Domingo, 9 de Junho de 2013

ORVIL - TENTATIVAS DE TOMADA DE PODER - HISTÓRIA DO TERRORISMO NO BRASIL

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TABELA DE CONTEÚDO (PÁGINAS)
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PDF
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http://www.docstoc.com/docs/145577321/Arquivos-Regime-Militar-Brasil 
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SINOPSE
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Militares põem em livro versão sobre repressão



Vendido em apenas quatro livrarias, mas lançado em clubes e círculos militares de 14 cidades, Orvil - Tentativas de Tomada do Poder, versão de oficiais do Centro de Informações do Exército (CIE) sobre a repressão, volta às prateleiras até o fim do mês com uma tiragem de mais dois mil exemplares. As três primeiras remessas, de mil exemplares cada uma, esgotaram-se em três meses. O livro é assinado pelo tenente-coronel reformado Lício Augusto Maciel e pelo tenente reformado José Conegundes Nascimento, que trabalharam sob a coordenação do general Agnaldo Del Nero Augusto, falecido em 2009. Outros oficiais que participaram do projeto não quiseram que seus nomes aparecessem.
Disponível pela internet no site da mulher do coronel reformado Carlos Alberto Ustra, que chefiou o DOI- Codi (órgão de informação e repressão do Exército, em São Paulo) e assina a apresentação, o texto original do Projeto Orvil ficou pronto em 1987, mas o então ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, que havia autorizado o levantamento, não permitiu que fosse publicado. A iniciativa CIE pretendia ser uma resposta ao livro Brasil: Nunca Mais, de denúncias de prisões, torturas e assassinatos durante o regime militar, escrito por uma equipe ligada ao cardeal d. Paulo Evaristo Arns.
A publicação de Orvil (Editora Schoba, R$ 72,90), segundo o general reformado Geraldo Luiz Nery da Silva, autor do prefácio, é uma reação à criação da Comissão Nacional da Verdade. "Releva enfatizar neste prólogo", escreve o general, "que os revanchistas da esquerda que estão no poder -- não satisfeitos com as graves restrições de recursos impostas às Forças Armadas e com o tratamento discriminatório dados aos militares sob todos os aspectos, especialmente o financeiro - tiveram a petulância de criar, com o conluio de um inexpressivo Congresso, o que ousaram chamar de comissão da verdade".
Volume de 924 páginas, Orvil - livro, escrito ao contrário - destaca o golpe - ou contrarrevolução de 1964, como preferem seus autores - que derrubou o presidente João Goulart e a ação de organizações clandestinas que no período de 1966 a 1975 combateram o regime militar pela luta armada. A primeira parte trata da Intentona Comunista de 1935 e a quarta parte analisa a opção da esquerda por uma nova estratégia - a "doutrinação" pelos meios de comunicação, instituições de ensino, sindicatos e movimentos populares sobre a necessidade da revolução.
Dilma. A presidente Dilma Rousseff é citada três vezes e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso uma vez, no índice onomástico de mais de 800 nomes de militantes e teóricos do marxismo que se envolveram direta ou indiretamente na luta armada. Dilma Vana Rousseff Linhares aparece como membro do setor de logística do Colina (Comando de Libertação Nacional), depois na VAR-P (Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares), sempre em notas de rodapé. O livro informa que a ex-presidente foi presa.
"No Centro Brasileiro de Pesquisas (Cebrape) foram contatados Fernando Henrique Cardoso, José Artur Gianotti e outros elementos, em busca de inspiração", registram os autores, ao relatar a ação de Piragibe Castro Alves que viajou de Paris para São Paulo em busca de apoio para o Movimento Popular de Libertação (MPL). Esse grupo, liderado inicialmente por Miguel Arraes, então refugiado na França, tinha participação da Juventude Operária Católica e, segundo o CIE, de vários padres e religiosos, entre os quais o dominicano frei Tito de Alencar Lima, um dos frades que se envolveram no esquema de Carlos Marighella.
O livro descreve a agitação estudantil de 1968, citando o nome de José Dirceu de Oliveira e Silva, em rodapé, ao falar do congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP), onde foram encontradas, segundo os arquivos, drogas, bebidas alcoólicas e grande quantidade de preservativos. "Alguns estudantes chegaram a declarar que havia, inclusive, uma escala de serviço de moças para atendimento sexual", afirma o texto. O deputado José Genoino é mencionado no episódio da guerrilha do Araguaia. Utilizava o codinome Geraldo e, ao ser preso na selva, teria dado "informações valiosas" sobre o armamento, nível de instrução e de suprimento dos "terroristas".
Outros episódios destacados, além do Araguaia, são a deserção, luta e morte do capitão Carlos Lamarca, a ação de Carlos Marighella e o caso Vladimir Herzog, sempre na versão oficial divulgada na época. Lamarca teria morrido num tiroteio no interior da Bahia, Marighella teria levado um tiro ao resistir a agentes de segurança na Alameda Casa Branca, em São Paulo, e Herzog se teria suicidado numa cela do DOI-Codi. Foram os frades dominicanos que entregaram Marighella, reitera o livro.
Os adeptos da teologia da libertação apoiaram a subversão e a luta armada, afirmam os autores. ao descrever o papel da Igreja Católica no período militar. O cardeal d. Paulo Evaristo Arns (São Paulo), os bispos d. Helder Câmara (Olinda e Recife), d. Waldir Calheiros (Volta Redonda-RJ) e d. Antônio Fragoso (Crateús-CE) e numerosos padres, muitos estrangeiros, são citados como líderes de uma corrente aliada dos subversivos.
Os autores de Orvil atribuem à censura dos meios de comunicação "a falta de conhecimento e de convicção que predisporiam a população a aceitar como verdade os fatos que lhe fossem oferecidos de forma racional ou emocional". Daí, segundo os militares, as repercussões negativas do Ato Institucional nº 5 (AI-5), a apresentação do regime como "brutal ditadura militar latino-americana" e a afirmação de que os órgãos de segurança e informações vinham sendo os algozes dos subversivos, "atingindo-os de forma sistemática e permanente". É uma referência à tortura, embora não se use a palavra.


Agência Estado

A MAIS ESCANDALOSA DAS METÁFORAS

EM QUASE OITO ANOS!


(...)
O negócio de Dilma era bem outro. Em 1min38s, ela afirma:
“Eu? Eu lutei, sim. Eu lutei pela liberdade e pela democracia. Lutei contra a ditadura do seu primeiro ao seu último dia”.

 
Bem, até que alguém me traga um documento, um indício que seja, evidenciando que os grupos terroristas Colina, VPR e VAR-Palmares lutaram pela democracia, serei obrigado a sustentar: é mentira! Dilma até pode ter “lutado” pela democracia, mas só  depois de ter abandonado aquelas organizações. Enquanto pertenceu a elas, lutou, “do primeiro ao último dia”, para implantar uma ditadura comunista no Brasil. Também é falaciosa a tese de que nada mais havia a fazer a não ser partir para o terrorismo. Seria desmerecer a resistência pacífica que, ela sim, pôs fim ao regime militar.
Dilma afirma: “[lutei] com os meios e as concepções que eu tinha”.
Ok.
Os meios: arma na mão.
As concepções: comunismo.
O que isso tem a ver com democracia?
E segue adiante:
“Quando o Brasil mudou, eu mudei. Mas nunca, nunca mesmo, mudei de lado”.
Vamos pensar?
“Quando o Brasil mudou…” Não! O Brasil não mudou! O Brasil foi mudado. E foi mudado por aqueles que não acreditaram na saída armada e que tinham, pois, uma concepção diversa de luta política. Se ela só mudou depois que o Brasil mudou, então não ajudou a operar a mudança, feita à revelia dela e dos que pensavam como ela. Não deixa de ser a parte sincera da sua fala.
E o que significa não ter “mudado de lado”? Aquele a que ela pertencia, o das organizações terroristas, não era exatamente bom. Se afirma que está do mesmo lado, das duas uma: ou tomava o seu comunismo de então por democracia, o que é besteira, ou, Deus nos acuda!, toma a democracia de agora como o comunismo possível. E isso pode significar que, sob seus eventuais cuidados, a democracia tende a ser menos… democrática!
As palavras têm sentido. E eu cuido do sentido das palavras. Desde aqueles testes de leitura lá do primário…
Por Reinaldo Azevedo      
 http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-mais-escandalosa-das-metaforas-em-quase-oito-anos/



BOLSONARO, TERRORISMO NO BRASIL E A COMISSAO DA MEIA VERDADE
http://www.youtube.com/watch?v=XX7XrPI0c0s



Olavo de Carvalho - O que é a Comissão da Verdade
 https://www.youtube.com/watch?v=HQfzdOSstPc

"CONVERSA CALMANTE É PARA ANESTESIAR A VÍTIMA..."
Olavo de Carvalho



 Olavo de Carvalho e a comissão da verdade

https://www.youtube.com/watch?v=kpxkDzKSr98



Promessa cumprida
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 28 de maio de 2012

 

Amigos e leitores perguntam o que penso da “Comissão da Verdade”. Nem há muito o que pensar. Ao entregar à admiração pública essa criatura dos seus sonhos, a presidenta Dilma Rousseff prometeu “transparência”, e confesso raramente ter visto coisa tão transparente, tão aberta à inspeção de seus mais íntimos segredos. Tão cândido é o despudor com que ela se apresenta, que vai até um pouco além da obscenidade. A mais exaurida das imagens diria que desde a roupa nova do rei não se via nada igual. Mas, comparadas a este espetáculo, as vestes inexistentes de Sua Majestade têm a impenetrabilidade de uma burqa. De um só lance, o sistema que nos governa rasga as vestes e, lançando às urtigas até o manto diáfano da fantasia, exibe ao mundo suas banhas, suas partes pudendas e suas entranhas com o devido conteúdo excrementício.
O nome da porcaria já diz tudo. Nenhuma comissão investigadora com alguma  idoneidade e honradez pode prometer, antecipadamente, “a verdade”. No máximo, uma busca criteriosa, o respeito aos fatos e documentos e um esforço sincero de interpretá-los com isenção. Se antes mesmo de constituir-se a coisa já ostentava o rótulo de “a verdade”, é porque seus membros não esperam encontrar pelo caminho aquelas incertezas, aquelas ambigüidades que são inerentes tanto ao processo histórico quanto, mais ainda, à sua investigação. Se têm tanta certeza de que o resultado de seus trabalhos será “a verdade”, é porque sentem que de algum modo já a possuem, que nada mais têm a fazer do que reforçar com novos pretextos aquilo que já sabem, acreditam saber ou desejariam fazer-nos crer.
E quem, ó raios, ignora que verdade é essa? Quem já não conhece, para além de toda dúvida razoável, o enredo, os heróis, os vilões e a moral da história no script da novela que os sete membros da Comissão terão dois anos para redigir? Quem não sabe que o produto final da sua criatividade literária será apenas o remake, retocado num ou noutro detalhe, de um espetáculo já mil vezes encenado na TV, nas páginas dos jornais e revistas, em livros e teses universitárias, em manuais escolares e em discursos no Parlamento?
Se é certo que quem domina o passado domina o futuro, qualquer observador atento poderia prever, já nos anos 60, a conquista do poder pela esquerda revolucionária e a instauração de um sistema hegemônico que eliminaria de uma vez por todas a mera possibilidade de uma oposição “direitista” ou “conservadora”. Sim, desde aquela época, quando os generais acreditavam mandar no país porque controlavam a burocracia estatal, a esquerda, dominando a mídia, o movimento editorial e as universidades, já tinha o monopólio da narrativa histórica e portanto, o controle virtual do curso dos acontecimentos. Os militares, que em matéria de guerra cultural eram menos que amadores, nada perceberam. Imaginaram que a derrota das guerrilhas havia aleijado a esquerda para sempre, quando já então uma breve leitura dos Cadernos do Cárcere teria bastado para mostrar que as guerrilhas nunca tinham sido nada mais que um boi-de-piranha, jogado às águas para facilitar a passagem da boiada gramsciana, conduzida pelo velho Partidão no qual os luminares dos serviços de “inteligência” militares só enxergavam um adversário inofensivo, cansado de guerra, ansioso de paz e democracia, quase um amigo, enfim.
A história que a “Comissão da Verdade” vai publicar daqui a dois anos está pronta desde a década de 60.
O simples fato de que os comissionados se comprometam a excluir do seu campo de investigações os crimes cometidos pelos terroristas já determina que, no essencial, nada na narrativa consagrada será alterado, exceto para reforçar algum ponto em que a maldade da direita e a santidade da esquerda não tenham sido realçadas com a devida ênfase.
Com toda a evidência, não é possível a reconstituição histórica de delitos cometidos por uma tropa em combate sem perguntar quem ela combatia, por que combatia e quais critérios de moralidade, iguais para ambos os lados, eram vigentes na ocasião dos combates. O prof. Paulo Sérgio Pinheiro não entende essa obviedade, mas quando foi que ele entendeu alguma coisa?
Os membros da Comissão enfatizam que os trabalhos da entidade “não terão caráter jurisdicional nem persecutório”, que visarão apenas a reconstituir a “verdade histórica”. Mas quem não enxerga que essa presunção já nasce desmascarada pelo fato de que, entre os incumbidos da missão historiográfica, não há um único historiador, nem unzinho: só juízes, advogados e – sem outra razão plausível fora a homenagem de praxe ao charme e à beleza da mulher brasileira – uma psicanalista.
Já imaginaram um tribunal penal ou cível sem um único juiz, tão somente professores de História e um ginecologista?
Juristas não têm treinamento profissional para a averiguação histórica de fatos, só para a sua posterior catalogação e avaliação legal. E é precisamente disto que se trata. Não é preciso pensar nem por um minuto para enxergar que a finalidade da coisa não é a verdade histórica, mas o julgamento, a condenação moral e publicitária, a humilhação dos acusados, preparando o terreno para um festival de punições sob o título cínico de “reconciliação”.
Tudo isso é óbvio, transparente à primeira vista. A promessa da presidenta, portanto, já está cumprida. Apenas, S. Excia. se esqueceu de avisar, ou de perceber, que o objeto visível por trás da transparência não é a verdade do passado, mas a do presente: não o que sucedeu entre militares e guerrilheiros nos anos 60-70, mas o que se passa nas cabeças daqueles que hoje têm o poder de julgar e condenar. 


*


 O ERRO DOS MILITARES


Olavo de Carvalho - Regime militar: despreparo e desinteresse pelo conhecimento

https://www.youtube.com/watch?v=YnoL2QBocfg
publicado por conspiratio às 20:01
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CONSPIRAÇÃO CONTRA A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL - VIOLÊNCIA E CAOS SÃO PARTE DA AGENDA (ORVIL E YURI BEZMENOV)




Vídeo de origem:
A Conspiração Comunista Mundial

 http://www.youtube.com/watch?v=ToVhVj1mNVo



http://kitmantv.blogspot.com.br/2009/06/soviet-subversion-of-free-world.html

Tomas D. Schuman autor do livro Carta de Amor para a América, WIN, Almanaque Panorama, Los Angeles 1984, ISBN 0-935090-13-4.  Em carta de amor para a América, escreve ele, "Like a verdadeira vida Winston Smith, do George Orwell livro de 1984, Tomas Schuman trabalhou para o equivalente comunista do Ministério da Verdade de Orwell -. A Agência de Imprensa Novosti (RIA Novosti) Novosti, o que significa "News" em russo, existe para produzir histórias inclinadas e falso para plantar nos meios de comunicação estrangeiros. O prazo para esse esforço KGB é "desinformação".
O paradeiro de Yuri Bezmenov, ou Tomas Schuman David, é desconhecido, mas fontes da internet não confirmadas relatam que ele morreu em 1997, no Canadá.  O G. Edward Griffin entrevista, juntamente com muitas outras palestras proféticas por Yuri Yuri ou Tomas Schuman pode ser visto no YouTube.

Mais:

CARTA DE AMOR À AMÉRICA
LOVE LETTER TO AMERICA


AGENTE DA KGB DÁ A RECEITA PARA DERRUBAR UM PAÍS - YURI BEZMENOV
http://videos.sapo.ao/yjKTZLkaAC5z3sGdJgwT
http://videos.sapo.ao/J0upH7lbFCulPHnWB3ER

A Subversão nos Países-alvo da Extinta URSS - Yuri Bezmenov (Palestra Completa)
http://www.youtube.com/watch?v=iK4kZSU-5Cg
http://www.youtube.com/watch?v=8_2vBhLf0xU


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ORVIL
http://www.pesadelodospoliticos.com.br/livros/orvil/pdf/ORVIL.pdf

 

http://www.docstoc.com/docs/145577321/Arquivos-Regime-Militar-Brasil

 

PARTE 1
A primeira tentativa de tomada do poder
Capítulo I
A fonte da violência 

 

1. Os objetivos da Revolução Comunista 

 

O objetivo final da revolução marxista-leninista é atingir o comunismo – “a última e grande síntese” –, uma sociedade sem Estado e sem classes. Sem classes e, portanto, sem a luta de classes, o comunismo seria a “sociedade perfeita”, onde, não havendo contradições, o materialismo histórico não seria aplicado. 
Segundo essa ideologia, para a chegada ao objetivo final, terá que ser atingido um estágio anterior, transitório, verdadeiro trampolim para “o salto final”. É o estágio do socialismo, da destruição do Estado burguês, sobre cujas ruínas o proletariado erigirá um Estado próprio, caracterizado pela “ditadura do proletariado” sobre as demais classes. Esta etapa, do socialismo marxista-leninista, também chamada de “socialismo científico”, não deve ser confundida com outros tipos de socialismo, ditos democráticos e não leninistas.
Mas, ainda antes de chegar ao socialismo ou à ditadura do proletariado, os comunistas defendem a existência de um objetivo intermediário, onde seria implantado um Estado do tipo “progressista”, cujo governo seria composto pelo proletariado, pelo campesinato e, ainda, por uma parcela da burguesia – a pequena parcela “nacionalista”. 

 

O esquema, a seguir apresentado, sintetiza os objetivos dos marxista-leninistas, a partir da democracia – um triângulo em equilíbrio instável. (...Quanto mais débil e sem defesa a democracia, mais fácil sua desestabilização e a deflagração do processo de tomada do poder.) 

 

2. Os caminhos da Revolução 

 

Para atingir seus objetivos estratégicos, a violência tem sido o caminho apontado pelos ideólogos comunistas. Na prática, a história mostra ter sido a violência a tônica de sua revolução. Em nenhum país do mundo, os comunistas lograram alcançar o poder por outra via. Marx, referindo-se à Comuna de Paris, disse que um dos seus erros fundamentais “foi a magnanimidade desnecessária do proletariado: em vez de exterminar os seus inimigos, dedicou-se a exercer influências morais sobre eles”. 

 

Engels, seu dileto companheiro, complementou: “A violência joga outro papel na história, tem um papel revolucionário: é, seguindo a frase de Marx, a porteira de toda a velha sociedade, é o instrumento com a ajuda do qual o movimento social se dinamiza e rompe formas políticas mortais”.

 

Lênin, em seu famoso livro “O Estado e a Revolução”, dizia: “A liberdade da classe operária não é possível sem uma revolução sangrenta” (Lenin, V. I.: “O Estado e a Revolução”, 1935, página 9).  

 

Embora Marx e Engels insistissem na necessidade universal da violência, chegaram a admitir, em casos especiais, a possibilidade de uma mudança social por meios pacíficos. Seria inaceitável que inteligências tão lúcidas não a admitissem.  Sun Tzu já nos ensinava há 500 anos a.C., e é princípio de guerra cada vez mais válido, que não se faz uso da força quando se pode conquistar os objetivos almejados, a despeito do inimigo, sem fazê-lo. Ademais, o emprego da força apresenta sempre um risco pela resposta violenta que necessariamente provoca. 

 

Porém, a base de toda a doutrina de Marx e Engels está na necessidade de inculcar sistematicamente nas massas a ideia da revolução violenta. No entanto, na sua obra antes citada, ao expor a doutrina marxista do Estado e as tarefas do proletariado na revolução, examina a utilização da violência para a tomada do poder, mas considera, também, a possibilidade da passagem pacífica para o socialismo, bem como trata da necessidade de um estágio intermediário, para a implantação da ditadura do proletariado. 

 

Assim, reduzidos às suas formas mais simples, podem ser sintetizados em dois os caminhos utilizados pelos comunistas para a tomada do poder: o uso da violência (ou luta armada) e a “via pacífica”.

 

(...)

 

3. O Trabalho de Massa

 

As formas utilizadas pelos comunistas para alcançar seu objetivo fundamental – a tomada do poder –, possivelmente por ter sido um estudioso de Clausewitz e ter sua própria filosofia da guerra, assemelham-se muito às da conquista de um objetivo militar na guerra, o que nos oferece uma imagem propícia para a compreensão do problema. 

 

Para a conquista de um objetivo na guerra, há um árduo e persistente trabalho de preparação a realizar. As tropas precisam ser mobilizadas e organizadas; devem aprender táticas e técnicas de combate, durante um período

 

relativamente longo de instrução; precisam ser equipadas e supridas de uma quase interminável série de artigos; necessitam de apoio de fogo, de engenharia, de comunicações, de saúde, etc.

Deixando de lado uma série de outras necessidades, tais como o conhecimento sobre o campo de batalha, as informações sobre o inimigo, dentre outras, devem, sobretudo, estar moralmente preparadas e possuir determinação e vontade de lutar. Eis, então, que se deslocam para o campo da luta. Chegado esse momento – o da batalha – o combate pode ou não se realizar. Se o inimigo está organizado, tem forças suficientes e vontade de lutar, haverá, fatalmente, o combate. Se o inimigo, porém, é fraco ou está combalido, mal posicionado ou sem determinação, ele pode entregar-se praticamente sem luta. Na terminologia militar, nesta última situação, diz-se que o inimigo “caiu pela manobra”. Sem ser necessário o uso da força, será atingido o mesmo fim: sua submissão à vontade do exército que empreendeu a operação.  

 

Esses são, pois, os dois caminhos para a conquista do objetivo: o da violência – da luta armada – e o das manobras. Este último, em relação ao anterior, pode ser considerado “pacífico”; o árduo trabalho prévio é indispensável para se

 

utilizar ambos os caminhos, porque se ele não existir, não haverá, no momento do combate, a necessária desproporção de força e de vontade, suficiente para que a ação contra o inimigo seja bem-sucedida ou o obrigue a render-se sem

combater.

Para a tomada do poder pelos comunistas, também existe um trabalho prévio, árduo e persistente, denominado por eles de trabalho de massa. O trabalho de massa consiste nas atividades de infiltração e recrutamento, organização e mobilização, desenvolvidas sob técnicas para a mudança radical das estruturas e do regime.  (Agitação - em russo Ojegov - atuação junto às grandes massas, com o objetivo de inculcar algumas ideias e lemas destinados à sua educação política e a atraí-las para a solução dos deveres políticos e sociais mais importantes. Em todos os partidos comunistas existe uma Seção de Agitação e Propaganda (SAP), que se encarrega dessa atividade. A teoria comunista distingue, porém, uma atividade da outra: a agitação promove uma ou poucas idéias, que apresenta à massa popular. A propaganda, ao contrário, oferece
muitas idéias a uma ou poucas pessoas. A agitação e a propaganda são processos condicionantes.)


O trabalho de massa objetiva: incutir em seus alvos a ideologia comunista como a única solução para todos os problemas; minar a crença nos valores da sociedade ocidental e no regime; enfraquecer as salvaguardas e os instrumentos jurídicos de defesa do Estado; controlar a estrutura administrativa, influir nas decisões governamentais, e, atuando sobre os diversos segmentos sociais, reeducá-los, organizá-los, mobilizá-los e orientá-los para a tomada do poder.

O trabalho de massa é a preparação para o combate. Na hora decisiva da batalha, a sociedade organizada pode reagir e lutar – o que é normal –, ou, se desmoralizada e sem determinação, pode, simplesmente, “cair pela manobra”, pacificamente.
(...)
 A III Internacional, também conhecida como Comintern ou Internacional Comunista (IC), foi criada em 1919, por . Aproveitando-se da base física conseguida com a revolução russa, em 1917, a Internacional Comunista (IC) pôde colocar em prática sua doutrina de expansão mundial do comunismo, alicerçada na experiência dos sovietes. No II Congresso Mundial, realizado em 1920, a IC aprovou seu estatuto e estabeleceu 21 condições exigidas para a filiação dos diversos partidos comunistas, das quais algumas são transcritas a seguir: 

....................................................................................
“3a - Nos países burgueses, a ação legal deve ser combinada com a ação ilegal. Nesses países, deverá ser criada uma aparelhagem clandestina do Partido, capaz de atuar decisivamente no momento oportuno”. ....................................................................................

“4a - Deverá ser feita ampla campanha de agitação e propaganda nas organizações militares, particularmente no Exército”.
....................................................................................
“6a – Todos os partidos comunistas devem ser internacionais e devem renunciar ao patriotismo e ao pacifismo social. Deverá ser demonstrado aos operários, sistematicamente, que sem a derrubada revolucionária do capitalismo não haverá desarmamento nem paz mundial.”
.....................................................................................
“14a – Todos os partidos comunistas são obrigados a prestar todo o auxílio necessário às Repúblicas Soviéticas, na sua luta face à contrarrevolução.”
.....................................................................................
 “16a - Todos os partidos comunistas são obrigados a obedecer às resoluções e decisões da Internacional Comunista, considerada como um partido mundial único.
......................................................................................


OUTROS:

O EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY CONTA TUDO EM "OS DEMÔNIOS"
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/05/dostoievsky-publicou-os-demonios-em.html

LAVAGEM CEREBRAL
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PSICOPOLÍTICA
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TERRORISMO, CRISES ECONÔMICAS, REVOLUÇÕES, GUERRAS SÃO PROGRAMADOS NAS SOCIEDADES SECRETAS - KARL MARX , ADAM WEISHAUPT, ALBERT PIKE, GIUSEPPE MAZZINI E A REVOLUÇÃO ILLUMINATI DA NOVA ORDEM MUNDIAL
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GLOBALISTAS ILLUMINATI SÃO SOCIALISTAS FABIANOS - OLAVO DE CARVALHO
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SOCIEDADES SECRETAS, ILLUMINATI E REVOLUÇÕES NO MUNDO
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CONSPIRAÇÃO CONTRA A CIVILIZAÇÃO CRISTÃ
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AGENDAS GLOBALISTAS
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CRISES, CRIMES E MENTIRAS SÃO FERRAMENTA DE TRABALHO (MARXISTA/ILLUMINATI, NOVA ORDEM MUNDIAL)
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EDUCAÇÃO NA NOVA ORDEM MUNDIAL - MAQUIAVEL PEDAGOGO - PASCAL BERNARDIN
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/02/educacao-na-nova-ordem-mundial-e.html

MANIPULAÇÃO DOS DIREITOS DEMOCRÁTICOS PARA ATACAR A DEMOCRACIA POR DENTRO
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/03/manipulacao-dos-direitos-democraticos.html

FORMAÇÃO DO IMBECIL COLETIVO PELA EDUCAÇÃO
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/02/formacao-do-imbecil-coletivo-pela.html

As deserções e as técnicas de terror
Orvil_Tentativas_de_Tomada_do_Poder (LINK).
http://www.pesadelodospoliticos.com.br/livros/orvil/files/assets/basic-html/page363.html

 

 

 

Aula 2 - Mario Ferreira dos Santos

http://youtu.be/DCUtO2OawE0

 

 

 

 

http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/05/conspiracao-contra-civilizacao.html

publicado por conspiratio às 19:17
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RITALINA E OUTRAS DROGAS PARA MODIFICAR O COMPORTAMENTO DE CRIANÇAS EM LUGAR DE EDUCAÇÃO?

 

 

 
Dr. John Virapem que trabalhou dentro da Big Pharma, neste vídeo, conta a respeito da Ritalina e outras drogas que estão receitando para controlar o comportamento de crianças, em substituição à educação. Mais abaixo, um artigo que já alertava sobre este problema na década de 70, tirado de um apêndice do manual PSICOPOLÍTICA, de lavagem cerebral.

É o conhecido problema-reação-solução: ELES (Nova Ordem Mundial) inventam o problema e depois oferecem a "solução" DELES. Lembrando ainda que a Big Pharma, (veja tb MÁFIA MÉDICA e CODEX ALIMENTARIUS ), é um dos grandes pilares da N.O.M. para lucrar e controlar através de procedimentos que visam a "$aúde". Aliás, sua primeira opção é sempre o controle por vias artificiais e por isso há uma guerra camuflada contra as práticas naturais.


HIPERATIVIDADE

Minha irmã teve vários gatinhos hiperativos que, por isso, morreram muito cedo, com menos de um ano de idade. Eram muito cativantes e charmosos, sempre fazendo gracinhas, às vezes inteligentíssimos, mas sofreram acidentes bobos, longe de casa, por excesso de exposição e falta de atenção. Depois de um tempo, comecei a estranhar a coincidência, a semelhança dos fatos. E cheguei, há uns anos, à conclusão de que era a "educação" ou a falta dela, o denominador comum. Diferente das gatas mães, minha irmã deixa os gatinhos, em qualquer idade, fazer tudo o que querem, absolutamente tudo, mesmo aquilo que os ponha em risco.  Já observei várias gatas com suas crias e vi que elas educam os filhotes, trazendo-os de volta para a segurança do "ninho", quando são muito novinhos para andar por aí,  até batendo neles por isso, e os acompanham aonde forem, até os quatro meses quando estão aptos a explorar o ambiente. Então, suponho que a falta de limites e disciplina é o que deixa a mente hiperativa e sem concentração. O porquê, não sei. Imagino que tenha a ver com o cultivo da supremacia dos desejos e da expectativa de uma satisfação ilimitada sobre todas as outras instâncias da mente. Ou por aí. É preciso investigar, e talvez seja interessante somar a ausência da mãe nessa equação.
 

 
Dr. John Rengen Virapen:Confesiones de un Ex Director General de la Industria

http://www.youtube.com/watch?v=nT9zOld5Als





 http://de.wikipedia.org/wiki/John_Virapen


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PASSOS NA DIREÇÃO DO CONTROLE DA MENTE

 

Pelo Deputado Federal norte-americano

 

JOHN G. SCHMITZ
 

 

Milhares de crianças em idade escolar estão sendo forçadas a tomar anfetaminas, muitos milhares têm sofrido lobotomias e controle eletrônico da mente, que agora está sendo rapidamente desenvolvido.


A suprema ditadura é o controle direto da mente humana. É a culminação lógica do impulso na direção da escravização do homem pelo homem, que tanto tem maculado a história do mundo . 

 

Em tempos mais simples, escravizavam-se os corpos dos homens com o emprego de força bruta, chicote e correntes. Eles eram postos a trabalhar para seus donos, assistidos por feitores, dirigidos e vigiados. Era-lhes dito que deveriam aceitar seu destino passivamente, e os submissos freqüentemente faziam isso; mas homens e mulheres de coragem não faziam. Havia fugas e rebeliões. Com o tempo, a consciência do homem ocidental não toleraria mais uma perversidade tão flagrante e a escravidão, como instituição legal, foi abolida em fins do século passado em todas as nações do ocidente. 

 

Mas, tão logo foi legalmente abolida, a escravidão ressurgiu sob nova forma, mais sutil e mais perigosa, disfarçada em propaganda, e firmou-se em nome de ideologias nobres. Tendo deixado de ser legal como instituição privada, a escravidão tornou-se pública. Ao invés de permitir que alguns homens escravizassem outros homens, o Estado agora escraviza todo mundo e chama a isso de igualdade.  

 

Uma vasta estrutura nova, sob um partido único, um conselho comunitário ou Soviete; polícia secreta; um líder glorificado; e um aparato administrativo compacto foram estabelecidos para escravizar totalmente o homem, tanto no pensamento como na ação, usando todos os instrumentos de propaganda, para convencer os homens submetidos a essa escravidão e aqueles geográfica e politicamente fora de seu alcance de que tudo isso era bom. Assim foi sistema na Alemanha Nazista, e assim é o sistema na União Soviética, China Maoísta e em toda ditadura comunista. O controle do pensamento pela propaganda, apoiando o controle ditatorial da palavra e da ação pela força, tem feito mais maldade nas ações totalitárias do século XX do que os mais cruéis escravizadores, dos tempo antigos. Mesmo assim, as técnicas modernas para manter ditadura não são inabaláveis. A propaganda é altamente eficaz, mas não convence a todos indistintamente. Haverá sempre alguns homens e não sucumbirão, cujas mentes permanecerão livres. E como a meia verdade e a mentira seguem uma à outra, numa corrente aparentemente interminável, o número dos céticos tende a crescer. 

 

Mesmo na Rússia Soviética, o «Pravda» não é universalmente acreditado. E a maioria dos nossos homens aprisionados pelos comunistas na Coréia resistiu com grande sucesso à lavagem cerebral. Mais instrutivo é o exemplo, agora quase esquecido, de milhares de prisioneiros chineses (vermelhos) capturados na Guerra da Coréia — homens que tinham vivido exclusivamente sob a influência da propaganda comunista e que pediam para ir para Formosa em vez de serem mandados de volta para seus lares, na China sob controle comunista. 

 

E houve também os jovens lutadores pela liberdade da Hungria, na insurreição de 1956, muitos dos quais nada tinham conhecido além ditadura, primeiro sob os nazistas e depois sob os comunistas. Mesmo assim, eles ansiavam pela liberdade, ousavam lutar por ela e morriam tentando conquistá-la, apesar de tudo o que seus professores e os propagandistas oficiais tinham feito para retirar tais pensamentos de suas mentes. 

 

Como resultado, o moderno totalitarismo, em sua busca por melhores meios de escravizar seus concidadãos, tem procurado um método de controle direto da mente humana, através da ação química e física sobre o cérebro. Até muito recentemente, a discussão dessa perspectiva restringia-se ao campo  da ficção futurológica, de que é exemplo o livro "1984" de George Orwell. Mas agora acumulam-se evidências de que o controle direto da mente pode tornar-se tecnologicamente possível dentro em breve. 

 

No exterior, nos países onde o totalitarismo é evidente, pouco tem sido dito a respeito do controle da mente. Seus líderes, numa atitude coerente com a finalidade de seus lúgubres planos de controle físico e químico da mente humana, mantêm-se silenciosos quanto aos mesmos. Nossos cientistas ou psicólogos não fazem o mesmo. Eles, ao contrário, já falaram e fizeram o suficiente para nos darem motivos de sobra para fazê-los parar enquanto é tempo.

 

Ainda há tempo. Mas nós devemos saber o que eles estão fazendo aqui nos EUA e quão rapidamente se movem.

 

O Dr. B. F. Skinner, considerado por muitos o líder dos psicólogos da América de hoje, deu a conhecer esse novo controle da mente humana em seu livro amplamente discutido «Beyond Freedom And Dignity» ("Além da Liberdade e da Dignidade"), publicado em fins de 1971. Nesse livro, o Dr. Skinner deixa bem claro seu empenho em promover a mudança dos homens da maneira que ele considera desejável, por todos os meios que farão essa mudança a mais certa, mais difundida e aceitável, mas totalmente sem consideração para com seus direitos. De fato, como o título desse livro indica, Skinner rejeita a idéia de que os homens têm direitos, dizendo que sua liberdade e dignidade devem ser sacrificadas para formar «o novo homem», na imagem coletiva. 

 

As técnicas necessárias para alcançar a meta do Dr. Skinner, no processo de construção definitiva do Estado totalitário, estão agora em rápido desenvolvimento e estão sendo testadas atualmente em milhões de americanos. E estão mostrando diabólica eficiência.

 

O crescente uso do controle da mente em crianças de nossas escolas públicas foi trazido à luz em setembro de 1970, pelo Senador Cornelius J. Gallagher. Pesquisadores de drogas descobriram que a anfetamina — conhecida por aqueles que a usam como «speed» (velocidade) — atua em adultos e adolescentes como estimulante, mas tem efeito contrário em crianças de turmas atrasadas nas escolas, deprimindo-as e tornando-as dóceis e submissas. Com grande entusiasmo, professores e diretores de escolas públicas começaram a colaborar com "doutores interessados», dando anfetaminas — mais freqüentemente, um tipo de anfetamina contida numa droga chamada «Ritalin» — às crianças que apresentavam problemas de comportamento na escola. 

 

Elas são chamadas hiperativas e consideradas atacadas de «disfunção do cérebro», um distúrbio vagamente definido, desde que, como seu próprio nome indica, nenhum dano real do cérebro pode ser encontrado onde se supõe que exista. De acordo com o Senador Gallagher, pelo menos um quarto de milhão de crianças nos Estados Unidos estão sob a ação de «Ritalin» ou drogas similares contendo anfetamina.

 

Conquanto pareça ser realmente anormal o "comportamento hiperativo" de algumas crianças, há grandes possibilidades de que os diagnósticos desse distúrbio sejam feitos de maneira abusiva. É, acima de tudo um diagnóstico que professores e diretores incompetentes e preguiçosos podem utilizar em qualquer criança que cause problemas e que, devido às limitações desses "educadores", não possa ser controlada. Assim, esses  problemas, que devem ser longamente pensados e esclarecidos podem ser resolvidos drogando-se as crianças. TODO PAI SABE QUÃO ATIVAS AS CRIANÇAS PERFEITAMENTE NORMAIS SÃO, OU PODEM SER, QUANDO FALTAM DISCIPLINA E OS ESTÍMULOS ADEQUADOS PARA SUAS MENTES.  

 

Há testemunho de aplicação de doses substanciais de "Ritalin" em crianças de escolas públicas de Omaha, Nebraska e Litlle Rock, Arkansas. Em todos os casos, o testemunho revelava uma colaboração informal mas real entre autoridades dessas escolas, pessoal médico local e clínicas envolvidas no estudo e distribuição de drogas contendo anfetaminas. O resultado dessa colaboração, de acordo com o testemunho, é induzir grande número de crianças a tomarem «Ritalin» regularmente, com forte pressão sobre os pais relutantes em concordar — incluindo ameaças de desforra contra as próprias crianças, na escola.

 

Considere-se o testemunho de Mrs. Daniel H. Youngs, ex~mcradora de Little Rock, Arkansas:

 

"A pressão foi extrema. Nós recebíamos quase que diariamente notas dos professores das crianças e chamados da escola. Afirmavam-nos que nossas crianças estavam falhando em todos os assuntos. Nós sabíamos o que eles queriam conseguir com isso, pois conhecíamos pais nas vizinhanças que submetiam suas crianças ao programa porque não podiam agüentar a pressão. Acredite-me, não era nada bom ver as personalidades de nossos filhos modificadas pelo uso de drogas...

 

Meu esposo e eu não tínhamos a quem recorrer. Nós sabíamos que as autoridades escolares não iriam fazer nada. A essa altura, nós sentimos que tínhamos apenas duas alternativas: deixar Arkansas eu ficar e lutar. Nós decidimos ficar e lutar. Sabíamos que havia centenas de crianças drogadas, e confiávamos que alguém, em algum lugar, nos ouviria e ajudaria a por um fim a este programa. Nós estávamos errados!" 

 

Mrs. Youngs pediu ajuda a nada menos que quinze autoridades e outras pessoas. Nenhuma delas pôde ou desejou fazer qualquer coisa para proteger nossas crianças. Num comunicado especial para a Saúde Pública, apontei o perigo,, do crescente uso de «Ritalin» nas crianças das classes atrasadas das nossas escolas públicas, descrevendo em detalhes um caso que me chamou a atenção, de um acontecimento que eu conheço por experiência pessoal, valendo a pena ser divulgado. Envolveu um menino de sete anos, cujos testes mostraram que ele era um por cento superior em intcligência às demais crianças do Estado de Maryland e que foi examinado, por um psiquiatra e um pediatra, que disseram ser ele perfeitamente normal. Apesar disso, devido à insistência de sua escola, aquela criança foi forçada a tomar «Ritalin» por um período de alguns meses, durante os quais não aprendeu quase nada. Quando sua mãe finalmente o transferiu para uma escola particular e tirou-lhe a droga, ele progrediu rapidamente e uma vez mais obteve resultados acima do normal. 

 

 



Como essa experiência mostra, uma breve exposição aos efeitos dessas drogas de controle da mente humana pode não causar prejuízos duradouros às crianças, embora ~o risco exista e cresça à medida que as drogas são mais freqüentemente usadas. Mas a cirurgia cerebral é irreversível. Seus efeitos são permanentes. E a cirurgia cerebral está começando a ser usada em crianças “hiperativas”, com «disfunção cerebral”. O “Washington Post”, de 12 de março de 1972, transcreveu um Relatório publicado em 1970 num periódico médico, no qual o Dr. Orlando J . Andy, Professor e Diretor de Neurocirurgia na Escola de Medicina da Universidade do Mississipi, expôs o seguinte caso:

 

“Um menino de nove anos, com inteligência normal, foi descrito como “hiperativo”, agressivo, combativo, explosivo, destrutivo e “sadista” por seu médico. Para controlar seu comportamento e torná-lo mais maleável, ele foi operado. Foram feitas aberturas em seu crânio e introduzidos elétrodos, profundamente, em seu cérebro, para coagular ambos os lados do tálamo, o centro regulador das emoções cerebrais. 

 

Nove meses depois, a operação foi repetida em um só lado. Depois, disso, seu médico relatou que o comportamento do menino estava «visivelmente melhor”, estando ele apto a retornar à “Escola de Educação, Especial”. Mas seus sintomas reapareceram um ano mais tarde e ele foi submetido a uma nova operação, desta vez no fõrnice (trígono cerebral), outra parte do sistema regulador das emoções. Seu médico então, constatou «memória para acontecimentos recentes danificada», um sinal de perigo cerebral, e o menino passou a ser descrito como “muito mais irritável, negativista e combativo”. Conseqüentemente, lesões adicionais destrutivas foram feitas no local das duas primeiras operações, o tálamo. 

 

Seu médico então constatou que o paciente estava <<novamente recuperado, ajustado e mostrava melhora considerável no comportamento e memória», mas concluiu:<< intelectualmente, no entanto, o paciente está arruinado» .  

 

Uma primeira e superficial reação a este fato — seis investidas contra o cérebro de uma criança, tentando controlar seu comportamento — pode ser a consternação de saber que, após tudo isto, não houve “melhora”. Mas, pensando melhor, imaginamos que poderia ter sido pior se o tratamento tivesse alcançado sucesso, se tivesse sido possível “domar” essa criança por meio da destruição de seu cérebro. Pois o cérebro é o lugar onde o homem pensa e sente. É o instrumento de sua mente, como o violino é o instrumento do concertista. A destruição deliberada de parte do cérebro inevitavelmente reduz as capacidades de pensar e sentir. Certamente, tal “cura” é muito pior do que qualquer doença. 

 

A história completa do “retorno da lobotomia e da psicocirurgia”  foi divulgada pelo Dr. Peter R. Breggin, um membro do Corpo Docente da Escola de Psiquiatria de Washington e ex-Professor da Escola de Medicina de Harvard, em um primeiro artigo publicado pelo Senador Gallagher no “Diário do Congresso», de 24 de fevereiro de 1972. Nesse trabalho, o Dr. Breggin relatou que a horripilante operação conhecida como lobotomia pré frontal foi feita em 50.000 pessoas até 1950, tendo sido, a partir desse ano, completamente abandonada, por causa da evidência de que tendia a transformar homens e mulheres em “vegetais humanos». Mas o Dr. Breggin diz que a lobotomia está agora fazendo seu renascimento de forma mais sofisticada, envolvendo, menos drástica porém mais prolongadamente, a mutilação do cérebro, como no caso daquele menino de nove anos do Mississipi. Tal psicocirurgia não está mais limitada somente à sala de operações e ao bisturi. Têm sido desenvolvidas técnicas para enfraquecer áreas selecionadas do cérebro por meio da implantação de elétrodos ligados a uma corrente elétrica, os quais podem, quando ativados, destruir tecidos cerebrais. O Dr. Breggin, descrevendo como o “psicoterapeuta” fala com o paciente enquanto os neurocirurgiões ligam a corrente, verificando, desse modo, o efeito da destruição cerebral nas emoções do paciente, alertou:

 

-KO próprio paciente não pode perceber quando seu cérebro está sendo coagulado, mas o terapista pode, visto que a destruição do tecido lobo frontal é imediatamente evidenciada por uma perda progressiva de todas as funções humanas relacionadas com os lobos frontais — perspicácia, empatia, sensibilidade, consciência, julgamento, responsabilidade emocional, etc. 

 

Recentemente, na Inglaterra, um juiz determinou que fosse feito esse tipo de operação cerebral em um vendedor de sorvetes, como um meio de impedi-lo do <<jogo compulsivo». Somente um protesto público salvou, no último instante, aquele homem de se tornar um subumano.

 

De acordo com um Relatório do Dr. Robert G. Heath, Chefe do Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Universidade Tulane, de New Orleans, publicado no «Medicai World News” “Notícias do Mundo da Medicina”, têm-se desenvolvido meios pelos quais indivíduos, com esses elétrodos implantados, podem usá~los para estimular centrais de prazer em seus próprios cérebros, acionando botões de controle, o que, naturalmente, significa que alguma outra pessoa poderia controlá-lo da mesma maneira. Eles poderiam ser implantados nas centrais de dor, como o foram nas centrais de prazer. O Dr. Breggin indubitavelmente não exagera quando diz que o potencial totalitário dessa técnica quase supera o que se possa imaginar. 

 

O Dr. José Delgado, Professor de Psicologia da Universidade de Yale, mostrou-se favorável a tudo isso, em seu livro de 1969, “Physicat, Control of the Mind» (“Controle Físico da Mente”), e nos relatórios públicos posteriores. O Professor Delgado declarou:

 

“A tese deste livro é a de que agora dispomos da tecnologia necessária para a investigação experimental das atividades mentais, e de que alcançamos um ponto crítico na evolução do homem, a partir do qual a mente pode ser usada para influenciar sua própria estrutura, funções e intenções. ... Nós podemos controlar, de uma certa distância, as funções biológicas dos organismos vivos. Gatos, macacos ou seres humanos podem ser induzidos a curvar um membro, rejeitar alimentos, ou sentir excitação emocional, sob a influência de impulsos elétricos que, ativados por ondas de rádio intencionalmente emitidas de um lugar distante, vão atuar no interior de seu cérebro. Um sistema duplo de comunicação via rádio poderia ser estabelecido entre o cérebro de um indivíduo e um computador... ansiedade, depressão e fúria poderiam ser identificados pelo computador, que acionaria o estímulo inibitório especifico» . 

 

O Dr. Delgado descreveu experiências nas quais o estimulo elétrico no cérebro forçou indivíduos a agirem em oposição direta à sua própria vontade. Ele previu, mais adiante, investigações dentro das funções do neurônio, relacionadas com a aplicação de eletricidade n6 cérebro, que possibilitarão a definição, em termos reais, de conceitos altamente controvertidos, tais como “liberdade”, “individualidade” e «espontaneidade», mais efetivamente do que em «discussões semânticas e ilusórias”. Visto que mais tarde ele continuou a atacar especificamente a convicção de que o indivíduo tem «o direito de desenvolver sua própria mente... enquanto permanecer independente e auto-suficiente», é evidente onde ele espera chegar com esse “esclarecimento”. 

 

Uma pessoa que recentemente viu e ouviu o Dr. Delgado, i,um Congresso de Ética e Tecnologia Médica, realizado em Washington, disse que não pôde evitar lembrar-se constantemente do Dr. Frankenstein, embora felizmente o Dr. Delgado não tivesse o monstro com ele... ainda. Não é de estranhar, pois, que o Dr. Breggin esteja fazendo tanto para denunciar esse perigo que cresce rapidamente e pleiteando uma legislação — federal e estadual — que proíba totalmente a psicocirurgia. Se tal legislação não for promulgada, ou até que ela o seja, ele insiste em ação direta na Justiça contra a psicocirurgia e pressão pública contra hospitais que permitem essas operações. 

 

O Senador Gallagher descreveu o Relatório em que o Dr. Breggin expõs as provas que reuniu como um dos documentos mais chocantes que eu já vi e propõs uma decisiva ação corretiva. Eu iria mais adiante do que ele: acredito serem inteiramente necessárias e justificadas não só as ações corretivas como as preventivas. Devem ser terminantemente proibidas tanto a mutilação do cérebro, com qualquer intenção que não seja para remover tecido claramente afetado, como tumores, como também qualquer técnica para controlar mentes pela implantação de elementos estranhos no cérebro. O verdadeiro insano talvez possa ser tratado pelos métodos tradicionais, cujos maus efeitos colaterais são usualmente reversíveis nos doentes, mas ninguém pode ser forçado a sofrer tal tratamento sem ter primeiramente uma oportunidade de ser ouvido em juízo; com a assistência de um advogado de defesa.

 

Não há exagero na ênfase com que se denuncia o perigo do controle direto da mente, num mundo onde há tanta gente ansiosa por usá-lo para subordinar a vontade de outros homens às suas próprias.

 

O efeito em nossa nação (EUA) de um programa obrigatório de controle das mentes, como o que tem sido divulgado, poderia ser tão irreversivelmente monstruoso, quanto o seu efeito num indivíduo. Ele pode extinguir não somente a liberdade, mas também o próprio anseio natural por ela. Tal perversidade é tão horrível, que repugna até mesmo pensar nela; contudo, nós devemos tè-la em nosso pensamento, por não ser mais somente uma sombra terrível no futuro, mas uma ameaça com que nos defrontamos aqui e agora.

 

 

 

The Review 0[ The NEWS (EUA) Março/1972.

*
 
Extraído de

PSICOPOLITICA
TÉCNICA DE LAVAGEM CEREBRAL
 

 

 



 

 
 
 



publicado por conspiratio às 19:08
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O EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY CONTA TUDO EM "OS DEMÔNIOS"

Dostoievsky publicou "OS DEMÔNIOS" em capítulos, num jornal para todos lerem, mais de 40 anos antes da revolução comunista tornar a Rússia num totalitarismo de esquerda. Mas, assim como Saint Germain, que tentou evitar a carnificina na França e não foi acreditado, parece que Dostoievsky não foi levado a sério. O que lembra muito nossa época... Muitos alertas já soaram, inutilmente. (Veja em AGENDAS) É estranho como a mente humana abusa da sua capacidade de focar em alguns pontos e ignorar outros, principalmente de ignorar o todo (veja David Icke "Conectando os Pontos"). Se não se em um noção de TODO, perde-se o contexto e a proporção de importância das partes. 

Seguem excertos da obra:

—    Pelo que compreendi — e era impossível não o compreender — o senhor, uma vez, de início, e outra vez mais tarde falou com bastante eloqüência — embora por demais teóricamente — da vasta rede que cobre a Rússia inteira e da qual nosso grupo é uma das malhas. Cada um desses grupos, fazem prosélitos e se ramificando até ao infinito, por meio de uma propaganda sistemática, deve sabotar o poder das autoridades locais, espalhar a desordem pelo campo, provocar escândalo, estimular o cinismo e a incredulidade, suscitar o desejo de um melhor destino, e enfim, recorrer aos incêndios como a um método eminentemente popular para, no momento oportuno, mergulhar o país no desespêro. Serão essas exatamente as suas palavras? Procurei gravá-las todas. Não é esse o programa que nos comunicou como delegado de um tal de Comitê Central que nós ainda não conhecemos e que nos parece quase fantástico?

 

 —  Povo nenhum, disse ele, como se lesse num livro, fixando Stravróguin com olhar ameaçador, povo nenhum pôde jamais se organizar sôbre a terra em bases científicas e racionais; povo nenhum o conseguiu, salvo talvez pela duração dum instante, e por estupidez pura. O socialismo na sua essência é ateu, porque proclamou desde o início que se propõe a edificar a sociedade unicamente na ciência e na razão. Por tôda a parte e sempre, desde o comêço dos tempos, a razão e a ciência só desempenharam na existência dos povos um papel subalterno, a serviço da vida; e assim será sempre, até o fim dos séculos. Os povos se constituem e se desenvolvem movidos por uma fôrça diferente, uma fôrça soberana, cuja origem se mantém desconhecida e inexplicável. Essa fôrça é o desejo inextinguível de atingir um fim e ao mesmo tempo a negação dêsse fim. Essa força é a afirmação persistente e infatigável do ser e a negação da morte. É o espírito da vida, como diz a escritura, "as fontes de águas vivas", como diz a Escritura, com cuja extinção nos ameaça tanto o Apocalipse.


Acontecia que ele sabia de muito;  e assim, conseguiu mudar a feição do, caso todo: a tragédia de Chátov e de Kiríllov, o incêndio, a morte irmãos Lebiádkin, —  tudo isso passou para o segundo plano, cedendo  lugar a Piótr Stepánovitch, à sociedade secreta, à organização, à rêde. Quando lhe fizeram esta pergunta: Por que tantos crimes, esses escândalos, essas misérias? —  Liámchin imediatamente retrucou: — Afim de abalar o govêrno nas suas bases, a fim de apressar a decomposição da sociedade, a fim de desanimar todos e inocular nos espíritos a desordem. Depois nos teríamos apoderado, dessa sociedade caótica, doente, abandonada, cínica e cética,  mas que aspira submeter-se a qualquer idéia diretriz; teríamos  brandido o estandarte da revolta, apoiando-nos na rede de grupos de Cinco, que por seu lado agiriam promovendo a propaganda, estudando os pontos fracos do adversário e os meios práticos de o combater.

Declarou ele, afinal, que aquilo que se registrara entre nós não passava duma tentativa inicial de desordem sistemática, de certo modo representava o programa que deveriam seguir os grupos fundados por Piótr Stepánovitch. Pelo menos era essa a sua opinião — dêle, Liámchin. E insistiu em que "fossem levadas em conta as suas palavras, a franqueza, a precisão com que expusera todo o caso, o que bem mostrava quão grandes serviços poderia prestar às autoridades".

 

Anta a pergunta direta: "Há muitos grupos de Cinco, na Rússia?" respondeu que eram inúmeros esses grupos e cobriam com sua rede a nação inteira. Não apresentou nenhuma prova apoiando suas declarações, mas creio que era sincero quando assim falava. Limitou-se a expor o programa da sociedade, impresso no estrangeiro, e um projeto de desenvolvimento da sua ação, escrito pelo punho de Piótr Stepánovitch. Verificou-se que, falando em "abalar as bases", Liámchin citara textualmente um trecho desse documento, sem omitir um ponto ou uma vírgula — coisa entretanto que não o impedira de reivindicar como sua essa idéia . 

 

 

 *

 

—    Hum! se a Babilônia européia ruir, será realmente uma grande catástrofe. (Estou de acôrdo com os senhores, a respeito — embora creia que ela há de durar tanto quanto eu. Enquanto que aqui na Rússia, afinal de contas, que é que pode ruir?... Não assistiremos a um desabar de pedras, porque tudo se há de liquefazer : será um dilúvio de lama. A Santa Rússia é absolutamente incapaz de oferecer qualquer resistência a quem quer que seja. Graças ao deus russo, o povo ainda se mantém mais ou menos sossegado ; mas segundo as últimas notícias, o deus russo não é suficientemente sólido e a libertação dos servos quase o derruba; pelo menos, abalou-o de rijo. E além disso há as estradas de ferro, há os senhores... E quanto ao deus russo, absolutamente não creio nele. 

 

—    E no deus europeu? 

 

—    Não creio em deus nenhum. Fui caluniado perante a mocidade russa. Sempre estive de coração ao seu lado. Mostraram os manifestos que são distribuídos por cá. São documentos que deixam os indivíduos perplexos, porque o seu tom assusta as almas; mas todo o mundo inconscientemente está convencido do poder de ação deles. Já há muito tempo que tudo vai deslizando para o abismo, e já há muito tempo é sabido que ninguém se poderá agarrar a nada. E tenho certeza absoluta do êxito dessa propaganda, porque sei que a Rússia é por excelência o país onde tudo pode acontecer, sem encontrar a mínima resistência. Compreendo muitíssimo bem por que os russos que possuem alguns bens transpõem as fronteiras, em número considerável, cada ano. É simplesmente o instinto que os guia. Quando um navio vai afundar, os ratos são os primeiros que o abandonam. A Santa Rússia é um país de casas de madeira, um país miserável e... e perigoso ... um país de mendigos: mendigos vaidosos nas camadas superiores, mas cuja imensa maioria vive nas isbás, de paredes inseguras. Ficariam satisfeitos com qualquer saída — e bastaria que essa saída fôsse indicada. Só o govêrno ainda quer resistir, mas maneja o gládio a torto e a direito e fere justamente os seus. Aqui tudo é julgado e condenado; a Rússia, tal como é, não tem futuro. Tornei-me alemão, e honro-me com isso. 

 

—    0 senhor começou falando nas proclamações. Diga-me o que pensa a respeito delas.

 

—    Todo o mundo está com medo; portanto, elas execem grande ação. Descobrem francamente a mentira, e demonstram que, entre nós, nada existe a que nos agarremos, nada em nos amparemos. Esses manifestos falam alto, quando todos se calam. Sua fôrça (não obstante a sua forma) é a audácia inaudita com que encaram de frente a verdade. E essa faculdade de encarar de frente a verdade pertence apenas à atual geração russa. Não, na Europa ainda não são tão atrevidos: o edifício europeu é feito de pedra, e ainda tem onde se arrimar. Pelo que vejo, e tanto quanto posso julgar, a idéia revolucionária russa consiste essencialmente na negação da honra. E agrada-me ver êsse pensamento expresso com tanta coragem, com tanta ousadia. Não, na Europa não se compreenderia ainda tal idéia, e entre nós, porém, é exatamente sôbre ela que todos se hão de se precipitar. Para a Rússia, a honra não passa dum fardo inútil, tem sido assim em todos os tempos, no decorrer de toda a sua história. Será portanto fácil seduzi-la, e arrastá-la proclamando o "direito à desonra". Pertenço à velha geração e confesso que ainda sou partidário da honra; mas isso é apenas um hábito. Aferro-me ainda às velhas fórmulas; admitamos que isso seja uma fraqueza de minha parte: é mister porém morrer com os princípios aos quais nos apegamos a vida inteira...

 

 

 * 

 

—    Como foi então que você se arranjou para espalhar ai, os manifestos? 

 

—    Na reunião aonde vamos, não haverá senão quatro filiados. Os outros estão à espera, espionam-se reciprocamente e me relatam tudo. Pode-se contar com êles. É uma matéria bruta que é mister organizar, e depois veremos. Ademais, foi você próprio quem organizou os estatutos ; é pois inútil dar-lhe explicações. 

 

—    E então o trabalho anda? Poucas dificuldades? 

 

—    Se anda! Não poderia andar melhor ! Vou fazê-lo rir : o melhor método de ação é o uniforme. Não há nada mais poderoso que o uniforme. Invento de propósito títulos e funções : instituo secretários, emissários secretos, tesoureiros, presidentes, registradores e adjuntos. Isto agrada muitíssimo aos camaradas que aceitam os cargos, honradíssimos. Depois, é claro, vem ainda o sentimentalismo. Você sabe que o êxito do socialismo é em grande parte devido ao sentimentalismo. A desgraça é que às vezes a gente se vê a braços com um subtenente hidrófobo, que se põe a morder. Em seguida, estão os simples canalhas; bons sujeitos, aliás, que podem vir a ser utilíssimos ; mas perde-se com eles muito tempo, porque é preciso vigiá-los bem. Enfim, a fôrça principal, o cimento que liga tudo, é o temor da opinião. Que fôrça que isso é! Vivo perguntando a mim próprio a quem (devemos nós ser gratos por ter tão habilmente manobrado os espíritos ; ninguém tem mais uma idéia própria, aqui. Eles teriam vergonha de pensar por si próprios. 

 

—    Se é assim, por que você se afadiga tanto? 

 

—    Como deixar de se aproveitar da situação? Como não nos apoderarmos daquele que nos estende os braços? Será que realmente você não acredita na vitória? Tem fé, mas o que lhe faz falta é a vontade de agir. Sim, é justamente com gente dessa espécie que é possível vencer. Sou eu que lhe digo : atiram-se ao fogo, se for necessário ; bastar-me-á, para isso, censurar-lhes a tibieza das suas convicções. Os imbecis me acusam porque enganei todo o mundo com o meu "Comitê Central" e suas "infinitas ramificações" ; você mesmo fez-me um dia essa censura. Pois não enganei ninguém: o Comitê Central somos você e eu; quanto às ramificações, teremos tantas quantas quisermos. 

 

—    Mas só a ralé? 

 

—    É o material. Serve para qualquer coisa.

 

     

 

*
—    Como me consagrei inteiramente ao estudo da organização que no futuro deverá substituir a nossa, continuou Chigalióv — cheguei à convicção de que todos os criadores de sistemas sociais, desde os tempos mais recuados até nossos dias, foram sonhadores, visionários, tolos, que se contradiziam a si próprios e nada entendiam de ciências naturais, nem desse estranho animal que se chama o homem. Platão, Rousseau, Fourier, não passam da colunas de alumínio; servem apenas para pardais, e não para homens. E como as formas sociais do futuro devem ser fixadas precisamente agora, e já que afinal estamos decididos a iniciar a ação, sem mais delongas, proponho o meu sistema de organização mundial. Ei-lo — declarou batendo no caderno. Queria expor-lhes o meu livro tão sucintamente quanto fosse possível ; mas vejo que me será preciso acrescentar algumas explicações verbais. Minha exposição exigirá pelo menos dez reuniões, de acôrdo com o número de capítulos do livro. (Houve algumas risadas.) Ademais, devo preveni-los de que o meu sistema ainda não está concluído. (Novos risos.) Embrulhei-me com meus próprios dados e a conclusão está em contradição direta com a idéia fundamental do sistema. Partindo da liberdade ilimitada cheguei ao despotismo ilimitado. Faço notar, entretanto, que para o problema social, não pode haver outra solução senão a minha.

(...)

—    O Sr. Chigalióv dedicou-se inteiramente à sua tarefa e ademais é excessivamente modesto. Conheço o seu livro. Para resolver definitivamente a questão social, propõe êle que se divida a sociedade em duas partes desiguais. A um décimo será outorgada liberdade absoluta, e autoridade ilimitada sobre os outros nove décimos que deverão perder a personalidade, convertendo-se num rebanho; mantidos numa submissão sem limites, passando por uma série de transformações, atingirão o estado de inocência primitiva, qualquer coisa como o Éden primitivo — sendo embora obrigados ao trabalho. As medidas preconizadas pelo autor a fim de despojar de sua vontade os nove décimos da humanidade e transformá-los em rebanho, por meio da educação, são notabilíssimas; baseadas nos dados das ciências naturais, são inteiramente lógicas. Pode-se deixar de aceitar certas conclusões, mas é impossível negar a inteligência e os conhecimentos do autor. É lamentável que, em vista das circunstâncias, não lhe possamos conceder os dez serões que ele exige, porque decerto ouviríamos coisas interessantíssimas.

 

—    Será possível que o senhor leve a sério esse homem que, sem saber o que fazer da humanidade, lhe reduz nove décimos à escravidão? perguntou ao coxo a Senhora Virguínskaia, inquieta. Já há muito tempo que ele me parecia suspeito. 

 

—    E além disso, trabalhar para aristocratas e lhes prestar obediência como se fossem deuses, é uma covardia, disse a estudante indignada. 

 

—    O que proponho não é nenhuma covardia — é o para o paraíso terrestre, e não pode haver nenhum outro, concluiu Chigalióv, autoritário. 

 

—    Pois eu, bradou Liámchin, em vez de organizar o paraíso terrestre, se não soubesse o que fazer dos restantes nove décimos da humanidade, dava cabo dêles, e só deixaria viver um punhado de indivíduos instruídos, capazes de viver pacificamente, de acôrdo com os princípios científicos. 

 

—    Só um palhaço é capaz de falar assim! protestou a rapariga.


—    Ele é mesmo um palhaço, mas útil, murmurou a Senhora Virguínskaia ao ouvido da estudante.

    Talvez fosse realmente essa a melhor solução do problema interveio Chigalióv, volvendo-se ràpidamente para Liámchí Talvez não saiba que acaba de dizer uma coisa profundíssima senhor palhaço. Mas como sua idéia é quase irrealizável, temos que nos contentar com o paraíso terrestre — já que é mister chamá-lo assim. 

 

—    Quanta asneira! deixou escapar Verkhovénski malgrado seu; não levantara a cabeça e continuava a cortar as unhas, indiferente.

 

—    Asneiras, por quê? retrucou imediatamente o coxo, como se não esperasse senão um momento propício a fim de atacar Piótr Stepánovitch. Asneiras, por quê? O amor do Sr. Chigalióv pela humanidade é um pouco fanático; mas lembre-se de que Fourier, e sobretudo Cabet, e até mesmo Proudhon, mostraram-se partidários de certas soluções extremamente despóticas e à primeira vista, fantasistas. E o Sr. Chigalióv é talvez mais razoável que eles. Garanto aos senhores que depois da leitura do livro de Chigalióv, é quase impossível deixar de admitir algumas das suas idéias. Ele afastou-se do realismo menos talvez que os outros, e o seu paraíso terrestre é quase um paraíso autêntico — o paraíso com que sonham os homens, depois de o perderem — se é que jamais o possuíram.


—    Bem que eu previa que iria ouvir uma coisa mais ora menos dêsse gênero, resmungou novamente Verkhovénskii.

—    Com licença! gritou o coxo cada vez mais furioso. Atualmente tornou-se quase uma necessidade para os indivíduos que pensam discutir a organização futura da humanidade. Durante a vida inteira, Herzen não cuidou senão disso e sei de fonte e limpa que Bielínskii passava noites inteiras a discutir a questão social com os amigos, resolvendo os mínimos pormenores — os detalhes de "cozinha", por assim dizer, da sociedade futura.
Houve até gente que ficou doida, observou o major. 

 

— E discutindo, é possível chegar-se a um resultado qualquer, coisa melhor do que ficar calado, fazendo-se de ditador, disse Lipútin em voz sibilante, arriscando-se afinal a atacar. 

 

— Quando falei que isso tudo eram asneiras, não visava absolutamente Chigalióv, explicou com displicência Verkhovenskii. Escutem, senhores, prosseguiu ele, erguendo um pouco os olhos — na minha opinião, todos esses livros, Fourier, Cabet, "o direito ao trabalho", as idéias de Chigalióv, são idênticos aos milhares de romances que diàriamente aparecem: um passatempo estético! Compreendo que, entediados, nesta cidadezinha, os senhores se distraiam rabiscando papel.
—    Com licença! tornou o coxo agitando-se na cadeira. Nós somos apenas uns provincianos, é verdade, e por conseqüência, dignos de dó; mas, não nos consta que haja aparecido no mundo nada de extraordinàriamente sensacional, e portanto não vale a pena lamentar a nossa ignorância. Certos manifestos, de origem estrangeira, convidam-nos a reunir os nossos esforços com o fito de tudo destruir — pois que, faça-se o que se fizer, a fim de curar a sociedade, nada se conseguirá; e cortando-se cem milhões de cabeças, simplifica-se a situação e pode-se transpor o fosso. Idéia excelente, decerto, mas tão irrealizável quanto a de Chigalióv, que o senhor atira fora com tanto desdém !
—    Tudo isso está muito bem, mas não vim cá discutir, articulou descuidosamente Piótr Stepánovitch; e aproximou de si a vela, como se não se apercebesse da gafe que cometera. 

 

—    É lamentável, é lamentabilíssimo que o senhor não tenha vindo cá para discutir; e é pena também que esteja tão ocupado agora com a sua toalete.

 

—    Que lhe importa a minha toalete? 

 

—    É tão difícil cortar cem milhões de cabeças quanto modificar o mundo pela propaganda; talvez o seja ainda mais difícil, sobretudo na Rússia, observou Lipútin, novamente se arriscando.

 

—    Todas as esperanças repousam agora na Rússia, disse um dos oficiais.

 

—    Sim, parece que colocam nela grandes esperanças, replicou o coxo. Nós sabemos que um dedo misterioso apontou para a nossa linda pátria como o país mais capaz entre todos de realizar essa grande obra. Mas eis um reparo meu : mesmo que o problema social seja gradualmente resolvido pela propaganda, sempre hei de ganhar qualquer coisa: primeiro a possibilidade de conversar agradavelmente e segundo a recompensa com que o futuro govêrno reconhecerá os serviços que terei prestado à causa social. Mas no caso de uma solução imediata, se se corta um milhão de cabeças, pessoalmente, que hei de ganhar? Põe-se ti gente a fazer propaganda e arrisca-se a que nos cortem a língua.
— A sua será cortada, com toda certeza, disse Verkhovénskii.


—    Está vendo, então. E como nas mais favoráveis circunstâncias, os senhores não poderão realizar esse massacre em menos de cinqüenta anos — em trinta, digamos — (pois não se trata de carneiros, e talvez as vítimas não se mostrem dóceis), não seria melhor arrumar a bagagem, e ir viver longe, em alguma ilha sossegada, e acabar a vida em paz? Creia-me! e deu um murro na mesa 

— sua propaganda fará apenas estimular a emigração e mais nada.

 

Estava triunfante. Era uma das maiores cabeças da província. Lipútin sorria, com ar de acôrdo. Virguínskii parecia bastante, abatido; os outros acompanhavam a discussão com enorme interesse, especialmente as senhoras e os oficiais. Todos compreendiam que o degolado dos cem milhões de cabeças estava encurralado; esperava-se agora o fim.

 

—    Devo dizer que você acaba de enunciar uma idéia bastante justa, falou Verkhovénskii em tom ainda mais indiferente, o até mesmo com certo tédio. Emigrar — é excelente idéia. entretanto, a despeito das desvantagens evidentes que pressente, os soldados que abraçam a nossa causa cada dia são maio numerosos; dispensaremos os senhores. Trata-se de uma nova religião que vem substituir a antiga, trata-se de coisa importante, e é por isso que o número dos soldados cresce. Mas os senhores, podem emigrar. E, sabe, aconselho-o a ir residir não numa ilha sossegada, mas em Dresde. Em primeiro lugar, porque Dresde jamais assistiu a uma epidemia; e, como homem culto, o senhor provavelmente receia a morte ; depois, não fica longe da fronteira russa, de forma que facilmente lhe poderão ser enviados rendimentos da sua pátria adorada ; Dresde é cheia do que se chama tesouros artísticos; e o senhor é um esteta, um ex-professor de Literatura, creio eu. Enfim, terá ao alcance da mão uma verdadeira Suíça em miniatura e isso lhe servirá à inspiração poética, porque decerto faz versos. Em resumo : um tesouro numa tabaqueira.

 

Houve vários movimentos, os oficiais se agitaram. Mais um instante, e todos se poriam a falar ao mesmo tempo; o coxo entretanto mordeu a isca :
—    Não, talvez não abandonemos a Causa Comum! Resta ver...

 

—    Como? Então aceitaria entrar para o nosso grupo, se  lho propusesse? disse de repente Verkhovénskii depondo na mesa a tesoura.

 

Todos estremeceram. A esfinge bruscamente se desmascarou. Atrevera-se até a falar no "grupo".

 

—    Todo aquêle que se considera um homem de bem, não se pode recusar à sua tarefa, respondeu constrangido o coxo mas...


— Desculpe, agora não se trata de "mas", interrompeu Stepánovitch em tom imperioso. Declaro a todos, senhores, que preciso de uma resposta clara e decisiva. Compreendo perfeitamente que vindo aqui, depois de os reunir, devo aos presentes uma explicação (mais uma revelação inesperada), porém é-me impossível lhes dar essa explicação enquanto ignorar o estado de espírito de cada um. Deixando de lado as palavras inúteis — porque não se pode mais discorrer durante trinta anos, como já há trinta anos se faz — pergunto-lhes o que preferem : o método lento, isto é, os romances sociais e as regras para o destino da humanidade gravadas no papel com mil anos de adiantamento, enquanto o despotismo comerá os bons bocados que nos caem da boca e que recusamos, ou uma solução rápida, qualquer que seja ela, que nos desatará as mãos e permitirá à humanidade organizar-se com toda a liberdade, não no papel, mas de fato? "Cem milhões de cabeças !" gritam. Não é senão uma metáfora, talvez. E mesmo que não fosse metáfora? Enquanto se sonha, enquanto se rabisca papel, não serão cem milhões, mas quinhentos milhões que o despotismo há de devorar. Observem também que quaisquer que sejam as receitas empregadas, não hão de curar o incurável; pelo contrário, ele acabará por nos infeccionar a todos e por contaminar as fôrças jovens com que ainda se poderia contar ; seria a perda de todos nós. Concordo que é agradável emitir palavras liberais e eloqüentes, enquanto a ação apresenta certos riscos... Ademais, não sou ouvidor; vim cá a fim de fazer uma comunicação, de forma que peço ao distinto auditório que declare simplesmente, sem necessidade de votação, que é que prefere : patinhar no pântano, em passo de tartaruga, ou atravessá-lo a todo vapor.

—    Eu sou pela travessia a todo vapor ! bradou entusiasmado o ginasiano. 
—    Eu também, declarou Liámchin.

 

—    A escolha não apresenta dúvidas, resmungou um dos oficiais, depois outro, depois um terceiro. O que mais impressionava a assistência é que Verkhovénskii tinha uma comunicação a fazer e prometera falar.

 

- Senhores, vejo que quase todos são partidários da solução preconizada pelos manifestos, constatou Verkhovénskii, percorreu com o olhar a assembléia.

 

Sim, todos, todos! gritou a maioria de vozes. 

 

— Confesso que me inclino para uma solução mais humana, interveio o major; mas obedeço à maioria. 

 

— Pelo que parece, o senhor também não faz oposição? perguntou Verkhovénskii ao coxo. 

 

— Não, é que eu.. . respondeu o outro, corando. Se me alio à decisão da assembléia é unicamente a fim de não perturbar...

 


— O projeto dêle é notável, tornou Verkhovénskii. Estabelece como regra a espionagem. Segundo ele, todos os membros da mocidade se espionam mutuamente, e são obrigados a relatar tudo que descobrem. Cada um pertence a todos e todos pertencem a cada um. Todos os homens são escravos e iguais na escravidão; nos casos graves, pode-se recorrer à calúnia e ao homicídio ; enfim, o principal é que todos são iguais. Antes de tudo, rebaixa-se o nível da instrução, das ciências e dos talentos. O nível elevado da ciência e do talento, só se obtém graças a inteligências superiores — portanto nada de inteligências superiores. Os homens de talento apoderam-se sempre do poder e tornam-se déspotas. Não podem agir de outra maneira; sempre fizeram mais mal que bem. É mister bani-los ou matá-los. Cícero terá a língua cortada, Copérnico os olhos furados, Shakespeare será lapidado. Isso é que é o chigaliovismo. Ah, ah, ah ! Está admirado? Eu sou partidário de Chigalióv.

 

Stavróguin apertava o passo a fim de chegar em casa o mais depressa possível. "Se este homem está bêbedo, pensava ele, onde foi que se embriagou? Com o conhaque que tomou ainda agora?" 

 

— Escute, Stavróguin, é uma excelente idéia nivelar as montanhas — é idéia que nada tem de ridícula. Sou partidário de Chigalióv. Não há nenhuma necessidade de instrução, chega de ciência! Os materiais de que já dispomos nos bastarão durante mil anos; o que é importante é estabelecer a obediência. A sêde de instrução já é uma sêde aristocrática. Mal é permitida a instalação da família e do amor, imediatamente nasce o desejo de propriedade. Haveremos de matar esse desejo: desenvolveremos a embriaguez, a calúnia, a delação ; mergulharemos o Homem numa devassidão inaudita, destruiremos no ôvo qualquer gênio que se esteja formando. Todos serão reduzidos ao denominador comum: igualdade absoluta. "Conhecemos o nosso ofício, somos homens de bem — e é só do que precisamos." Eis a resposta dada recentemente pelos operários ingleses. "Só o necessário é necessário" — deve ser esta, doravante, a divisão da Humanidade. De tempos em tempos, será preciso conceder-lhe algumas convulsões, mas nós, chefes, é que as forneceremos. Os escravos devem ter senhores. Obediência completa, despersonalização absoluta. De trinta em trinta anos, entretanto, Chigalióv autoriza algumas convulsões ; e então, todos se atirarão uns contra os outros e se hão de devorar, reciprocamente — com certo limite, contudo — apenas para combater o tédio. 0 tédio é um sentimento aristocrático. A sociedade de Chigalióv não conhecerá mais os desejos. Para nós, o desejo e o sofrimento, e para os escravos, o chigaliovismo.

 

 

— Escute, começaremos provocando agitação — prosseguiu Verkhovénskii com voz arquejante, precipitada, e puxando a todo momento pela manga do casaco de Stavróguin. — Já lhe disse, penetraremos no âmago do povo. Sabe que já somos terrivelmente fortes. Os nossos não são unicamente aqueles que matam e incendeiam, nem os que manejam o revólver à maneira clássica, ou os furiosos que se põem a morder. Esses só fazem atrapalhar. Não tolero nada sem disciplina. Sou um bandido e não um socialista — ah, ah, ah! Escute, tenho a lista de todos: o mestre-escola que ensina as crianças a zombar de Deus e de seu berço já é um dos nossos. O advogado que defende um assassino instruído, afirmando que o réu tinha mais cultura que suas vítimas e se sentia na obrigação de matar a fim de obter dinheiro, é um dos nossos. Os colegiais que matam um mujique com o fito de experimentarem emoções fortes, são dos nossos. Os jurados que absolvem criminosos, quaisquer que sejam, são dos nossos. 0 promotor que treme de medo ante o pensamento de que não se mostra suficientemente liberal, é dos nossos. Some a esses os funcionários, os escritores; muitos dentre eles estão conosco e nem sequer o desconfiam! Por outro lado, é absoluta a docilidade dos estudantes e dos tolos; quanto aos mestres, vivem cheios de bílis; por toda parte só se vêem vaidade e apetites bestiais inauditos ... Será que você alcança a extensão do auxílio que nos podem trazer as idéias feitas? Quando saí daqui, grassava por toda a Rússia a tese de Littré e pretendia-se que o crime era uma anomalia mental. Volto à pátria e verifico que o crime já não é mais uma anomalia, mas uma prova de bom senso, quase um dever moral, ou pelo menos um generoso protesto. "Como é que um homem culto pode deixar de matar, se tem necessidade de dinheiro?" E isso, contudo, é apenas um comêço. Já o deus russo teve que ceder ante o vodca barato. Bebe o povo, bebem as mães, bebem as crianças, andam desertas as igrejas. E que ouvimos nos nossos tribunais de aldeia? "Uma vasilha de vodca ou duzentos açoites!" Dê apenas a esta geração o tempo de crescer! É pena que tenhamos tanta pressa, pois se pudéssemos esperar, ficariam ainda mais ébrios. É pena também que não haja proletariado! Mas há de haver, há de haver! Caminhamos para isso...

 

—    É pena também que nos tenhamos tornado tão tolos! resmungou Stavróguin voltando a caminhar.
—    Escute! Vi um menino de seis anos trazer para casa mãe completamente bêbeda, que o cobria dos mais sórdidos palavrões... Acha que isso me deu prazer? Quando for nosso o poder, talvez possamos curá-los... Se for preciso, recorreremos até ao ascetismo... Mas, por ora, temos necessidade de uma ou duas gerações de libertinos; temos necessidade de uma corrupção inaudita, ignóbil, que transforme o homem num inseto imundo, covarde, cruel e egoísta. Disso é que carecemos. E ao mesmo tempo, dar-lhes-emos um pouco de "sangue fresco", a fim de que tomem gôsto ao sangue. Por que ri? Não me estou contradizendo. Não contradigo senão aos filantropos e a Chigalióv. 
(...)
—    Ah, se tivéssemos tempo! Nossa única infelicidade é a falta de tempo. Proclamaríamos a destruição... por que, por que é essa idéia tão fascinante? Sim, é mister às vezes desentorpecer os membros ! Atearemos incêndios ! ... Espalharemos lendas. . . E para esse fim, qualquer grupo ínfimo nos será utilíssimo. Hei de descobrir para você, nesses grupos, entusiastas que premirão o gatilho com alegria e que se considerarão honradíssimos por serem os primeiros. E então começará a confusão. Será um rodamoinho como jamais o mundo assistiu... Uma névoa espessa descerá sôbre a Rússia... A terra há de chorar seus antigos deuses... E então, faremos aparecer — quem?


—    Quem?

—    O Czaréviche Iván.

 

—    Como?
—    O Czaréviche Iván. Você, você!

 

  

 



O MUNDO DOSTOIEVSKIANO

 

ROBERTO ALVIM CORREIA 

 

ATÉ pouco tempo traduziu-se em vários países o substantivo do título Os Demônios por Possessos — o que não deixa de surpreender. A confusão, contudo, talvez seja possível numa língua em que são sinônimos, segundo dizem, palavras quais criminoso e infeliz, cuja associação repercutia fundo em Dostoiévski, para quem ser criminoso era ser vítima do demônio. O mal tinha para ele realidade na medida em que o demônio faz de uma criatura humana um possesso. Satã entra num homem como ladrões pestíferos entram numa casa. A história de Os Demônios é a história desses ladrões, desses possessos. É o que explica uma das principais personagens, Stepán Trofímovitch, que, na hora da morte, comenta o texto de S. Lucas, citado como epígrafe do romance. Vê o moribundo, no episódio do Evangelho, uma imagem da Rússia da segunda parte do século XIX. Stepán Trofímovitch fala aqui em nome de Dostoiévski que denunciava no Socialismo niilista a ação de possessos...

 

3. Exprime-se da seguinte maneira: "Minha amiga, disse Stepán Trofímovitch, comovidíssimo, savez-vous, essa passagem admirável e... extraordinária sempre foi para mim uma pedra no meio do caminho... dans ce livre... e por isso a guardei de memória desde a infância. Mas uma idéia me ocorreu, une comparaison. Ocorrem- me muitas idéias agora. Veja, é exatamente como na nossa Rússia. Esses demônios que saem do doente para entrar nos porcos, são todas as chagas, todos os miasmas, todas as imundícies, todos os demônios pequenos e grandes, que no decorrer dos séculos se acumularam na nossa querida e imensa doente, na nossa Rússia! Oui, cette Russie que l'aimais toujours. Mas um pensamento sublime, uma sublime vontade lá de cima descerão sôbre ela como desceram sôbre esse endemoniado. E ela se desembaraçará de todas as impurezas, de todas as podridões — que espontaneamente hão de pedir morada nos porcos. Talvez já nêles hajam entrado. Somos nós — nós e êles — e Petrúcha... et les autres aves lui — e eu talvez em primeiro lugar, eu à frente. Como loucos furiosos, atirar-nos-emos do alto do rochedo até ao mar, e pereceremos todos. Melhor, porque só servimos para isso. O doente, porém, será curado e 'assentar-se-á aos pés de Jesus...' e todos o encararão com espanto... Minha cara, vous comprendrez après... Noas compren- drons ensemble."

 

O epíteto, que virou nome, é incontestavelmente forte, podendo até parecer excessivo. Acolheram-no gracejos e imprecações, sem que por isso revolucionários e outros suprimissem a significação do vocábulo, que afeta a questão do bem e do mal, de Deus e do demônio.

 

(...)

 

E ainda como Pascal ele desconfia da razão unicamente raciocinante, mortal ao pretender substituir uma ordem transcendental por outra só imanente. Os Demônios descrevem a atmosfera de traição, de crime, de vergonha em que vivem conspiradores ateus que renegaram os princípios evangélicos. Já não dispõem mais de si mesmos, viram apenas instrumentos, quase sempre nocivos. Assim a humilhação cristã, uma das chaves do mundo dostoievskiano, transforma-se, quando não livremente aceita, num sentimento que avilta, asfixia, desagrega. E essa humilhação que tudo fere quando não liberta, n'Os Demônios envenena a pureza da fé no messianismo russo, no povo, cuja voz, como no adágio latino, se confunde com a voz de Deus. O povo, para Dostoiévski, tem uma alma, embora  coletiva, assemelha-se a uma alma pessoal, por impunemente desprezada. Quem tenta diminuir-lhe o sentido religioso e salvador comete um crime, precisamente cometido em Os Demônios.

 

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AGENDAS GLOBALISTAS A SEREM ESTUDADAS

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 FINS E MEIOS, BEM E MAL, CRIME E CASTIGO NA OBRA DO EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY

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publicado por conspiratio às 19:04
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FINS E MEIOS, BEM E MAL, CRIME E CASTIGO NA OBRA DO EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY

 

 


Desde a primeira vez que li CRIME E CASTIGO, o que mais me impressionou foi o fato de alguém, como o personagem Raskólnikov, acredite que a racionalidade possa prever ou mesmo dar conta de Toda a Realidade. Que, no final das contas, todos os malévolos meios possam ser justificados e santificados se logicamente levam ao almejado "Bem".

 

 É chocante que este absurdo, esta loucura, seja tão real e mortal quanto epidêmica na nossa época. Por isso vou postar alguns excertos de Dostoievsky, um ex-socialista, que conheceu por dentro o movimento revolucionário na sua pátria, Rússia. Primeiro colocarei algo sobre a obra acima citada "CRIME E CASTIGO", e depois alguns trechos de "OS DEMÔNIOS"  que enfoca um pouco do inicial movimento revolucionário que levou o comunismo à Rússia.  

 

Houve um tempo que, em minha ignorância, considerei socialismo e comunismo como regimes políticos, e como uma opção a mais para um governo. Mas agora, depois de colher outras informações e ligar alguns pontos, encaro-os como um movimento duradouro, nascido nas classes privilegiadas e intelectuais,  planejado no estrangeiro, em sociedades secretas como a Maçonaria Illuminati, de índole expansionista, globalista, e intrinsecamente TOTALITARISTA, tanto na prática como na teoria. Está totalmente vinculado com os planos da Nova Ordem Mundial. Para chegar a isso tive que juntar fatos que estavam separados por décadas na minha memória. Mas essa é uma outra história.

 

Em 1847 Dostoiévski começa a freqüentar o círculo Petrachévski, nome de um grupo secreto de socialistas utópicos, fundado em 1845, cujos membros se reuniam em casa de M. B. Butachévitch-Petrachévski, a fim de discutir problemas políticos e ler literatura socialista, proibida. De suas ligações com o grupo, resultará, mais tarde, a sua prisão. No Contemporâneo, em artigo intitulado "Visão da Literatura Russa em 1846", escrevia V. G. Bielínskii : "Se voltarmos os olhos para os notáveis trabalhos de ficção em prosa que apareceram em revistas e outros periódicos durante o ano passado, seremos imediatamente atraídos por Pobre Gente, novela que trouxe fama súbita a um nome até então desconhecido em literatura. Em julho, Dostoiévski sofre a primeira crise violenta de epilepsia. Em 1848, interessando-se por suas teorias socialistas, Dostoiévski aproxima-se mais de Petrachévski, e em dezembro assiste, em casa deste, a uma conferência sôbre fourierismo e comunismo. Em 1849, a 23 de abril, Dostoiévski é prêso e recolhido à fortaleza de Pedro e Paulo, em São Petersburgo, acusado de conspirar contra o govêrno juntamente com os membros do círculo Petrachévski. A 16 de novembro Dostoiévski é condenado à morte. A 22 de dezembro, diante do pelotão de fuzilamento, anuncia-se que o Imperador resolvera comutar-lhe a pena de morte em prisão na Sibéria, com trabalhos forçados. A 24, num comboio de prisioneiros, Dostoiévski inicia a longa viagem entre São Petersburgo e Omsk.

 

1850 — A 23 de janeiro Dostoiévski chega ao seu destino: a cidade de Omsk, onde passará quatro anos completamente isolado do mundo. "Omsk é uma pequena cidade, quase sem árvores; um calor excessivo, vento e poeira no verão e, no inverno, um vento glacial. Não vi o campo.""Manda-me o Corão, Kant (Crítica da Razão Pura), Hegel, sobretudo sua História da Filosofia. Meu futuro depende de todos esses livros. Mas sobretudo mexe-te para obter-me transferência para o Cáucaso. Indaga de pessoas bem informadas onde poderei publicar meus livros e que providências seriam necessárias. De resto, não conto publicar coisa alguma antes de dois ou três anos. Mas daqui até lá ajuda-me a viver, conjuro-te." (Carta a Mikhail, cit.)

 

Em 1866, sob o título Crime e Castigo, começa a aparecer em folhetins no Mensageiro Russo. Decerto, os quatro anos que passara entre criminosos de toda espécie na Sibéria, deviam familiarizar Dostoiévski com um dos grandes problemas humanos: o da culpa e do castigo. Em si mesmo, o romancista tivera ocasião de estudá-lo. Bem se sabe como ele, embora não havendo tomado parte ativa nas confabulações revolucionárias de Petraschévski, julgara-se culpado e acabara por receber a pena com a mais perfeita resignação cristã. Os diversos tipos de condenados com os quais convivera na prisão ter-lhe-iam mostrado o crime sob as mais diversas formas.  

 

0 grande tema estava a trabalhá-lo, já bastante amadurecido, quando, naqueles dias angustiosos de 1865 o escritor resolveu abordá-lo. Mas esse tema não será apenas o do crime e do castigo, da culpa e da expiação: será, numa transposição metafísica, o problema do Bem e do Mal — o grande assunto da obra dostoièvskiana.  

 

Raskólnikov, o herói de Crime e Castigo, um estudante pequeno-burguês, com a mente cheia de leituras mal digeridas, sentindo-se com capacidade para realizar grandes coisas, para tornar-se, afinal, um ser útil aos semelhantes, e vendo-se sem cursos, em situação precária, raciocina da seguinte forma: - ali está aquela velha usurária, é uma avarenta sórdida, já decrépita, da qual não pode advir nenhum proveito para o mundo nem para a humanidade. Se ele a matar e apoderar-se do dinheiro que ela tem guardado, continuará os estudos, dispensará o auxílio necessário à mãe e à irmã que estão em bem triste situação e conseguirá os meios para servir à coletividade. Tudo depende de um gesto: matar a velha. Será isso um crime? Para que serve essa velha? É um piolho, um ser inútil. Há um Erro no equilíbrio do mundo: ele o corrigirá, suprimindo aquela coisa miserável que está atrapalhando, embaraçando. Mas aquela coisa miserável é uma vida, uma vida humana. Não importa. Constituirá a vida humana um valor absoluto? De forma alguma. Desde a mais remota antiguidade, os grandes chefes de Estado, os grandes generais, nunca hesitaram em matar milhares de pessoas, quando encontraram pela frente um motivo que os Justificasse. E ninguém os considerou criminosos; pelo contrário, ergueram-lhes estátuas e a posteridade lhes glorifica o nome. Não foi o que aconteceu com Napoleão? Jamais hesitou em verter o sangue de inocentes para atingir os fins a que sei propunha. E, como ele, quantos indivíduos superiores se consagraram benfeitores da humanidade pelo preço de inúmeras vidas? 0 que se torna necessário, acima de tudo, é ser superior, pertencer à raça dos Napoleões, sobrepor-se à estreiteza dos limites humanos. Assim raciocinando, Raskólnikov sente-se arrebatado por uma verdadeira voragem; também pertence à raça dos Napoleões, nada lhe deterá os passos. Pretende atingir um fim, há um obstáculo no caminho; não é êle uma criatura forte e porque forte, livre? Não tem a liberdade de remover o obstáculo? Pois assim o fará. 

 

Vai e mata a velha; elimina também a companheira desta última; mata e rouba. Estava tudo consumado. Fizera como os fortes, como os conquistadores. Mas agora começa o seu suplício, a sua tortura. 0 remorso? 0 arrependimento? Não. Raskólnikov não se arrepende. Reconhece que a velha era um piolho. O que o aflige é a idéia que dentro dele vai tomando vulto até dominá-lo completamente: a incerteza angustiante do motivo pelo qual agira. Seria mesmo visando o bem que praticara o mal? Não passariam de meros pretextos as razões com que procurara justificar o crime? Então, por que matara, na verdade? Para saber se podia matar, para experimentar a própria força, a própria liberdade? Mas há limites para a liberdade humana. 0 homem não tem o direito de tirar a vida do seu semelhante. Só Deus pode matar. E os conquistadores, os Napoleões, não se valeram legitimamente desse direito? Foi invocando exemplo que Raskólnikov matou e agora sente a ilegitimidade do seu ato. Cometido o crime, o estudante não consegue mais justificar-se perante a própria consciência.  

 

Teoricamente, estava tudo certo, mas, a teoria logo falhou na prática, quando ele, tendo o propósito de matar somente a velha, foi obrigado a matar também a companheira desta; falharam-lhe os planos, o esquema que havia organizado com todo o rigor lógico para atingir o Bem. Bastava remover um obstáculo — eliminar um piolho — e à última hora surge novo obstáculo, torna-se imprescindível matar outro piolho, todo o sistema se desconcerta e quem se presumia super-homem se transforma em mísero joguete das situações. Porque a vida, no seu curso vertiginoso e inconsciente, escapa a toda lógica: quando se pretende fazer o bem, vem-se a fazer o mal, um crime determina outro, um desencadear incoercível de forças. Não teria acontecido o mesmo com tantos conquistadores, com os tais super-homens? De uma guerra para salvar a França, Napoleão foi levado a outra, a mais outra, impelido pela avalancha que ele próprio provocara. Assim, Raskólnikov parece compreender que, na verdade, não há super-homens, todos são mesquinhas criaturas; escravas da condição humana. Quis valer-se arbitràriamente da liberdade, quis desafiar Deus, fazendo o que só Deus pode fazer, e perdeu a partida. Tudo que há de humano nele protesta contra o crime. Seu suplício prossegue no esforço desesperado para abafar por meio do raciocínio, da lógica, a revolta da consciência... Raskólnikov insiste na certeza de que não cometeu um crime e isso não lhe basta para libertá-lo do sentimento de culpa. Num diálogo terrível, trágico, consigo mesmo, erra ele às tontas pelas ruas de Petersburgo, sempre a remoer a idéia do que fizera, a repisar o assunto, a procurar o convívio de policiais, atraído por uma espécie de ímã irresistível até suscitar a desconfiança do juiz Porfírii que, senhor da situação, prevê matemàticamente o momento em que aquele triste ser humano, acossado pela consciência, confessará o crime.

 

É quando intervém a figura suave de Sônia, uma prostituta infeliz, que pelo amor e pelo sofrimento se une a Raskólnikov. O estudante conta-lhe tudo, procurando agarrar-se aos seus especiosos argumentos: "Matei um piolho!.. . " Mas a instintividade de Sônia, a humanidade profunda dessa pobre sofredora, acabam,_ por falar-lhe à consciência. O único livro que Dostoiévski lera, outrora, no cárcere, fôra o Evangelho. E esse livro o convencera de que pecara, fazendo-o suportar resignadamente os quatro anos de degrêdo, como uma provação necessária à paz íntima, sem a qual não poderia viver. São os versículos do Evangelho a falar também agora à alma torturada de Raskólnikov, mostrando-lhe a inutilidade de todos os argumentos, quando pecamos contra a lei moral e destruímos assim a nossa própria vida. 

 

"Foi a mim mesmo que matei, quando matei a velha!" — exclamava, em determinado momento o estudante. É preciso pois sofrer, curvar-se ao castigo. Só a penitência resgata a culpa e pode salvar os que morreram para Deus. Mas mesmo depois de entregar-se à justiça, de ser condenado ao degrêdo na Sibéria, para onde segue ao lado de Sônia, que quis compartilhar com ele da mesma pena, Raskólnikov não se mostra arrependido. No fundo continua ele na certeza de que o seu desastre resultou do fato de não ter conseguido tornar-se um super-homem. O romancista deixa os dois infelizes na volta do caminho, anunciando uma alvorada.

 

A história dessa alvorada, isto é, do arrependimento de Raskólnikov, Dostoiévski prometeu contá-la, mais tarde, em livro que não chegou a escrever. Há quem julgue haver ele com isso mostrado a impossibilidade de resolver o problema. Porque o arrependimento implicaria a crença em Deus, questão essencial o nunca suficientemente solucionada de toda a obra dostoièvskiana. 

 

Já se tem comentado o fato do enrêdo de Crime e Castigo resumir-se, no fundo, numa intriga de romance policial. Também de romance policial muito terá Os Demônios, história de uma conspiração fracassada; e as mil páginas densas e apaixonantes de Os Irmãos Karamázov poderiam reduzir-se ainda a este enigma de novela detetivesca: Quem matou o velho Fiódor? Essas aproximações, na realidade, quase nada exprimem. Por tal processo poder-se-ia identificar com os gêneros literários mais inferiores uma infinidade de obras-primas. Fala-se, igualmente, na influência do romance-folhetim, sobretudo Eugène Sue, sôbre Dostoiévski, e o professor francês Pierre Dournes, num livrinho para estudantes, Comment lire Dostoievski, não hesita em apontar sugestões dos Mistérios de Paris — protótipo do roman-feuilleton — no Crime e Castigo. É uma maneira leviana de deformar certos pontos de vista críticos. André Bellessort, em artigo no Candide, que não tenho aqui à mão, por volta de 1935, aludia a um pitoresco episódio ao qual, talvez, se teria reportado Pierre Dournes ao formular o juizo acima. Lia-se, certo dia, num salão parisiense, o trecho do Crime e Castigo — recentemente traduzido para o francês — em que aparece a figura de Sônia, unida pelo sofrimento a Raskólnikov, quando alguém na roda exclamou, num transporte de surprêsa: — Mas é a "Fleur de Marie"!

 

É a "Fleur de Marie'... A exclamação causou escândalo a todos. Comparar a personagem de Dostoiévski a uma heroína de Eugène Sue!... Em última análise, porém, observava Bellessort, não deixava mesmo de haver semelhança.

 

 Decerto, o autor do Crime e Castigo sofreu algumas influências do romantismo, cujos padrões ainda subsistiram até os meados do século XIX. Sônia, identificada com a "Fleur de Marie", dos Mistérios de Paris, tem muito do tipo da "boa prostituta", que o romantismo pôs em voga, como o tipo do "bom selvagem". É a criatura infeliz, que vive no pecado e a quem o pecado não corrompe. Mas de que maneira Dostoiévski renovou esse personagem convencional, que novas cores lhe emprestou, quanta humanidade lhe transmitiu! Também em Raskólnikov é possível distinguir os traços do "bom criminoso" ou do "criminoso superior" outro herói essencialmente romântico e byroniano, muito explorado na época e do qual êle já tinha um modêlo mesmo na Rússia no Eugênio Onéguin, de Púchkin. Em 1832, Lord Lytton, o autor de últimos Dias de Pompéia, publicava um romance, Eugène Aran, sustentando a tese de que do crime poderia resultar o bem para a sociedade. E já antes, em 1816, Charles Nodier — um dos iniciadores do romantismo na França — na novela Jean Sbogar pintava o tipo de um salteador de estrada, cavalheiresco e generoso. Numa espécie de mistificação literária, Charles Nodier chegou a publicar pequena coleção de máximas de Jean Sbogar, nas quais pretendia compendiar as bases de um anarquismo político-social. Dostoiévski possivelmente as leu, nela colhendo sugestões para as teorias de Raskólnikov, que no fundo não passa de um anarquista, ou niilista, como se dizia, então, na Rússia.



________________________________________________________

DOSTOIEVSKY, EX-REVOLUCIONÁRIO CONTA TUDO EM OS DEMÔNIOS

"Pelo que compreendi — e era impossível não o compreender — o senhor, uma vez, de início, e outra vez mais tarde falou com bastante eloqüência — embora por demais teóricamente — da vasta rede que cobre a Rússia inteira e da qual nosso grupo é uma das malhas. Cada um desses grupos, fazem prosélitos e se ramificando até ao infinito, por meio de uma propaganda sistemática, deve sabotar o poder das autoridades locais, espalhar a desordem pelo campo, provocar escândalo, estimular o cinismo e a incredulidade, suscitar o desejo de um melhor destino, e enfim, recorrer aos incêndios como a um método eminentemente popular para, no momento oportuno, mergulhar o país no desespêro. Serão essas exatamente as suas palavras? Procurei gravá-las todas. Não é esse o programa que nos comunicou como delegado de um tal de Comitê Central que nós ainda não conhecemos e que nos parece quase fantástico? "


http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/05/dostoievsky-publicou-os-demonios-em.html

 

publicado por conspiratio às 18:43
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