Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

BLAVATSKY E A FÍSICA DO SÉCULO 21

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Teosofia de Helena Blavatsky
Antecipa a Física do Século 21

Sylvia Cranston


Reproduzimos a seguir a primeira parte do Capítulo 3, Parte 7, da obra “Helena Blavatsky” de Sylvia Cranston (Ed. Teosófica, Brasília, 1997, 678 pp.) O capítulo é intitulado “A Ciência e A Doutrina Secreta.”


Em 1988, por ocasião dos cem anos da publicação da obra “A Doutrina Secreta” [de Helena Blavatsky], foram realizados vários simpósios nos Estados Unidos, Europa e Índia. Em uma palestra na cidade de Culver, na Califórnia, o destacado teosofista norte-americano Jerry Hejka-Ekins observou:
[1] [LEIA AS NOTAS NUMERADAS NO FINAL DO ARTIGO]

“É muito pouco provável que algum crítico literário, examinando ‘A Doutrina Secreta’ em 1888, pensasse que esta obra pudesse ter mais do que algumas poucas edições. É uma obra de tamanho considerável, com cerca de 1500 páginas, cheia de termos filosóficos e religiosos do Extremo Oriente que contrastavam com a ciência do século dezenove e com as teorias agora descartadas. Mas, de qualquer modo, cem anos depois, ‘A Doutrina Secreta’ continua sendo impressa e ainda está sendo estudada... O que há em ‘A Doutrina Secreta’ que a faz perdurar e continuar influenciando o pensamento atual quando outras obras foram esquecidas há muito tempo? Talvez este livro pertença realmente ao século vinte e tenha sido escrito 100 anos antes do seu tempo... Se a autora não fosse capaz de antecipar as descobertas futuras, o livro teria se tornado obsoleto em pouco tempo diante do avanço da ciência. No entanto, HPB fez a predição de que ‘só no século vinte, partes desta obra, se não a integridade, seriam aceitas’
[2].”

Profecias são raras em “A Doutrina Secreta”. A que se segue é particularmente fascinante pois foram dadas as datas específicas em que ela se realizaria:
[3]

“O total exato, a profundidade, a amplitude e a extensão dos mistérios da natureza só se encontram na ciência esotérica oriental. Eles são tão vastos e profundos que apenas um número muito restrito entre os mais altos Iniciados — aqueles cuja própria existência só é conhecida de uns poucos Adeptos — são capazes de compreender tais conhecimentos. Tudo, porém, está ali; e os fatos e processos do laboratório da natureza podem, um por um, abrir caminho na ciência exata, quando uma assistência misteriosa é proporcionada a uns poucos indivíduos em seus esforços para desvendar os seus arcanos. É no fim dos grandes ciclos relacionados com o desenvolvimento das raças que geralmente se produzem esses acontecimentos. Estamos chegando precisamente ao final do ciclo de 5000 anos do presente Kali Yuga ariano; e entre este momento [1888] e o ano de 1897 será feita uma enorme ruptura no véu da natureza, e a ciência materialista receberá um golpe mortal.”
[4]

Há duas partes na profecia. A primeira levanta a questão sobre se alguma descoberta científica notável seria permitida no período mencionado de nove anos. David Deitz, em seu trabalho “The New Outline of Science” (“Uma Nova Visão da Ciência”), nos dá uma visão geral bastante útil:

A história da civilização mostra poucos contrastes maiores do que a diferença entre os pontos de vista dos físicos do século dezenove e do século vinte. Quando o século dezenove estava terminando, os físicos sentiam que haviam completado as suas tarefas. Um eminente cientista daquele tempo, ao fazer uma conferência em 1893, disse que era muito provável que as grandes descobertas no campo da Física já tivessem sido feitas. Ele esboçou a história e o desenvolvimento da ciência, resumindo ao final as teorias bem estruturadas do século dezenove — segundo ele afirmava — totalmente suficientes. O físico do futuro, disse ele tristemente, nada terá a fazer senão repetir e refinar as experiências do passado, acrescentando mais uma ou duas decimais a algum peso atômico ou constante da natureza.”
[5]

“Mas, dois anos mais tarde, no dia 28 de dezembro de 1895, Wilhelm Conrad Roentgen apresentava ao secretário da Sociedade de Física Médica de Würzburg o seu primeiro relatório escrito sobre a sua descoberta [acidental] dos raios-x. No primeiro dia de 1896, ele enviou pelo correio cópias do texto impresso para amigos cientistas em Berlim e outros lugares. Enviava com o texto algumas cópias das primeiras fotografias feitas por ele com os raios-x... das quais a mais espetacular mostrava os ossos de uma mão humana. Ali estava exatamente o que o orador de 1893 havia dito que não poderia ocorrer: havia sido feita uma nova descoberta... Roentgen havia encontrado alguns raios misteriosos que penetravam em objetos opacos tão facilmente como a luz do sol atravessa os vidros de uma janela. No século dezenove não havia físicos que pudessem explicar esse fenômeno surpreendente... Não só os físicos mas as pessoas por toda parte ficaram excitadas com a novidade. Roentgen ficou famoso da noite para o dia.” [Ele recebeu, em 1901, o Prêmio Nobel da Física.]

“A segunda grande descoberta no reino da física atômica foi a da radioatividade, realizada por Antoine Henri Becquerel em Paris, [em 1896] poucas semanas depois do anúncio de Roentgen. O pai de Becquerel, também físico, tinha investigado a fluorescência, o fato de que muitas substâncias submetidas à luz do sol reluziam mais tarde no escuro. Becquerel recordava o trabalho de seu pai e perguntou-se se havia alguma semelhança entre a fluorescência e os raios-x. Em função disso, ele envolveu uma chapa fotográfica em papel preto e colocou sobre ela um cristal de sal de urânio que o seu pai havia usado. Ele expôs este conjunto aos raios do sol. Ao revelar a chapa fotográfica, constatou que ela estava manchada ou escurecida como se alguma luz tivesse penetrado nela através do papel negro. Ele supôs que a ação da luz do sol tinha feito com que o urânio emitisse raios-x.”
[6]


Durante os preparativos para experiências posteriores, Becquerel descobriu acidentalmente não os raios-x que ele buscava, mas a radioatividade. Sobre o assunto, o eminente físico moderno Robert Millikan observa:

“A radioatividade era revolucionária para o pensamento humano, pois significava que alguns dos “átomos eternos”, isto é, os de urânio e tório, são instáveis e lançam fora espontaneamente com grande energia pedaços de si mesmos, desta forma transformando-se em outros átomos... De todas as novas descobertas, esta era a mais espantosa para o pensamento humano e estimulante para a imaginação, pois destruía a idéia da imutabilidade dos elementos e mostrava que os sonhos dos alquimistas poderiam tornar-se verdade um dia.”
[7]

A próxima “revelação” ocorrida dentro do período de tempo previsto em “A Doutrina Secreta” foi a mais importante de todas; a descoberta do elétron, em 1897, por sir J. J. Thomson. O dr. Karl Compton, ex-presidente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, fez o seguinte comentário em 1936, quando se afastava do cargo de presidente da Associação Americana Para o Progresso da Ciência:

“A história da ciência está cheia de exemplos de que um novo conceito ou descoberta pode levar a avanços tremendos em campos novos e vastos cuja própria existência era, até então, insuspeitada... Mas, do meu ponto de vista, nenhum exemplo foi tão dramático como o da descoberta do elétron, a menor partícula do universo que, no período de uma geração, transformou não só a estagnada ciência da Física, mas também uma Química puramente descritiva e uma estéril Astronomia em ciências que se desenvolvem dinamicamente, cheias de aventura intelectual, com interpretações inter-relacionadas e valores práticos.”
[8]

A descoberta de Thomson foi a culminação de uma série de experimentos iniciados por sir William Crookes, que se dedicava ao estudo das descargas elétricas em alto vácuo no tubo de Crookes, inventado por ele. Este tubo iria tornar-se um protótipo para os tubos de televisão e luz fluorescente usados hoje. As experiências de Crookes implicavam a existência de um quarto estado da matéria, que ele chamava de matéria radiante, e que, dez anos depois, constatou-se serem elétrons! É interessante que, em 1888, em “A Doutrina Secreta”
[9] , HPB predizia que: “a descoberta da matéria radiante do sr. Crookes conduzirá a um estudo mais completo sobre a verdadeira origem da luz, revolucionando todas as teorias atuais”.

A descoberta do elétron, observa o renomado físico norte-americano Robert Millikan, foi “extremamente útil para a humanidade, com suas milhares de extensões e aplicações para o rádio, para as comunicações de todo tipo, para a produção cinematográfica e inúmeras outras indústrias...” As descobertas científicas foram poderosamente aceleradas pelo uso de instrumentos eletrônicos.

A própria obra “A Doutrina Secreta” foi usada para diversas finalidades. O major Herbert S. Turner, inventor do cabo co-axial utilizado na telefonia e instalado de um lado a outro dos Estados Unidos no final da década de 1940, relacionou sua invenção com algumas passagens-chave de “A Doutrina Secreta”
[10] como o conceito de círculo-que-não-pode-ser-transposto [11] , aplicadas por ele em idéias de caráter profundamente oculto em relação ao mundo da energia física. [12]

A profecia de “A Doutrina Secreta” que estamos examinando afirma que como resultado da “enorme ruptura feita no véu da natureza... a ciência materialista receberá um golpe mortal”. Em “Time, Matter and Values” (“Tempo, Matéria e Valores”), após haver descrito as novas descobertas da Física, Millikan conclui: “como resultado, o materialismo dogmático na Física está morto”.
[13]

Raymond S. Yates, em seu livro “These Amazing Electrons” (“Esses Elétrons Surpreendentes”), assevera: “A velha escola estava em plena retirada. A Física estava totalmente confusa. Estava momentaneamente atordoada por uma avalanche de questões ponderáveis. O último tijolo sólido do edifício do materialismo caíra, e o pequeno e cômodo sistema de categorias e os refúgios engenhosos, construídos com tanto trabalho, haviam caído com um ruído surdo e inquietante”.
[14]

Segundo David Deitz, quando o século dezenove terminou já era claro que uma “verdadeira revolução acontecera no campo da Física”. Ele continua:

“Quatro descobertas significativas — os raios-x, a radioatividade, o elemento químico rádio e o elétron — convenceram os cientistas de que a sua tarefa estava apenas começando, e não terminando. Havia chegado o momento de invadir o interior do átomo. É arriscado, no entanto, afirmar que alguém pudesse prever, no começo do século vinte, os grandes avanços que seriam feitos na visão teórica, ou as aplicações espetaculares que surgiriam a partir desse novo conhecimento.”
[15]

O ciclo do despertar científico, que se seguiu à descoberta do elétron, continuou a aprofundar-se com três descobertas adicionais, que abalaram ainda mais os alicerces das doutrinas materialistas:

1898 — Rádio. O elemento descoberto por Marie Curie e seu marido, Pierre, é quatro vezes mais radiante do que o urânio de Becquerel.

1900 — A Física Quântica. Max Planck lançou as bases da teoria quântica em 1900 ao mostrar que a matéria emite e absorve radiação em pequenos pacotes ou quanta, mais tarde chamados de fótons por Einstein, ficando demonstrado que a luz pode, portanto, ser vista como partícula e como onda. (Mais de duas décadas depois, Louis de Broglie demonstrou que a matéria também se comporta com a dualidade partícula-onda). Em 1913, Niels Bohr afirmou que os elétrons saltam de uma órbita para outra em torno de um núcleo atômico ao absorver ou emitir quanta de energia, sem atravessar o espaço entre uma órbita e outra (em outras palavras, dão um salto quântico, expressão freqüentemente usada hoje em diversos contextos). Este foi um grande golpe contra a doutrina mecanicista.

1905 — A Equação de Einstein E = mc². A teoria de Einstein “acrescentou o reconhecimento de que a massa ou matéria é equivalente à energia, e de que o tempo e o espaço são partes integrantes do continuum de matéria-energia que constitui o universo”.
[16]

Como foi indicado no prefácio deste livro, um certo número de cientistas tem-se interessado por “A Doutrina Secreta”. De acordo com uma sobrinha sua, Einstein tinha sempre uma cópia dessa obra na sua mesa de trabalho. Detalhes do seu testemunho são dados na Nota 22 da Parte 7, ao final deste livro, onde se evidencia também que duas pessoas poderiam ter despertado o interesse de Einstein nesta obra.
[17] “A Doutrina Secreta” contém muitos ensinamentos que eram negados pela ciência nos dias de HPB, mas que foram comprovados mais tarde como verdadeiros, e é possível que essa obra contenha sugestões de outras verdades que ainda serão aceitas. Aqui estão três exemplos de descobertas pré-configuradas por HPB, no campo da Física.

1. Os átomos são divisíveis.

Sir Isaac Newton escreveu na sua obra “Optics” (“Ótica”) que: “No início Deus formou a matéria em partículas maciças, sólidas, duras, impenetráveis e em movimento, com os tamanhos, formas, propriedades e proporções em relação ao espaço que eram mais adequados ao objetivo em função do qual foram criadas”.
[18] Mais tarde, os cientistas eliminaram a teologia contida nessa declaração, mas conservaram a idéia das “partículas duras e impenetráveis”, ou átomos, como os tijolos básicos da construção do universo. Quando o elétron foi descoberto em 1897, os tijolos começaram a fragmentar-se. O átomo era divisível.

E aqui está o que HPB disse em “A Doutrina Secreta”
[19]:

“O átomo é divisível e deve compor-se de partículas ou sub-átomos... A ciência do ocultismo é toda baseada na doutrina da natureza ilusória da matéria e na divisibilidade infinita do átomo.”

Quanto à divisibilidade infinita do átomo, um cientista amigo escreveu para esta autora: “A ciência avançou nessa direção só passo a passo — encontrando primeiro o elétron e depois os prótons, mais tarde os nêutrons e a seguir os quarks e outras partículas, pensando, a cada vez, que havia encontrado a última partícula. Agora, finalmente, chegou às ondas puras, como na teoria das cordas, que corresponde à ciência da D.S.”
[20]

Quando os quarks foram localizados pela primeira vez, Werner Heisenberg comentou:

“Mesmo que os quarks pudessem ser encontrados, segundo tudo o que sabemos, eles poderiam ser divididos novamente em dois quarks e um antiquark etc., e, assim, eles não seriam mais elementares que um próton... Nós teremos que abandonar a filosofia de Demócrito e o conceito de partículas elementares fundamentais. Devemos, em vez disso, aceitar o conceito das simetrias fundamentais, que tem base na filosofia de Platão.”
[21]

2. Os átomos estão em movimento perpétuo.

Os cientistas do tempo de HPB não só acreditavam que os átomos eram indivisíveis mas também que eles eram imóveis, exceto no estado gasoso. “A Doutrina Secreta” declara:
[22]

“Diz o ocultismo que nunca a matéria se acha mais ativa do que quando parece morta. Um bloco de madeira ou de pedra está imóvel e é impenetrável em todos os sentidos. Não obstante, na realidade, suas partículas estão animadas por um movimento vibratório incessante, eterno, tão rápido que, para o olho físico, o objeto parece em absoluto desprovido de movimento; e a distância daquelas partículas entre si, no seu movimento vibratório, é tão grande — vista de outro plano de existência e percepção — como a que separa flocos de neve ou gotas de chuva. Mas, para a ciência física, esta idéia é um absurdo.”

Hoje é difícil pensar que algum dia isso foi considerado um absurdo.

Segundo “A Doutrina Secreta”, o movimento incessante dos átomos no que vemos como um objeto sólido está de acordo com uma lei universal subjacente ao cosmo de que “não há repouso nem interrupção de movimento na natureza”.
[23] Isso está de acordo com a visão de Einstein, segundo “The Theory of Relativity” (“A Teoria da Relatividade”), de Garrett Service:

“Pesquisas científicas mostram que, nas coisas infinitamente pequenas assim como nas infinitamente grandes, tudo é movimento... e não encontramos nada em repouso. Assim sendo, diz Einstein, o movimento deve ser visto como a condição natural e também real da matéria, algo que não necessita de ser explicado, porque surge da própria substância do universo. É a verdadeira essência da existência.”
[24]

Em “A Doutrina Secreta”, HPB afirma que “o movimento abstrato absoluto” é um símbolo do próprio Absoluto.
[25]

3. Matéria e energia são conversíveis.

A ciência do século dezenove acreditava no oposto. Einstein desaprovou a crença antiga em 1905 com a sua famosa equação E = mc2. Millikan traduz a equação da seguinte maneira:

“m é massa em gramas; c é velocidade da luz em centímetros por segundo (30.000.000.000 cm/s); e E é energia em unidades de energia, isto é, em ergs. Expressa na linguagem comum de engenharia, a equação de Einstein diz que, se um grama de massa é transformado em calor a cada segundo, são gerados continuamente 90 bilhões de quilowatts de energia.”

“A concepção extraordinariamente importante aqui”, acrescenta Millikan, é que a própria matéria é conversível em energia radiante”.
[26] Uma maneira mais geral de explicar este fato agora comprovado seria dizer que a matéria é energia condensada, enquanto energia é matéria que se expandiu. HPB cita um trecho de um artigo da revista “The Path” (janeiro de 1887, p.297) em “A Doutrina Secreta” [27] :

“Como declarou um teosofista norte-americano, ‘as mônadas (de Leibnitz) podem ser consideradas como força, de certo ponto de vista; e, de outro, como matéria. Para a ciência oculta, força e matéria não são mais que dois aspectos da mesma substância’.”

Essa substância ela chamava de prakriti, que emana da matéria primordial, ou mulaprakriti (a raiz da matéria).

Em “Ísis Sem Véu”
[28], HPB postula diretamente a conversibilidade de força em matéria ao afirmar:

“Toda manifestação objetiva, seja no movimento do corpo de um ser vivo, seja no movimento de algum corpo inorgânico, requer duas condições: vontade e força — além de matéria, que é aquilo que faz com que o objeto que se move seja visível aos nossos olhos; e essas três são todas forças conversíveis...”

A referência que se segue
[29] é especialmente interessante, não só porque a expressão energia atômica indica que os átomos têm energia, mas porque HPB parece ter sido a primeira pessoa a usar esta expressão tão comum hoje:

“O ‘movimento ondulatório das partículas vivas’ torna-se compreensível com a teoria de um... Princípio Vital universal, que é espiritual, independente de nossa matéria e que se manifesta como energia atômica somente no nosso plano de consciência.”

Tendo em vista tudo o que foi dito antes, não é surpreendente ser informada pelos atuais editores de “A Doutrina Secreta” que eles têm recebido pedidos freqüentes de exemplares dessa obra feitos por professores universitários. Um professor do Instituto de Tecnologia da Califórnia comprou o livro diversas vezes nos últimos anos. Perguntado amavelmente sobre a razão disso, soube-se que, cada vez que um exemplar estava demasiadamente marcado, dificultando a sua leitura, ele comprava outro exemplar.

Esta escritora soube em 1982, quando visitava Boston e Cambridge, que os professores e alunos de química do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estavam fazendo planos para investigar os ensinamentos em “A Doutrina Secreta” relativos às suas especialidades. Em 1988, soube-se, por meio de Philip Perchion, um cientista que havia trabalhado na bomba atômica, que professores e estudantes do MIT haviam formado uma sociedade alquímica e que estudavam regularmente “A Doutrina Secreta”. Ele também disse que ele e vários professores de química — a maior parte professores aposentados do MIT — encontravam-se periodicamente para discutir a D.S. no Harvard Club, em Nova Iorque.


Albert Einstein e “A Doutrina Secreta”:

Texto Completo da Nota 22, Parte 7, do
livro “Helena Blavatsky”, de Sylvia Cranston:

Veja o prefácio, NF # 11. Robert Millikan pode ter sido um dos primeiros cientistas a apresentar “A Doutrina Secreta” para Einstein. De 1921 a 1945 ele foi o diretor do Laboratório Norman Bridges no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena; ele era também o presidente do comitê executivo do Cal Tech.

Nos anos 30, Millikan ajudou a trazer Einstein para os Estados Unidos. Por três verões, Einstein trabalhou em Cal Tech, antes de aceitar um posto em Princeton.

Millikan estava profundamente interessado em “A Doutrina Secreta”. Durante seu mandato em Cal Tech, uma cópia do livro, na biblioteca da escola, era tão solicitada que para alguém conseguir o seu empréstimo tinha que colocar o nome numa longa lista de espera. Parece provável que Millikan tenha sido um dos que despertaram o interesse de Einstein pela Doutrina Secreta.

Outra pessoa pode ter sido Gustav Stromber, um astrofísico do Observatório Mount Wilson, de Los Angeles, que foi um bom amigo de Einstein e trabalhou com ele no observatório. Quando a obra de Stromberg “Soul of the Universe” (“Alma do Universo”) foi publicada, tinha na orelha uma recomendação de Einstein.

É interessante notar que, durante este período, Boris de Zirkoff, compilador de “H.P.Blavatsky Collected Writings”, visitava freqüentemente o observatório e fez amizade com os astrônomos de lá. Disse ele que todos estavam interessados em teosofia, particularmente o dr. Hubbell. Stromberg visitou a Sociedade Teosófica em Point Loma, e, certa vez, fez uma palestra lá; ele escreveu até mesmo a introdução para um livro de astronomia de dois teosofistas de Point Loma. Stromberg afirma:

“ ‘Star Habits and Orbits’ é descrito como ‘astronomia para estudantes de teosofia’. Isto inclui, conseqüentemente, dois temas diferentes; primeiro, a descrição dos fatos astronômicos fundamentais, e, segundo, uma interpretação destes fatos do ponto de vista dos ensinamentos teosóficos (.....) O grande edifício da ciência moderna é incompleto sem a apresentação de um mundo não-físico, a partir do qual a energia, a organização e a mente temporariamente emergem e vão para dentro do mundo físico de espaço e tempo. Teorias físicas modernas mostram a insuficiência dos conceitos materialistas que até recentemente caracterizaram a ciência natural apontam diretamente para um mundo que está em contato íntimo com a nossa própria consciência.

Há muitos caminhos para o conhecimento e nenhum deles deve ser negligenciado. Sabendo, como sabemos agora, que a nossa mente, inclusive a nossa capacidade de pensar, tem suas raízes num mundo invisível mas não desconhecido, é concebível que possam existir homens e mulheres inspirados capazes de perceber algo dos mistérios fundamentais da vida e do universo sem o uso de microscópios e telescópios.” (Charles J. Ryan e L. Gordon Plummer, “Star Habits and Orbits”, Covina, Califórnia, EUA, Theosophical University Press, 1944, pp. V-VI.)

[ Assim termina o texto da Nota 22, parte 7, do livro de Sylvia Cranston. ]


Sylvia Cranston, autora do livro “Helena Blavatsky - a Vida e a Influência Extraordinária da Fundadora do Movimento Teosófico Moderno” (Ed. Teosófica) , foi associada da Loja Unida de Teosofistas, LUT, e teve uma longa vida dedicada à causa da teosofia. Morreu na segunda metade da década de 1990.



NOTAS

[1] “The Secret Doctrine in the Light of Twentieth Century” (“A Doutrina Secreta à Luz do Pensamento do Século Vinte”), revista “Sunrise”, publicada pela Sociedade Teosófica de Pasadena, abril-maio de 1989, pp 150-151.
[2] Veja “A Doutrina Secreta”, H.P.B., ed. Pensamento, SP, volume III. Na edição em inglês, “The Secret Doctrine”, Theosophy Co., Los Angeles, veja vol. II, p. 442.

[3] Volume II, pp. 323-324 da edição em português de “A Doutrina Secreta”, Ed. Pensamento.

[4] “A Doutrina Secreta”, HPB, Ed. Pensamento, SP, volume II, pp. 323-324. Em inglês, “The Secret Doctrine”, vol. I, pp. 611-612.

[5] “O diretor do Departamento de Física da Universidade de Harvard desencorajava o estudo de graduação, pois só bem poucos problemas permaneciam sem solução”. (Gary Zukav, “The Dancing Wu Li Masters”, Nova Iorque, Bantam, , 1980, p. 311.)
[6] David Dietz, “The New Outline of Science” (“O Novo Perfil da Ciência”), Nova Iorque, EUA, Dodd, Mead, 1972,, pp. 259-263.

[7] Robert Millikan, “The Autobiography of Robert A. Millikan”, Nova Iorque, EUA, Prentice-Hall, 1950, pp. 272, 271. Em 1909, o próprio Millikan cumpriu um importante papel ao determinar as cargas elétricas exatas dos elétrons, e em 1923 recebeu o Prêmio Nobel de Física pela descoberta dos raios cósmicos.

[8] “Science”, 8 janeiro 1937, p. 598.

[9] Volume II, p. 333 da edição em português, da Ed. Pensamento.

[10] “A Doutrina Secreta”, volume I, pp. 176-179, especialmente 177. Em inglês, “The Secret Doctrine”, Theosophy Company, Los Angeles, Volume I, pp. 129-132.

[11] O círculo-que-não-pode-ser-transposto (ring-pass-not no original) é aquilo que separa o mundo da forma do mundo sem forma.

[12] “Theosophia”, volume 4, número 22, novembro-dezembro de 1947, p. 15.

[13] Robert Millikan, “Time, Matter and Values” (“Tempo, Matéria e Valores”), Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA, University of North Carolina Press, 1932, p. 96.

[14] Raymond F. Yates, “These Amazing Electrons” (“Esses Eletrons Incríveis”), Nova Iorque, EUA, the Macmillan Company, 1937.
[15] Dietz, “The New Outline of Science”, p. 277.

[16] A. March e I.M. Freeman, “The New World of Physics” (“O Novo Mundo da Física”), 1963; citado na revista “Sunrise”, novembro de 1975, p. 81.

[17] Veja a Nota 22 da parte 7 do livro de Sylvia Cranston, completa, ao final do presente texto.

[18] M.R. Crossland, editor, “The Science of Matter”, Nova Iorque, EUA, Penguin, 1971, p. 76.

[19] Vol. II, p. 232 da edição em português.

[20] “Em 1984”, escreve Stephen Hawking, “houve uma mudança de opinião notável em favor do que é chamado de teoria das cordas ..... O que antes se via como partículas, é agora representado como ondas vibrando no cordel de uma pipa ou pandorga”. (Hawking, “A Brief History of Time” – “Uma Breve História do Tempo”, p. 158-160 da edição em inglês).

[21] Werner Heisenberg, “Science”, 19 de março de 1976, p. 1165.

[22] Volume II, p. 220 da edição em português.
[23] Blavatsky, “The Secret Doctrine”, vol. I, p. 97; veja também vol. I, pp. 2, 55 e nota de rodapé da p. 76.

[24] S. Garrett Service, “The Einstein Theory of Relativity” (“A Teoria da Relatividade de Einstein”), Nova Iorque, EUA, E. M. Radimann, 1928, p. 48.

[25] Vol I, p. 14 da edição em inglês.

[26] Millikan, “The Autobiography of Robert A. Millikan”, p. 273.

[27] Vol. II, p. 335 da edição em português.
[28] Página 260, no volume I, da edição brasileira. Em inglês, “Isis Unveiled”, Theosophy Co., Los Angeles, Vol I, p. 198.

[29] “A Doutrina Secreta”, vol. IV, p. 242, da edição em português.



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