os posts) afirmava que viu um documento com dados sobre a aliança entre ETs e o governo dos EUA. O tempo passou ele perdeu muito da credibilidade, os ufólogos, ponderadamente, concluíram que ele preenchia com sua imaginação as muitas lacunas do seu conhecimento e o próprio Jacques Vallee o acusou, de certa forma, de fazer parte da campanha de desinformação e manipulação do governo.

Mas, agora, se vc compara a agenda da NOM (nova ordem mundial)com aquele texto, vc admite que o Milton soube de alguma coisa REAL e que talvez os agentes inconscientes da desinformação foram os outros.

Nós temos que cruzar as mais diferentes informações para poder checá-las e integrá-las no todo do qual elas fazem parte. Na verdade, nossa cabeça, é que está desmontada, por assim dizer, dissociada e entende por partes. Só que o entendimento das partes não é o conhecimento que liberta. É preciso juntá-las, é preciso permitir que elas se reúnam. É o que eu sinto.


Abraços,
Celia

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