Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

O CULTIVO DA MENTE E DO CÉREBRO (JILL TAYLOR)

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Jill Taylor é uma neurocientista que aprendeu muitas lições com o derrame (AVC) que sofreu em 1996. Esta é uma delas:


"Uma das maiores lições que aprendi foi como sentir o componente físico da emoção. A alegria era um senti­mento em meu corpo. A paz era um sentimento em meu corpo. Eu achava interessante que pudesse sentir quan­do uma nova emoção era desencadeada. Podia sentir novas emoções me inundando e me preenchendo, como ondas. Precisava aprender novas palavras para rotular essas experiências de "sentimento", e, algo ainda mais impressionante, aprendi que podia escolher entre me engajar em um sentimento e prolongar sua permanência e apenas deixá-lo fluir por mim rapidamente até que desaparecesse.

"Tomava minhas decisões com base em como sentia as coisas dentro de mim. Havia certas emoções, como raiva, frustração ou medo, que causavam desconforto quando fluíam por meu corpo. Por isso eu dizia ao meu cérebro que não gostava daquele sentimento e não que­ria percorrer aquelas voltas neuronais. Aprendi que po­dia usar o lado esquerdo da mente, por meio da lingua­gem, para falar diretamente com meu cérebro e lhe dizer o que eu queria e o que não queria. A partir dessa cons­tatação, compreendi que nunca mais voltaria a ter a mes­ma personalidade de antes. De repente, tinha muito mais a dizer sobre o que sentia e por quanto tempo queria sentir, e era absolutamente contrária à idéia de reativar velhos circuitos emocionais dolorosos.

"Prestar atenção a como as emoções eram sentidas em meu corpo foi o que deu formato à minha recupera­ção. Passei oito anos vendo minha mente analisar tudo que acontecia no meu cérebro. Cada novo dia trazia no­vos desafios e conhecimento. Quanto mais eu recupera­va antigos arquivos, mais minha velha bagagem emo­cional se aproximava da superfície, e mais eu precisava avaliara utilidade de preservar o circuito neural que era sua base.

"A cura emocional foi um processo lento e tedioso, mas digno de todo meu esforço. Na medida em que o lado esquerdo de meu cérebro foi se fortalecendo, pare­cia natural que eu quisesse "culpar" outras pessoas ou eventos externos por meus sentimentos ou minhas cir­cunstâncias. Mas, na verdade, sabia que ninguém tinha o poder de me fazer sentir nada, exceto eu mesma e meu cérebro. Nada externo a mim tinha o poder de tirar a paz da minha mente e do meu coração. Isso era algo que cabia inteiramente a mim. Posso não ter o controle total do que acontece em minha vida, mas certamente estou no comando de como escolho perceber minha experiência de vida."

A CIENTISTA QUE CUROU SEU PRÓPRIO CÉREBRO
Jill Bolte Taylor

Veja também:

A NEUROCIENTISTA QUE CUROU SEU PRÓPRIO CÉREBRO

http://holosgaia.blogspot.com/2008/10/neurocientista-que-curou-seu-prprio.html
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Domingo, 26 de Abril de 2009

DOIS YOGUES VIVENDO DE LUZ: RAM BOMJAM (BUDA BOY) E PRAHLAD JANI

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O indiano sinistro que está sem comer nem beber há mais de 60 anos

Eu fui ver Discovery Channel antes de dormir ontem e desde que eu vi o programa sobre um garoto que resolveu dar uma de Buda e jejuar completamente em meditação por seis meses, não tirei aquele troço de cabeça.

Até o momento em que vi o documentário, eu tinha a pura convicção-ocidental-cientificista que seria impossível para um ser humano conseguir manter suas funções orgânicas por mais do que algumas horas praticando o jejum absoluto.

Então, vamos dizer que uma coisa é o que a Bíblia diz. Outra o que a Medicina diz. Segundo a história do próprio Buda, Siddharta Gautama , (me corrijam se eu errar alguma coisa, pois não sou um conhecedor profundo da história dele) ficou meditando profundamente dias e noites, por nada menos que 6 anos e vivenciou o nirvana, algo que um ocidental dificilmente poderia entender sem muito estudo. Buda atingiu e permaneceu no nirvana por 49 dias!

Diz na Bíblia, que Jesus ficou 40 dias no deserto, jejuando e meditando.
Tudo bem, lá também diz que ele andou sobre a água, fez peixe e pão aparecer, transmutou água em vinho, acordou defuntos já em decomposição e fez cegos enxergarem novamente apenas esfregando lama nos olhos deles. Isso sem falar em ressuscitar e aparecer inteirinho depois de morto.

Mas temos que ter em mente que a Bíblia, embora tomada como verdade absoluta por muitos religiosos, passou por poucas e boas em quase dois milênios. Pra começar, ela começou a ser escrita várias décadas após a morte do messias. Em segundo lugar, inúmeras traduções, correções e alterações deliberadas do texto sagrado ocorreram ao longo dos séculos. Partes inteiras foram retiradas, outras tantas adicionadas. O livro sagrado do cristianismo é uma colcha de retalho, que certamente guarda alguma coisa de verdade histórica, mas inegavelmente contém muitas imprecisões.

É simples compreender que certas passagens podem ser exageradas com uma certa “licença poética” de modo a fazer o texto mais interessante, mais místico e atrativo para as massas. Exagerar os milagres é até mesmo aos olhos de alguns religiosos, algo natural do ser humano. O que não diminui em nada o poder de Jesus, que está em suas palavras e ensinamentos. São os ensinamentos e sua sabedoria que o diferenciam de um mero David Blaine da antiguidade.

Mas temos que convir que alguém com tamanha capacidade de oratória, inteligência e carisma não passa incólume pelo mundo. Essas pessoas atraem legiões de seguidores. Coloque isso num ambiente opressor como a região sob comando duro das forças romanas, opressão, perseguição e o fio da espada e temos a receita para que todo tipo de histérico manifeste sintomas. Sobretudo quando alguém lhe diz que seu reino é perfeito, é o reino dos céus e que lá os pobres e perseguidos terão vez. Muita gente pensa que é isso que explicaria certas situações, como as possessões (comuns até hoje em muitas igrejas por aí) cegueiras e até a “morte”. Manifestações mentais conhecidas pela antiga psiquiatria como “
histeria“.

O poder da fé das pessoas os forçava a acreditar que Jesus tinha mesmo poderes divinos e a operação desses supostos poderes é algo tão legítimo quanto um paciente que acredita que o remédio o salvará. E o remédio o faz. (em muitos casos sendo apenas uma pílula de farinha, conhecida como placebo) Então, sendo reais ou não, o fato é que os milagres provavelmente funcionavam! (e funcionam! Basta ir a qualquer igreja por aí que você vai ver curas e milagres aos montes)

No caso do paciente com o placebo, o remédio é fajuto, mas a fé, a crença que aquilo trará efeito é tamanha, que a cura se dá de verdade. E isso é um fato demonstrado clinicamente do qual ninguém mais duvida.

A fé, crença ou força do pensamento é tão poderosa que muitos centros de pesquisa de todo o mundo já começam a se debruçar sobre certos casos, até então ignorados pela ciência tradicional, sobretudo a ciência ocidental.

Não estou aqui para questionar se Jesus era mesmo filho de Deus. Se essa ou aquela igreja é a certa, a melhor. Se uma ou outra religião é na verdade uma maquina de ganhar dinheiro de otário. Isso é tema para outro (polêmico) post. Cada um tem sua religião, e não ter, é direito tão legítimo quanto ter.

Não estou questionando também a natureza divina dos milagres. Os “poderes” de operar os “milagres” surgem em decorrência da necessidade humana de atestar o poder divino da figura histórica e não como uma necessidade imediata do Messias de provar alguma coisa. No entender de muitas pessoas, Jesus não veio à terra para fazer show de mágica, mas sim para trazer uma mensagem. E é o conteúdo desta que importa.

Eu quero deixar bem claro que só estou citando Jesus e Buda aqui para lembrar que as antigas escrituras, tomadas como besteiras sem sentido ou verdades absolutas e incontestáveis para milhões de pessoas, traz referências diretas a situações que até agora a ciência renegava. E uma destas coisas é o jejum prolongado para além da compreensão, aliado aos estados alterados de consciência.

Teria a mente humana a capacidade de desligar o corpo de suas necessidades fisiológicas?

Seria isso possível? Há vários séculos, faquires e iogues indianos alegam terem capacidade de se alimentar de luz e até mesmo de “pequenas pedrinhas”. Isso sem estender muito a “se alimentar da força da Terra”, receber energia do prana, do éter e etc.

Pois o documentário que passou ontem à noite falava sobre um jovem que inspirado pelos ensinamentos budistas optou por realizar a façanha da meditação profunda… Por quase um ano! Isso inclui ficar em silêncio e sem pensar por todo este tempo, na mesma posição, chova ou faça sol, sem comer nem beber, nem ir ao banheiro.

Ele morreria! - Alegam os médicos ocidentais, certos de que o que estudaram é a única verdade. E que esta verdade serve para todo ser humano na face da Terra.
Porém, temos um problema aqui. O Discovery Channel colocou uma câmera filmando o garoto lá. (o Discovery chegou para filmar a situação quando o moleque já estava há DEZ MESES lá. Ram Bomjam já havia virado uma celebridade e uma verdadeira indústria do culto ao “Deus vivo” era capitaneado pelo irmão mais velho dele, e uma multidão de romeiros, bandeiras, e etc havia crescido ao redor da área onde ele estava. Graças ao fato de que o menino estava todo este tempo em total estado de transe profundo, as pessoas do Nepal começaram a pensar que ele poderia ser de fato uma reencarnação do Buda. E aí já viu, né? A multidão que surgia a cada dia para ver “o novo Buda” só cresceu.

Multidões resolveram acompanhar o jovem Ram Bomjan.

Então o Discovery Channel chegou lá com a impáfia tradicional de quem deseja desmascarar mais um daqueles mitos primitivos, fazendo pessoas passarem por otárias e etc.

Porém os próprios produtores do programa começaram a desconfiar que havia algo ali realmente estrambúlico. A câmera foi colocada num tripé apontada para Ram e filmou incessantemente, dia e noite, registrando que o menino não se moveu um minuto sequer e nem foi alimentado. Ele ficou na mesma posição, sem se mexer dali e nem comer por todo o tempo em que a produção do programa teve autorização da família para permanecer da área. Neste tempo, qualquer pessoa normal teria morrido na frente das câmeras.

Nenhum cientista ou médico que acompanhou o fato conseguiu uma explicação lógica para o garoto ficar tanto tempo sem comer ou beber. Ainda mais numa temperatura de 4 graus durante a noite. Só o tempo registrado em vídeo ultrapassou os 10 dias. Durante a noite, algumas pessoas gritaram que um flash de luz azul saiu da cabeça do jovem. O programa não conseguiu registrar o fato, pois até então a câmera ainda não estava filmando Ram.

Vê se dá pra meditar com uma esculhambação dessa ao redor da árvore?
Uma coisa bem estranha que aconteceu quando o Discovery se preparava para ir embora é que durante a noite ele simplesmente sumiu. As pessoas estranharam e hipóteses sobre a morte do jovem foram levantadas. Muitos acharam que havia morrido, e que seu irmão (que o “protegia” e também cobrava ingresso para o público o ver) havia retirado o corpo dali antes que todos vissem. Outros disseram que o menino saiu por conta própria, por não ter paz para meditar (isso é praticamente certo… as pessoas que iam vê-lo tiravam fotos, comentavam alto, traziam crianças etc). Outros ainda disseram que ele foi levado por outros monges para um monastério isolado. Eu confesso que pensei que o garoto havia mesmo morrido. Então hoje eu resolvi pesquisar e vi que o programa estava mesmo defasado.Um ano após o desaparecimento repentino de Ram, ele reaparece. Segundo informes da imprensa local, Ram teria se embrenhado na floresta em busca de paz. A notícia do reaparecimento do “novo buda” -como ele está sendo considerado - agitou o Nepal.

Não quero discutir religião aqui. O que eu quero questionar é algo simples: Como o cara ficou tanto tempo sem comer nem beber e não bateu a caçoleta? A história se refere a santos e mártires que passaram grandes períodos em jejum. Existe uma santa na índia chamada Giri Bala, que teria ficado mais de 50 anos sem ingerir nenhum alimento.

A Medicina ocidental é clara ao afirmar que é impossível para um ser humano passar mais de 4 dias sem ingerir líquido sem graves prejuízos para o organismo.
O Discovery Channel mostrou então o que pra mim foi a coisa mais impressionante de todo o documentário do “jovem buda”. Um iogue chamado Prahlad Jani, que afirma categoricamente que parou de se alimentar e beber aos 13 anos de idade. Detalhe, o cara tem quase 80 anos!

O iogue indiano aceitou tranqüilamente ser submetido a uma investigação profunda. Foi levado para um instituto de pesquisas médicas onde foi preso num quarto pequeno, com uma câmera que o filmava 24 horas por dia. O quarto era observado permanentemente por grupos de investigadores médicos, que a cada três horas recolhiam amostras do sangue do sujeito.

A pesquisa durou cerca de 10 dias, onde ele EM MOMENTO NENHUM bebeu água nem comeu nada, nem evacuou.

O cara ficava lá, sentado, olhando pras paredes, andando pela sala, orando e meditando. Só. De tempos em tempos ele tomava banho (lá mesmo, com a ajuda de uma bacia).

Ele não sabia, mas a água do banho era pesda antes e depois da higiene, para que os pesquisadores se certificassem empiricamente que o velhinho não tivesse bebido a água.100ml de água eram oferecidos ao sujeito para que ele lavasse a boca. Os 100ml eram novamente contabilizados em medidos após o procedimento.

O mais estranho aqui é que não estamos lidando com uma pessoa que entra num estado alterado de consciência e desliga suas funções vitais, como -em tese - seria possível num grau avançado de meditação.

Este cara está sem beber nem comer há 68 anos!
O sujeito de 76 anos de idade nunca esteve “fora do ar”. Ao contrário, ele falava animadamente e demonstrava algum vigor físico, tanto em aparência quanto nos exames sanguíneos, que apontavam índices normais em tudo. Mas como isso é possível se o cara estava sem comer há tanto tempo que nem se lembrava mais como fazia?

Mistério. O estudo foi realizado sob rígidas normas de investigação, cujo objetivo era desmascará-lo como impostor. E isso eles não conseguiram mostrar. Na verdade o resultado foi totalmente inconclusivo, pois nenhum medico conseguiu construir alguma hipótese para justificar como o sujeito estava se nutrindo.
Quando perguntado, Prahlad Jani sorriu e disse que era muito simples. Ele olhava para a luz.

Sério, não tô zoando. A explicação do cara é mais ou menos como “eu faço fotossíntese!”

Não nesses termos, óbvio. Ele nem imagina o que seja fotossíntese. Ele disse que olhava diretamente para o sol (médicos são claros em afirmar que isso danifica os olhos e pode causar cegueira). Foi fazendo isso de pouquinho em pouquinho, conseguindo ficar cada vez mais tempo olhando para o astro-rei. Até conseguir se manter olhando diretamente para a estrela por vários minutos. Prahlad Jani disse que um buraco misterioso surgiu no céu da boca e quando ele olha para o sol, um tipo de gosma adocicada escorre para sua boca e é disso que ele se alimenta desde então. Uma médica enfiou o dedo na boca do velho e realmente disse que ele tem uma fenda no palato, e até sentiu um pouco da consistência pegajosa da “coisa” .

Segundo ele, o furo teria surgido por milagre, internamente, entre sua boca e o nariz aos oito anos de idade, quando olhava para o sol.

Isso me deixou ainda mais intrigado, pois uma fenda no palato conduziria diretamente ao interior do nariz, e isso que escorre só poderia ser… catarro!
Mas veja que loucura. Acho uma idéia mais provável que o velho viva de luz do que de catarro. Seja como for, ficou demonstrado no estudo que o sujeito manteve níveis sanguíneos totalmente normais em jejum de água e comida por dez dias. Sem evacuar nem urinar. Isso por si só já desafia totalmente o que sabemos sobre as funções vitais. Como é possível?

Embora isto não prove que passou os últimos 68 anos em total abstinência, Prahlad deixou o hospital como um herói para seu pequeno grupo de seguidores, que o acompanharam até a caverna onde vive em meditação, na periferia de uma cidade próxima.

Fonte:BBC

Segundo a pesquisadora Sara Lazar, a mente humana poderia atingir um grau de controle sobre o organismo que até então desconhecíamos. A Neurocientista vai além e diz que
a meditaçãopode alterar a estrutura física do cérebro!
Um estudo recente da
Universidade de Harvard mostrou que num transe de meditação monges experientes podem mudar a temperatura de seus corpos, o que permitiria a eles meditar com pouquíssima roupa nas congelantes montanhas do Himalaia.

Serpa mesmo verdade que a mente pode sobrepor a matéria? Será mesmo possível que seres humanos possam existir sem se alimentar fisicamente? Seria tudo isso uma série de hoaxes bem elaborados? Estariam os livros sagrados do cristianismo corretos?

São novos e intrigantes mistérios que a ciência tenta revelar.

AVISO AOS NAVEGANTES: Não vá dar uma de retardado e parar de comer, ou ficar olhando para o sol querendo viver de luz. O cara ali em cima é um iogue que pratica esse troço que nem sabemos se é truque ou realidade. Não seja estpupido. Fazer jejum sem controle pode desencadear graves problemas físicos e desequilíbrios neuroquímicos no seu cérebro. Eu não me responsabilizo por atitudes idiotas, ok? Mas se for tentar, não esqueça de avisar sua família que se algo sair errado é para te inscrever no
Darwin Awards.

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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

ESTILO DE VIDA MODIFICA ATUAÇÃO DOS GENES

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GENÉTICA NÃO É DESTINO
Genética não é espelho
Autor(es): Gabriela Carelli
Veja - 20/04/2009

Nascer com patrimônio genético idêntico não significa que as pessoas crescerão tendo corpo, mente e doenças iguais.A descoberta de que os hábitos e o estilo de vida mudam o comportamento dos genes está na raiz de uma revolução extraordinária para a medicina. Ela ajudará na criação de remédios personalizados, capazes de alterar o genoma para deter o desenvolvimento de doenças e de transtornos psíquicos

Mirian Fictner

O sequenciamento completo do genoma humano, obtido há seis anos, ao cabo de um esforço coletivo de pesquisadores americanos, ingleses, canadenses e neozelandeses, foi uma das mais espetaculares conquistas científicas de todos os tempos. Do estudo resultou um mapa com a posição de cada uma das múltiplas variações dos genes, os tijolos moleculares que se combinam no coração das células para definir as características físicas dos seres humanos. Cada pessoa tem de 20.000 a 25.000 genes. Com exceção dos gêmeos univitelinos, como as gêmeas que ilustram esta reportagem, não existem dois seres humanos com a mesma combinação genética. A cor dos olhos, a tendência para engordar, o temperamento, a propensão para determinadas doenças são características definidas mais ou menos fortemente pelas bases químicas dos genes. Mapear o genoma humano foi o começo, e não o fim, de uma ambiciosa linha de investigação. O mundo científico ficou ainda mais complexo depois do mapeamento genético feito há seis anos, quando os pesquisadores passaram a se dedicar a entender a função de cada um dos genes e, o supremo desafio, explicar as razões pelas quais eles às vezes exercem suas funções e outras parecem hibernar preguiçosamente nos cromossomos sem nunca ser ativados – ou por que mesmo pessoas com estoque hereditário idêntico, como os gêmeos univitelinos, podem carregar um mesmo gene, mas que se expressa de maneira totalmente diferente num e noutro organismo.

Para efeito de diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças, o que se descobriu depois do mapeamento do genoma constitui o começo da verdadeira revolução biológica. Equivale à abertura de uma nova porta para o conhecimento humano. Já se sabia que os fatores ambientais, ou seja, as experiências, os hábitos e o estilo de vida também influem nesses processos. Não se tinha ideia, porém, de como se dava essa influência. Agora, não apenas se encontraram os mecanismos de ação dos fatores ambientais como se constatou que eles são muito mais atuantes na ativação ou desativação dos genes do que se pensava. Isso abre frentes extraordinárias para a medicina. No futuro próximo, entre outros recursos, será possível desenvolver remédios personalizados, destinados a fazer interferências pontuais no genoma de cada paciente.

Lailson Santos

PESQUISA DO FUTUROO aposentado Daphnis de Lauro, de 84 anos, e sua mulher, Esther Citti, de 80, não desenvolveram nenhum tipo de doença relacionada ao envelhecimento. Pessoas como eles estão sendo recrutadas pela geneticista Mayana Zatz para formar um banco genético com amostras de DNA de idosos saudáveis. No futuro, com os avanços que se esperam na genética, as informações serão usadas para entender melhor as doenças e combatê-las

O tipo de alimentação, o nível de atividade física, o tabagismo, o uso de medicamentos, as experiências emocionais – todos esses fatores agem para "ligar" ou "desligar" determinados genes, ou seja, torná-los ativos ou conservá-los adormecidos. Nos dois casos, ocorrem alterações físicas e psicológicas em seu portador. Essas mudanças podem ser para o bem ou para o mal, atenuando sintomas de doenças ou provocando seu desenvolvimento. Os gatilhos que ativam ou desativam os genes são acionados por trechos do genoma que até pouco tempo atrás os cientistas tinham por inúteis – o chamado DNA lixo. Agora se sabe que eles servem de elemento de ligação entre os fatores ambientais e os genes. Esse ramo da genética que estuda a interação entre o ambiente e o genoma é conhecido como epigenética. O geneticista americano Randy Jirtle, da Universidade Duke, usa uma analogia para explicá-lo. Disse Jirtle a VEJA: "Imagine o material genético existente no organismo como um computador. O genoma é o hardware. Para que a máquina funcione, é preciso ter softwares. Os mecanismos epigenéticos são os softwares. Eles produzem resultados distintos rodando sobre um mesmo hardware, ou seja, o genoma herdado dos pais".

Até recentemente, acreditava-se que as alterações epigenéticas ocorriam apenas na fase de desenvolvimento fetal. Enquanto o embrião se forma, a ação dos genes pode ser modificada pelos nutrientes que chegam a ele pelo cordão umbilical. É por isso que se aconselha às mães a ingestão de ácido fólico, uma das variantes da vitamina B. O consumo dessa substância, nos três primeiros meses de gravidez, pode desligar genes relacionados às más-formações congênitas. Agora, sabe-se que as mudanças no genoma acontecem ao longo da vida. A maior prova disso está no estudo feito com gêmeos univitelinos. Idênticos, eles possuem o mesmo código genético. No entanto, os genomas de ambos se tornam diferentes no decorrer dos anos, o que comprova a ação do ambiente no código genético. O estudo mais significativo sobre a influência da epigenética em gêmeos foi feito pelo Centro Nacional de Investigações Oncológicas da Espanha. Os geneticistas avaliaram quarenta pares de gêmeos univitelinos, com idade entre 3 e 74 anos. Os pares de gêmeos mais jovens, e também aqueles que tinham o mesmo estilo de vida, possuíam genomas muito semelhantes. Em pares de gêmeos mais velhos, principalmente aqueles com hábitos distintos, os cientistas encontraram diversas diferenças nos padrões genéticos. "É impressionante como uma pequena diferença na vivência ou mesmo na dieta pode fazer um dos gêmeos desenvolver um câncer e o outro, não", disse a VEJA o geneticista Moshe Szyf, da Universidade McGill, no Canadá.

Marcos Rosa

GENE QUE AMEDRONTA
O empresário Marcelo Rodrigues Afonso passou parte da infância à procura do pai, alcoólatra, nos botequins do bairro onde morava. Seu avô paterno tinha o mesmo vício. Marcelo não bebe. Mesmo assim, frequenta um grupo de apoio. "Tenho medo de ter herdado o gene do alcoolismo e, um dia, prejudicar a vida da minha mulher e dos meus filhos", diz

Ao apontarem para a cura de doenças atacando-as na escala infinitesimal dos genes, as novas descobertas da ciência representam um novo marco na linha de pensamento iniciada no século XIX pelo naturalista inglês Charles Darwin, autor da teoria da evolução. Darwin foi contemporâneo do monge agostiniano austríaco Gregor Johann Mendel (1822-1884), mas, certamente, não teve acesso às pesquisas pioneiras dele sobre a transmissão de caracteres hereditários em ervilhas. Mendel só viria a ter seus méritos reconhecidos mesmo quase meio século depois da morte de ambos, quando os resultados de suas pesquisas, de tão exatos, passaram a ser tidos como leis biológicas. Sem Mendel e, obviamente, sem saber da existência do DNA, dos cromossomos ou dos genes, Darwin formulou um mecanismo de transmissão de caracteres entre gerações que se baseava no que ele chamou de "células gêmulas". Essas células viajariam pelo corpo até os órgãos sexuais e de lá passariam às gerações seguintes. O mecanismo pelo qual a informação genética é transmitida através das gerações finalmente foi elucidado em 1953, com a descoberta da dupla-hélice do DNA pelos cientistas James Watson e Francis Crick. Essa descoberta abriu caminhos para a fertilização assistida, para a clonagem de seres vivos e para a produção de alimentos transgênicos.
Também permitiu os testes de paternidade e o teste do pezinho em recém-nascidos – exame capaz de detectar anomalias e evitar o retardo mental, a cegueira e a surdez. A nova fronteira da genética é estabelecer de forma precisa como o ambiente influencia os genes.

Até agora, descobriu-se que os mecanismos epigenéticos podem modificar os genes por meio de três processos. O mais comum é a metilação, que ocorre quando um conjunto de partículas de hidrogênio e carbono se agrupa na base de alguns genes e impede que eles sejam ligados. Mais de 70% dos genes de uma pessoa podem ser ativados ou desativados dessa forma. Uma pesquisa recente da Universidade da Califórnia ilustra como ocorre a metilação – nesse caso, como resultado de mudança de hábitos. Os pesquisadores recrutaram trinta pacientes com câncer de próstata em estágio inicial e os submeteram por três meses a um programa que incluía dieta rica em vegetais e pobre em gorduras, além de exercícios físicos moderados. Depois desse período, os pacientes passaram por uma série de exames de DNA. Os testes mostraram que as medidas adotadas não só diminuíram a atividade de genes ligados ao tumor como aumentaram a expressão daqueles envolvidos na capacidade do organismo de enfrentá-lo.

Ernani D’Almeida

Os processos epigenéticos também podem ocorrer pela modificação das histonas, as linhas que envolvem o DNA e formam um novelo. De acordo com os estímulos externos, esse novelo pode se tornar mais frouxo, o que causa a ativação do gene. Já se sabe que o lúpus e alguns tipos de câncer podem surgir em decorrência desse processo. O terceiro fenômeno epigenético consiste na ação dos micro-RNAs, um conjunto de nucleotídeos que percorre o genoma ligando e desligando os genes. As primeiras aplicações da epigenética na farmacologia prenunciam a revolução que está por vir. Já se encontra à venda uma droga, a azacitidine, capaz de desbloquear um gene silenciado pelo processo de metilação e, assim, tratar a leucemia. Em fase de teste nos laboratórios, há pelo menos oito medicamentos que revertem marcas epigenéticas. "As principais novidades utilizam os micro-RNAs, que são capazes de silenciar em até 70% a expressão de um gene", diz o geneticista Carlos Menck, da Universidade de São Paulo.

Apesar de todos os avanços na ciência da genética, apenas dentro de uma ou duas décadas será possível prevenir o aparecimento de doenças auscultando os genes, ou produzir remédios personalizados que ajam sobre o genoma específico de um paciente. Os cientistas estão ainda engatinhando no conhecimento de como ligar e desligar os genes. Já se conseguiu estabelecer conexões entre determinados genes e o estilo de vida, principalmente no que diz respeito à alimentação. Uma dieta rica em vitamina B pode reverter a modificação de histonas que causam perda da memória e das funções motoras. O resveratrol, uma substância encontrada no vinho tinto, promove uma espécie de limpeza nas histonas, o que muda a expressão dos genes do envelhecimento. Apesar do êxito de experiências pontuais para alterar o comportamento dos genes por meio de mudanças na alimentação, ainda não há conhecimento suficiente para estabelecer relações cientificamente comprovadas de causa e efeito. Não existe garantia de que uma simples mudança na dieta vá alterar o funcionamento de determinado gene e evitar o desenvolvimento de um câncer.

Desde o sequenciamento do genoma humano, tornou-se comum a linha de pesquisa que compara trechos de genomas de pessoas portadoras de determinada doença com os mesmos trechos de pessoas saudáveis. O objetivo é descobrir quais genes são responsáveis pela doença. Há duas semanas, uma série de artigos publicados na revista médica americana New England Journal of Medicine coloca em xeque a eficácia dessas pesquisas, alegando que as variações genéticas que elas detectam pouco esclarecem sobre as ligações entre os genes e as doenças. Num dos artigos, o geneticista David Goldstein, da Universidade Duke, diz que as doenças mais comuns provavelmente são resultado de 1.000 variações genéticas, e não de apenas dez, como pensa a maioria dos pesquisadores. Goldstein é um dos cientistas que propõem uma nova linha de pesquisa para descobrir as ligações entre os genes e as doenças – decodificar o genoma inteiro de alguns pacientes, em vez de comparar trechos de genomas de pessoas doentes e saudáveis. Diz a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo: "Os avanços tecnológicos permitiram a observação do genoma de forma detalhada e precisa. As descobertas são impressionantes. Conseguimos informações preciosas sobre os genes, as marcas epigenéticas e as mudanças do genoma ao longo da vida, o que dá início a uma revolução. Mas ainda não temos conhecimento científico suficiente para saber o que fazer com todas essas informações".


Lailson Santos

A comparação entre trechos de genomas de pessoas doentes e sadias é justamente o método usado na maioria dos testes genéticos feitos sob encomenda, que se tornaram uma mania nos Estados Unidos. Esses testes servem apenas como alerta, indicando predisposição a determinadas doenças, o que não significa que elas vão se desenvolver. Neste ano, os laboratórios devem oferecer mapeamentos completos de genoma por 5.000 dólares. São de pouco uso, já que a ciência não dispõe de instrumentos para interpretar todas as informações contidas no genoma. "Muitos testes desse tipo servem apenas para criar uma neurose em torno da genética. Só nos próximos cinco ou dez anos conseguiremos utilizar todos esses achados para melhorar as condições físicas e mentais das pessoas", diz Mayana Zatz. A geneticista lidera no momento um projeto pioneiro, a formação de um banco de amostras de material genético de idosos totalmente saudáveis, que não desenvolveram nenhuma das chamadas doenças da terceira idade. As amostras serão guardadas e, num prazo provável de vinte anos, usadas para entender melhor a causa de doenças e, assim, combatê-las.

Um dos pontos mais controversos das novas descobertas da genética diz respeito à hereditariedade. As mudanças epigenéticas causadas pelos hábitos e pelo modo de vida podem ser repassadas para as gerações futuras? "De modo geral, essas marcas desaparecem na fecundação do óvulo pelo espermatozoide", diz o geneticista Salmo Raskin, da Sociedade Brasileira de Genética Clínica. Estudos com animais, porém, mostram que algumas marcas epigenéticas podem ser transmitidas aos filhotes. Numa pesquisa comandada pelo geneticista Michael Skinner, da Universidade de Washington, ratos foram expostos a um tipo de inseticida. A substância causou a metilação de dois genes relacionados à produção de esperma e os animais passaram a produzi-lo em menor quantidade. A deficiência se perpetuou por quatro gerações. Mais de 90% dos machos descendentes das cobaias apresentavam os mesmos problemas, sem nunca terem sido expostos ao inseticida. Não se deve confundir a transmissão dessas marcas epigenéticas com o lamarckismo, a teoria, que se provou falsa, segundo a qual características adquiridas ao longo da vida podem ser transmitidas aos descendentes. "Ninguém vai fazer ginástica, criar músculos e dar à luz um bebê mais forte", explica Salmo Raskin. "A transmissão de marcas epigenéticas é raríssima. Assim como nas mutações, ela só acontece quando há alterações em células germinativas", ele completa. A próxima revolução no conhecimento da genética está apenas começando.


Há muito os cientistas sabem que o ambiente uterino atua de modo a evitar que as informações genéticas embaralhadas dentro do zigoto produzam seres monstruosos. Mas só recentemente se descobriram pistas concretas sobre como isso acontece. A principal delas está nos homeobox, um grupo de genes classificados como controladores. Eles agem acionando outros genes para induzi-los a determinado comportamento, seja produzir um rim, seja colocar os olhos no lugar certo. Dessa maneira, garantem a manutenção dos padrões resultantes do processo evolutivo. "Esses genes mantiveram-se praticamente intactos durante a evolução. São eles que ensinam aos outros genes o caminho a seguir para dar continuidade às espécies e não deixam a receita da vida se perder pelo caminho", diz o geneticista Emmanuel Dias-Neto, da Universidade do Texas. O homem tem cerca de 100 genes homeobox – outros mamíferos, répteis, insetos, plantas e fungos também os possuem.

Começou-se a descobrir o papel dos genes homeobox a partir do estudo de anormalidades em embriões e em recém-nascidos. Mutações nesses genes são a principal causa de abortos espontâneos e de mudanças visíveis no fenótipo de um ser humano, como a mão com seis dedos em vez de cinco. Os genes homeobox são provavelmente apenas uma de inúmeras famílias de genes controladores. Falta descobrir as outras.

Com reportagem de Duda Teixeira e Carolina Romanini

Genes no combate ao crime

Quem é fã do seriado de televisão CSI (Crime Scene Investigation), exibido no canal AXN, sabe como a genética pode ser útil na solução de crimes. Pedaços de unha, fios de cabelo e até urina – vale de tudo para achar uma amostra do DNA do suspeito e, assim, identificá-lo. Muito do que é mostrado no programa tem correspondência na vida real. A perícia genética não para de avançar. A partir da análise de amostras do DNA, os cientistas já conseguem presumir a idade, a altura, a cor dos olhos, do cabelo e algumas feições do suspeito. Recentemente, a polícia do estado da Louisiana, nos Estados Unidos, prendeu um homem acusado de ser um perigoso assassino serial. Pelos relatos de testemunhas, ele seria branco. No entanto, as amostras de DNA coletadas pelos investigadores diziam – corretamente – que era negro. Há dois anos, a polícia espanhola usou a mesma tecnologia para encontrar o suspeito dos atentados terroristas que destruíram uma estação de trem em Madri, em 2004. O teste genético feito nas amostras de DNA indicou que um dos participantes seria natural do norte da África. Outras provas validaram o resultado: ele era argelino.

Nem todas as investigações que se utilizam do DNA são bem-sucedidas. A genética forense ainda está em seus primórdios. É impossível garantir 100% de exatidão nos resultados, principalmente nos testes que deduzem a etnia do suspeito. Isso porque os testes não funcionam em pessoas com diversas origens étnicas. "Há uma perigosa tendência a fazer correlações entre etnia, crime e predisposição genética", alerta Pamela Sankar, professora de bioética da Universidade da Pensilvânia. Por isso, antes de acusar alguém, sejam as provas genéticas ou não, vale a máxima de que todo o cuidado é pouco.

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/4/20/genetica-nao-e-destino
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

EVANGELHOS APÓCRIFOS, CRISTIANISMO ORIGINAL, MARÍLIA FIORILLO

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VÍDEOS

http://www.youtube.com/user/gaiasohl#p/search/1/hcN5s3Ij9E0

http://www.youtube.com/user/gaiasohl#p/search/2/ByMhPN9doIE

http://www.youtube.com/user/gaiasohl#p/search/0/-ACd_7ZYNJw

O começo do cristianismo visto por Marilia Fiorillo

Os primeiros séculos do cristianismo foram marcados pela disputa entre diversos grupos com interpretações diferentes sobre o significado dos ensinamentos de Jesus. Com o crescimento na religião, o racha nas interpretações logo virou uma briga por poder. No recém-lançado "O Deus exilado" (Civilização Brasileira), a professora da USP Marilia Fiorillo conta a história dos perdedores dessa briga, os chamados grupos gnósticos. Como ela explica nesta entrevista ao blog, são grupos que tinham em comum a valorização do conhecimento como caminho para a salvação, e assim, em contraste com os extremismos atuais, procuravam "conciliar o ímpeto pelo sagrado com a autonomia e liberdade de cada indivíduo".



Quando e em que circunstâncias surgem os primeiros movimentos gnósticos?


Falar em gnosticismo é o mesmo que falar em cristianismo primitivo, pois os cristãos gnósticos surgem com os primeiros grupos de seguidores de Jesus, já em finais do século I , e são praticamente os primeiros e únicos no Egito e na Síria oriental (que, com Antioquia e Roma, eram as metrópoles da nova religião), até o século IV. Isto ficou comprovado pela descoberta recente dos manuscritos de Nag Hammadi, e dos Evangelhos de Maria e de Judas, que, apesar de encontrados em locais diferentes, fazem parte de uma mesma "

biblioteca" gnóstica, isto é, trazem uma versão própria e diferente do que as comunidades então acreditavam ter sido a mensagem do fundador Jesus.

Pode-se dizer que este livro trata de uma revisão histórica, ao dar voz aos perdedores da primeira batalha dentro do cristianismo, revelando fatos e ideários que não foram registrados na história oficial da Igreja. Esta, aliás, os combateu desde o princípio, e os derrotou de vez assim que a facção de Roma -a dos futuros católicos- ganhou a simpatia do imperador Constantino e se tornou a religião oficial do império romano.


A descoberta de um rico e vasto material sobre as comunidades gnósticas permitiu a divulgação, e reinterpretação, de uma outra versão sobre os primórdios do cristianismo. È interessante como esta questão das versões é atualíssima, e está em pauta, por exemplo, no principal episódio de política internacional que ocupou as manchetes nos últimos dias: os acontecimentos dramáticos que têm ocorrido na Faixa de Gaza. A versão oficial de Israel é a da legítima defesa; a versão de vários governos tem sido a de que se trata de um ataque desproporcional; já a versão do comissariado de direitos humanos da ONU, da Cruz Vermelha, da Anistia Internacional, da Human Rights Watch e de outras organizações humanitárias , após a divulgação dos últimos acontecimentos, é a de que se trata de um crime de guerra. A perseguição aos gnósticos foi brandíssima, mesmo tímida, se comparada ao atual massacre da população civil palestina. Mas em ambos os casos a história acaba se tornando a versão daquele que vence, daquele que ficou, ou ficará, para contá-la com autoridade ou legitimidade.


Quais são as principais questões que mobilizam seus integrantes, e quais os principais ramos que se desenvolvem?


Uma das principais características do gnosticismo é sua pluralidade. Eles divergem dos ortodoxos - aqui entendidos como os futuros católicos, "futuros" pois, até o século IV, ninguém poderia dizer ao certo quem era "orto", isto é, "reto", e quem era "hetero", isto é "diferente", pois as doxas (isto é, opiniões, no caso sobre o cristianismo) se equilibravam em número de adesões, importância e popularidade. Isto fica claro quando lembramos que dois dos expoentes gnósticos do século II, Valentino e Marcion, concorreram ao mais alto cargo de bispo inclusive em terreno alheio, isto é, Roma.


Assim, os gnósticos divergem mesmo entre si, e muito: há os que acham que a ressurreição foi só simbólica (os docéticos) e os que crêem que foi real, material; há aqueles simpáticos a certas passagens da Torá hebraica e os que a repudiam veementemente; os que acham que Jesus era um sábio, ou um anjo, ou um mestre ou a própria divindade.
Neste oceano de divergências compartilhadas eles têm, porém, três princípios em comum: 1) o de que o caminho para a salvação se faz pela gnose, ou conhecimento direto e individual de Deus, e não pela fé em algo transmitido por terceiros; 2) a idéia de que conhecer Deus é se conhecer, isto é, que cada pessoa possui uma faísca do divino em si; e 3) uma certa insolência ou arrogância que se revela tanto no estilo de seus evangelhos como no menosprezo que devotam aos opositores ortodoxos, para eles uns "tolos" e "falsos cristãos".


Como se dá o diálogo entre esses pensadores e o cristianismo?


Na verdade esses pensadores –pregadores, lideranças ou escritores- são tão cristãos quanto os que ficaram com o título. O diálogo e debate é intenso e feroz, eles se acusam mutuamente (de ímpios ou tolos) e há mesmo autores que dizem ser impossível imaginar a Igreja sem eles, pois eram a sombra uns dos outros, tamanha a competição, e em pé de igualdade. Dois padres da Igreja escreveram profusamente sobre eles no segundo século, Irineu de Lyon e Tertuliano de Cartago –este último foi tão zeloso em sua campanha que seu purismo acabou levando-o a ser excomungado pela própria Igreja.


Quando Irineu e Tertuliano acusam os gnósticos de "serpentes, escorpiões, devassos", o que lhes incomoda são principalmente dois traços de seus adversários: a imaginação (muitas vezes desenfreada ), e a audácia.


A principal acusação de Irineu era a de que os gnósticos não possuíam "o medo de Deus em seus corações". Para este primeiro teólogo da Igreja, o medo da punição divina era o que forjava um bom cristão, e como os gnósticos não pareciam movidos a medo, sugeriu que o melhor método para tratar estes adversários internos era "ferir fundo a besta". A principal crítica de Tertuliano -além de seu horror ao "despudor" das mulheres que participavam como iguais dos cultos gnósticos- era que estes "dissidentes" misturavam platonismo, isto é, filosofia, com cristianismo, e se permitiam a veleidade de pensar como bem entendiam. A "humanidade" (sic) com que os gnósticos se tratavam, assim como o "atrevimento" de suas mulheres , além da mania petulante deles de "perguntar sobre tudo" eram, segundo Tertuliano, vícios imperdoáveis.


Mas o mais interessante, agora que se pode ler na íntegra as idéias contidas nos manuscritos gnósticos, é notar o quanto a teologia dita ortodoxa nasceu, na verdade, de um empréstimo das idéias gnósticas, viradas do avesso. Por mais que Irineu e Tertuliano abominassem a imaginação gnóstica, foi nela que beberam. A teologia ortodoxa nasce como uma teologia da refutação, em que os éons dos gnósticos foram transformados em anjos, a ignorância (para os gnósticos, fonte de todo mal) virou pecado e a questão do sofrimento humano foi equacionada no livre-arbítrio.


Em que o gnosticismo pode ser importante para as reflexões contemporâneas?


Em uma palavra: no amor à liberdade. Os gnósticos eram ridicularizados e atacados por seus oponentes tanto por seu "excesso de imaginação" , isto é, pela livre interpretação que faziam da mensagem cristã (um de seus críticos dizia que eles empilhavam doutrinas como quartos de aluguel, e que havia tantos gnosticismos quanto membros de uma congregação), quanto por sua excessiva tolerância –eles admitiam que mulheres virassem bispos, adotavam o sistema de funções em rodízio, e achavam que o contato com Deus era direto e não precisava da intermediação de uma casta sacerdotal. A principal lição destes anarquistas espirituais é o elogio da convivência, o gosto pela diferença, e uma profunda antipatia por dogmas e autoridades auto-proclamadas. Numa época como a nossa, em que os fundamentalismos religiosos de todos os matizes ganham terreno, o gnosticismo é uma rara e feliz mostra de que, certa vez, foi possível conciliar o ímpeto pelo sagrado com a autonomia e liberdade de cada indivíduo, deixando os assuntos de Deus a cargo e competência de cada um, em vez de excluir, perseguir e matar coletivamente em Seu nome.


Fonte:


http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/...st=154712&a=96

Vídeo com outra entrevista:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM988257-7823-UM+MERGULHO+NO+MOVIMENTO+DO+GNOSTICISMO,00.html
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Os cristãos gnósticos são o tema do livro ‘Deus Exilado’, escrito por professora da USP.

A história do Cristianismo no mundo se divide entre perseguidos e perseguidores. A intolerância com a fé alheia promoveu - e ainda promove - muitos levantes e massacres ao longo dos séculos. Guerras civis em nome da religião sufocaram muitos credos em nome um totalitarismo cristão, baseado em dogmas impostos pela maioria. Mas houve um tempo em que as crenças cristãs eram bem mais pluralistas do que hoje; nessa época, aceitavam-se todas as opiniões sobre o quê e quem era Deus. A Palavra era interpretada ao modo de quem nela acreditava, gente simples ou de posses.




Esse período e seus principais personagens - os cristãos gnósticos que viveram nos três primeiros séculos de nossa era - são o tema do livro Deus Exilado (Civilização Brasileira; 272 páginas; R$ 39,00), escrito pela professora de história da filosofia e doutrinas políticas da Escola de Comunicação e Arte da USP, Marília Fiorillo.


Chamados pela autora de “anarquistas espirituais”, os cristãos gnósticos, segundo ela, eram “livres-pensadores discípulos de Jesus e se consideravam Seus genuínos seguidores, cristãos de verdade e opositores dos ‘falsos crentes’ (futuros católicos)”.


De acordo com Marília Fiorillo, os gnósticos eram "extremamente influentes no Egito, na Síria e na Ásia Menor, populares e incômodos o suficiente a ponto de desencadearem a primeira campanha anti-herética da Igreja que apenas engatinhava".


A existência dessa seita do Cristianismo foi confirmada pela descoberta nos anos 1970 dos manuscritos da biblioteca de Nag Hammadi, pequena localidade no Egito, e que continha os evangelhos gnósticos. “Foi uma reviravolta na história oficial, que os ignorava e os tratava como hereges tardios”, afirma a professora.


Doutora em História Social, Marília Fiorillo foi buscar na Ciência o rastro da seita cujos seguidores pensavam muito diferente dos cristãos que os sucederam. Documentos paleográficos “provaram que o cristianismo primitivo, o dos três primeiros séculos, quase nada tinha em comum com aquela doutrina exclusivista e excludente transformada em religião oficial pelo imperador Constantino no século IV, e logo tornada religião única e obrigatória do Império Romano”, afirma a autora.


Segundo o livro da professora da USP, os cristãos gnósticos foram sendo dizimados ao longo dos séculos e desapareceram por completo na Idade Média, pelas mãos do papa Inocêncio III. Foi ele quem promoveu a Cruzada Albigense, que queimou vivos tantos “bons homens” como os gnósticos eram conhecidos na época.


A barbárie em nome de um credo único foi tanta que cidadelas inteiras foram queimadas, mesmo depois que seus moradores já haviam se rendido ao Catolicismo. A Igreja não poderia deixar rastro do pensamento irreverente dos gnósticos.


Na apresentação da publicação, a autora diz que o livro é "para gente desconfiada. Para quem desconfia que há muita história que nos foi subtraída, não por odiosa conspiração dos vencedores, mas porque a versão do vencido se perde no rastro da história".


A autora afirma também que Deus Exilado pode ser um livro "para quem está preocupado com o avanço do fundamentalismo religioso, que intoxica o mundo de modo tão ecumênico, infiltrando-se em todos os cantos do planeta".


Fonte:
http://www.cristianismohoje.com.br/artigo.php?artigoid=37075




O DEUS EXILADO
Marília Fiorillo
Editora: Civilização Brasileira (Grupo Record)

Descrição:
Este livro trata do gnosticismo cristão. Revela que a descoberta dos manuscritos de Nag Hammadi, no Egito, publicados nos anos 70, revolucionou o entendimento sobre esta religião. Provou-se que o cristianismo dos três primeiros séculos pouco tinha em comum com aquele adotado pelo imperador Constantino no século IV, e logo transformado em religião do Estado.





Mais em:http://www.pucsp.br/rever/rv1_2008/i_fiorillo.htm

http://www.luizberto.com/?p=18876

http://www.revistadigital.com.br/leitura.asp?NumEdicao=238&CodMateria=1939
http://www.levir.com.br/salao7.php?num=0236


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Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

CHEIRO DE MATO - FÁTIMA GUEDES


Cheiro de Mato
Fátima Guedes


http://www.youtube.com/watch?v=sb2N2WrM5ko



Letra:

Ai, ai o mato, o cheiro,o céu


O rouxinol no meio do Brasil


O Uirapuru canta prá mim


E eu sou felizSó por poder serSó por ser de manhã, manhã, manhã


Manhã, manhãNessa clareira o Sol


Se despe feito brincadeira


Envolve quente a todo ser vivente


Taperebá


Canela, tapinhoã, nã nã nã nã


Não façam nada


Que perturbe a doida a louca passarada


Ou iniba qualquer planta dormideira


Ou assuste as guaribas na aroeira


Em contra-ponto com pardais urbanos


Tão felizes soltos dentro dos meus planos


Mais boquiabertos que os meus vinte anos


Indóceis e livres como eu



publicado por conspiratio às 20:40
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

SOBRE O XAMÃ

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A IMPORTÂNCIA DO XAMANISMO


O xamã (a palavra é de origem tungusiana) não é o mesmo que curandeiro, feiticeiro ou mágico, encontráveis em todos os grupos primitivos até os tempos de hoje. É, na verdade, um tipo especial de indivíduo que sobrevive entre alguns caçadores do Norte da Sibéria e entre os esquimós, e que deixou vestígios na Austrália e na África.

É um homem que combina funções e habilidades que no mundo contemporâneo se divorciaram umas das ou­tras; é simultaneamente sacerdote, médico e artista. Con­forme pode ser comprovado pela arte dos xamãs atuais, muitas das mais antigas pinturas rupestres franco-cantábricas são "xamanistas" — isto é, produzidas por xamãs e derivadas de sua maneira de pensar. Para compreender essas pinturas é necessária, portanto, uma explicição mais precisa do que é o xamã.

Entre vários povos primitivos, xamã e curandeiro pre­enchem funções idênticas e usam idênticas técnicas psico­lógicas, mas cada qual tem caráter e mentalidade comple­tamente diferentes. O curandeiro surge em todos os grupos primitivos, quase sem exceção. Sua função é, antes e aci­ma de tudo, a de médico, mas possui também posição fim; portanto dentro do grupo. Freqüentemente se encontra no pólo oposto ao do chefe. Às vêzes ambas as funções são exercidas pelo mesmo indivíduo. Na maioria dos casos, seu papel ultrapassa o do médico e se aproxima do exer­cido pelo pastor ou sacerdote — ou pelo psicólogo de hoje.

O xamã também desempenha as funções de padre e médico, mas, ao contrário do curandeiro, age sempre em estado de transe auto-induzido. Quando conjura espíri­tos ou faz tentativas de cura, jamais opera em estado de inteira lucidez e, sim, em êxtase. Encontram-se, portanto, em relação ao xamã, fenômenos psíquicos, tais como tele­patia, clarividência, desaparecimentos e reaparecimentos misteriosos etc. Para o curandeiro, essas atividades per­tencem mais ao reino da mistificação. São exercidas a fim de sublinhar o efeito da sugestão sôbre o auditório. O xamã, por outro lado, experimenta todos êsses fenômenos psicológicos com grande intensidade, em sua própria pes­soa. No curandeiro é possível perceber um inconfundível desejo de poder. O xamã, porém, é uma personalidade mais complexa. Em vários casos, torna-se o que é, não por von­tade própria, mas porque é forçado, impelido pelo sen­timento de que é essa a sua vocação. O xamã exerce grande influência sôbre os que o rodeiam, e sua função social é sem dúvida a de lhes controlar e preservar o equilíbrio psicológico, mas desempenha-a, não em busca de poder, mas como resultado de seu próprio desenvol­vimento psicológico.

As diferenças psicológicas entre curandeiro e xamã são encontradas no decurso dos acontecimentos que os levam a adotar suas respectivas funções, nas diferenças entre suas personalidades, em sua atitude em relação ao mundo que os rodeia e nas diferentes técnicas que usam para influir sobre o meio. Finalmente, há o fato de que o xamã é muitas vezes um artista em atividade — cantor, dan­çarino, decorador ou ensaiados —, funções que o curandeiro não desempenha. O xamã com freqüência assume involuntàriamente seus deveres. Parece estar sob pressão, de que só escapará tornando-se xamã. Narrativas sibe­rianas tornam bem claro que o futuro xamã não sente nenhum desejo consciente para exercer tal ofício, mas é forçado a isso "pelos espíritos" e finalmente acede, para não perecer. O jovem xamã em formação é um homem doente. Sofre de perturbações psicóticas ou epiléticas, além de ser fisicamente enfermo. Apesar de freqüentes tentativas para fugir às exigências que sobre ele fazem os espíritos, não o consegue, o que lhe agrava cada vez mais a condição doentia. Encontra-se, então, num dilema que só pode solucionar morrendo ou assumindo o ofício de xamã.

Em termos correntes, sofre de uma psicose progressiva, que o compele a adotar uma atitude mental e um modo de agir estabelecidos pela tradição, ou então perecer. A psicose pode ser tão séria que chegue realmente a destruí-]o, se não for curado a tempo. O processo de cura considerado uma forma de morte e renascimento. O xamã em potencial pressente como o espírito o dilacera, consome e mata. Durante a cura, sente as diversas partes de seu corpo reunirem-se novamente e vê restaurar-se sua personalidade. A psicose de que sofrem tais pessoas deve ter longa história. Em data muito remota, os homens já devem ter descoberto meios de curá-la e devem ter dado a esses meios certas formas tradicionais. Em contraste com o curandeiro, que assume sua profissão como indi­víduo saudável, ávido de poder, o xamã, a principio, surge como inválido, que precisa atravessar determinado pro­cesso de desenvolvimento antes de curar-se. As suas fun­ções sociais desenvolvem-se, por assim dizer, como um auxiliar desse processo de cura. E são essas funções sociais, naturalmente, que o tornam tão significativo para o grupo ao qual presta assistência. A cura, que se trans­forma num transe prolongado, se bem que freqüentemente interrompido, é incorporada à tradição religiosa local. Nesse estado de inconsciência, o xamã vê mentalmente imagens, e a tradicional cosmologia de sua comunidade, sua mitologia, assume em seu espírito uma nova forma artística e poética. Determinadas formas e estilos podem ser atribuídos à influência do xamanismo, e certos mé­todos e técnicas, tais como o drama, a dança, a recitação de odes e o uso de máscaras, provàvelmente se originaram, em grande parte, do processo de auto-cura a que o xamã em potencial teve de se submeter.

Os membros da tribo consideram-no alguém que, em transe, pode separar a "alma" do corpo pela força de sua vontade e viajar para o "outro mundo" ou para o "além", onde cria (num plano psicológico) pré-requisitos neces­sários à ocorrência de fatos no mundo real. O xamanismo, como técnica e como atitude mental, deve ter-se de­senvolvido num tempo em que o homem não mais se sentia unido à natureza numa entidade orgânica, e se tornara consciente de uma existência física e mental in­dependente. Vigorosas experiências psíquicas começaram a surgir, não como acidente pessoal, mas como projeções de espíritos estranhos, invisíveis ao comum dos mortais, e que se supunha haverem tomado posse do corpo do xamã. Em terminologia antropológica, os xamãs são clas­sificados como “sacerdotes frenéticos". O fenômeno do frenesi só ocorre no estágio do desenvolvimento humano em que o indivíduo não se encontra ainda inteiramente cônscio do efeito de seus próprios processos mentais. O conceito de uma alma capaz de se separar do corpo, continuar a viver depois da morte e mais tarde ser no­vamente dotada de um corpo é de fundamental significa­ção no surgimento do xamanismo. Tanto os homens como os animais dispunham de uma alma, sujeita às mesmas leis que regiam a separação e a reencarnação. A magia dos povos caçadores primitivos, que é de origem muito an­tiga, baseia-se inteiramente na idéia de que a alma dos animais pode ser aprisionada e morta. Segue-se daí que os animais podiam ser mortos pelos mesmos meios.

A fim de garantir o êxito de suas expedições de caça, o xamã transporta-se, ou mais exatamente, manda sua alma para outro mundo, enquanto "seu corpo fica como morto". Ali, ou ele caça espíritos de animais, ou negocia com a "senhora dos animais", espírito a quem toda a fauna deve submissão. Desenhos, poemas e danças, tudo serve ao xamã como meio para descrever sua viagem ao além. O segredo da magia propiciatória da caça consiste na mímica. A expedição bem sucedida é mentalmente visualizada, com antecipação, pelo xamã, e representada com tal convicção que quando os caçadores partem nem sequer concebem a possibilidade de um fracasso. Ao per­seguirem e abaterem a presa, estão dotados da segurança dos sonâmbulos. O xamã tem o poder de afastar doenças e acidentes, tanto quanto possível, através de influência sobre a atitude psicológica do paciente. Essa influência,exercida sobre o bem-estar de seus companheiros de tribo, consiste em despertar entre eles sentimentos de autocon­fiança, ou a absoluta convicção em seu imediato sucesso.

Muita atenção se tem dado, com razão, ao papel social do xamã como mágico, sacerdote e médico. Suas realiza­ções artísticas, porém, talvez sejam mais importantes, senão do ponto de vista social, pelo menos do individual. São logicamente vitais para a compreensão das pinturas rupestres. Todo o processo de se tornar e agir como xamã é essencialmente um processo de criação artística. Para começar, um inválido cura-se desenvolvendo as habilida­des artísticas latentes. Em seguida, sua eficácia social consiste em repetir o processo à vontade, em ocasiões específicas. Principia caindo em transe, para o que usa diversos meios, geralmente o som repetido e monótono de um tambor, acompanhado de movimentos de dança. Perdendo consciência, dá expressão à sua mente criativa subconsciente.

O xamã pode representar vividamente a cosmologia da comunidade aos que o rodeiam. Parece também que, em transe, é capaz de transferir com mais facilidade aos doentes físicos e mentais o poder de curar que adquiriu. Nesse estado cria imagens mentais e acredita achar-se em comunicação com os espíritos, visualizando a mudança de seu plano de consciência como uma '`viagem para o além". Os “espíritos" ou a "viagem" nunca são concebi­dos como manifestações de seu ser pessoal. A "comunica­ção com os espíritos" parece ser uma ativação de re­giões da consciência que ele não consegue pôr em jogo em estado normal. Isto é, evidentemente, uma técnica psí­quica, provàvelmente de origem muito recuada, ainda a ser redescoberta pelos psicólogos de hoje, e que aparentemente é remédio muito antigo para estados depres­sivos de espírito.

Nossos conhecimentos do xamanismo são em geral ba­seados em narrativas oriundas da Sibéria e da América do Norte, mas, uma vez que se defina o xamã como al­guém que só pode agir em transe, o fenômeno torna-se muito mais geral. Parece ocorrer em quase tôdas as re­giões onde sobreviveram, até há bem pouco, culturas caçadoras primitivas: entre os esquimós, os lapões do Norte da Escandinávia, na América do Sul e do Norte, em várias partes da África e no Extremo Noroeste da Austrália.


Fonte: A Arte Pré-Histórica e Primitiva, Andréas Lommel, diretor do Museu de Etnologia de Munique, Livraria José Olympio Editora.
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Domingo, 5 de Abril de 2009

TESLA, TUNGUSKA, MARCONI, FULCANELLI E UMA CIDADE SECRETA NA AMÉRICA DO SUL

 




Minado pela realização de Marconi, perturbado por problemas financeiros e rejeitado pelas autoridades científicas, Tesla encontra­va-se em situação desesperadora em meados da década. A tensão veio a se tornar tão grande por volta de 1906 que ele sofreu um colapso emo­cional. Num esforço final pelo reconhecimento de seu grande esquema, ele pode ter tentado fazer um teste com seu transmissor de alta energia para exibir seu potencial destrutivo. Isso teria sido em 1908.

O evento Tunguska ocorreu na manhã de 30 de junho de 1908. Uma explosão, calculada como equivalente a algo entre 10 e 15 megatons de TNT, esmagou 500.000 acres de floresta de pinheiros perto do rio Stony Tunguska, na Sibéria central. Rebanhos inteiros de renas foram destruídos. A explosão foi ouvida a um raio de 620 milhas. Quando enviada uma expedição para a área, em 1927, em busca de evidências de um presumível meteorito causador da explosão, nenhuma cratera de impacto foi encontrada. Quando perfurado o solo em busca de fragmentos de níquel, ferro ou pedra, os principais constituintes dos meteoritos, nada foi encontrado até uma profundidade de 118 pés.

Muitas foram as explicações para o evento Tunguska. A versão aceita oficialmente é a de que um fragmento do Cometa de Encke, composto principalmente de poeira e gelo, penetrou na atmosfera a 62.000 m/h, aquecendo-se e explodindo sobre a superfície da Terra, criando uma bola de fogo e uma onda de choque, mas nenhuma cratera. As versões alternativas do desastre vêem um miniburaco negro renega­do ou uma espaçonave alienígena que colide com a Terra, resultando em liberação de energia.

Segundo Oliver Nichelson, os fatos históricos apontam para a possibilidade de que o evento tenha sido causado por um teste de detonação da arma de energia de Tesla.

Em 1907 e 1908, Tesla escreveu a respeito dos efeitos destrutivos de seu transmissor de energia. Seu transmissor de Wardenclyffe era muito maior que o aparelho de Colorado Springs que destruíra o gerador da companhia de eletricidade. Seu novo transmissor seria capaz de efeitos de ordens de magnitude muito maiores que as do aparelho de Colorado.
Em 1915, ele disse que Já havia construído um transmissor que "quando inevitável... pode ser usado para destruir propriedade e vida".

Finalmente, uma carta de 1934 de Tesla a J.P. Morgan, descoberta pela biógrafa de Tesla, Margaret Cheney, parece apontar de forma conclusiva para o teste de arma de energia. Em uma tentativa de levantar fundos para seu sistema defensivo, escreveu:

A máquina voadora desmoralizou completamen­te o mundo, tanto que em algumas cidades, como Londres e Paris, as pessoas estão com um medo mortal de um bombardeio aéreo. Os no­vos meios que aperfeiçoei proporcionam abso­luta proteção contra essa e outras formas de ataque. Essas novas descobertas, realizadas ex­perimentalmente em escala limitada, criaram profunda impressã.

Mais uma vez, a evidência é circunstancial, mas para usar a lin­guagem da investigação criminal, Tesla tinha motivo e meios para causar o evento de Tunguska. Parece que ele também confessa que um teste desse tipo tenha sido realizado antes de 1915. Seu transmis­sor tinha capacidade para gerar níveis de energia e freqüências que liberariam a força destrutiva de dez megatons, ou mais, de TNT. E o gênio negligenciado estava desesperado.

A natureza do evento de Tugunska também não é inconsistente com o que aconteceria durante a súbita liberação de energia sem fios. Nenhum objeto ígneo foi descrito nos céus naquela época por astrônomos profissionais ou amadores, como seria o esperado, quando um objeto de 200 milhões de libras penetra na atmosfera. O brilho no céu da região, men­cionado por algumas testemunhas, pouco antes da explosão pode ter sido proveniente do solo, conforme pesquisadores geólogos descobriram na década de 1970. Pouco antes de um terremoto, a rocha submetida à ten­são sob o solo cria um efeito elétrico que faz com que o ar se ilumine.
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Segundo Oliver Nichelson, se a explosão fosse causada por trans­missão de energia sem fio, a tensão geológica ou a própria corrente provocariam um brilho no ar. Finalmente, está ausente a cratera do impacto. Como não há um objeto material/para causar o impacto, a explosão causada por energia irradiada não deixaria uma cratera.

Pela natureza geralmente pacifista de Tesla, é difícil entender por que teria realizado um teste prejudicial tanto a animais como às pes­soas que os criavam, mesmo quando em apuros e desespero financei­ro. A resposta é que provavelmente não tencionasse prejudicar, mas sua meta era um golpe de publicidade e, literalmente, errou o alvo.

No final de 1908, o mundo inteiro acompanhava a ousada tenta­tiva de Peary de chegar ao Pólo Norte. Peary tomou posse do Pólo Norte na primavera de 1909, mas no inverno anterior havia retornado
base de Ellesmere Island, a cerca de 700 milhas dali. Se o desejo de Tesla era a atenção da imprensa internacional, nada mais impressio­nante que a palavra de Peary ao mundo sobre uma explosão cataclís­mica no gelo em direção ao Pólo Norte. Se Tesla, como mestre criador que era, não fosse detido, poderia ter sido visto como um mestre da nova força misteriosa de destruição.

O teste, ao que parecia, não obtivera pleno sucesso, diz Nichelson. Deve ter sido difícil controlar a vasta quantidade de energia no trans­missor, orientando-a para o lugar exato desejado por Tesla.

Alerta, a Ilha de Ellesmere, no Canadá, e a região de Tunguska situam-se na mesma grande linha de círculo de Shoreham, Long Island. Ambas estão em um ângulo de compasso de pouco mais de dois graus ao longo da rota polar. A onda elétrica destrutiva passou por cima de seu alvo.
Os conhecedores da demonstração da arma de energia de Tesla devem ter desmaiado, ou porque ele errou o alvo e seria uma ameaça às regiões habitadas do planeta, ou porque ele trabalhava muito bem na devastação de uma grande área, simplesmente acionando um comutador a milhas de distância. Seja qual for o caso, Tesla nunca recebeu a noto­riedade visada com o seu transmissor de energia.

Em 1915, o laboratório de Wardenclyffe foi transferido por escri­tura para Waldorf-Astoria, Inc. em garantia de pagamento das despesas de hotel de Tesla. Em 1917, Wardenclyffe era dinamitada por ordem de seus novos proprietários para recuperar algum dinheiro da sucata.

A exótica teoria de Oliver Nichelson pode não passar de pura fan­tasia ou, talvez, Nikola Tesla tenha sacudido o mundo de tal maneira que o segredo foi mantido por mais de 80 anos.

Hoje, as Guerras nas Estrelas controlam toda a população deste planeta a partir da órbita da Terra. As invenções de raios da morte de Tesla podem ser utilizadas de várias maneiras: como morteiros de onda escalar, radar mundial, instrumentos de terremotos, manipulação de onda ce­rebral, armas de feixes de partículas, impulsos de trem de ondas, apare­lhos manuais de fase e uma infinita variedade de outros aparelhos. O lado bom dessa tecnologia é a energia livre e o uso dos escudos de Tesla, a formação de uma carapaça impenetrável de energia ao redor de uma cidade, comunidade ou instalação. As explosões de um morteiro de Tesla podem destruir as redes de comunicações de qualquer cidade importante com um solavanco, bem colocado, de muitos milhões de volts, e turbulências de ar podem ser extraídas do espaço. São inúmeras as aplicações militares de muitas invenções de Tesla, e assim a necessida­de de ocultar Tesla e suas invenções seria conveniente ao complexo
industrial militar.

 

 

***



Chicago Tribune, Domingo, 10 de agosto de 1986
O adversário de Edison foi o pai da `Guerra nas Estrelas'?

Por James Coates Chicago Tribune

COLORADO SPRINGS, Colo. — Gigantes pisaram este chão. Zebulon Pike, legendário explorador do Oeste desconhecido, deu seu nome ao majestoso pico revestido de branco logo à saída da cidade.

O Presidente Dwight Eisenhower esteve aqui para fundar o últi­mo centro de comando de guerra nuclear, a impressionante casamata North American Aerospace Defense Command [NORAD] no granito debaixo do pico Pike nas proximidades do pico da Montanha Cheyenne.

O mais impressionante é que o homem que inventou o rádio, e descobriu como o mundo transmite sua energia elétrica, executou grande parte de seu trabalho criativo neste lugar.

Mas, espere. Não nos ensinaram que o rádio foi inventado por um italiano chamado Marconi? E que o legendário Thomas Alva Edison inventou o sistema de energia elétrica industrial em seus laboratórios de New Jersey?

"Ensinaram-nos errado", disse Toby Grotz, presidente da Interna­tional Tesla Society, que tem aqui a sua sede, em honra ao pouco conhe­cido gênio extravagante chamado Nikola Tesla.

Dois anos antes de Edison ter demonstrado sua transmissão de rádio sem fios, Tesla, um imigrante iugoslavo naturalizado, realizou um feito idêntico, na Feira do Mundo, em Chicago, em 1893.

Em 21 de junho de 1943, no caso da Marconi Wireless Telegraph Co. versus Estados Unidos, a Corte Suprema decidiu que as patentes de rádio de Tesla eram anteriores às do gênio italiano.

Na verdade, Edison inventou a lâmpada incandescente. Mas ali­mentou-a, e a todos os seus projetos, com a ineficiente eletricidade de corrente direta [DC]. Foi Tesla que descobriu como usar a forma de fase mais poderosa de eletricidade de corrente alternada [AC] que é, virtualmente, o tipo universal de eletricidade empregada pela civilização moderna.

E agora há indicações de que Tesla também descobriu inúmeros aparelhos que o complexo industrial-militar dos Estados Unidos vem procurando desenvolver e construir para o controverso sistema de defe­sa antimíssil, Guerra nas Estrelas, para o Pentágono.

Grotz e outros especialistas especulam que intrigas recentes dão conta de que as imensas nuvens formadas em minutos sobre o antigo território soviético são indicações de que a União Soviética vem testan­do aparelhos para transmitir energia a grandes distâncias, os quais fo­ram desenvolvidos há quase um século por Tesla.

De particular interesse para os pesquisadores de Tesla, disse Grotz, é um evento amplamente descrito em 9 de abril de 1984, em que pelo menos quatro pilotos de linhas aéreas relataram terem avistado uma erupção perto do Japão, muito semelhante a uma nuvem de explosão nu­clear, que se espiralou a uma altura de 60.000 pés e com uma largura de 200 milhas, dentro de dois minutos exatamente, e envolveu sua aeronave.

Em julho passado, o Cox News Service relatou que os quatro aviões foram examinados pela força aérea norte-americana em Anchorage, Alasca, e verificou-se que não tinham radiação a despeito do fato de terem voado através da misteriosa nuvem em questão.

Grotz disse que essas nuvens poderiam se formar, caso alguém tentasse implementar os planos de Tesla para a energia irradiada por "ressonâncias criadas dentro da cavidade ionosférica da Terra", calculados em Colorado Springs durante os experimentos realizados em 1899 pelo gênio elétrico.

Todos os anos, cerca de 400 mem­bros da Tesla Society, com permissão do prestigiado International Instituto of Electric Engineering (IIEE), reúnem-se aqui, onde o mago da eletricidade reali­zou seus mais assustadores experimentos com raios-crepitação, para discutir as mais estranhas histórias nos anais da ciência americana.

É a história do gênio atormentado. É também a história de uma disputa pou­co conhecida, mas intensamente amarga, que corroeu Edison e o fabulosamente rico financista J.P. Morgan, de um lado, e do outro, Tesla e seu aliado, igualmente poderoso, George Westinghouse. E, final­mente, é uma história de um espião.

Nikola Tesla: sua pesquisa ajudou a União Soviética a construir a arma suprema?

Muitos, na Tesla Society v estão convencidos de que tolos burocratas dos EUA enviaram os segredos necessários para construir o projeto Guerras de Estrelas, descobertos por Tesla, para a Iugoslávia controla­da por comunistas, logo após a Segunda Guerra Mundial, dando assim aos soviéticos uma enorme vantagem inicial na pesquisa da arma de feixe de partículas, que é considerada essencial para construir qualquer proteção contra mísseis.

Em uma entrevista entre as sessões nesse simpósio sobre Tesla, em agosto, Grotz explicou que Tesla se retirou para Colorado Springs porque precisava tanto do clima seco como de tempestades com raios de poderosa fúria que se abatem com tanta freqüência sobre as en­costas do Pico Pikes e Cheyenne Mountain.

"O sonho de Tesla era fornecer quantidades ilimitadas de energia livre e igualmente disponível a todas as pessoas da Terra", disse Grotz.

"E estava convencido de poder fazer isso por meio da irradiação de energia elétrica a grandes distâncias exatamente como o rádio trans­mite pequenas quantidades de energia para longe", explicou Grotz. "Os mesmos feixes de energia, é claro, podiam ser direcionados à velocidade da luz para destruir aviões e mísseis inimigos assim como fornecer eletricidade", observou ele.

Essas investigações levam ao âmago da mais complicada questão que a ciência enfrenta hoje, a chamada Teoria do Campo Unificado que o próprio Albert Einstein confessou estar além de suas capacidades, reconheceu Grotz, um engenheiro da companhia Martin Marietta Aerospace.

"Tesla acreditava ser capaz de irradiar a energia produzindo vi­brações na atmosfera, as quais estavam perfeitamente em fase com as vibrações naturais existentes nos temporais", disse Grotz.

Dessa forma, qualquer pessoa com um receptor poderia simples­mente conectar-se a radiodifusoras e adquirir eletricidade exatamente como recebem a irradiação de rádio ou TV.

No alto de um morro, exatamente onde as pradarias varrem os sopés das Rochosas, Tesla construiu uma versão gigantesca do que se conhece como Bobina de Tesla, um aparelho que produz dramáticos arcos de eletricidade por meio de rápida alteração em sua resistência.

Quase todos os museus de história natural e laboratórios de física das faculdades no mundo exibem uma Bobina de Tesla capaz de fazer ficar em pé o cabelo de estudantes ,deliciados ou de formar dramáticas centelhas nas pontas dos dedos de quem permaneça firmemente sobre um tapete de borracha e coloque a outra mão no topo da bobina.

Na esquina das ruas Foote e Kowia, em Colorado Springs, Tesla construiu uma bobina de 122 pés de altura. Conectando-se a todo osistema elétrico da cidade, o gênio elétrico enviou milhões de volts de corrente para dentro da estrutura, e disparos de raios, criados pelo homem, saltaram até 135 pés no melancólico céu, misturando-se com os outros raios criados pela natureza.

A primeira vez que Tesla virou o comutador, a cidade inteira ficou sem energia, os testes criaram nuvens artificiais ao redor de sua instala­ção e queimaram lâmpadas a até 26 milhas de distância, segundo os
noticiários da época.

"Os disparos de raios artificiais de Colorado Springs, criados durante o único ano em que Tesla aqui viveu, de 1899 a 1900, nunca foram duplicados", disse Grotz.

Os experimentos estabeleceram que as tempestades com raios, ao se precipitarem sobre as Rochosas, para depois rumarem com estrondo pelas planícies no Kansas, estavam ressoando a uma freqüência de 7,68 ciclos por segundo.

"Esse fenômeno natural foi redescoberto na década de 1960 pelo pesquisador W.O. Schumann, enquanto trabalhava para a Marinha na descoberta de como transmitir ordens de guerra nuclear para submarinos submersos", disse Grotz.

Um artigo que circulou durante o simpósio sobre Tesla, chamado "Guerra nas Estrelas Agora! O Efeito Bohm-Aharanov, a Interferometria Escalar e a Armamentização Soviética", especula que misteriosas nu­vens, que aterrorizaram, pilotos de linhas aéreas, foram criadas quando se drenava energia de uma área, transmitindo-a para outra, usando os princípios de Tesla.

O autor do folheto, T.E. Beaden, um especialista aposentado de estratégia de guerra do Pentágono e engenheiro-consultor ativo do Depar­tamento de Defesa, disse que o resultado de tais transmissões de ener­gia é a "explosão fria" que poderia provocar enorme destruição.

Notando que`a nuvem cobria 150 milhas, Beaden escreveu: "Um único disparo dessa arma poderia congelar quase instantaneamente cada soldado da Otan naquela área, transformando-os em blocos de gelo".
Grotz reconheceu que grande parte da comunidade científica mun­dial atual duvida das reivindicações feitas por fãs de Tesla, como ele próprio e Beaden.

"Mas", acrescentou, "Tesla sempre foi rejeitado pelo sistema vigente.”
Depois que Tesla começou a construir dínamos, motores e outros aparelhos AC sob o patrocínio de Westinghouse, Edison e sua General Electric Company empreenderam uma campanha para desacreditar a AC, enfatizando seus riscos, segundo a biógrafa de Tesla, Margaret Cheney, em seu Tesla, Man Out of Time (Tesla, Um Homem Fora do Tempo).

Edison forçava cães e gatos a permanecerem sobre placas de aço energizadas com corrente AC e em seguida, virando o comutador, eletrocutava-os. A isso chamou o "processo Westinghouse", escreveu Cheney.

Por fim, Tesla perdeu para Edison e outros inimigos, mesmo com a prevalência de seu sistema de energia AC.

O visionário morreu em 1943, em um quarto de hotel em Nova
Iorque, compartilhado com inúmeros pombos por ele considerados seus amigos, disse a biógrafa.

Após a guerra, os parentes de Tesla, na Iugoslávia, encaminharam pedido a Washington para receber 17 baús de papéis e o equipamento de laboratório que ele havia deixado em depósito numa garagem de Nova Iorque.

Em 1952, esses itens foram enviados para Belgrado e se encon­tram no museu Tesla.

"Mas", disse Grotz, "quais são as chances, senhores, de que tudo possa ter sido antes copiado pela KGB?"

"Nos EUA, nem sequer lhe demos o crédito por inventar o rádio,
enquanto o bloco soviético está até construindo museus Tesla", disse o engenheiro.

"Por que eles o respeitam tanto?"


***

O Misterioso Marconi


Marconi era filho de um rico italiano, proprietário de terras, e sua mãe era holandesa. Quando sua primeira transmissão, em 1891, não despertou o interesse das autoridades italianas, ele foi para a Inglaterra. A Marconi Wireless Telegraph Company foi fundada em Londres, em 1891, e Marconi ganhou milhões com suas invenções.

Atribui-se tanto a Marconi como a Tesla a invenção do rádio. A radiotransmissão histórica de Marconi utilizava um extintor de faíscas de Heinrich Hertz, uma antena de Popov e um coesor de Edouard Bramely no aparelho simples que viria a se tornar o rádio moderno.

Marconi recebeu o Prêmio Nobel de Física, em 1909, juntamente com Karl Ferdinand Braun, autor de importante modificação que aumen­tou consideravelmente a faixa dos primeiros transmissores de Marconi.

Como Tesla, Marconi foi um homem misterioso em seus últimos anos, e sabidamente realizava seus experimentos, inclusive experi­mentos antigravidade, a bordo de seu iate Electra. O iate de Marconi era um superlaboratório flutuante, de onde enviava sinais para o espa­ço e acendeu as luzes na Austrália, em 1930. Isso foi realizado com o auxílio de um físico italiano de nome Landini, enviando sinais de trem de ondas através da Terra, de modo muito parecido ao feito de Tesla em Colorado Springs.

Em junho de 1936, Marconi demonstrou ao ditador fascista, Benito Mussolini, um aparelho de artilharia de ondas para ser usado como arma defensiva. Em 1930, tais aparelhos popularizaram-se como os "raios da morte", como no filme de mesmo nome de Boris Karloff. Marconi demonstrou o raio numa movimentada rodovia no norte de Milão, numa tarde. Mussolini havia pedido à sua esposa Rachele para também estar presente na rodovia, precisamente às 15h30. O aparelho de Marconi provocou disfunção, durante meia-hora, em todos os sis­temas elétricos dos automóveis, inclusive no de Rachele, enquanto seu chofer e outros motoristas verificavam as bombas de óleo e os porta-velas. Às 15h35, todos os automóveis estavam em condições de dar partida novamente. Rachele Mussolini publicou posteriormente esse relato em sua autobiografia.

Mussolini ficou bastante satisfeito com a invenção de Marconi; entretanto, o que se dizia é que o Papa Pio XI, ao ter conhecimento da inven­ção dos raios paralisantes, tomou providências para que Mussolini interrompesse a pesquisa de Marconi. Segundo os seguidores de Marconi, este partiu, então, em seu iate, para a América do Sul, em 1937, depois de fingir a própria morte.



Uma Cidade Secreta Na América Do Sul


Dizem que vários cientistas europeus partiram com Marconi, en­tre eles, Landini. Em 1937, o enigmático físico italiano e alquimista Fulcanelli advertiu os europeus dos graves riscos das armas atômicas e em seguida desapareceu misteriosamente poucos anos mais tarde. Acre­dita-se que ele tenha se juntado ao grupo secreto de Marconi na Améri­ca do Sul.
O que se diz é que 98 cientistas partiram para a América do Sul, onde construíram uma cidade na cratera de um vulcão extinto nas sel­vas do sul da Venezuela. Em sua cidade secreta, financiada pela gran­de fortuna que haviam acumulado durante suas vidas, continuaram o trabalho de Marconi sobre energia solar, energia cósmica e antigravi­dade.

Trabalharam secretamente, e afastados das nações do mundo, fabricando motores de energia livre e, por fim, uma aeronave discóide com uma forma de antigravidade giroscópica. Dizia-se que a comu­nidade dedicava-se à paz universal e ao bem-estar de toda a humanidade. Convictos de que o resto do mundo estava sob o controle de compa­nhias de energia elétrica, banqueiros multinacionais e do complexo militar-industrial, eles pemaneceram isolados, trabalhando de forma subversiva em prol da paz mundial e de uma tecnologia limpa e ecoló­gica.

Temos informações provenientes de diversas fontes relativas a essa espantosa cidade de alta tecnologia. Na América do Sul, a história é um tema comum em certos grupos metafísicos. Diz o escritor francês Ro­bert Charroux, em sua obra The Mysteries of the Andes (1974, Avon Books): "... a Ciudad Subterranea de los Andes é discutida em particu­lar de Caracas a Santiago". Charroux continua a contar a história de Marconi e, sua cidade secreta, e ainda a história de um jornalista mexi­cano, de nome Mario Rojas Avendaro, que investigava a Ciudad Subterranea de los Andes (Cidade Subterrânea dos Andes) e concluiu que era uma história verdadeira. Avendaro foi contatado por um ho­mem chamado Nacisso Genovese, que havia sido aluno de Marconi e era professor de física em uma faculdade em Baja, México.

Genovese era de origem italiana e afirmava ter vivido por muitos anos na Ciudad Subterranea de los Andes. Em algum momento no final da década de 1950, ele escreveu uma obra obscura intitulada My Trip to Mars. Embora o livro nunca tenha sido publicado em inglês, apareceu em várias edições em espanhol, português e italiano.



Tecnologia de Tesla


Genovese afirmava que a cidade fora construída com grandes recursos financeiros, era subterrânea e tinha instalações de pesquisa melhores que quaisquer outras do gênero (na época, pelo menos). Por volta de 1946, a cidade que já utilizava um coletor poderoso de ener­gia cósmica, o componente essencial de toda matéria, segundo as teo­rias de Marconi, muitas das quais ele obteve de Tesla.

"Em 1952", segundo Genovese, "viajamos sobre todos os mares e continentes em uma aeronave cujo fornecimento de energia era con­tínuo e praticamente inexaurível. Ela atingia uma velocidade de meio milhão de milhas por hora e resistia a enormes pressões, perto do limite da resistência das ligas que a compunham. O problema era desacelerá­la no momento certo."

Segundo Genovese, a cidade localizava-se no sopé da cratera, porém em sua maior parte era subterrânea e totalmente auto-suficien­te. O vulcão extinto é coberto de abundante vegetação e situa-se a centenas de milhas de qualquer das estradas, e está a 13.000 pés nas montanhas da selva amazônica.

O autor francês, Charroux, expressou surpresa e descrença ao comentário de que a cidade se encontrava em uma montanha coberta pela selva a 13.000 pés de altura. No entanto, a encosta oriental da cordilhei­ra dos Andes tem muitas dessas montanhas, da Venezuela à Bolívia, numa extensão de milhares de milhas. Várias dessas cidades e monta­nhas poderiam existir nessa vasta região inexplorada e sempre coberta de nuvens.

Assim, uma cidade secreta numa cratera na selva seria a menor das suposições. Genovese afirmava que vôos da Lua a Marte foram feitos em seus "discos voadores". Ele dizia que uma vez conquistada a tecnologia, era relativamente simples fazer uma viagem à Lua (em pou­cas horas) ou a Marte (em vários dias). Genovese não menciona pirâ­mides ou o que fizeram em Marte. Talvez tenham criado uma base marciana em uma das antigas pirâmides sopradas pelas areias da re­gião de Cidônia.




Existem muitos relatos de óvnis na América do Sul, especialmen­te ao longo da borda das selvas montanhosas dos Andes orientais, da Bolívia à Venezuela. É possível que alguns desses óvnis sejam aerona­ves antigravidade da Ciudad Subterranea de los Andes?

À luz de fontes altamente confiáveis que alegam ter havido uma "Última Batalha", nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, em que soldados alemães fugiram em um submarino para a Antártida e a América do Sul, é possível que os alemães tivessem supercidades de alta tecnologia também nas remotas selvas da América do Sul.

Várias histórias de militares, como a do Coronel Howard Bueclinei, autor de Secrets of Holy Lance e Hitler’s Ashes, sustentam que os ale­mães já tinham criado bases em Queen Maud Land, defronte à África do Sul.

Em seguida, os Barcos U alemães, em alguns relatos, que chegam a uma centena, levaram importantes cientistas, aviadores e políticos para a fortaleza final da Alemanha nazista. Dois desses barcos U rende­ram-se na Argentina três meses após a guerra. Em 1947, a Marinha americana invadiu a Antártida, principalmente Queen Maud Land, sob o comando de Admirai Byrd.

O que se diz é que os americanos foram derrotados e vários jatos de quatro porta-aviões foram abatidos por uma aeronave discóide. A marinha bateu em retirada e só retornou em 1957.

Segundo a obra Chronicle of Akakor, livro publicado pela pri­meira vez na Alemanha pelo jornalista Karl Brugger, um batalhão ale­mão refugiou-se em uma cidade subterrânea nas fronteiras do Brasil e do Peru. Brugger, um jornalista alemão que morou em Manaus, foi assassinado em Ipanema, um bairro do Rio de Janeiro, em 1981. Seu guia, Tatunca Nara, prosseguiu tornando-se guia de Jacques Costeau no alto Amazonas. Na realidade, fotografias de Tatunca Nara apare­cem num grande álbum colorido, chamado "A Viagem de Costeau pelo Amazonas". (Para mais informações sobre Tatunca Nara, Karl Brugger, Cidades Subterrâneas, veja Lost Cities & Ancient Mysteries of South América.)

Embora cidades secretas da América do Sul que fabricam discos voadores e combatem os atuais poderes do mundo de suas fortalezas ocultas na selva soem como algo bem do gênero James Bond, parecem fundamentar-se em fatos!

Com base no cenário acima, pode não ser totalmente fantástico sugerir, como fizeram alguns autores, que Tesla tenha sido capturado por um disco voador no final da década de 1930. No entanto, parece não ter sido um disco voador de outro planeta, mas uma aeronave de Marconi da cidade secreta na América do Sul.

No mais incrível cenário, que pode muito bem ser verdadeiro, Tesla foi induzido a fingir a própria morte, assim como Marconi e muitos outros cientistas, sendo levado por uma nave discóide especial à supercidade de alta tecnologia de Marconi. Longe do mundo externo, governos militares, companhias de petróleo, armas e fabricantes de aero­naves, Marconi e Tesla, ambos supostamente mortos, continuaram seus experimentos em uma atmosfera que favorecia a conquista científica.

Quem sabe o que podem ter alcançado? Eles estavam dez anos à frente dos alemães e vinte anos à frente dos americanos em sua tecnologia antigravidade. Podem ter desenvolvido a espaçonave discóide no início
da década de 1940, continuando a viajar em máquinas do tempo e a excursionar pelo hiperespaço? Talvez Marconi e Tesla tenham penetra­do no futuro e já tenham retornado ao passado!

Os experimentos de viagem no tempo, teletransporte, pirâmides de Marte, Armagedom e uma eventual Idade do Ouro na Terra, tudo isso pode ter algo a ver com Tesla, Marconi e suas invenções suprimi­das. Ainda que "especialistas em óvnis" e "primeiros agentes de inteli­gência" nos digam que os discos voadores são extraterrestres é estão sendo atualmente retroconstruídos por cientistas militares, Tesla, Marconi e seus amigos podem estar esperando por nós em sua base espacial nas pirâmides e no Rosto de Marte.

Nosso governo, Hollywood e a mídia nos treinaram para certas crenças e preconceitos de que a tecnologia surpreendente deve ser de extraterrestres que visitam nosso planeta. Para o cientista-filósofo, que procura o conhecimento, às vezes a verdade é mais estranha que a ficção.


Fonte: As Fantásticas Invenções de Nicola Tesla, de David Hatcher Childress, Ed. Madras

 

 

 

 AKAKOR E INTRATERRENOS - AURÉLIO DE ABREU E ERNESTO BONO

 

http://videos.sapo.ao/1g9zjIFzK5vM0Rw5ssCb

publicado por conspiratio às 21:52
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