Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

EXPERIÊNCIA DE QUASE-MORTE – UMA QUESTÃO POLÊMICA

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EQM – UMA QUESTÃO POLÊMICA


Valter da Rosa Borges


Podemos denominar de consciência extracorpórea a percepção que uma pessoa tem do que ocorre no mundo exterior a partir de um referencial que não é o seu corpo. Ou seja: ele se percebe como se estivesse “fora” do corpo e a sua percepção é verídica.

Essa “experiência fora-do-corpo” ou EFC, ocorre, na quase totalidade dos casos, de maneira espontânea e pelas mais diversas causas, embora haja pessoas que afirmam obtê-la voluntariamente, mediante a utilização de certas técnicas.

Quando a EFC ocorre em situações nas quais uma pessoa é considerada clinicamente morta, ela passa a se denominar de “experiência de quase morte” ou EQM. Em conseqüência, a EQM não é indício de sobrevivência post-mortem, porque se houvesse realmente morte estaríamos perante um caso de ressurreição. No entanto, todos os que passaram por essa experiência têm a certeza absoluta de que estiveram no mundo espiritual e que a morte não existe.

A EQM só é uma experiência psi na sua fase inicial, enquanto a pessoa se vê fora do corpo e percebe o que ocorre ao seu redor. A partir da sua entrada no “túnel”, ela passa a ser uma experiência que pode ser psicológica ou transcendental.

Embora Raymond Jr. tenha elaborado um padrão geral para as EQMs nenhuma delas é igual.

Diferentemente das EFCs, que podem ser voluntárias, as EQMs sempre são involuntárias.

A EQM é uma experiência única. No entanto, há exceções: Helen Wambach “morreu” duas vezes e, na terceira, não voltou. P.M.H. Atwater já "morreu" três vezes e continua viva.

Segundo uma pesquisa feita, nos Estados Unidos, pela Gallup, de 1980 a 1981, vinte e dois milhões de norte-americanos passaram por uma EQM, significando que uma pessoa em cada onze relataram essa experiência.
Atwater informa que 1/3 dos adultos que “morrem” passam por uma EQM. E que em crianças esse número é mais de 75%, conforme as pesquisas de Melvin Morse e Kimberly Clark Sharp, em Seattle, Washington. Por que essa experiência ocorre mais com crianças?

Melvin Morse constatou que mais de 25% de adultos que, quando crianças, sobreviveram a uma EQM, afirmam não poder usar relógios, porque eles não funcionam. Ele está convencido que a EQM “modifica as forças eletromagnéticas que cercam os nossos corpos e cada uma de suas células” e que este campo eletromagnético sutil e poderoso fica permanentemente alterado pela experiência de quase-morte”.

É importante ressaltar a coincidência entre os relatos de adultos e crianças.

Hipóteses

Há varias hipóteses para a EQM, todas elas, no entanto, insatisfatórias, porque incompletas. As principais são: a) efeitos de drogas; b) falta de oxigênio no cérebro; c) sonho; d) alucinação; e) memória do nascimento; f) fatores culturais e religiosos; g) mecanismo psicológico de defesa contra o medo de morrer; h) excitação do lobo temporal.
Em estudo publicado em novembro de 1986 no American Journal of Diseases of Children, o jornal pediátrico da Associação Médica Americana, Melvin Morse observou que uma pessoa precisa estar na iminência da morte para ter os sintomas de uma EQM. Segundo ele, essas descobertas eliminaram a teoria que as EQMs são o resultado das drogas ou da privação do sono ou que são meramente sonhos maus ou a conscientização subconsciente da cirurgia.

Diz ele:

“Dos 121 pacientes entrevistados que tinham sobrevivido a uma doença grave, mas que não se aproximaram da morte, 118 não tiveram nenhuma experiência. Os três remanescentes tiveram sonhos de monstros cobertos com uma roupa branca e coisas semelhantes.

Enquanto isto, oito dos doze sobreviventes de ataques de coração tiveram visões onde deixavam o corpo e viajavam para outros reinos. Isto significa quase setenta por cento, percentagem tão alta que elimina o elemento da casualidade ou do erro estatístico. Além disso, não permiti voluntários na pesquisa. Pelo contrário, eu entrevistei por um período de mais de dez anos os sobreviventes de parada cardíaca. Ao agir assim, evitei que crianças que pudessem ter montado uma história somente para serem incluídas na pesquisa.

Também revi por completo os registros médicos de todos os pacientes estudados, documentei cuidadosamente drogas usadas, a anestesia, a quantidade de oxigênio no sangue e os resultados de vários testes de laboratório. Misturei com cuidado os meus pacientes de controle com os do grupo de estudo para assegurar que tinham a mesma idade. Cuidei também para que em ambos os grupos tivesse havido intubação, ou ligação com um pulmão artificial.

A razão para esta mistura foi verificar se as experiências de quase-morte são alucinações provocadas por drogas ou falta de oxigênio no sangue, como muitos médicos acreditam. A resposta é não. Muitos pacientes que tiveram uma experiência de quase-morte completa não tinham sido tratados com nenhuma medicação alucinógena. O grupo de controle não teve nenhuma experiência que lembrasse a quase-morte, a despeito de ter sido tratado com drogas como morfina, Valium e Torazina, e agentes anestésicos como o Dilantin, fenobarbitol, manitol e codeína. Os pacientes também ficavam hipóxicos, apresentavam desequilíbrio ácido-base e altos níveis de CO2, e com todas as combinações que podemos imaginar, embora nada que pudéssemos chamar de uma EQM.”
Kenneth Ring teceu considerações sobre a influência das crenças religiosas e do conhecimento prévio das pessoas sobre EQM na manifestação desse fenômeno:

“Quando chegamos à área de crenças pessoais, no entanto, poderíamos esperar encontrar algumas correlações definidas com EQMs. Pessoas com forte orientação religiosa (o que é bem diferente de freqüência à igreja) ou profunda convicção em uma vida após a morte poderiam aparentemente ter mais probabilidades do que, digamos, agnósticos ou ateus, de passar por EQMs.

Apesar da sensatez dessa suposição, as descobertas de vários estudos diferentes demonstram que isso não acontece. Na verdade, não existe diferença nem no tipo nem na incidência de EQMs devido à orientação religiosa da pessoa — ou falta de orientação. Certamente, um agnóstico ou um ateu pode — e realmente parece — ter mais dificuldade de aceitar a experiência e pode ser menos inclinado a interpretá-la em termos convencionais do que um crente, mas a forma e o conteúdo da EQM não mudam. Uma EQM é uma EQM para qualquer pessoa que passe por ela.
Finalmente, podemos nos perguntar se ler ou ouvir falar de EQMs antes do próprio incidente de quase morte pode tomar a pessoa mais inclinada a ter uma EQM. Embora essa hipótese também pareça razoável, mais uma vez os dados mostram que ela está errada.

Tanto Sabom quanto eu, em nossos estudos; examinamos especificamente nossos dados para esse tipo de relação e descobrimos que, ao contrário do que temíamos, pessoas que possuíam um conhecimento anterior de EQMs apresentavam, na verdade, menos probabilidades de passar por uma. Num grande estudo metodologicamente sofisticado sobre EQMs, conduzido por Audette e Gulley, simplesmente não existe relação entre essas duas variáveis. Assim, o conhecimento anterior de EQMs definitivamente não parece induzi-las ou torná-las mais freqüentes para os pesquisadores.
Em resumo, não existe nenhuma prova convincente até agora de que fatores sociais ou pessoais possam ter algum efeito decisivo sobre EQMs.”
Diz Raymond Mood Jr. que muitos neurologistas lhe disseram que as EQMs “apresentam uma certa semelhança com insultos apopléticos, particularmente no lobo temporal”.

E afirma ainda que “poder-se-ia postular que a impressão de luz intensa relatada por essas pessoas é simplesmente o resultado de eventos causados por uma interferência no suprimento de oxigênio aos lobos frontais”.

Wilder Penfield descobriu que, estimulando o lobo temporal de alguns pacientes, durante uma cirurgia cerebral, eles tiveram a sensação de estarem deixando seus corpos. Se apenas alguns dos pacientes tiveram essa sensação, a estimulação do lobo temporal não é a causa orgânica inconteste da EFC.

Melvin Morse observou que a estimulação elétrica do lado direito do lobo temporal do cérebro, especificamente no sulco de Silvius, pode produzir visões místicas, audição de música sublime, imagens de anjos e de parentes falecidos e a retrospectiva panorâmica da vida. Porém não explicitou se isso aconteceu em todos os casos por ele observados.
Segundo Melvin Morse, o Dr. Joseph Atkinson, gastroenterologista, em Illinois, com a ajuda de um professor de farmacologia, criou uma mistura de gases composta de dióxido de carbono e oxigênio, denominando-a de Meduna, como homenagem a L. J. Meduna, médico húngaro que foi o primeiro a desenvolvê-la para tratamento de problemas como a gagueira. O tratamento consistia em várias sessões, nas quais os pacientes inalavam o gás durante alguns segundos de cada vez. Eles relatavam, freqüentemente, que tinham a impressão de estarem morrendo, atravessando um túnel e avistando uma luz intensa, tal como ocorre numa EQM.

Informa Raymond Moody Jr. que as sensações de ser levado através de um túnel escuro são reveladas com freqüência por pacientes submetidos à anestesia - em especial com éter.

Segundo alguns pesquisadores, a experiência do túnel é provocada por uma reação do cérebro à presença de níveis cada vez mais elevados de dióxido de carbono (CO2) na corrente sangüínea.

Michael Sabom demonstrou a falsidade dessa afirmativa, quando mediu os níveis de oxigênio no sangue de um paciente, no exato momento em que ele experimentava uma poderosa EQM, e verificou que estavam acima do normal.

Para Raymond Moody Jr., impressão de luz intensa relatada por essas pessoas pode ser o resultado de eventos causados por uma interferência no suprimento de oxigênio aos lobos temporais.

Segundo Melvin Morse, os organismos agonizantes emitem uma intensa quantidade de energia eletromagnética, ou luz. Diz ele:
“Quando as células morrem e o material genético começa a se expandir como o faz no momento da morte uma poderosa carga de energia eletromagnética é liberada. Esta luz é algo que as pessoas que tiveram EQM realmente vêem, não é uma alucinação. Em raras ocasiões, outras pessoas relataram ver esta luz irradiando das pessoas agonizantes.
Tal carga teria um grande efeito sobre todo o corpo, incluindo o lobo temporal direito do cérebro, a área exatamente acima do ouvido direito, à qual chama de "a sede da alma". Em pesquisa anterior, descobrimos que esta parte do cérebro é geneticamente codificada pela experiência de quase-morte. Outros pesquisadores descobriram que esta é a área onde ocorrem as experiências místicas. Isto pode explicar por que, quando o resto do cérebro está morrendo, esta área tem energia para funcionar a um nível mais elevado do que em qualquer outra época.”

Os neurocientistas documentaram a existência dos circuitos do misticismo dentro do lobo temporal. É através deste mecanismo neurológico que possuímos a capacidade de ter experiências fora do corpo; vermos pessoas de branco, algumas das quais parecidas com parentes falecidos; ouvirmos música celestial; passarmos por uma recapitulação tridimensional da vida - todos os elementos de uma experiência de quase-morte, exceto a experiência transformadora de luz. A experiência de luz não pode ser ativada artificialmente, mas somente no momento da morte ou durante algumas visões espirituais muito especiais.

Morse assinala que a experiência da luz não tem origem conhecida no cérebro. Numerosos pesquisadores científicos têm documentado que cada elemento da EQM - a experiência fora do corpo, a viagem pelo túnel, a visão de parentes mortos, a recapitulação da vida, visões do céu - pode ser localizado no lobo temporal direito.

Carl Sagan, entre outros, questiona a possibilidade da criança guardar recordação do momento do parto, o que explicaria a causa da EQM. Tal hipótese, porém, é inverificável.

Carl Becker, professor de filosofia de uma universidade em Illinois argumenta que as crianças não se lembram de terem nascido e não dispõem de recursos para reter a experiência no cérebro porque:
a) percepção da criança é pobre demais para ver o que acontece durante o nascimento;
b) os recém-nascidos não podem distinguir figuras;
c) os recém-nascidos não reagem diante da luz, a menos que haja, no mínimo, 70% de contraste entre a luz e a escuridão;
d) eles raramente conseguem focalizar ou fixar-se em um objeto, e, mesmo quando o conseguem, somente podem examinar uma pequena parte dele por um curto período de tempo;
e) os recém-nascidos têm uma “focalização distorcida”, o que significa que mesmo quando conseguem focalizar, fazem-no apenas sobre um segmento próximo e altamente contrastante do objeto e não sobre o objeto por inteiro;
f) metade de todos os recém-nascidos não consegue coordenar sua visão sobre objetos que estejam a mais de um metro de distância. E nenhuma criança com menos de um mês pode focalizar internamente um objeto a um metro e meio de distancia;
Alega-se que a EQM é um mecanismo psicológico de defesa contra o medo de morrer. Raymond Mood Jr. se insurge contra essa hipótese, alegando que “as EQM em crianças refutam essa teoria, pois elas possuem percepções da morte bastante diferentes das dos adultos.”

E, mais adiante:

“As crianças ainda não têm nenhum desses condicionamentos culturais. E, geralmente, aquelas que passaram por uma EQM não conhecem esses temores mais tarde. Elas sentem pouco medo da morte e com freqüência falam com carinho de suas experiências. Algumas das crianças com quem conversei expressaram o desejo de "retornar para a luz.”
Se a EQM é um mecanismo de defesa contra a morte, como explicar por que as pessoas, intimadas a retornar à vida física, quando no Além, advertidas de que a hora de sua morte ainda não chegara, relutam em obedecer ao comando e o fazem a contra-gosto?

Efeitos orgânicos da EQM

Melvin Morse reconhece que P.M.H. Atwater foi a primeira pessoa a afirmar que a EQM modifica a fisiologia cerebral. E também quem primeiro observou que a EQM modifica significativamente os campos eletromagnéticos que circundam a pessoa humana.

Morse constatou que mais de 25% de todos os adultos que sobreviveram a EQM, quando criança, afirmam não poderem usar relógios.

Atwater observou modificações fisiológicas nas mais de três mil com que teve contato e que passaram por uma EQM. Do seu relato, destacamos as seguintes alterações mais importantes no comportamento fisiológico daquelas pessoas: a) mudanças substanciais nos níveis de energia; b) maior sensibilidade à luz, especialmente à luz do sol como também ao som e ao volume dos sons; c) mudanças no funcionamento de seus cérebros; d) mudanças no seu metabolismo, com melhora nos processos digestivos; e) melhoria da saúde em geral, porém com aumento de alergias para os remédios alopáticos; f) queda da pressão sangüínea e diminuição do ritmo do pulso; g) hiperestesia táctil, gustativa e olfativa; h) sensibilidade para a eletricidade e campos geomagnéticos; i) maior sensibilidade a fatores meteorológicos, tais como temperatura, pressão, movimentos do ar e umidade; desabrochamento ou aumento de aptidões parapsicológicas e atividades curativas por imposição de mão.

EQM e curas espontâneas.

Atwater afirma que curas espontâneas podem acontecer depois que a pessoa volta à vida. Diz ela:

“Existem pessoas que, repentinamente, ficaram livres do câncer; tumores cerebrais desapareceram; um homem com AIDS emergiu da experiência sem um sinal da doença no corpo. A comunidade médica está totalmente confusa tentando explicar isso. A verdade é que os sobreviventes da Experiência de Quase-Morte passam por uma transformação tão grande que ficam parecendo estranhos para aqueles que os conheciam antes; até as fotografias tiradas antes e depois podem mostrar essa diferença.”

Sensibilidade anormal à luz e ao som.

Atwater constatou, em sua pesquisa, que entre os sobreviventes de uma EQM, 73% apresentaram uma sensibilidade anormal à luz e ao som. Desenvolveram maior capacidade de perceber campos elétricos e magnéticos, afetando equipamentos eletrônicos, computadores, gravadores, aumentando ou diminuindo a intensidade luminosa de lâmpadas elétricas e queimando-as em alguns casos. Seus relógios não funcionam, e objetos metálicos se movimentam sozinhos na proximidade deles.

Efeitos psicológico

A EQM produz efeitos psicológicos, entre os quais: a) redução ou extinção do medo da morte e maior gosto pela vida; b) conscientização da importância do amor; c) sensação de união com todas as coisas; d) valorização do conhecimento; e) maior responsabilidade pela própria vida; f) ampliação do vigor e da atividade mental e física; g) aparente rejuvenescimento; h) reavaliação das coisas materiais da vida; i) profundo senso de missão; j) mudança carismática na personalidade; l) desenvolvimento súbito ou gradual de aptidões psi; m) prazer pelo conhecimento enciclopédico.

Kenneth Ring constatou que, depois desta experiência, os “sobreviventes da EQM gostam mais de si mesmos”. Ele afirma que “as EQMs tendem a conferir nova identidade pessoal ao sobrevivente, assim como causar grandes mudanças em seu comportamento.”

E, mais adiante:

“Após a EQM, os indivíduos tendem a mostrar uma apreciação maior da vida e preocupação e amor maiores pelos outros seres humanos, enquanto diminui seu interesse em status pessoal e posses materiais. A maioria dos sobreviventes também declara que vive depois com um sentido de finalidade espiritual ampliado e, em alguns casos, que procura um entendimento maior do significado essencial da vida.”
Kenneth Ring observou que “os sobreviventes da EQM tendem a passar para uma orientação espiritual geral - em vez de religiosa - quanto à vida” e que ele denominou de “orientação espiritual universalista”, a qual é constituída por sete elementos essenciais: a) uma tendência a se caracterizar como pessoa espiritual em vez de religiosa; b) uma sensação de estar interiormente próximo de Deus; c) uma perda de ênfase nos aspectos formais da vida e da adoração religiosa; d) uma convicção de que existe vida após a morte, apesar de crenças religiosas; e) uma abertura à doutrina da reencarnação (e uma simpatia geral pelas religiões orientais); f) uma crença na unidade essencial por trás de todas as religiões; g) um desejo de uma religião universal abraçando toda a humanidade.

Diz Atwater:

“Alguns sobreviventes da Experiência de Quase-Morte sentem-se como se tivessem sido “expulsos do paraíso”, tendo revivido, quando na verdade prefeririam lá ficar. A maioria deles sabe que não é tão perfeita como parece que eles deveriam ser, considerando onde estiveram. Nenhum deles afirma que é santo. Os estados de depressão podem ser longos, a experiência pode tanto parecer uma bênção quanto uma maldição. No entanto, muitos também planam suavemente pelos efeitos posteriores, com pouco ou nenhum desgaste, ou choro, que evidencie algum tipo de conflito, como se estivessem sobre “um tapete mágico voador”. O apoio da família é um fator muito importante.”

Observa, ainda que os sobreviventes da EQM, embora continuem a sentir raiva, medo, ciúmes e impaciência, não permanecem assim por muito tempo. São mais maleáveis e ponderados, predispostos a aceitar a responsabilidade pessoal e buscar soluções justas.

Nas crianças, porém, Atwater observou um comportamento diferente do adulto.

“As crianças e aqueles que vivenciam o fenômeno durante a infância simplesmente crescem sendo o tipo diferente de pessoas que são, tentando entender por que todos não são como eles. Mas as crianças que já eram crescidas o bastante para comparar suas vidas anteriores com o que elas são agora tornam-se em geral rebeldes ou excessivamente retraídas na escola. São elas que enfrentam o maior desafio, pois raramente seus conselheiros acreditam no que dizem.”

EQM & kundalini

Kenneth Ring diz ter encontrado relações entre a EQM e o despertar da kundalini. E Atwater assegurou que “a maior parte dos pesquisadores pensam que a Experiência de Quase-Morte é uma irrupção da Kundalini e, constantemente, crescem as evidências que apóiam suas teorias”.

EQM e alienígenas

Atwater informa que, depois de uma EQM, vinte por cento das pessoas começaram a ter “memórias” da chegada ao planeta Terra como imigrantes vindos de um outro mundo. Eles descobriram que eles é que eram os alienígenas! Ela própria tem memórias alienígenas.
Esse efeito da EQM pode ser interpretado como um distúrbio psicológico de “falsa memória”.

EQMs negativas

Maurice Rawlings relatou vários casos de EQMs em que os pacientes se viram precipitados em regiões infernais. Afirmou que quase todos os casos de EQMs por ele atendidos e outros de que teve conhecimento oriundos de tentativas de suicídio tiveram como resultado experiências em ambientes que os pacientes descreveram como sendo o Inferno.
Scott Rogo fez uma comparação sumária dos elementos principais de uma EQM assustadora ou infernal com a de conteúdo eufórico:

Fase 1: A pessoa sente medo e experimenta sentimentos de pânico ao invés de paz e alegria.

Fase 2: Assim com na mais clássica EQM, ele passa pela experiência de deixar o corpo.

Fase 3: Similarmente a EQM clássica, a pessoa morta entra numa região escura ou vazia.

Fase 4: Em vez de experimentar a presença reconfortante e figuras religiosas, de amigáveis familiares falecidos ou uma grande luz, ela é subjugada por uma sensação de pressentimento e da presença de um força maligna.

Fase 5: A pessoa finalmente entra num ambiente infernal, diferente da beleza e paz do Elísio da EQM clássica.

Segundo pesquisa de Atwater, uma em cada sete pessoas passa por uma EQM infernal. Observou, porém, que nenhuma criança passou por esse tipo de EQM.

Ainda não se encontrou no cérebro uma região que, estimulada, produza uma experiência similar a de uma EQM assustadora e infernal.
As pessoas que tentam o suicídio e têm uma EQM seja ela positiva ou negativa raramente o tentam de novo.

EQM e relações interpessoais

Raymond Mood Jr. diz que, desde 1985, vem lidando, na sua prática psiquiátrica, com problemas de dificuldade nas relações interpessoais das pessoas que passaram por uma EQM.

“Comecei em 1985, com o que chamo de“prática espiritual”, quando percebi que mui­tas pessoas que passam por experiências espirituais incomuns têm dificuldade para integrá-las em suas vidas.

E prossegue:

“Como elas estão perturbadas pela experiência, muitos recusam-se a ouvi-las, talvez até imaginando que são loucas. Mas, na perspectiva de quem passou por uma EQM, algo de muito importante aconteceu, alterando-lhe a vida, e ninguém parece disposto a escutá-la com simpatia. Precisam, portanto, de alguém que compreenda a experiência para ouvi-las.

Surpreendentemente, elas recebem muito pouco apoio de seus familiares, quando começam a explanar sua experiência. Com freqüência, as acentuadas mudanças de personalidade que acompanham uma EQM causam tensão na família. Por exemplo, pessoas que, durante anos, reprimiram suas emoções tornam-se, de súbito, mais abertas, depois de uma EQM. Isto pode ser muito embaraçoso quan­do são casadas. Para seus parceiros, é quase como se, agora. estivessem casados com uma pessoa diferente.”

E esclarece a sua postura perante o problema:

“Para aliviar essas tensões, ocasionalmente formo grupos de pessoas que passaram por uma EQM, para que elas possam, juntamente com seus maridos e esposas, compartilhar os efeitos da experiência em suas vidas familiares. Elas descobrem que outras famílias estão tendo os mesmos problemas e tentam aprender a lidar com a nova pessoa.”

Mas, reconhece:

“Os pesquisadores mostraram que a freqüente ocorrência do divórcio após uma EQM é devida às transformações na personalidade da pessoa.”
Reações negativas.

Atwater lista as reações negativas e positivas mais comuns entre os sobreviventes da EQM.

Reações negativas: a) raiva, por terem sido revividos e forçados a sair de onde quer que estivessem; b) culpa, por não sentirem falta nem se preocuparem com as pessoas que lhes são caras; c) desapontamento, pela descoberta de que estão novamente revestidos pelos seus corpos físicos e que terão novamente de respirar, comer e ir ao banheiro; d) horror, se suas experiências foram assustadoras ou infernais ou desagradáveis; e) embaraço, quando querem falar mas não conseguem ou têm medo; f) depressão, quando percebem que agora devem retomar suas vidas anteriores e têm de encontrar um meio de levar adiante suas vidas comuns, independentemente do que aconteceu com eles.
Reações positivas: a) êxtase, devido ao milagre, beleza e glória da experiência; b) excitação, porque se sentem muito privilegiados por terem passado por essa experiência transformadora; c) gratidão, porque algo tão incrível tenha acontecido com eles; d) admiração, porque se sentem impossibilitados de falar ou de achar as palavras para se expressar; e) evangelização, um desejo imediato de contar aos outros as boas novas sobre a morte, Deus e o poder do amor; f) humildade, pela grandeza do episódio e do que ele pode acarretar

Tempo para a integração da consciência.

Atwater descobriu que são necessários sete anos para que o sobrevivente da EQM comece a integrar a sua experiência. Os três primeiros anos são os mais desafiadores, porque durante essa fase o sobrevivente está mais desorientado e as pessoas que lhe estão próximas não entendem o que está ocorrendo.

Transcorridos os sete anos, de conformidade com o bom êxito dos reajustes feitos pelo sobrevivente, a vida se torna mais fácil, pois ele entra em sintonia com o ritmo da vida


Conclusão

Melvin Morse propõe a hipótese de que a sede da alma é nos lobos temporais, porque, virtualmente, todas as experiências mediúnicas e místicas começam neles. Diz ele:

“A experiência de quase-morte provavelmente acontece no lobo temporal direito, um ponto no cérebro logo acima do ouvido direito. Minha pesquisa e a de outros cientistas feita a cinqüenta anos confirmam este ponto como sendo a localização da EQM”.

E mais adiante:

“Os neurocientistas documentaram a existência dos circuitos do misticismo dentro do lobo temporal. É através deste mecanismo neurológico que possuímos a capacidade de ter experiências fora do corpo; vermos pessoas de branco, algumas das quais parecidas com parentes falecidos; ouvirmos música celestial; passarmos por uma recapitulação tridimensional da vida – todos o elementos de uma experiência de quase-morte, exceto a experiência transformadora de luz.”

A respeito da experiência da luz, Melvin Morse faz o seguinte comentário:

“A experiência de luz não pode ser ativada artificialmente. Ela só é ativada no momento da morte ou durante algumas visões espirituais muito especiais. A visão espiritual da luz amorosa resulta em transformações na personalidade que verificamos em nosso grupo de estudo. As transformações mais intensas e duradouras foram verificadas em pessoas que viram a luz”.

Melvin Morse chegou a seguinte conclusão:

“As experiências de quase-morte são um exemplo de uma experiência psicológica que pode ser anatomicamente localizada no cérebro”.

E mais:
“Deus está em cada um de nós, e a capacidade de percebê-lo está localizada no lobo temporal direito, dentro da cissura de Sílvio.”
Essa síntese que fizemos dos mais diversos aspectos da EQM é apenas uma tentativa de mapeamento e visão panorâmica dessa singular experiência humana. O aprofundamento de cada um desses aspectos demandaria a produção de vários livros específicos para uma compreensão mais ampla da complexidade da EQM, dos problemas que ela suscita e de novos questionamentos que possam ser levantados com a evolução das pesquisas sobre essa fascinante experiência psíquica.


BIBLIOGRAFIA

Atwater, P.M.H. Muito Além da Luz. Nova Era. Rio de Janeiro. 1998.
Mood J., Raymond A. Reflexões sobre Vida depois da Vida. Nórdica. Rio de Janeiro. 1983.
__________________ A Luz do Além. Nórdica. Rio de Janeiro. 1989.
Morse, Melvin & Perry, Paul. Transformados pela Luz. Nova Era. Rio de Janeiro. 1998.
_________________________ Do Outro Lado da Vida. Editora Objetiva. Rio de Janeiro.1992
_________________________ Visões do Espírito. Nova Era. Rio de Janeiro. 1998.
Ring, Kenneth. Rumo ao Ponto Omega. Rocco. Rio de Janeiro. 1996

http://www.parapsicologia.org.br/valter-4.htm
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publicado por conspiratio às 21:27
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

SILÊNCIO INTERIOR

 

Silêncio

Don Juan dizia que o silêncio interior era o estado buscado com maior avidez pelos xamãs do México Antigo. Ele o definia como um estado natural da percepção humana, no qual os pensamentos são bloqueados e todas as faculdades do homem operam de um nível de consciência que não requer a utilização do nosso sistema cognitivo diário.

Para os xamãs da linhagem de Don Juan, o silêncio interior sempre tem sido associado à escuridão, talvez porque a percepção humana, privado do seu companheiro habitual, o diálogo interno, caia em algo que se assemelha a um buraco escuro. Ele dizia que o corpo funciona normalmente, mas a percepção se torna mais aguda. As decisões são instantâneas e parecem provir de um tipo especial de conhecimento que é destituído de verbalizações mentais.

De acordo com Don Juan, a percepção humana, funcionando em uma condição de silêncio interior, é capaz de atingir níveis indescritíveis. Alguns daqueles níveis de percepção são mundos em si e de modo algum são como os mundos alcançados através do sonhar. Eles são indescritíveis e inexplicáveis em termos dos paradigmas lineares que o estado habitual emprega para explicar o universo.

No entendimento de Don Juan, o silêncio interior é a matriz para um passo gigantesco de evolução: o conhecimento silencioso ou o nível da consciência humana no qual o saber é automático e instantâneo.
 
- Passes Mágicos, pag. 137.
 

***
 

Não sentia que estava caminhando; também não estava voando. Sem dúvida, era transportado com extrema facilidade. Meus movimentos tornavam-se convulsivos e desgraciosos ape­nas quando tentava pensar a seu respeito. Quando desfrutava deles sem pensamentos, entrava num estado único de relação física sem precedentes. Se já tive momentos de felicidade física como aquele em minha vida, devem ter sido tão curtos que nem deixaram lembrança. No entanto, quando experimentava aquele êxtase, senti uma vaga recognição, como se alguma vez o tivesse conhecido mas esquecido.

A exaltação de me mover através do chaparral era tão in­tensa que tudo o mais cessou. A única coisa que existia era aque­les momentos de movimento e paradas.

Contudo ainda mais inexplicável foi a sensação corporal total de pairar acima dos arbustos. Em dado instante, vi com nitidez a figura do jaguar à minha frente. Estava se afastando tão rapidamente quanto podia. Senti que ele tentava evitar os espinhos dos cacto. Era extremamente cuidadoso quanto ao lugar onde pisava.

Tive a subjugante necessidade de correr atrás do jaguar e assustá-lo para que perdesse sua precaução. Sabia que ele precisaria ser ferido pelos espinhos. Um pensamento então irrom­peu em minha mente silenciosa — pensei que o jaguar seria um animal mais perigoso pelos espinhos.
 
Aquele pensamento pro­duziu o mesmo efeito que alguém acordando-me de um sonho. Quando percebi que meus processos de pensamento fun­cionavam outra vez, descobri que chegara na base de uma ca­deia baixa de morros rochosos. Olhei ao redor. Don Juan estava poucos metros atrás.
 
- O Poder do Silêncio.
 
***
 

— O caminho do guerreiro é tão absolutamente importante, Dom Juan? — eu lhe perguntei uma vez.
— "Absolutamente importante" é um eufemismo. O caminho do guerreiro é tudo. É o resumo da saúde mental e física. Não posso explicar de outro modo. O fato de os xamãs do México antigo terem criado tal estrutura significa, para mim, que eles estavam no auge de seu poder, no cume de sua felicidade, no ápice de sua alegria. - Roda do Tempo.
publicado por conspiratio às 16:55
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

FARRA DO BOI É CRIME !

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Anos atrás, uma amiga minha ligada ao teatro, estava atuando na campanha contra a farra do boi e ouviu, de uma atriz muito conhecida, a explicação de que ela era a favor desta prática sádica, porque se os homens descontam sua crueldade nos animais ficam livres dela em sociedade.

Mas minha amiga me disse que se constatou o oposto. Como no cartaz acima. As crianças, por exemplo, podem começar as torturas com os gatos e cachorros. Quem vai dizer que não pode?


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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

MEDITAÇÃO PARA A DOR

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Meditação ajuda a aliviar a dor, indica estudo
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RIO - Meditar pode ser uma ferramenta eficaz para quem busca alívio para a dor, indicam pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá. Um novo estudo publicado na edição de fevereiro da revista Psychosomatic Medicine mostra que quem medita costuma ter menos sensibilidade a dores, tanto durante crises quanto no dia-a-dia.

" Quem medita com regularidade tem uma forma diferente de perceber a dor ."

A pesquisa, coordenada pelo fisiologista Joshua Grant, teve como objetivo avaliar se o cérebro de praticantes de meditação respondia de forma diferente a certos estímulos, entre eles o da dor.

"Outros estudos já mostraram que a meditação ajuda a aliviar dores crônicas, mas poucos tinham investigado a ligação entre meditação e todo tipo de dor. Descobrimos que quem medita com regularidade tem uma forma diferente de perceber a dor", escreveu Grant no periódico.
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De acordo com o estudo, quem medita com regularidade sente até 18% menos dor no cotidiano. Uma das explicações dos pesquisadores é de que os praticantes de meditação aprendem a ter controle sobre sua respiração.

A respiração, afirma Grant, nos faz perceber as sensações de forma diferente. A respiração lenta, por exemplo, está associada ao relaxamento e, por consequência, menos sensações dolorosas, enquanto uma respiração agitada aumenta a percepção do estresse, da ansiedade e da dor. - O estudo mostra que a meditação pode ser uma ferramenta para quem sofre de dores, principalmente de dores crônicas. Meditar pode ajudar a reduzir o consumo de analgésicos e, quem sabe, auxiliar no processo de cura - completa o canadense.



http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2009/02/06/meditacao-ajuda-aliviar-dor-indica-estudo-754294667.asp
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

CHIMPANZÉS PODEM TER PROBLEMAS MENTAIS POR STRESS

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Chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos são os mais próximos dos humanos

O casal Pedro e Vânia Maria Ynterian tinha acabado de adotar Guga, um chimpan­zé, que hoje tem 9 anos. Eles seguiam pela estrada quando uma carreta jogou o carro para fora da pista. "Então, quando gritei Ai, meu Deus', o Guga, que ainda era um filhotinho, apertou a minha mão como se estivesse me passando segurança", conta Vânia. "A partir daí, a cada dia, me surpreendia mais com a inteligên­cia dele. Toda manhã, ele ficava me vendo fazer o café. O primeiro cafezi­nho, inclusive, era ele que tomava comigo." São essas e outras históri­as que levaram o casal a questionar até que ponto Guga era apenas um mascote.

A convivência com o chimpanzé fez com que o casal abraçasse a causa dos direitos dos grandes primatas. "Sem­pre que sabia que um animal estava sendo maltratado, eu pensava em Guga e no que aconteceria se fosse ele que estivesse nessa situação", lembra Pe­dro. Ele não agüentou e começou a aco­lher as vítimas dos maus-tratos.

Hoje, o empresário investe grande parte do seu dinheiro nos 23 alqueires do Criadouro Velho Jatobá e Santuário GAP, em Sorocaba (SP). Passa pelo menos 12 horas por dia lá, cuidando dos chimpanzés. Depois de Guga, vie­ram mais 47, além de dezenas de sa­güis, gibões e outros.

Os grandes primatas reconhecem sua imagem em espelhos e fotografias, mandam beijos, entram em depressão e apreciam um ombro amigo.Por esses motivos é que os membros do Projeto GAP defendem os seus direitos sabe o nome de todos os seus chim­panzés, bem como a personalidade de cada um.

Não por acaso, sua dedicação aos grandes primatas foi recompensada e Pedro foi nomeado presidente do Pro­jeto dos Grandes Primatas, o GAP in­ternacional do qual é filiado, tornando o Brasil a sede da instituição. Criado pelo filósofo Peter Singer em 1994, o GAP é um movimento ideológico em defesa dos direitos dos grandes prima­tas. Para quem não sabe, existem cin­co tipo deles: o homem, os chimpan­zés, os gorilas, os orangotangos e os bonobos (chimpanzés pigmeus).

A princípio, o GAP não se preocupa com o resgate dos animais. Os membros do Brasil, contudo, participam da movimentação ideológica e recolhem aqueles animais que são maltratados e que não têm lar, dando-lhes todo o su­porte e conforto. "0 Brasil é o país mais ativo e atuante na defesa dos gran­des primatas. É também o único que possui santuários relacionados ao GAP", informa Pedro. Ao todo são qua­tro santuários familiares que abrigam 74 chimpanzés.

Pedro afirma que a convivência com esses animais faz qualquer um acredi­tar que eles são pessoas. O empresá­rio também ressalta que a cada dia aprende mais com os chimpanzés, além de sempre se surpreender com a inteligência e a capacidade deles. "Ou­tro dia, estava brincando de casinha com o Guga. Peguei uma panela de brinquedo, coloquei gramas na água e fiquei cozinhando. No dia seguinte, quando cheguei para cumprimentá-lo, ele já tinha preparado a 'cozinha' e es­tava mexendo a sopa de folhas!", orgulha-se a "mamãe" Vânia.

Nos santuários, os chimpanzés são acolhidos de zoológicos e circos, onde geralmente são torturados. Em circos, eles têm seus dentes arrancados, são castrados (para que não se tornem uma ameaça) e podem até desenvolver ou­tras deficiências. Hulk, por exemplo, foi vítima dessas agressões. Quando o encontraram, ele estava cego devido a uma infecção nos olhos. Por sorte,o antigo dono o vendeu a Pedro. Mais tarde, um oftalmologista o operou para que recuperasse parte de sua visão.

Há alguns anos, surgiram leis muni­cipais que proíbem a entrada de circos com animais nas cidades — São Paulo, Campinas (SP), Rio de Janeiro e Curi­tiba são apenas algumas delas. Isso, somado à pressão de ONGs e da pró­pria população, fez com que os proprie­tários de circos quisessem se desfazer dos animais. Então, negociavam os chimpanzés com os donos dos santuá­rios. Hoje, a relação de Pedro e os pro­prietários de circos está light. No iní­cio, ele sofria ameaças de morte e até já foi vítima de um atentado. "Quando comecei, em 2000, um chimpanzé custava em média de US$ 15 mil a US$ 20 mil. Para um circo, era prejuízo ven­der sua fonte de renda", recorda.

Embora os chimpanzés sejam alvo de maus-tratos nos circos, o empresário garante que é nos zoológicos que eles sofrem mais. Ora por falta de com­panhia, ora pelo estresse de ficar ex­posto a desconhecidos. "No circo, eles têm relação com uma pessoa, que che­ga a ser de amor, carinho. No zooló­gico, é tudo impessoal. E eles sofrem o assédio do público ignorante. Ficam de oito a nove horas expostos a pes­soas que não conhecem. Daí eles gri­tam, jogam coisas. Ficam num estres­se tão grande que acabam pirados", ex­plica Pedro.

"Os chimpanzés são muito inteligen­tes. Colocá-los nessas condições é como prender um homem em uma jau­la", argumenta o empresário. Todos os animais que foram diagnosticados com alto índice de depressão ou loucura vieram de zôos. Ao chegarem, tomam remédios homeopáticos, como Charles e Caco, que se automutilavam (se mor­diam e arrancavam os pêlos dos bra­ços) para chamar a atenção. "Aqui te­nho um hospício para os chimpanzés que resgatei e que nunca mais volta­rão a ser normais. Consigo melhorar a qualidade de vida deles, mas sempre serão loucos. É irreversível."

O que separa esses primatas de nós segundo a genética, é apenas 0,6% do DNA. Essa pequena diferença os impede de falar, ler e escrever. Bom, eles podem até não pronunciar palavras como eu ou você, mas compreendem o que conversamos. Quando a veterinária Camila Gentile se aproximou de Vítor mostrando a sua face ferida e dizendo "Olha, me machuquei", o chimpanzé quis acariciar o rosto dela. Porém, por não ter controle de força, poderia machucar, sem querer, a médica. "Não, Vítor, ainda está doendo. Não mexe", advertiu. Ele se aproximou perto de uma bochecha arranhada de Camila e lhe deu um beijo.

Parte da matéria "MACACOS me mordam!"
Por Maíra Lie Chão
Planeta JANEIRO 2009



site da ONG mencionada: http://www.projetogap.org.br/

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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

PREDADORES DA HUMANIDADE

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Acabei de ler "A Magia das Alturas" de Gwyneth Cravens. É um livro de 1979, ficção com alguma pesquisa por trás e umas idéias interesantes.

Aí vai um trechinho:

Oh, eu sei o que você deseja perguntar — disse Izquierdo. Só que no momento não pode fazê-lo. Sim, o poder pode vir ter àqueles que mentem e magoam as pessoas. O poder nada tem a ver com o fato de se ser bom ou mau. Mas o poder surge para alguns de um modo torcido, cruel, que eventualmente os mata. Há uma história, não sei se verdadeira ou não, sobre um reino ao sul que era governado por triângulos de sacerdotes cruéis. Mas o verdadeiro governante era a morte. Os clérigos instigavam o povo, mantinham-no num sonho, conservava-os em guerra, sacrificava-os. Tais sacerdotes desperdiçavam a grande força que é libertada quando os humanos morrem. Eles se esqueciam de que podiam criar tal poder dentro de si mesmos; pensavam ser a morte a única fonte desse poder. Voltavam as costas à vida. Mas então esses sacerdotes vinham a morrer por dentro. Morrer internamente é pior do que a morte comum. Mil vezes pior. Primeiro aparece uma manchinha preta tão diminuta e vazia como uma pon­ta de agulha. Ela se move e cresce. Pode ser superada, mas aqueles sacerdotes não desejavam isso, e morreram de acordo com uma lei. Em nossos corpos, nós fazemos algo com o alimento, a luz, o ar e as sensações. Sem uma preparação adequada, a subs­tância se deteriora. Ou se desgasta ao ser empregada em coisas erradas. Alguns podem usá-la para fabricar uma força que os liga a outros, por exemplo. Algumas vezes a substância é temporariamente passada para uma outra pessoa, e esta a tem por certo tempo, e crê que se torna alguém especial, poderoso, um rei! Mas então ela se dissipa. Atente para estas coisas. Elas estão sem­pre acontecendo. "

(...)

"Narradas num árabe cadenciado, no antigo e abandonado quarteirão de Jidda, sob a luminosidade dourada, filtrada pelas gelosias ao entardecer e naquele quarto de cima com o olor de café aromatizado, tais histórias descreviam um mundo que parecia prestes a ganhar forma diante dos olhos de Ella. Certa tarde, Asad contou-lhe a história de Aladim e sua lâm­pada maravilhosa.

— Eu a vi — ela exclamou. — Era como o sol; isso se passou numa caverna, no México.

— Então você tem uma responsabilidade particular, não tem?

Asad não parecia surpreso com a afirmativa de Ella de que presenciara algo ao vivo e não o produto de uma história de fadas.

— O que quer dizer ?

— Quando a hora chegar, você entenderá o que quero dizer. Ninguém jamais compreende uma coisa até ser hora de utilizá-la.

Asad colocou um pedaço de halwa na boca, mastigou-a len­tamente, e a engoliu. Então passou a falar de algo mais.

— Há um certo número de homens e mulheres que têm apri­morado alguns dos poderes mais primitivos ... mas à custa de algo precioso. Eles perderam sua humanidade, e necessitam de um ali­mento particular para se manterem vivos, um alimento que os humanos fornecem para seu próprio espírito. Eles não podem re­sistir a seus impulsos de matar, sem remorsos... matar tudo que respira, para obter aquele elemento. Eles têm aperfeiçoado o ma­nejo de uma grande influência sobre os outros, sobre a imaginação destes. Já que quase não se pode ver os outros objetivamente, qua­se todo mundo crê que esses determinados homens e mulheres, e seus motivos, são humanos. Isto não é verdade. Tais homens e mulheres servem a um poder particular, quer o saibam ou não. — Fez uma pausa e olhou para os caibros do telhado e depois para Ella. — Eles não podem ser mortos, porquanto sua essência, sua luz, está morta de algum modo. Aqueles que você conhece não a deixarão em paz. Você pode dar-lhes as costas, mas eles a se­guirão, porque têm que ter a sua luz para levar a cabo sua expan­são. Mais cedo ou mais tarde, você terá que se defrontar dire­tamente com eles. Eles usarão a sua própria mente contra você mesma, como já o tem feito.

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PROGRAMA VIDA INTELIGENTE - O GOVERNO OCULTO DO MUNDO

Neste vídeo há 2 pequenas menções sobre Agharta e o governo sombra: aos 8 minutos e 15 segundos e outra na segunda parte, a 1 hora e 34 minutos . O palestrante ou entrevistado afirma que  um grupo de pessoas dos reinos aghartinos, que detém um conhecimento do gênio da riqueza e do gênio da língua, está usando egoísticamente este poder para dominar a humanidade. "São os grupos financeiros que dominam o mundo inteiro."   

Também achei interessante ele mencionar que em determinada altura da evolução, o conhecimento da imortalidade é um dever.
publicado por conspiratio às 22:09
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

SEA SHEPHERD - CAÇANDO CAÇADORES

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Sea Shepherd Attacks Japanese Whaling fleet. Feb 12, 2007
http://www.youtube.com/watch?v=KDsZcLVXyn8&feature=related


Sea Shepherd Captain SHOT by Japanese whalers
http://www.youtube.com/watch?v=6u138Ez4Tio&feature=related

Sea Shepherd Rammed by Canada Coast-Guard
http://www.youtube.com/watch?v=_nUSWTzvzZA&NR=1


Sea Shepherd - Operation Leviathan
http://www.youtube.com/watch?v=nUt_1lzI3G0


Operation Musashi - Sea Shepherd is Coming...
http://www.youtube.com/watch?v=PG3Ar3krD5A&NR=1


Sea Shepherd Attacks Japanese Terrorist Whaling fleet
http://www.youtube.com/watch?v=RJDAX29nYW0&NR=1


02/02/2009 Batalha entre baleeiro e ativistas durou 5 horas até colisão
http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/assistir.jhtm?media=batalha-entre-baleeiro-e-ativistas-durou-5-horas-ate-colisao-04023172C0B16326

Sea Shepherd Conservation Society
http://www.youtube.com/watch?v=d0FD8uN8g5g

Sea Shepherd
http://www.youtube.com/watch?v=d_6v5bcVSS4&NR=1


Guerra sob o sol nascente28.09.2008



O governo japonês e a mídia andam fabricando fatos e distorcendo a verdade, num esforço para demonizar a Sea Shepherd Conservation Society aos olhos da população japonesa.

O jornal Mainichi Daily reportou essa semana que a Sea Shepherd planejou um ataque aos navios baleeiros com aviões de controle remoto.
Membros do grupo Sea Shepherd Conservation são suspeitos de planejar atacar a frota de pesquisa baleeira japonesa usando aviões radio-controlados pintados como Zeroes da Segunda Guerra Mundial, de acordo com a polícia de Tókio, da agência de segurança pública, em informação apresentada seguindo à divulgação do mandado de captura a três membros do grupo ativista na segunda-feira (The Mainichi Daily – 19 de agosto de 2008).

É claro que isso é uma novidade para nós.

O relato dizia:

Fontes dizem que em 12 de fevereiro de 2007 o navio da Sea Shepherd abordou o navio baleeiro japonês Kaiko Maru e colocou dois aviões de radio-controle, pintados como os bombardeiros imperiais Navy Zero no deck. A polícia disse que os aviões provavelmente carregava produtos químicos e suspeita que os aviões seriam seriam usados em uma caçada. (The Mainichi Daily).

A questão aqui é onde estão as fotos? A tripulação do Kaiko Maru filmou tudo o que aconteceu naquele dia e as fotos estão por todo o website, e não há uma única foto dos alegados aviões. E eu posso assegurar que se a Sea Shepherd tivesse esses aviões, nós os usaríamos. De qualquer forma, nós os equiparíamos com câmeras e não com produtos químicos. A polícia está especulando uma invenção sem um fragmento de evidência que suporte qualquer uma dessas alegações.

A frota baleeira japonesa foi impossibilitada de garantir sua cota de matança por três anos seguidos graças aos esforços da Sea Shepherd. Os baleeiros estão perdendo dinheiro e isso os deixa incrivelmente desesperados.

O que eles estão tentando fazer é retratar os defensores das baleias como vilões e os assassinos de baleias de vitimas. É claro que isso é uma tarefa difícil de cumprir para os homens que enchem os oceanos com sangue de baleias vitimadas e torturadas.

Então, o que lhes resta fazer é atirar palavras como “terroristas” e “militantes” em toda oportunidade. As ações da Sea Shepherd são constantemente descritas como “violentas”, sem levar em conta o fato que em mais de três décadas de campanhas, a Sea Shepherd Conservation Society nunca foi responsável por causar uma única injuria a qualquer pessoa, em qualquer lugar. É um recorde indiscutível apesar de tudo.

A mídia japonesa constantemente acusa a tripulação da Sea Shepherd de atirar “ácido” nos decks dos navios baleeiros e alguns noticiários afirmaram que derramamos ácido nas faces das baleias. Novamente, nenhuma foto das vítimas foi produzida e a verdade é que a mídia japonesa está usando a distorção e meias-verdades para apresentar suas mentiras.

A tripulação da Sea Shepherd atirou até hoje somente duas substâncias nos decks dos navios baleeiros japoneses. A primeira eram garrafas de “gordura podre”. Essa é uma substãncia extremamente mau-cheirosa e é não-tóxica, não queimando a pele ou cegando ninguém. As mentiras distorcidas está no fato de que a gordura podre é tecnicamente chamada de ácido bútrico, como um suco de laranja é chamado tecnicamente de ácido cítrico e o leite contém ácido láctico.

A segunda substância é metil-celulose e é um produto alimentício que é usado para encapar pílulas, tornando-as mais fáceis de engolir. Essa é uma substância extremamente escorregadia e torna difícil o processo de cortar os pedaços de baleia no deck.

Nós chamamos essa tática implantada como não-tóxica, orgânica e uma forma biodegradável de guerra química.

As táticas da Sea Shepherd são concebidas para não causarem danos e serem divertidas, também.

Durante a última campanha os baleeios foram capturadas em uma série de mentiras.

Depois de destinar dois membros da nossa tripulação para o mastro e os carris do navio arpoador, eles negaram nosso feitio e disseram que nós somos fabricantes de histórias. Graças ao uplink do nosso satélite, nós conseguimos reunir fotos e vídeo de Giles Lane e Benjamin Potts presos aos carris e então ao mastro do Yushin Maru. Eles negaram que atiraram Benjamin Potts ao mar mas, novamente, as ações foram gravadas pelas câmeras da Sea Shepherd.

Quando a Sea Shepherd noticiou que haviam oficiais da guarda costeira japonesa nos botes baleeiros, o governo japonês, a principio, negou, até queproduzimos imagens de vídeo dos oficiais em seus uniformes. Eles então negaram que os oficiais estava armados, até que produzimos imagens mostrando claramente que eles estavam armados.
É ilegal que unidades militares operem armadas na Zona do Tratado da Antártida.

Durante o confronto que eu fui atingido por um tiro, os baleeiros primeiro noticiaram que as autoridades australianas haviam disparado tiros de alerta. Depois que a notícia que eu havia sido atingido, eles negaram que algum tiro tivesse sido disparado. De qualquer forma, nossas câmeras flagraram o áudio das notícias dos tiros e eu fui pego pela câmera imediatamente após receber o tiro. O buraco deixado pela bala não aparecia no começo da campanha mas ficou bem aparente depois.

A guarda costeira japonesa atirou granadas de efeito moral na tripulação da Sea Shepherd. O governo japonês negou o feitio e descreveu a ordem como “bolas explosivas”.

Laurens De Groots, membro da tripulação da Sea Shepherd e oficial formada da polícia holandesa reconheceu e descreveu as granadas como as usadas para combater os gângsters. As granadas explodindo foram filmadas e uma delas acertou um cameraman do Animal Planet no pé.
Mas a maior mentira de todas é que os baleeiros japoneses estão conduzindo “pesquisas” sobre as baleias no Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

Essa é uma mentira que ninguém fora do Japão acredita, incluindo os governos da Austrália e Nova Zelândia.

Outra mentira é que o massacre das baleias é humano o que, é claro, qualquer pessoa racional e ponderada concorda ser impossível. Baleias não podem ser mortas humanamente e leva-se de 10 minutos a uma hora para matar uma baleia grande, elas sofrem uma horrível agonia durante esse tempo e isso tudo foi documentado centenas de vezes em vídeos que partem o coração, que os japoneses desdenharam como “emocionais”.
O Japão vem trabalhando arduamente para marginalizar a Sea Shepherd e conseguir lobby dos governos para se oporem às nossas intervenções contra suas operações ilegais de matança às baleias. A recente emissão de mandados de detenção contra três tripulantes da Sea Shepherd é uma tentativa de intimidar o restante dos membros.
Não vai funcionar. Nada pode nos deter. Nós não sairemos do Oceano Antártico e nós não entregaremos as vidas das baleias ao massacre para a fictícia pesquisa dessa frota industrial de matança ilegal.

Nós aceitamos esse conflito com comedimento e paciência e em nenhuma ocasião colocamos a vida de um baleeiro japonês em perigo. Nós não prejudicamos um único baleeiro japonês e nós não temos a intenção de fazer isso.

A investigação forense da colisão entre o navio da Sea Shepherd Robert Hunter e o baleeiro Kaiko Maru pela policia federal australiana demonstrou que o baleeiro foi quem abalroou o navio da Sea Shepherd. As vigas de suporte a estibordo da proa do Robert Hunter foram retorcidas para a frente porque o navio foi atingido por trás pelo Kaiko Maru. Se o Robert Hunter tivesse atingido o baleeiro, as vigas de suporte teriam retorcido para trás com a colisão.

Sempre foi dito que a primeira desculpa para a guerra é a verdade. Durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses eram peritos em distorcer a verdade em sua propaganda. Tokyo espalhava informações como um agricultor espalha esterco. Os americanos, britânicos e australianos foram demonizados como bárbaros e foram escravizados, torturados e assassinados. E como eles foram assassinados, violados e pilhados eles repudiaram a falta de sentido no fato dos japoneses serem vitimados pelo resto do mundo por estarem lutando em defesa própria quando, na verdade, era uma guerra imperialista.

O abominável massacre de uma das criaturas mais gentil e inteligente do mundo – as baleias, é apenas um outro exemplo da violência bárbara implantada e justificada em nome da honra e cultura japonesas.
Eles podem nos demonizar, eles podem nos marginalizar, eles podem nos atacar, nos prender, perseguir e atirar em nós, mas eles nunca vão nos impedir de intervir contra essa brutal e ilegal atividade no Santuário das Baleias da Antártida.

A operação Musashi da Sea Shepherd está há apenas alguns meses de ser implantada. O Japão está arduamente insistindo com a Austrália e a Nova Zelândia para nos impedir. Nós passaremos pelos obstáculos que venham a surgir e nos manteremos determinados a atingir o objetivo de fazer qualquer coisa não-violenta para derrubar e parar o massacre das baleias pelo poder imperialista do Japão, notoriamente a cruel e violenta frota baleeira.

Fonte: Comentários do Capitão Paul Watson – Fundador e presidente da Sea Shepherd Conservation Society

http://www.seashepherd.org.br/noticia.php?not=115


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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

ANJOS ENTRE NÓS

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Anjos Entre Nós
O Anjo de Gale

Gale mergulhou, depois Danny, e ambos saíram nadando rumo à plataforma de madeira no extremo da área demarcada. Gale chegou lá antes de Danny, e saiu da água com um único movi­mento ágil. Depois sentaram-se e ficaram olhando o barco onde seguiam Donna e Arnie, atravessando os limites marcados pela corda. Ele remava com força, fazendo o barco singrar a água em direção à outra margem distante.
Gale ficou um bom tempo a olhá-los. Finalmente, Danny tocou-lhe o braço:

— Vamos voltar? Eu aposto que chego à praia primeiro.

Ela não respondeu. O barco ia no meio do lago, deslizando facilmente para a frente.

— Eu vou até a outra margem — disse Gale.

— Por quê?

— Quero provar uma coisa.

— O quê? Que é a Supermulher?

Gale sorriu:

— Talvez.

— Está tentando impressionar Arnie? É isso? Tudo bem. Eu alugo um barco.

— Eu vou nadando — disse ela, pondo-se de pé.

— Eu sei, mas eu vou remando ao seu lado.

Gale abanou a cabeça.

— Eu não quero um barco.

— Ficou maluca? E se você cansar ou sentir cãibras?

— A Supermulher não precisa de barco.

E pulou na água como um peixe vermelho, dando braçadas sem levantar muita água e deixando atrás de si uma trilha suave formada pelo nado borboleta.

— Volte! — gritou Danny.

Vários nadadores que estavam por perto olharam para ele, curiosos. Danny mergulhou e pôs-se a nadar furiosamente em direção à praia, onde correu para o barracão que alugava barcos. O encarregado disse-lhe que todos os barcos estavam alugados, mas que um deles deveria estar de volta dentro de dez minutos. Danny ficou andando de um lado para o outro, olhando na direção do lago, onde um vulto continuava a nadar, afastando-se cada vez mais da praia. Cinco minutos. Nada de barco. Dez minutos. O vulto na água continuava a afastar-se, cada vez menor na distância. Doze minutos. E o barco não chegava.

— Por que esse barco não chega?

O encarregado deu de ombros.

— Nem sempre essa gente é pontual — explicou ele. Quinze minutos. E foi então que Danny avistou o barco — um rapazinho e uma menina, rindo enquanto manobravam para atracar. Em seguida, Danny entrou no barco, que balançava de um lado para o outro, e apanhou os remos. O encarregado deu-lhe um empurrão e Danny partiu remando.

Ele nem sabia ao certo se teria forças para chegar ao outro lado. Remar o mais depressa possível iria cansá-lo mais rapida­mente, e talvez ele não chegasse a alcançar Gale. Mas, se fosse mais devagar, ela poderia afundar antes que ele chegasse perto. Era uma maluca! Tudo porque queria impressionar Arnie. Antes, ela nunca se interessara por rapazes, da mesma forma que ele não se interessava por garotas. Agora, ele estava interessado nela e ela estava interessada em outro cara.

Mas nada disso importava agora. Alguma coisa lhe dizia que ela estava se metendo em dificuldades, e acima de tudo ele não queria vê-la nesse tipo de dificuldades.
Gale continuava a dar braçadas regulares, mas diminuíra consideravelmente a velocidade. Estava quase na metade do lago, distância que calculava pelo tamanho das árvores em ambas as margens. Metade do caminho era o ponto de onde não poderia mais voltar. Não havia motivo para pensar em voltar naquele momento. A distância para continuar era a mesma. Mas ela lamentava um pouco não poder pensar em voltar. Porque estava cansada. A outra margem parecia-lhe desalentadoramente distan­te. Na verdade, parecia-lhe quase não estar avançando. Não estava chegando mais perto: estava dando braçadas sem ira lugar algum. Erro. Não devia ter tentado a travessia. Devia ter deixado que Danny a seguisse de barco. Não tinha colete salva-vidas. Se descansasse nadando mais devagar, apenas levaria mais tempo para chegar, e, quanto mais tempo ficasse na água, mais cansada se sentiria. Se apenas se mantivesse à tona da água, movendo as mãos e os pés, não estaria avançando; estaria usando energia sem sair do lugar. O melhor era continuara dar braçadas, continuar a dar braçadas e chegar mais perto da margem.

Agora estava além da metade, mas a margem continuava longe. E ela estava se sentindo cada vez mais cansada. O fato era que... os seus braços estavam ficando pesados. Nadar, nadar, cabeça para o lado e para dentro da água. Respirar, respirar. Seria a fadiga? Era alguma coisa mental. Tudo produto da imaginação. Continuar a nadar.

Que horas seriam? Os braços estavam ficando realmente pesados. Por mais quanto tempo agüentaria? Eh... não podia afundar. Uma pessoa pode flutuar durante horas apenas usando-se a velha técnica de mover a cabeça. Podem amarrar-lhe as mãos atrás das costas e amarrar-lhe os tornozelos, e ainda assim ela não se afoga, basta movera cabeça de um lado para o outro e respirar lentamente, sem entrar em pânico. O corpo flutua naturalmente. Não pode afundar. Flutua naturalmente, subindo para a superfí­cie da água. Não é preciso se preocupar. Não se pode afundar. É isso ai.

Continuar com as braçadas. Ela se sentia cansada, fatigada, e a margem continuava longe. Por que as coisas não pareciam mais próximas? Ela mal conseguia levantar os braços. Por que estava fazendo aquilo? Não era nenhuma Supermulher. Não queria ser a Supermulher. Não queria impressionar Arnie. Que lhe impor­tava Arnie? Danny era muito superior a ele. Danny a aconselhara a não tentar a travessia. Por que não dera ouvidos a Danny? Se Danny estivesse remando ao seu lado, ela poderia segurar-se ao barco. Poderia terminar a travessia de barco. Mas Danny não estava lá. Só os seus braços continuavam a mexer-se, mas lhe era tão difícil erguê-los. Era preciso descansar.

De repente, viu-se tossindo e tentando manter a cabeça fora da água, em busca de ar. Tinha engolido água! Não devia afundar. Precisava continuara nadar. Não podia afogar-se. A mãe, iria sentir falta da mãe. E Donna. Amava a irmã. Donna podia ficar com Arnie. Ela sentiria falta da irmã. E principalmente sentiria falta do pai. Pobre papai. Quem iria caçar com ele? Eu não quero me afogar!

Estava cansada demais para prosseguir. Não dava mais para mover os braços. As pernas já não se moviam. Ia afundar. Dizem que são três vezes, e, quando a gente afunda pela terceira vez, não volta mais. já teria afundado duas vezes? Uma vez, talvez duas. Mas a terceira vez seria a última... e estava sendo agora.

Sentiu o braço forte em torno da sua cintura e pôde respirar novamente. A cabeça estava fora da água, e ela estava tossindo, mas conseguia respirar! Quem a estava segurando? Seria Danny? Voltou a cabeça... não, não era Danny. Era um homem que ela não conhecia, nadando com um dos braços enquanto segurava-a firmemente com o outro. Ela estava de costas, olhando para o céu, grata por estar viva e nas mãos de um nadador forte que a levava para a frente.

— Ainda falta muito? — indagou ela.

O homem não respondeu, e ela permaneceu calada. Ele não precisava falar. Precisava de toda a sua energia para nadar. Ela esperava que ele conseguisse. Mas sabia, sabia que ele não deixaria que ela se afogasse. Gale perdeu toda a noção de tempo; tinha consciência apenas do movimento da água sob o seu corpo e o céu acima da sua cabeça. Ouviu uma voz distante. Danny? Seria Danny? Onde estava ele? Mas depois não o ouviu mais.

De repente, o homem ao seu lado parou de nadar. Pôs-se de pé e ajudou-a a pisar terra firme. Ela olhou e viu a praia! Tinha chegado ao outro lado! Correu atordoada para a praia. Água pelos joelhos, depois os pés em terra seca. Ela riu. Algumas pessoas que faziam piquenique olharam-na com curiosidade. Não havia sinal de Donna ou de Arnie.

Voltou-se para a água para agradecer ao homem que salvara a sua vida, e não viu ninguém — exceto um bote a cinqüenta metros de distância, remado por um rapaz cuja voz ela havia escutado quando ainda estava na água. Danny.

— Gale! Você está bem? — Agitado, Danny saltou do barco e empurrou-o para a praia. Virou-se para ela, ofegante. — Perdi você de vista. Pensei que tivesse se afogado.

— Eu estou bem.

— Você conseguiu — disse ele —, mas não devia ter tentado. Não pude alugar um barco a tempo, mas você devia ter-me deixado remar ao seu lado. Devia...

Ela o interrompeu:

— Eu sei.

— O quê?

— Disse que você tinha razão. Eu devia ter deixado que você remasse ao meu lado.

— B-bom — gaguejou ele. — Seja como for, você conseguiu. Você disse que conseguiria fazer a travessia a nado, e fez. — E, abrindo um sorriso: — Supermulher.

— Nisso você não tem razão, Danny. Não sou nenhuma Supermulher. Alguém me salvou, alguém evitou que eu me afogasse. Trouxe-me para esta praia.

— Eu não vi ninguém.

— Era um homem que podia nadar sem ficar cansado.

— Onde está ele?

— Não sei.

— De onde veio?
— Apareceu de repente, vindo do nada.

Danny estava perplexo.

— Quem é ele?

Gale deu-lhe o sorriso mais radiante de todos.

— O meu anjo da guarda — disse ela.



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Do livro ANJOS ENTRE NÓS, de Don Fearheiley, que narra histórias de visitas de anjos baseadas em relatos reais.



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publicado por conspiratio às 19:48
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MUTANTES DA ALQUIMIA

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OS MUTANTES

Imaginar a física e a química a serviço da realização espiritual teria sido apenas uma das quimeras da Idade Média se a história não desse esses testemunhos a respeito da alquimia. Teilhard de Chardin acreditava que alguns ramos da ciência — a física, principalmente — ajudariam a integrar o homem total numa representação verdadeira do mundo. Repetia, de certo modo, o que alguns mestres da alquimia haviam deixado em seus documentos cifrados.

Para alguns autores teria existido sempre uma espé­cie de confraria dos iniciados na alquimia. Esses homens, que se comunicavam entre si constantemente, estariam cientes da principal finalidade da ciência, isto é, a revo­lução interior que muitas religiões também buscam, cada qual a seu modo, visando a criar o homem integral, liber­to do pecado original, aberto à verdade, livre enfim. Jac­ques Bergier, um dos autores do livro O Despertar dos Mágicos, julga ter conhecido pessoalmente o "último grande alquimista do século XX" e um dos membros da grande confraria. Fulcanelli era seu nome e foi autor de duas obras consideradas notáveis: Le mystère des cathédrales e Les demeures philosophales, ambas surgidas por volta de 1920. No fim da Segunda Guerra, Bergier encontrou-se com Fulcanelli e com ele trocou algumas palavras. O alquimista causou profunda impressão em Bergier e pediu-lhe que transmitisse aos cientistas uma advertência que já havia repetido até a exaustão: que evitassem a dissemina­ção da energia nuclear (a bomba sobre Hiroxima ainda não havia sido lançada) e não incidissem no erro de alte­rar a estrutura da matéria antes de mudar a do espírito.

Por volta de 1946, Fulcanelli desapareceu completamente, sendo visto pela última vez por seu editor, em Paris.

Pesquisadores modernos admitem os fatos de modo diverso: certas irradiações produziriam no alquimista mo­dificações celulares fundamentais, transformando-o naqui­lo que os geneticistas chamam "mutante". O mutante pode ser um retardado ou um gênio, um atrofiado ou um super-homem. Um certo modo de manipular a matéria poderia colocar seu manipulados acima dos demais, por interfe­rência de certas irradiações nas células de seus cérebros. Essa seria a "grande obra" referida pelos alquimistas, o fim supremo das manipulações que se desdobram e repe­tem infinitamente. A grande missão dos mutantes seria a renovação da humanidade, nos termos preconizados por Teilhard de Chardin, no Ocidente, e Sri Aurobindo, no Oriente, isto é, "um desvio que nos leve a qualquer forma de ultra-humano". Morand e Laborit, em seu trabalho Les destins de Ia vie et de l'homme (Mascou, Paris, 1959), acham que "os mutantes existem e têm surgido sempre, destacando-se entre eles Maomé, Confúcio, Buda e Jesus Cristo". A alquimia seria um modo de provocar a muta­ção, mas ela poderia ocorrer independentemente desse estímulo. São muitos os indícios e muitas as hipóteses. A certeza, isso pelo que tanto anseia o espírito humano, é bem mais rara.

De "GRANDES ENIGMAS DA HUMANIDADE", Luiz Carlos Lisboa


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publicado por conspiratio às 17:44
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

VIVER DE LUZ: UM POUCO SOBRE TERESA NEUMANN

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Sobre Teresa Neumann milhares de artigos e livros foram escritos e não há quem não tenha ouvido falar a seu respeito. Nascida numa Sexta-Feira Santa, em 1898, na aldeia bávara de Kennersreuth, cresceu em ambiente católico e sempre gozou de excelente saúde. Em 1918 adoeceu e foi internada num hospital onde piorou sem­pre, não podendo mais caminhar e chegando a escarrar sangue. Ao saber da beatificação de Santa Teresa do Me­nino Jesus teve a sua primeira visão, na forma de "uma luz que pairava sobre sua cama" e de uma voz que lhe dizia que só através do sofrimento encontraria a felicida­de. Em 1925 teve outras duas visões, mas o mais extraor­dinário de tudo quanto lhe diz respeito é o fato de comprovadamente ter Teresa passado nada menos de 33 anos sem ingerir qualquer alimento. O psiquiatra francês Jean Lhermitte, que inclui Teresa Neumann entre os doentes — uma vez que se recusa a aceitar o que não pode com­preender —, admite sua sinceridade e acrescenta: "O fe­nômeno dos estigmas deve ser julgado exclusivamente do ponto de vista dos resultados e frutos da vida de um místico e isso só se revela através de uma perfeição vista depois de sua morte" (Mystiques et faux mystiques).

Teresa Neumann apresentou outros aspectos curio­sos, além da estigmatização. Durante os transes em que mergulhava parecia possuir o dom das línguas. Parecia distinguir as pessoas segundo seus merecimentos e grau de progresso espiritual. Perguntada sobre a procedência de uma relíquia, respondia com precisão espantosa, referindo datas e origem.

NADA A EXPLICAR

Em 1927 Teresa Neumann submeteu-se a um pri­meiro exame médico rigoroso que teve a duração de quin­ze dias. Observada dia e noite por uma equipe sob a direção do prof. Edwald de Erlangen e do dr. Seidl, ficou provado que nesse período não ingeriu alimento sólido ou água. "Esse fenômeno, a medicina não pode explicar", diz o relatório. O dr. Edwald dizia-se ateu e foi considera­do insuspeito por crentes e descrentes. Mais tarde publi­cou um trabalho em que confirma os termos surpreenden­tes do primeiro relatório, no qual houve apenas a constatação de fatos extraordinários para os quais se buscou em vão uma explicação dentro da medicina. Outro trabalho surgiu em 1929, assinado pelo dr. Gerlich, que subme­teu Teresa a minuciosos exames e observações. Gerlich também era ateu e, depois de conviver com Teresa, con­cluiu que a ciência "nada podia explicar naturalmente". Converteu-se mais tarde ao catolicismo.

O dr. R. W. Hyneck, de Praga, publicou em 1938 o resultado de seus trabalhos acerca dos fenômenos que cercavam Teresa Neumann, confirmando os resultados de Gerlich e Erlangen, de que não havia fraude ou caso pa­tente de histeria. Disse que nunca vira, em seus longos anos de prática médica, chagas daquele tipo e de compor­tamento tão imprevisível. A obra Mentira ou verdade, do médico Radlo, de Lemberg, escrita conjuntamente com Dabrovsky e Bogdanowitz, confirma a veracidade dos fe­nômenos. O livro Konnersreuth, hoje, do médico dr. Frolich, destruiu os últimos argumentos dos que preten­dem ver em Teresa um caso comum de histeria ou per­turbação nervosa.

Na Sexta-Feira Santa de 1951 as chagas deixaram de sangrar, como vinham fazendo há 25 anos. Uma sema­na antes cerca de trezentas pessoas assistiram aos estig­mas sangrarem abundantemente. Um mês mais tarde os estigmas voltaram a sangrar e os fenômenos estranhos se multiplicaram até a morte de Teresa Neumann, em 1956.

Fonte: Grandes Enigmas da Humanidade, Luiz Carlos Lisboa e Roberto P. Andrade
publicado por conspiratio às 21:04
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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

A BASE SOCIAL DA PERCEPÇÃO DEVE MUDAR PARA SOBREVIVERMOS AGORA – SOBRE ENSONHAR - CASTAÑEDA

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— Quer dizer, Dom Juan, que o passado não tem valor para os feiticeiros modernos?

— Claro que tem valor. É do sabor daquele passado que não gosto. Pessoalmente detesto a escuridão e a morbidez da mente. Gosto da imensidão do pensamento. Entretanto, a despeito do que gosto e do que não gosto, tenho de dar crédito aos feiticeiros da Antigüidade, porque foram os primeiros a descobrir e a fazer tudo que conhecemos e fazemos hoje em dia.

Dom Juan explicou que o feito mais importante deles foi perceber a essência energética das coisas. Foi tão importante que se tornou a premissa básica da feitiçaria. Atualmente, depois de toda uma vida de disciplina e exercícios, os feiticeiros adquirem a capacidade de perceber a essência das coisas; uma capacidade que chamam de ver.

— O que significaria para mim perceber a essência energé­tica das coisas? — perguntei um dia a Dom Juan.

— Significaria que você percebe a energia diretamente. Se­parando a parte social da percepção, você perceberá a essência de tudo. Tudo que percebemos é energia, mas como não podemos perceber energia diretamente, processamos nossa percepção para que ela se adapte a um molde. Esse molde é a parte social da percepção, que você precisa separar.

— Por que preciso separá-la?

— Porque ela reduz deliberadamente o âmbito do que pode ser percebido, e faz com que acreditemos que o molde em que enquadramos nossa percepção é tudo o que existe. Estou conven­cido de que, para o homem sobreviver agora, a base social de sua percepção deve mudar.

— O que é essa base social da percepção, Dom Juan?

— A certeza física de que o mundo é feito de objetos concre­tos.

Chamo isso de base social porque todo mundo empenha um grande esforço em levar-nos a perceber o mundo do jeito que percebemos.

— Então como deveríamos perceber o mundo?

— Tudo é energia. Todo o universo é energia. A base social de nossa percepção deveria ser a certeza física de que a energia é tudo que existe. Deveria ser realizado um esforço gigantesco para levar-nos a perceber energia como energia. Então teríamos as duas alternativas à mão.

— É possível treinar as pessoas a fazer isso? — perguntei.

Dom Juan respondeu que era possível. E que era precisamente isso que ele estava fazendo comigo e com seus outros aprendizes. Estava nos ensinando um novo modo de perceber; primeiramente fazendo com que notássemos que processamos nossa percepção para adaptá-la a um molde e, em segundo lugar, empurrando-nos para que percebêssemos diretamente a energia. Assegurou-me que esse método era muito parecido com o que é usado para ensinar a perceber o mundo cotidiano.

Dom Juan achava que a armadilha de processar nossa percepção para que se adapte a um molde perde sua força quando percebemos que aceitamos esse molde, como herança de nossos ancestrais, sem nos preocuparmos em examiná-lo.

— Para a sobrevivência de nossos ancestrais deve ter sido
absolutamente necessário perceber um mundo de objetos duros, com valores positivos ou negativos — disse Dom Juan. — Depois de eras percebendo as coisas desse modo, somos agora forçados a acreditar que o mundo é feito de objetos.

— Não posso conceber o mundo de outro modo, Dom Juan, reclamei.
Esse é inquestionavelmente um mundo de objetos. Para provar só precisamos tropeçar neles.

— Claro que é um mundo de objetos. Não estamos discutindo
isso.

— Então, o que você está dizendo?

— Estou dizendo que em primeiro lugar este é um mundo de energia, e depois um mundo de objetos: Se não partirmos da premissa de que este é um mundo de energia, nunca poderemos perceber a energia diretamente. Seremos sempre impedidos pela certeza física do que acabamos de mostrar: a dureza dos objetos. Para mim seu argumento era mistificador demais. Naqueles dias minha mente se recusava por completo a considerar qualquer alternativa à compreensão do mundo com a qual eu era familiari­zado. As afirmações de Dom Juan e as questões que ele formulava eram propostas exóticas que eu não conseguia aceitar, mas que tampouco podia recusar.

— Nosso modo de perceber é o modo do predador — ele me disse uma ocasião. — Um jeito muito eficiente de avaliar e classificar a comida e o perigo. Mas não é o único jeito que temos de perceber. Há outro modo, aquele com o qual estou familiarizando você; o ato de perceber diretamente a essência de tudo, da própria energia.

"Perceber a essência de tudo irá nos fazer compreender, classificar e descrever o mundo em termos completamente novos, mais emocionantes e mais sofisticados." Isso era o que Dom Juan dizia. E os termos mais sofisticados aos quais aludia eram os que havia aprendido com seus predecessores; termos que correspon­diam a verdades da feitiçaria, que não têm fundamento racional nem qualquer relação com os fatos de nosso mundo cotidiano, mas que são verdades auto-evidentes para os feiticeiros que percebem diretamente a energia, e que vêem a essência de tudo.

Para esses feiticeiros o ato mais significativo da feitiçaria é ver a essência do universo. A versão de Dom Juan é que os feiticeiros da Antigüidade, os primeiros a ver a essência do univer­so, descreveram-na da melhor maneira. Disseram que a essência do universo lembra fios incandescentes, esticados até o infinito em todas as direções concebíveis; filamentos luminosos com uma consciência de si próprios impossível de ser compreendida pela mente humana.

Depois de ver a essência do universo, os feiticeiros da Antigüidade passaram a ver a essência energética dos seres humanos. Dom Juan afirmou que eles descreviam os seres humanos como formas cheias de brilho que lembravam ovos gigantes, e chama­vam-nos de ovos luminosos.

— Quando os feiticeiros vêem os seres humanos — disse Dom Juan — vêem uma gigantesca forma luminosa que flutua fazendo, enquanto se move, um sulco profundo na energia da terra; exatamente como se a forma luminosa tivesse uma raiz que fosse sendo arrastada.

Dom Juan tinha a impressão de que nossa forma energética muda com o correr do tempo. Disse que todo vidente que conhe­cia, inclusive ele próprio, via que os seres humanos tinham mais a forma de bolas ou mesmo de lápides do que de ovos. Mas, de vez em quando, e por algum motivo que desconhecem, os feiticeiros vêem uma pessoa cuja energia tem a forma de um ovo. Talvez as pessoas que hoje em dia têm a forma de ovo sejam mais parecidas com as pessoas da Antigüidade, foi o que Dom Juan sugeriu.

No transcorrer de seus ensinamentos, Dom Juan discutiu e explicou repetidamente o que ele considerava a descoberta deci­siva dos feiticeiros da Antigüidade. Chamou-a de característica crucial dos seres humanos, como bolas luminosas: um ponto esférico de brilho intenso, do tamanho de uma bola de tênis, permanentemente alojado dentro da bola luminosa, emparelhada com sua superfície, cerca de sessenta centímetros atrás da omo­plata direita da pessoa.

Como eu tinha dificuldade em visualizar na primeira vez em que Dom Juan descreveu aquilo, ele me explicou que a bola luminosa é muito maior do que o corpo humano; que o ponto de brilho intenso faz parte dessa bola de energia; e que está localizado na altura das omoplatas, à distância de um braço a partir das costas da pessoa. Disse que os antigos feiticeiros deram-lhe o nome de ponto de aglutinação, depois de ver o que ele faz.

— O que faz o ponto de aglutinação? — perguntei.

— Faz com que percebamos. Os antigos feiticeiros viram que, nos seres humanos, a percepção é aglutinada ali, naquele ponto. Ao ver que todos os seres humanos têm um ponto brilhante como esse, os feiticeiros antigos conjecturaram que a percepção em geral deve acontecer naquele ponto, de algum modo pertinente.

— O que os antigos feiticeiros viram, fazendo-os concluir que a percepção acontece no ponto de aglutinação?

Ele respondeu que, primeiro, eles viram que dos milhões de filamentos de energia do universo que passam pela bola luminosa, apenas um pequeno número passa diretamente através do ponto de aglutinação, como é de se esperar devido ao seu pequeno tamanho em relação ao todo.

Em seguida eles viram que um brilho esférico extra, ligeira­mente maior do que o ponto de aglutinação, estava sempre rodeando-o, intensificando grandemente a luminosidade dos filamentos que passavam diretamente por aquele brilho.

E finalmente eles viram duas coisas. Uma, que o ponto de aglutinação dos seres humanos pode se deslocar do ponto onde está geralmente localizado. E duas, que quando está em sua posição habitual, a percepção e a consciência parecem ser normais, julgan­do-se pelo comportamento normal dos indivíduos que estão sendo observados. Mas quando seu ponto de aglutinação e a esfera de brilho ao redor estão numa posição diferente da habitual, seu comportamento incomum parece ser a prova de que sua consciên­cia é diferente, e de que estão percebendo de modo não-familiar.

A conclusão a que os feiticeiros antigos chegaram é que, quanto maior o deslocamento do ponto de aglutinação, mais incomum será o comportamento conseqüente e, claro, a consciên­cia e a percepção conseqüentes.

— Observe que quando falo de ver, sempre digo "tendo a aparência de", ou "parecia" — alertou-me Dom Juan. — Tudo que vemos é tão especial que não há como falar a respeito, a não ser comparando com algo que nos seja familiar.

Ele disse que o exemplo mais adequado dessa dificuldade é o modo como os feiticeiros falam do ponto de aglutinação e do brilho que o rodeia. Descrevem-nos como brilho, e no entanto não pode ser brilho, porque são vistos sem os olhos. Eles têm de descontar a diferença e dizer que o ponto de aglutinação é um núcleo de luz, e ao redor dele existe um halo, um brilho. Dom Juan lembrou que somos tão visuais, tão regulados por nossa percepção de predador que tudo que vemos deve ser descrito em termos do que o olho do predador normalmente vê.

Dom Juan disse que, depois de verem o que o ponto de aglutinação e o seu brilho parecem estar fazendo, os feiticeiros antigos tentaram uma explicação. Propuseram que o ponto de aglutinação nos seres humanos, ao concentrar sua esfera brilhante nos filamentos de energia que passam diretamente através dele, automaticamente e sem qualquer premeditação aglutina esses filamentos de energia numa percepção fixa do mundo.

— Como esses filamentos de que você fala são aglutinados numa percepção fixa do mundo? — perguntei.

— É possível que ninguém saiba — ele respondeu enfatica­mente. — Os feiticeiros vêem o movimento da energia, mas apenas ver o movimento da energia não lhes diz como ou por que a energia se move.

Dom Juan afirmou que, ao ver que milhões de filamentos de energia consciente passam através do ponto de aglutinação, os feiticeiros antigos postularam que, ao passar através do mesmo, eles se juntam, reunidos pelo brilho que o rodeia. Depois de ver que o brilho é extremamente fraco em pessoas que foram deixadas inconscientes ou que estão em vias de morrer, e totalmente ausen­tes nos cadáveres, eles se convenceram de que esse brilho é a consciência.

— E quanto ao ponto de aglutinação? Ele está ausente nos cadáveres?
Ele respondeu que não há qualquer traço de um ponto de aglutinação nos mortos, porque o ponto de aglutinação e o brilho ao redor são a marca da vida e da consciência. A conclusão inevitável dos feiticeiros antigos foi que a consciência e a percep­ção estão juntas e que estão ligadas ao ponto de aglutinação e ao brilho que o rodeia.

— Existe uma chance de que aqueles feiticeiros poderiam estar enganados sobre o que viam? — perguntei.

— Não posso explicar por que, mas não há como os feiticei­ros se enganarem sobre o que vêem — disse Dom Juan num tom que não admitia contestação. — Agora, as conclusões a que eles podem chegar a partir de sua visão podem estar erradas, mas isso acontecerá porque eles são ingênuos, não-cultivados. Para evitar esse desastre, os feiticeiros têm de cultivar suas mentes, do jeito que puderem.

Em seguida ele suavizou a voz e disse que, sem dúvida, seria infinitamente mais seguro para os feiticeiros permanecer apenas no nível de descrever o que vêem, mas que a tentação de concluir e explicar, ainda que apenas para si próprio, é grande demais para se resistir.

Os efeitos do deslocamento do ponto de aglutinação eram outra configuração energética que os feiticeiros da Antigüidade podiam ver e estudar. Dom Juan disse que, quando o ponto de aglutinação é deslocado para outra posição, um novo conglome­rado de milhões de filamentos luminosos de energia junta-se naquele ponto. Os feiticeiros antigos viam isso e concluíram que, como o brilho da consciência está sempre presente onde quer que esteja o ponto de aglutinação, a percepção é automaticamente aglutinada ali. Entretanto, devido à posição diferente do ponto de aglutinação, o mundo resultante não pode ser o nosso mundo cotidiano. Será outro.

Dom Juan explicou que os feiticeiros antigos eram capazes de distinguir dois tipos de deslocamento do ponto de aglutinação. Um era um deslocamento para qualquer posição na superfície ou no interior da bola luminosa; um deslocamento que chamavam de mudança no ponto de aglutinação. O outro era um deslocamento para posições fora da bola luminosa; chamavam-no de movimento do ponto de aglutinação. Eles descobriram que a diferença entre uma mudança e um movimento era a natureza da percepção que cada um deles permite.

Como as mudanças do ponto de aglutinação são deslocamen­tos dentro da bola luminosa, os mundos que eles engendram, não importando o quão bizarros, maravilhosos ou inacreditáveis pu­dessem ser, ainda eram mundos pertencentes ao domínio humano. O domínio humano são os filamentos que passam através de toda a bola luminosa. Os movimentos do ponto de aglutinação, por outro lado, já que são deslocamentos para posições fora da bola luminosa, captam filamentos de energia que estão além da com­preensão; mundos inconcebíveis sem nenhum traço de anteceden­tes humanos.

Naqueles dias o problema da confirmação representava sem­pre um papel fundamental em minha mente.

— Desculpe, Dom Juan — falei numa ocasião —, mas essa coisa do ponto de aglutinação é uma idéia tão distante, tão inad­missível que não sei como lidar com ela nem o que pensar a respeito.

— Só há uma coisa para você fazer — ele retorquiu. — Veja o ponto de aglutinação! Não é tão difícil de ver. A dificuldade está em romper o muro retentor que todos temos em nossas mentes e que nos mantém no lugar. Para rompê-lo, tudo que precisamos é de energia. Assim que temos a energia, ver acontece por si. O truque é abandonar nossa fortaleza de autocomplacência e falsa segurança.

— Para mim é óbvio, Dom Juan, que é preciso de muito conhecimento para ver. Não é apenas questão de ter energia.

— É apenas questão de ter energia, pode acreditar. A parte difícil é se convencer de que pode ser feito. Para isso você precisa de confiar no "Nagual". A maravilha da feitiçaria é que todo feiticeiro tem de provar tudo dentro de sua própria experiência. Estou falando sobre os princípios da feitiçaria não com a esperan­ça de que você os memorize, mas com a esperança de que você os pratique.

Sem dúvida Dom Juan estava certo sobre a necessidade de confiar. Nos primeiros estágios dos meus treze longos anos de aprendizado com ele, a coisa mais difícil para mim foi me afiliar ao seu mundo e à sua pessoa. Para mim essa afiliação significava aprender a confiar nele implicitamente e aceitá-lo sem preconcei­tos como o "Nagual".

O papel de Dom Juan no mundo dos feiticeiros era sintetizado no título que lhe foi concedido pelos seus pares. Ele era chamado de o "Nagual". Foi-me explicado que esse conceito refere-se a qualquer pessoa, homem ou mulher, que possua um tipo especí­fico de configuração energética, que para um vidente aparece como uma bola luminosa dupla. Os videntes acreditam que quando uma dessas pessoas entra no mundo dos feiticeiros aquela carga extra de energia transforma-se numa medida da força e da capa­cidade de liderança. Assim, o Nagual é o guia natural, o líder de um grupo de feiticeiros.

(...)

Eu aprendi a confiar implicitamente em Dom Juan como o Nagual, e isso, como ele afirmara, trouxe-me uma imensa sensa­ção de alívio, e uma capacidade maior de aceitar o que ele lutava para me ensinar.

Em seus ensinamentos ele colocava grande ênfase em explicar e discutir o ponto de aglutinação. Uma vez perguntei se o ponto de aglutinação tinha alguma coisa a ver com o corpo físico.

— Não tem nada a ver com o que normalmente percebemos como o corpo — disse ele. — Faz parte do ovo luminoso, que é nosso Eu energético.

— Como é que ele se desloca?

— Através de correntes de energia. Golpes de energia, origi­nados fora ou dentro de nossa forma energética. São em geral correntes imprevisíveis que acontecem aleatoriamente, mas no caso dos feiticeiros são correntes muito previsíveis que obedecem ao seu intento.

— Você pode sentir essas correntes?

— Todo feiticeiro sente. Todo ser humano sente, mas o ser humano médio vive muito preocupado com seus afazeres, para prestar atenção a esse tipo de sentimento.

— Como é a sensação dessas correntes?

— Como um pequeno desconforto; uma sensação vaga de tristeza seguida imediatamente por euforia. Como nem a tristeza nem a euforia têm um fundamento real, nunca as vemos como verdadeiros golpes do desconhecido, e sim como uma melancolia inexplicável e sem fundamento.

(...)

— As histórias dos feiticeiros dizem que, como eles conse­guiram esticar sua forma, também conseguiram esticar a duração de suas consciências. De modo que estão vivos e conscientes até hoje. Há histórias sobre aparecimentos periódicos na terra.

— O que você acha disso tudo, Dom Juan?

— Para mim é esquisito demais. Eu quero liberdade. Liberdade para manter minha consciência e ainda assim desaparecer na vastidão. Em minha opinião pessoal esses feiticeiros antigos eram homens extravagantes, obsessivos e caprichosos, que se tornaram presa de suas próprias maquinações.

"Mas não deixe que meus sentimentos pessoais o influen­ciem. Os feitos dos feiticeiros antigos não têm paralelos. No mínimo eles nos provaram que o potencial do homem não é coisa de se menosprezar.

Outro tópico das explicações de Dom Juan era que a unifor­midade e a coesão energética eram indispensáveis para o objetivo de perceber. Ele dizia que a humanidade só percebe o mundo do jeito que o percebemos porque compartilhamos a uniformidade e a coesão energética. Dizia que conseguimos automaticamente essas duas condições da energia enquanto somos criados; e que elas são um ponto tão pacífico que não notamos sua importância vital enquanto não ficamos diante da possibilidade de perceber outros mundos diferentes. Nesses momentos torna-se claro que precisamos de uma nova uniformidade e uma nova coesão ener­gética adequadas, para podermos perceber com coerência e tota­lidade.

Perguntei o que era uniformidade e coesão, e ele explicou que a forma energética do homem tinha uniformidade no sentido de que todo ser humano na terra tem a forma de uma bola ou um ovo. E o fato de que a energia humana aglutina-se na forma de uma bola ou de um ovo prova que ela tem coesão. Ele disse que um exemplo de uma nova uniformidade e uma nova coesão acontecia quando a forma energética dos feiticeiros antigos se tornava uma linha: cada um deles tornou-se uniformemente uma linha, e coe­sivamente permaneceu como uma linha. Uniformidade e coesão, num nível linear, permitiu que aqueles feiticeiros antigos percebessem um novo mundo homogêneo.

— Como se adquire a uniformidade e a coesão? — perguntei.

— A chave para isso é a posição do ponto de aglutinação, ou melhor, a fixação do ponto de aglutinação.

Ele não quis prosseguir. Então perguntei se aqueles feiticeiros antigos poderiam ter revertido sua forma linear, para que ela voltasse a ser um ovo. Ele respondeu que até um determinado ponto poderiam, mas que não o fizeram. E então a coesão linear se estabeleceu, e tornou a volta impossível. Ele acreditava que o que realmente cristalizou aquela linha de coesão e impediu que fizessem o caminho de volta foi uma questão de escolha e cobiça. O âmbito das coisas que aqueles feiticeiros podiam perceber e fazer, na forma de linhas de energia, era astronomicamente maior do que um homem comum ou um feiticeiro comum podia fazer ou perceber.

Explicou que o domínio do homem que tem a forma de uma bola de energia abrange os filamentos energéticos que atravessam o espaço contido nas fronteiras da bola. Normalmente não perce­bemos todo o domínio humano, mas talvez apenas um milésimo. Ele achava que, se levamos isso em consideração, torna-se apa­rente a enormidade do que os feiticeiros antigos faziam; eles se esticavam numa linha mil vezes maior do que o tamanho de um homem com a forma de bola de energia, e percebiam todos os filamentos de energia que passavam através daquela linha.


(...)

Outro feito monumental dos feiticeiros antigos, segundo Dom Juan, foi descobrir que o ponto de aglutinação se desloca facil­mente durante o sono. Essa descoberta levou a outra: que os sonhos estão totalmente associados a esse deslocamento. Os fei­ticeiros antigos viram que, quanto maior o deslocamento, mais incomum o sonho, e vice-versa: quanto mais incomum o sonho, maior o deslocamento. Dom Juan disse que essa observação levou-os a criar técnicas extravagantes para forçar o deslocamento do ponto de aglutinação, como ingerir plantas que produziam estados alterados de consciência; ou submetendo-se a situações de fome, cansaço ou tensão; e especialmente controlando os sonhos. Desse modo, e talvez sem nem mesmo saber, eles criaram a arte de sonhar.

Um dia, enquanto caminhávamos pela praça da cidade de Oaxaca, Dom Juan me deu a definição mais coerente do sonhar, segundo o ponto de vista de um feiticeiro.

Os feiticeiros vêem o sonhar como uma arte extremamen­te sofisticada. A arte de deslocar à vontade o ponto de aglutinação com o objetivo de ampliar o âmbito do que pode ser percebido.

Disse que os feiticeiros antigos ancoraram a arte de sonhar em cinco condições que eles viram no fluxo de energia dos seres humanos.

Um, eles viram que apenas os filamentos de energia que passam diretamente através do ponto de aglutinação podem ser aglutinados em percepções coerentes.

Dois, viram que, se o ponto de aglutinação é deslocado para outro posicionamento — não importando que fossem desloca­mentos minúsculos — filamentos de energia diferentes e estra­nhos começaram a passar através dele, envolvendo a consciência e forçando a aglutinação desses campos de energia estranhos numa percepção fixa e coerente.

Três, eles viram que, no decorrer dos sonhos comuns, o ponto de aglutinação facilmente se desloca sozinho para outro posicio­namento na superfície ou no interior do ovo luminoso.

Quatro, viram que o ponto de aglutinação pode ser movimen­tado para posicionamentos fora do ovo luminoso, para os filamen­tos de energia do universo exterior.

E cinco, eles viram que, através de disciplina, é possível cultivar e realizar, no decorrer do sono e dos sonhos comuns, um deslocamento sistemático do ponto de aglutinação.



O PRIMEIRO PORTÃO DO SONHAR


Como preâmbulo à sua primeira lição sobre sonhar, Dom Juan falou sobre a segunda atenção como um desenvolvi­mento. Começa com a idéia que nos vem mais como uma curiosidade do que como uma possibilidade real; transforma-se em algo que só pode ser sentido, como uma sensação; e finalmente evolui para um estado de ser, ou uma região de praticalidades, ou uma força superior que nos abre mundos além de nossas fantasias mais desvairadas.

Os feiticeiros têm duas opções para explicar a feitiçaria. Uma é falar em termos metafóricos, e contar sobre um mundo de dimensões mágicas. Outra é explicar suas atividades em termos abstratos, próprios da feitiçaria. Eu sempre preferia última, apesar de nenhuma das duas opções jamais satisfazer a mente racional de um ocidental.

Dom Juan me disse que, ao descrever metaforicamente a segunda atenção como um desenvolvimento, ele queria dizer que, sendo um subproduto do deslocamento do ponto de aglutinação, a segunda atenção não é algo que aconteça naturalmente: deve ser intencional, vendo-a de início como uma idéia e terminando por percebê-la como uma consciência fixa e controlada do desloca­mento do ponto de aglutinação.

— Vou ensinar a você o primeiro passo para o poder — disse Dom Juan, iniciando sua instrução sobre a arte de sonhar. — Vou ensinar como estabelecer o sonhar.

— O que significa estabelecer o sonhar?

Significa ter um comando preciso e prático sobre a situa­ção geral de um sonho. Por exemplo, você pode sonhar que está em sua sala de aula. Estabelecer o sonhar significa que você não deixa o sonho virar outra coisa. Você não salta da sala de aula para as montanhas, por exemplo. Em outras palavras, você controla a visão da sala de aula, e não deixa que ela desapareça enquanto você quiser.

— Mas é possível fazer isso?

— Claro que é possível. Esse controle não é diferente do controle que temos sobre qualquer situação em nossas vidas cotidianas. Os feiticeiros estão acostumados com ele e conse­guem-no sempre que desejem ou precisem. Para se acostumar com ele você deve começar a fazer uma coisa bastante simples. Esta noite, em seus sonhos, você deve olhar para as mãos.

Não falamos muito mais sobre isso na consciência de nosso mundo cotidiano. Em minhas recordações das experiências na segunda atenção, entretanto, descobri que tivemos uma troca mais do que extensiva. Por exemplo, eu expressei meus sentimentos sobre o absurdo da tarefa, e Dom Juan sugeriu que eu deveria encará-la em termos de uma busca divertida, em vez de solene e mórbida.

— Seja tão pesado quanto quiser ao falarmos sobre sonhar disse ele. — As explicações sempre pedem pensamentos profundos. Mas quando estiver sonhando, seja tão leve quanto uma pena. Sonhar tem de ser feito com integridade e seriedade, mas no meio de risos e com a confiança de quem não tem qualquer preocupação. Somente nessas condições nossos sonhos podem se transformar no sonhar.

Dom Juan me assegurou que havia escolhido aleatoriamente minhas mãos para que eu olhasse nos sonhos, e que seria válido olhar para qualquer outra coisa. O objetivo do exercício não era descobrir uma coisa específica, mas empenhar minha atenção sonhadora.

Dom Juan descreveu a atenção sonhadora como o controle que adquirimos sobre nossos sonhos depois de fixar o ponto de aglutinação em qualquer posicionamento novo para o qual ele tenha se deslocado durante os sonhos. Em termos mais gerais, ele chamava a atenção sonhadora de uma faceta incompreensível da consciência, que existe por si, esperando o momento de atraí-la, um momento em que lhe daremos um objetivo, uma faculdade oculta que todos nós temos em reserva, mas que nunca temos a oportunidade de usar.

As primeiras tentativas de procurar minhas mãos no sonho foram um fiasco. Depois de meses de esforços mal sucedidos desisti e reclamei de novo com Dom Juan sobre o absurdo dessa tarefa.

— Existem sete portões — ele disse em resposta. — E os sonhadores precisam abrir todos eles, um de cada vez. Você está diante do primeiro portão que precisa ser aberto caso deseje sonhar.

— Por que você não me disse isso antes?

— Teria sido inútil falar sobre os portões do sonhar antes de você bater de cabeça contra o primeiro. Agora você sabe que há um obstáculo e que precisa superá-lo.

Dom Juan explicou que há entradas e saídas no fluxo de energia do universo, e que no caso específico do sonhar há sete entradas experimentadas como obstáculos, que os feiticeiros cha­mam de sete portões do sonhar.

— O primeiro portão é o limiar que precisamos atravessar tornando-nos conscientes de uma sensação particular antes do sono profundo. Uma sensação como um peso agradável que não nos deixa abrir os olhos.

Chegamos a esse portão no instante em que nos conscientizamos de que estamos caindo no sono, suspen­sos na escuridão e na sensação de peso.

— Como me conscientizo de que estou caindo no sono? Existem etapas a seguir?

— Não. Não existem etapas a seguir. Só precisamos intentar que temos consciência de estar caindo no sono.

— Mas, como se intenta que estamos conscientes disso?

— É muito difícil se falar a respeito do intento. Eu, ou qualquer outra pessoa, pareceria idiota tentando explicar. Pense nisso quando ouvir o que tenho a dizerem seguida: simplesmente intentando, os feiticeiros intentam alguma coisa que os coloca no intento.

— Isso não significa nada, Dom Juan.

— Preste muita atenção. Algum dia vai ser sua vez de expli­car. A afirmação parece sem sentido porque você não a está colocando no contexto adequado. Como qualquer pessoa racional, você pensa que compreender está unicamente no âmbito da razão, de sua mente.

"Para os feiticeiros, como a afirmação que fiz tem a ver com o intento e com intentar, compreendê-la está no âmbito da energia. Os feiticeiros acreditam que, se intentarmos essa afirmação para o corpo energético, o corpo energético irá entendê-la em termos inteiramente diferentes dos termos da mente. O truque é buscar o corpo energético. Para isso você precisa de energia.

— Em que termos o corpo energético entenderia essa afirma­ção, Dom Juan?

— Em termos de um sentimento corporal, o que é difícil de descrever. Você precisa experimentar, para saber o que estou dizendo.

(...)


— Onde nós estávamos, Dom Juan? perguntei. — Foi um sonho? Um estado hipnótico?

— Não foi um sonho — ele respondeu. — Foi o sonhar. Ajudei-o a alcançar a segunda atenção, para que você compreen­desse o intento, não como um tema para o seu raciocínio, mas para seu corpo energético.
"Nesse ponto você ainda não pode compreender a importân­cia disso tudo, não só porque não tem energia suficiente, mas também porque não está intentando nada. Se estivesse, seu corpo energético compreenderia de imediato que o único modo de intentar é concentrando seu intento naquilo que você deseja inten­tar. Dessa vez concentrei-o, para você, em alcançar seu corpo energético.

— O objetivo de sonhar é intentar o corpo energético? — perguntei, subitamente com o poder de um raciocínio estranho.

— Pode-se colocar desse modo — ele disse. — Neste caso em especial, já que estamos falando sobre o primeiro portão do sonhar, o objetivo de sonhar é intentar que o seu corpo energético torne-se consciente de que você está caindo no sono. Deixe seu corpo energético fazê-lo. Intentar é desejar sem desejar, fazer sem fazer.

Aceite o desafio de intentar — prosseguiu ele. — Empenhe sua determinação silenciosa, sem qualquer pensamento, em con­vencer-se de que alcançou o corpo energético e de que é um sonhador. Isso irá automaticamente colocá-lo na posição de estar consciente de que está caindo no sono.

— Como posso me convencer de que sou um sonhador, quando não sou?

— Quando você ouve que precisa se convencer, imediata­mente se torna mais racional. Como pode se convencer de que é um sonhador quando sabe que não é? Intentar é as duas coisas: o ato de convencer a si próprio de que é de fato um sonhador, apesar de nunca ter sonhado antes, e o ato de ficar convencido.

— Então eu tenho de dizer a mim mesmo que sou um sonhador e tentar o máximo possível acreditar nisso?

— Não. Intentar é muito mais simples e, ao mesmo tempo, infinitamente mais complexo do que isso. Exige imaginação, disciplina e objetivo. Neste caso, intentar significa que você obtém um conhecimento inquestionavelmente corporal de que é um sonhador. Você sente que é um sonhador com todas as células do corpo.

Dom Juan acrescentou num tom jocoso que ele não tinha energia suficiente para me fazer outro empréstimo para o intento, e que a coisa a fazer era buscar sozinho meu corpo energético. Assegurou-me que intentar o primeiro portão do sonhar era um dos meios descobertos pelos feiticeiros da Antigüidade para chegar à segunda atenção e ao corpo energético.

Depois de dizer isso ele praticamente me expulsou de sua casa, ordenando que eu não voltasse até ter intentado o primeiro portão do sonhar.

Voltei para casa. E todas as noites, durante meses, fui dormir intentando com toda a força me conscientizar de que estava caindo no sono e ver minhas mãos nos sonhos. A outra parte da tarefa, convencer-me de que era um sonhador e que havia alcançado o corpo energético, era totalmente impossível.

Então, numa tarde enquanto cochilava, sonhei que estava olhando para minhas mãos. O choque bastou para me acordar. Aquele se mostrou um sonho especial que não pôde ser repetido. Passaram-se semanas e fui incapaz de me conscientizar de que estava caindo no sono ou de encontrar minhas mãos. Comecei a perceber, entretanto, que estava tendo em meus sonhos um vago sentimento de algo que eu deveria ter feito, mas que não conseguia recordar o que fosse. Esse sentimento ficou tão forte a ponto de me acordar constantemente durante a noite.

Quando contei a Dom Juan sobre minhas tentativas fúteis de atravessar o primeiro portão do sonhar, ele me deu algumas diretrizes.

— Pedir que um sonhador encontre um determinado item em seus sonhos é um subterfúgio — disse ele. — A verdadeira questão é conscientizar-se de que está caindo no sono. E, por mais estranho que possa parecer, isso não acontece ordenando-se a ficar cons­ciente de estar caindo no sono, e sim mantendo a visão da coisa que se está procurando no sono.

Disse-me que os sonhadores olham rápida e deliberadamente tudo que está no sonho. Se concentram sua atenção em algo específico, é apenas como um ponto de partida. A partir dali, os sonhadores passam a olhar outros itens do conteúdo do sonho, voltando ao ponto de partida quantas vezes for possível.

Depois de grande esforço realmente encontrei mãos em meu sonho, mas nunca eram minhas. Eram mãos que apenas pareciam me pertencer; mãos que mudavam de forma, tornando-se às vezes quase um pesadelo. Mas o resto do conteúdo dos sonhos estava sempre agradavelmente fixo. Eu quase podia sustentar a visão de qualquer coisa em que focalizasse minha atenção.

A coisa prosseguiu assim durante quatro meses, até um dia em que minha capacidade de sonhar mudou aparentemente por si própria. Eu não tinha feito nada de especial, apesar da determina­ção constante de me conscientizar de que estava caindo no sono e de encontrar minhas mãos.
Sonhei que estava visitando a cidade onde nasci. Não que a cidade com a qual sonhava se parecesse com aquela onde nasci, mas de algum modo eu tinha a convicção de que era. Tudo começou como um sonho comum, porém bastante vívido. Então a luz do sonho mudou. As imagens tornaram-se mais nítidas. A rua onde eu andava tornou-se notavelmente mais real do que um momento antes. Meus pés começaram a doer. Pude sentir que as coisas eram absurdamente duras. Por exemplo, ao bater contra uma porta, não somente experimentei a dor no joelho que bateu como também fiquei furioso por minha falta de jeito.

Caminhei realisticamente por aquela cidade até ficar exausto. Vi tudo que poderia ver se fosse um turista andando pelas ruas de uma cidade. E não havia qualquer diferença entre aquela cami­nhada onírica e as caminhadas que eu dava numa cidade que visitava pela primeira vez.

— Acho que você foi um pouquinho longe demais — Dom Juan disse depois de ouvir meu relato. — Só era necessária a sua consciência de estar caindo no sono. O que você fez é equivalente a derrubar uma parede só para esmagar um mosquito pousado nela.

— Quer dizer, Dom Juan, que eu fiz besteira?

— Não. Mas aparentemente você está tentando repetir algo que fez antes. Quando fiz seu ponto de aglutinação mudar, e nós terminamos naquela cidade misteriosa, você não estava dormindo. Estava sonhando, mas não dormindo. Isso quer dizer que seu ponto de aglutinação não alcançou aquele posicionamento através de um sonho normal. Eu forcei-o a se deslocar.

Você certamente pode alcançar a mesma posição através de um sonho, mas eu não aconselharia isso, por enquanto.

— É perigoso?

— E como! Sonhar tem que ser uma coisa muito sóbria. Não é possível se dar ao luxo de qualquer movimento em falso. Sonhar é um processo de despertar, de obter controle. Nossa atenção sonhadora deve ser sistematicamente exercitada, porque ela é a porta para a segunda atenção.

— Qual é a diferença entre a atenção sonhadora e a segunda atenção?

— A segunda atenção é como um oceano, e a atenção sonha­dora é como um rio que deságua nela. A segunda atenção é estar consciente de mundos inteiros, tão totais quanto o nosso, ao passo que a atenção sonhadora é estar consciente dos itens de nossos sonhos.

Ele enfatizou que a atenção sonhadora é a chave para cada movimento no mundo dos feiticeiros. Disse que entre a imensidão de itens de nossos sonhos existem interferências energéticas reais; coisas que foram postas em nossos sonhos por uma força estranha. Poder encontrá-las e segui-las é feitiçaria.

A ênfase que ele pôs naquelas afirmações foi tamanha que tive de perdir-lhe para explicar. Ele hesitou por um instante antes de responder.

— Os sonhos são, se não uma porta, um alçapão para outros mundos. Assim, os sonhos são vias de duas mãos. Por esse alçapão nossa consciência atravessa para outros reinos; e esses outros reinos mandam batedores para nossos sonhos.

— O que são esses batedores?

— Cargas de energia que se misturam aos itens de nossos sonhos normais. São fluxos de energia estranha que entram em nossos sonhos, e que nós interpretamos como itens familiares ou desconhecidos.

— Desculpe, Dom Juan, mas não consigo achar pé nem cabeça na sua explicação.

— Não consegue porque insiste em pensar nos sonhos em termos que você conhece: como aquilo que acontece conosco durante o sono. E estou insistindo em dar outra versão: o sonho é uma abertura para outras esferas de percepção. Através desse alçapão entram correntes de energias estranhas. A mente — ou o cérebro — capta essas correntes de energias e transforma em partes dos nossos sonhos.

Parou, obviamente para dar à minha mente tempo de absorver o que dizia.

— Os feiticeiros têm consciência dessas correntes de energia estranha — continuou. — Eles percebem-nas e tentam isolá-las dos itens normais de seus sonhos.

— Por que eles as isolam, Dom Juan?

— Porque elas vêm de outras esferas. Se as seguirmos até suas fontes, elas servirão como guias para áreas de um mistério tão grande que os feiticeiros estremecem à simples menção dessa possibilidade.

— Como os feiticeiros as isolam dos itens normais dos seus sonhos?

— Através do exercício e do controle de sua atenção sonha­dora. Num momento, nossa atenção sonhadora as descobre entre os itens de um sonho, concentra-se nelas e então todo o sonho se desmorona, deixando apenas a energia estranha.

Dom Juan se recusou a levar o tema adiante. Voltou a discutir minha experiência e disse que, no todo, tinha de ver meu sonho como minha primeira tentativa genuína, e que isso significava que eu conseguira alcançar o primeiro portão do sonhar.

Em outra discussão, numa outra época, ele trouxe abrupta­mente o assunto de volta. Disse:

— Vou repetir o que você deve fazer em seu sonho para atravessar o primeiro portão do sonhar. Primeiro deve focalizar sua vista em qualquer coisa que você escolha como ponto de partida. Em seguida vire-se para outros itens e dê olhadas breves. Focalize seu olhar no máximo de coisas que puder. Lembre-sede que, se você olhar rapidamente, as imagens não mudam. Em seguida volte para o item original, o primeiro para o qual você olhou.

— O que significa passar o primeiro portão do sonhar?

— Alcançamos o primeiro portão do sonhar ficando cons­cientes de que estamos caindo no sono ou tendo, como você teve, um sonho gigantescamente real. Depois de termos alcançado o portão, devemos atravessá-lo podendo manter a visão de qualquer item do sonho.

— Eu quase posso olhar fixo para os itens de meus sonhos, mas eles se dissipam muito rápido.

— É precisamente isso que estou tentando dizer. Para com­pensar a qualidade evanescente dos sonhos, os feiticeiros inven­taram o uso do item ponto de partida. Toda vez que você o isola e olha para ele, recebe um jorro de energia, de modo que no princípio não olhe muitas coisas em seus sonhos. Quatro itens já bastam. Mais tarde você pode alargar o alcance até poder abarcar tudo que quiser, mas assim que as imagens começarem a mudar e você sentir que está perdendo o controle, volte para o item ponto de partida e comece tudo de novo.

— Você acredita que eu realmente cheguei ao primeiro por­tão do sonhar Dom Juan?

— Chegou, e isso já é muito. Você vai descobrir, enquanto prossegue, como vai ser fácil sonhar agora.

Achei que Dom Juan estava exagerando ou me dando incen­tivo. Mas ele me assegurou que não.

— A coisa mais espantosa que acontece com os sonhadores disse ele — é que, ao chegar ao primeiro portão, também chegam ao corpo energético.

— O que, exatamente, e o corpo energético?

— É a contrapartida do corpo físico. Uma configuração fantasmagórica feita de pura energia.

— Mas o corpo físico não é feito também de energia?

— Claro que é. A diferença é que o corpo energético tem apenas aparência, não tem massa. Como é energia pura, ele pode realizar atos além das possibilidades do corpo físico.

— Como o que, por exemplo?

— Como se transportar num instante até os confins do uni­verso. E sonhar é a arte de afinar o corpo energético, de torná-lo flexível e coerente através do exercício gradual.

Através do sonhar condensamos o corpo energético até que ele se torne uma unidade capaz de perceber. Sua percepção, apesar de afetada por nosso modo normal de perceber o mundo cotidiano, é independente. Tem sua própria esfera.

— O que é essa esfera, Dom Juan?

— Essa esfera é a energia. O corpo energético lida com energia em termos de energia. Existem três modos através dos quais ele lida com a energia nos sonhos. Ele pode perceber a energia enquanto ela flui, pode usar a energia para lançar-se como um foguete até áreas inesperadas, ou pode perceber como perce­bemos comumente o mundo.

(...)

Ele reiterou que alcançar, com controle deliberado, o primeiro portão do sonho é um modo de chegar ao corpo energético. Mas manter esse ganho é uma questão que implicava apenas energia. Os feiticeiros obtêm essa energia reestruturando de modo mais inte­ligente a energia que possuem e que usam para perceber o mundo cotidiano.

Quando insisti para que Dom Juan explicasse com mais clareza, ele acrescentou que todos nós temos uma determinada quantidade de energia básica. Essa quantidade é toda a energia que possuímos, e usamos toda ela para perceber e lidar com nosso mundo envolvente. Repetiu várias vezes, para enfatizar, que em nenhum lugar existe mais energia para nós, e que, já que nossa energia disponível está ocupada, não sobra nem um pouquinho para qualquer percepção extraordinária como, por exemplo, so­nhar.

— Em que ponto isso nos deixa? — perguntei.

— Isso nos deixa tendo que arranjar energia por conta pró­pria, onde quer que possamos encontrá-la.

Dom Juan explicou que os feiticeiros têm um método de arranjá-la. Eles redistribuem inteligentemente sua energia cortan­do tudo que considerem supérfluo em suas vidas. Chamam esse método de caminho dos feiticeiros. Em essência o caminho dos feiticeiros, segundo Dom Juan, é uma cadeia de escolhas de comportamento ao lidar com o mundo, escolhas muito mais inteligentes do que aquelas que nossos pais nos ensinaram. Essas escolhas dos feiticeiros destinam-se a recompor nossas vidas alterando nossas reações básicas com relação a estarmos vivos.

— Quais são essas reações básicas?

— Existem dois meios de enfrentar o fato de estarmos vivos
disse ele. — Um é render-se a ele, seja concordando com suas exigências, seja lutando contra elas. Outro é moldando nossa situação particular de vida para que ela se adapte a nossas próprias configurações.

— Podemos realmente moldar nossa situação de vida, Dom Juan?

— Nossa situação particular de vida pode ser moldada para se ajustar às nossas especificações — insistiu Dom Juan. — Os sonhadores fazem isso. Acha uma afirmativa doida? Não é, se você considerar como nós conhecemos pouco nós mesmos.

Disse que seu interesse, como professor, era envolver-se por inteiro com os temas da vida e de estar vivo; isto é, com a diferença entre a vida — como conseqüência de forças biológicas — e o ato de estar vivo — como uma questão cognitiva.

— Quando os feiticeiros falam de moldar nossa situação de vida estão falando de moldar a consciência de estar vivo. Moldan­do essa consciência podemos conseguir energia suficiente para alcançar e manter o corpo energético, e com ele certamente podemos moldar a direção total e as conseqüências de nossas vidas.

Do livro de Carlos Castaneda, A ARTE DO SONHAR
publicado por conspiratio às 22:03
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

CICLO DE NASCIMENTO E MORTE É ILUSÃO

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O ciclo de nascimento e morte é uma ilusão

"Bhikkhus (monges), sejam diligentes em sua prática de olhar profundamente a fim de que o fruto da Compreensão possa surgir e vocês não permaneçam mais aderidos à dor. Nascimento, doença, velhice e morte também deixarão de importunar vocês.

"Quando um bikkhu estiver por realizar seu passamento, ele deveria manter a contemplação do corpo, dos sentimentos, da mente e dos objetos da mente. Cada posição e cada ato do corpo deveriam ser postos sob a mente atenta. O bikkhu comtempla a natureza da impermanência e a natureza da interdependência do corpo e dos sentimentos, de modo que não fique ligado ao corpo e aos sentimentos, ainda que prazerosos.
"Se precisa de todas as suas forças para suportar a dor, ele deveria apenas observar:

Este é um tipo de dor que necessita de toda as minhas forças para ser tolerada. Esta dor não sou eu. Eu não sou esta dor. Não estou preso a esta dor. O corpo e os sentimentos são, neste momento, como uma lamparina cujo óleo e pavio estão se extingüindo. É por meio de condições que a luz se manifesta ou cessa de se manifestar. Eu não estou ligado às condições.

Se um monge praticar desse modo, calma e alívio surgirão"

***

Quando as primeiras chuvas começaram a aliviar o calor do verão, ele voltou a Jetavana para a estação do retiro. Ensinou mais aos bhikkus e bhikkunis (monges e monjas) sobre a lei da originação interdependente. Um deles levantou-se e disse:

"Senhor, você tem ensinado que a consciência é a base para nome e forma. Isto quer dizer que a existência de todos os darmas emerge da consciência ?"

O Buda respondeu: "Isto está correto. A forma é um objeto da consciência. O sujeito e o objeto são as duas faces da realidade. Não pode haver consciência sem o objeto da consciência. A consciência e o objeto da consciência não podem ser separados, ambos são ditos surgidos da mente."

"Senhor, se a forma surge da consciência, ela pode ser considerada a fonte do universo. É possível saber como a consciência ou a mente surgem ? Quando a mente surgiu ? É possível alguém falar em início da mente ?"

"Bhikkus, os conceitos de início e fim são meras construções mentais criadas pela mente. Na verdade, não há início ou fim. Nós só pensamos em termos de princípio e fim quando somos capturados pela ignorância. É devido à ignorância que as pessoas são apanhadas em um ciclo intermínável de nascimento e morte."

"Se o ciclo de nascimento e morte não tem início nem fim, como alguém pode escapar dele?"

"Nascimento e morte são meros conceitos fabricados pela ignorância. Transcender os pensamentos de nascimento-e-morte e começo-e-final é transcender o ciclo infindável. Bhikkus, isto é tudo o que desejava dizer por hoje. Pratiquem olhar profundamente para dentro das coisas. Falaremos novamente sobre este assunto um outro dia."

Extraído do livro do Mestre Thich Nhat Hanh, "Velho Caminho, Nuvens Brancas - Seguindo as Pegadas do Buda", pag. 341-342 ( Trad. Enio Burgos)


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publicado por conspiratio às 18:57
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