Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

VIDA E ÚLTIMA MENSAGEM DE KRISHNAMURTI

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Krishnamurti e seu irmão Nytia, em 1910


Não sei quem sou. A água não sabe o que a água é.”

Krishnamurti em conversa com Mary Lutyens
in The Open Door.

Em março de 1983, o descobridos da vacina contra a pólio, Dr. Jonas Salk, visitou Jiddu Krishnamurti em Ojai, na Califórnia, para gravar com ele uma entrevista em vídeo. "Ouvi o sr. dizer uma vez", disse o Dr. Salk "que há pessoas capazes de ajudar as outras com suas qualidades excepcionais". Krishnamurti respondeu: "Ninguém pode guiar ninguém, nem dizer-lhe o que deve fazer, e nada disso faz sentido. Mas como o sol, algumas pessoas podem trazer luz e calor. E quem quiser ficar ao sol, que fique. Os que preferirem a sombra, que permaneçam nela".

- Esse é o tipo de iluminação de que falava?, pergunta Salk.

- Essa é a única iluminação que existe, responde Krishnamurti.

O mundo inteiro ouviu falar uma vez ou outra em Jiddu Krishnamurti, e cada geração, nas últimas sete décadas, escutou uma espécie de história a seu respeito. Há exatamente cinco anos (1986), quando ele morreu em sua casa nas montanhas da Califórnia, de milhares de perguntas respondidas em sua longa e produtiva existência, uma permanecia sem resposta: quem foi esse homem que nunca falou a respeito de si mesmo nos seus 90 anos de vida, embora tivesse falado e escrito incessantemente sobre o medo e a dor, a morte e o prazer, o silêncio e a superstição, o uso das religiões pelo homem como biombo e fuga, a arrogância, a avidez e a ânsia de poder?

Antes de morrer, quis gravar uma mensagem em resposta à consulta de uma amiga sobre o que aconteceria, após sua morte, àquela força que ele foi durante tanto tempo e com tanta intensidade. Quando o corpo se extinguisse, respondeu Krishnamurti na gravação, ficariam os ensinamentos, aquele seu modo peculiar de "conhecer o que é pelo conhecimento do que não é". Uma vez mais ele se negava a dar um depoimento pessoal sobre o sentido da sua existência e o significado de tantos anos de palestras, livros, entrevistas, diálogos, encontros. Com ele conversaram longamente, em alguns casos voltando a encontrar-se, Aldous Huxley, David Bohn, Sir Cedric Hardwike, Fritjof Capra, o Dalai-Lama, Mircea Eliade, Indira Gandhi, Yehudi Menuhin e muitos outros.

Todas as lendas a seu respeito foram desmentidas com o silêncio de Krishnamurti: a de que era uma encarnação de Maitréia, um bodisatwa que assume a vida humana por compaixão da humanidade, um "espírito de luz", um ser superior que desce à Terra em tempos difíceis, como Krishna, Buda, Jesus Cristo, Nagarjuna, Lao-Tse, ou um psicólogo profundo,um homem do século XXI. Krishnamurti negou-se a comentar isso _que considerava puro irrealismo, projeção, puerilidade. O homem não importa, dizia ele, o que interessa são as coisas que ele diz e faz. E o que disse e fez, afinal, Jiddu Krishnamurti?

Nascido de uma família pobre de Madras, na Índia, foi "descoberto" por C.W. Leadbeater e educado pela Dra. Annie Besant, da Sociedade Teosófica. Leadbeater e Besant, os primeiros europeus com quem o menino falou, diziam ter informações sobre vidas anteriores de Krishnaji (diminutivo carinhoso adotado pelos teosofistas). Um "mestre de sabedoria", Koot Hoomi, recomendava que o menino e seu irmão fossem preservados do meio em que viviam, aprendendo princípios de higiene e saúde mental. A primeira carta de Krishnamurti em inglês foi escrita para a Dra Besant, em janeiro de 1910, sobre sua gratidão e as experiências que tivera conhecendo pessoas ligadas à Sociedade. Quem teria escrito, pouco depois, "Aos Pés do Mestre" obra assinada pelo futuro "Instrutor do Mundo"? Cinquenta anos depois, Krishnaji diria simplesmente que ele não havia escrito o livro, e que seu autor havia desaparecido. Nem mais nem menos.

Krishnaji e seu irmão Nytia passaram a estudar em Londres, e nas férias visitavam Paris. A Sociedade Teosófica tinha grandes planos para eles, mas Nytia sofria então de uma tuberculose que logo se tornou crônica. A partir de 1922, Krislinamurti começou a mostrar-se crítico daquela preparação. Nas cartas que manda a Annie Besant, abria seu coração e mostrava muitas dúvidas. Na metade dos anos 20, os irmãos procuraram uma casa em clima ameno, aconselhável, para a doença de Nytia, e se instalaram em Ojai, nas montanhas da Califórnia.


Num domingo de agosto de 1920, Krishnaji viveu uma experiência psíquica que ele descreveu algo superficialmente à sua protetora. A partir daí, já não será o mesmo e as interpretações teosóficas não o satisfazem. Mrs. Besant diz que as dores de cabeça e o desejo de isolamento do jovem são natural do “desenvolvimento do kundalini, um preparo para a adaptação do corpo ao "Grande Ocupante”. Krishnaji permanece em silêncio, já não escreve mais; nem sequer fala com os que o cercam.

Na reunião de Ommen de. 1929, na Holanda, Krishnamurti faz um discurso sereno mas terrível para os teosofistas, dissolvendo a Ordem da Estrela e dizendo-se desvinculado de toda e qualquer organização. "Afirmo que a verdade é uma terra sem caminhos", disse ele nesse dia, "e ninguém pode chegar a ela através de uma religião, uma seita ou de uma organização. A verdade não pode ser trazida para o vale, por maior que seja o esforço. Imagino que vocês formarão outras ordens como essa que estou dissolvendo hoje. Isso será, uma mais uma espécie de servidão, de armadilha que vai prendê-los ao medo. (...),Não quero seguidores, - porque quem segue alguma coisa ou alguém, está longe da verdade ( ... ) Precisamos ficar livres de todos os temores, do medo da religião, da salvação, da chamada espiritualidade, do medo de amar, do temor da morte, do pavor da própria vida.

Vocês estão acostumados à obediência, à aceitação sem discernimento, e essa é uma forma de corrupção do espírito. Minha decisão não é um impulso, é definitiva. Vocês podem fundar, como disse, outras organizações, e esperar delas alguma coisa. Quanto a mim, estou desligado de tudo isso porque não quero criar outras prisões, nem uma nova decoração para as antigas. Meu único interesse agora é a absoluta e incondicional liberdade do homem".

Nos setenta anos que se seguiram, sob os auspícios de várias fundações Krishnamurti na índia, Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, foram criadas escolas e grupos de encontros, mas em nenhuma dessas instituições foram apontados caminhos para o comportamento humano, fosse ele religioso, social ou político.

Em 1935, Krishnamurti esteve no Brasil, fazendo palestras no Rio, em São Paulo e em Niterói. De Santiago do Chile escreveu para sua amiga Lady Emily Lutyens, em Londres, dizendo-se espantado com o interesse que suas palavras esta­vam despertando na América do Sul. Em abril de 1937, já nos Estados Unidos, recebeu a visita de Aldous Huxley e da mulher, Maria, e dali surgiu uma amizade que iria manter-se até a morte do es­critor. O ensino fundamental de Krishnamurti era, nessa época, basicamente o que foi até o final de sua vida, em 1986. Os livros publicados então pela Krishnamurti Inc., e os depoimentos dos que o visi­tavam são unânimes em atestar essa coerência. As palavras e os exemplos mudaram com o tempo, a própria retórica conheceu algumas alterações e as palestras começavam e terminavam com diferentes temas, conforme a época, mas a pregação foi sempre a mesma.

O ensino fundamental de Krishnamurti pode ser resumido em poucas frases: o homem é condiciona­do pelo desejo e pelo medo; o pensamento é limita­do e resulta de habilidades inatas e adquiridas; to­das as idéias e opiniões são formas cristalizadas e fortalecem um centro psicológico que retoca a reali­dade constantemente; o presente é única coisa con­creta, sendo o passado apenas memória usada afetivamente e o futuro projeto de ação para preservar o conhecido; nenhum livro ou autoridade pode aju­dar o homem a encontrar a verdade, e todos os gurus e líderes são condicionadores da mente humana, sendo por sua vez condicionados; a curiosidade e a paixão da verdade são necessárias para uma busca que recomeça sempre do zero, a cada momento e sempre no aqui e no agora. Esses são os principais pontos dos ensinamentos de Krishnamurti, e segundo ele a ninguém caberá interpretá-los para outras pessoas, devendo servir-se deles para uso estritamente pessoal.

As especulações sobre o sentido da pregação e a própria vida de Krishnamurti nunca cessaram completamente. Ao longo de suas viagens
pelo mundo — primeiro na Holanda, depois na Suíça, em Londres, Paris e nos EUA, na Escola Inglesa de Brockwood ou em Ojai, na Califórnia — voltava sempre a pergunta sobre as razões da sua pregação, os motivos do seu ensinamento, e vinham as inevitáveis comparações com os "homens santos" de todas as religiões. A essas questões Krishnamurti respondia invariavelmente que somente o que ele dizia tinha importância, não ele próprio. Investigar a vida de alguém, conhecer sua intimidade, compará-lo com outros homens vivos ou mortos, era pura distração ou um modo de não cuidar do essencial e urgente que era a realidade de cada indivíduo. Disso, a mensagem cuidava, uma vez que ela propunha o auto-conhecimento como único caminho. “Tudo o que interessa ao homem está nele próprio, não fora dele, e é disso que ele tem de tratar, conhecendo-se em cada movimento, em cada pensamento, em cada inibição, sem esforço nem tensão, sem buscar um resultado imediato, mas com certa paixão."

Nos seus noventa anos, Krishnamurti recebeu alguns velhos amigos em Ojai. Ali estavam Mary Zimbalist, companheira de seus últimos anos de vida, assim como Pupul Jayakar, responsável pela Fundação na Índia e biógrafa de Krishnamurti. Nessa noite, Pupul lembrou à mesa a revelação do sábio indiano Jagannath Upadhyaya sobre a hipótese de Maitréia ter tomado o corpo de Krishnaji, evocando uma carta do irmão Nytia para Annie Besant (encontrada nos arquivos de Adyar, Índia), falando sobre o "processo" vivido pelo pensador em 1922, ali mesmo em Ojai.

Na época, havia corrido a informação de que Krishnamurti tinha pedido aos que o acompanhavam que não falassem mais no assunto, uma vez que isso não era para ser conhecido. Presente a essa evocação feita por Pupul, Krishnamurti entendeu imediatemente que ela queria sua opinião a respeito, na noite em que completava noventa anos. Disse então, que não era aconselhável ir fundo nessas questões esotéricas, "porque se você abre essa porta, você não pode conter o que está por trás dela."

O sentido de dissociação de Krishnamurti com seu corpo foi para Mary Lutyens, autora de livros sobre ele, um desafio que ficou além de qualquer compreensão. Havia "um outro" que habitava aquele corpo do qual ele cuidava com tanto zelo? Pouco antes de morrer, Krishnamurti falou sobre a energia que passava através dele e iluminava seu espírito. Sua morte, no final de Fevereiro de 1986 em Ojai, foi serena e sua lucidez foi mantida até o último instante. Naquele ano e no anterior, ele ele deu atenção especial às questões relacionadas com a morte e o medo que ela suscita.

A seu pedido, seu corpo foi cremado em Ventura, California, mas não foi visto por ninguém após a morte. Mary Zimbalist descreveu esses instantes: " As horas que antecederam oito da manhã, quando os encarregados do funeral chagariam, permitiram um espaço abençoado de tempo, que aproveitei sentada em silêncio perto de Krishnaji, olhando seu rosto e sua infinita beleza. Quando o tempo acabou, abracei seus pés, seus pés de criança, delicados e flexíveis."

Fonte: Jornal da Tarde



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Na manhã do dia 7 (Fevereiro de 1986), Mary Zimbalist perguntou a K se podia responder a uma pergunta que Mary Cadogan tinha escrito para ele. Ele pe­diu para Mary lê-la. Era o seguinte: 'Quando Krishnaji morrer, o que realmente acontecerá com esse extraordinário foco de compreensão e ener­gia que é K?'

K respondeu imediatamente e Mary anotou: 'Terá partido. Se alguém penetrar totalmente nos ensinamentos, talvez possa tocá-lo; mas so­mente tentar tocá-lo não resolve'. E, após um momento, acrescentou: 'Se vocês apenas soubessem o que perderam — aquele vasto vazio'.

A pergunta de Mary Cadogan provavelmente ainda estava na cabeça de K quando, no meio da manhã, ele chamou Scott e pediu-lhe que gravasse algo que queria dizer. 'A voz dele estava fraca', observou Mary, mas falou com grande ênfase'. As palavras estavam entrecortadas por pausas como se fosse um esforço pronunciá-las:

"Eu estava dizendo esta manhã que, por setenta anos, esta superenergia — es­ta imensa energia, imensa inteligência — tem usado este corpo. Não creio que as pessoas compreendam a tremenda energia e inteligência que fluíam através deste corpo — é uma máquina de doze cilindros. E durante setenta anos — um longo tempo — e agora o corpo não agüenta mais. Ninguém, a menos que o corpo tenha sido preparado, muito cuidadosamente, protegido e assim por diante — ninguém pode compreender o que acontecia com o cor­po. Ninguém. Não pretendam compreender. Ninguém. Repito isso: ninguém entre nós ou o público sabe o que aconteceu. Eu sei que não sabem. E agora, depois de setenta anos, isso chegou ao fim. Não aquela inteligência e ener­gia, ela está aqui, todos os dias, e especialmente à noite.

E, após setenta anos, o corpo não pode mais suportar — não suporta mais. Não pode. Os indianos têm muitas superstições idiotas sobre isso — que o corpo obedece à nossa vontade e todos os tipos de tolices. Vocês não encontrarão outro corpo como esse, ou aquela suprema inteligência operando em um corpo, por muitas cen­tenas de anos. Vocês não verão isso outra vez. Quando ele partir, partiu. Não há consciência alguma deixada para trás daquela consciência, daquele esta­do. Todos pretenderão ou tentarão imaginar que poderão entrar em contato com aquilo. Talvez possam de algum modo se viverem os ensinamentos. Mas ninguém tem feito isso. Ninguém. E então este é o fato."


Quando Scott pediu para ele esclarecer o que dissera pois temia que pudesse ser mal interpretado, K ficou `muito aborrecido' com ele e disse: 'Você não tem direito de interferir nisso'. Ao dizer para Scott não interferir, parece evidente que K queria que essa declaração fosse conheci­da por todos os interessados.

K viveu apenas nove dias mais. Ele desejava morrer e queria saber o que aconteceria se o tubo fosse removido. Disseram-lhe que ficaria rapidamente desidratado. Ele sabia que tinha o direito legal de tirar o tubo, mas não queria causar possíveis problemas a Mary ou ao médico; além dis­so, 'o corpo' ainda estava sob sua responsabilidade; portanto, até o fim, ele continuou cuidando dele.


Fonte: VIDA E MORTE DE KRISHNAMURTI, de Mary Lutyens, Editora Teosófica


publicado por conspiratio às 20:11
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

MEDICINA NISHI - EXERCÍCIO SIMPLES PARA CIRCULAÇÃO

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Exercício capilar

Primeiramente deite de costas utilizando o travesseiro sólido. Le­vante os dois braços e as duas pernas verticalmente e estique-os o mais possível, mantendo as solas dos pés na horizontal. N
esta posição, faça vibrar suavemente os membros durante 1 ou 2 minutos. Pratique este exercício diariamente pela manhã e à noite.

Embora a Medicina Nishi se fundamente em princípios de várias outras medicinas, ciências e filosofias de séculos e de países diferentes, ela possui uma única teoria que afirma que a força motriz para a circulação do sangue depende não do coração, como afirmam as teorias da medicina tradicional, mas dos vasos capilares que ligam as artérias e as veias.

O exercício que promove a capilaridade ou exercício capilar (de le­vantar e vibrar os membros que contêm 3.800 milhões de vasos capilares sem considerar os 5.100 milhões de vasos do corpo inteiro) regula as válvulas venosas que promovem o fluxo do retorno sangüíneo, acelera o fluxo, renova e auxilia a circulação da linfa, regenerando os glómus e evitando a velhice prematura.

 Este exercício estimula o fluxo do sangue arterial assegurando a circulação fisiológica e evitando a congestão sangüínea, curando várias doenças circulatórias.

 A função da pele e dos membros melhorará com esse exercício de modo a prevenir a invasão de parasitas e bactérias através da pele.

 Dinamicamente falando, os pés são bases importantes para o cor­po inteiro. Problemas nos pés podem causar todos os tipos de doenças. Portanto podemos manter nossos pés saudáveis fisiologicamente através deste exercício.
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Do livro:
A MEDICINA NISHI - Princípios de Saúde Prática, de Katsuo Nishi; Ibrasa
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Ver:
Repassando:


Muito interessante!!!!! E simples, para quem não gosta ou não tem tempo de fazer exercícios físicos diariamente!!!!
 Assunto: Médico naturalista ensina.... Não deixem de ler


Um médico naturalista estava muito triste porque participou de congressos e, embora comprovados, os resultados não eram divulgados, como ele disse 'NÃO DÁ IBOPE''. Então ensinou a fazer um exercício simples que evita problemas cardíacos:

 1º. Antes do banho, exercitar a panturrilha (levantar o corpo na ponta dos pés) , primeiro rápido até esquentar as panturilhas e depois uma sequência de 10 movimentos lentos. Pronto. Esse exercício bombeia o sangue para o coração, melhora os batimentos cardíacos e evita obstrução das veias. Também ajuda a emagrecer. E melhora o problema de micro varizes

 2º. Ao acordar, deitado de barriga para cima pedalar 120 vezes no ar. Esse exercício melhora o posicionamento da coluna e da postura, diminuindo ou retardando o encurvamento das costa e aliviando as dores nas costas. Além, é claro, de beneficiar a circulação.

3º. Ao perceber que a pressão subiu, coloque as pernas dentro de um balde com água muito gelada até os joelhos. Permaneça nesta imersão por 20min. Este processo fará com que o organismo, na busca de aquecer os membros inferiores, faça com que o acúmulo de sangue na cabeça desça, baixando a pressão.

4º. Ao chegar em casa, coloque os seus pés em uma bacia com água bem quente (o famoso escalda pés - alem de relaxar, esse processo desencadeia a dilatação dos vasos sanguíneos dos pés, melhora o cabelo e melhora, inclusive, a visão. Esse processo foi pesquisado com pessoas diabéticas e o resultado evidenciou a melhora na circulação sanguínea, diminuindo os casos de gangrena, o quadro geral de saúde dos pesquisados melhorou, e como um fato relevante, a melhora da visão. (obs - o escalda-pés pode ter contra-indicações para hipertensos e grávidas- ver alikaparvaneh.multiply.com/reviews/item/54 )



publicado por conspiratio às 22:38
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

BARDO: O PRIMEIRO GRAU NA FORMAÇÃO DE UM DRUIDA

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Entre os povos gauleses, de um modo geral, existem três grupos de homens que são tratados com excepcional reverência: os bardos, os vatos e os druidas. Os bardos são cantores e poetas; os vatos, filósofos naturais e divinos, enquanto os druidas, além da filosofia natural, estu­dam também a filosofia moral.

Estrabão — Geographica (escrito no final do século primeiro a.C.)


Os druidas organizaram-se em três agrupamentos distintos, nos quais cada grupo tem funções específicas, tarefas a executar, e um treina­mento especial. Felizmente, os textos clássicos fornecem informações suficientes que nos permitem pintar um quadro da natureza de cada um desses agrupamentos e, uma vez feito isso, podemos considerar sua relevância no treinamento dos druidas contemporâneos.



BARDOS

Encontramos também entre eles autores de versos a quem chamam de bardos; eles cantam acompanhados por instrumentos semelhantes à lira, aplaudem uns e vituperam outros.

Diodoro Siculo — (Histories) 8 a.C.



Os bardos eram os zeladores da tradição, da memória da tribo —eram os depositários da sacralidade do mundo. Embora representassem o primeiro nível de treinamento para o druida principiante, não devemos cometer o erro de pensar que o bardo estava, de certa forma, numa posição humilde ou inferior. Havia muitos níveis de realização, porém
o mais qualificado dos bardos era mantido em alta estima e compartilhava muitas funções do ovado e do druida.

O treinamento do bardo era intenso e demorava muitos anos. Havia variações nos currículos entre a Escócia, a Irlanda e o País de Gales. Na Irlanda, sabe-se que o treinamento demorava 12 anos e os estudantes submetiam-se a um currículo rigoroso. No primeiro ano, o aluno passa­va de Principiante (Ollaire) a aprendiz de poeta (Tamhan) e aprendiz de satírico (Drisac). Durante esse período tinha de aprender a base das artes bárdicas: gramática, vinte histórias e o alfabeto-árvore de Ogham.

Nos quatro anos seguintes, aprendia mais dez histórias a cada ano, uma centena de combinações do ogham, doze lições de filosofia, e um nú­mero não especificado de poemas. Estudava também combinações ditongais, a Lei dos Privilégios e os usos da gramática. No sexto ano, se tivesse permanecido no curso, era chamado de Pilar (Cli) e estudava mais quarenta e oito poemas e vinte histórias. Nos três anos seguintes, era denominado de Torrente Nobre (Anruth) porque "emana uma tor­rente de frases bonitas e recebe uma torrente de riquezas".' Durante esse tempo, já aprendeu mais noventa e cinco contos, possuindo um repertório de 175 histórias. Estudou métrica, interpretação de textos, invocação profética, estilos de composição poética, formas poéticas específicas e histórias de nomes e lugares da Irlanda. Os três últimos anos de seu treinamento dão-lhe o direito de tornar-se um Ollamh ou Doutor em Poesia, passando pelos graus de Homem de Erudição (Eces) e Poeta (Fili). No décimo ano, o aluno tinha estudado outras formas poéticas e composição, no décimo primeiro, 100 poemas e, no décimo segundo, 120 orações e as quatro artes da poesia. Agora, é um Mestre, ou Mestra, Doutor em Poesia, tem o direito de receber um ramo de ouro.

Como Anruth, Torrente Nobre, carregou um ramo de prata; antes disso, durante todo o treinamento, levara consigo um ramo de bronze. Presos a esses ramos havia sinos, de modo que, quando o poeta trans­punha o hall para recitar um poema ou narrar um conto, se fazia sempre seguir pelo seu repicar avisando à audiência para ficar em silêncio, e solicitando a ajuda dos reinos interiores para dar alma a seu poema ou história. No País de Gales ou na Escócia, o treinamento de um bardo era similarmente rigoroso, embora o currículo e os graus fossem dife­rentes.

Como os bardos eram treinados? As escolas bárdicas formavam-se em tomo de um Chefe Poeta e seus assistentes. Demorava muito tempo para aprender de cor, para fortalecer a memória e decorar o número fantástico de contos e poemas que se exigia de um bardo consumado.

As narrações da Alta Escócia Ocidental e da Irlanda mostram que muito trabalho era dispendido com a técnica que agora poderíamos chamar de privação sensorial. As acomodações eram espartanas ao extremo e eles ficavam muito tempo remoendo poesias e procurando inspiração em completa escuridão. Só recentemente redescobrimos, através do trabalho pioneiro do Dr. John Lilly, o poder fecundo da escuridão que se encontra no reservatório do isolamento.

Seus currículos dão a entender uma rigorosa e pesada aquisição das histórias e poesias de outros povos. Eram treinados para tornarem-se mestres da Memória e da Inspiração. Preservar a tradição, as leis e a genealogia da tribo eram algumas de suas tarefas. Tão importante quanto desempenhar a missão de manter viva a tradição e a herança, era o encargo de chegar a um conhecimento do poder sagrado do mundo, manifesto como a capacidade de inspirar-se e inspirar aos outros. Para trans­mitir a memória da tribo, precisavam conhecer as histórias e poemas que preservaram a linhagem e a tradição de seu povo, mas para ser Mes­tre da Inspiração era necessário criar seus próprios versos e contos. Por esse motivo, praticavam a privação sensorial e empregavam as artes da invocação. Tal treinamento naturalmente despertava os poderes internos. Uma memória poderosa e a capacidade de sondar as profundezas e percorrer as alturas da consciência, em busca de inspiração e da chama criativa, desenvolviam dentro do bardo a faculdade de ver o futuro, e influenciar o mundo ao redor prenunciando o trabalho do ovado e do druida, permitindo-lhe transmitir o espírito do druidismo através dos séculos, quando a luz daqueles não pudesse mais ser vista no mundo.

E compreensível que o primeiro grau de, treinamento do druida deva, portanto, englobar o trabalho de ovados e druidas. Parece que o druida se enquadra nas palavras de abertura de João: "No início era o Verbo." A maneira pela qual a palavra poderia criar, comandar, ali­mentar, curar, penetrar, purificar, invocar, unir, provocar, coibir e jun­tar era um poder que o bardo, em seu longo treinamento descobria e utilizava a serviço de si próprio, seu patrão, seu rei, seu druida e-- é de se esperar, seu deus ou deusa.

Ó Escutai a voz do bardo
Que o presente, passado e futuro vê
Cujos ouvidos escutaram a Palavra sagrada
E caminhou entre as árvores antigas...
William Blake — Songs of Experience

Sabendo alguma coisa do que os bardos fizeram e como eram trei­nados, podemos agora perguntarmo-nos qual a importância do trabalho bárdico, hoje em dia.

Não é coincidência começarmos nosso estudo do druidismo dentro do grau bárdico. Sua importância como base para nossa vida, desenvolvimento da personalidade e espiritual não é menos significativa agora do que há milhares de anos, e poderia se dizer que é ainda mais indis­pensável hoje do que então. A pista para entendermos por que deveria ser assim está na percepção de que os bardos históricos trabalharam com a Memória e a Inspiração. Um dos principais motivos da sensação de alienação do homem moderno encontra-se no fato de ter ele se separado do mundo natural e das raízes do seu passado. A prática do druidismo procura curar essa alienação — reconectando o nosso passado e o mundo da natureza. No grau bárdico abrimo-nos para o poder restaurador da compreensão druídica da natureza — permitimos que a Mandala do Ciclo Sazonal Ôctuplo, que será explicada no próximo capítulo, aprofunde-se em nossos seres. Trabalhar coma Memória significa trabalhar com a herança e a linhagem, bem como com a mitologia e as histórias da tribo. Trabalhar coma Inspiração significa abrirmos para nossa criatividade interior.

Muitos dos problemas que enfrentamos em nosso mundo desenvolvido resultam de reprimirmos e negarmos o artístico em todas as suas formas. A moderna pesquisa do cérebro mostra que para a maioria, o funcionamento principal vem do hemisfério cerebral dominante que intermédia a função do pensamento analítico. O hemisfério oposto tem menos influência na nossa maneira atual de viver — é o hemisfério que intermédia a sintetização, as formas não analíticas de pensamento e expressão: é a parte do cérebro considerada responsável pela expressão artística. E opinião geral que, para tomarmo-nos seres completos, precisamos criar para ambos os lados oportunidades de desenvolvimento e expressão. Essa verdade foi expressa pelos alquimistas (e existe uma forte tradição da Alquimia dentro do druidismo) e, posteriormente, por
Carl Jung que desenvolveu a teoria de Logos e Eros arquetípicos, — o masculino e feminino da psique, os quais, para o nosso desenvolvimento, necessitam relacionar-se e, eventualmente ou periodicamente, se unir. Os alquimistas sabiam da importância dessa conjunção e deram-lhe o nome de Casamento Místico ou Mysterium Coniunctionis.

Agora, a_ moderna pesquisa do cérebro tem nos ajudado a observar uma possível correlação física desses dois aspectos do Self, mostrando o caminho em que as diferentes funções cerebrais são compartilhadas entre os dois hemisférios.

Nossa educação tem se concentrado principalmente no desenvolvi­mento das habilidades do pensamento analítico e matemático, embora as escolas de Steiner sejam notáveis por sua tentativa de conferir, em seu currículo, igual status ao desenvolvimento artístico. Quando entra­mos no caminho bárdico, começamos um processo de desenvolvimen­to do hemisfério não dominante. Abrimo-nos para o Self artístico e criativo.

Isso não é uma tarefa simples e, num caminho típico do druidismo, o trabalho é empreendido evidentemente em todas as dire­ções. Através do esquema do festival óctuplo, e com os poderes dos quatro elementos que são conferidos aos pontos cardeais no círculo sagrado do trabalho druida, o bardo é trazido para um estágio em que tem conhecimento e trabalha com os quatro aspectos do seu ser — representados pela terra, sua praticalidade e sensualidade; pela água, sua receptividade e emocionalidade; pelo ar, sua racionalidade; e pelo fogo sua intuição e entusiasmo. Ao ganhar acesso a esses quatro elementos e partes do Self, e trabalhando para harmonizá-los, o aspirante bárdico intensifica sua criatividade interior. Desenvolve, então, os re­cursos de seu corpo e do seu coração e mente tornados dispo­níveis para guiá-lo inspirá-lo. Dessa maneira aprendemos a contor­nar a mente racional, que gosta de criar limites-- à compreensão.

Para poder operar, o intelecto cria distinções, categorias, constru­ções mentais através das quais a experiência pode ser compreendida e aplicada. Isto é essencial para nossa sobrevivência e progresso no mundo. Os problemas aparecem quando essa capacidade de criar padrões de referência não é contrabalançada pela capacidade de transcender as estruturas e abrir-nos para o transracional — o inexplicável com palavras mas não menos verdadeiro. Poesia e música são sumamente capa­zes de nos ajudar a ultrapassar padrões e pontos de vista. Tocada, falada, cantada ou representada, alarga as fronteiras, abre horizontes, invoca energias para o intelecto, que sozinho não pode apreender ou categorizar com seus esforços. Aqui está o poder do bardo — dissolver nossas fronteiras, nossos padrões de referência — mesmo que seja só por um momento.

Sinta esta poesia do bardo moderno Jay Ramsay:

Insondável desconhecido,
Atrás e em todas as coisas

Vale — francelho — celidônia:
Você em lugar nenhum e em todas as coisas
E sendo nada é forçado a silenciar,
Sendo incapaz de falar
Você vê todas as coisas,
E eu vejo você
E eu vejo que Eu sou
O âmago do que estou vendo:
O sol se aproximando
Para encontrar o homem
Que cruzou a linha,
Que saiu de dentro de si mesmo
Fica ali na frente,
Despido na luz.

A mente não pode apreender totalmente a força deste poema — a pessoa sofre o impacto da força das palavras e das imagens de uma maneira que resiste à descrição ou explicação. Esta é a função da poe­sia, ou do bardo. Ir além. Viajar. Trazer de volta. O Professor Michael Harner, uma autoridade mundial em xamanismo, diz que o caminho xamânico é melhor definido como o método em que se abre uma porta para penetrar numa realidade diferente.` É isto precisamente o que acontece com a poesia eficaz e poderosa. A diferença entre compor, ler e recitar poesia "secular" e empreender as mesmas atividades no espíri­to do bardismo é que, no último, o processo xamânico é consciente­mente conhecido e trabalha-se com ele. Criatividade e inspiração são vistas como dádivas dos deuses, como forças que entram no receptácu­lo do Self através da Superconsciência. Preparação, preparação ritual, visualização, prece e meditação apropriados criam os canais pelos quais o poder criador e gerador pode fluir.


(...)

No Grau Bárdico abrimo-nos para o que significa viver na Terra com a capacidade de ser criativo. Embora este seja o primeiro estágio de treinamento do druida, seus propósitos alcançam o fundo do coração
do druidismo que é o desenvolvimento do domínio dos poderes da geração. No nível bárdico isso envolve a produção de trabalhos criati­vos — musica, cançao, poesia e arte em todas as suas formas. No trabalho dos ovados e druidas nos relacionamos com esse poder da mesma maneira, mas nos interessamos também em gerar cura e amor, idéias e luz. O conhecimento que o bardo tem do poder da Palavra, e sua capacidade de lidar com esse poder, torna-se mágico com o druida: por entender a força criadora do som, a Palavra é usada para gerar sementes de luz que repercutem por toda a criação.






Do capítulo "Bardos, Ovados e Druidas" do livro: "Elementos da Tradição Druida", de Philip Carr-Gomn

publicado por conspiratio às 20:42
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

O ATLETA INTERIOR

cena do filme "PODER ALÉM DA VIDA"



A voz do locutor treme de excitação enquanto as imagens co­meçam a aparecer: "Senhoras e Senhores, vocês vão ver uma fa­çanha realizada pela primeira vez por David Seale - uma façanha que requer total concentração, ousadia e coordenação. O que vocês estão para presenciar não aconteceu da noite para o dia, mas é o resultado de me­ses de preparação. Aí vem ele!"

Aparece uma figura na tela. David tem um ar descontraído e confiante. Pouco antes de começar, uma complexa série de movimentos e equilíbrios. Ele fica momenta­neamente estático, hesita um ins­tante e então, com os olhos con­centrados num ponto à sua frente, sem olhar para baixo, com a mente completamente voltada para a sua tarefa, começa a se movimentar. Seu corpo permanece relaxado quando ele inicia o primeiro movimento.

De repente, com um tremor, ele começa a cair! David se recupera rapidamente e, sem desperdiçar um instante com raiva ou com medo, re­compõe o corpo outra vez e continua a buscar o seu alvo, o rosto sereno mas concentrado.

Quando está perto de sua meta, David quase cai outra vez, mas volta a recuperar o equilíbrio. Ele se lança para a frente, o rosto radiante. Passado um momento final de suspense, os espectadores voltam a respirar e aplaudem, deliciados, en­quanto David Seale, atleta interior de 10 meses de idade, se aproxima e se lança aos braços estendidos da mãe. Sob as lentes da câmera pa­terna, David deu os seus primeiros passos no tapete da sala.

Todos fomos atletas inte­riores na infância - a nossa mente não tinha preocupações nem ansiedades; tinha como objetivo o momento presente. Nosso corpo era relaxado, sensível, elástico e estava em harmonia com a gravidade; nossas emoções eram uma expressão livre, desinibida, espontânea.

Iniciamos a vida com um potencial praticamente ilimitado. No entanto, a maioria de nós perde contato com as aptidões da infância ao se ver sob o peso de crenças limitadoras; começa a negar as próprias emoções e a vivenciar uma variedade de tensões físicas. O livro "O Atleta Interior" revela uma maneira de reverter essa situação ao nos mostrar como buscar o nosso potencial mais pleno. No íntimo de cada um de nós há um atleta natural esperando para nascer.

Extraído do livro”O ATLETA INTERIOR", de Dan Millman (E. PENSAMENTO).





Ver também:



O CAMINHO DO GUERREIRO PACÍFICO (livro)

PODER ALÉM DA VIDA (filme - The Peacefull Warrior)

em:
http://holosgaia.blogspot.com/2007/10/o-caminho-do-guerreiro-pacfico-dan.html







publicado por conspiratio às 19:11
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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

ORIGENS MÍTICAS DE SÃO PAULO

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Geografia sagrada de São Paulo
por Mateus Soares de Azevedo



No começo, era o raio. E o raio cruzou o céu e atingiu a terra. Mais especificamente, uma rocha localizada neste Planalto de Piratininga. Essa "pedra marcada por raio" é a Itaecerá dos índios tupis. É ela que assinala as origens míticas e místicas da metrópole atual de 11 milhões de almas. Os primórdios de São Paulo, assim, remontam a esse encontro do céu com a terra, corporificado na rocha que recebeu o raio -sabe-se lá quantos séculos antes da chegada dos intrépidos jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta. Missionários que, desafiando o governador-geral, a coroa portuguesa e mesmo a sede da ordem em Roma, decidiram enfrentar a subida da serra do Mar para realizar sua visão espiritual. Empreendimento mais do que ousado para a época -as cidades, no século 16, ficavam na costa-, para estabelecer a igreja e o colégio de São Paulo de Piratininga.
.
Os jesuítas tinham claro que, para ser bem-sucedida, a aventura espiritual tinha de contar com a parceria dos índios. E, de fato, a escolha do local foi mais uma questão de indicação destes últimos do que decisão dos religiosos. O lugar, por conta da Itaecerá, já era foco de peregrinações para índios de várias tribos.

Tupiniquins, tupinambás, guarulhos, guaranis, guaianazes, maromomis, tamoios, caingangues convergiam numa vastíssima rede de trilhas, os peabirus ("caminhos pisados"), de milhares de quilômetros, que chegavam até Cusco, no Peru. O ponto de convergência de toda essa impressionante rede de transporte e comunicação era a cultuada "pedra de raio". Foi o espaço sacro, "sítio de poder", que atraiu originalmente índios, depois missionários.

Ou seja, antes mesmo de sua moderna (re)fundação, em 25 de janeiro de 1554, a futura São Paulo fazia parte da "geografia sagrada" indígena. Cerimônias xamânicas, jejuns rituais, retiros solitários, orações individuais e coletivas, tudo isso congregava os índios junto de seus "sacerdotes", os xamãs e pajés, na mítica colina de Piratininga.

Desse modo, em tempo anterior à chegada dos europeus, o lugar já existia como centro espiritual. E, como em tantos pontos sacros de diversas civilizações, a nova tradição se sobrepôs à antiga, dando continuidade, sob aspecto reformado, mas de essência convergente, àquela "religião perene" de que falou santo Agostinho em "A Verdadeira Religião". "O que hoje chamamos de religião cristã já existia entre os antigos e nunca cessou de existir desde as origens do gênero humano, até o tempo em que o próprio Cristo veio e então se passou a chamar de 'cristã' a verdadeira religião que antes já existia."

Não por acaso, a cidade emergiu sob o signo de São Paulo, "apóstolo de todos os povos", localizada justamente sobre o Trópico de Capricórnio. Mas isso é outra história, assunto quem sabe para outro artigo...


Mateus Soares de Azevedo, 48, escritor, autor, entre outros, de "Homens de Um Livro Só: O Fundamentalismo no Islã, no Cristianismo e no Pensamento Moderno" (ed. Best Seller, 130 págs., R$ 19,90), é o colunista convidado desta edição.


revista@folha.com.br
http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf2112200817.htm
publicado por conspiratio às 19:58
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