Domingo, 30 de Agosto de 2009

SOBRE O ELIXIR DA VIDA ETERNA

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Faltavam ainda alguns minutos para a meia-noite, quando Glyndon foi ter novamente ao quarto do místico.

O jovem havia observado escrupulosamente o jejum que lhe fora ordenado; e as intensas e arrebatadoras meditações em que o submergia a sua excitada fantasia, não somente lhe fizera esque­cer as necessidades do corpo, mas até conseguiram que ele se sen­tisse superior a elas.

Mejnour, sentado ao lado do seu discípulo, falou-lhe desta maneira:

— O homem é arrogante à proporção da sua ignorância, e a sua tendência natural é o egoísmo. Na infância do saber, pensa que toda a criação foi feita para ele. Por muitos séculos, viu nos inumeráveis mundos que brilham no espaço, como as borbulhas de um imenso oceano, apenas pequenas velas, que a Providência ha­via-se comprazido em acender como único fim de tornar-nos a noite mais agradável. A astronomia corrigiu esta ilusão da vaidade hu­mana; e o homem, ainda que, com relutância, confessa, agora, que as estrelas são mundos mais vastos e mais formosos do que o nosso mundo, — que a terra, sobre a qual os homens se arrastam, é ape­nas um ponto dificilmente visível no vasto mapa da criação. Po­rém, no pequeno, assim como no grande, Deus pôs a vida igualmente em profusão. O viajor olha a árvore e imagina que os seus ramos foram formados para livrá-lo do ardor dos raios solares no verão, ou para fornecer-lhe o combustível durante os frios do inverno. Mas em cada folha desses ramos, o Criador fez um mundo, que é povoado de inumeráveis raças. Cada gota de água naquele rego é um orbe, mais cheio de seres do que de homens é cheio um reino. Em todas as partes, neste imenso Plano de Existência, a ciência descobre novas vidas. A vida é um princípio que atravessa tudo, e até a coisa que parece morrer e apodrecer, gera nova vida, e dá novas formas à matéria. Raciocinando, pois, por evidente analogia, diremos: Se não há uma folha, nem uma gota de água que não seja, como aquela estrela, um mundo habitável e respirante, — e se até o homem mesmo é um mundo para outras vidas, e milhões e bilhões de seres habitam nas correntes do seu sangue, vivendo no seu corpo como o homem vive na terra, o senso comum (se seus homens eruditos o tivessem) bastaria para ensinar que o infinito circunfluente, ao qual chamam espaço, o ilimitado Impalpável que separa a terra da lua e das estrelas, está também cheio de sua correspondente e apropriada vida. Não é visível absurdo supôs que uma folha está cheia de seres e vida, e que seres vivos não existem nas imensi­dades do espaço? A lei do Grande Sistema não permite que se desperdice um só átomo, nem conhece lugar algum onde não respire algum ser vivo. Até o ossário é um viveiro de produção e anima­ção. É verdade o que digo? Pois bem, se é assim, pode conceber que o espaço, que é o Infinito mesmo, somente seja um deserto sem vida, menos útil ao Plano da Existência Universal, do que o esqueleto de um cão, do que a povoada folha, do que a gota de água, cheia de seres viventes? O microscópio mostra-nos as criaturas na folha; nenhum tubo mecânico foi ainda inventado para descobrir os seres mais nobres e mais adiantados, que povoam o ar ilimitado. Entre estes, porém, e o homem, existe uma misteriosa e terrível afinidade. E, por isso, nascem dos contos e lendas, que não são nem totalmente falsos, nem totalmente verdadeiros, de tempo em tempo, crenças em aparições e espectros. Se estas crenças foram mais comuns entre as tribos primitivas, mais simples do que o homens do seu enfatuado século, é só porque os sentidos daquelas tribos eram mais finos e mais perspicazes. E como o selvagem vê ou percebe, até pelo olfato, a muitas milhas de distância, as pegadas de um inimigo, invisíveis aos embotados sentidos do homem civilizado, assim é menos densa e menos obscura para ele a barreira que se encontra entre ele e as criaturas do mundo aéreo. Escutou-me?

— Com toda a minha alma, — respondeu Glyndon.

— Porém, para penetrar esta barreira, ' continuou Mej­nour, — é preciso que a alma, com que escuta, seja aguçada por um intenso entusiasmo, e purificada de todos os desejos terrestres. Não sem razão os chamados magos de todos os países e de todos os tempos, insistiam sempre sobre a necessidade de castidade e de moderada contemplação, como os mais poderosos elementos da ins­piração. Quando a alma está assim preparada, a ciência pode, de­pois, vir em seu auxílio; a vista se torna mais sutil, os nervos mais agudos, o espírito mais ativo e penetrante, e até os elementos, o ar, o espaço, — por meio de certos segredos da química supe­rior, podem tornar-se mais palpáveis e claros. E também isto não é magia, no sentido que a esta palavra dão os crédulos; pois, como já lhe disse tantas vezes, a magia, — se com este termo se pensa em uma ciência que viola a Natureza, — não existe; ela é apenas a ciência com que as forças da Natureza podem ser dirigidas, domi­nadas e aproveitadas. Ora, no espaço há milhões de seres, não literalmente espirituais, pois que têm todos, como os animálculos in­visíveis ao olho nu, certas formas de matéria, se bem que tão delicada sutil, que parece não ser mais do que uma película uma penugem que cobre o espírito. Daí nascem os belos fantasmas rosacrucianos de silfos e gnomos. Sem embargo, essas raças e tribus diferem mais entre si, do que o kalmuk do grego, em suas formas, seus atributos e poderes. Na gota de água, vê como são variados os animálculos, como grandes e terríveis são alguns desses microscópios vermes-monstros em comparação a outros. Igualmente, dentre os habitantes da atmosfera, alguns há que possuem um alto grau de sabedoria, e outros são dotados de uma horrível malignidade; alguns são hostis aos homens, porque são seus inimigos; ao passo que outros lhe são afáveis, e servem de mensageiros entre a terra e o céu. Quem pre­tende entrar em relações com estes divinos seres, assemelha-se ao via­jante que, querendo penetrar em países desconhecidos, se expõe a estranhos perigos e incalculáveis terrores. Quando tiver entrado nestas relações; não poderei livrá-lo dos incidentes a que o seu ca­minho o expõe. Não posso dirigi-lo por sendas onde não encontre alguns desses mortais e terríveis inimigos. Há de fazer-lhe frente você mesmo, e sozinho. Porém, se aprecia tanto a sua vida, que somente queira prolongar a sua existência, não importa para que fins, reparando a força dos seus nervos e a frescura do seu sangue com o elixir vivificados do alquimista, por que deve buscar as relações com esses seres intermediários e expôr-se aos perigos que resultam? Por­que o homem poderia atrair sobre si. Por isso, embora o elixir seja vida, aguça os sentidos de tal maneira, que essas larvas que povoam o ar, se ouvem e se vêem. Enquanto não tiver exercitado suficiente­mente a poder gradualmente, acostumar-se a não se perturbar pelo aparecimento desses fantasmas, e a dominar a sua malícia, uma vida, dotada destas forças e capacidades, seria a mais horrível sentença que o homem poderia atrair sobre si. Por isso, embora o elixir seja composto de ervas muito simples, pode recebê-lo só quem tenha passado já pelas provas mais sutis. Alguns, sobressaltados por um insuportável horror ante os objetos que se apresentaram à sua vista ao primeiro gole do milagroso líquido, acharam que a poção era me­nos poderosa para salvar, do que a agonia e o trabalho da Natureza para destruir. Assim é que, para os que não estão preparados, o elixir não é mais do que um veneno mortífero. Entre os morado­res do umbral há também um, que, em sua malignidade e ódio, ex­cede a toda a sua tribo, — um, cujos olhos têm paralisado os ho­mens mais intrépidos, e cujo poder sobre o espírito humano. au­menta, precisamente, à proporção do temor que inspira. Vacila a sua coragem?

— Oh, não! — respondeu Glyndon. — Pelo contrário, as suas palavras não fazem mais do que inflamá-la.

— Então, — ordenou Mejnour, — siga-me; vou submetê-lo aos trabalhos de iniciação.


E Mejnour conduziu o discípulo ao quarto interior, onde lhe explicou certas operações químicas, as quais, como Glyndon logo compreendeu, apesar de serem "muitíssimo simples, eram capazes de produzir resultados extraordinários.

— Nos tempos remotos, — prosseguiu Mejnour, sorrindo, — a nossa irmandade via-se, com freqüência, obrigada a recorrer ao engano, para encobrir a realidade; e, como os seus adeptos eram des­tros mecânicos ou peritos químicos, dava-se-lhes o nome de feiticei­ros. Observe como é fácil compor o Espectro de Leão, que acompa­nhava o célebre Leonardo da Vinci!

E Glyndon viu, com deliciosa surpresa, os simples meios que bastavam para produzir as mais singulares ilusões da imaginação. As mágicas paisagens que deleitavam Baptista Porta; a aparente mu­dança das estações com que Alberto Magno surpreendeu o Conde de Holanda; e até aquelas terríveis visões de Espíritos e Imagens com que os necromantes de Heracléa alarmaram a consciência do conquistador de Platéa (*), — tudo isto Mejnour mostrou ao dis­cípulo, assim como o fazem os homens que, com a lanterna mágica e a fantasmagoria, encantam medrosas crianças, na véspera no Natal.

— E agora, que você viu, ria-se da magia. Se estes brinquedos, estes enganos, divertimentos e frivolidades da ciência eram aquelas coisas tão terríveis que os homens olhavam com repugnância, e que os reis e os inquisidores premiavam com a roda ou coma estaca!

— Porém, a transmutação de metais, de que falam os alquimistas? — perguntou Glyndon.

— A Natureza mesma — respondeu Mejnour — é um laboratório, onde os metais, e todos os elementos, estão continuamente em transmutação.É fácil fazer ouro, e mais fácil ainda, e mais cômodo e mais barato, é fazer-se pérolas, diamantes e rubis. Oh, sim! homens sábios consideraram também isto como feitiçaria; mas não acharam nada de feitiçaria no descobrir que, pelas mais simples combinações de coisas de uso quotidiano, poderiam criar um demônio que arrebatasse a milhares as vidas de seus semelhantes, por meio de um fogo consumidor. Descubra coisas que destruam a vida, e será um grande homem! — ache, porém, um meio de pro­longar a vida, e chamar-lhe-ão impostor! Invente alguma máquina que torne mais ricos os ricos e que aumente a pobreza dos pobres, e a sociedade levantará para si um monumento! Descubra algum mistério na arte, que faça desaparecer as desigualdades físicas, e morrerá apedrejado! Ah! ah! meu discípulo! este é o mundo pelo qual Zanoni ainda se interessa! — Você, porém, e eu, deixaremos este mundo entregue a si mesmo. E agora, que presenciou alguns dos efeitos da ciência, comece a aprender a sua gramática.

Mejnour pôs, em seguida, diante do seu discípulo certos trabalhos, nos quais empregou este o resto da noite.



. . .


Quase sem analisar os processos mentais por que os seus ner­vos se alentavam e as suas pernas se moviam, o jovem atravessou o corredor, dirigiu-se ao quarto de Mejnour e abriu a porta proibida.

Tudo ali estava da mesma forma como de costume; apenas, sobre a mesa no centro do quarto, via-se aberto um volumoso livro. Glyndon aproximou-se dele e olhou os caracteres que a página lhe oferecia; eram escritos em cifras, cujo estudo fizera uma parte de seus trabalhos. Sem que lhe custasse grande dificuldade, pareceu-lhe que podia interpretar o significado das primeiras sentenças, onde lia:

"Sorver a vida interna é, ver a vida externa; viver desa­fiando o tempo, é viver no todo. Quem descobre o elixir, descobre o que há no espaço, pois o espírito que vivifica o corpo, fortalece os sentidos. Há atração no princípio elemental da luz. Nas lâmpadas dos Rosas-Cruzes, o fogo é o puro princípio elemental. Acenda as lâmpadas enquanto abre o vaso que contém o elixir, e a luz atrairá os seres cuja vida é aquela luz. Guarde-se do Medo. O Medo é o inimi­go mortal da ciência".

Aqui as cifras mudaram de caráter e tornaram-se incompreen­síveis para Glyndon. Porém, não havia lido já bastante?

. . .

Glyndon colocou a sua lâmpada ao lado do livro, que ainda estava ali aberto; virou umas fôlhas e outras, porém sem poder de­cifrar o seu significado, até que chegou ao trecho seguinte:
“Quando, pois, o discípulo está desta maneira iniciado e preparado, deve abrir a janela, acender as lâmpadas e umedecer as suas fontes com o elixir. Mas que tenha o cuida­do de não se atrever a tomar muita coisa do volátil e fogoso espírito. Prová-lo, antes que, por meio de repetidas inala­ções, o corpo se haja acostumado gradualmente ao extático liquido, é buscar, não a vida, mas sim a morte.”


Excerto do livro de E. Bulwer Lytton, “Zanoni”

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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

JASMINE E O AMOR

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Em 2003, a policia de Warwckshire, Inglaterra, abriu um galpão de um jardim e encontrou ali um cão choroso e encolhido. Ele havia sido trancado e abandonado no galpão. Estava sujo, desnutrido e claramente maltratado.

Num ato de bondade, a policia levou o cão para um abrigo próximo, oNuneaton Warwickshire Wildlife Sanctuary, dirigido por um homem chamado Geoff Grewcock. Lugar este conhecido como um paraiso para animais abandonados, orfãos ou com outra qualquer necessidade.


Geoff e a equipe do Santuário trabalharam com dois objetivos: restaurar a completa saude do animal, e ganhar sua confiança.Levou varias semanas, mas finalmente os dois objetivos foram alcançados. Deram a ela o nome de Jasmine, e começaram a pensar em encontrar para ela um lar adotivo.

Mas Jasmine tinha outras ideias. Ninguém se lembra como começou, mas ela passou a dar as boas vindas a todos animais que chegavam ao Santuário. Não importava se era um cachorrinho, um filhote de raposa, um coelho ou qualquer outro animal perdido ou ferido. Jasmine se esgueirava para dentro da caixa ou gaiola e os recebia com uma lambida de boas vindas.



Geoff conta um dos primeiros incidentes: "Nós tinhamos dois cachorrinhos que foram abandonados numa linha de trem próxima. Um era um mestiço de Lakeland Terrier e o outro um mestiço de Jack Russel Doberman. Eles eram bem pequenos quando chegaram ao centro e Jasmine aproximou-se e abocanhou um pelo cangote e colocou-o em uma almofada. Aí ela trouxe o outro e aconchegou-se a eles, acarinhando- os"."Mas ela é assim com todos os nossos animais, até com os coelhos. Ela os acalma e desestressa e isto os ajuda, não só a ficarem mais próximos a ela mas também a se adaptarem ao novo ambiente".


"Ela fez o mesmo com filhotes de raposa e de texugos: ela lambe os coelhos e os porcos da Guiné e ainda deixa os pássaros empoleirarem- se em seu nariz".Jasmine, a tímida, maltratada, pária abandonada, tornou-se a mãe substitutados animais do Santuário, um papel para o qual ela nasceu.





A lista de jovens animais dos quais ela cuidou inclui cinco filhotes de raposa, quatro filhotes de texugo, quinze galinhas, oito porcos da Guiné, dois cachorrinhos e quinze coelhos. E um cervo montês. O pequeno Bramble, com 11 semanas de idade, foi encontrado semi-consciente em um campo. Na chegada ao Santuário, Jasmine aconchegou-se a ele para mante-lo aquecido e assumiu inteiramente o papel de mãe substituta. Jasmine enche Bramble de afeição e não deixa que nada lhe falte.


" Eles são inseparáveis", diz Geoff. " Bramble anda entre suas pernas e eles ficam se beijando... Eles passeiam juntos pelo Santuário. É um prazer ve-los" . Jasmine continuará cuidando de Bramble até que ele possa voltar a viver na floresta. Quando isto acontecer, Jasmine não estará sozinha. Ela estará muito ocupada distribuindo amor e carinho ao próximo orfão ou `a próxima vitima de abusos e maltratos.

UM VERDADEIRO EXEMPLO DE AMOR INCONDICIONAL!
VOCÊ CONHECE MUITOS SERES CAPAZES DISSO???
... JASMINE ESTÁ AÍ PARA ENSINAR...

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DEUS É TUDO

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UMA EXPERIÊNCIA
Frances T. Seale


Deus é tudo o que existe. Deus está sempre presente. Deus preenche todo o espaço. Nada há, senão Deus. Quantos de nós vêm repetidamente dizendo estas palavras em momentos de aparente necessidade para, em seguida, perceber as nuvens se dissiparem e a luz amanhecer novamente em nossa experiência! Entretanto, quantos não existem e que ainda precisam captar o sentido básico oculto em sentenças tão estupendas! São estas afirmações, aparentemente simples, que, compreendidas e praticadas, fazem com que as invenções chamadas pecado, tristeza e morte desapareçam, e que a Glória de Deus seja vista, compreendida e sentida "assim na terra como nos céus".

Recentemente, ocorreu-me uma bela experiência, reveladora de muitas coisas. Certa noite, notei que um de meus canarinhos estava indisposto. Pneumonia seria o nome a ser dado ao problema. Na manhã seguinte, ao me aproximar da gaiola cumprimentando os passarinhos, este pequenino lutava enormemente consigo mesmo e parecia estar à morte. Abri a gaiola e o tomei em minha mão. Ele caiu para o lado e fechou os olhos. Suavemente, coloquei-o no piso da gaiola e me afastei. Os seguintes pensamentos me vieram: quão frágeis e delicados são os canários; quão inúteis nos sentimos diante de um passarinho agonizando! De repente, bem rápido, veio-me a voz da Verdade, com sua força e poder: "É possível Deus ser tudo, e este canário estar existindo ao lado desse tudo?"

Bem, isso me parecia original e novo, como se nunca anteriormente houvesse considerado estas verdades. Mas, claro, Deus é tudo, e não poderia haver nada além de Deus. Deus é tudo -- não há nada mais, e isto pôs fim à questão ali mesmo. Imediatamente o canário foi esquecido. A responsabilidade de curar, destruir a morte e demonstrar a vida, desapareceu. Nada mais havia, além da gloriosa consciência: DEUS É TUDO O QUE EXISTE. A voz continuou: "Se Deus é tudo o que há, então Deus está exatamente aqui, e Deus não pode morrer". Isto foi visto, sentido e compreendido, e eis que o canário voou para o alto de seu puleiro passando a gorgear em poucos minutos. Pouco depois, cantava a plena voz.


Mais em:

http://busca-espiritual.blogspot.com/2009/02/deus-e-tudo.html


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publicado por conspiratio às 17:25
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

JUNG, FREUD E A PARAPSICOLOGIA

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Jung e a Parapsicologia
Por Paulo Urban

Publicado na Revista Planeta nº 332 / maio 2000



"A relação médico-paciente, principalmente quando intervém uma transferência deste último ou uma identificação mais ou menos inconsciente entre médico e doente, pode conduzir ocasionalmente a fenômenos de natureza parapsicológica", afirmou o renomado psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) em sua autobiografia intitulada Memórias, Sonhos e Reflexões.

A vida de Jung, podemos constatar, esteve toda ela marcada por experiências pessoais a envolver fenômenos de clarividência, sonhos premonitórios e psicocinesia (ação do psiquismo sobre o meio e a matéria), que obrigatoriamente se constituem em peças fundamentais a servir na composição de toda sua psicologia. Jung considerava tão importante a parapsicologia como ciência emergente e revolucionária de seu tempo, capaz de investigar os inúmeros fenômenos que desafiavam (e ainda desafiam) a psicologia acadêmica, que chegou a propor o nome do norte-americano Dr. Joseph Banks Rhine para o Prêmio Nobel, visto que seus trabalhos experimentais desenvolvidos nos anos 50 no laboratório da Universidade de Duke, em Durham, na Carolina do Norte, E.U.A., provavam estar o ser humano dotado de capacidades "extra-sensoriais" que exigiam maior atenção da comunidade científica.

Jung cita, por exemplo, o caso de um paciente seu cuja depressão severa ele tratara. Havendo o rapaz se casado logo após o tratamento, Jung orientou sua esposa quanto às prováveis recidivas da doença, pedindo a ela que o avisasse prontamente caso observasse alguma piora no estado psíquico do marido. Mas, conforme nos relata o médico suíço, a tal mulher não o via com bons olhos, tomando-o mesmo por "uma pedra em seu sapato", talvez enciumada, explica Jung, pela influência que ela percebia existir por parte dele sobre seu esposo. Pois bem, precisamente dali a um ano, aquele casamento se transformara em carga insuportável sobre o rapaz, e sua mulher era fonte de constantes tensões. Deprimiu-se tanto o paciente que nem forças encontrava para deixar o leito, ao passo que a esposa, pouco se importando com o humor depressivo do marido, não se preocupou em avisar seu médico.

Por essa época Jung estava viajando, ministrando conferências em outras cidades. Ao regressar de um destes eventos ao seu hotel, por volta da meia-noite, embora se sentindo exausto, não conseguia pegar no sono. Só adormeceu às duas da madrugada para, sobressaltado, acordar dali a pouco, repentinamente. Havia tido a nítida impressão de que alguém entrara em seu quarto, e que a porta fora aberta precipitadamente. Acendeu a luz, mas nada percebeu. Imaginou que algum outro hóspede houvesse se enganado de porta e que, constatando o erro, dali tivesse saído rapidamente. Jung levantou-se, observou o corredor, mas nada havia além do silêncio. "Estranho, pensou, podia ter a certeza de alguém ter entrado em meu quarto". Procurando avivar suas lembranças, percebeu que acordara em verdade com nítida sensação de uma dor surda, assim ele a descreve, como se alguma coisa houvesse ricocheteado em sua testa para depois bater na parte posterior de seu crânio. Sem solução para o mistério, voltou à cama e adormeceu. No dia seguinte, para seu espanto, logo cedo recebeu um telegrama que lhe comunicava a morte daquele seu paciente deprimido: ele dera um tiro em sua própria cabeça. Soube mais tarde que a hora do suicídio conferia com a de seu estranho sonho, e que o projétil entrara pela fronte para alojar-se em região occipital.

Jung explica: "Tratava-se, neste caso, de um verdadeiro fenômeno de sincronicidade, tal qual se pode observar freqüentemente numa situação arquetípica - no caso, a morte. Dada a relatividade do tempo e do espaço no inconsciente, é possível que eu tenha percebido o que se passara, em realidade, num outro lugar. No caso em questão, meu inconsciente conhecia o estado de meu doente. Durante a noite inteira eu experimentara um nervosismo e uma inquietação espantosas, muito diferente de meu humor usual".

Mas esta não fora a primeira nem seria a última experiência parapsicológica a permear a sua vida. Desde criança, Jung, que nascera em Kesswil, interior da Suíça, ouvira contar casos de fantasmas e histórias extraordinárias, folclóricas da região campesina do Cantão. Em sua própria genealogia encontrava raízes fortes da crença nos espíritos. Seu avô materno, por exemplo, o pastor presbiteriano Samuel Preiswerk, que Jung não chegou a conhecer, era casado em segundas núpcias com Augusta Preiswerk e mantinha regularmente, para infelicidade desta, conversas com sua falecida esposa. Reservava em seu gabinete de trabalho um sofá onde diariamente, em hora sempre a mesma, recebia o espírito da finada Madalena, com quem dialogava secretamente. Outra de suas manias era a de pedir à sua filha Emilie, mãe de Jung, que se sentasse atrás dele enquanto escrevia sua gramática de hebraico ou seus sermões, isto porque agindo assim, segundo ele, os espíritos não o perturbariam pelas costas. A respeito de sua segunda esposa, avó de Jung, conta-se que aos dezoito anos caíra enferma gravemente, tendo contraído a escarlatina de seu irmão, e que permanecera em estado cataléptico por 36 horas. Já diante do caixão em que seria enterrada, sua mãe, não acreditando que Augusta Preiswerk estivesse morta, aplicou-lhe um ferro de passar roupas em brasa sobre a nuca, chamando-a assim de volta à vida. Apelidada de "Gustele", a avó de Jung era respeitada como clarividente dotada de estranhos poderes, capaz que era de profetizar em estado sonambúlico.

O próprio Jung recorda-se de suas primeiras experiências inquietantes quando contava apenas três anos de idade. Dormia por essa época no quarto de seu pai, já que o casal vivia em regime de separação de corpos. Todas as noites, percebia que a natureza de sua mãe se modificava, e ela se tornava, diz ele, temível e perigosa. Certa noite, pôde observar que do quarto dela saía uma figura luminosa, cuja cabeça se despregou do pescoço e planou no ar, como pequena lua. A amedrontadora visão repetiu-se por umas seis ou sete noites. Fértil imaginação de uma criança aflita pelo ambiente tenso de relacionamento conjugal de seus pais? Possivelmente sim, mas o fato é que tantas outras experiências inusitadamente fortes se seguiram em sua vida, que só restou mesmo a Jung procurar estudar esses fenômenos e interpretá-los à luz de sua revolucionária psicologia.

Sua dissertação de mestrado, importante que se diga, intitulava-se Sobre os Fenômenos Assim Chamados Ocultos. Foi apresentada em 1902, e analisava detalhadamente a suposta mediunidade da senhorita S.W. (pseudônimo de Helena Preiswerk, em verdade uma prima sua em primeiro grau) durante sessões espíritas, bastante em moda na virada para o século XX, realizadas no âmago de sua família e em presença de outros convidados. O estudo fora feito entre 1899 e 1900; a médium era pessoa introvertida, franzina, de natureza frágil e não muito inteligente; apresentara problemas de aprendizado na escola e contava quinze anos quando se iniciaram as sessões. Morreria mais tarde, aos 26 anos, de tuberculose e "infantilizada", assumindo comportamento de uma criança de pouco mais de 10 anos. Os fenômenos desenvolvidos por Helena iam desde automatismos, como a psicografia e a movimentação rápida de um copo sobre as chamadas "mesas giratórias", até estados de incorporação em semi-sonambulismo, incluindo mudanças grotescas da voz, da maneira de falar, e alterações surpreendentes do caráter. Também ocorriam as chamadas comunicações com os "desencarnados", mediante golpes que provinham das paredes e da própria mesa de trabalhos.

Jung, interessado na fenomenologia, passou a organizar sessões aos sábados em sua própria casa; decepcionou-se entretanto ao flagrar por diversas vezes sua prima fraudando os fenômenos. Acabou concluindo sua análise como um caso complexo de "dissociação histérica", facilitado e prestigiado pelo meio cultural-religioso em que ocorria. Seu trabalho, interessantíssimo, e escrito com agudo senso de investigação, compõe o 1o volume de suas Obras Completas, editado em português pela editora Vozes, sob o título Estudos Psiquiátricos.

Não apenas Helena, porém, chamaria a atenção de Jung para os eventos parapsicológicos; ele próprio vivenciou algumas situações que nos dão muito o que pensar.

Num curto espaço de exatas duas semanas do ano de 1898, durante as férias de verão da Faculdade de Medicina da Basiléia, dois curiosos acontecimentos no estilo Poltergeist vieram servir de alimento para suas indagações futuras. Estando a sós com sua mãe em sua casa, em Zurique, Jung estudava em seu escritório enquanto ela fazia tricô na sala contígua. De repente, o silêncio foi quebrado por forte estampido, semelhante a um tiro de revólver! Sobressaltados, ambos procuravam saber o que havia acontecido; olhavam às suas voltas quando deram com a mesa de madeira inteiriça da sala principal que havia se partido, rachando-se ao meio misteriosamente. Era nogueira sólida que secara há setenta anos e, segundo Jung, naquelas condições climáticas de umidade relativamente elevada tal rachadura nem poderia ter ocorrido.

Quatorze dias mais tarde, Jung viveria outro episódio de psicocinesia, tão estranho quanto o primeiro. Havendo entrado em sua casa por volta das dezoito horas, encontrara sua mãe e sua irmã, esta com 14 anos, extremamente agitadas e nervosas. Há uma hora haviam escutado outro barulho ensurdecedor, vindo da direção de um pesado móvel do século XIX, onde se dispunham os pratos e talheres. Numa de suas gavetas, onde se guardava a cesta de pão, além das migalhas, Jung encontrou a faca que há pouco fora usada no café da tarde com sua lâmina rompida em três pedaços. No dia seguinte, Jung levou o material quebrado a um dos melhores cuteleiros da cidade. Este lhe teria garantido, "É faca de boa qualidade, não há defeito no aço, quem a partiu deve tê-la forçado contra a fenda de uma gaveta ou martelado com ela sobre pedras. Alguém está querendo lhe pregar uma peça!". A faca, inexplicavelmente partida, foi cuidadosamente guardada por Jung durante toda a sua vida. Por que se estilhaçara? E como explicar a rachadura da mesa de nogueira maciça? "A hipótese do acaso para explicar o ocorrido, diz Jung, tinha a mesma probabilidade que a do Reno correr em direção a sua nascente". Ele já suspeitava por essa época que forças inconscientes consteladas, isto é, reunidas em potenciação, a ocorrer em momentos específicos de nossas vidas, em situações que Jung mais tarde batizaria como "arquetípicas", poderiam ter energia suficiente para desencadear fenômenos físicos perceptíveis à nossa volta, ainda que de forma repentina e quase nunca sob o controle de nossa vontade.

Digo quase nunca pois, ao que parece, Jung acabaria desencadeando mais ou menos conscientemente um dos mais curiosos fenômenos psicocinéticos de sua vida. Deu-se em presença daquele que para ele foi, desde quando se conheceram pessoalmente em 1906, em Viena, primeiramente um mestre, depois quase um pai, para mais tarde, em 1913, desentenderem-se e terem rompida a amizade. Estamos falando de Freud, o pai da Psicanálise, que quis ver em Jung um de seus melhores discípulos, nele projetando toda a esperança de fazê-lo herdeiro de seu saber psicanalítico. Mas a vontade do mestre não se concretizou. Tendo divergido de Freud, principalmente no tocante à questão da libido e quanto às bases de interpretação do material onírico, Jung acabou por estruturar seu próprio sistema de compreensão do psiquismo humano ao qual denominaria de "Psicologia Analítica". Além disso, pensava: "Retribui-se muito mal aos mestres se nos tornamos para sempre seus discípulos!"

Jung visitou Freud em 1909 justamente com o intuito de questioná-lo a respeito dos fenômenos "psi". Perguntando a Freud o que ele pensava acerca da precognição e da nova ciência, a parapsicologia, ouviu do mestre que não deveria estar se preocupando com tolices desse gênero. (*) E enquanto Freud discursava, Jung ia sofrendo uma estranha sensação; sentia seu diafragma como ferro ardente, parecia haver dentro dele energia capaz de abaular seu abdômen. Foi quando algumas pancadas misteriosas passaram a ser ouvidas pelo consultório, culminando num estalido forte como se a estante de Freud (curiosamente, símbolo de seu saber) fosse desabar sobre os dois. Jung gritou: "É o que eu chamo de fenômeno catalítico de exterioração!" Ao que Freud respondeu: "Ora, isto é puro disparate!". Jung, atestando sua razão, profetizou: "Pois estou tão certo do que falo que afirmo que igual fenômeno se reproduzirá neste exato instante!" E, pou!, outro estalido bem sonoro explodiu ali mesmo na estante. Freud olhou-o emudecido e horrorizado. Tinha acontecido!

Em carta datada de 16 de abril daquele ano, Freud diz a Jung, falando sobre o assunto, que poderia dar inúmeras "explicações naturais" para os "espíritos golpeantes". Não podemos deixar de observar que na fala do "mestre" estava a suposição de que no discurso dos que se interessavam por "tolices desse gênero" estivesse a crença de que seriam "espíritos sobrenaturais" os agentes causadores destes estampidos. Mas Freud estava bem distante das interpretações que Jung proporia para os fenômenos psi, para ele explicáveis de forma natural e sempre relacionados com nosso psiquismo mais profundo, individual ou coletivo, mas humano.

Poderíamos narrar muitos outros episódios parapsicológicos na vida de C. G. Jung, boa parte deles encontra-se descrita na citada autobiografia. Mas fugiríamos das dimensões deste texto, cuja pretensão é apenas a de revelar o quanto de mistério ainda existe em nosso mundo psicológico mais profundo, passível de interação não mecânica com o meio físico à nossa volta, psiquismo esse também capaz de transpor as barreiras impostas quer pelas malhas do tempo, quer pela rede do espaço.
No apêndice de sua obra póstuma, O Homem e seus Símbolos, traduzida pela editora Nova Fronteira, voltada ao público leigo, esboça-se uma relação entre a Psicologia Analítica e as descobertas relativísticas da física quântica. Jung julgava imprescindível uma complementaridade à sua psicologia para que a humanidade encontrasse modelos mais satisfatórios para a explicação dos fenômenos psi. Sonhava Jung que os físicos, a começar por seu analisando e amigo Wolfgang Pauli, um dia pudessem emprestar à sua obra um auxílio enorme, para que uma teoria interdisciplinar mais consistente se firmasse sobre novos e revolucionários paradigmas, transcendendo a maneira encontrada pela física clássica para explicar o universo e seus fenômenos. Mais uma vez o médico da Basiléia profetizara, pois é isto justamente o que vem ocorrendo no discurso científico contemporâneo.


***

(*) Na verdade, dali a alguns anos Freud abriria publicamente sua mente, ainda que com reservas, para se inteirar dos eventos parapsicológicos, chegando a escrever interessantes e reveladores artigos sobre sua pia crença no fenômeno telepático. São os trabalhos "Psicanálise e telepatia"(1921), "Sonho e telepatia"(1922), "O significado oculto dos sonhos"(1925) e "Sonho e ocultismo"(1933), textos estes, lamentavelmente, pouco lidos pela maioria dos psicanalistas.



Paulo Urban é médico psiquiatra, psicoterapeuta do encantamento e acupunturista.

http://www.amigodaalma.com.br/conteudo/artigos/jung.htm
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"Eu queria conhecer as opiniões de Freud acerca da preconigção e de parapsicologia em geral. Quando fui vê-lo em 1909, em Viena, perguntei-lhe o que pensava sobre isso. Fiel a seu preconceito ma­terialista, repeliu todo esse complexo de questões, considerando-as mera tolice. Ele apelava para um positivismo de tal modo artificial que precisei conter uma resposta cáustica. Alguns anos decorreram antes que Freud reconhecesse a seriedade da parapsicologia e o ca­ráter de dado real dos fenômenos "ocultos".

"Enquanto Freud expunha seus argumentos eu tinha uma es­tranha sensação: meu diafragma parecia de ferro ardente, como se formasse uma abóbada ardente: Ao mesmo tempo um estalido res­soou na estante que estava a nosso lado, de tal forma que ambos nos assustamos. Pensamos que a estante ia desabar sobre nós. Foi exa­tamente essa a impressão que nos causou o estalido.

"Eu disse a Freud: "Eis o que se chama um fenômeno catalítico de exteriorização". "Ah, disse ele, isso é um puro disparate!"

"—De forma alguma, repliquei, o senhor se engana, professor. E para provar-lhe que tenho razão, afirmo previamente que o mesmo estalido se reproduzirá." E, de fato, apenas pronunciara estas pa­lavras, ouviu-se o mesmo ruído na estante.

"Ainda hoje ignoro de onde me veio esta certeza. Eu sabia, porém, perfeitamente, que o ruído se repetiria. Então, como resposta, Freud me olhou, horrorizado. Não sei o que pensou, nem o que viu. É certo, no entanto, que este acontecimento despertou sua desconfiança em relação a mim; tive o sentimento de que lhe fizera uma afronta. Nunca mais falamos sobre isso. '"



Extraído do livro “Memória, Sonhos e Reflexões”, de Carl Gustav Jung, Editora Nova Fronteira
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Sábado, 22 de Agosto de 2009

DASKALOS E A EXOMATOSE (PROJEÇÃO ASTRAL OU EFC)

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— Daskale — comecei —, outro dia tive uma conversa com Zoé sobre a natureza do misticismo e a relação entre corpo e mente. Ela diz que aceita a possibilidade da existência de fenômenos paranormais, mas não a idéia de que corpo e alma sejam duas realidades distintas. Talvez, esta noite, possamos começar nossa conversa por esse assunto.

Daskalos parecia muito bem disposto e dava a impressão de ter gostado de Zoé. Em outra ocasião, ele me disse que preferia discutir questões espirituais com ateus bem intencionados do que com pessoas fanaticamente religiosas. Com um ateu dotado de espírito crítico, explicou, pode-se ter uma conversa racional. O mesmo não ocorre com os supersticiosamente religiosos.

— Você sabe o que é matéria? — começou Daskalos, num tom dogmático, olhando intensamente nos olhos de Zoé. Sem esperar por uma resposta, continuou: — Você acha que os químicos, com suas fór­mulas elaboradas, sabem o que é matéria?
Para nós não existe matéria. Só existe a Mente. — Zoé fez diversas perguntas, tentando entender a linguagem de Daskalos e desafiando o seu descaso pela matéria.

— O que há de errado com a matéria? — protestou ela.

— Ter a matéria como mestre é ruim. Ter a matéria como servo é uma bênção — respondeu Daskalos e, por algum tempo, explicou o que ele entendia por matéria.


— Qual é a finalidade da matéria? — perguntou Zoé, que vencera sua reserva inicial em relação a Daskalos.

— Sua finalidade é fazer com que nós, como entidades eternas, possamos adquirir experiência. Trata-se de uma manifestação do Absoluto que nos possibilita o desenvolvimento da autoconsciência.


Daskalos, então, fez um resumo da sua filosofia sobre a natureza do Ser, a natureza do pensamento, os elementais, a diferença entre personalidade permanente e personalidade atual e assim por diante. Ele ex­plicou que a matéria não é o que parece ser. Pensamos que algo é sólido apenas porque vibramos na mesma freqüência que este objeto.

. . .

— Que prova tem — perguntou ela — de que o senhor possui uma alma e de que o mundo que descreveu para nós é real e não uma ilusão ou alucinação?

Aparentemente, a pergunta de Zoé era do tipo que Daskalos espe­rava e propiciou uma resposta prolongada. Eu tinha certeza de que não era a primeira vez que Daskalos se confrontava com tal pergunta.

— Talvez — disse Daskalos, após se recostar na cadeira com um sorriso nos lábios — o melhor modo de responder a esta pergunta seja contar algumas experiências pessoais.

— Certa vez, eu estava viajando de navio para a Grécia. Chovia muito e fui para a cabine me deitar. Saí do meu corpo. Expandi-me por todo o navio. Vi tudo o que se passava naquela embarcação. Vi o que acontecia na cabine do capitão, na cozinha, na sala de jantar, no con­vés. Então, pairei mais alto e me expandi por sobre uma área mais ex­tensa. Vi gaivotas seguindo o navio. Penetrei no oceano e lá observei vida. Experimentei o gosto do mar. Eu e o navio éramos um, Me expandi para mais longe e para mais alto e vi uma ilha à frente. Podia ver os mí­nimos detalhes da ilha, a água dos riachos, os coelhos correndo morro acima, as árvores. 0 navio, lá de cima, parecia uma caixa de fósforos. Imagine se ele afundasse e todos morressem afogados, o que teria acon­tecido comigo? Nada. Eu não sentiria coisa alguma. Foi isto, na realidade, o que Cristo quis dizer quando falou que aqueles que o seguissem não experimentariam o gosto da morte. Cristo costumava levar seus alu­nos aos bosques de oliveiras e lá* dava a eles exercícios e experiências em exomatose.
— Quando voltei ao meu corpo — continuou Daskalos —, saí da cabine e andei pelo convés. A chuva já tinha passado e o sol havia surgido. O capitão, um ateniense, estava lá, em pé, olhando para o ho­rizonte. Perguntei a ele se havia uma pequena ilha à nossa frente. "Sim, Daskale", respondeu, "a uns poucos quilômetros à frente. O senhor a viu?" Perguntei a ele, surpreso, como sabia o meu nome. Ele disse que seu irmão era meu aluno e que, por coincidência, ele trazia em sua cabine dois volumes mimeografados sobre minhas palestras. Mais tarde, passa­mos pela ilha que eu tinha visto em exomatose. Era igualzinha como eu a havia visto. — Daskalos parou de falar e dirigiu-se exclusivamente a Zoé.

— Agora, diga-me, é alucinação ou experiência verdadeira que confirma a realidade do meu mundo?


— Neste caso — comentou Stelios do canto onde estava —, o se­nhor pôde confirmar sua experiência porque o que viu estava no plano material. Como o senhor poderá confirmar experiências que não são des­te mundo, quando as pessoas com um entendimento comum não têm acesso a elas?

— Também é possível verificar o que você experimenta no nível psiconoético.


— É possível que duas pessoas tenham na dimensão psíquica ex­periências idênticas que possam ser confirmadas por ambas? É possível que elas vejam a mesma coisa? — perguntou Stelios, de novo.

— Elas podem ver a, mesma coisa de modos diferentes. Imagine que eu leve dez pessoas para olhar uma paisagem e depois as traga de volta e peça a elas que descrevam o que viram. Você acha que irão des­crever a paisagem do mesmo modo? Ou será que elas vão observar e notar o que mais lhes chamar a atenção? Elas verão a paisagem. Mas não a descreverão do mesmo modo, a menos que tenham interesses idên­ticos. Quando dois Pesquisadores da Verdade, com as mesmas preocupa­ções, se acham dentro de um subplano psíquico, eles vêem e observam, com muitos detalhes, a mesma paisagem. Neste caso, confirmamos a autenticidade das nossas experiências psíquicas que não podem ser com­provadas através dos cincos sentidos. — Nesse momento, Daskalos vi­rou-se para Zoé e começou a contar outra de suas experiências psíquicas.



. . .


— Há algum tempo — continuou ele —, um idiota me pediu emprestado o meu binóculo e o perdeu durante uma viagem às montanhas Tróodos. Depois de pendurá-lo num pinheiro, esqueceu-se em que árvore o tinha deixado e nem se deu ao trabalho de procurá-lo, entrou no carro, desceu até Nicósia e, com a maior das audácias, me comuni­cou: "Sabe, Daskale, aquele seu binóculo sumiu, desapareceu." Cha­teado com tamanha displicência perguntei: "O 'que você quer dizer com desapareceu?" O sujeito me explicou então que não conseguia absolu­tamente lembrar-se de onde o colocara. "Como não se lembra?", respondi exasperado. "Aquele binóculo é excelente e caro, desses que não.se acham mais hoje em dia." "Mas o que posso fazer, Daskale? Eu simplesmente o perdi." "Você tem de voltar e achá-lo", retruquei. "E como posso fazer isso?", perguntou-me, desconsolado. "Espere um pouco", eu disse. "Dei­xe-me descobrir onde ele está e então, você vai buscá-lo. Para onde você foi?", perguntei. "Fui a muitos lugares, Troodidissa, Platres, andei por toda a montanha. Fomos. . ." Interrompi sua exposição. "Posso desco­brir onde meu binóculo está porque minha aura está entranhada nele." Fechei os olhos. "Você passou por uma estrada assim e assado?", per­guntei. "Sim", foi a resposta. "Você subiu tal morro?" A resposta, afir­mativa, surgiu com relutãncia "...e eu não tinha nem papel... fui lá fazer esse trabalho e. . ." Daskalos riu às gargalhadas e continuou sua história.

— "Fui" — Daskalos continuou — "atrás do morro para que eles não me vissem enquanto eu fazia uma necessidade." A essa altura ele me interrompeu: "Não me diga mais nada. Não me diga que eu me limpei com pedras." Tranqüilizei-o: "Não me importa como você limpou o traseiro. O que me interessa é o meu binóculo, que você esqueceu pendurado naquele pinheiro. Você vai ter que ir imediatamente para lá e trazê-lo de volta." Ele prometeu: "O senhor tem absoluta certeza? Está bem, então eu vou." Entrou no carro, viajou cento e sessenta quilômetros para ir e voltar até as montanhas, subiu o morro, achou meu binóculo pendurado naquela árvore, e o trouxe de volta no mesmo dia. "Puxa vida", comentou ao chegar, "eu me esqueci que o tinha colocado lá."

Daskalos interrompeu a sua narrativa e disse, em voz baixa, que esses fenômenos não eram mais permitidos. Antes, admitiu ele, tais in­cidentes lhe escapavam e, com freqüência, causavam muitos problemas, especialmente com a Igreja.

— Como posso não me convencer? — continuou ele. — Esta é a minha vida, a realidade do meu dia-a-dia. Como pode alguém que não compartilhe experiências semelhantes me convencer de que o meu mun­do e a minha realidade são ilusórios? Qualquer um tem o potencial para tais experiências.

— Em ciência, Daskale — disse eu após alguns instantes —, um cientista pode verificar os resultados e as observações de outro cientista.. .
Daskalos compreendeu o que eu ia dizer e começou a responder à minha pergunta antes que eu completasse a sentença.

— Você também pode verificar essas experiências. Se não fosse assim, você não acreditaria. Estou falando de planos e subplanos psí­quicos. Não sou o único a falar sobre tais domínios. Outros vêem e ex­perimentam as mesmas coisas que eu. O trabalho que eu faço, outros também fazem. Pode ser que eles não se lembrem de tudo, mas lem­bram-se de muito. Você entende?

. . .


— Bem — disse ele —, isso isso é uma prova para mim? Não é uma confirmação da realidade da minha experiência? Você pode perguntar: Todos os que são capazes de exomatose consciente se lembram de suas experiências? Eu diria que uns lembram mais, outros menos. Para lembrar suas experiências completamente, você precisa de muita prática. Então, chegará a um estágio onde estará em pleno controle.

— Como alguém começa a desenvolver essas capacidades? — perguntou Stelios.


— Através de alguns exercícios de meditação.

— Por que eles são necessários? — insistiu Stelios.


— Diga-me uma coisa — respondeu Daskalos com uma pitada de ironia na voz: — É possível tocar violino sem praticar? Exatamente o mesmo se dá com o desenvolvimento dos poderes psiconoéticos de uma pessoa.

— Mas não se nasce com tais capacidades?


— Sim. Mas você precisa ter desenvolvido esses poderes de algu­ma forma, em algum tempo no passado. Se nasceu com tais capacidades, isso quer dizer que você as trouxe de vidas anteriores.

— Como se deve começar a praticar? — perguntou Zoé.


— Com concentração — disse Daskalos, vagarosa e enfaticamente. — Deixe-me fazer-lhe uma pergunta. Em quantas coisas você se concen­tra em sua vida diária usando toda a sua percepção? Em muito poucas. Quando você treina se concentrar, percebe muito mais coisas em sua vida. No início, você dedica um quarto de hora todos os dias. Nes­se intervalo de tempo, pode dar um passeio e reparar em tudo à sua vol­ta. Nada deve escapar à sua atenção. Nada. Pode ser que se sinta can­sado no início, porque não está acostumado a prestar atenção em tudo que o cerca, na formiga andando, nas flores, nos sons, nas vozes. Você percebe tudo, sente tudo. Ao começar este exercício, você nota que, durante aquele quarto de hora, vive muito mais plenamente, muito mais intensamente do que em qualquer outro momento da sua vida. Vai descobrir que o que se considera, em geral, estar acordado é, na realidade, uma forma de semi-hipnose. Vai descobrir que a sua percepção do mun­do aumentará dez vezes durante aquele quarto de hora. Você não cos­tuma reter na memória mais do que uma pequena fração das impressões do dia, recebidas no mundo da matéria densa. Por isso, quanto espera trazer e se lembrar de experiências que teve no mundo psíquico? Em conseqüência, a pessoa precisa começar a se exercitar no mundo de maté­ria densa e, então, continuar a se exercitar no plano psíquico. É uma questão de prática. Entende agora? O homem de hoje não sabe como viver, como se concentrar, como se expressar nos domínios da Criação. Você diria que uma pessoa que sabe como se concentrar é superior às outras? Não. Eu não o considero nem um pouco mais hábil do que uma pessoa que toca Paganini ao violino, ou Beethoven ao piano. É uma ques­tão de treino e prática. O "eu sou eu" da pessoa que vive na ignorância não difere daquele do místico. Você entende o que eu quero dizer? Não é uma questão de descobrir o "eu", mas de expressá-lo. Este é o propó­sito dos Pesquisadores da Verdade: descobrir quem você é e se expressar como deveria. Eu lhe digo, você não ficará nem maior, nem menor. O campo de visão, no que diz respeito a receber impressões, pode aumen­tar, mas você é como sempre foi.

Do livro "O Mago de Strovolos", de Kyriacos C. Markides

publicado por conspiratio às 19:23
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

MEDITAÇÃO COM LUZ - KYRIACOS C MAKIDES

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"Antes do nosso intervalo", eu disse, "que tal um exercício muito simples de vi­sualisação para repormos nossas energias, seguido por uma meditação de cura? Vai levar uns dez minutos." Todos começaram a se acomodar, tentando relaxar.

"Feche os olhos e sente-se em posição confortável", eu disse lentamente. "Comece a respirar de forma profunda e agradável. Respire profundamente, sem forçar. Concentre-se na respiração. Nada mais atrai sua atenção. Visualize-se dentro de uma luz branca. Ao inspirar, sinta cada partícula do seu corpo. Cada partícula está respi­rando energia. Visualize o seu corpo respirando energia. Sinta-o. Ao inspirar, você inspira luz branca. Ao expirar, você expira toda e qualquer impureza que possa ha­ver na sua aura. Você inspira luz branca. A cada respiração a sua aura torna-se cada vez mais branca. Respire de forma profunda e agradável. Sinta todo o seu corpo res­pirar. Você não está apenas respirando pelas narinas e pulmões. Você está respiran­do através de todas as partículas e células do seu corpo.

"Luz branca entra em todas as partículas do seu corpo material", eu continuei em voz baixa. "Deseje saúde para a sua personalidade presente. Deseje saúde total pa­ra seu corpo de matéria densa, para os seus sentimentos e pensamentos. Você está fi­cando cada vez mais branco. Cada vez que você expira você se livra de todas as impu­rezas que possam macular a sua brancura. Você sente essa energia penetrando o seu ser, revitalizando-o. É a energia etérica que dá a vida. Respire profunda e agradavelmente.

"À medida que você se vê", continuei, "ficando cada vez mais branco, repare que esta sala está cheia de luz. Estamos todos dentro desta esfera luminosa. A luz branca permeia esta sala, e nos encontramos cercados por ela. Todos somos brancos, e este branco funde-se com a brancura de todas as outras pessoas.

"Estenda suas mãos para a frente", eu disse, após uma pausa de um minuto. "Coloque as mãos sobre os joelhos, com a palma virada para cima. Visualize agora duas bolas de luz, uma sobre a sua mão esquerda e a outra sobre a sua mão direita. Ambas possuem um diâmetro de aproximadamente quinze centímetros. Duas bolas de luz branca. Sinta o calor dessas duas bolas de luz. Você pode sentir a vibração em suas mãos. À medida que você inspira a energia, ela vai sendo transmitida para essas duas bolas de luz. Sinta o peso delas. Você pode senti-lo em suas mãos. Elas adqui­riram forma concreta. Dê-lhes mais energia.

"Agora visualize a bola da sua mão direita gradualmente movendo-se para fo­ra da mão, bem devagar, e veja-a movendo-se em direção a alguém que você ama e que você deseja que se cure de alguma enfermidade. Veja essa bola de luz movendo-se em direção a essa pessoa. Essa bola finalmente pára sobre a cabeça dessa pessoa. Agora veja esta bola de luz movendo-se gradualmente para baixo e enchendo todo o corpo dessa pessoa. Deseje perfeita saúde a essa pessoa. Visualize essa pessoa irradian­do luz branca, boa energia, cheia de saúde.

"Concentre-se agora na bola de luz que você tem na mão esquerda", continuei após um minuto. "Sinta-a em sua mão. Enquanto sua mão esquerda segura essa bo­la de luz, mova-a em direção ao seu coração e visualize essa luz entrando em você, espalhando-se por todo o seu corpo. Visualize-se gozando de plena saúde, em seu corpo, em seus pensamentos, em seus sentimentos. Visualize-se tendo apenas pen­samentos sadios, apenas sentimentos de amor e veja seu corpo de matéria densa go­zando de plena saúde.

"Respirando mais algumas vezes", eu disse, "voltem da meditação, cada um a seu tempo."

Do livro: “Cavalgando o Leão”, de Kyriacos C. Markides
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publicado por conspiratio às 08:54
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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

SINTOMAS FÍSICOS DO AMOR DIVINO

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O que é o amor divino em termos físicos? Como ele se manifesta?
Esta e uma análise científica de um fenômeno místico

Por Aimé Michel


O amor divino produz efeitos físicos bem evidentes: hipertermia, taquicardia, dilatação do globo ocular, ruptura da pele em determinados pontos. Alguns desses sintomas podem ser explicados pela hipertireoidite, sugestão ou histeria. Mas ninguém é hipertireoidiano apenas por algumas horas e essa doença conduz a uma morte rápida. Ora, os santos e os místicos tiveram vida longa, saúde de ferro e atividade invejável. Por outro lado, se a sugestão pode explicar os casos de estigmatização, como explicar os fenômenos dos corpos luminosos, da levitação e dos jejuns prolongados por anos a fio?

Imagino o que você está pensando: o amor divino, que anacronismo! Entretanto, às portas do terceiro milênio, os místicos são mais numerosos e mais enigmáticos do que nunca. Aqueles que os estudam objetivamente, à luz dos conhecimentos modernos, suspeitam por vezes que eles absorvem ou criam energias secretas. No que são confirmados pela observação científica, como indicaremos a seguir. As crises místicas do padre Pio, o célebre capuchinho de Pietralcena, eram acompanhadas de tal elevação da temperatura que nenhum termômetro resistia: quebravam-se sob o impulso do mercúrio. Não se trata de febre, isto é, de um fenômeno determinado pela presença de um agente tóxico ou infeccioso. O exame clínico não revela nada mais do que esta elevação fantástica da temperatura com aceleração do pulso e da respiração.

São Filipe de Neri, fundador dos oratorianos, viveu oitenta anos sob os olhos da Itália cética e racional do século 16. "Ele sentia um tal calor na região do coração, narra Bacci, seu biógrafo, que ela se estendia às vezes pelo corpo inteiro. Apesar de sua idade, de sua magreza e de seu regime frugal, nos dias mais frios do inverno, era preciso abrir as janelas. Por vezes, o ardor queimava-lhe a garganta. O cardeal Crescenzi narra que, ao segurar em sua mão, ela queimava como se o santo sofresse de uma febre devorante . . ."

Como vimos, os dois centros deste ardor extraordinário eram o coração e a garganta. O padre Bacci informa ainda que "este fogo interno era tão forte que o santo desfalecia algumas vezes e uma síncope obrigava-o a se deitar na cama: permanecia às vezes acamado o dia inteiro, sem outra doença que a do amor divino. Certa vez sua garganta ficou tão queimada que ele passou mal durante vários dias".

No que se refere ao coração, centro tradicional das paixões do amor, podemos supor que o aquecimento tinha uma origem psicossomática. O coração do santo sofria o que o santo pensava que deveria sofrer. Trata-se de uma hipótese, bem entendido. Uma outra hipótese igualmente incerta é que o santo pensava fortemente na paixão do Cristo e em seu coração transpassado pela lança do soldado romano.


Por que o fogo na garganta?

Mais interessante é o caso da garganta. A garganta não é o símbolo de nenhum sentimento especial e não representa nenhum papel no drama da Redenção, tema exclusivo das meditações de Filipe. Mas é na garganta que se localiza a glândula tireóide, reguladora do metabolismo basal. Ora, o que significa a hipertermia, a aceleração do pulso (taquicardia), a respiração acelerada?

Vejamos o que diz o tratado do professor Harald Okkels sobre a glândula tireóide, à página 37:
"Um excesso de tireoxina (o hormônio se¬cretario pela tireóide) acelera todos os processos fisiológicos. Os sintomas principais são: aumento do metabolismo basal, palpitações e hiperexcitabilidade do sistema nervoso".
Em certos casos de hipertireoidite, o aumento do metabolismo pode chegar a 50 ou mesmo 80 por cento. O paciente emagrece rapidamente. Na forma mais grave da hipertireoidite (doença de Basedow), observa-se a saliência dos olhos, que permanecem extremamente brilhantes. Ora, como narra o padre Bacci, "por vezes, ao dizer o ofício, ou depois da missa, ou em algum outro exercício espiritual, faíscas saltavam dos seus olhos e do seu rosto, como se fossem labaredas". Este sintoma dos olhos brilhantes era acompanhado justamente de um excesso de calor na garganta e da hipertermia geral.

A partir de 1544, os sintomas tornaram-se paroxísticos. Em seus êxtases, o santo não se sustentava em pé. Atirava-se ao comprido no chão e, como alguém que procura se refrescar, descobria o peito para moderar a chama que o consumia. Tremia então convulsivamente, com palpitações intensas.

Estes dois últimos sintomas são acentuados igualmente por Okkels no seu estudo sobre a tireóide. Mas é preciso observar que todos estes sintomas são os mesmos da doença de Basedow que, se não for tratada, evolui irrevogável e rapidamente para a morte. Filipe os apresentou a partir de 1554. Estava então com 33 anos e só veio a falecer em 1595, aos oitenta anos, após levar uma vida incrivelmente ativa.

Santa Maria Madalena de Pazzi, mística do século 16, como Filipe de Neri, não podia vestir roupas de lã, nem nos dias mais frios do inverno. Segundo seu biógrafo, o padre Cepari: "Ao sentir uma grande chama no rosto, abanava-se com o leque, depois corria à fonte e bebia grandes goles de água gelada, molhava o rosto e os braços, e respingava água sobre o peito. Era tão grande a chama que ardia no seu peito que parecia consumi-la, mesmo exteriormente". Também neste caso, ardor insuportável na garganta e metabolismo excessivo.

Santa Catarina de Gênova era filha de Tiago Fieschi, vice-rei de Nápoles. Os 63 anos de sua vida foram observados por uma elite intelectual eminentemente crítica. Contemporânea de Maquiavel, viveu no mesmo ambiente social. Conhecemos por isso os episódios de sua vida com toda certeza e precisão e, sobretudo, os de sua morte. Convém lembrar, antes do mais, que também Catarina era sujeita a uma sede insaciável no momento de seus êxtases de amor divino, e tomava quantidades enormes de uma bebida preparada com água salgada e vinagre.

"Certo dia, lemos em sua biografia, ela sentiu-se queimar com uma tal intensidade que não conseguiu ficar na cama ... Era impossível tocar em sua pele por causa da dor aguda que sentia ao menor contato." Este estado atingiu o ponto extremo durante sua última doença em agosto e setembro de 1510. "Sua língua e seus lábios tornaram-se tão ressecados pelo calor extremo que ela não podia movê-los nem falar. Se alguém tocasse em um cabelo de sua cabeça, ou mesmo na beira da cama, ou nos lençóis, ela gritava como se fosse esfaqueada."

Esta hiperestesia, sintoma de um estado nervoso exacerbado, é interessante por dois mo¬tivos. Primeiro porque corresponde ao diagnóstico da hipertireoidite. E, segundo, porque fornece talvez uma explicação do mecanismo psicossomático que, partindo de um estado eminentemente espiritual — o amor divino — terminou pela aceleração fantástica dos processos fisiológicos que explicam a hipertermia. Antes de ver onde nos leva este caminho, citemos outros exemplos particularmente espantosos. Primeiro o da venerável Serafins di Dio, religiosa do Monte Carmelo de Capri, morta em 1699. Sua biografia, escrita pelos padres Sguillante e Pagani segundo os documentos do processo de beatificação, é rica em precisões de uma grande clareza.

As religiosas do convento disseram tê-la vis¬to, quando estava em oração, ou depois da comunhão, com o rosto brilhante como uma chama, os olhos resplandecentes. Se tocavam em Serafina, queimavam-se, mesmo no inverno, e inclusive depois de velha. Declararam tê-1a ouvido dizer muitas vezes que se sentia consumida por um fogo vivo e que seu sangue fervia.

Esta impressão de sangue que ferve é comum entre as pessoas que sofrem de hipertireoidite. Mas convém lembrar ainda uma vez que estas pessoas são sujeitas permanentemente a esta enfermidade. Serafina, como Catarina de Gênova, como Filipe de Neri, e muitos outros, sentia o sangue arder por um reflexo momentâneo da glândula tireóide, e este efeito, em vez de produzir uma perturbação física, parecia permitir ao organismo suportar uma provação misteriosa no limite das possibilidades humanas.

O caso de Serafina é notável pelo fato de ela haver um dia transposto este limite. Ela morreu, de fato, no paroxismo de um ardor ao mesmo tempo espiritual e físico. Como narraram seus biógrafos, "durante as 24 horas que se seguiram à sua morte, seu corpo conservou um tal calor, sobretudo na região do coração, que era possível aquecer a mão mantendo-a naquele ponto. Muitas freiras fizeram esta experiência. Na verdade, o calor foi sentido 33 horas depois da morte, embora num grau menor. Isto ocorreu em março, e o tempo estava frio. O corpo não perdeu completamente seu calor antes de ter sido aberto e retirado o coração".


O coração queima a mão do médico

O outro caso, ainda mais surpreendente, é o da dominicana Maria Villani, de Nápoles. A narrativa de sua vida parece ter sido escrita por um biógrafo do século 20 decidido a demonstrar que a glândula tireóide pode provocar as acelerações metabólicas mais inacreditáveis. Também esta religiosa tinha os olhos inflamados no momento dos êxtases. Também ela sentia a garganta arder. A ponto que chegava a beber vinte litros de água por dia. Ela morreu igualmente num excesso da paixão divina, queimando literalmente seu corpo enfraquecido de 86 anos. Isto antes da descoberta das glândulas endócrinas. Nove horas depois de sua morte, um médico decidiu operar-lhe o peito na altura do coração.

Após uma primeira incisão que provocou a exalação de uma fumaça de vapor, o médico julgou que o calor era forte demais para continuar a operação. Retomou a tarefa, porém, algum tempo depois, enfiou a mão na abertura para retirar o coração e não suportou o calor que lhe queimou a ponta dos dedos. Somente depois de várias tentativas conseguiu retirar o órgão. Dois outros operadores assistiram a esta incrível operação e deixaram por escrito um depoimento que foi conservado.

Um detalhe sobretudo deste documento chama a atenção do biólogo moderno: é a "cor negra e sombria" da pele observada pelos médicos, detalhe extravagante e desprovido de significação em 1670. A cor da pele deveria ser bem singular para chamar a atenção dos presentes. Três séculos mais tarde, este detalhe nos leva ainda a refletir. De fato, no tratado do professor Okkels, citado anteriormente, podemos ler, à página 38, que um dos sintomas da hipertireoidite é uma pigmentação anormal da pele ...

Poderíamos estender a lista dos sinais que apontam uma hiperatividade da tireóide no momento das exaltações do amor divino.


Todos os sintomas da hipertireoidite

Okkels menciona, por exemplo, a intolerân¬cia aos hidratos de carbono. Os documentos sobre este ponto são evidentemente bastante raros entre os místicos antigos, para os quais o açúcar era uma gulodice proibida pelos rigores da ascese. Mas um boletim médico, escrito no século passado pelo dr. Dei Cloche sobre a célebre estigmatizada Domenica Lazzari, esclarece de certa forma este assunto. Lemos ali que, sendo um dia persuadida pelo médico a colocar um torrão de açúcar na boca quando estava em jejum, a mística foi assaltada por uma crise que durou vinte minutos, com convulsões de vômito tão violentas que por pouco não morreu asfixiada. Outros sintomas mencionados antes: palpitações e taquicardias. Okkels menciona casos de hipertireoidite em que o paciente atingia 160 pulsações por minuto.

Mas um dos sinais mais "notáveis só é geral¬mente constatado no momento da autópsia: é a dilatação do coração. Este fato foi observado por Okkels e encontra-se em uma série de depoimentos redigidos na ocasião da morte de muitos místicos, entre os quais Filipe de Neri. Algumas pessoas observaram em Catarina de Gênova, ainda em vida, o deslocamento das costelas, como se fossem levantadas pela hipertrofia do órgão.

Deixemos de lado um sofisma divulgado nos últimos cinqüenta anos por certos racionalistas paradoxais que, temendo usar a razão, preferem negar os fenômenos sem um exame prévio. Para estes representantes do imobilismo científico, Felipe de Neri, Teresa de Ávila, João da Cruz, Maria Madalena de Pazzi e todos os outros místicos não passam de pobres dementes que merecem, quando muito, as duchas de água fria e o eletrochoque. Todos os fenômenos que apresentam, dizem eles, são o resultado da auto-sugestão, e não possuem por isto nenhum interesse, a não ser para os psiquiatras. Há alguma evidência neste raciocínio? E o "demente" que, por auto-sugestão, atinge um tal domínio de sua fisiologia que pode, unicamente pela força de certos movimentos espirituais, produzir descargas incríveis de tireoxina, partir os termômetros, acelerar seu pulso até 160, e talvez levantar-se acima do solo sem nenhum ponto de apoio, será que este "demente" merece realmente o internamento no hospício? Gostaria realmente de saber o meio de fazer todas estas coisas por "sugestão".


Complexo da crucificação

Se houver sugestão, não vejo por que os resultados obtidos seriam menos interessantes. Muito ao contrário, é bem possível que se poderia encontrar, além dos fenômenos aparentemente incompreensíveis, um início de explicação, ou pelo menos uma espécie de método experimental. Mas existem sinais que nos permitem reconhecer na fisiologia do amor divino os efeitos da sugestão? Sem dúvida alguma, e são tão freqüentes quanto os sintomas da hipertireoidite. Foram observados pela primeira vez por Thurston a respeito dos estigmas. Ao constatar a ausência de estigmas na Lenda Dourada durante os primeiros treze séculos do cristianismo, e a primeira manifestação no corpo de São Francisco de Assis, Thurston observou a multiplicação súbita do fenômeno a partir deste momentó. "Cheguei à conclusão, escreveu ele, de que o exemplo de São Francisco criou o que denominei o complexo da crucificação." E cita provas de sua descoberta.

A princípio, os estigmas apresentam-se regularmente, não sob o aspecto uniforme das chagas do Cristo como são descritas nos Evangelhos, mas sob o aspecto que é familiar ao indivíduo estigmatizado: assim, os estigmas de Gemma Galgâni reproduzem os de seu crucifixo. Os de Catarina Emmerich supõem uma cruz em Y, semelhante à cruz onde a mística alemã viu pela primeira vez a imagem do Cristo supliciado, em Cõsfeld.


Uma saúde de ferro

Não sabemos o que se passa na alma — ou na mente — do místico no estado de abras.amento.Vemos apenas o efeito exterior do ato misterioso que assalta todo o seu ser. E o que vemos excede deliberadamente as normas humanas comuns. Dizer que o místico é um anormal não tranqüiliza de forma alguma nosso conforto mental, porque não basta constatar, é preciso explicar. Não há dúvida que é anormal atingir, sem morrer, uma temperatura que o homem comum não pode tocar com a mão sem sentir uma impressão de queimadura.

Mas de que maneira esta temperatura é alcançada impunemente? Esta é a primeira questão, a menos importante. O verdadeiro problema é este: para que serve este esforço prodigioso do organismo? Alguns dirão que não serve para nada e que é apenas uma doença como outra qualquer. Ora, é aqui que devemos examinar com atenção a patologia aparente do amor divino.

Antes do mais, a hipertireoidite. O paralelismo é evidente, como vimos. Mas o episódio do embrasamento é realmente uma manifestação da hipertireoidite? Não! O abrasamento supera em violência a forma paroxística da hipertireoidite, que é a doença de Basedow. Ora, como observou Okkels, "a evolução da doença de Basedow conduz à morte".

Mas em vez de falecer em conseqüência de sua doença suposta, os místicos gozam de uma "saúde de ferro" e morrem geralmente em uma idade avançada, após terem desempenhado uma atividade fantástica. Fora isto, o descontrole glandular da hipertireoidite é sem remissão no sentido médico da palavra. Ninguém é hipertireoidiano durante algumas horas para voltar ao normal em seguida. O indivíduo é ou não é.



Um consumo fantástico de energia


Além disso, a doença de Basedow conduz o paciente a uma fase terminal em que, segundo Okkels, "ele apresenta um aspecto clínico lamentável". O doente sofre de desnutrição profunda e oferece o espetáculo de uma total decadência física e mental. Nada disso ocorre com o místico, que parece alimentar seu gênio na mesma fonte que deveria extingui-lo. Para termos uma prova disto, basta ler a obra de Santa Teresa de Ávila, tão admirável pelo seu vigor quanto pela sua lucidez.

A interpretação que se impõe portanto é a seguinte: a hipertireoidite da crise mística não é absolutamente uma causa, mas um meio. Em um certo momento, e para atingir alguma coisa cuja natureza real ignoramos totalmente, o místico tem necessidade de uma quantidade imensa de energia. E esta energia é obtida pela aceleração anormal dos
processos metabólicos, graças a um estímulo reflexo da tireóide.

Mas de que maneira este reflexo é acionado? A tireóide obedece certamente a mecanismos que são influenciados por nossas emoções, sobretudo por intermédio da glândula hipófise. Mas em um organismo normal não se observa nunca algo comparável às tempestades tireoidianas da vida mística. E então? A resposta nos é dada por um outro gênero de sintomas encontrados normalmente na vida dos místicos: a sugestibilidade. Esta sugestibilidade, confundida muitas vezes com a histeria, também não é uma causa. Seria antes o resultado obtido pela disciplina ascética e que teria por efeito essencial abandonar à ação da vida espiritual a chave do reflexo tireoidiano.



Excitação mental do gênio


Tentemos resumir agora nossa hipótese. Na origem do fenômeno místico encontramos a ascese, o esforço constante e impiedoso do ego, o controle total da vontade sobre as reações conscientes do corpo. Se o corpo aceitar este domínio (e isto explica por que nem todos os santos são místicos), esta condição começará a atuar sobre os automatismos orgânicos inconscientes, ou talvez a criar reflexos condicionados orgânicos em relação com os esforços exigidos. Se esta situação for muito longe, os sinais clínicos da sugestibilidade se tornarão cada vez mais evidentes, criando uma espécie de equívoco com a histeria.

Mas enquanto a histeria é uma perturbação, uma neurose, a sugestibilidade do místico é um método, ainda mesmo quando o indivíduo não tem consciência do seu mecanismo. Entre a sugestibilidade do místico, que submeteu certos mecanismos do seu corpo às exigências da vida espiritual, e a sugestibilidade do histérico, há exatamente a mesma diferença que entre a excitação mental do maníaco e a do gênio. Exteriormente, é provável que a última noite de Evariste Galois, quando anotou no papel os cálculos modernos da matemática, apresente todos os sintomas clínicos da crise de exaltação maníaca. Só que Galois sabia o que estava fazendo, e toda a diferença está nisso.



Fogo e luz


O místico sabe o que faz? Ele declara sua união com Deus, o que, reconheço, não significa nada na ordem dos fenômenos que estamos analisando. Renunciemos, pois, a saber, o que designa realmente esta palavra, Deus, e limitemos nossa pesquisa aos sintomas exteriores que permitem decidir se, de fato, algo diferente de tudo que conhecemos acompanha fisicamente este ato de amor divino em que o corpo do místico se consome. As grandes exaltações de amor de São Filipe de Neri principiaram em 1544 por um fenômeno luminoso que seus companheiros interpretaram como a "vinda do Espírito Santo sobre ele". De fato, algumas pessoas viram-no cercado por uma espécie de auréola luminosa. Foi então que, pela primeira vez, e no excesso do sofrimento que sentia na garganta e no coração, o santo se atirou ao chão, descobrindo o peito.

Um fato exatamente idêntico ocorreu com a venerável Rosa Maria Serio, priora do convento das carmelitas de Fasano, morta em 1725. Sua experiência mística principiou pelo mesmo fenômeno luminoso, uma auréola de fogo que desceu sobre ela. A monja perdeu os sentidos e, quando as outras a despiram, encontraram sua camisa queimada.

Poderíamos, naturalmente, recusar a autenticidade destas narrativas, e não tentarei provar sua veracidade histórica. Nestes casos, como em tudo que diz respeito à humanidade excepcional, há uma forma de ceticismo que é a,marca congênita de um certo tipo de mentalidade. Direi apenas que todos os depoimentos sobre a elevação fantástica da temperatura foram igualmente postos em dúvida pelos mesmos céticos, aos quais cabe explicar agora como estes mitômanos, que viveram há vários séculos atrás, puderam mostrar uma presciência tão grande dos sintomas da hipertireoidite.



O filme do doutor Protti


Alguns casos modernos de luminosidade corporal, que foram filmados e estudados por biólogos competentes, não despertaram o menor desejo de controle por parte daqueles que costumam dizer que "estas coisas não existem", e que dirão o mesmo até a extinção completa da espécie.

A mulher analisada pelo dr. Protti, em 1934, em Pirsano, tornava-se luminosa são efeito de estímulos religiosos. Protti observou a maior parte dos fenômenos descritos antes, como excitação da tireóide, palpitações, etc. Mas não sabemos praticamente nada dos "estímulos religiosos" empregados. Entre os casos históricos mais amplamente descritos está o do padre Francisco Suarez, autor de um tratado teológico sobre a Defesa da Fé, no qual, como precursor do pensamento moderno, preconizava uma espécie de separação entre a Igreja e o Estado.

Por sua vez, São Francisco de Paula, Santo Afonso de Ligori, Santa Catarina de Ricci, iluminavam a escuridão de suas celas, segundo o depoimento dos companheiros de convento. Os efeitos luminosos não são os únicos que fogem a qualquer interpretação, situando-se, portanto entre os fenômenos desconhecidos. Não são nem mesmo os mais notáveis. O jejum total, prolongado durante anos, e que foi observado freqüentemente entre os místicos modernos, merece um estudo à parte.

Mas neste caso saímos evidentemente do domínio fisiológico: o exame das realidades que se manifestam no ponto mais alto da experiência mística revela propriedades desconhecidas no universo material.

Por um processo que a ciência não explicou, nem tentou seriamente analisar, a paixão do amor divino transforma primeiro a biologia dos que são sujeitos a ela: a hipertermia reflexa, o metabolismo acelerado, o jejum suportado sem distúrbio particular. Em seguida, esta biologia excepcional dá origem a uma física totalmente insólita: há levitação, ou emissão de luz em condições inexplicáveis.

Trata-se de algo impossível ou absurdo? Mas o que significam, na verdade, estas palavras? Parece de fato aberrante que um corpo sólido, dotado de uma massa própria, possa sustentar-se "no`ar" sem apoio aparente, ou que um organismo vivo emita raios eletromagnéticos quando o cérebro realiza operações intelectuais de um tipo excepcional. Mas pensamos "que um fato aberrante, inexplicável pelas teorias reinantes, é mais benéfico para a ciência do que os desenvolvimentos que podemos dar a estas mesmas teorias, ainda que sejam controlados pela experiência" (Boletim do Centro de Documentação do Grande Oriente da França, N.° 40-41, pág. 27).

Acreditamos que, se um fato for observado, ele deixa de ser impossível e absurdo, e mais cedo ou mais tarde será interpretado cientificamente. Mas é preciso, evidentemente, que os cientistas se disponham a observá-lo. Aliás, se examinarmos as concomitâncias físicas da experiência mística à luz da história da ciência, vemos que elas se integram facilmente num esquema familiar a despeito de sua aparência absurda, ou até mesmo por causa dela. A evolução da matéria cósmica fez-se da partícula à química, da química à vida, da vida ao pensamento; nosso pensamento se desenvolve em nosso cérebro, que se desenvolveu a partir da química orgânica e mineral, que procede da física das partículas. O que significa isto senão que esta evolução das coisas, desde a partícula física até o pensamento, fez aparecer em cada etapa transposta certos fenômenos que o estado precedente não deixava suspeitar?

A vida faz certas coisas que a química não faz. E meu pensamento produz certos fenômenos que não têm equivalente na digestão, por exemplo, ou na respiração. Mesmo admitindo, como dizia Taine, que o cérebro secrete o pensamento, como o fígado secreta a bílis, é forçoso reconhecer que não conservamos o pensamento num tubo de ensaio. Se aceitarmos, portanto, o que necessita ser provado, que o pensamento místico está para o pensamento humano comum como este está para o pensamento animal superior, seria desesperar que o pensamento místico se manifestasse na ordem física por fatos tão surpreendentes quanto são nossas máquinas para o entendimento de um macaco.

Esta idéia e os termos da comparação podem revoltar nosso orgulho. Mas nem por isto é menos verdade que, se a evolução deve prosseguir além do homem, ela se fará no domínio do pensamento. Ela se traduzirá, portanto, por um organismo físico novo e por um novo tipo de domínio sobre as propriedades da matéria.

É assim que as coisas ocorreram até agora desde o nascimento da vida. Neste caso, não nos devemos surpreender com o fato de o pensamento místico manifestar-se precisamente por meio de certos fenômenos biológicos e físicos incompreensíveis. Não sei se o pensamento místico é o do homem de amanhã. Mas seus efeitos seriam os mesmos caso fosse.

Que seja ou não assim, é no pensamento do homem que repousa e germina este pensamento que nosso pensamento não pode mais atingir e que será sua própria transcendência. O absurdo não está no fato de que certos aspectos do misticismo desconcertem a razão. Está antes na recusa da razão em aceitar este além de si mesma que não pode deixar de gerar.

Fonte: Planeta 40, janeiro de 1976
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publicado por conspiratio às 22:03
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Domingo, 9 de Agosto de 2009

A SABEDORIA DE DASKALOS (STYLIANOS ATTESHLIS)

Stylianos Atteshlis

A SABEDORIA DO MAGO DE STROVOLOS



Em questão de minutos as "vibrações" cessaram. Abanei a cabeça com descrença e continuamos nossa conversa como se nada houvesse acontecido. Iacovos falou-me de suas experiências extracorpóreas e de como tinha se convencido de que não eram ilusões.

— Acordei uma manhã e tive a certeza de ter estado em um lu­gar no qual eu nunca estivera antes. Lembro-me de tudo com pormenores.

— Talvez fosse apenas um sonho — sugeri.

— Não, não foi — respondeu lacovos com firmeza. — Quando visitei Daskalos, perguntei-lhe se ele sabia onde eu havia estado na noite anterior. Ele descreveu minuciosamente o lugar e o que eu havia visto naquela noite. Passei outras vezes por esse tipo de experiência e todas foram comprovadas por Daskalos. Não posso acreditar que essas experiências tenham sido apenas coincidências. Muito do que sei hoje extraí de lições que recebi em outros planos de existência.


— Daskalos afirma que ele pode sair do corpo e viajar para outras partes do mundo. Você também é capaz de fazer isso?

— Sou. Por exemplo, durante a guerra do Líbano, costumávamos patrulhar a área e imprimir coragem aos feridos. Um dia acordei muito aflito. Havia ocorrido um tremor de terra, creio que na Romênia, e eu podia ver os corpos sob os escombros. Coloquei dentro da mente das turmas de resgate sugestões para que procurassem sobreviventes em determinados lugares a fim de desenterrar as pessoas soterradas. Recordo-me também de casos em que consegui realizar curas a partir do pla­no psíquico.

— Como pode fazer isso?


— Consideremos a hipótese de uma pessoa doente vir me procu­rar. Tento, curá-la. Mais tarde, através da exomatose (EFC - experiência fora do corpo), eu a visito e con­tinuo o tratamento. A primeira vez que passei pela experiência extra-corpórea — comentou Iacovos — eu tremia quando voltei ao meu corpo.

— Por quê?


— Porque quando o corpo psiconoético volta ao corpo físico, o sistema nervoso encontra-se em estado de hipertensão. O tremor re­sulta do contato entre os dois corpos. Com o tempo consegui contro­lar esse tremor.

— Um cordão prateado — disse Iacovos, liga o corpo material ao corpo psiconoético. Uma das maneiras de distinguir se o ser humano que encontramos nos planos psiconoéticos vive também uma vida material é ver se essa pessoa tem um cordão prateado. Se não tiver significa que está "morta" e vive somente com seu corpo psiconoético. Esse cordão prateado — disse-me Iacovos — pode estender-se a ponto de dar sete voltas ao redor da Terra.


— Você está dizendo — perguntei — que com o seu corpo psiconoético você não pode percorrer uma distância superior a sete voltas ao redor da Terra?

— Isso mesmo. Se o fizermos, o cordão prateado se romperá e o corpo físico morrerá. Existem outras formas de alcançar os espaços distantes, mas somente os mestres mais avançados conseguem fazê-lo.



***

— Os problemas que discutimos esta noite — disse Iacovos quan­do nos preparávamos para sair -- não são metafísicos. Nada existe de metafísico. Precisamos estudar esses fenômenos cientificamente. Encontro muita similaridade entre o que Daskalos nos tem ensinado e a matemática e a física que estudo. Espero que um dia possamos cola­borar para o desenvolvimento de uma ciência que nos livre da ciência.

Eram onze e meia da noite quando saímos à rua, não sabendo como chegar em casa. Eu estava sem carro e, àquela hora tardia, já não havia ônibus. Iacovos vivia em Aglantzia, um bairro operário situado nos subúrbios de Nicósia, a umas cinco milhas da casa de Daskalos. Precisávamos de um táxi, mas não havia telefone por perto. Não sabendo o que fazer, começamos a andar. De repente, uma Mercedes preta pa­rou ao nosso lado e o chofer perguntou se estávamos precisando de con­dução. Olhei espantado para Iacovos. Que coincidência, pensei, encon­trar uma Mercedes num fim de mundo, no meio da noite! Para Iacovos era normal. O táxi viera porque ele havia criado um forte elemental de desejo.

Quando encontramos com Daskalos no dia seguinte, eu tinha mui­tas perguntas a lhe fazer sobre a questão da exomatose. Apesar de já termos discutido este assunto, sempre surgiriam novidades, informações ainda desconhecidas para mim.

Vários dias antes, fiquei muito intrigado ao ouvir Daskalos falar com Kostas sobre a questão da exomatose. Eu estava na cozinha fazendo café, quando escutei Daskalos dizer que, quando há umidade no ar, é muito mais fácil deixar o corpo. Devido à chegada de visitantes em bus­ca da ajuda de Daskalos, foi-me impossível nesse dia fazer perguntas so­bre a matéria. Agora que Iacovos e Kostas estavam presentes, pensei que poderia suscitar o tema.

Daskalos explicou rapidamente, em primeiro lugar, que a água é o elemento dominante nos vários planos e subplanos psíquicos. É por essa razão que, durante a exomatose, uma atmosfera úmida é de gran­de ajuda. Iacovos comentou que ele sempre tem um copo de água ao lado da cama. As emanações atômicas da água, declarou, o ajudavam a deixar o corpo de maneira muito mais suave.

Daskalos prosseguiu dizendo que a exomatose pode ser alcançada após um longo treinamento, que envolve exercícios especiais de meditação e concentração sobre os centros psiconoéticos, isto é, sobre os discos sagrados (chakras). Estas práticas são ensinadas ao iniciado somente de­pois de ele ter atingido certo grau de desenvolvimento espiritual e so­mente depois de longo treino com exercícios mais básicos de meditação.

Mesmo após anos de treinamento não existe garantia de que uma pessoa possa deixar o próprio corpo. Estes exercícios especiais de meditação usualmente são ensinados aos discípulos que já envergam o manto bran­co e aos membros do círculo secreto.

Se bem Daskalos, não tenha me ensinado essas técnicas esotéricas de meditação, não relutou em me esclarecer, teoricamente, sobre qual­quer ponto que eu estivesse em condição de entender.

— Exomatose é o mesmo que telepatia?• — perguntei.

— Não, não é. Precisamos distinguir entre ambas. A telepatia é simplesmente a projeção de um elemental, ou a extensão de uma irradiação que trará para o místico, que permanece dentro de seu corpo fí­sico denso, a experiência desejada. Intensa prática e muita concentra­ção são necessárias para que uma pessoa se torne mestre na criação de elementais sólidos e poderosos, capazes de serem projetados para qualquer parte do globo. Para desenvolver o dom da telepatia, o disco sagrado que rege os dois olhos é ativado e a assim chamada terceira visão, que existe acima do ponto onde nasce o nariz, se abre. A exomatose, ao contrário, é um estado de transe que implica deixar o corpo. Uma vez fora do corpo, podemos ir para qualquer lugar do planeta e conti­nuaremos tão conscientes como se estivéssemos dentro do nosso corpo físico denso. Quando o místico se encontra nos mundos psíquicos, é ainda a mesma pessoa, plena e completa como uma personalidade pre­sente, autoconsciente. Quando se é um Pesquisador da Verdade muito evoluído pode-se chegar a uma segunda exomatose: abandonar o corpo psíquico e existir, da mesma forma ampla, plena e autoconsciente, ape­nas no corpo noético. Devemos lembrar que é preciso distinguir um ser autoconsciente de seus invólucros, isto é, de seu corpo físico, psí­quico e noético. Quando uma pessoa se despe de um de seus véus, o mais externo, ela é ainda a mesma pessoa. Quando tira o segundo e o ter­ceiro véus, é ainda a mesma pessoa. Assim também, quando abandona­mos nossos corpos, somos ainda igualmente autoconscientes, plenos e completos.

— A exomatose ocorre dentro da réplica etérica do planeta ma­terial ou dentro de um plano do mundo psiconoético? — perguntei.


— Ambas as hipóteses são válidas e possíveis. No entanto, quan­do estamos dentro da esfera física, permanecemos invisíveis aos olhos das pessoas que vivem conscientemente nesse meio a menos, claro, que conheçamos a maneira de baixar as vibrações do nosso corpo psiconoético, o que significa reunir material etérico para nos tomarmos visíveis a olhos comuns. Este não é um fenômeno de completa materialização, tal como lhes expliquei há algum tempo, nem é duradouro. No momen­to em que divergimos nossa atenção, cessa a materialização.

— Como a gente se sente nesse estado de materialização?


— Sente-se como se estivesse com muito calor e tomasse uma ducha fria. É uma experiência muito agradável. Nesse momento tem início a materialização. Quando a materialização termina, você não sen­te praticamente nada. Apenas volta para onde estava, no caso, o plano psíquico.

— Enquanto você permanece em estado de exomatose no plano psíquico, pessoas que residem nesse plano podem vê-lo. Vamos supor, agora, que você queira ter maior liberdade de ação, ou se tornar invisí­vel aos seres humanos que vivem dentro do plano psíquico: o que deve fazer? Nesse caso, deve não só abandonar o corpo físico como também o psíquico. É o que chamamos de, segunda exomatose, isto é, viver so­mente com o corpo noético. A segunda exomatose é mais difícil que a primeira.


— Quando existimos apenas no plano noético e decidimos nos materializar no mundo psíquico, precisamos diminuir o número de vibrações do corpo noético e absorver a energia etérica do mundo psíquico. Quando ocorre esse tipo de materialização, você se sente como que rodeado de uma aura fria, e não como se estivesse tomando uma ducha fria.

— O que acontece ao corpo psíquico durante a segunda exoma­tose? — perguntou Iacovos.


— Isto tem constituído um enigma para muitos místicos através dos séculos. Ele retorna para o corpo físico? A resposta é não. Ele se recolhe ao átomo permanente que as personalidades atuais e perma­nentes carregam consigo. O corpo psíquico insere-se no corpo noético como um microfilme. Todo o corpo psíquico se encolhe e se transfor­ma num átomo psíquico que se aloja dentro da personalidade autocons­ciente permanente. É a personalidade permanente que agora cuida do corpo psíquico. Portanto, quando diminuem as vibrações do corpo noé­tico, o corpo psíquico reaparece, intato e completo. Nada lhe foi acres­centado, nada suprimido.

— De forma que, quando em exomatose, abandonamos nosso corpo material denso, deixamo-lo para trás, intato, no exato lugar em que o deixamos e sob a guarda do Espírito Santo. Durante a segunda exomatose, nosso corpo psíquico, pouco importando o grau de perfeição que atinja ou em que subplano psíquico ele vibre, recolhe-se automaticamente e sua imagem se transforma num átomo psíquico inserido no corpo noético. Levamos conosco, para o mundo noético, nosso cor­po psíquico atomizado e, quando diminuímos as vibrações, ele readquire sua forma e sua energia vital. Isso é lindo.


— Durante a segunda exomatose o Espírito Santo não tem outra missão senão preparar as substâncias psíquicas e noéticas. A tarefa de cuidar do corpo psíquico está agora a cargo da alma autoconsciente.

— Com a morte, nosso corpo material se decompõe, junto com seu duplo etérico. Não temos mais nenhuma relação com a matéria fí­sica que abandonamos. Ela se desintegra e pode ser usada para formar uma nova vida. Depois da segunda morte, que sempre se segue à morte do corpo material denso, nosso corpo psíquico se encolhe e se aloja no átomo psíquico permanente. Ocorre, então, uma nova encarnação. Em cada uma de nossas encarnações, trazemos conosco as experiências anteriores da personalidade autoconsciente.


Nesse mesmo instante, dentro do átomo psíquico permanente que está em todo lugar e em toda parte, dentro do corpo psíquico pre­sente, existem registros de todas as encarnações passadas. Não fosse assim, o homem estaria acabado, aniquilado. Sua vida emocional seria destruída e impossível a memória das experiências vividas.

— Daskale — perguntei —, existe algum outro tipo de exomatose?

— Existe, por meio de um autoconhecimento superconsciente, que é e não é exomatose. Quando nos estendemos para fora do nosso corpo material e cobrimos um certo espaço — grande ou pequeno — e recebemos impressões que chegam simultaneamente de diversas partes, adquirimos o que chamamos de autoconhecimento superconsciente. Encontramo-nos fora de nossos corpos e, ao mesmo tempo, nossos cor­pos se encontram dentro da nossa esfera receptora de impressões. Sen­timos tudo ao redor de nós, inclusive nossos corpos. Não estamos mais dentro do corpo material, mas o corpo material está dentro de nós. Se entrarmos em sintonia com a consciência e o autoconhecimento da per­sonalidade presente, podemos sentir a nós mesmos, não só como somos hoje, mas também como superconsciência. Talvez resida aí o grande jú­bilo de um Pesquisador da Verdade, quando chega a distinguir suas duas naturezas como personalidade presente e como alma autoconsciente. As duas serão sentidas como um todo, e, no entanto, distinguíveis.


— Como vê, o assunto que você suscitou não é fácil de compreen­der ainda — observou Daskalos em voz baixa. — Acredito que, para começar, ofereci-lhe um quadro bem pálido.


***


— Eu estava passando por um café que fica aqui perto de casa, quando vi que lá dentro raiava uma briga acirrada. Motivo: infidelidade. O primo de um homem casado tinha tido um caso com a esposa deste. Acontece que os dois estavam sentados juntos, tomando café, quando o marido descobriu, pela conversa, que a mulher o havia traído com o primo. E começou a brigar com ele. Os outros fregueses, com seus co­mentários, punham lenha na fogueira. O primo afinal confessou sua relação ilícita, mas insistiu em que a culpa não fora sua. A esta altura dos acontecimentos, o marido traído agarrou uma faca e estava pron­to para enterrá-la no peito do primo. Eu estava do lado de fora, em pé, na calçada. A cena ocorreu tão rápido que pegou todos de surpresa. No mesmo instante, materializei minha mão e agarrei o braço que sus­tinha a faca.

— Você materializou uma mão invisível? — perguntei.


— Isso mesmo. Por mais que tentasse, ele não conseguia abaixar o
braço. Os circunstantes então pularam sobre ele e tiraram-lhe a faca. O homem olhou para mim e perguntou. "Por que você segurou a mi­nha mão?" Disse-lhe que ele tinha é de aprender a controlar seus ner­vos, porque a corda do carrasco já lhe rodeava o pescoço. "Pense em seus filhos", implorei. Quanto ao primo, aconselhei-o a tomar um avião no dia seguinte e deixar Chipre. Ele seguiu meu conselho e foi morar na África com um parente.

— A exomatose oferece algum tipo de perigo? — perguntei, de­pois de certo tempo.

— Quando um homem cai em sono profundo — Daskalos come­çou a explicar — que muitas vezes se assemelha à morte, ele está, de fato, em exomatose. Nesse estado, o Espírito Santo cuida de seu cor­po e resgata os males que ele sofreu durante o dia. Mesmo as pessoas comuns passam pela exomatose durante o sono e voltam ao corpo quan­do o Espírito Santo dá por terminado seu trabalho. Quando a pessoa cai em estado de letargia, torna-se, receptiva a experiências ligadas tan­to à sua encarnação presente como às encarnações passadas.


— Agora, por que você acha que o Espírito Santo coloca a atual personalidade nesse estado de letargia? Porque qualquer experiência que a pessoa tenha com seu corpo psíquico, essa experiência pode ser transferida para o corpo material denso. Se um homem, planando com seu corpo psíquico, vier a sofrer uma queda e realmente tocar o chão, ele notará ferimentos em seu corpo. O Espírito Santo, no entanto, vela não só pelo completo funcionamento do corpo físico, mas também pela tranqüilidade e pelo bem-estar da. personalidade adormecida. O Espí­rito Santo intervém para proteger a personalidade contra experiências desagradáveis que possam afligi-la durante o sono. Quantas vezes você se lembra de um sonho em que você se depara com o perigo e acorda justamente antes do desastre? É a sabedoria do Espírito Santo que o faz retornar ao corpo material antes que o fato desagradável aconteça. Você deve ter notado isso pessoalmente.

— Portanto, respondendo à sua pergunta sobre se há perigo na exomatose, eu diria que sim. Como vimos, existe perigo tanto para o corpo material como para a personalidade. Durante a exomatose, as vibrações são muito mais intensas e, se o indivíduo retirar do átomo permanente experiências de encarnações passadas, ele pode despertar dentro de si próprio condições que precisam permanecer adormecidas até serem transcendidas.


— Na exomatose consciente — acrescentou Daskalos —, a pessoa tem de ser supercautelosa, pois os perigos são muitos.

— De que espécie? — perguntei.

— Darei um exemplo tirado da minha própria experiência pessoal. Durante a guerra civil do Líbano, estávamos tentando ajudar os feridos, tanto cristãos como muçulmanos. Alguns feiticeiros viram o que estávamos fazendo e ficaram furiosos por estarmos ajudando as duas facções, Queriam que nos concentrássemos nos muçulmanos. Enquanto eu me encontrava em estado de exomatose, estes feiticeiros vieram até meu corpo, materializaram um punhal e me apunhalaram ali mesmo, entre os genitais e minha perna. Depois desmaterializaram a arma. Eu senti imediatamente a dor e voltei para o meu corpo. Peguei uma toalha e contive a hemorragia. Chamei meu cunhado, que acorreu e socorreu-me. Os lençóis da cama ficaram cobertos de manchas de sangue. Veja, an­tes de partir, esqueci de criar um elemental guardião. Se o tivesse feito, aqueles feiticeiros não teriam podido me machucar. Quando deixamos o corpo conscientemente, precisamos sempre construir um elemental para protegê-lo durante nossa ausência.

— Como se faz isso?


— Criando uma poderosa auto-sugestão. Eu diria a mim mesmo: nenhum mal sobrevirá a meu corpo enquanto eu estiver ausente. E, por falar nisso, Theophanis foi apunhalado no braço por esses feiticeiros. Felizmente os ferimentos não foram sérios.

— Eu gostaria de saber o que aconteceu com esses feiticeiros — disse.


— Irmãos indianos intervieram e impediram que voltassem ao corpo.

— Não sei se entendi bem.

— Quando esses mestres, que eram sufis muçulmanos, souberam o que os feiticeiros haviam feito conosco, decidiram acabar com eles. Com o pensamento, pararam seus corações e os escoltaram, com toda a gentileza, para os mundos psíquicos.


— Em outras palavras — acrescentei —, simplesmente os mataram.

— Temo que sim. Eu, porém, me opus tenazmente e implorei a meus irmãos sufis para que não causassem dano àqueles feiticeiros liba­neses. Eles não me atenderam. "Somos muçulmanos", me responderam, "e resolveremos este caso à moda muçulmana. Não podemos permitir que prossigam com suas ações malignas e destruidoras."

Daskalos me fez lembrar com nitidez de uma estranha experiên­cia pela, qual passou um antropólogo mergulhado numa pesquisa de cam­po na África. Num momento de descuido, ele contou-me histórias que guardara em segredo por longos anos. Quando esteve na África para
estudar certa tribo, o curandeiro local lhe era hostil. Coisas estranhas e assustadoras estavam acontecendo corri ele. O antropólogo compreen­deu que o responsável por isso era o feiticeiro local, que achava que ele, como europeu, representava uma ameaça à sua autoridade. Temen­do por sua vida, ele aproximou-se e até procurou amizade com o "mé­dico feiticeiro". "Vocês, europeus", disse o xamã, dirigindo-se ao an­tropólogo, "ignoram completamente os poderes secretos que temos aqui na África." Para demonstrar esse poder, vangloriou-se de que po­dia, por artes mágicas, enlouquecer um alto oficial da região. Para es­panto e consternação do antropólogo, o oficial visado "enlouqueceu" e precisou ser internado no dia seguinte. Ele não tinha antecedentes de doença mental.

Quando meu amigo antropólogo terminou seu trabalho e estava pronto para deixar a África, os nativos ficaram tristes e imploraram para que ficasse. Tentando da melhor forma possível não ferir sentimentos, ele arranjou a desculpa de que a razão de sua volta à Europa era por­que necessitava de um clima mais seco. "Chove demais por aqui", dis­se-lhes. "Se é esse o problema", responderam, "que tal se impedísse­mos a chuva de cair ao redor da sua tenda, permitindo que caia livre­mente sobre a floresta?" Começaram então a executar uma dança sel­vagem ao redor da tenda, a arrancar plantas pela raiz e a plantá-las de cabeça para baixo. Eu presumi que eles estavam tentando simbolica­mente reverter o processo natural. "Eu não podia acreditar, Kyriaco", disse meu amigo. "Assim que começaram a dançar, a chuva parou de cair ao redor de minha tenda, mas caía em todos os outros lugares da floresta."

Esse antropólogo não tinha a menor dúvida quanto à autentici­dade de sua experiência e de que a chuva realmente havia parado de cair ao redor da sua tenda. No entanto, manteve em segredo esta e ou­tras experiências "exóticas", preocupado com sua reputação acadêmica. Seus colegas poderiam tachá-lo de louco e pôr em cheque todo o seu trabalho de campo. "Além do mais", disse-me, "durante toda a minha vida fui treinado a pensar em termos racionais. A despeito de minhas experiências, não quero me meter com esse tipo de coisa. Estou muito velho para mudar. Você é moço. Talvez durante o transcurso de sua vida, esses assuntos sejam respeitados o bastante para merecer a aten­ção dos acadêmicos."

— Estas histórias não nos surpreendem — disse-me Daskalos, co­mo, aliás, já havia feito inúmeras vezes. — Esses poderes estão latentes em todo ser humano.

Daskalos prosseguiu dizendo que precisamos aprender a usar esses poderes de forma correta, somente para fins de cura. "A menos que evoluamos espiritualmente", ele gostava de frisar, "esses poderes de­vem permanecer adormecidos. Se não vencermos nosso egoísmo, po­demos nos tornar uma ameaça para nós e para terceiros.”


***


peras. Subitamente, um raio atingiu o mosteiro. 0 pára-raios o atraiu, mas estava muito velho e deficiente. 0 raio atravessou a janela, esti­lhaçou o vidro e entrou na igreja bem atrás de mim. Eu estava usando calçados com solado de pregos, como usávamos no campo; estava ajoe­lhado no chão, rezando, quando ele passou por mim e atingiu o ícone da Virgem — que ainda continua lá meio chamuscado. Por um momen­to tive uma sensação peculiar de alegria e prazer. A igreja, por instan­tes, inundou-se de uma grande claridade. Veio depois a escuridão e um barulho ensurdecedor. Mal nos divisávamos à luz das poucas velas acen­didas diante do altar. Padre Savvas correu para mim e segurou-me en­tre seus braços. Eu estava sem sapatos. Eles estavam queimados como quase toda a minha roupa. Meu cabelo estava chamuscado, mas eu mes­mo não sofrera nada.

— Quando toquei as roupas que ainda me cobriam, elas caíram aos pedaços e, no entanto, não haviam pegado fogo. Eu estava descalço, nada restara de meus sapatos. Os sapatos de padre Savvas também ha­viam sumido. Desapareceram. Tenho certeza de que os cientistas po­dem encontrar todo tipo de explicação, porque tais fenômenos real­mente acontecem com raios. Mas por que não fui ferido e por que não tive medo, pelo contrário, até senti prazer? '

Depois da narrativa de Daskalos, contei que um senhor, no Maine, passara por uma experiência ainda mais incrível com um raio. Era cego e recuperou a vista ao ser atingido por uma faísca na cabeça. Daskalos então falou que não estamos sozinhos no universo, o qual está cheio de vida e de uma inteligência mais alta que supervisiona nossa evolução espiritual e material. Pediu a seguir que Kostas fosse ao Santuário bus­car a Espada Romba, peça sagrada com a qual Daskalos oficiava a ceri­mônia de iniciação dos membros do círculo secreto.



***


Um dos discípulos de Daskalos, um médico, contou-me sem rodeios como certa vez Daskalos materializou, diante de seus olhos, um panfleto ainda não impresso, de uma organização extremista local. Por meio de seus extraordinários poderes, Daskalos "viu", segundo se afirma, o manuscrito pronto sobre a mesa do seu autor. Nessa noite, Daskalos desmaterializou o documento da mesa dessa pessoa e, ten­do-o nas mãos, rematerializou-o, leu-o, tomou nota de seu conteúdo e depois devolveu-o a seu antigo posto. Em seguida, chamou um alto funcionário do governo e o colocou a par da natureza do texto. Das­kalos estava preocupado com um possível tumulto político que gerasse violência. Dois dias depois, segundo esse médico, as ruas de Nicósia es­tavam cobertas de panfletos de conteúdo idêntico ao que Daskalos ma­terializara em suas mãos.

— O universo dentro do qual vivemos — acentuou Daskalos de­pois de uma pequena pausa e de algumas perguntas de minha parte —contém muitas formas de vida, formas de vida muito mais inteligentes do que aquelas com as quais estamos familiarizados. Não estamos sós no universo. Inteligências superiores supervisionam a evolução do nosso planeta. São como guardiães do nosso planeta, com os quais alguns de nós estão em comunicação.

Nos primeiros contatos que mantive com Daskalos, ele, a certa altura, contou-me como encontrava esses seres, que segundo ele eram seres que haviam atingido a Teose, estavam livres do jugo espaço-temporal, dominavam a matéria e eram capazes de se materializar e desma­terializar. Revelei a Daskalos que eu achava essas histórias de "extrater­restres" demais para o meu humilde cérebro digerir.e que tinha dificul­dades para conciliar a soberba consistência lógica e a sabedoria de suas exposições com essas histórias "malucas" de seres inteligentes vivendo dentro da Terra, dentro do Sol escorchante, em Marte, na Lua e em todo e qualquer lugar do universo.

Daskalos e os outros sorriam enquanto eu falava. — Em compa­ração com outros planetas do nosso sistema solar — Kostas dispôs-se a acrescentar como que para chocar-me ainda mais — a Terra se encontra num grau bem inferior de evolução.

— Bem, agora estou realmente espantado — respondi. — É muito difícil para mim compreender o que você está dizendo, Kostas. A ciên­cia já provou que os outros planetas do nosso sistema solar não apre­sentam condições necessárias para a vida como a conhecemos em nosso planeta. Marte, assim como outros planetas, não passam de matéria inerme.
Em que você se baseia para afirmar que esses planetas são mais evoluí­dos que o nosso? Diga-me, por favor.

— Por evolução, meu caro Kyriaco — respondeu Kostas enquan­to Daskalos meneava a cabeça, rindo silenciosamente —, queremos significar o desenvolvimento psiconoético das entidades que têm esses pla­netas como sede.

— Portanto, Kyriaco — acrescentou Daskalos —, nós devemos esperar encontrar nos outros planetas vida tal qual a concebemos e co­mo a vemos em nossa Terra. A vida existe em toda parte e não somente nos meios nossos conhecidos. Eu lhe digo, mesmo o Sol está cheio de vida, e de vida organizada. Você não acha um tanto egoísta esperar que a vida se manifeste sempre na forma em que se manifesta no nosso pla­neta? Não esqueça: a ciência ortodoxa tem ainda que explicar ou que debater-se com fenômenos tão simples como o andar sobre brasas, a tele­patia ou mesmo a clarividência. Os cientistas estão começando a reconhe­cê-los como fenômenos, sem, contudo poder explicá-los. E ainda não conseguiram entender como os chamados OVNIS viajam a tamanha velocidade e aparecem e desaparecem instantaneamente. Se a ciência ortodoxa não pode fazê-lo, como podemos afirmar, apenas pelo fato de as condições rei­nantes na Terra não coincidirem com as de Marte, que lá não existe vida?


— Na verdade, em nossa própria evolução, também nos livraremos da necessidade da matéria densa e do ambiente natural da Terra como a conhecemos. A matéria densa deixará de constituir um obstáculo para nós. Não precisaremos, por exemplo, de oxigênio para respirar. Tere­mos, se quisermos, a capacidade de viajar instantaneamente às profun­dezas da Terra e para dentro do Sol, sem sermos afetados pelo elemento fogo. A essa altura teremos nos tornado senhores dos elementos. Por­tanto, se viajarmos aos outros planetas do nosso sistema solar à procura de vida tal qual a conhecemos jamais a encontraremos. Essas inteligên­cias são muito mais evoluídas, dominam a matéria. Revestem-se de ma­téria densa à sua vontade. Têm um aspecto semelhante ao nosso, por serem seres humanos que passaram pela Idéia do Homem e estão, sim, organizados em sociedades.

— Sendo assim, onde estão suas cidades, seus edifícios? — grace­jei, e todos riram.


— Então você já está vendo as cidades e edifícios que existem dentro da dimensão psiconoética do nosso próprio planeta? Se as pessoas comuns não podem vê-los no seu próprio planeta, como você pretende percebê-los em outras esferas, nas quais as entidades são mais evoluídas?

— O que eu não entendo é o seguinte — continuei —, já que essas inteligências se desembaraçaram da matéria densa, por que precisam se identificar com um dado planeta, como Marte, por exemplo, uma vez que, afinal de contas, todas elas vivem nos planos psiconoéticos des­ses planetas?


— Porque, ao que tudo indica, estão obedecendo a um propósito divino e porque foi nesse planeta que atingiram a evolução espiritual.

— Se é assim — argumentei —, deduz-se então que, no passado, nesses planetas, elas viveram uma existência material densa, idêntica à de nosso planeta: nascimento, morte, renascimento, etc.


— Exato. Elas, porém, não têm mais necessidade de uma exis­tência material densa, pois de nada lhes serve.

— O que essas entidades fazem agora? — perguntei.


— Prestam assistência àqueles de nós que se encontram em ní­veis mais baixos de evolução. Ouça bem: nem todo ser humano, den­tro do nosso sistema solar, se encontra no mesmo nível de evolução. Os que se encontram em níveis superiores ajudam os que se encontram em níveis inferiores, ainda por evoluir. Quando todas as entidades atin­girem o estado de Teose, nosso sistema solar perderá sua razão de ser. Mais cedo ou mais tarde, se desintegrará. Observe que nem todos os planetas do nosso sistema solar se encontram no mesmo grau de evo­lução. Por exemplo, as entidades de Marte podem estar no mais alto grau de evolução. Podem estar residindo dentro da contraparte noética desse planeta. Conseqüentemente, poderiam viajar para 'qualquer ponto de nosso sistema solar, e ainda além, para outros sistemas solares e galáxias. Esses extraterrestres que aqui aparecem podem vir, portanto, de outros sistemas solares, e nos visitam para nos desafiar e nos ajudar a crescer. Aparecem sob a forma de discos voadores, como uma maneira de se mostrarem a nós sob um aspecto material que possamos entender. Quando entram em nosso sistema, reúnem matéria própria do nosso planeta e surgem sob a conhecida forma humana, característica do nosso planeta.

Diante da minha insistência, Daskalos confessou comunicar-se telepaticamente com seres residentes em Marte. Embora pudesse visi­tá-los, ele nos disse, não tinha nem vontade nem motivos para fazê-lo.

— Você pode chegar lá — prosseguiu Daskalos — viajando a in­crível velocidade, usando apenas o seu corpo noético. Leva-se cerca de uma hora para chegar a Marte, mas pode-se regressar em quinze minutos. Seu corpo o atrai para a Terra muito mais rapidamente. Somente um mestre que tenha ultrapassado o mundo noético e penetrado no mun­do dos conceitos e das idéias pode visitar outros planetas. No que me diz respeito, foi aqui, nesta Terra, que fui designado para ensinar, e aqui voltarei para novamente ensinar.

— Você pode pedir transferência — gracejou Kostas de seu canto e
e todos nós rimos a valer. Daskalos acrescentou que, embora jamais te­nha estado em Marte, ele entrava em harmonia com seres de lá e havia aprendido muito sobre eles.

— Você está querendo dizer que os marcianos não são seres hu­manos iguais a nós? — perguntei.

— São seres humanos, mas não iguais a nós.

— Têm um corpo material denso?


— Às vezes sim, mas diferente do nosso. Os seres humanos que vivem em Marte são muito superiores a nós. Eles dominam a matéria. Podem materializar-se e desmaterializar-se à vontade. Seu corpo mate­rial assemelha-se a dois triângulos, o da cabeça e o do peito. A cintura é muito fina e os membros lembram os nossos. O coração difere do nosso e o sangue é muito grosso e da cor do mel. Seu corpo não é complexo e, apesar de terem um sistema circulatório, suas veias e artérias são poucas. Nosso sangue leva treze minutos para completar um circuito. No corpo de um marciano leva um dia inteiro. A deterioração de seus corpos não ocorre no mesmo período de tempo que a dos nossos. O corpo de um marciano é mais como uma casa para ele. Como uma entidade, ele o deixa e a ele retorna, com a mesma facilidade com que entramos e saímos de casa. Seus corpos fazem muito pouco movimento e eles os usam como se fossem suas oficinas. Os marcianos não estão vinculados a um lugar, nem se encantam por um lugar, como nós.

— Quando um marciano vem à Terra, deixa seu corpo para trás. Seu sangue continua a circular, mas o ocupante está ausente. Quando atinge a ionosfera terrestre, ele cria com o pensamento o que bem de­sejar. Os objetos criados muitas vezes nos lembram discos voadores. Se ele decide se materializar na Terra, assume a forma de um ser hu­mano, vestindo roupas que parecem constituir uma extensão do seu corpo. O que dá origem a essa impressão é a concentração de energia etérica. Pode também apresentar-se vestido como nós, de terno, por exemplo. Ele pode moldar a matéria a seu talante. Coordenando-se com o pensamento dos terráqueos pode absorver idéias e conceitos e, atra­vés do poder visual, materializar-se e parecer humano, e então sentar-se em uma cafeteria, tomar um drinque e falar a língua do lugar. Já que tem a capacidade de se harmonizar com o pensamento dos homens, tem também a capacidade de saber tudo o que os humanos sabem.


— Se é este o caso, então eles sabem o que está acontecendo na Terra.

— Claro que sabem. Por que acha que nos visitam?

— Eles têm alguma influência sobre o nosso planeta?

— Precisam ter, para evitar que o destruamos novamente. Eles sempre visitaram o nosso planeta através dos séculos, e os homens os viam como anjos ou deuses. Eu diria que são seres eternos, como nós, só que num estágio superior de evolução. Eles transcenderam a idéia do Mal.


— Como é que nós ainda não os descobrimos?

— E quem lhe disse que eles não estão em contato com mui­tos de nós?


— Mas, Daskale — retruquei um tanto exasperado —, os instrumentos que os americanos enviaram a Marte não detectaram nenhum sinal de vida lá.

— Eles mesmos evitaram o contato. Não se esqueça de que eles são mestres em materialização e desmaterialização, e que não possuem um corpo material denso. Eles poderiam ter criado mentalmente con­dições para evitar que os instrumentos americanos registrassem qualquer informação. Esses seres, de algum modo, far-se-ão conhecidos de uma audiência muito mais ampla.


— Acha que é fácil discutir estes assuntos publicamente? Mas estou lhe dizendo que entrei em contato com essas criaturas; que es­tou em contato com elas; que são minhas amigas; que sei muitas coisas a respeito delas e que não existe nada que eu saiba que elas também não saibam através da coordenação. Quem vai acreditar em mim? Quem vai aceitar o que eu digo?

Daskalos contou-nos então uma experiência que tivera com esses seres. O episódio ocorreu em 1969.

— Eu os senti chegar. Estava fora de meu corpo e aproximei-me de sua espaçonave, que pairava sobre minha casa. A tripulação da espaçonave mandou-me uma mensagem para que eu regressasse urgente­mente ao meu corpo, porque a espaçonave poderia queimar meu cor­po etérico. Quando regressei, ouvi uma vizinha, uma senhora de idade, gritar que os turcos estavam chegando. Ela vira a espaçonave, que pa­recia uma bola de luz expandindo-se e contraindo-se e achou que eram os turcos que estavam atacando. Tentei acalmá-la e expliquei-lhe, em vão, que não se tratava de turcos, mas de um OVNI tripulado por seres de outras esferas. Entrei e o OVNI então desapareceu. Retornaram tarde da noite. Dois deles materializaram-se em minha casa. Explicaram-me que podiam assumir o aspecto de seres deste planeta. Usavam roupa prateada e era difícil distinguir entre sua vestimenta e sua pele. Quan­do os toquei, senti como se tivesse tocado uma serpente. Nós nos comunicávamos pelo pensamento. Eles entraram em minha aura e, a par­tir desse momento, passaram a saber tudo quanto eu sabia. Minha finada esposa, que estava presente, ofereceu-lhes baldava recém-assada. No momento em que a colocaram na boca, cuspiram. Era muito amar­go para eles. Havia muita terra naquele alimento que lhes demos, dis­seram. Mostraram-nos a seguir como se alimentavam. Apagamos as lu­zes e eles acenderam uma luz cósmica que iluminou todo o ambiente. Eles atraíam essa luz para seus corpos. Antes de partir, disseram-nos que não desejavam que sua existência fosse difundida publicamente.

— Esses seres extraterrestres têm famílias como nós?

— Acredito que sim.


Perguntei-lhe se tinham filhos como os humanos e se repro­duziam através de contato sexual.

— Isso eu não sei. Podem reproduzir-se de forma diferente. Eles agem pelo pensamento e atraem-se mutuamente pelo amor. É assim que nascem. Em nosso caso, o processo de reprodução está sob o do­mínio do Espírito Santo, sem a nossa participação consciente. Essas entidades marcianas, por outro lado, são senhores de seus corpos. Sa­bem e controlam tudo o que acontece a eles.

— E morrem?


— Não. Dissolvem seus corpos e criam outros novos. São eter­nos deuses. Claro que nós também somos deuses. Só que eles atingi­ram o nível da Teose. São Logói vivendo uma experiência arcangélica toda sua. Eles podem, por exemplo, descer ao centro da Terra e adqui­rir a aparência dos anjos de fogo. Também podem penetrar outro ele­mento e assumir a imagem da idéia desse elemento.

— Já que são capazes desses feitos, por que têm necessidade de um corpo material?


— Talvez porque lhes agrade. Parece, entretanto, que bem pou­cos têm ou fazem uso de um corpo material denso.



Do livro: HOMENAGEM AO SOL, de Kyriacos C. Markides
 
 
Mais em:

http://metamorficus.blogspot.com/2009/08/os-sonhos-e-o-mago-de-strovolos.html

http://ruminandocoisas.blogspot.com/2006/08/o-mago-de-strovolos-um-caso-do-oculto.html

http://daskalos.org/Portuguese/

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publicado por conspiratio às 19:53
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