Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

VIDA E ÚLTIMA MENSAGEM DE KRISHNAMURTI

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Krishnamurti e seu irmão Nytia, em 1910


Não sei quem sou. A água não sabe o que a água é.”

Krishnamurti em conversa com Mary Lutyens
in The Open Door.

Em março de 1983, o descobridos da vacina contra a pólio, Dr. Jonas Salk, visitou Jiddu Krishnamurti em Ojai, na Califórnia, para gravar com ele uma entrevista em vídeo. "Ouvi o sr. dizer uma vez", disse o Dr. Salk "que há pessoas capazes de ajudar as outras com suas qualidades excepcionais". Krishnamurti respondeu: "Ninguém pode guiar ninguém, nem dizer-lhe o que deve fazer, e nada disso faz sentido. Mas como o sol, algumas pessoas podem trazer luz e calor. E quem quiser ficar ao sol, que fique. Os que preferirem a sombra, que permaneçam nela".

- Esse é o tipo de iluminação de que falava?, pergunta Salk.

- Essa é a única iluminação que existe, responde Krishnamurti.

O mundo inteiro ouviu falar uma vez ou outra em Jiddu Krishnamurti, e cada geração, nas últimas sete décadas, escutou uma espécie de história a seu respeito. Há exatamente cinco anos (1986), quando ele morreu em sua casa nas montanhas da Califórnia, de milhares de perguntas respondidas em sua longa e produtiva existência, uma permanecia sem resposta: quem foi esse homem que nunca falou a respeito de si mesmo nos seus 90 anos de vida, embora tivesse falado e escrito incessantemente sobre o medo e a dor, a morte e o prazer, o silêncio e a superstição, o uso das religiões pelo homem como biombo e fuga, a arrogância, a avidez e a ânsia de poder?

Antes de morrer, quis gravar uma mensagem em resposta à consulta de uma amiga sobre o que aconteceria, após sua morte, àquela força que ele foi durante tanto tempo e com tanta intensidade. Quando o corpo se extinguisse, respondeu Krishnamurti na gravação, ficariam os ensinamentos, aquele seu modo peculiar de "conhecer o que é pelo conhecimento do que não é". Uma vez mais ele se negava a dar um depoimento pessoal sobre o sentido da sua existência e o significado de tantos anos de palestras, livros, entrevistas, diálogos, encontros. Com ele conversaram longamente, em alguns casos voltando a encontrar-se, Aldous Huxley, David Bohn, Sir Cedric Hardwike, Fritjof Capra, o Dalai-Lama, Mircea Eliade, Indira Gandhi, Yehudi Menuhin e muitos outros.

Todas as lendas a seu respeito foram desmentidas com o silêncio de Krishnamurti: a de que era uma encarnação de Maitréia, um bodisatwa que assume a vida humana por compaixão da humanidade, um "espírito de luz", um ser superior que desce à Terra em tempos difíceis, como Krishna, Buda, Jesus Cristo, Nagarjuna, Lao-Tse, ou um psicólogo profundo,um homem do século XXI. Krishnamurti negou-se a comentar isso _que considerava puro irrealismo, projeção, puerilidade. O homem não importa, dizia ele, o que interessa são as coisas que ele diz e faz. E o que disse e fez, afinal, Jiddu Krishnamurti?

Nascido de uma família pobre de Madras, na Índia, foi "descoberto" por C.W. Leadbeater e educado pela Dra. Annie Besant, da Sociedade Teosófica. Leadbeater e Besant, os primeiros europeus com quem o menino falou, diziam ter informações sobre vidas anteriores de Krishnaji (diminutivo carinhoso adotado pelos teosofistas). Um "mestre de sabedoria", Koot Hoomi, recomendava que o menino e seu irmão fossem preservados do meio em que viviam, aprendendo princípios de higiene e saúde mental. A primeira carta de Krishnamurti em inglês foi escrita para a Dra Besant, em janeiro de 1910, sobre sua gratidão e as experiências que tivera conhecendo pessoas ligadas à Sociedade. Quem teria escrito, pouco depois, "Aos Pés do Mestre" obra assinada pelo futuro "Instrutor do Mundo"? Cinquenta anos depois, Krishnaji diria simplesmente que ele não havia escrito o livro, e que seu autor havia desaparecido. Nem mais nem menos.

Krishnaji e seu irmão Nytia passaram a estudar em Londres, e nas férias visitavam Paris. A Sociedade Teosófica tinha grandes planos para eles, mas Nytia sofria então de uma tuberculose que logo se tornou crônica. A partir de 1922, Krislinamurti começou a mostrar-se crítico daquela preparação. Nas cartas que manda a Annie Besant, abria seu coração e mostrava muitas dúvidas. Na metade dos anos 20, os irmãos procuraram uma casa em clima ameno, aconselhável, para a doença de Nytia, e se instalaram em Ojai, nas montanhas da Califórnia.


Num domingo de agosto de 1920, Krishnaji viveu uma experiência psíquica que ele descreveu algo superficialmente à sua protetora. A partir daí, já não será o mesmo e as interpretações teosóficas não o satisfazem. Mrs. Besant diz que as dores de cabeça e o desejo de isolamento do jovem são natural do “desenvolvimento do kundalini, um preparo para a adaptação do corpo ao "Grande Ocupante”. Krishnaji permanece em silêncio, já não escreve mais; nem sequer fala com os que o cercam.

Na reunião de Ommen de. 1929, na Holanda, Krishnamurti faz um discurso sereno mas terrível para os teosofistas, dissolvendo a Ordem da Estrela e dizendo-se desvinculado de toda e qualquer organização. "Afirmo que a verdade é uma terra sem caminhos", disse ele nesse dia, "e ninguém pode chegar a ela através de uma religião, uma seita ou de uma organização. A verdade não pode ser trazida para o vale, por maior que seja o esforço. Imagino que vocês formarão outras ordens como essa que estou dissolvendo hoje. Isso será, uma mais uma espécie de servidão, de armadilha que vai prendê-los ao medo. (...),Não quero seguidores, - porque quem segue alguma coisa ou alguém, está longe da verdade ( ... ) Precisamos ficar livres de todos os temores, do medo da religião, da salvação, da chamada espiritualidade, do medo de amar, do temor da morte, do pavor da própria vida.

Vocês estão acostumados à obediência, à aceitação sem discernimento, e essa é uma forma de corrupção do espírito. Minha decisão não é um impulso, é definitiva. Vocês podem fundar, como disse, outras organizações, e esperar delas alguma coisa. Quanto a mim, estou desligado de tudo isso porque não quero criar outras prisões, nem uma nova decoração para as antigas. Meu único interesse agora é a absoluta e incondicional liberdade do homem".

Nos setenta anos que se seguiram, sob os auspícios de várias fundações Krishnamurti na índia, Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, foram criadas escolas e grupos de encontros, mas em nenhuma dessas instituições foram apontados caminhos para o comportamento humano, fosse ele religioso, social ou político.

Em 1935, Krishnamurti esteve no Brasil, fazendo palestras no Rio, em São Paulo e em Niterói. De Santiago do Chile escreveu para sua amiga Lady Emily Lutyens, em Londres, dizendo-se espantado com o interesse que suas palavras esta­vam despertando na América do Sul. Em abril de 1937, já nos Estados Unidos, recebeu a visita de Aldous Huxley e da mulher, Maria, e dali surgiu uma amizade que iria manter-se até a morte do es­critor. O ensino fundamental de Krishnamurti era, nessa época, basicamente o que foi até o final de sua vida, em 1986. Os livros publicados então pela Krishnamurti Inc., e os depoimentos dos que o visi­tavam são unânimes em atestar essa coerência. As palavras e os exemplos mudaram com o tempo, a própria retórica conheceu algumas alterações e as palestras começavam e terminavam com diferentes temas, conforme a época, mas a pregação foi sempre a mesma.

O ensino fundamental de Krishnamurti pode ser resumido em poucas frases: o homem é condiciona­do pelo desejo e pelo medo; o pensamento é limita­do e resulta de habilidades inatas e adquiridas; to­das as idéias e opiniões são formas cristalizadas e fortalecem um centro psicológico que retoca a reali­dade constantemente; o presente é única coisa con­creta, sendo o passado apenas memória usada afetivamente e o futuro projeto de ação para preservar o conhecido; nenhum livro ou autoridade pode aju­dar o homem a encontrar a verdade, e todos os gurus e líderes são condicionadores da mente humana, sendo por sua vez condicionados; a curiosidade e a paixão da verdade são necessárias para uma busca que recomeça sempre do zero, a cada momento e sempre no aqui e no agora. Esses são os principais pontos dos ensinamentos de Krishnamurti, e segundo ele a ninguém caberá interpretá-los para outras pessoas, devendo servir-se deles para uso estritamente pessoal.

As especulações sobre o sentido da pregação e a própria vida de Krishnamurti nunca cessaram completamente. Ao longo de suas viagens
pelo mundo — primeiro na Holanda, depois na Suíça, em Londres, Paris e nos EUA, na Escola Inglesa de Brockwood ou em Ojai, na Califórnia — voltava sempre a pergunta sobre as razões da sua pregação, os motivos do seu ensinamento, e vinham as inevitáveis comparações com os "homens santos" de todas as religiões. A essas questões Krishnamurti respondia invariavelmente que somente o que ele dizia tinha importância, não ele próprio. Investigar a vida de alguém, conhecer sua intimidade, compará-lo com outros homens vivos ou mortos, era pura distração ou um modo de não cuidar do essencial e urgente que era a realidade de cada indivíduo. Disso, a mensagem cuidava, uma vez que ela propunha o auto-conhecimento como único caminho. “Tudo o que interessa ao homem está nele próprio, não fora dele, e é disso que ele tem de tratar, conhecendo-se em cada movimento, em cada pensamento, em cada inibição, sem esforço nem tensão, sem buscar um resultado imediato, mas com certa paixão."

Nos seus noventa anos, Krishnamurti recebeu alguns velhos amigos em Ojai. Ali estavam Mary Zimbalist, companheira de seus últimos anos de vida, assim como Pupul Jayakar, responsável pela Fundação na Índia e biógrafa de Krishnamurti. Nessa noite, Pupul lembrou à mesa a revelação do sábio indiano Jagannath Upadhyaya sobre a hipótese de Maitréia ter tomado o corpo de Krishnaji, evocando uma carta do irmão Nytia para Annie Besant (encontrada nos arquivos de Adyar, Índia), falando sobre o "processo" vivido pelo pensador em 1922, ali mesmo em Ojai.

Na época, havia corrido a informação de que Krishnamurti tinha pedido aos que o acompanhavam que não falassem mais no assunto, uma vez que isso não era para ser conhecido. Presente a essa evocação feita por Pupul, Krishnamurti entendeu imediatemente que ela queria sua opinião a respeito, na noite em que completava noventa anos. Disse então, que não era aconselhável ir fundo nessas questões esotéricas, "porque se você abre essa porta, você não pode conter o que está por trás dela."

O sentido de dissociação de Krishnamurti com seu corpo foi para Mary Lutyens, autora de livros sobre ele, um desafio que ficou além de qualquer compreensão. Havia "um outro" que habitava aquele corpo do qual ele cuidava com tanto zelo? Pouco antes de morrer, Krishnamurti falou sobre a energia que passava através dele e iluminava seu espírito. Sua morte, no final de Fevereiro de 1986 em Ojai, foi serena e sua lucidez foi mantida até o último instante. Naquele ano e no anterior, ele ele deu atenção especial às questões relacionadas com a morte e o medo que ela suscita.

A seu pedido, seu corpo foi cremado em Ventura, California, mas não foi visto por ninguém após a morte. Mary Zimbalist descreveu esses instantes: " As horas que antecederam oito da manhã, quando os encarregados do funeral chagariam, permitiram um espaço abençoado de tempo, que aproveitei sentada em silêncio perto de Krishnaji, olhando seu rosto e sua infinita beleza. Quando o tempo acabou, abracei seus pés, seus pés de criança, delicados e flexíveis."

Fonte: Jornal da Tarde



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Na manhã do dia 7 (Fevereiro de 1986), Mary Zimbalist perguntou a K se podia responder a uma pergunta que Mary Cadogan tinha escrito para ele. Ele pe­diu para Mary lê-la. Era o seguinte: 'Quando Krishnaji morrer, o que realmente acontecerá com esse extraordinário foco de compreensão e ener­gia que é K?'

K respondeu imediatamente e Mary anotou: 'Terá partido. Se alguém penetrar totalmente nos ensinamentos, talvez possa tocá-lo; mas so­mente tentar tocá-lo não resolve'. E, após um momento, acrescentou: 'Se vocês apenas soubessem o que perderam — aquele vasto vazio'.

A pergunta de Mary Cadogan provavelmente ainda estava na cabeça de K quando, no meio da manhã, ele chamou Scott e pediu-lhe que gravasse algo que queria dizer. 'A voz dele estava fraca', observou Mary, mas falou com grande ênfase'. As palavras estavam entrecortadas por pausas como se fosse um esforço pronunciá-las:

"Eu estava dizendo esta manhã que, por setenta anos, esta superenergia — es­ta imensa energia, imensa inteligência — tem usado este corpo. Não creio que as pessoas compreendam a tremenda energia e inteligência que fluíam através deste corpo — é uma máquina de doze cilindros. E durante setenta anos — um longo tempo — e agora o corpo não agüenta mais. Ninguém, a menos que o corpo tenha sido preparado, muito cuidadosamente, protegido e assim por diante — ninguém pode compreender o que acontecia com o cor­po. Ninguém. Não pretendam compreender. Ninguém. Repito isso: ninguém entre nós ou o público sabe o que aconteceu. Eu sei que não sabem. E agora, depois de setenta anos, isso chegou ao fim. Não aquela inteligência e ener­gia, ela está aqui, todos os dias, e especialmente à noite.

E, após setenta anos, o corpo não pode mais suportar — não suporta mais. Não pode. Os indianos têm muitas superstições idiotas sobre isso — que o corpo obedece à nossa vontade e todos os tipos de tolices. Vocês não encontrarão outro corpo como esse, ou aquela suprema inteligência operando em um corpo, por muitas cen­tenas de anos. Vocês não verão isso outra vez. Quando ele partir, partiu. Não há consciência alguma deixada para trás daquela consciência, daquele esta­do. Todos pretenderão ou tentarão imaginar que poderão entrar em contato com aquilo. Talvez possam de algum modo se viverem os ensinamentos. Mas ninguém tem feito isso. Ninguém. E então este é o fato."


Quando Scott pediu para ele esclarecer o que dissera pois temia que pudesse ser mal interpretado, K ficou `muito aborrecido' com ele e disse: 'Você não tem direito de interferir nisso'. Ao dizer para Scott não interferir, parece evidente que K queria que essa declaração fosse conheci­da por todos os interessados.

K viveu apenas nove dias mais. Ele desejava morrer e queria saber o que aconteceria se o tubo fosse removido. Disseram-lhe que ficaria rapidamente desidratado. Ele sabia que tinha o direito legal de tirar o tubo, mas não queria causar possíveis problemas a Mary ou ao médico; além dis­so, 'o corpo' ainda estava sob sua responsabilidade; portanto, até o fim, ele continuou cuidando dele.


Fonte: VIDA E MORTE DE KRISHNAMURTI, de Mary Lutyens, Editora Teosófica


publicado por conspiratio às 20:11
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

O PODER DA RESPIRAÇÃO

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Quantos volts você tem? [por Mayra Stachuk]

Olha ele de novo no banco dos réus: não bastassem dor de cabeça, cansaço, desânimo, tristeza, angústia, crises de tensão e ansiedade, para citar os sintomas mais comuns, o estresse acaba de ser acusado de outro efeito colateral danoso, o de roubar o oxigênio do sangue.

O acusador da vez é a bioenergopatia, método terapêutico baseado na teoria da bioenergética, que o americano Alexander Lowen criou em 1920, numa extensão dos estudos do austríaco Wilhelm Reich. Para a bioenergética, não existe separação entre corpo e mente, e as emoções e a personalidade do indivíduo influenciam diretamente os processos energéticos do organismo –a energia é produzida por respiração/ metabolismo.

Por esse raciocínio, o potencial elétrico de pessoas deprimidas é baixo, daí o desânimo; o das agitadas é elevado, daí a constante inquietação. O estressado também produz alta carga de energia, mas por outra razão, o baixo nível de oxigênio no sangue.

O problema todo, segundo o biólogo e terapeuta bioenergopata Geraldo Medeiros Jr. (nenhum parentesco com o endocrinologista Geraldo Medeiros), começa no fato de o estresse comprometer o processo respiratório. “O estresse vem, invariavelmente, acompanhado de enrijecimento muscular. Com os músculos contraídos, o diafragma não faz os movimentos completos, e tanto a inalação de oxigênio quanto exalação de gás carbônico são insuficientes”, explica.

Com a escassez de oxigênio, os glóbulos vermelhos se aglomeram, tornando o ambiente mais ácido e denso e dificultando o trânsito dos glóbulos brancos, principais agentes de defesa do organismo. O PH (potencial hidrogênico, indicador padrão para medição da acidez de uma substância) sangüíneo normal é de 7,35 a 7,45. O sangue sem oxigênio tem PH abaixo de 7,30.

“É por isso que muitas vezes as pessoas ficam debilitadas, mas não sabem o que têm. Quando o sangue está assim, já existem sintomas como dor de cabeça, sono fragmentado, alterações no metabolismo e a urina ácida, como se estivesse com cistite”, explica o bioenergopata. Nesse estágio, o estresse já está instalado e o indivíduo caminha para o desenvolvimento de outra doença.

Diagnóstico Medeiros Jr. diz que exames clínicos tradicionais não detectam esse quadro, mas ele pode ser identificado de duas formas, ambas da bioenergopatia. A primeira é medindo o potencial elétrico do indivíduo, ou seja, a eletricidade que o circunda, com um aparelho chamado multímetro, que faz a medição através de eletrodos colocados pelo corpo. Quanto maior o potencial, mais desvitalizado está o organismo. O normal é entre 1,5 mV e 4,5 mV (milivolts); com o estresse, pode chegar a 18 mV ou 20 mV.

Outra forma é examinar no microscópio a configuração dos glóbulos vermelhos em uma amostra de sangue. Se estiverem agrupados (veja imagens na pág. ao lado), o sangue está hipóxico, ou seja, com pouco oxigênio.

Nesse caso, Medeiros recomenda tirar do cardápio por pelo menos 30 dias alimentos que contenham ácido malônico, substância que não é produzida pelo organismo e que, em contato com o sangue, “seqüestra” suas moléculas de O2. Em sangues “saudáveis”, diz ele, esse processo não faz muita diferença; no hipóxico, já debilitado, acentua a deficiência. Quem tem ácido malônico: tomate, manga, maracujá, cebola roxa, azeitona preta e feijão preto.

De resto, é repetir a receita tradicional: comer e dormir direito, controlar, tanto quanto possível, a saúde física e mental e praticar atividades físicas para melhorar a respiração e promover o relaxamento muscular.

Evite alimentos que contêm ácido malônico, que “seqüestra” moléculas de oxigênio do sangue e acentua a hipoxia (mas não fazem mal quando o PH do sangue está normal)

O “assalto” do sangue

- Com o estresse, os músculos tendem a ficar contraídos, dificultando a atuação do diafragma e comprometendo o ciclo respiratório

- A tendência é inspirar menos O2 e exalar menos CO2

- Depois de algum tempo recebendo menos oxigênio, as hemácias (glóbulos vermelhos), que em estado normal são soltas, se agrupam na tentativa de obter oxigênio umas das outras

- Esse agrupamento tende a deixar o sangue mais ácido e denso, dificultando a circulação dos glóbulos brancos, principais agentes de defesa do organismo; o sistema imunológico fica mais lento e sujeito a vírus e bactérias


http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf1610200510.htm




O PODER DA RESPIRAÇÃO

Texto de Marietta Till


Certa vez, alguém que vivia em busca da verdade foi ter com um grande mestre a fim de ser levado à experiência dos estados su­periores da consciência. Vendo que ele estava mais interessado em obter poder sobre os outros do que no aperfeiçoamento espiritual, o mestre levou-o a um rio e, fazendo-o submergir, segurou-lhe a cabe­ça sob a água até ele quase se afogar. Só então o deixou livre, perguntando-lhe: "Qual era o seu maior desejo quando estava debaixo da água?" Esgotado e respirando profundamente, ele respondeu: "Eu queria ar!" "Então volte", disse o mestre, "quando o seu de­sejo pelo próprio aperfeiçoamento for tão grande quanto o seu an­seio por ar.”

Sem alento não há vida! Podemos viver um bom tempo sem alimento, mas só alguns minutos sem ar. Todos sabemos disso. Pou­cos, porém, sabem que respirar pode significar muito mais do que deixar que o corpo apreenda o ar de que necessita. Poucos sabem que a respiração representa um importante elo entre o corpo e o es­pírito, e que exerce uma profunda influência sobre o evento psicos­tomático. Por isso, o treinamento sistemático da respiração - apresentado neste livro com exemplos os mais variados - pode levar a um sensível bem-estar e a experiências positivas em todos os níveis da nossa existência.

Atualmente, o treinamento da respiração faz parte dos muitos caminhos de salvação oferecidos, podendo a "salvação" ter neles o significado de "cura". No entanto, a maioria das disciplinas que de­vem levar à salvação normalmente se restringe ao método da expe­riência corporal e da imaginação, negligenciando o importantíssimo papel que a respiração pode desempenhar nisso.




YOGA

O caminho hindu da ioga, com seu treinamento meditativo da respiração, faz parte dos mais conhecidos métodos de treinamento. Descobertos há milênios, durante largo período de tempo esses exer­cícios só foram transmitidos, em sigilo, nas associações secretas e nas escolas iniciáticas. (Além das escolas de mistérios do Egito e da era clássica, fazem parte delas os primeiros cristãos (os gnósticos), os monges do monte Atos, os fran­co-maçons e os rosa-cruzes.) Só agora, na nossa época, estes assomam novamente à luz, depois do longo tempo de subnutrição espiritual e de orientação puramente materialista que o mundo ocidental teve de atravessar.

Todos os caminhos e terapias alternativas dos nossos dias visam conduzir o homem de encontro ao seu interior, promover seu autoconhecimento e transformar o seu ego exterior numa forma superior de consciência. Uma contribuição essencial para isso pode re­sultar da respiração que é a expressão de um processo profunda­mente interior. Com ela, temos em mãos um instrumento que, con­duzido pela nossa vontade, tem a possibilidade de dirigir-se até os processos inconscientes e autônomos do nosso corpo, possibilidade essa da qual somente o homem, entre todos os seres vivos, pode dis­por.

Assim, por exemplo, a atividade cardíaca, a freqüência do pul­so, a digestão e também as emoções reprimidas podem ser influen­ciadas, profundamente modificadas e até eliminadas pela respiração objetivada. Quem não ouviu falar dos Yogues que se deixam enterrar vivos por três semanas? As nossas formas espirituais – a concentração, a memória e o discernimento –, tiram proveito da respiração orientada, do mesmo modo com que nossa constituição psíquica, a exercitar-se paciente­mente e a libertar-se da escória da emoção negativa.

Podemos experimentar em nós mesmos aquilo de que a respira­ção é capaz: sentando-nos em posição ereta, numa cadeira, concen­tramo-nos na respiração e, de olhos fechados, eliminamos todos os outros pensamentos. Agora, prolongamos, pouco a pouco, o tempo de expiração e da inspiração, "observamos a respiração". Depois de cinco minutos, iremos sentir que uma calma benéfi­ca nos invade, e que as nossas preocupações e os nossos problemas diminuíram. Outro exemplo: vamos a uma festa popular e entramos na "montanha russa". Cada vez que os carros descem, temos uma sen­sação de náusea no estômago; somos presas do medo. Mas, se inspi­rarmos profundamente enquanto descemos, o medo não se apresentará! Esses são apenas dois exemplos da influência da respiração orientada conscientemente.



Os chineses são da opinião que a respiração calma prolonga até mesmo a vida. Seus filósofos afirmam que, quando o homem nasce, é-lhe proporcionado um determinado número de respirações. Caso respire rápida e agitadamente, a sua energia vital logo chegará ao fim. Exemplo disso eles vão buscar no macaco arisco, de vida curta, e na tartaruga centenária com a sua respiração acentuadamente lenta.

Fontes bem orientadas e fidedignas vindas do Oriente nos fa­lam de resultados respiratórios verdadeiramente miraculosos. Sabe­mos, assim, de monges tibetanos que, no frio intenso, sentam-se nus sobre a neve, tendo de secar certo número de lençóis molhados, an­tes de serem admitidos em determinados rituais da vida monástica. Eles treinam o Tum-mo , um exercício respiratório que produz calor. A. Jusseck, um psicoterapeuta conhecido, ( ver A. Jusseck, O encontro do sábio dentro de nós, Goldmann 1986) que atualmente vive nos Estados Unidos, deve a esse exercício a salvação da sua vida, quan­do estava em Stalingrado.

A famosa exploradora do Tibete, Alexandra David-Neel , descreve como outros monges tibetanos que se submeteram, durante anos, a certos exercícios respiratórios são ca­pazes de vencer grandes distâncias como se tivessem "botas de sete léguas", mais voando como pássaros do que andando, tocando a ter­ra só de vez em quando com a ponta dos pés (A. David-Néel, Mystiques et Magiciens du Tibet, Librairie Plon 1972) .


Em tempos mais recentes, sabemos que, na psicoterapia, uma influência especial da respiração pode levar os pacientes a um nível diferente de consciên­cia ("estado Alfa ou Teta"), no qual tornam a surgir experiências que já haviam desaparecido da memória (terapia primária, rebir­thing). E o moderno método do superlearning que no estudo de lín­guas também é apoiado por exercícios respiratórios.

Esses exemplos devem ser suficientes para esclarecer o ex­traordinário efeito a que pode chegar a função respiratória orientada. A respiração correta promove não apenas a agilidade do corpo, a vi­gilância do espírito e o equilíbrio da psique, mas também uma capa­cidade maior do hemisfério direito do cérebro, ao qual compete a fantasia, a vida onírica e as capacidades criativas. Esse hemisfério foi negligenciado nos nossos dias em prol do culto do intelecto. Redescoberto, ele confere sentido e alegria à nossa existência e à nossa individualidade.

Respirar corretamente proporciona um acréscimo de energia ao nosso corpo sutil, também chamado corpo cinestésico, etérico ou corpo prana, porque, pela respiração, aspiramos não ape­nas oxigênio, mas também o elixir criativo da vida (que os hindus chamam de "prana" e os chineses de "ki"), que mantém vivo o nosso corpo psíquico, fortalece a membrana celular e reforça o sistema imunológico.

A respiração correta pode nos tirar da polaridade - que sofre­mos desde a "expulsão do paraíso" - e nos fazer voltar à unidade, na qual a criação já não se apresenta mais como algo separado de nós, mas como solidariedade do destino em relação a tudo o que vi­ve. Assim, o mergulho no interior de nós mesmos, mediante a respi­ração, não nos separa de modo algum dos nossos companheiros - coisa que muitos receiam; ao contrário, melhora nosso relaciona­mento social, a simpatia e o amor humano. O ar é o elemento de co­municação com o tu. Tudo tem de respirar, as plantas, os animais, as árvores e também a colmeia e até uma orquestra. O próprio universo, uma vez por dia, inspira - da meia-noite ao meio-dia - e novamente expira - do meio-dia à meia-noite. Por isso, o melhor momento para os nossos exercícios é a primeira metade do dia. Mas, o alento de Brahma, o grande criador dos mundos, abrange, segundo o pensa­mento hindu, eras siderais, cujo ciclo atual nos trouxe a era da escu­ra deusa Kali, dos sacrifícios humanos, das guerras e guerrilhas san­grentas, das agressões. Uma razão a mais para procurarmos auxílios libertadores que nos conduzam à luz!

Respirar corretamente significa levar a consciência a todas as partes do corpo. No entanto, este é o elemento fundamental da trans­formação integradora do nosso ser. Se unirmos o alento à força da nossa imaginação - como o faz um químico hábil com seus ingre­dientes - experimentaremos um surpreendente acréscimo das nossas possibilidades e, no fim de tudo, da totalidade da nossa força vital.

Um exemplo: de olhos fechados, imaginemos nosso joelho direito, com a rótula, os tendões e os ligamentos. Agora, "respiremos vigo­rosamente para dentro do joelho", o que vivifica ativamente a ima­ginação.

Podemos também pôr a mão direita - a doadora - sobre o joelho, imaginando que o fluxo energético passa, com a respira­ção, através do braço e da palma da mão, diretamente para o joelho. Dentro em pouco, a sensação de calor com a sua força de cura surgi­rá nesse local. Como um servo fiel, a respiração se submete à nossa vontade. Falando de "vontade", não devemos cometer o erro de evocar ambições competitivas nesses exercícios altamente diferenciados. Nesses exercícios, não interessa quem respira melhor, quem absorve mais ar ou quem suspende a respiração por mais tempo. Os efeitos devem se instalar bem devagar, como por si mesmos, como que "furtivamente". Não sendo assim, logo surgirão tensões e bloqueios, como podemos observar diariamente nos rostos crispados dos Yo­gues. Feitos com boa vontade e assiduamente, os exercícios respi­ratórios representam uma atividade relaxante, natural e alegre. Ran­ger os dentes durante sua execução é despropositado.




No caso, trata-se de uma atitude que nós, ocidentais, achamos muito difícil compreender: o Wu-Wei oriental, a não-ação na ação. Isso quer dizer: sem agarrar-se a um objetivo, sem ambição e sem o desejo egoísta de lucro (coisa que existe também no terreno espiri­tual) desenvolver uma atividade criativa, deixar fluir as energias e, no nosso caso, "abrir-se ao alento". Em relação a isso, os hindus têm uma bela metáfora. Dizem eles: "Busca a tua estrada de auto-realização no meio, entre o caminho dos gatos e o caminho dos ma­cacos!- É que o gatinho, todo indolente, deixa que a mãe o carre­gue, segurando-o na boca, ao contrário do macaquinho, que se agar­ra com toda a força à sua progenitora. Respirar é prazer, mas não no sentido hedonista de gozar a vida. Ao respirar, "sorrimos" para os pulmões. Respirar é um ato inspirado. Inspirar significa soprar para dentro; assim, o alento é uma dádiva divina. Porque, tal como está na Bíblia, Deus insuflou o ruach ou pneuma no torrão de terra, Adão. Ambas as palavras, de origem hebraica e grega, significam, além de "alento", também "espírito". Mais adiante, reza a Bíblia: "...e assim o homem tornou-se uma alma viva. Isso quer dizer que, no seu sentido mais profundo, o alento é um instrumento divino e um guia, sempre presente, que leva à grande libertação.

Do livro de Marietta Till, A FORÇA CURATIVA DA RESPIRAÇÃO

 

publicado por conspiratio às 21:38
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

MEDICINA NISHI - EXERCÍCIO SIMPLES PARA CIRCULAÇÃO

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Exercício capilar

Primeiramente deite de costas utilizando o travesseiro sólido. Le­vante os dois braços e as duas pernas verticalmente e estique-os o mais possível, mantendo as solas dos pés na horizontal. N
esta posição, faça vibrar suavemente os membros durante 1 ou 2 minutos. Pratique este exercício diariamente pela manhã e à noite.

Embora a Medicina Nishi se fundamente em princípios de várias outras medicinas, ciências e filosofias de séculos e de países diferentes, ela possui uma única teoria que afirma que a força motriz para a circulação do sangue depende não do coração, como afirmam as teorias da medicina tradicional, mas dos vasos capilares que ligam as artérias e as veias.

O exercício que promove a capilaridade ou exercício capilar (de le­vantar e vibrar os membros que contêm 3.800 milhões de vasos capilares sem considerar os 5.100 milhões de vasos do corpo inteiro) regula as válvulas venosas que promovem o fluxo do retorno sangüíneo, acelera o fluxo, renova e auxilia a circulação da linfa, regenerando os glómus e evitando a velhice prematura.

 Este exercício estimula o fluxo do sangue arterial assegurando a circulação fisiológica e evitando a congestão sangüínea, curando várias doenças circulatórias.

 A função da pele e dos membros melhorará com esse exercício de modo a prevenir a invasão de parasitas e bactérias através da pele.

 Dinamicamente falando, os pés são bases importantes para o cor­po inteiro. Problemas nos pés podem causar todos os tipos de doenças. Portanto podemos manter nossos pés saudáveis fisiologicamente através deste exercício.
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Do livro:
A MEDICINA NISHI - Princípios de Saúde Prática, de Katsuo Nishi; Ibrasa
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Ver:
Repassando:


Muito interessante!!!!! E simples, para quem não gosta ou não tem tempo de fazer exercícios físicos diariamente!!!!
 Assunto: Médico naturalista ensina.... Não deixem de ler


Um médico naturalista estava muito triste porque participou de congressos e, embora comprovados, os resultados não eram divulgados, como ele disse 'NÃO DÁ IBOPE''. Então ensinou a fazer um exercício simples que evita problemas cardíacos:

 1º. Antes do banho, exercitar a panturrilha (levantar o corpo na ponta dos pés) , primeiro rápido até esquentar as panturilhas e depois uma sequência de 10 movimentos lentos. Pronto. Esse exercício bombeia o sangue para o coração, melhora os batimentos cardíacos e evita obstrução das veias. Também ajuda a emagrecer. E melhora o problema de micro varizes

 2º. Ao acordar, deitado de barriga para cima pedalar 120 vezes no ar. Esse exercício melhora o posicionamento da coluna e da postura, diminuindo ou retardando o encurvamento das costa e aliviando as dores nas costas. Além, é claro, de beneficiar a circulação.

3º. Ao perceber que a pressão subiu, coloque as pernas dentro de um balde com água muito gelada até os joelhos. Permaneça nesta imersão por 20min. Este processo fará com que o organismo, na busca de aquecer os membros inferiores, faça com que o acúmulo de sangue na cabeça desça, baixando a pressão.

4º. Ao chegar em casa, coloque os seus pés em uma bacia com água bem quente (o famoso escalda pés - alem de relaxar, esse processo desencadeia a dilatação dos vasos sanguíneos dos pés, melhora o cabelo e melhora, inclusive, a visão. Esse processo foi pesquisado com pessoas diabéticas e o resultado evidenciou a melhora na circulação sanguínea, diminuindo os casos de gangrena, o quadro geral de saúde dos pesquisados melhorou, e como um fato relevante, a melhora da visão. (obs - o escalda-pés pode ter contra-indicações para hipertensos e grávidas- ver alikaparvaneh.multiply.com/reviews/item/54 )



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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

A PROPÓSITO DA ARTE E DA COMUNHÃO

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A ARTE ESTÁ SEMPRE PRESENTE

Muito aflito, o imperador da Chi­na andava em círculos pelo palá­cio. Peiwoh tardava a chegar. Tal­vez nem soubesse que era esperado com tanta ansiedade. Todos os outros músicos do reino haviam fracassado. Só conseguiram extrair da harpa de Lung notas ásperas e desafinadas. Ninguém pudera arrancar uma única melodia de suas cordas.

Essa harpa tinha sido uma esplên­dida árvore. Na floresta de Lung, ela sabia levantar a cabeça para conversar com as estrêlas. Suas raízes penetravam fundo na terra, misturando-se com o dragão pra­teado que ali dormia. E aconteceu, certa noite, que um feiticeiro transformou a árvore numa harpa teimosa.

Finalmente veio Peiwoh, apresen­tou-se ao soberano e logo acariciou a harpa, como se procurasse do­mar um coração selvagem. Tan­geu com doçura suas cordas. Cantou a natureza, as estações, as montanhas, os rios. Então, uma a uma, todas as lembranças da árvo­re-harpa acordaram. A primavera de novo brincou entre seus ramos. Outra vez se ouviram as vozes sonhadoras do verão. Depois, a Lua voltou a brilhar no céu de outono. Agora, é inverno e a neve bate com gosto nas folhas das ár­vores. Quando Peiwoh falou do amor, a floresta inteira inclinou-se como um ardente namora­do. Mas Peiwoh também cantou a guerra, com suas espadas reluzentes e cavalos barulhentos. Na harpa ergueu-se a tempestade, o dragão montou o relâmpago e o trovão ressoou pelas colinas. Extasiado, o imperador chinês perguntou a Peiwoh qual o segredo de sua vitória.

"Senhor", respondeu êle, "os ou­tros falharam porque só cantaram de si mesmos. Deixei à harpa a escolha dos temas, e não sei se a harpa transformou-se em Peiwoh ou Peiwoh se transformou em harpa."

Esta lenda mostra um pouco da essência da arte. A verdadeira arte é Peiwoh e nós somos a harpa de Lung. Ao toque estimulante do belo, as mais secretas - cordas de nosso ser despertam e vibram. Escutamos o não-falado, contem­plamos o não-visto. Lembranças esquecidas, desejos irrealizados, esperanças sufocadas voltam com um novo sentido: uma obra per­tence a nós mesmos, assim como nós pertencemos à obra de arte.


Fonte possível: Arte nos Séculos

publicado por conspiratio às 21:22
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

BARDO: O PRIMEIRO GRAU NA FORMAÇÃO DE UM DRUIDA

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Entre os povos gauleses, de um modo geral, existem três grupos de homens que são tratados com excepcional reverência: os bardos, os vatos e os druidas. Os bardos são cantores e poetas; os vatos, filósofos naturais e divinos, enquanto os druidas, além da filosofia natural, estu­dam também a filosofia moral.

Estrabão — Geographica (escrito no final do século primeiro a.C.)


Os druidas organizaram-se em três agrupamentos distintos, nos quais cada grupo tem funções específicas, tarefas a executar, e um treina­mento especial. Felizmente, os textos clássicos fornecem informações suficientes que nos permitem pintar um quadro da natureza de cada um desses agrupamentos e, uma vez feito isso, podemos considerar sua relevância no treinamento dos druidas contemporâneos.



BARDOS

Encontramos também entre eles autores de versos a quem chamam de bardos; eles cantam acompanhados por instrumentos semelhantes à lira, aplaudem uns e vituperam outros.

Diodoro Siculo — (Histories) 8 a.C.



Os bardos eram os zeladores da tradição, da memória da tribo —eram os depositários da sacralidade do mundo. Embora representassem o primeiro nível de treinamento para o druida principiante, não devemos cometer o erro de pensar que o bardo estava, de certa forma, numa posição humilde ou inferior. Havia muitos níveis de realização, porém
o mais qualificado dos bardos era mantido em alta estima e compartilhava muitas funções do ovado e do druida.

O treinamento do bardo era intenso e demorava muitos anos. Havia variações nos currículos entre a Escócia, a Irlanda e o País de Gales. Na Irlanda, sabe-se que o treinamento demorava 12 anos e os estudantes submetiam-se a um currículo rigoroso. No primeiro ano, o aluno passa­va de Principiante (Ollaire) a aprendiz de poeta (Tamhan) e aprendiz de satírico (Drisac). Durante esse período tinha de aprender a base das artes bárdicas: gramática, vinte histórias e o alfabeto-árvore de Ogham.

Nos quatro anos seguintes, aprendia mais dez histórias a cada ano, uma centena de combinações do ogham, doze lições de filosofia, e um nú­mero não especificado de poemas. Estudava também combinações ditongais, a Lei dos Privilégios e os usos da gramática. No sexto ano, se tivesse permanecido no curso, era chamado de Pilar (Cli) e estudava mais quarenta e oito poemas e vinte histórias. Nos três anos seguintes, era denominado de Torrente Nobre (Anruth) porque "emana uma tor­rente de frases bonitas e recebe uma torrente de riquezas".' Durante esse tempo, já aprendeu mais noventa e cinco contos, possuindo um repertório de 175 histórias. Estudou métrica, interpretação de textos, invocação profética, estilos de composição poética, formas poéticas específicas e histórias de nomes e lugares da Irlanda. Os três últimos anos de seu treinamento dão-lhe o direito de tornar-se um Ollamh ou Doutor em Poesia, passando pelos graus de Homem de Erudição (Eces) e Poeta (Fili). No décimo ano, o aluno tinha estudado outras formas poéticas e composição, no décimo primeiro, 100 poemas e, no décimo segundo, 120 orações e as quatro artes da poesia. Agora, é um Mestre, ou Mestra, Doutor em Poesia, tem o direito de receber um ramo de ouro.

Como Anruth, Torrente Nobre, carregou um ramo de prata; antes disso, durante todo o treinamento, levara consigo um ramo de bronze. Presos a esses ramos havia sinos, de modo que, quando o poeta trans­punha o hall para recitar um poema ou narrar um conto, se fazia sempre seguir pelo seu repicar avisando à audiência para ficar em silêncio, e solicitando a ajuda dos reinos interiores para dar alma a seu poema ou história. No País de Gales ou na Escócia, o treinamento de um bardo era similarmente rigoroso, embora o currículo e os graus fossem dife­rentes.

Como os bardos eram treinados? As escolas bárdicas formavam-se em tomo de um Chefe Poeta e seus assistentes. Demorava muito tempo para aprender de cor, para fortalecer a memória e decorar o número fantástico de contos e poemas que se exigia de um bardo consumado.

As narrações da Alta Escócia Ocidental e da Irlanda mostram que muito trabalho era dispendido com a técnica que agora poderíamos chamar de privação sensorial. As acomodações eram espartanas ao extremo e eles ficavam muito tempo remoendo poesias e procurando inspiração em completa escuridão. Só recentemente redescobrimos, através do trabalho pioneiro do Dr. John Lilly, o poder fecundo da escuridão que se encontra no reservatório do isolamento.

Seus currículos dão a entender uma rigorosa e pesada aquisição das histórias e poesias de outros povos. Eram treinados para tornarem-se mestres da Memória e da Inspiração. Preservar a tradição, as leis e a genealogia da tribo eram algumas de suas tarefas. Tão importante quanto desempenhar a missão de manter viva a tradição e a herança, era o encargo de chegar a um conhecimento do poder sagrado do mundo, manifesto como a capacidade de inspirar-se e inspirar aos outros. Para trans­mitir a memória da tribo, precisavam conhecer as histórias e poemas que preservaram a linhagem e a tradição de seu povo, mas para ser Mes­tre da Inspiração era necessário criar seus próprios versos e contos. Por esse motivo, praticavam a privação sensorial e empregavam as artes da invocação. Tal treinamento naturalmente despertava os poderes internos. Uma memória poderosa e a capacidade de sondar as profundezas e percorrer as alturas da consciência, em busca de inspiração e da chama criativa, desenvolviam dentro do bardo a faculdade de ver o futuro, e influenciar o mundo ao redor prenunciando o trabalho do ovado e do druida, permitindo-lhe transmitir o espírito do druidismo através dos séculos, quando a luz daqueles não pudesse mais ser vista no mundo.

E compreensível que o primeiro grau de, treinamento do druida deva, portanto, englobar o trabalho de ovados e druidas. Parece que o druida se enquadra nas palavras de abertura de João: "No início era o Verbo." A maneira pela qual a palavra poderia criar, comandar, ali­mentar, curar, penetrar, purificar, invocar, unir, provocar, coibir e jun­tar era um poder que o bardo, em seu longo treinamento descobria e utilizava a serviço de si próprio, seu patrão, seu rei, seu druida e-- é de se esperar, seu deus ou deusa.

Ó Escutai a voz do bardo
Que o presente, passado e futuro vê
Cujos ouvidos escutaram a Palavra sagrada
E caminhou entre as árvores antigas...
William Blake — Songs of Experience

Sabendo alguma coisa do que os bardos fizeram e como eram trei­nados, podemos agora perguntarmo-nos qual a importância do trabalho bárdico, hoje em dia.

Não é coincidência começarmos nosso estudo do druidismo dentro do grau bárdico. Sua importância como base para nossa vida, desenvolvimento da personalidade e espiritual não é menos significativa agora do que há milhares de anos, e poderia se dizer que é ainda mais indis­pensável hoje do que então. A pista para entendermos por que deveria ser assim está na percepção de que os bardos históricos trabalharam com a Memória e a Inspiração. Um dos principais motivos da sensação de alienação do homem moderno encontra-se no fato de ter ele se separado do mundo natural e das raízes do seu passado. A prática do druidismo procura curar essa alienação — reconectando o nosso passado e o mundo da natureza. No grau bárdico abrimo-nos para o poder restaurador da compreensão druídica da natureza — permitimos que a Mandala do Ciclo Sazonal Ôctuplo, que será explicada no próximo capítulo, aprofunde-se em nossos seres. Trabalhar coma Memória significa trabalhar com a herança e a linhagem, bem como com a mitologia e as histórias da tribo. Trabalhar coma Inspiração significa abrirmos para nossa criatividade interior.

Muitos dos problemas que enfrentamos em nosso mundo desenvolvido resultam de reprimirmos e negarmos o artístico em todas as suas formas. A moderna pesquisa do cérebro mostra que para a maioria, o funcionamento principal vem do hemisfério cerebral dominante que intermédia a função do pensamento analítico. O hemisfério oposto tem menos influência na nossa maneira atual de viver — é o hemisfério que intermédia a sintetização, as formas não analíticas de pensamento e expressão: é a parte do cérebro considerada responsável pela expressão artística. E opinião geral que, para tomarmo-nos seres completos, precisamos criar para ambos os lados oportunidades de desenvolvimento e expressão. Essa verdade foi expressa pelos alquimistas (e existe uma forte tradição da Alquimia dentro do druidismo) e, posteriormente, por
Carl Jung que desenvolveu a teoria de Logos e Eros arquetípicos, — o masculino e feminino da psique, os quais, para o nosso desenvolvimento, necessitam relacionar-se e, eventualmente ou periodicamente, se unir. Os alquimistas sabiam da importância dessa conjunção e deram-lhe o nome de Casamento Místico ou Mysterium Coniunctionis.

Agora, a_ moderna pesquisa do cérebro tem nos ajudado a observar uma possível correlação física desses dois aspectos do Self, mostrando o caminho em que as diferentes funções cerebrais são compartilhadas entre os dois hemisférios.

Nossa educação tem se concentrado principalmente no desenvolvi­mento das habilidades do pensamento analítico e matemático, embora as escolas de Steiner sejam notáveis por sua tentativa de conferir, em seu currículo, igual status ao desenvolvimento artístico. Quando entra­mos no caminho bárdico, começamos um processo de desenvolvimen­to do hemisfério não dominante. Abrimo-nos para o Self artístico e criativo.

Isso não é uma tarefa simples e, num caminho típico do druidismo, o trabalho é empreendido evidentemente em todas as dire­ções. Através do esquema do festival óctuplo, e com os poderes dos quatro elementos que são conferidos aos pontos cardeais no círculo sagrado do trabalho druida, o bardo é trazido para um estágio em que tem conhecimento e trabalha com os quatro aspectos do seu ser — representados pela terra, sua praticalidade e sensualidade; pela água, sua receptividade e emocionalidade; pelo ar, sua racionalidade; e pelo fogo sua intuição e entusiasmo. Ao ganhar acesso a esses quatro elementos e partes do Self, e trabalhando para harmonizá-los, o aspirante bárdico intensifica sua criatividade interior. Desenvolve, então, os re­cursos de seu corpo e do seu coração e mente tornados dispo­níveis para guiá-lo inspirá-lo. Dessa maneira aprendemos a contor­nar a mente racional, que gosta de criar limites-- à compreensão.

Para poder operar, o intelecto cria distinções, categorias, constru­ções mentais através das quais a experiência pode ser compreendida e aplicada. Isto é essencial para nossa sobrevivência e progresso no mundo. Os problemas aparecem quando essa capacidade de criar padrões de referência não é contrabalançada pela capacidade de transcender as estruturas e abrir-nos para o transracional — o inexplicável com palavras mas não menos verdadeiro. Poesia e música são sumamente capa­zes de nos ajudar a ultrapassar padrões e pontos de vista. Tocada, falada, cantada ou representada, alarga as fronteiras, abre horizontes, invoca energias para o intelecto, que sozinho não pode apreender ou categorizar com seus esforços. Aqui está o poder do bardo — dissolver nossas fronteiras, nossos padrões de referência — mesmo que seja só por um momento.

Sinta esta poesia do bardo moderno Jay Ramsay:

Insondável desconhecido,
Atrás e em todas as coisas

Vale — francelho — celidônia:
Você em lugar nenhum e em todas as coisas
E sendo nada é forçado a silenciar,
Sendo incapaz de falar
Você vê todas as coisas,
E eu vejo você
E eu vejo que Eu sou
O âmago do que estou vendo:
O sol se aproximando
Para encontrar o homem
Que cruzou a linha,
Que saiu de dentro de si mesmo
Fica ali na frente,
Despido na luz.

A mente não pode apreender totalmente a força deste poema — a pessoa sofre o impacto da força das palavras e das imagens de uma maneira que resiste à descrição ou explicação. Esta é a função da poe­sia, ou do bardo. Ir além. Viajar. Trazer de volta. O Professor Michael Harner, uma autoridade mundial em xamanismo, diz que o caminho xamânico é melhor definido como o método em que se abre uma porta para penetrar numa realidade diferente.` É isto precisamente o que acontece com a poesia eficaz e poderosa. A diferença entre compor, ler e recitar poesia "secular" e empreender as mesmas atividades no espíri­to do bardismo é que, no último, o processo xamânico é consciente­mente conhecido e trabalha-se com ele. Criatividade e inspiração são vistas como dádivas dos deuses, como forças que entram no receptácu­lo do Self através da Superconsciência. Preparação, preparação ritual, visualização, prece e meditação apropriados criam os canais pelos quais o poder criador e gerador pode fluir.


(...)

No Grau Bárdico abrimo-nos para o que significa viver na Terra com a capacidade de ser criativo. Embora este seja o primeiro estágio de treinamento do druida, seus propósitos alcançam o fundo do coração
do druidismo que é o desenvolvimento do domínio dos poderes da geração. No nível bárdico isso envolve a produção de trabalhos criati­vos — musica, cançao, poesia e arte em todas as suas formas. No trabalho dos ovados e druidas nos relacionamos com esse poder da mesma maneira, mas nos interessamos também em gerar cura e amor, idéias e luz. O conhecimento que o bardo tem do poder da Palavra, e sua capacidade de lidar com esse poder, torna-se mágico com o druida: por entender a força criadora do som, a Palavra é usada para gerar sementes de luz que repercutem por toda a criação.






Do capítulo "Bardos, Ovados e Druidas" do livro: "Elementos da Tradição Druida", de Philip Carr-Gomn

publicado por conspiratio às 20:42
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

O ATLETA INTERIOR

cena do filme "PODER ALÉM DA VIDA"



A voz do locutor treme de excitação enquanto as imagens co­meçam a aparecer: "Senhoras e Senhores, vocês vão ver uma fa­çanha realizada pela primeira vez por David Seale - uma façanha que requer total concentração, ousadia e coordenação. O que vocês estão para presenciar não aconteceu da noite para o dia, mas é o resultado de me­ses de preparação. Aí vem ele!"

Aparece uma figura na tela. David tem um ar descontraído e confiante. Pouco antes de começar, uma complexa série de movimentos e equilíbrios. Ele fica momenta­neamente estático, hesita um ins­tante e então, com os olhos con­centrados num ponto à sua frente, sem olhar para baixo, com a mente completamente voltada para a sua tarefa, começa a se movimentar. Seu corpo permanece relaxado quando ele inicia o primeiro movimento.

De repente, com um tremor, ele começa a cair! David se recupera rapidamente e, sem desperdiçar um instante com raiva ou com medo, re­compõe o corpo outra vez e continua a buscar o seu alvo, o rosto sereno mas concentrado.

Quando está perto de sua meta, David quase cai outra vez, mas volta a recuperar o equilíbrio. Ele se lança para a frente, o rosto radiante. Passado um momento final de suspense, os espectadores voltam a respirar e aplaudem, deliciados, en­quanto David Seale, atleta interior de 10 meses de idade, se aproxima e se lança aos braços estendidos da mãe. Sob as lentes da câmera pa­terna, David deu os seus primeiros passos no tapete da sala.

Todos fomos atletas inte­riores na infância - a nossa mente não tinha preocupações nem ansiedades; tinha como objetivo o momento presente. Nosso corpo era relaxado, sensível, elástico e estava em harmonia com a gravidade; nossas emoções eram uma expressão livre, desinibida, espontânea.

Iniciamos a vida com um potencial praticamente ilimitado. No entanto, a maioria de nós perde contato com as aptidões da infância ao se ver sob o peso de crenças limitadoras; começa a negar as próprias emoções e a vivenciar uma variedade de tensões físicas. O livro "O Atleta Interior" revela uma maneira de reverter essa situação ao nos mostrar como buscar o nosso potencial mais pleno. No íntimo de cada um de nós há um atleta natural esperando para nascer.

Extraído do livro”O ATLETA INTERIOR", de Dan Millman (E. PENSAMENTO).





Ver também:



O CAMINHO DO GUERREIRO PACÍFICO (livro)

PODER ALÉM DA VIDA (filme - The Peacefull Warrior)

em:
http://holosgaia.blogspot.com/2007/10/o-caminho-do-guerreiro-pacfico-dan.html







publicado por conspiratio às 19:11
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Domingo, 11 de Janeiro de 2009

O DESPERTAR DOS MÁGICOS

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“O homem é um deus enfaixado. O Tempo é uma faixa. O Espaço é uma faixa. A carne é uma faixa… São faixas todos os sentidos e as coisas por ele percebidas. A mãe sabe que as faixas não são a criança. A criança, porém, não o sabe”… (Cf. ‘O Livro de Mirdad’, cap. 4. Mikhail Naimy. Editora Rosacruz-Áurea).




‘O ADMIRÁVEL TEXTO DE GUSTAV MEYRINCK’(‘O Despertar dos Mágicos - Introdução ao Realismo Fantástico’. Louis Pauwels e Jacques Bergier. Difusora Européia do Livro)




“A chave que nos tornará mestres da natureza interior ficou enferrujada desde o Dilúvio. Ela se chama: velar. Velar é tudo”. O homem está firmemente convencido de que vela; mas, na realidade, está preso numa rede de sono e de sonho que ele próprio teceu. Quanto mais apertada é a rede, mais poderoso reina o sono. Aqueles que estão presos nas malhas dessa rede são os adormecidos que, indiferentes e sem pensamentos, caminham através da vida como rebanhos de animais levados para o matadouro.

Os sonhadores vêem através das malhas um mundo quadriculado, distinguem somente aberturas enganadoras e agem em conseqüência, sem saber que esses quadriculados são apenas fragmentos insensatos de um todo enorme.

Estes sonhadores não são como talvez o suponhas, os lunáticos e os poetas; são os trabalhadores sem-repouso do mundo, os possessos da loucura de agir. Assemelham-se a escaravelhos feios e laboriosos que se arrastam ao longo de um cano liso para nele mergulharem ao chegar lá em cima. Dizem que velam, mas aquilo que julgam uma vida não é senão um sonho, determinado antecipadamente nos mínimos pormenores e subtraído à influência da sua vontade.

Existiram e ainda existem alguns homens que descobriram que sonhavam, os pioneiros que avançaram até aos baluartes detrás dos quais se esconde o Eu eternamente desperto – videntes como Descartes, Schopenhauer e Kant. Mas eles não possuíam as armas necessárias para a tomada da fortaleza e o seu apelo ao combate não acordou os adormecidos.

Velar é tudo! O primeiro passo para esse objetivo é tão simples que qualquer criança pode fazê-lo. Só aquele que tem o espírito falsificado esqueceu como se caminha, e mantém-se paralisado sobre os dois pés, por não querer privar-se das muletas que herdou dos seus antecessores.

Velar é tudo. Vela em tudo o que fazes! Não te julgues já desperto. Não, tu dormes e sonhas… Reúne todas as tuas forças e espalha um instante pelo teu corpo este sentimento: agora, eu velo! Se o conseguires, reconhecerás que o estado no qual te encontravas surge então como uma modorra e um sono. Este é o primeiro passo hesitante do longo, muito longo percurso que leva da servidão ao completo poder.

Desta forma avança, de despertar em despertar. Não existe pensamento tormentoso que desta maneira não possas banir. Ele fica para trás e já não te pode atingir. Estendes-te sobre ele como a copa de uma árvore se eleva por sobre os ramos secos… E as dores desprender-se-ão de ti como folhas mortas, quando essa vigília se apossar igualmente do teu corpo.

Os banhos gelados dos brâmanes, as noites de vigília dos discípulos de Buda e dos ascetas cristãos, os suplícios dos faquires, nada mais são que ritos estereotipados, indicando que ali se erguia outrora o templo daqueles que se esforçavam por velar.

Lê as Escrituras Sagradas de todos os povos da Terra. Em cada uma delas passa como um fio vermelho a ciência dissimulada da vigília. É a escada de Jacó, que combate toda a “noite” com o anjo do Senhor, até que chegue o “dia” e obtenha a vitória.

Deves subir, um degrau após outro, os degraus do despertar, se queres vencer a morte. O degrau inferior já se chama: gênio. Como devemos chamar os degraus superiores? Permanecem desconhecidos da multidão e são tidos como lendas. A história de Tróia também foi considerada uma lenda, até que finalmente um homem arranjou coragem de investigar por si mesmo.

Sobre esse caminho da vigília, o primeiro inimigo que defrontarás será teu próprio corpo. Ele lutará contigo até o primeiro cantar do galo. Mas se vislumbrares a luz da vigília eterna, que te afasta dos sonâmbulos que supõem ser homens, mas ignoram serem deuses adormecidos, então o sono do teu corpo desaparecerá também e o Universo submeter-se-á a ti.

Poderás então operar milagres, se quiseres, e já não estarás reduzido a um humilde escravo a espera de que um cruel e falso deus seja suficientemente amável para te cumular de presentes, ou de te cortar a cabeça. Há evidentemente a felicidade do bom cão-fiel: servir um amo. Ela deixará de existir para ti – mas sê franco para contigo mesmo: gostarias, mesmo agora, de trocar com o teu cão?

Não te deixes amedrontar de não atingir o objetivo nesta vida. Aquele que descobriu este Caminho regressa sempre ao mundo com uma maturidade interior que lhe torna possível a continuação de seu trabalho. Ele nasce como “gênio”.

O caminho que te mostro está semeado de acontecimentos estranhos: mortos que conheceste hão de erguer-se e falar-te! São apenas imagens [personificações]. E também aparecerão silhuetas luminosas para te abençoar. São apenas imagens, formas exaltadas pelo teu corpo que, sob influência da tua vontade transformada, morrerá de uma morte mágica e se tornará espírito, tal como o gelo, atingido pelo fogo, se dissolve em vapor.

Só quando tiveres abandonado em ti o cadáver, poderás dizer: agora o sono afastou-se de mim para sempre. Então, dar-se-á o milagre em que os homens não acreditam – porque, enganados pelos seus sentidos, não percebem que matéria e força são a mesma coisa – nem compreendem, esse milagre que, mesmo se o enterrarem, não haverá mais cadáver no caixão.

Só então poderás diferenciar o que é realidade ou aparência. E certamente aquele que encontrares, só poderá ser um dos que seguiram o Caminho antes de ti. Todos os outros serão apenas sombras.

Até ali tu não sabes se és a criatura mais feliz ou a mais infeliz. Mas nada receies. Nem um sequer dos que seguiram por esse caminho da vigília, mesmo se alguma vez se perdeu, jamais foi abandonado pelos seus Guias.

Quero, porém dar-te um sinal pelo qual poderás reconhecer se uma aparição é realidade ou miragem: se ela se aproxima de ti, e a tua consciência se perturba, se as coisas do mundo exterior tornam-se vagas ou desaparecem, desconfia. Acautela-te! A aparição não passa de uma parte de ti mesmo. Mas, se não a compreendes, é apenas um espectro sem consistência, um gatuno que consome [suga energia], parte da tua vida.

Os que exploram a força da alma são piores do que os gatunos do mundo. Atraem-te como fogos-fátuos nos pântanos de uma esperança enganadora, para te deixarem só nas trevas e desaparecerem para sempre.

Não te deixes cegar por algum milagre que pareçam fazer por ti, nenhum nome sagrado que se dêem, nem profecias que exprimam, mesmo que elas se realizem. Eles são os teus inimigos mortais, expulsos do inferno do teu próprio corpo e contra os quais deves lutar pelo domínio.

Sabe que as forças maravilhosas que eles possuem são as tuas próprias – desviadas por eles para te manterem na escravatura. Eles não podem viver fora da tua vida, mas se os venceres ficarão aniquilados, como ferramentas mudas e dóceis, que poderás empregar segundo as tuas necessidades.

Inúmeras são as suas vítimas entre os homens. Lê a história dos visionários e dos sectários e compreenderás que o caminho está semeado de crânios. Inconscientemente, a humanidade ergueu contra eles um muro: o materialismo. Esse muro é uma defesa infalível, é a imagem do corpo, mas também o muro de uma prisão que dissimula a vista.

Atualmente estão dispersos e a fênix da vida interior ressuscita das cinzas nas quais esteve deitada durante muito tempo, como morta, mas os abutres de outro mundo também começam a bater as asas. Por isso, deves tomar cuidado. A balança sobre a qual deporás a consciência mostrar-te-á quando podes ter ou não confiança nessas aparições. Quanto mais desperta [a consciência] estiver, mais se inclinará a teu favor.

Se [eventualmente] um guia, irmão de outro mundo espiritual te quiser aparecer deverá poder fazê-lo sem despojar a tua consciência. Podes pousar a mão sobre ele como Tomé, o incrédulo. Seria fácil evitar as aparições e seus perigos. Basta conduzir-te como o homem vulgar. Mas que se ganha com isso? Continuarás a ser um prisioneiro na jaula do teu corpo, até que o carrasco “Morte” te conduza ao cadafalso.

O desejo dos mortais de ver os seres sobrenaturais, porém, é como um grito que desperta até os fantasmas do inferno, porque semelhante desejo não é puro - é mais avidez do que desejo -, porque quer “tomar” de qualquer maneira, em vez de gritar para aprender a “dar”.

Todos os que consideram a Terra como uma prisão, todas as pessoas piedosas que imploram a libertação, evocam, sem se aperceberem o mundo dos espectros. Faze-o também… Mas, conscientemente. Para aqueles que o fazem inconsciente existirá uma mão invisível que os possa retirar do pântano onde se atolam? Eu não acredito.

Quando sobre o Caminho do despertar atravessares o mundo dos espectros, reconhecerás aos poucos serem eles simplesmente pensamentos, que de súbito poderás ver com os teus próprios olhos. Eis por que te parecem estranhos ou criaturas, pois a linguagem das formas é diferente da do cérebro.

Chegou então o momento em que a transformação se dá: os seres humanos que te rodeiam transformar-se-ão em espectros. Todos aqueles que amaste serão, de súbito, [como que] larvas. Mesmo o teu próprio corpo. Não se pode imaginar mais terrível solidão do que a do peregrino no deserto, e quem não sabe encontrar aí a Fonte da vida morre de sêde.
Tudo o que aqui te digo se encontra nos livros de homens piedosos de todos os povos: a vinda de um novo reino, a vigília, a vitória sobre o corpo e a solidão… E, no entanto um abismo intransponível nos separa dessas pessoas piedosas: elas supõem que se aproxima o dia em que os bons entrarão no paraíso e os maus serão atirados para o inferno. Nós sabemos que o tempo virá em que muitos despertarão e serão separados dos adormecidos que não podem compreender o que significa a palavra vigília. Nós sabemos que não existe o bom e o mau, mas apenas o exato e o falso.

Eles crêem que velar significa manter os sentidos lúcidos e os olhos abertos durante a noite, de maneira que se possa fazer as orações. Nós sabemos que a vigília é o despertar do Eu imortal, e a insônia do corpo uma conseqüência natural.

Eles crêem que o corpo deve ser descurado e desprezado porque é pecador. Nós sabemos que não existe pecado; o corpo é o começo de nossa obra e viemos à Terra para transformá-lo em espírito. Eles crêem que deveriam viver na solidão com o nosso corpo, para purificar o espírito. Nós sabemos que o nosso espírito deve primeiramente isolar-se para transfigurar o corpo.

Só a ti cabe a escolha do caminho a tomar: o deles ou o nosso. Deves agir segundo a tua própria vontade. Não tenho o direito de te aconselhar. É mais salutar colher, segundo a tua própria decisão, o fruto amargo de uma árvore, do que ver pendurar um fruto doce aconselhado por outrem”… [Φ]


[Cf. ‘O Despertar dos Mágicos, Introdução ao Realismo Fantástico’, p. 426/430. Louis Pauwels e Jacques Bergier. (Excerto de ‘Le Visage Vert’. Gustav Meyrinck). Difusora Européia do Livro. 1969].


Fonte:
http://wwwjaneladaalma.blogspot.com/2008/12/o-despertar-dos-mgicos.html

publicado por conspiratio às 22:17
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CAÇADORES INVERTEM A EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

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CAÇA CAUSA EVOLUÇÃO INVERTIDA

http://anda.imprensa.ws:80/noticiaDetalhe.php?idNoticia=967

Por Lobo Pasolini (da Redação)


Um artigo na revista Newsweek afirma que caçar remove os indivíduos maiores e mais fortes da população animal que é caçada. Ao invés da sobrevivência do mais forte, cientistas estão vendo "a sobrevivência do mais fraco e magro".


Os humanos geralmente comparam sua função no ecossistema com a dos predadores naturais, alguns dos quais estão desaparecendo mundo a fora. O problema com essa analogia é que, ao contrário dos caçadores, os predadores naturais almejam o pequeno, o fraco e o doente. Já os caçadores tendem a almejar os indivíduos maiores e mais fortes.

Pesquisadores dizem que um tipo de ovelha no Canadá hoje tem chifres menores do que trinta anos atrás ao passo que os cangurus vermelhos na Austrália estão menores. Um número menor de elefantes Africanos e Asiáticos tem presas.O artigo explora on conceito de 'mais forte'. "Se não ter presa é uma vantagem por tornar o indivíduo menos atraente para o caçador, o que há de errado em não tê-la?

O artigo salienta, "Presas antigamente faziam o elefante mais forte, como arma ou instrumento de alimentação – até que o marfim se tornou uma mercadoria preciosa e ter uma presa passou a significar uma sentença de morte." Em outras palavras, como troca para se tornar menos atraente para caçadores, esses elefantes sem presas tiveram que desistir de suas armas e ferramentas de alimentação, o que os torna menos fortes em outros aspectos.

Leia o texto em inglês publicado na Newsweek: http://www.newsweek.com/id/177709/page/1


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publicado por conspiratio às 19:22
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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

A PAIXÃO NÃO PRECISA MORRER

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Suzana Herculano-Houzel

Paixão duradoura


Eis uma ótima notícia para começar o ano: um estudo recente mostra que o sistema de recompensa do cérebro de pessoas apaixonadas pelo cônjuge em casamentos de cerca de 20 anos de duração responde à visão da pessoa amada com a mesma euforia e empolgação dos casais recém-apaixonados.

A descoberta, feita pelo grupo da antropóloga Helen Fisher e da neurocientista Lucy Brown, contradiz a visão popular de que a paixão tem data de vencimento: seriam cerca de 18 meses, segundo a imprensa, baseando-se apressadamente em um estudo sobre mudanças no metabolismo de serotonina publicado dez anos atrás. A antropóloga Helen Fisher, que há cinco anos escreveu um livro defendendo que a paixão é como um vício -um estado elevado de motivação, no qual fazemos o que for preciso para obter mais uma dose do nosso objeto do desejo-, não fazia muita questão de discordar da visão da paixão inevitavelmente autoconsumida.
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Afinal, ela é um estado particular de intensa ativação do sistema de recompensa, formado por aquelas estruturas que sinalizam ao resto do cérebro quando algo interessante acontece ou tem grandes chances de acontecer, causando prazer e satisfação -que, por sua vez, nos impelem a fazer o que for preciso para que a tal coisa interessante aconteça de novo e de novo e de novo.
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Assim, a visão do objeto de nossa paixão, como uma droga, nos deixa eufóricos e altamente motivados a encontrar lugar na agenda, faltar ao trabalho, virar madrugadas, atravessar a cidade a pé e o que mais for necessário para ficar perto daquela pessoa. E, assim como uma droga, a paixão deixaria o sistema de recompensa "habituado" ao excesso de ativação e se autoconsumiria com o tempo. Na visão anterior de Fisher, uma vez passadas a novidade e a euforia iniciais, o sistema de recompensa arrefece. Com isso, chega de paixão: nada de arroubos intensos, de grandes esforços, de noites sem dormir. Na melhor das hipóteses, a paixão se transforma em amor (nada mau como hipótese, aliás). Certo?
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Errado, segundo a própria Fisher. A paixão pode até ter efeitos comparáveis a um vício, mas não é um: ela não destrói a capacidade de prazer do cérebro. Ela pode morrer por outras razões -mas esse não é seu destino inexorável. Alimentar a chama cerebral da paixão está ao nosso alcance, de maneiras que muitos casais descobrem sozinhos -e você lerá aqui na próxima coluna. Enquanto isso... Um feliz 2009 para você, leitor, repleto de amor e paixão!

SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do site "O Cérebro Nosso de Cada Dia"

http://www.cerebronosso.bio.br/
suzana.herculano-houzel@grupofolha.com.br

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq0801200906.htm
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

O MEDO PODE SER CONTAGIOSO

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Humanos podem sentir "cheiro de medo", diz estudo
da BBC Brasil

É possível sentir o "cheiro do medo", segundo um estudo da Stony Brook University, nos Estados Unidos, cujo resultado foi publicado nesta semana pela revista "New Scientist". O estudo pediu a 40 voluntários que estavam prestes a saltar de um avião em queda livre (no esporte sky diving), que colocassem um absorvente em suas axilas, para recolher o suor durante a queda.

Estas amostras de suor "de medo" foram colocadas em nebulizadores junto a amostras "neutras". Foi pedido a outros voluntários que cheirassem essas amostras, enquanto seus cérebros eram observados em um exame de ressonância magnética.

Segundo a autora do estudo, Lilianne Mujica-Parodi, as partes do cérebro relativas ao medo, a amígdala e o hipotálamo, apresentaram maior atividade quando os voluntários sentiram o cheiro de suor dos sky divers. Os autores não disseram aos voluntários qual era o objetivo da pesquisa, para não influenciá-los.

Não está claro se os voluntários que sentiram o cheiro realmente sentiram medo, mas para Mujica-Parodi, o fato de o "'circuito do medo' no cérebro ter respondido ao cheiro 'indica que pode haver um componente biológico escondido na dinâmica social humana, na qual o estresse emocional é, literalmente, 'contagioso'".

Já foi observada nos animais a capacidade de "passar mensagens" como de perigo ou disponibilidade sexual --através de odores, mas ainda se discute se os humanos também têm essa habilidade. Outras pesquisas já procuraram demonstrar que era possível identificar o "cheiro do medo" no suor de pessoas que tivessem assistido a filmes de terror, mas há dúvidas sobre os resultados.

Alguns críticos afirmam que os estudos não levaram em conta o quão diferente as pessoas reagem a filmes de terror. Eles também tendiam a usar questionários que poderiam influenciar as respostas, com perguntas como se o suor tinha cheiro de alguém que estava feliz, com raiva, ou com medo.

A pesquisa da Stony Brook University foi financiada pela Darpa, o braço de pesquisa do Exército americano, o que chegou a levantar suspeitas de que os militares poderiam estar tentando desenvolver uma arma que espalhasse o pânico nos inimigos, mas o Exército nega qualquer intenção neste sentido, segundo a "News Scientist".

Segundo o psiquiatra Simon Wessely, do Centro de Pesquisa Militar de Saúde do King's College, em Londres, e consultor de saúde para o Exército britânico, a idéia é cientificamente implausível.

Ele lembra que estudos anteriores mostram que, para o medo ser efetivo, o contexto é crucial. "Você pode gerar os sintomas físicos do medo, mas as pessoas não necessariamente vão se sentir apavoradas", diz ele.
publicado por conspiratio às 21:35
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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

ORIGENS MÍTICAS DE SÃO PAULO

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Geografia sagrada de São Paulo
por Mateus Soares de Azevedo



No começo, era o raio. E o raio cruzou o céu e atingiu a terra. Mais especificamente, uma rocha localizada neste Planalto de Piratininga. Essa "pedra marcada por raio" é a Itaecerá dos índios tupis. É ela que assinala as origens míticas e místicas da metrópole atual de 11 milhões de almas. Os primórdios de São Paulo, assim, remontam a esse encontro do céu com a terra, corporificado na rocha que recebeu o raio -sabe-se lá quantos séculos antes da chegada dos intrépidos jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta. Missionários que, desafiando o governador-geral, a coroa portuguesa e mesmo a sede da ordem em Roma, decidiram enfrentar a subida da serra do Mar para realizar sua visão espiritual. Empreendimento mais do que ousado para a época -as cidades, no século 16, ficavam na costa-, para estabelecer a igreja e o colégio de São Paulo de Piratininga.
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Os jesuítas tinham claro que, para ser bem-sucedida, a aventura espiritual tinha de contar com a parceria dos índios. E, de fato, a escolha do local foi mais uma questão de indicação destes últimos do que decisão dos religiosos. O lugar, por conta da Itaecerá, já era foco de peregrinações para índios de várias tribos.

Tupiniquins, tupinambás, guarulhos, guaranis, guaianazes, maromomis, tamoios, caingangues convergiam numa vastíssima rede de trilhas, os peabirus ("caminhos pisados"), de milhares de quilômetros, que chegavam até Cusco, no Peru. O ponto de convergência de toda essa impressionante rede de transporte e comunicação era a cultuada "pedra de raio". Foi o espaço sacro, "sítio de poder", que atraiu originalmente índios, depois missionários.

Ou seja, antes mesmo de sua moderna (re)fundação, em 25 de janeiro de 1554, a futura São Paulo fazia parte da "geografia sagrada" indígena. Cerimônias xamânicas, jejuns rituais, retiros solitários, orações individuais e coletivas, tudo isso congregava os índios junto de seus "sacerdotes", os xamãs e pajés, na mítica colina de Piratininga.

Desse modo, em tempo anterior à chegada dos europeus, o lugar já existia como centro espiritual. E, como em tantos pontos sacros de diversas civilizações, a nova tradição se sobrepôs à antiga, dando continuidade, sob aspecto reformado, mas de essência convergente, àquela "religião perene" de que falou santo Agostinho em "A Verdadeira Religião". "O que hoje chamamos de religião cristã já existia entre os antigos e nunca cessou de existir desde as origens do gênero humano, até o tempo em que o próprio Cristo veio e então se passou a chamar de 'cristã' a verdadeira religião que antes já existia."

Não por acaso, a cidade emergiu sob o signo de São Paulo, "apóstolo de todos os povos", localizada justamente sobre o Trópico de Capricórnio. Mas isso é outra história, assunto quem sabe para outro artigo...


Mateus Soares de Azevedo, 48, escritor, autor, entre outros, de "Homens de Um Livro Só: O Fundamentalismo no Islã, no Cristianismo e no Pensamento Moderno" (ed. Best Seller, 130 págs., R$ 19,90), é o colunista convidado desta edição.


revista@folha.com.br
http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf2112200817.htm
publicado por conspiratio às 19:58
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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

COMUNICAÇÃO ENTRE AS PLANTAS

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A mensagem das plantas (a sério)



Plantas realmente se comunicam, embora umas com as outras e de forma nada esotérica. Isso ocorre com vegetais como morangos e trevos, que por vezes estendem longos ramos, sobre ou embaixo do solo, que formam novas plantas. Muitas destas conexões continuam ativas mesmo quando as novas plantas já são plenamente independentes.

Agora, uma pesquisa de Josef Stuefer na Radboud University Nijmegen demonstrou pela primeira vez que trevos podem assim avisar uns aos outros que um inimigo está perto. Quando uma das plantas é atacada por lagartas, por exemplo, as outras são avisadas através da rede de comunicação por um sinal interno. Alertas, as plantas intactas fortalecem sua resistência e se tornam menos atraentes às lagartas. Experimentos também mostraram que esse mecanismo limita significativamente os danos às plantas. E o mais interessante é que apesar de largamente benéfica, a rede das plantas também está especialmente vulnerável a ataques de vírus, como a internet. A infecção em uma planta da rede rapidamente se alastra para as outras.


Confira mais na página de Stuefer.


http://www.ceticismoaberto.com:80/news/?p=1017

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publicado por conspiratio às 21:10
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