Domingo, 9 de Junho de 2013

O EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY CONTA TUDO EM "OS DEMÔNIOS"

Dostoievsky publicou "OS DEMÔNIOS" em capítulos, num jornal para todos lerem, mais de 40 anos antes da revolução comunista tornar a Rússia num totalitarismo de esquerda. Mas, assim como Saint Germain, que tentou evitar a carnificina na França e não foi acreditado, parece que Dostoievsky não foi levado a sério. O que lembra muito nossa época... Muitos alertas já soaram, inutilmente. (Veja em AGENDAS) É estranho como a mente humana abusa da sua capacidade de focar em alguns pontos e ignorar outros, principalmente de ignorar o todo (veja David Icke "Conectando os Pontos"). Se não se em um noção de TODO, perde-se o contexto e a proporção de importância das partes. 

Seguem excertos da obra:

—    Pelo que compreendi — e era impossível não o compreender — o senhor, uma vez, de início, e outra vez mais tarde falou com bastante eloqüência — embora por demais teóricamente — da vasta rede que cobre a Rússia inteira e da qual nosso grupo é uma das malhas. Cada um desses grupos, fazem prosélitos e se ramificando até ao infinito, por meio de uma propaganda sistemática, deve sabotar o poder das autoridades locais, espalhar a desordem pelo campo, provocar escândalo, estimular o cinismo e a incredulidade, suscitar o desejo de um melhor destino, e enfim, recorrer aos incêndios como a um método eminentemente popular para, no momento oportuno, mergulhar o país no desespêro. Serão essas exatamente as suas palavras? Procurei gravá-las todas. Não é esse o programa que nos comunicou como delegado de um tal de Comitê Central que nós ainda não conhecemos e que nos parece quase fantástico?

 

 —  Povo nenhum, disse ele, como se lesse num livro, fixando Stravróguin com olhar ameaçador, povo nenhum pôde jamais se organizar sôbre a terra em bases científicas e racionais; povo nenhum o conseguiu, salvo talvez pela duração dum instante, e por estupidez pura. O socialismo na sua essência é ateu, porque proclamou desde o início que se propõe a edificar a sociedade unicamente na ciência e na razão. Por tôda a parte e sempre, desde o comêço dos tempos, a razão e a ciência só desempenharam na existência dos povos um papel subalterno, a serviço da vida; e assim será sempre, até o fim dos séculos. Os povos se constituem e se desenvolvem movidos por uma fôrça diferente, uma fôrça soberana, cuja origem se mantém desconhecida e inexplicável. Essa fôrça é o desejo inextinguível de atingir um fim e ao mesmo tempo a negação dêsse fim. Essa força é a afirmação persistente e infatigável do ser e a negação da morte. É o espírito da vida, como diz a escritura, "as fontes de águas vivas", como diz a Escritura, com cuja extinção nos ameaça tanto o Apocalipse.


Acontecia que ele sabia de muito;  e assim, conseguiu mudar a feição do, caso todo: a tragédia de Chátov e de Kiríllov, o incêndio, a morte irmãos Lebiádkin, —  tudo isso passou para o segundo plano, cedendo  lugar a Piótr Stepánovitch, à sociedade secreta, à organização, à rêde. Quando lhe fizeram esta pergunta: Por que tantos crimes, esses escândalos, essas misérias? —  Liámchin imediatamente retrucou: — Afim de abalar o govêrno nas suas bases, a fim de apressar a decomposição da sociedade, a fim de desanimar todos e inocular nos espíritos a desordem. Depois nos teríamos apoderado, dessa sociedade caótica, doente, abandonada, cínica e cética,  mas que aspira submeter-se a qualquer idéia diretriz; teríamos  brandido o estandarte da revolta, apoiando-nos na rede de grupos de Cinco, que por seu lado agiriam promovendo a propaganda, estudando os pontos fracos do adversário e os meios práticos de o combater.

Declarou ele, afinal, que aquilo que se registrara entre nós não passava duma tentativa inicial de desordem sistemática, de certo modo representava o programa que deveriam seguir os grupos fundados por Piótr Stepánovitch. Pelo menos era essa a sua opinião — dêle, Liámchin. E insistiu em que "fossem levadas em conta as suas palavras, a franqueza, a precisão com que expusera todo o caso, o que bem mostrava quão grandes serviços poderia prestar às autoridades".

 

Anta a pergunta direta: "Há muitos grupos de Cinco, na Rússia?" respondeu que eram inúmeros esses grupos e cobriam com sua rede a nação inteira. Não apresentou nenhuma prova apoiando suas declarações, mas creio que era sincero quando assim falava. Limitou-se a expor o programa da sociedade, impresso no estrangeiro, e um projeto de desenvolvimento da sua ação, escrito pelo punho de Piótr Stepánovitch. Verificou-se que, falando em "abalar as bases", Liámchin citara textualmente um trecho desse documento, sem omitir um ponto ou uma vírgula — coisa entretanto que não o impedira de reivindicar como sua essa idéia . 

 

 

 *

 

—    Hum! se a Babilônia européia ruir, será realmente uma grande catástrofe. (Estou de acôrdo com os senhores, a respeito — embora creia que ela há de durar tanto quanto eu. Enquanto que aqui na Rússia, afinal de contas, que é que pode ruir?... Não assistiremos a um desabar de pedras, porque tudo se há de liquefazer : será um dilúvio de lama. A Santa Rússia é absolutamente incapaz de oferecer qualquer resistência a quem quer que seja. Graças ao deus russo, o povo ainda se mantém mais ou menos sossegado ; mas segundo as últimas notícias, o deus russo não é suficientemente sólido e a libertação dos servos quase o derruba; pelo menos, abalou-o de rijo. E além disso há as estradas de ferro, há os senhores... E quanto ao deus russo, absolutamente não creio nele. 

 

—    E no deus europeu? 

 

—    Não creio em deus nenhum. Fui caluniado perante a mocidade russa. Sempre estive de coração ao seu lado. Mostraram os manifestos que são distribuídos por cá. São documentos que deixam os indivíduos perplexos, porque o seu tom assusta as almas; mas todo o mundo inconscientemente está convencido do poder de ação deles. Já há muito tempo que tudo vai deslizando para o abismo, e já há muito tempo é sabido que ninguém se poderá agarrar a nada. E tenho certeza absoluta do êxito dessa propaganda, porque sei que a Rússia é por excelência o país onde tudo pode acontecer, sem encontrar a mínima resistência. Compreendo muitíssimo bem por que os russos que possuem alguns bens transpõem as fronteiras, em número considerável, cada ano. É simplesmente o instinto que os guia. Quando um navio vai afundar, os ratos são os primeiros que o abandonam. A Santa Rússia é um país de casas de madeira, um país miserável e... e perigoso ... um país de mendigos: mendigos vaidosos nas camadas superiores, mas cuja imensa maioria vive nas isbás, de paredes inseguras. Ficariam satisfeitos com qualquer saída — e bastaria que essa saída fôsse indicada. Só o govêrno ainda quer resistir, mas maneja o gládio a torto e a direito e fere justamente os seus. Aqui tudo é julgado e condenado; a Rússia, tal como é, não tem futuro. Tornei-me alemão, e honro-me com isso. 

 

—    0 senhor começou falando nas proclamações. Diga-me o que pensa a respeito delas.

 

—    Todo o mundo está com medo; portanto, elas execem grande ação. Descobrem francamente a mentira, e demonstram que, entre nós, nada existe a que nos agarremos, nada em nos amparemos. Esses manifestos falam alto, quando todos se calam. Sua fôrça (não obstante a sua forma) é a audácia inaudita com que encaram de frente a verdade. E essa faculdade de encarar de frente a verdade pertence apenas à atual geração russa. Não, na Europa ainda não são tão atrevidos: o edifício europeu é feito de pedra, e ainda tem onde se arrimar. Pelo que vejo, e tanto quanto posso julgar, a idéia revolucionária russa consiste essencialmente na negação da honra. E agrada-me ver êsse pensamento expresso com tanta coragem, com tanta ousadia. Não, na Europa não se compreenderia ainda tal idéia, e entre nós, porém, é exatamente sôbre ela que todos se hão de se precipitar. Para a Rússia, a honra não passa dum fardo inútil, tem sido assim em todos os tempos, no decorrer de toda a sua história. Será portanto fácil seduzi-la, e arrastá-la proclamando o "direito à desonra". Pertenço à velha geração e confesso que ainda sou partidário da honra; mas isso é apenas um hábito. Aferro-me ainda às velhas fórmulas; admitamos que isso seja uma fraqueza de minha parte: é mister porém morrer com os princípios aos quais nos apegamos a vida inteira...

 

 

 * 

 

—    Como foi então que você se arranjou para espalhar ai, os manifestos? 

 

—    Na reunião aonde vamos, não haverá senão quatro filiados. Os outros estão à espera, espionam-se reciprocamente e me relatam tudo. Pode-se contar com êles. É uma matéria bruta que é mister organizar, e depois veremos. Ademais, foi você próprio quem organizou os estatutos ; é pois inútil dar-lhe explicações. 

 

—    E então o trabalho anda? Poucas dificuldades? 

 

—    Se anda! Não poderia andar melhor ! Vou fazê-lo rir : o melhor método de ação é o uniforme. Não há nada mais poderoso que o uniforme. Invento de propósito títulos e funções : instituo secretários, emissários secretos, tesoureiros, presidentes, registradores e adjuntos. Isto agrada muitíssimo aos camaradas que aceitam os cargos, honradíssimos. Depois, é claro, vem ainda o sentimentalismo. Você sabe que o êxito do socialismo é em grande parte devido ao sentimentalismo. A desgraça é que às vezes a gente se vê a braços com um subtenente hidrófobo, que se põe a morder. Em seguida, estão os simples canalhas; bons sujeitos, aliás, que podem vir a ser utilíssimos ; mas perde-se com eles muito tempo, porque é preciso vigiá-los bem. Enfim, a fôrça principal, o cimento que liga tudo, é o temor da opinião. Que fôrça que isso é! Vivo perguntando a mim próprio a quem (devemos nós ser gratos por ter tão habilmente manobrado os espíritos ; ninguém tem mais uma idéia própria, aqui. Eles teriam vergonha de pensar por si próprios. 

 

—    Se é assim, por que você se afadiga tanto? 

 

—    Como deixar de se aproveitar da situação? Como não nos apoderarmos daquele que nos estende os braços? Será que realmente você não acredita na vitória? Tem fé, mas o que lhe faz falta é a vontade de agir. Sim, é justamente com gente dessa espécie que é possível vencer. Sou eu que lhe digo : atiram-se ao fogo, se for necessário ; bastar-me-á, para isso, censurar-lhes a tibieza das suas convicções. Os imbecis me acusam porque enganei todo o mundo com o meu "Comitê Central" e suas "infinitas ramificações" ; você mesmo fez-me um dia essa censura. Pois não enganei ninguém: o Comitê Central somos você e eu; quanto às ramificações, teremos tantas quantas quisermos. 

 

—    Mas só a ralé? 

 

—    É o material. Serve para qualquer coisa.

 

     

 

*
—    Como me consagrei inteiramente ao estudo da organização que no futuro deverá substituir a nossa, continuou Chigalióv — cheguei à convicção de que todos os criadores de sistemas sociais, desde os tempos mais recuados até nossos dias, foram sonhadores, visionários, tolos, que se contradiziam a si próprios e nada entendiam de ciências naturais, nem desse estranho animal que se chama o homem. Platão, Rousseau, Fourier, não passam da colunas de alumínio; servem apenas para pardais, e não para homens. E como as formas sociais do futuro devem ser fixadas precisamente agora, e já que afinal estamos decididos a iniciar a ação, sem mais delongas, proponho o meu sistema de organização mundial. Ei-lo — declarou batendo no caderno. Queria expor-lhes o meu livro tão sucintamente quanto fosse possível ; mas vejo que me será preciso acrescentar algumas explicações verbais. Minha exposição exigirá pelo menos dez reuniões, de acôrdo com o número de capítulos do livro. (Houve algumas risadas.) Ademais, devo preveni-los de que o meu sistema ainda não está concluído. (Novos risos.) Embrulhei-me com meus próprios dados e a conclusão está em contradição direta com a idéia fundamental do sistema. Partindo da liberdade ilimitada cheguei ao despotismo ilimitado. Faço notar, entretanto, que para o problema social, não pode haver outra solução senão a minha.

(...)

—    O Sr. Chigalióv dedicou-se inteiramente à sua tarefa e ademais é excessivamente modesto. Conheço o seu livro. Para resolver definitivamente a questão social, propõe êle que se divida a sociedade em duas partes desiguais. A um décimo será outorgada liberdade absoluta, e autoridade ilimitada sobre os outros nove décimos que deverão perder a personalidade, convertendo-se num rebanho; mantidos numa submissão sem limites, passando por uma série de transformações, atingirão o estado de inocência primitiva, qualquer coisa como o Éden primitivo — sendo embora obrigados ao trabalho. As medidas preconizadas pelo autor a fim de despojar de sua vontade os nove décimos da humanidade e transformá-los em rebanho, por meio da educação, são notabilíssimas; baseadas nos dados das ciências naturais, são inteiramente lógicas. Pode-se deixar de aceitar certas conclusões, mas é impossível negar a inteligência e os conhecimentos do autor. É lamentável que, em vista das circunstâncias, não lhe possamos conceder os dez serões que ele exige, porque decerto ouviríamos coisas interessantíssimas.

 

—    Será possível que o senhor leve a sério esse homem que, sem saber o que fazer da humanidade, lhe reduz nove décimos à escravidão? perguntou ao coxo a Senhora Virguínskaia, inquieta. Já há muito tempo que ele me parecia suspeito. 

 

—    E além disso, trabalhar para aristocratas e lhes prestar obediência como se fossem deuses, é uma covardia, disse a estudante indignada. 

 

—    O que proponho não é nenhuma covardia — é o para o paraíso terrestre, e não pode haver nenhum outro, concluiu Chigalióv, autoritário. 

 

—    Pois eu, bradou Liámchin, em vez de organizar o paraíso terrestre, se não soubesse o que fazer dos restantes nove décimos da humanidade, dava cabo dêles, e só deixaria viver um punhado de indivíduos instruídos, capazes de viver pacificamente, de acôrdo com os princípios científicos. 

 

—    Só um palhaço é capaz de falar assim! protestou a rapariga.


—    Ele é mesmo um palhaço, mas útil, murmurou a Senhora Virguínskaia ao ouvido da estudante.

    Talvez fosse realmente essa a melhor solução do problema interveio Chigalióv, volvendo-se ràpidamente para Liámchí Talvez não saiba que acaba de dizer uma coisa profundíssima senhor palhaço. Mas como sua idéia é quase irrealizável, temos que nos contentar com o paraíso terrestre — já que é mister chamá-lo assim. 

 

—    Quanta asneira! deixou escapar Verkhovénski malgrado seu; não levantara a cabeça e continuava a cortar as unhas, indiferente.

 

—    Asneiras, por quê? retrucou imediatamente o coxo, como se não esperasse senão um momento propício a fim de atacar Piótr Stepánovitch. Asneiras, por quê? O amor do Sr. Chigalióv pela humanidade é um pouco fanático; mas lembre-se de que Fourier, e sobretudo Cabet, e até mesmo Proudhon, mostraram-se partidários de certas soluções extremamente despóticas e à primeira vista, fantasistas. E o Sr. Chigalióv é talvez mais razoável que eles. Garanto aos senhores que depois da leitura do livro de Chigalióv, é quase impossível deixar de admitir algumas das suas idéias. Ele afastou-se do realismo menos talvez que os outros, e o seu paraíso terrestre é quase um paraíso autêntico — o paraíso com que sonham os homens, depois de o perderem — se é que jamais o possuíram.


—    Bem que eu previa que iria ouvir uma coisa mais ora menos dêsse gênero, resmungou novamente Verkhovénskii.

—    Com licença! gritou o coxo cada vez mais furioso. Atualmente tornou-se quase uma necessidade para os indivíduos que pensam discutir a organização futura da humanidade. Durante a vida inteira, Herzen não cuidou senão disso e sei de fonte e limpa que Bielínskii passava noites inteiras a discutir a questão social com os amigos, resolvendo os mínimos pormenores — os detalhes de "cozinha", por assim dizer, da sociedade futura.
Houve até gente que ficou doida, observou o major. 

 

— E discutindo, é possível chegar-se a um resultado qualquer, coisa melhor do que ficar calado, fazendo-se de ditador, disse Lipútin em voz sibilante, arriscando-se afinal a atacar. 

 

— Quando falei que isso tudo eram asneiras, não visava absolutamente Chigalióv, explicou com displicência Verkhovenskii. Escutem, senhores, prosseguiu ele, erguendo um pouco os olhos — na minha opinião, todos esses livros, Fourier, Cabet, "o direito ao trabalho", as idéias de Chigalióv, são idênticos aos milhares de romances que diàriamente aparecem: um passatempo estético! Compreendo que, entediados, nesta cidadezinha, os senhores se distraiam rabiscando papel.
—    Com licença! tornou o coxo agitando-se na cadeira. Nós somos apenas uns provincianos, é verdade, e por conseqüência, dignos de dó; mas, não nos consta que haja aparecido no mundo nada de extraordinàriamente sensacional, e portanto não vale a pena lamentar a nossa ignorância. Certos manifestos, de origem estrangeira, convidam-nos a reunir os nossos esforços com o fito de tudo destruir — pois que, faça-se o que se fizer, a fim de curar a sociedade, nada se conseguirá; e cortando-se cem milhões de cabeças, simplifica-se a situação e pode-se transpor o fosso. Idéia excelente, decerto, mas tão irrealizável quanto a de Chigalióv, que o senhor atira fora com tanto desdém !
—    Tudo isso está muito bem, mas não vim cá discutir, articulou descuidosamente Piótr Stepánovitch; e aproximou de si a vela, como se não se apercebesse da gafe que cometera. 

 

—    É lamentável, é lamentabilíssimo que o senhor não tenha vindo cá para discutir; e é pena também que esteja tão ocupado agora com a sua toalete.

 

—    Que lhe importa a minha toalete? 

 

—    É tão difícil cortar cem milhões de cabeças quanto modificar o mundo pela propaganda; talvez o seja ainda mais difícil, sobretudo na Rússia, observou Lipútin, novamente se arriscando.

 

—    Todas as esperanças repousam agora na Rússia, disse um dos oficiais.

 

—    Sim, parece que colocam nela grandes esperanças, replicou o coxo. Nós sabemos que um dedo misterioso apontou para a nossa linda pátria como o país mais capaz entre todos de realizar essa grande obra. Mas eis um reparo meu : mesmo que o problema social seja gradualmente resolvido pela propaganda, sempre hei de ganhar qualquer coisa: primeiro a possibilidade de conversar agradavelmente e segundo a recompensa com que o futuro govêrno reconhecerá os serviços que terei prestado à causa social. Mas no caso de uma solução imediata, se se corta um milhão de cabeças, pessoalmente, que hei de ganhar? Põe-se ti gente a fazer propaganda e arrisca-se a que nos cortem a língua.
— A sua será cortada, com toda certeza, disse Verkhovénskii.


—    Está vendo, então. E como nas mais favoráveis circunstâncias, os senhores não poderão realizar esse massacre em menos de cinqüenta anos — em trinta, digamos — (pois não se trata de carneiros, e talvez as vítimas não se mostrem dóceis), não seria melhor arrumar a bagagem, e ir viver longe, em alguma ilha sossegada, e acabar a vida em paz? Creia-me! e deu um murro na mesa 

— sua propaganda fará apenas estimular a emigração e mais nada.

 

Estava triunfante. Era uma das maiores cabeças da província. Lipútin sorria, com ar de acôrdo. Virguínskii parecia bastante, abatido; os outros acompanhavam a discussão com enorme interesse, especialmente as senhoras e os oficiais. Todos compreendiam que o degolado dos cem milhões de cabeças estava encurralado; esperava-se agora o fim.

 

—    Devo dizer que você acaba de enunciar uma idéia bastante justa, falou Verkhovénskii em tom ainda mais indiferente, o até mesmo com certo tédio. Emigrar — é excelente idéia. entretanto, a despeito das desvantagens evidentes que pressente, os soldados que abraçam a nossa causa cada dia são maio numerosos; dispensaremos os senhores. Trata-se de uma nova religião que vem substituir a antiga, trata-se de coisa importante, e é por isso que o número dos soldados cresce. Mas os senhores, podem emigrar. E, sabe, aconselho-o a ir residir não numa ilha sossegada, mas em Dresde. Em primeiro lugar, porque Dresde jamais assistiu a uma epidemia; e, como homem culto, o senhor provavelmente receia a morte ; depois, não fica longe da fronteira russa, de forma que facilmente lhe poderão ser enviados rendimentos da sua pátria adorada ; Dresde é cheia do que se chama tesouros artísticos; e o senhor é um esteta, um ex-professor de Literatura, creio eu. Enfim, terá ao alcance da mão uma verdadeira Suíça em miniatura e isso lhe servirá à inspiração poética, porque decerto faz versos. Em resumo : um tesouro numa tabaqueira.

 

Houve vários movimentos, os oficiais se agitaram. Mais um instante, e todos se poriam a falar ao mesmo tempo; o coxo entretanto mordeu a isca :
—    Não, talvez não abandonemos a Causa Comum! Resta ver...

 

—    Como? Então aceitaria entrar para o nosso grupo, se  lho propusesse? disse de repente Verkhovénskii depondo na mesa a tesoura.

 

Todos estremeceram. A esfinge bruscamente se desmascarou. Atrevera-se até a falar no "grupo".

 

—    Todo aquêle que se considera um homem de bem, não se pode recusar à sua tarefa, respondeu constrangido o coxo mas...


— Desculpe, agora não se trata de "mas", interrompeu Stepánovitch em tom imperioso. Declaro a todos, senhores, que preciso de uma resposta clara e decisiva. Compreendo perfeitamente que vindo aqui, depois de os reunir, devo aos presentes uma explicação (mais uma revelação inesperada), porém é-me impossível lhes dar essa explicação enquanto ignorar o estado de espírito de cada um. Deixando de lado as palavras inúteis — porque não se pode mais discorrer durante trinta anos, como já há trinta anos se faz — pergunto-lhes o que preferem : o método lento, isto é, os romances sociais e as regras para o destino da humanidade gravadas no papel com mil anos de adiantamento, enquanto o despotismo comerá os bons bocados que nos caem da boca e que recusamos, ou uma solução rápida, qualquer que seja ela, que nos desatará as mãos e permitirá à humanidade organizar-se com toda a liberdade, não no papel, mas de fato? "Cem milhões de cabeças !" gritam. Não é senão uma metáfora, talvez. E mesmo que não fosse metáfora? Enquanto se sonha, enquanto se rabisca papel, não serão cem milhões, mas quinhentos milhões que o despotismo há de devorar. Observem também que quaisquer que sejam as receitas empregadas, não hão de curar o incurável; pelo contrário, ele acabará por nos infeccionar a todos e por contaminar as fôrças jovens com que ainda se poderia contar ; seria a perda de todos nós. Concordo que é agradável emitir palavras liberais e eloqüentes, enquanto a ação apresenta certos riscos... Ademais, não sou ouvidor; vim cá a fim de fazer uma comunicação, de forma que peço ao distinto auditório que declare simplesmente, sem necessidade de votação, que é que prefere : patinhar no pântano, em passo de tartaruga, ou atravessá-lo a todo vapor.

—    Eu sou pela travessia a todo vapor ! bradou entusiasmado o ginasiano. 
—    Eu também, declarou Liámchin.

 

—    A escolha não apresenta dúvidas, resmungou um dos oficiais, depois outro, depois um terceiro. O que mais impressionava a assistência é que Verkhovénskii tinha uma comunicação a fazer e prometera falar.

 

- Senhores, vejo que quase todos são partidários da solução preconizada pelos manifestos, constatou Verkhovénskii, percorreu com o olhar a assembléia.

 

Sim, todos, todos! gritou a maioria de vozes. 

 

— Confesso que me inclino para uma solução mais humana, interveio o major; mas obedeço à maioria. 

 

— Pelo que parece, o senhor também não faz oposição? perguntou Verkhovénskii ao coxo. 

 

— Não, é que eu.. . respondeu o outro, corando. Se me alio à decisão da assembléia é unicamente a fim de não perturbar...

 


— O projeto dêle é notável, tornou Verkhovénskii. Estabelece como regra a espionagem. Segundo ele, todos os membros da mocidade se espionam mutuamente, e são obrigados a relatar tudo que descobrem. Cada um pertence a todos e todos pertencem a cada um. Todos os homens são escravos e iguais na escravidão; nos casos graves, pode-se recorrer à calúnia e ao homicídio ; enfim, o principal é que todos são iguais. Antes de tudo, rebaixa-se o nível da instrução, das ciências e dos talentos. O nível elevado da ciência e do talento, só se obtém graças a inteligências superiores — portanto nada de inteligências superiores. Os homens de talento apoderam-se sempre do poder e tornam-se déspotas. Não podem agir de outra maneira; sempre fizeram mais mal que bem. É mister bani-los ou matá-los. Cícero terá a língua cortada, Copérnico os olhos furados, Shakespeare será lapidado. Isso é que é o chigaliovismo. Ah, ah, ah ! Está admirado? Eu sou partidário de Chigalióv.

 

Stavróguin apertava o passo a fim de chegar em casa o mais depressa possível. "Se este homem está bêbedo, pensava ele, onde foi que se embriagou? Com o conhaque que tomou ainda agora?" 

 

— Escute, Stavróguin, é uma excelente idéia nivelar as montanhas — é idéia que nada tem de ridícula. Sou partidário de Chigalióv. Não há nenhuma necessidade de instrução, chega de ciência! Os materiais de que já dispomos nos bastarão durante mil anos; o que é importante é estabelecer a obediência. A sêde de instrução já é uma sêde aristocrática. Mal é permitida a instalação da família e do amor, imediatamente nasce o desejo de propriedade. Haveremos de matar esse desejo: desenvolveremos a embriaguez, a calúnia, a delação ; mergulharemos o Homem numa devassidão inaudita, destruiremos no ôvo qualquer gênio que se esteja formando. Todos serão reduzidos ao denominador comum: igualdade absoluta. "Conhecemos o nosso ofício, somos homens de bem — e é só do que precisamos." Eis a resposta dada recentemente pelos operários ingleses. "Só o necessário é necessário" — deve ser esta, doravante, a divisão da Humanidade. De tempos em tempos, será preciso conceder-lhe algumas convulsões, mas nós, chefes, é que as forneceremos. Os escravos devem ter senhores. Obediência completa, despersonalização absoluta. De trinta em trinta anos, entretanto, Chigalióv autoriza algumas convulsões ; e então, todos se atirarão uns contra os outros e se hão de devorar, reciprocamente — com certo limite, contudo — apenas para combater o tédio. 0 tédio é um sentimento aristocrático. A sociedade de Chigalióv não conhecerá mais os desejos. Para nós, o desejo e o sofrimento, e para os escravos, o chigaliovismo.

 

 

— Escute, começaremos provocando agitação — prosseguiu Verkhovénskii com voz arquejante, precipitada, e puxando a todo momento pela manga do casaco de Stavróguin. — Já lhe disse, penetraremos no âmago do povo. Sabe que já somos terrivelmente fortes. Os nossos não são unicamente aqueles que matam e incendeiam, nem os que manejam o revólver à maneira clássica, ou os furiosos que se põem a morder. Esses só fazem atrapalhar. Não tolero nada sem disciplina. Sou um bandido e não um socialista — ah, ah, ah! Escute, tenho a lista de todos: o mestre-escola que ensina as crianças a zombar de Deus e de seu berço já é um dos nossos. O advogado que defende um assassino instruído, afirmando que o réu tinha mais cultura que suas vítimas e se sentia na obrigação de matar a fim de obter dinheiro, é um dos nossos. Os colegiais que matam um mujique com o fito de experimentarem emoções fortes, são dos nossos. Os jurados que absolvem criminosos, quaisquer que sejam, são dos nossos. 0 promotor que treme de medo ante o pensamento de que não se mostra suficientemente liberal, é dos nossos. Some a esses os funcionários, os escritores; muitos dentre eles estão conosco e nem sequer o desconfiam! Por outro lado, é absoluta a docilidade dos estudantes e dos tolos; quanto aos mestres, vivem cheios de bílis; por toda parte só se vêem vaidade e apetites bestiais inauditos ... Será que você alcança a extensão do auxílio que nos podem trazer as idéias feitas? Quando saí daqui, grassava por toda a Rússia a tese de Littré e pretendia-se que o crime era uma anomalia mental. Volto à pátria e verifico que o crime já não é mais uma anomalia, mas uma prova de bom senso, quase um dever moral, ou pelo menos um generoso protesto. "Como é que um homem culto pode deixar de matar, se tem necessidade de dinheiro?" E isso, contudo, é apenas um comêço. Já o deus russo teve que ceder ante o vodca barato. Bebe o povo, bebem as mães, bebem as crianças, andam desertas as igrejas. E que ouvimos nos nossos tribunais de aldeia? "Uma vasilha de vodca ou duzentos açoites!" Dê apenas a esta geração o tempo de crescer! É pena que tenhamos tanta pressa, pois se pudéssemos esperar, ficariam ainda mais ébrios. É pena também que não haja proletariado! Mas há de haver, há de haver! Caminhamos para isso...

 

—    É pena também que nos tenhamos tornado tão tolos! resmungou Stavróguin voltando a caminhar.
—    Escute! Vi um menino de seis anos trazer para casa mãe completamente bêbeda, que o cobria dos mais sórdidos palavrões... Acha que isso me deu prazer? Quando for nosso o poder, talvez possamos curá-los... Se for preciso, recorreremos até ao ascetismo... Mas, por ora, temos necessidade de uma ou duas gerações de libertinos; temos necessidade de uma corrupção inaudita, ignóbil, que transforme o homem num inseto imundo, covarde, cruel e egoísta. Disso é que carecemos. E ao mesmo tempo, dar-lhes-emos um pouco de "sangue fresco", a fim de que tomem gôsto ao sangue. Por que ri? Não me estou contradizendo. Não contradigo senão aos filantropos e a Chigalióv. 
(...)
—    Ah, se tivéssemos tempo! Nossa única infelicidade é a falta de tempo. Proclamaríamos a destruição... por que, por que é essa idéia tão fascinante? Sim, é mister às vezes desentorpecer os membros ! Atearemos incêndios ! ... Espalharemos lendas. . . E para esse fim, qualquer grupo ínfimo nos será utilíssimo. Hei de descobrir para você, nesses grupos, entusiastas que premirão o gatilho com alegria e que se considerarão honradíssimos por serem os primeiros. E então começará a confusão. Será um rodamoinho como jamais o mundo assistiu... Uma névoa espessa descerá sôbre a Rússia... A terra há de chorar seus antigos deuses... E então, faremos aparecer — quem?


—    Quem?

—    O Czaréviche Iván.

 

—    Como?
—    O Czaréviche Iván. Você, você!

 

  

 



O MUNDO DOSTOIEVSKIANO

 

ROBERTO ALVIM CORREIA 

 

ATÉ pouco tempo traduziu-se em vários países o substantivo do título Os Demônios por Possessos — o que não deixa de surpreender. A confusão, contudo, talvez seja possível numa língua em que são sinônimos, segundo dizem, palavras quais criminoso e infeliz, cuja associação repercutia fundo em Dostoiévski, para quem ser criminoso era ser vítima do demônio. O mal tinha para ele realidade na medida em que o demônio faz de uma criatura humana um possesso. Satã entra num homem como ladrões pestíferos entram numa casa. A história de Os Demônios é a história desses ladrões, desses possessos. É o que explica uma das principais personagens, Stepán Trofímovitch, que, na hora da morte, comenta o texto de S. Lucas, citado como epígrafe do romance. Vê o moribundo, no episódio do Evangelho, uma imagem da Rússia da segunda parte do século XIX. Stepán Trofímovitch fala aqui em nome de Dostoiévski que denunciava no Socialismo niilista a ação de possessos...

 

3. Exprime-se da seguinte maneira: "Minha amiga, disse Stepán Trofímovitch, comovidíssimo, savez-vous, essa passagem admirável e... extraordinária sempre foi para mim uma pedra no meio do caminho... dans ce livre... e por isso a guardei de memória desde a infância. Mas uma idéia me ocorreu, une comparaison. Ocorrem- me muitas idéias agora. Veja, é exatamente como na nossa Rússia. Esses demônios que saem do doente para entrar nos porcos, são todas as chagas, todos os miasmas, todas as imundícies, todos os demônios pequenos e grandes, que no decorrer dos séculos se acumularam na nossa querida e imensa doente, na nossa Rússia! Oui, cette Russie que l'aimais toujours. Mas um pensamento sublime, uma sublime vontade lá de cima descerão sôbre ela como desceram sôbre esse endemoniado. E ela se desembaraçará de todas as impurezas, de todas as podridões — que espontaneamente hão de pedir morada nos porcos. Talvez já nêles hajam entrado. Somos nós — nós e êles — e Petrúcha... et les autres aves lui — e eu talvez em primeiro lugar, eu à frente. Como loucos furiosos, atirar-nos-emos do alto do rochedo até ao mar, e pereceremos todos. Melhor, porque só servimos para isso. O doente, porém, será curado e 'assentar-se-á aos pés de Jesus...' e todos o encararão com espanto... Minha cara, vous comprendrez après... Noas compren- drons ensemble."

 

O epíteto, que virou nome, é incontestavelmente forte, podendo até parecer excessivo. Acolheram-no gracejos e imprecações, sem que por isso revolucionários e outros suprimissem a significação do vocábulo, que afeta a questão do bem e do mal, de Deus e do demônio.

 

(...)

 

E ainda como Pascal ele desconfia da razão unicamente raciocinante, mortal ao pretender substituir uma ordem transcendental por outra só imanente. Os Demônios descrevem a atmosfera de traição, de crime, de vergonha em que vivem conspiradores ateus que renegaram os princípios evangélicos. Já não dispõem mais de si mesmos, viram apenas instrumentos, quase sempre nocivos. Assim a humilhação cristã, uma das chaves do mundo dostoievskiano, transforma-se, quando não livremente aceita, num sentimento que avilta, asfixia, desagrega. E essa humilhação que tudo fere quando não liberta, n'Os Demônios envenena a pureza da fé no messianismo russo, no povo, cuja voz, como no adágio latino, se confunde com a voz de Deus. O povo, para Dostoiévski, tem uma alma, embora  coletiva, assemelha-se a uma alma pessoal, por impunemente desprezada. Quem tenta diminuir-lhe o sentido religioso e salvador comete um crime, precisamente cometido em Os Demônios.

 

 ________________________________________




AGENDAS GLOBALISTAS A SEREM ESTUDADAS

*
 
 FINS E MEIOS, BEM E MAL, CRIME E CASTIGO NA OBRA DO EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY

 http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/05/fins-e-meios-bem-e-mal-crime-e-castigo_8.html



 

publicado por conspiratio às 19:04
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