Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

NATUREZA, REALIDADE E BELEZA - TITUS BURCKHARDT

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 por TITUS BURCKHARDT


Quando se considera se há algo que possa possivelmente alertar as pessoas de mente não científica para a ameaça de poluiçào das águas, percebe-se rapidamente que o senso natural de beleza, que nos torna aptos a distinguir espontaneamente uma árvore enferma de uma saudável, deveria também dar o alarma nesta situação. Que não o tenha feito, ou dificilmente o tenha feito, deve-se ao fato de que o homem moderno separa completamente não somente o ‘belo’ do ‘útil’, mas também o ‘belo’ do ‘real’. Esse modo de pensar é como uma ruptura na consciência, e é difícil dizer se é causa ou efeito de um estado de coisas que, por um lado, leva sistematicamente o homem a destruir, em escala crescente, o equilíbrio natural das coisas e, por outro, impele-o periodicamente a fugir do mundo artificial que ele assim cria. Nunca antes existiram esses enormes aglomerados de edifícios de ferro e concreto e nunca antes os habitantes das cidades, em número tão grande, deixaram periodicamente suas casas a fim de redescobrir a natureza que eles mesmos tão inexoravelmente baniram. Não será exato dizer que, agindo assim, as pessoas estão apenas procurando preservar sua saúde. Muitos, senão todos, estão ao mesmo tempo procurando um relaxamento da alma que só é propiciado por ambientes cujo estado, ainda intacto e harmonioso, tenha garantido a preservaçãode tal beleza, que dá paz a alma e liberta a mente da pressão dos pensamentos calculistas. Apesar disto, as mesmas pessoas que nos feriados buscam consciente ou inconscientemente esta beleza, prontamente rejeitam-na como ‘romantismo’ sempre que ela ofereça obstáculos aos seus interesses utilitários.

PAISAGEM CAMINHO.jpg

 A beleza representa sempre um equilíbrio de forças interior e inexgotável, e por isso subjuga totalmente nossa alma, dado que não pode ser nem calculado nem mecanicamente produzido. O senso de beleza pode portanto permitir-nos a experiência direta de relações antes que, com nossa razão discursiva, possamos percebe-las de modo diferenciado; nisto aliás, há uma defesa de nosso próprio bem-estar físico e psíquico, algo que não podemos negligenciar impunimente....

 

ÁRVORE ILUMINADA _0006B.jpg

 


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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

KRISHNAMURTI - MEDITAÇÃO E OUTROS TEXTOS

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KRISHNAMURTI


MEDITAÇÃO

Meditação é a atenção em que existe um estado de consciência, sem escolha, do movimento de todas as coisas – o grasnido dos corvos, o serrote elétrico, cortando a madeira, a agitação das folhas, o riacho barulhento, o menino gritando, os sentimentos, os motivos, os contraditórios pensamentos, e, indo mais para o fundo, a percepção da consciência total. Nesta atenção deixa de existir o tempo, como o dia de ontem, que tem continuidade no dia de amanhã, as distorções e movimentos da consciência aquietam-se e silenciam. Neste silêncio, há um imenso e incomparável movimento; movimento imperceptível, que constitui a essência do sagrado, da morte e da vida. Impossível é segui-lo, pois não deixa vestígio algum e é estático e silencioso, ele é a essência de todo movimento.

***

O fluxo exterior e interior da existência forma um único movimento. Com a compreensão do mundo exterior inicia-se o movimento interior, mas não em oposição ou em contradição entre si. Cessando o conflito, o cérebro, ainda que altamente sensível e alerta, aquieta-se. Somente então torna-se válido o movimento interior.

Deste movimento surge uma generosidade e uma compaixão que não resultam da razão ou do auto-sacrifício intencional.

A força e a beleza da flor estão em sua total vulnerabilidade.

Os ambiciosos desconhecem o belo. A beleza está na percepção da essência de todas as coisas.

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O pensamento é matéria e pode ser transformado em qualquer coisa, bla ou feia.

Existe, porém, o sagrado que não vem do pensamento, nem de um sentimento por ele reavivado. Não é reconhecível pelo pensar nem pode ser por ele utilizado ou concebido. A palavra ou o símbolo não podem definir o sagrado. Ele é incomunicável. É um fato.

Um fato é para se ver, mas o ato de ver não se processa através da palavra. Quando se interpreta um fato, ele deixa de ser um fato.; torna-se algo inteiramente diferente. O “ver” é da mais alta importância. Encontra-se fora do tempo-espaço, é imediato, instantâneo. E o que se vê é sempre novo. Não existe a repetição nem o processo gradual do tempo.


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Não existe lógica na verdade. A verdade não pode ser medida, avaliada. Só se pode medir e dimensionar aquilo que não é vivo.


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Sábado, 20 de Setembro de 2008

EDUCADOS PARA SER DESATENTOS - KRISHNAMURTI

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Interrogante: Sinto que minha vida diária é sem importância e que eu deveria estar fazendo algum coisa.

Krishnamurti: Se estais comendo, continuai a comer. Se ides a um passeio, passeai. Não digais: "Eu devia estar fazendo outra coisa". Quando lêdes, prestai toda a atenção a isso, não importa se estais lendo uma novela policial, uma revista, a Bíblia, ou o que quer que seja. A atenção completa é ação completa, e então não se diz: "Eu devia estar fazendo outra coisa". Só quando não estamos atentos, sentimos vontade de dizer: "Ora, eu devia estar fazendo coisa melhor". Se estamos completamente atentos quando comemos, essa atenção é ação. O importante não é o que estamos fazendo, porém, sim, se somos capazes de dar-lhe toda a nossa atenção. Por essa palavra não entendo uma coisa que se aprende por meio da concentração, numa escola ou nos negócios, porém à capacidade de prestar atenção com o corpo, os nervos, os olhos, os ouvidos, a mente, o coração - completamente. Se assim fizermos, ocorrerá uma mudança extraordinária em nossa vida. Alguma coisa estará então a exigir toda a nossa energia e vitalidade, toda a nossa atenção. A vida está a exigir essa atenção todos os minutos, mas de tal maneira fomos educados para a desatenção, que estamos sempre a procurar um meio de fugir da atenção para a desatenção. Dizemos: "Como posso prestar atenção? Sou indolente." Pois sêde indolente, mas dai toda a atenção à indolência; ficai totalmente atento ao estado de desatenção. Tomai conhecimento de que estais completamente desatento. Então, quando sabeis que estais totalmente atento à desatenção - estais atento.

(Krishnamurti, 28 de julho de 1966)




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DIÁRIO DE KRISHNAMURTI (1961)

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25 de outubro

O capim de talo longo, que cresce livremente no jardim, com sua frágil e dourada floração, quase se partia com o incessante balanço provocado pela brisa do entardecer. Mas, tal somente aconteceria se soprasse um vento mais forte. Um feixe de capim bege-dourado agitava-se ao vento; cada talo tinha seu próprio ritmo e esplendor, mas formavam todos uma única onda em movimento. De colorido indescritível, à luz vespertina, tanto podia refletir o poente radioso como o dourado da terra, das nuvens e dos montes. A rude beleza das flores chamava-nos a atenção, e impressionava a estranha delicadeza daquela erva silvestre que exalava ligeiro odor de trigo, evocando tempos remotos; puras e vigorosas na forma, transmitiam incrível vitalidade. Uma nuvem lumi­nosa cruzou o céu, enquanto o sol desaparecia por trás do monte escuro. Um perfume agradável vinha da terra molhada e respirava-se um ar mais fresco. Era o início do período de chuvas e com ela renascia a esperança.


Súbito, ao voltarmos para o quarto, a "coisa" singular aconteceu novamente; lá estava "ela", sutil, envolvente e repentina. Alguém entrou e saiu logo em seguida; falava-se de assuntos irrelevantes. Chocava sua acolhedora presença naquele aposento; impossível resistir ao seu apelo insistente. Esse mesmo fenômeno teve lugar mais de uma vez, em Wim­bledon; ali, ao dobrarmos uma esquina, deparou-se-nos aquela misteriosa força que parecia aguardar-nos à sombra do arvoredo, à beira de um caminho de grande movimento, em local tão distante daquele em que nos encontramos agora. Atônitos, estancamos ali, à sombra daquelas árvores, mudos de espanto, abertos e vulneráveis. Não se tratava de uma fantasia ou sonho; a pessoa que nos acompanhava sentiu-o também. Mais de uma vez, fomos surpreendidos por sua presença amorosa e con­vidativa, exibindo sempre uma qualidade nova, uma nova beleza e serie­dade. No quarto, estávamos, então, perante aquele mesmo fenômeno, inédito e inesperado. A beleza imobilizava o corpo e a mente, tornan­do-nos sobremodo despertos e sensíveis. Nosso ser inteiro tremia, quando, passados alguns instantes, aquele estado, impossível de descrever e ima­ginar, se desvaneceu rapidamente. Toda atividade do cérebro é medíocre e são frágeis e ilusórias as ações baseadas na emoção ou no sentimento. A emoção e o pensamento, sempre estreitos e limitados, ignoram o ver­dadeiro significado de fenômenos extraordinários que lhes são inacessíveis. Alheia a toda forma de repressão e controle, aquela coisa estranha brota da infinita solidão.


O requinte nada tem em comum com a sensibilidade: enquanto esta revela um estado de integração, aquele equivale a um fragmento. A sensibilidade é uma só: ou exprime a totalidade de nosso ser, de um estado de consciência plena, ou simplesmente não existe. Inútil o seu
cultivo lento e paciente ao longo dos anos, pois ela não resulta da experiência ou do pensamento; tampouco é a expressão de um estado emo­cional. Sem os excessos do romantismo e da fantasia, ela tem a qualidade do equilíbrio e da precisão. Somente os sensíveis podem encarar o real sem se enredarem em conclusões, opiniões e interpretações. Somente eles podem permanecer sós com a ação demolidora da solidão. Ao cessar de buscar o prazer, o ente sensível atinge a austeridade da compreensão e da lucidez. O prazer faz parte do requinte e este depende da educação, da cultura e do ambiente. Não há fim para o processo do refinamento; por resultar da escolha, do conflito e do sofrimento, existe sempre aquele que seleciona, a entidade que busca requintar-se, o ser que discrimina e exclui, nascendo daí a eterna dor. O refinamento leva ao isolamento, à indiferença e à fragmentação, frutos da atividade intelectual. Ainda que tenha elevado valor estético e moral, o requinte decorre do egocentrismo. Fútil e superfi­cial, ele pode ser motivo de prazer e satisfação, mas falta-lhe a genuína ale­gria e profundidade. De fato, sensibilidade e refinamento em nada se asse­melham; enquanto este conduz à morte pelo isolamento, aquela é a dádiva da vida plena.


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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

PAUL BRUNTON NO HIMALAIA

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Fonte: Paul Brunton, Um Eremita no Himalaia, Ed. Pensamento


Certa tarde, enquanto estávamos sentados nas proximidades da margem de um pequeno regato, o Iogue Pranavananda come­çou a falar acerca do seu professor, o Swami Jnanananda:

— Meu Mestre pertence a uma rica família que mora em Andhra, na zona nordeste de Madras. Com cerca de dezessete anos de idade ele teve um sonho no qual apareceu-lhe uma Grande Alma e pediu-lhe que deixasse o lar, mas tal pedido gerou um conflito íntimo no seu ser e ele não obedeceu de pronto. A Grande Alma apareceu-lhe novamente num segundo sonho, repetindo o pedido, mas desta vez o conflito íntimo tornou-se mais agudo do que nunca, sem que ele pudesse definir-se entre o seu desejo de obedecer e a sua esposa. Uma vez mais ele vacilou, faltando-lhe coragem para romper os laços de família. No entanto, A Grande Alma veio ter com ele uma terceira vez, tocou-o num sonho, e deu-lhe então forças para obedecer. Assim sendo, ele deixou o lar e, renunciando ao mundo, desapareceu em procura da verdade. Viajou para o norte e para o oeste em procura de um professor. Alguns anos mais tarde, ao encontrar seu mestre, este último disse-lhe simplesmente: — A meta espi­ritual já está em tuas mãos.

"Ele percebeu o quanto era avançado espiritualmente o jovem. E isso foi comprovado, pois logo após, o meu reverendo Mestre entrou no estado mais elevado de transe espiritual, do qual emergiu um novo homem.

"No entanto, meu professor queria tornar a sua realização perfeita, firme e sem solução de continuidade, de modo que, para esse fim, veio para o Estado de Tehri e foi viver solitário em Gangotri, em 1923. Lá estando teve uma experiência que serviu para provar a força da sua conquista espiritual. Viu-se um dia frente a frente com um enorme tigre, o qual não fez nenhuma tentativa de atacá-lo, mas aquietou-se nas patas traseiras e que­dou-se a observá-lo, durante algum tempo, antes de embrenhar-se na mata e desaparecer.

"Meu Mestre permaneceu nas vizinhanças durante todo um inverno, quando nenhuma outra alma teria ousado fazê-lo por causa da neve, de três metros de altura, que sepultava toda a região. Durante toda a estação hibernal não era possível obter ali qualquer espécie de comida, mas as autoridades de Tehri conseguiram que os funcionários governamentais mais próximos enviassem suprimentos de quando em quando. Mas o que é de pasmar é que Swami Jnanananda insistiu em permanecer quase inteiramente nu durante toda a sua estada, não usando senão uma sumária tanga. Jnanananda vivia numa caverna aberta, sem porta e sem lareira. Quando lhe perguntavam como podia suportar nu tanto frio, ele dizia: — Diante da minha gruta em Gangotri eu costumava sentar-me numa pedra para meditar e entrar em Samadhi. Habituei-me às inclemências do tempo sem maiores dificuldades. Um dia senti necessidade de atirar fora todas -as minhas roupas, sem qualquer razão aparente. Senti que alguma força interior me instava. Essa força e o nome do Senhor torna­ram-me totalmente indiferente ao frio, que eu não sentia. —Imagine-o vivendo naquela região desolada e bravia, cercado apenas de neve e gelo, com grandes avalanchas desabando, de tempos em tempos, das encostas e ameaçando soterrá-lo. Sua única companhia era o silencioso Himalaia, os animais selvagens que por vezes se arriscavam a passar por ali e uns poucos habi­tantes das montanhas. Hoje, se perguntarmos ao homem que costumava trazer comida ao Swami, descobriremos o quanto ele aprendeu a amar essa grande alma, pois seus olhos se iluminam ao falar nela e seu coração se enche de júbilo. . . "

De repente, Pranavananda pára de falar. Seus olhos quase se fecham. Sua respiração torna-se agitada e estertorante. Ima­gino que vai ter um ataque. Mas não, logo ele se acalma e começa, através de estágios tranqüilos, a entrar em transe. Seu corpo mantém-se sereno e imóvel, a não ser pelo ligeiro movi­mento de erguer e baixar os ombros que acompanha a respiração.
Então dou-me conta de que uma modificação vital se operou na atmosfera. A misteriosa quietude que anuncia a chegada de um estado mais elevado de consciência ou de um ser superior invade o ar. Percebo de pronto que algo importante aconteceu, de modo que faço uma meia volta a fim de olhar de frente o Togue, sento-me no chão; tranco as pernas em postura de medi­tação e tento ajustar-me mentalmente àquilo que estava por vir.

Perante o olho interior, a imaginação, a epífise — o nome pouco me importa — fulgura um rosto de homem, barbado, usando óculos e com um nariz largo. Um sorriso amigo lhe baila nos lábios. Recebo um olhar penetrante e, logo depois, uma mensagem.

Compreendo.

É o Swami Jnanananda. Usando dos poderes misteriosos que têm os homens da sua classe, ele projetou sua mente, sua alma, seu corpo sutil — uma vez mais o nome pouco me importa — sobre seu discípulo e eclipsou-o. No momento, os dois são espiritualmente unos, seus corações se mesclam. Este processo de autotransferência poderá surpreender o mundo, mas significa, em menor escala, a mesma coisa que Jesus quis dizer ao procla­mar: — Eu e meu Pai somos um só. — Este é o verdadeiro significado da condição de discípulo, seu segredo mais íntimo. Não é à toa que as tradições yogues da índia declaram que render-se ao Mestre é uma condição essencial, mas os tolos sem­pre puseram esta verdade no plano material e não conseguiram compreendê-la. Tudo aquilo que um verdadeiro Mestre exige do seu discípulo é uma íntima identificação consigo e não a entrega de bens materiais. Esta última é a marca registrada da charlatanice. A primeira é o atalho que elimina todas as longas e laboriosas disciplinas impostas por caminhos diferentes.

Durante meia hora nos mantivemos em completo silêncio, o discípulo eclipsado e eu. Procuro colocar-me em harmonia com as vibrações mais elevadas que agora dominam o ambiente. O mestre fala-me, sem se valer do uso de palavras, sem discursar, e eu me torno sensível e receptivo tanto quanto posso. O mundo exterior talvez não veja senão dois homens calados, um com os olhos semicerrados, outro com os olhos bem arregalados. Mas eu vejo uma presença sublime, cuja visita ergue-me provisoria­mente acima do meu pequenino ego.

Finalmente, meu companheiro retorna lentamente à sua condição normal, vira a cabeça e depois toca os olhos com o lenço. Continuamos sentados, não mais frente a frente, porém ambos imersos no mais absoluto mutismo. Mais tarde, quando nos levantamos e caminhamos juntos pelo vale, falamos acerca de outros assuntos e não tocamos naquele. A experiência vivida não constitui um tema fácil para conversação e deixamos que ela passasse sem ser mencionada.

De volta ao bangalô, pondero no breve esboço de vida do seu mestre que o meu amigo traçou para mim. Imagino-o em Gangotri, sentado-se para meditar, com talvez uma pele de corça estendida sobre um banco de gelo; a neve caindo por toda parte, quase soterrando-o; e os ventos cortantes uivando em torno. Como terá podido ele resistir à tremenda dureza da vida num ermo tão entorpecente? Como pôde suportar todo um inverno himalaio nas alturas de Gangotri, três mil e quinhentos metros no nível do templo, ultrapassada apenas pelo pico nevado que tem uma altitude de sete mil metros? Como sobreviveu a tudo, nu e sem lareira, e emergiu são e salvo da sua odisséia? (O médico oficial do Estado de Tehri, Dr. D. N. Nautyal, examinou Swami Jnanananda depois da sua volta e constatou que o seu pulso bate agora num ritmo de 30 pulsações inferior ao normal, segundo me declarou um funcionário do governo.)

O corpo obedece a determinadas leis naturais e qualquer outro homem que tentasse viver nu em condições semelhantes pereceria inevitavelmente. No entanto, Jnanananda parece haver interrom­pido o funcionamento de tais leis por um simples ato de sua vontade.

Qual é a explicação?

Encontro alguma indicação a respeito, parte em dois antigos volumes hindus e parte nas declarações de um asceta tibetano que, conheci em Buda-Gaya há alguns anos.

Um dos volumes é o Hatha Yoga Pradipika, um texto sâns­crito para uso daqueles que estão praticando o Controle do Corpo.

Descreve-se ali um rigoroso e difícil sistema de autodisciplina, envolvendo grandes esforços da vontade e prometendo por fim aos seguidores a capacidade de resistir a quaisquer mudanças de temperatura. O outro livro é o famoso Bhagavad Gita, um manual de Ioga e filosofia, que aconselha o praticante a recolher sua mente tão profundamente na direção do seu centro espiritual a ponto de esquecer as sensações físicas. "Coloque-se além dos opostos calor e frio", são as palavras ali impressas.

Dos tibetanos aprendi que entre os avançados ascetas do reino dos lamas existem numerosos que se especializam em gerar, por meio de determinados exercícios físicos e práticas mentais, um calor interno, uma sutil força ígnea a que chamam tomo. Nesses exercícios a respiração profunda se combina com esforços da vontade e da imaginação. Primeiro, canta-se uma invocação secreta a fim de receber o poder mágico requerido, a seguir o poder de visualização é conseguido e uma imagem subjetiva do fogo é produzida. Depois as chamas são avivadas, com o acompa­nhamento de respirações profundas, a partir da sua origem imagi­nária junto do órgão sexual e enviadas à cabeça. A teoria desses ascetas é que o fogo imaginário aquece o fluido sexual, o qual é a seguir distribuído pelas artérias e nervos através do corpo, por meio de outros exercícios. Por fim, o asceta entra num transe durante o qual permanece durante algum tempo com a mente focalizada na miragem do fogo por ele criada. Meu informante tibetano pretende que esta prática afugenta por completo qual­quer sensação de frio do corpo e permite ao homem sentir uma agradável quentura, mesmo estando ele enfiado no mais rigo­roso inverno. Na verdade, acrescentou, alguns ascetas sentam-se propositalmente em água gelada quando entregues à prática deste exercício.


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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

EXERCÍCIO E LONGEVIDADE

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Bob Delmonteque

MITICO NAKATANI
Sarada aos 72 anos de idade pela corrida
08/07/04

"Comecei a me sentir mal com 54 anos e fiquei doente até os 57. Sentia cansaço, dores, falta de ar e problemas de respiração. Tinha de pingar o soro no nariz para acordar, para dormir, para tudo. Fui a cinco médicos, e ninguém descobria o que eu tinha. Acho que era depressão, mas antigamente não chamavam assim. No princípio achei que fosse dengue, mas o médico disse que era um problema de coluna. Fiquei um ano tratando a coluna. Aí fiz tratamento para gastrite.

Depois fui ao especialista em fígado, mas não melhorava. Sentia enjôo, cansaço e sempre queria deitar-me. Tinha ainda mais problemas, precisava ser operada das hemorróidas e das amígdalas, pois sempre estava gripada. Mas pensei: "Do jeito que estou fraca, se for operada, já morro de uma vez".

Fui ao posto de saúde, onde a médica era boa e descobriu que o problema era intoxicação por remédio. Ela me mandou parar toda a medicação. Melhorei, graças a Deus. A médica dizia que eu tinha de tomar o sol da manhã. Então comecei a caminhar.

Quando você não está bem, não quer fazer nada. Mas ela mandou tomar um suquinho antes da caminhada, e aquilo foi muito gostoso. Só que caminhar é muito monótono e pensei: "Acho que correr anima mais". Então comecei a correr, fiquei mais forte e saudável.

Comecei sozinha para ter certeza de que conseguiria. Depois, achei que estava bom e entrei no clube japonês para correr com a turma. Era sempre a última na saída e na chegada. Todo mundo ria: "Você não tem jeito para correr". Mas pensava que um dia eu conseguiria. E consegui.
Corria na pista com a turma, mas aquilo não era nada para mim e comecei a correr na rua, na rodovia dos Imigrantes. No começo, fazia 1 km por dia. Hoje, o treino é de 5 km a 10 km durante a semana. Aos sábados, faço um percurso em subida na USP de 10 km, mais 6 km em terreno plano.

Senti totalmente as mudanças no corpo. Antes, eu me alimentava mal porque não tinha vontade de comer. Se você não está bem, não consegue se alimentar. Comia só a metade de um pão francês -com sacrifício- porque era obrigada. Isso é que foi me prejudicando. Tinha médico que dizia que eu não podia comer arroz também. Então, comia só a papa do arroz e aquilo não me sustentava.Então, saindo, andando e correndo, sentia mais fome e comia muito bem. Comecei a comer o pão francês inteiro, bananas, laranjas, tudo. Agora como demais.

Enquanto estava doente, pesava 34 kg e não aumentava o peso. Quando era solteira, era gordinha, gordinha. Pesava mais de 50 kg. Naquela época, nunca pensei em correr. Não tem a gincana japonesa? Mas eu falava: "Não gosto de correr porque, em vez de correr, eu mais caio".
Hoje estou com 41 kg [1,38 m de altura]. Para a maratona de Paris, em abril de 2004, eu pesei 40 kg. Depois da maratona, você fica um mês parada e já engorda. O técnico não me deixa correr depois da competição. Mas todo dia faço uma caminhada ou um pouquinho de corrida. Agora, preciso tirar esse quilo que está sobrando.

A principal modificação que senti em meu corpo foi a força dos pés. Eu sentia muita fraqueza. Por isso eu tropeçava e caía muito. Mas, como o técnico indicou musculação, fortaleci os pés e não caí mais. Ele me mandou fazer hidro, natação e musculação. Já estou me sentindo bem melhor. Estou em forma.

A natação relaxa o corpo, por isso ela é gostosa. Você esquece aquele cansaço que teve na corrida. A hidro é ainda mais gostosa porque tem a água aquecida.Hoje eu me sinto outra, totalmente diferente e disposta para tudo. Se alguém me pede alguma coisa, posso estar cansada, mas ajudo. Não precisei ser operada e nem sei mais se tenho amidalite, porque não pego gripe. Corro na chuva ou no sol.

A relação com a minha família também mudou. Meu marido quer saber como foi meu dia. Meus filhos perguntam se corri bem, se não me machuquei. Ficou mais unida a família, e me perguntam: "Será que eu consigo?". E eu digo: "Treinando, vocês vão conseguir".
http://runforlifenews.blogspot.com/2008/05/longevidade-e-competitividade-mitico.html

Minha maior conquista com a corrida foi minha saúde. Por isso falo para todo mundo: "A melhor coisa é não ficar parada. Alguma coisa você tem de fazer, correr ou andar". Meu sonho agora é correr até os 80 anos e meu próximo desafio é a maratona de Barcelona [Espanha], em agosto de 2005. Se eu puder, continuo. Os médicos dizem que não é bom eu correr, mas, para mim, é o contrário. Eu estou melhorando cada vez mais."

Depoimento dado à Maria Fernanda Gonçalves, free-lance para a Folha

Mitico Nakatani em 2008:
Longevidade e competitividade é Mitico Nakatani aos 76 anos






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Como ultrapassar os 100 anos
(c) Dr. Alessandro Loiola


Em polonês, "STO LAT" é uma forma de cumprimento bastante comum e significa "que você viva cem anos! ".
Desejar vida longa e próspera a alguém é uma das saudações mais bonitas que você pode fazer. Em teoria, quanto mais vivemos, maiores serão nossas chances de sucesso e felicidade.


Calcula-se que uma de cada 50 mulheres e um de cada 200 homens vivos hoje chegarão ao centenário. E os cientistas dizem que é apenas o começo, pois temos potencial biológico para viver ainda mais, até os 130-150 anos de idade.
Então qual será o segredo? Como fazer parte desta estatística e comemorar um supercentenário sendo capaz de amarrar os próprios cadarços (se é que irão existir cadarços até lá)?


Inúmeros centros de pesquisa em todo o Mundo vêm se debruçando sobre o assunto, com algumas conclusões em comum.


Dentre várias, selecionei 05 medidas essenciais para você envelhecer com saúde:


1º - RESPEITE SEU ESTÔMAGO
O ditado "o peixe morre pela boca" também pode ser aplicado aos mamíferos. O alimento é o combustível do corpo. Cuide bem do seu motor, e ele lhe garantirá uma viagem longa e tranqüila. Por exemplo: 70% do colesterol presente no seu organismo são produzidos por você mesmo, principalmente pelo seu fígado. Seguir uma dieta capaz de reduzir os níveis de colesterol é tão importante quanto levar uma dieta pobre em gorduras. Quer outro exemplo? A qualidade da dieta influencia o risco de desenvolver vários tipos de câncer - e os tumores malignos são uma das principais causas de óbito na Terceira Idade.


2º - RESPEITE SUA HIDRATAÇÃO
Um ser humano é pouco mais que um saco plástico contendo cerca de 40 litros de líquido viscoso e 20 quilos de miúdos secos. A água corresponde a 60% do seu peso . Assim como o radiador do seu carro, você precisa manter o nível de água dentro do ideal, sob o risco de ferver e ter de interromper a viagem antes do previsto. Mas atenção: não inclua bebidas alcoólicas na lista de líquidos preferenciais para hidratação. Ao invés disso, abuse da água potável e dos sucos de frutas naturais.


3º - RESPEITE SEU CÉREBRO
Considere o cérebro como o se fosse o "músculo" mais eficiente do seu corpo. Não o deixe atrofiar por falta de exercícios! Procure estar à volta com atividades que estimulem o raciocínio, desde jogos de memória até equações de física quântica. À noite, premie o esforço dos neurônios com sono de boa qualidade.


4º - RESPEITE SEUS OSSOS
Para cada 1 hora de exercícios regulares, você adiciona 3 horas à sua vida. É uma boa troca, não? Mas nada de exageros: para subir uma escada aos 80 ou levantar-se da cadeira aos 90, você precisará de ossos flexíveis. Na Terceira Idade, um esqueleto estável é mais importante que braços definidos ou um abdome tanquinho. Respeite seus ossos fazendo alongamentos pelo menos duas vezes por semana e obedecendo aos limites de velocidade no trânsito.


5 º - PROCURE UM SENTIDO
Envelhecer significa livrar-se de alguns pesos. Filhos, contas, emprego, responsabilidades... muita coisa sai de cima dos seus ombros. Mas uma carga menor também pode significar um sentido menor para a vida. Essa é uma armadilha comum. A resposta é procurar sempre um novo lugar, uma nova perspectiva existencial. Como disse John Barrymore, "só envelhecemos de verdade quando começamos a trocar nossos sonhos por arrependimentos". Portanto: Aposentou-se? Assuma riscos diferentes, reinvente desafios, volte a estudar, compre um animal de estimação, participe de grupos de leitura, desempenhe trabalhos voluntários (que tal lecionar para crianças carentes?). Separou ou enviuvou? Viaje, faça aulas de dança, conheça pessoas e comece a namorar novamente. Certamente existem aventuras neste mundo que você gostaria de fazer e ainda não fez. Se não forem contra a Lei, faça-as imediatamente!


Então, abraços e "STO LAT"




"As rugas devem indicar apenas onde os sorrisos estiveram"! Mark Twain


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Mais alguns exemplos de atletas longevos:



Bob Delmonteque - basta entrar em: http://www.bobdelmonteque.com/




Buster Martin




por Rodolfo Lucena

A fortuna não lhe sorriu ao longo da vida, mas hoje a fama abre os braços para ele: aos 101 anos, Buster Martin aparece em jornais do mundo todo e dá entrevistas a rádios e TVs. Virou uma espécie de garoto-propaganda da capacidade física dos anciãos. Mais velho trabalhador da Grã-Bretanha, esse lavador de carros e pai de 17 filhos se prepara para participar, no próximo domingo, de uma maratona.Com o número 32.858 no peito, Martin vai largar na tradicional maratona de Londres para percorrer 42.195 m, sabendo que pode até não completar a prova. "Vou fazer o melhor possível", disse ele à Revista, por telefone, destacando que o importante é mostrar que pessoas mais velhas podem ser ativas e participativas.E isso ele tem sido. Aposentado aos 97, não agüentou ficar sem trabalhar. Acabou conseguindo uma vaga na Pimlico Plumbers, maior empresa de encanamento de Londres, onde se encarrega de lavar as mais de cem vans da companhia. Martin é também um dos astros anciãos da banda The Zimmers, que foi tema de um documentário da BBC no ano passado, quando lançou seu single "My Generation".Mais idoso integrante do seu grupo musical, esse ex-militar e ex-garoto de recados no mercado de Brixton tornou-se, em março, o mais velho meio-maratonista do mundo ao completar, em 5h13min13s, a "Roding Valley Half Marathon". Com direito a várias paradas para uma cerveja.Entusiasmado, dedica seu esforço na maratona à arrecadação de fundos para uma instituição de caridade, a Rhys Daniels Trust. Ele é orientado por Harmander Singh, técnico do lendário Fauja Singh, recordista da prova na faixa etária de mais de 90 anos (com o excelente tempo de 5h40 na maratona de Londres de 2003). Mas o indiano começou a correr cedo, aos 89 anos, em comparação com o senhor centenário nascido na França, que só agora desperta para a corrida de longa distância.Martin treina três vezes por semana por cerca de três horas e meia. Faz alongamentos, enfrenta distâncias curtas e também treinos mais longos, além de uma sessão de boxe. E trabalha todos os dias na lavação dos furgões. Num dos intervalos de sua ativa vida, concedeu esta entrevista. Leia a seguir os principais trechos.Então o senhor vai correr a maratona de Londres...Vou tentar. E, se eu conseguir, vai ser o máximo. Eu quero ser uma fonte de inspiração, em vez de ficar sentado em uma cadeira de rodas e tudo o mais. É mais uma chance para eu mostrar às pessoas que ainda tenho muita vida em mim. Sempre fui muito ativo, tanto no meu trabalho no mercado quanto nas Forças Armadas. Quando eu decido fazer alguma coisa, em geral, eu consigo.


O senhor correu em março uma meia-maratona. Como foi?Foi ótimo, eles me deram cerveja de graça durante a prova. Eu gosto de beber e não fico bêbado. Não me chame de senhor, apenas de Buster.
Por que fazer esse esforço todo, em vez de ficar em casa, vendo TV e tomando cerveja?Porque o tédio é um assassino. Não importa se estou correndo, trabalhando ou treinando na sala de ginástica, o que quero é me manter ativo e sempre muito ocupado. Nunca gostei muito de TV, mas realmente aprecio uma ou mais cervejas por dia.


O senhor viveu vários momentos marcantes de sua cidade. Quais foram as grandes mudanças, na sua opinião?As piores mudanças em Londres são o espírito da cidade, que está menos amistosa, e o comportamento da juventude, que tem muito menos respeito. A melhor mudança é a diminuição da discriminação contra os mais velhos. Há muita gente, como a empresa em que trabalho, que respeita a geração mais antiga e a contribuição que podemos dar. Essa realmente é uma mudança muito boa, pois os mais velhos também têm muito a oferecer.


O que o seu médico diz da sua decisão de correr a maratona?Ele diz para eu ir com calma e ter sempre alguém comigo enquanto treino ou participo de corridas.


Qual é a lembrança mais querida na sua vida?
O nascimento de meu primeiro filho, em 1920.


E há alguma imagem do passado que o atormenta?Minhas experiências durante o serviço militar vão ficar comigo por toda a vida. Foi um período muito difícil, mas eu tinha muito orgulho de servir ao meu país.
Quais são os principais fatores de sua longevidade?É muito simples: o desejo de ficar sempre ativo e de aproveitar cada minuto da vida. Se eu acordo de manhã, tenho confiança de que vou viver um bom dia.


muito vivo e ativo

Buster Martin nasceu na França, em 1º de setembro de 1906, mas foi levado para a Grã-Bretanha aos três meses; órfão, viveu em um orfanato, do qual foi expulso aos dez anos, por comer demais
> Desde os 99 anos, trabalha como lavador de vans na Pimlico Plumbers. Seu primeiro emprego, logo depois de sair do orfanato, foi no mercado de Brixton, no subúrbio de Londres, como garoto de recados
Entrou nas Forças Armadas aos 15 anos e chegou a ser instrutor de educação física. Serviu na Segunda Guerra. Deu baixa em 1955. Voltou a trabalhar no mercado de Brixton, onde se aposentou aos 97 anos
É viúvo de Iriana Martin, com quem casou aos 14 anos, ficando com ela por 35 anos. O casal teve 17 filhos; o mais velho tem hoje 88 anos e o mais novo, 70


É integrante da banda de anciãos The Zimmers




'How To Live Forever'
http://www.liveforevermovie...

Buster Martin 101 'How To Live Forever'


An official excerpt from the upcoming documentary, "How To Live Forever," directed by Mark S. Wexler. For more info on the film, please go to


Jack LaLanne 'How To Live Forever'


*Gangue de adolecentes apanha de um senhor de 100 anos
http://forum.hardmob.com.br/archive/index.php/t-290130.html



http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq0409200814.htm

Stanley Shechter


*Piscina com história: Nadadores melhoram rendimento à medida que envelhecem quando técnica é aperfeiçoada com o tempo
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Recrie seu cérebro Como? Andando, correndo, escalando, pedalando, jogando tênis...
Revista Isto É, 06 junho 2007 n°1962, ano 30


OS BONS EFEITOS DA GINÁSTICA ULTRAPASSAM A BARREIRA DOS MÚSCULOS. ELA É A NOVA APOSTA DA MEDICINA PARA MANTER OS NEURÔNIOS JOVENS E ATIVOS, AGUÇAR A MEMÓRIA E MELHORAR A CAPACIDADE DE RESOLVER PROBLEMAS


Você já testemunhou uma autêntica revolução no conhecimento humano, com resultados imediatos na sua vida cotidiana? É isso o que a ciência está agora oferecendo. Explica-se. Ao contrário do que foi ensinado durante os últimos 100 anos, os neurônios (células nervosas do cérebro) não se perdem irremediavelmente com a passagem do tempo, impondo falhas à memória e dificuldades no aprendizado. Limpe tudo isso da mente. Os especialistas hoje provam que o cérebro de uma pessoa adulta fabrica novas células para repor peças desgastadas e pode se manter jovem, melhorando a capacidade de resolver problemas - ou seja, aprimorando a inteligência. E o gatilho para essas mudanças, segundo os mais recentes estudos de neurologia, está em uma receita simples: a atividade física.


Um desses trabalhos acaba de ser publicado nos Estados Unidos. O pesquisa dor Charles Hillman, da Universidade de Illinois, avaliou o desempenho na escola e a performance física de 259 estudantes das primeiras séries equivalentes ao nosso ensino fundamental. Eles foram submetidos ao mesmo protocolo de treinos físicos e a resposta do organismo à carga de atividades foi medida. Depois, as crianças passaram por uma bateria de provas, com direito a intervalos a cada 40 minutos. Os alunos que tiraram as melhores notas em matemática e leitura foram aqueles que se empenharam e se saíram bem nos exercícios. De acordo com Hillman, são necessários mais estudos para compreender o efeito deles sobre os alunos. Mas o cientista já tem seus argumentos: a atividade física, particularmente a aeróbica (como ginástica e ciclismo), modifica as funções relacionadas à aprendizagem e estimula os impulsos elétricos do cérebro. É possível também que os estudantes tenham se sentido motivados quando fizeram os exercícios. E quem cumpre uma tarefa com ânimo tem, de fato, melhores resultados.


Há alguns anos os cientistas vêm apontando uma associação entre a malhação e a saúde do cérebro. Não se sabia, porém, quais mecanismos estavam envolvidos nessa relação. Um estudo de 1998 abriu novos campos para a neurociência, impulsionando mais pesquisas sobre o funcionamento cerebral. Naquele ano comprovou-se a produção de neurônios no encéfalo de adultos. "Descobriuse que eles surgem a partir de células-tronco armazenadas em regiões específicas. Essas estruturas se transformam em neurônios que regeneram o cérebro. Trata-se de um marco que permite uma nova visão do envelhecimento", diz o neurocientista Cícero Galli Coimbra, chefe do laboratório de Neuropatologia e Neuroproteção da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).


A revelação deu origem a muitos outros trabalhos científicos que procuravam explicar de que modo seria possível estimular a reposição dos neurônios avariados. Um dos caminhos escolhidos foi investigar melhor o que se passava com o corpo quando submetido a exercícios. E o que se viu é que os benefícios vão além do desejado aumento no volume de músculos, da redução da flacidez e da proteção contra doenças cardiovasculares. A atividade física promove uma espécie de chacoalhão que deixa o cérebro muito mais ativo. O uso de sofisticados exames de imagem revelou que, sob efeito da ginástica, há atividade mais intensa no hipocampo, região associada à memória e aprendizagem. Experimentos com ratos apontaram outras novidades: a prática regular de exercícios contribuía para a transformação em neurônios de células-tronco preservadas no ventrículo, uma das partes do hipocampo.


Os especialistas acreditam que o desenvolvimento de novas células nervosas é fruto de um processo que envolve a melhora da comunicação entre as células (algo estimulado pela maior irrigação sangüínea proporcionada pelos exercícios), e muitas outras reações químicas. A principal delas é a elevação da produção de uma proteína chamada BDNF, espécie de tonificante das células nervosas. A presença dessa substância aumenta no cérebro quando o corpo é exercitado. "O BDNF é normalmente fabricado pelos neurônios, mas seus níveis já sobem sob efeito de uma única sessão de exercícios", diz o neurofisiologista Ricardo Arida, do Laboratório de Fisiologia do Exercício da Unifesp. Pesquisas conduzidas pelo neurocientista Fernando Gómez-Pinilla, da Universidade da Califórnia (Ucla), comprovam que o BDNF é, até o momento, a mais importante chave bioquímica que prepara a mente para novos conhecimentos. Em experiências com ratos, ele separou dois grupos para serem submetidos a exercícios, numa roda, e a testes de aprendizado. Com a atividade, o nível da proteína subiu em todos os animais, mas em parte deles Gómez-Pinilla utilizou uma droga para bloquear o BDNF. Em seguida, o especialista escondeu um objeto e estimulou os ratos a localizá- lo. As cobaias que não receberam o remédio o encontraram rapidamente, demonstrando esperteza. As demais nem sequer se aproximaram do alvo.


Por que a maior ativação do BDNF está ligada à melhora da performance cerebral? "Ele tem a capacidade de modular a comunicação entre as células nervosas. Quanto mais BDNF, mais aguçado esse processo", disse Gómez-Pinilla a ISTOÉ. A comunicação, também chamada de sinapse, é a via pela qual se conduzem todos os aprendizados. Mas não é só isso. Para Sidarta Ribeiro, do Instituto de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte, sua ação aguça a atenção e a percepção. Além disso, a substância tem um fundamental papel de regenerador do cérebro. "O aumento das taxas de BDNF acelera a especialização das células-tronco em neurônios. Ao longo do trajeto, eles irão refazer circuitos danificados pela morte dos seus antecessores", diz Ribeiro. Não é à toa, portanto, que o psiquiatra americano John Ratey, da Universidade de Harvard, apelidou a substância de "o miraculoso estimulante do cérebro". Ele sabe do que fala. Há anos o médico estuda o programa de atividades esportivas e recreativas dado às crianças americanas nas escolas públicas. Ratey observou que alunos com dificuldades nas habilidades verbais melhoraram depois que passaram a se exercitar. Por isso, ele concede tanto cartaz ao BDNF, até então um ilustre desconhecido do público. Em breve, Ratey lançará nos Estados Unidos o livro The revolutionary new science of exercise and brain. Algo que pode ser entendido como a nova e revolucionária ciência do esporte e do cérebro.
Essas descobertas da neurociência também apontam benefícios para a memória. Os especialistas perceberam que a mágica proteína tem potencial para turbinar as lembranças guardadas há dias e meses. Estudos divulgados este ano pelos renomados cientistas Ivan Izquierdo e Martin Cammarota, do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, confirmam as conexões entre o BDNF e a memória. Eles a suprimiram em ratos e viram que os animais simplesmente ignoraram objetos já conhecidos ou perderam a noção de espaço. "Ficamos surpresos ao perceber que existe ação dessa proteína até 12 horas depois da aquisição da memória recente", diz Cammarota. Eles notaram ainda que a substância entra em cena toda vez que uma informação arquivada é solicitada pelo cérebro.


Diante dessas informações, ninguém precisa ser um Albert Einstein para concluir que estimular a produção do BDNF melhora a performance do cérebro. Mas os neurocientistas ressaltam que é fundamental investigar com quais outros agentes bioquímicos ele interage no organismo. É possível que se descubra, no futuro, que a proteína não faz milagres sozinha. O fato é que a atividade física tem sido uma boa aposta para a saúde cerebral por vias que até agora são pouco compreendidas. Estudos demonstram que ela pode retardar os efeitos do mal de Alzheimer, doença neurodegenerativa que apresenta a perda de memória entre seus sintomas. Em indivíduos que tinham o hábito de malhar verificou-se que a enfermidade tardou mais a chegar. E pesquisas com animais sugerem que a ginástica diminui a formação de placas semelhantes às encontradas no cérebro de portadores de Alzheimer.


Novas dúvidas, evidentemente, surgem por causa dos avanços da neurociência. Uma delas é sobre a relevância da proliferação dos neurônios. "Não adianta ter muitas células nervosas se elas não estiverem conectadas e ativas", diz o psiquiatra Henrique Del Nero, professor da Universidade de São Paulo. Ele fez exames de imagem no cérebro de cinco pessoas com sintomas de demência após longa dependência de álcool e drogas. E viu que, apesar de os neurônios estarem vivos e nos seus devidos lugares, poucos trabalhavam: "Diversas áreas do cérebro estavam com um padrão preguiçoso." O passo adiante dado por Del Nero foi tratar esses pacientes com os mesmos remédios empregados contra Alzheimer e, sobretudo, com exercícios intensos. "Eles tiveram uma melhora impressionante."


Outra questão é saber qual o melhor exercício para rejuvenescer o cérebro, aprimorar a memória e aumentar a nossa inteligência. Os cientistas não fecharam questão quanto a isso. Mas os estudos indicam que os mais benéficos são aqueles que promovem condicionamento cardiovascular - caso da caminhada. Os exercícios devem durar mais de 20 minutos, ser praticados durante cinco dias na semana e ter intensidade moderada. Isso não significa que esportes ou atividades que exigem mais força da musculatura não possam surtir efeito. O detalhe é que as pesquisas ainda não conseguiram comprovar esse benefício.


Um aspecto discutido largamente é por que, se a atividade física é tão essencial para nos tornar mais espertos, não se encontram tantos gênios entre os atletas. Para os especialistas, tudo depende da nossa noção de inteligência. Desportistas como craques do futebol (acostumados a sofisticados treinamentos) podem não dominar física quântica ou geometria. Do ponto de vista da neurociência, porém, os intensos treinos os tornam mais inteligentes, sim. "As comunicações entre neurônios ficam mais rápidas, bem como as respostas. A máquina funciona muito melhor", diz Ribeiro. Por outro lado, um mestre da matemática pode ter uma péssima noção espacial e se perder nas ruas de sua cidade. Quem dá esse exemplo é o pesquisador Gómez-Pinilla, da Ucla. Captado esse ponto, resta a dúvida se é exagero pedir para o filho se exercitar na semana anterior a uma prova. "Não é. Fazer uma atividade física com regularidade não faz mal. E para a criança pode ser uma brincadeira que vai ativar os mecanismos cerebrais", diz o professor. E conclui: "Nós passamos muito tempo sentados e nosso organismo foi criado, ao longo da evolução humana, para ser movimentado. Então, mexa-se e recupere o potencial do seu cérebro
MENTE & CÉREBRO & GINÁSTICA
O sedentarismo é o grande vilão no desencadeamento de algumas formas de demência, indicam as pesquisas. Um trabalho da Universidade de Harvard e outras três instituições, com mais de 18 mil mulheres entre 70 e 81 anos, demonstrou que, quanto mais tempo dedicado às atividade físidas, em especial as caminhadas, menor é o declínio cognitivo.

A FORÇA DOS EXERCÍCIOS

Boa parte dos problemas de saúde mental dos idosos é causada pela má saúde física. A troca de massa muscular por gordura, a tendeência ao sedentarismo e à hipertensão comprometem o desempenho cardiovascular, o que aumenta a possibilidade de microderrames e acidentes vasculares - sobretudo por causa do acúmulo de placas ateroscleróticas nas artérias, com o passar do tempo.

O exercício físico intenso também é um dos melhores estabilizadoresde humor que a neurociência moderna conhece. No final dos anos 90, a neurociência descobriu que a ação antidepressiva e estabelizadora do humor do exercício físico está relacionada a uma
ação surpreendente do corpo sobre o cérebro: a capacidade de fazer com que aumente a produção de neurônios novos no hipocampo e no sistema de recompensa.

Hoje se sabe que o hipocampo, conhecido por seu papel na formação de novas memórias, também atua como a origem de um sistema de alarme que nos lembra de tarefas a cumprir e gera a ansiedade que nos chama a atenção para os deveres. Como os neurônios no hipocampo novos têm ação inibitória, funcionam como um freio que mantém sob controle a percepção do stress e a resposta a ele. Disfunções nesse sistema, como a perda do controle inibitório interno do hipocampo, causam ansiedade e aumentam a resposta ao stress.

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Contar com maior quantidade de neurônios no hipocampo ANTES de ocorrerem situações estressantes também confere uma grande vantagem ao cérebro: ele responderá de forma mais adequada e saudável em situações de stress crônico. O aumento de células neurais a cada dia pode até dobrar se acrescentarmos o exercício físico à rotina.






POR QUE OS ESTRESSADOS VIVEM MENOS?


Não é novidade que o stress pode encurtar a vida de uma pessoa, mas só agora pesquisadores descobriram como isso acontece dentro das células. Cada cromossomo possui, em cada uma de suas extremidades, uma espécie de relógio do envelhecimento chamado telômero. Toda vez que a célula se divide, os telômeros são ligeiramente encurtados. No sistema imunológico, porém, uma enzima chamada telomerase preserva o tamanho dessas extruturas.


Cientistas da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriram que o cortisol, hormônio do stress, diminui a atividade da enzima telomerase, o que acaba causando a acaleração do envelhecimento das defesas imunológicas. Logo, o organismo fica mais suscetível a doenças infecciosas e tumores, por exemplo. O estudo foi publicado na revista Brain, Behavior and immunity.


(Da revista Mente & Cérebro - número 188)


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E ainda:
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</a>http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf0604200804.htm



Buster Martin, 101, muito vivo e ativo

TAI CHI E LONGEVIDADE - MESTRE TAOÍSTA DE 116 ANOS
http://www.youtube.com/watch?v=bQh3h5ILC1Q




BRASILEIRA DE 80 ANOS BRILHA NO LEVANTAMENTO DE PESO
http://esporte.uol.com.br/ultimas-noticias/2012/01/26/brasileira-de-83-anos-brilha-no-levantamento-de-peso-com-titulos-e-recordes-mundiais.htm

Malvina 80 anos, no campeonato de levantamento de peso
http://www.youtube.com/watch?v=lxKI2GFRwRE&feature=related




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Sábado, 13 de Setembro de 2008

O FUTURO NA VISÃO (EQM) DE HOWARD STORM

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Cada religião começa com revelações de Deus e, com o tempo, temos pervertido essas revelações e criado tradições reli­giosas para servir a nossos piores instintos. Deus nos deu uma revelação de Sua vontade ao afirmar o valor de cada indivíduo. Quando pervertemos a vontade de Deus cons­truindo tradições religiosas que depreciam outro povo, distorcemos terrivelmente a vontade do Criador de manei­ra a negar a vontade de Deus. Não há nada que façamos que O desagrade mais; este é o pecado imperdoável contra o Espírito Santo. Todos do céu se horrorizam quando os homens usam o nome de Deus para fazer mal uns aos ou­tros. É o nosso pior erro.

(...)


Explicaram-me que Deus estava muito infeliz com o rumo que a humanidade tomara e que interviria para mudar o mundo. Observava-nos afundar nas profundezas da depra­vação e da crueldade no próprio momento em que nos dava os instrumentos para tornar a Terra um lugar mais divino. Interferira muitas vezes antes; desta vez, porém, mudaria o curso dos eventos humanos. Quando Deus desvelara o pró­prio coração e a mente ao se fazer presente perante nós na pessoa de Jesus Cristo, o mundo era consumido pela tirania do Império Romano. O Espírito de Deus revelado em Jesus Cristo derrotara o Império Romano através do amor.


Todas as forças do mal que trabalham no coração huma­no frustraram o poder do Espírito de Cristo. Nós regredimos, repetidamente, à brutalidade do Império Romano — a não ser em um ponto: temos cada vez mais conhecimento dado por Deus, conhecimento esse que usamos para a destrui­ção. Deus inspira cada descoberta da ciência. Usamos essa inspiração para avançar em nossos meios destrutivos. Os imensos dons que Deus quer nos dar não serão concedidos até que sejamos amorosos o bastante para manejá-los.

Deus quer nos dar o poder de controlar a matéria e a energia com nossa mente, a capacidade de nos comunicarmos diretamen­te através de nossos pensamentos, de viajar pelo tempo e o espaço à vontade, de alcançar conhecimento pela contem­plação. O poder dessas dádivas está além de nossa mais desvairada imaginação, mas elas não serão nossas até que amadureçamos espiritualmente e possamos usar esses po­deres com amor e sabedoria.

Perguntei:

— Quando será?

Disseram que esse tempo está próximo. Ponderei que a humanidade não se tornara melhor com as lições das duas guerras e que estávamos prestes a ter uma terceira guerra mundial ainda pior.

Eles disseram:

— Não haverá mais guerras mundiais.

Retruquei:

— Existem muitas armas nucleares prontas para ser dis­paradas a qualquer minuto. Alguém, em algum lugar, vai apertar o botão e haverá uma guerra nuclear.

Responderam:



— Não, isso não vai acontecer. Deus não permitirá uma guerra nuclear.

—Deus estenderá a mão e agarrará os mísseis para im­pedi-los de explodir?

— Não. Deus porá um fim à Guerra Fria. Deus ama cada criatura e não permitirá que o mundo seja destruído pela insensatez humana.

— Como fará isso?

— Deus está mudando os corações das pessoas para o amor ao redor do mundo.

— A Guerra Fria não terá fim por uma centena de anos — insisti.

— A Guerra Fria terminará em dois anos.

Fui cético.
— O que virá a seguir?

— A humanidade está no início de uma grande trans­formação. Trata-se de uma revolução espiritual que afetará cada ser no mundo.

Perguntei como seria o mundo quando essa mudança tivesse lugar.

Fomos para um belo cenário natural arborizado. Não havia sinal de instrumentos feitos pelo homem. Disseram-me que aquele era o futuro e que estávamos num jardim do qual as pessoas cuidavam. Pessoas chegaram; elas conver­saram umas com as outras. Usavam roupas simples e ornamentos exóticos. Pareciam americanos nativos em seus tra­jes. Perguntei o que faziam. Cada qual passava a maior parte de seu tempo com as crianças, ensinando-as acerca do amor e das maravilhas do mundo natural. Não faziam distinção entre trabalho e diversão. Todos participavam da educação infantil, e ensinar era a atividade mais importante de suas vidas. As pessoas produziam alimento sentando-se perto das plantas e se comunicando com elas. Em poucos minu­tos podiam colher frutos e vegetais maduros. Imediatamente comiam o que produziam, sem cozinhar. As roupas eram fei­tas de fibras finamente tecidas. Havia muito pouco metal, a não ser o dos ornamentos.

Perguntei:

— Isto é o paraíso?

Eles riram e me disseram:



— Não é o paraíso; contudo, comparado ao mundo em que você vive, é um paraíso. Nesse mundo futuro, haverá enfermidades, mas o tratamento das doenças sempre será bem-sucedido. As pessoas se reunirão em torno daquele que necessitar de ajuda e, através da prece, do toque e da meditação, a moléstia será curada. Plantarão apenas alimento suficiente para suas necessidades. Coletivamente, todas as pessoas do mundo controlarão o tempo. O clima será regu­lado pela vontade coletiva da humanidade. As plantas se­rão amadas e cultivadas por indivíduos. Todos os animais viverão em harmonia com as pessoas. Haverá incontáveis comunidades por todo o mundo, e cada uma terá sua pró­pria identidade e cultura. Existirão muitos idiomas dife­rentes, porém todos serão capazes de se comunicar por te­lepatia. Não haverá nenhuma tecnologia, porque não serão necessários dispositivos: os humanos terão o poder de con­trolar a matéria e a energia. As pessoas ficarão dentro de suas comunidades, a menos que queiram experimentar a vida numa cultura que tenha música, vegetação ou investi­gação científica diferentes.


Nesse futuro que me foi mostrado, todos eram estudan­tes da natureza, que conheciam intimamente e com a qual podiam se comunicar, sabendo as sensações e a vibração de cada parte da criação. Pessoas exploravam o espaço exterior sem se mover um centímetro. Comunicavam-se telepaticamente com todos na Terra, e mantinham relacionamentos com seres inteligentes de outros mundos. Não havia viagens espaciais, porque não era preciso. As pessoas se postavam num lugar e compartilhavam experiências de vida através de galáxias. Valorizavam a experiência de vida que lhes fora dada nesse mundo, porque sabiam que era um dom precioso de Deus. Não mantinham posses. O bem-estar da comu­nidade media-se por sua saúde e crescimento espiritual. Quando alguém passava por atribulações, recebia apoio da comunidade. Se quisesse, um indivíduo poderia se tornar recluso por tanto tempo quanto precisasse. Quando uma pessoa se considerasse satisfeita por ter tido toda a expe­riência de vida de que precisava, a comunidade se reunia em torno dela. Faziam uma celebração enquanto tal pessoa jazia deitada e seu espírito se alçava ao céu — o que era causa de imenso regozijo. As pessoas nasciam, cresciam, aprendiam e morriam. Viviam para amar a Deus, amar umas às outras e a si próprios.

Fiquei intrigado, porque julgara que a ficção científica com a qual eu crescera já havia nos dado uma idéia aproximada do que seria o mundo futuro. O futuro que me mostravam era completamente diferente daquilo que eu esperava. As pessoas viviam com extrema simplicidade e harmonia. Não havia nenhuma privação. Todo mundo era feliz. Não exis­tia discórdia.

Perguntei:


— Quando isso ocorrerá?

— Em duzentos anos — disseram.

— Nem em duzentos mil anos — eu os contradisse. —As pessoas não estão prontas para algo assim.

Eles então me responderam:


— Este é o futuro que Deus quer para a humanidade, e acontecerá.
Este é o mundo que Deus criou para nele viver­mos; Deus criou os seres humanos para viver assim.

— Como irá acontecer? — perguntei.

— Deus está mudando o mundo agora. Deus quer uma conversão mundial. Cada pessoa será por Ele despertada a fim de que cumpra o destino para o qual foi criada. Os que aceitarem a vontade de Deus devem florescer, e os que ne­garem Seu amor devem perecer.

— Serão os Estados Unidos — perguntei — o líder do mundo nesta mudança?

— Foi dada aos Estados Unidos a oportunidade de ser o instrutor do mundo — mas muito se espera daqueles a quem muito se dá. Os Estados Unidos já receberam mais benesses do que qualquer outro país na história do mundo; mesmo assim, não é uma nação generosa com suas dádivas. Se os Estados Unidos continuarem a explorar o resto do mundo através do consumo ávido dos recursos mundiais, terão a bênção de Deus retirada. Entrarão em colapso econômico, o que resultará em caos civil. A natureza gananciosa do povo levará as pessoas a matar por uma latinha de gasolina. O planeta observará, horrorizado, o país ser destruído pelos conflitos. O resto do mundo não interferirá, porque foram vítimas dessa exploração. Darão as boas-vindas à aniquila­ção de um povo tão egoísta. Os Estados Unidos devem mudar imediatamente e ensinar ao mundo lições de bon­dade e de generosidade. Hoje em dia, os Estados Unidos são o principal exportador da guerra e da cultura da violên­cia para o mundo. Isso terá um fim, porque vocês têm as sementes de sua própria destruição dentro de si. Ou des­truirão a si mesmos, ou Deus porá um fim nisso, se não houver mudança.

— Os Estados Unidos têm condições de pacificar o mun­do. Com seu conhecimento nas áreas médica, agrícola, manufatureira e científica, a América poderia ensinar países menos afortunados a proporcionar a cada pessoa alimento, roupas, teto, cuidados médicos, educação e prosperidade econômica. Os Estados Unidos têm o poder de ajudar o mundo a ter acesso a água limpa, saneamento básico e hi­giene. Milhões de pessoas no mundo morrem por não ter coisas que nos Estados Unidos existem em abundância. Esta não é a vontade de Deus. Deus quer que vocês saibam que todos são irmãos; quer a mesma chance de satisfação para todos. Deus vê o povo dos Estados Unidos se tornar cada vez mais ganancioso, egocêntrico e negligente. Precisa ha­ver um retorno a Deus, ou o reinado dos Estados Unidos terminará.

Desde 1985, quando me contaram essas coisas sobre o futuro, a Guerra Fria terminou com pouco derramamento de sangue. Sinais de um grande despertar espiritual ocorre­ram em escala mundial. O interesse por Deus, religião, vida após a morte e espiritualidade pessoal mostra enorme cres­cimento. O egocentrismo da cultura americana não se alte­rou muito, o que é motivo de grave preocupação. Não sei se o país mais rico do mundo está condenado a perder a bên­ção de Deus, ou se o povo dos Estados Unidos irá se tornar a luz moral do mundo. Por quanto tempo Deus permitirá que a injustiça continue? O futuro jaz nas escolhas que fi­zermos com acerto, no momento presente. Deus está interfe­rindo de maneira direta nos acontecimentos humanos.


Do livro: “MINHA EXPERIÊNCIA DE QUASE MORTE”, Howard Storm, Editora ARX


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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

PROFECIAS HOPI

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Três grandes profecias Hopi: 1. Se escavarmos coisas preciosas da terra, estaremos atraindo o desastre; 2. Perto do dia da purificação, haverá teias de aranha de um lado a outro do céu; e, 3. Um recipiente de cinzas poderá um dia cair do céu, queimar a terra e agitar os oceanos.

http://cenainesquecivel.blogspot.com/2008/03/koyaanisqatsi-uma-vida-fora-do.html



Esperança Na Profecia Hopi



Pela Irmã Iniciada Susan Barney, San Jose, CA, EUA

Era ao cair da tarde quando Martin Gashweonoma, o Guardião da Profecia Hopi e Emory Holmes, o Curandeiro Hopi, subiram ao palanque. As suas faces eram brilhantes e redondas, com seus cabelos amarrados à moda tradicional, suas franjas formando uma janela para se enxergar o mundo. Eu tinha recebido informações sobre a Profecia Hopi e estava ansiosa para ouvi-lo.

Os Hopi são um povo antigo que vive nas planícies desérticas do nordeste de Arizona, pouco mudando em relação aos seus ancestrais de milhares de anos atrás. As suas profecias e seus ensinamentos foram transmitidos oralmente, de geração a geração, por milhares de anos. Eles também possuem duas tábuas de pedra que, de acordo com seus ensinamentos, foram transmitidas pelo Criador no alvorecer desta era. Martin Gashweonoma era o responsável pelas tábuas.

Os Hopi têm uma elevada reputação, tanto entre as outras tribos como entre os cientistas e os acadêmicos, pelos seus conhecimentos médicos, pela sua visão global, artes, artesanatos e práticas espirituais antigas, que eles ainda mantêm. Os seus povoados são considerados os mais antigos assentamentos do continente norte-americano. A sua sociedade, predominantemente agrária, cultiva grãos, milho, algodão e frutas como produtos primários, causando espanto aos cientistas modernos pela capacidade que os Hopi têm de obter um rendimento agrário tão elevado em um terreno tão árido. Os Hopi diriam que a sua habilidade de gerar abundância está relacionada diretamente com sua ligação no campo criativo com as forças invisíveis que mantém harmonia na natureza. E seus ensinamentos antigos indicam que tal comunhão vital irá desempenhar um papel chave na sobrevivência da raça humana.

A Hora da Purificação Se Aproxima

Martin e Emory subiram ao palanque e nos fitaram com expressões dolorosas em suas faces. Eu senti neles a inquietação e um sentimento de inutilidade sobre o impacto do discurso que iriam proferir. Martin começou a falar em sua língua Hopi nativa com a tradução de Emory: "Nós estamos indo de lugar em lugar, espalhando a profecia aos quatro cantos, tentando fazer com que as pessoas saibam, que compreendam. Mas elas fazem ouvidos moucos às palavras que temos de transmitir..."
Enquanto ouvia, imaginei que não seria improvável que as pessoas sentissem mal-estar devido à mensagem deles. Falavam de uma hora da purificação que se aproximava celeremente, trazendo consigo massivas mudanças na terra, deixando apenas um punhado de pessoas vivas. Eles nos aconselharam a armazenar alimentos não-perecíveis porque a fome era iminente e seria o único meio pelo qual poderíamos sobreviver. Eles nos disseram para que rezássemos em casa para que a Mãe Terra fosse mais complacente conosco. Salientaram que precisávamos unir como um só povo. E eles estenderam a esperança de que alguém, com um coração puro, viria nos salvar de alguma maneira.

As previsões das Profecias Hopi se estendem desde o início desta era até o seu fim, com uma vasta parte delas focada no final dos tempos. A freqüência do cumprimento das previsões sobre o final do mundo aumentou exponencialmente nos últimos 90 anos, trazendo-nos para as etapas finais, a hora da purificação. É nesse período que há um imperativo para que reconheçamos a futilidade da guerra e reconheçamos todas as raças e todas as cores como pertencendo a uma mesma família. É também uma hora de consertar os abusos da tecnologia e da industrialização, harmonizando-as novamente com a natureza e com a terra. Se nós não fizermos isso, Martin avisa que a Mãe Terra irá fazer por nós. "A Mãe Terra irá sobreviver com ou sem os de dois pés (humanos)."

"Quando os anciãos nos legaram estes ensinamentos, disseram que alguém, além dos mares, iria ouvir sobre os ensinamentos e viria a nós em nossa terra e falar as mesmas coisas, o mesmo conhecimento. Então saberemos que o que os anciãos falaram é Verdade."

(...)

Quatro Eras

Os Hopi falam de quatro eras evolutivas pelas quais os homens vêm passando. Em todas elas os humanos começaram com um equilíbrio perfeito com a Terra, o Criador e entre si. Mas ao fim de cada era, eles haviam dado as costas às leis da natureza e aos princípios espirituais. A primeira era foi destruída por terremotos, a segunda por gelos, no período glacial, e a terceira por uma inundação. Agora nos aproximamos do final de uma outra era com a terra longe de sua harmonia e as pessoas negligenciando os princípios espirituais.

Cada uma dessas três eras que passaram parece ser um período de provas pelo qual os humanos tinham de passar para que assimilassem o que tinham de aprender. Esta era atual, a quarta, é a última. De acordo com os Hopi, os maiores e os mais elevados poderes que temos serão despertos nesta nova era, à qual se referem como a era do humano.

Quatro Cores de Pessoas E Quatro Custódias

Em 1996, no Congresso Continental dos Índios, Lee Brown, um líder espiritual Nativo Americano, contou como os Hopi obtiveram tais tábuas e o compromisso que as acompanhou.

No início desta era, o Criador separou as pessoas em quatro cores e deu à cada raça um ensinamento primário. No final da era, as quatro raças devem voltar a se unir e compartilhar seus ensinamentos. "E quando vocês se reunirem novamente, irão compartilhar o que sabem para que possam viver em paz na Terra e para que surja uma grande civilização."
"Ele deu duas tábuas para cada raça e avisou para que não as desprezassem porque não apenas os seres humanos passariam por tempos difíceis, mas praticamente toda a Terra iria morrer. Assim, Ele deu a cada um de nós uma responsabilidade, o que chamamos de Custódia. Aos Índios, os peles-vermelhas, Ele deu a Custódia do Solo. Nossa missão era de aprender neste ciclo os ensinamentos do solo, sobre as plantas que crescem no solo, os alimentos que podem ser tomados e as ervas que detêm o poder da cura, para que quando nos reuníssemos com os outros irmãos, pudéssemos compartilhar este conhecimento com eles. Algo de bom era para acontecer no solo."

"Ao Sul, Ele deu ao povo de pele amarela a Custódia do Vento. Eles deveriam aprender sobre o céu e sobre a respiração, descobrindo como aproveitá-los para o nosso progresso espiritual. No fim, eles deveriam compartilhar tais descobertas com todos."

"Ao Oeste, Ele deu às pessoas de tez negra a custódia da Água. Estes deveriam aprender os ensinamentos da água, que é o principal elemento, o mais humilde e ao mesmo tempo o mais poderoso."

"Ao Norte, Ele conferiu ao povo de cor branca a Custódia do Fogo. Se prestarem atenção nas coisas que eles fazem, vocês irão encontrar a presença do fogo. O fogo consome e movimenta. E é por isso que foram os irmãos brancos que começaram a se movimentar sobre a face da Terra para que nos reuníssemos como uma grande família humana."
Os Hopi mantêm as tábuas em seu território onde recitam os seus ensinamentos por milhares de anos a seu povo. No entanto, foi apenas no século XX que a existência e a localização das outras tábuas foram esclarecidas. As tábuas do povo negro são mantidas pela Tribo Kukuyu, no pé do Monte Kenya. Os tibetanos mantém as tábuas do povo amarelo. Os Hopi acreditam que as tábuas do povo branco se encontram na Suíça. Interessante é notar que todas elas são guardadas por pessoas que moram nas montanhas.

Lee Brown explicou que, um dia, cientistas ocidentais chegaram a eles, pedindo para determinar a idade das tábuas. "Os cientistas vieram aos Hopi e disseram: ‘Queremos um fragmento das tábuas de pedra’. Eles justificaram o pedido, afirmando: ‘Queremos levar a um laboratório científico para determinar a idade das tábuas.’ Os Hopi replicaram: ‘Sabemos quantos anos elas têm.’ Mas os cientistas insistiram, ‘Nós queremos confirmar.’ Assim, os Hopi deixaram que levassem um pequeno fragmento, que foi submetido à datação de carbono-14. O resultado foi que as tábuas tinham entre 10 mil e 50 mil anos. Por isso, quando digo que ‘há milhares de anos existiam Nativos que falavam de tais coisas’, não há exagero, mas sim verdade nessas palavras. Eles passaram os ensinamentos aos seus filhos há milhares de anos, e seus filhos passaram aos seus, que passaram aos seus, que passaram aos seus. E eles falavam sobre o povo que viverá nesta era."

Três Tremores Anunciando O Final Dos Tempos E Suas Oportunidades Para A Paz

O maior problema que enfrentamos hoje é a falta de união entre os vários povos da Terra, que se recusam a se considerar irmãos entre si. Nós continuamos lutando para dominar o mundo. Por causa disso, entramos no que os Hopi se referem como final dos tempos, um tempo de três grandes tremores, cujo objetivo é nos despertar de nosso estupor. Muitas das profecias correlacionam este final dos tempos com a hora da purificação. Os dois primeiros tremores correspondem às duas Guerras Mundiais, e cada uma foi seguida por uma oportunidade de se alcançar a paz. Mas os anciãos sabiam que a era de paz não alvoreceria até que o ciclo da humanidade estivesse completado, com todas as quatro cores sentadas em torno do círculo, reconhecendo uns aos outros como irmãos e compartilhando a sabedoria de suas Custódias. Somente a partir desse acontecimento, a paz se instauraria na Terra.

Assim, quando foi criada a Liga das Nações após a Primeira Guerra Mundial e novamente quando a ONU foi fundada após a Segunda, os Hopi, juntamente com outros povos indígenas, bateram às portas de tais instituições, requisitando admissão. No entanto a permissão foi negada, garantindo que a paz não iria prevalecer.

As profecias afirmam que o tempo iria correr mais rápido se a paz não fosse alcançada após o segundo tremor. Homens iriam se transformar em mulheres e mulheres, em homens. A águia iria chegar à Lua. Os netos não iriam ter tempo para os seus avôs e os pais não iriam ter tempo aos filhos. Mas o sinal indicaria que o terceiro grande tremor chegaria, o ápice do final dos tempos, quando as pessoas fossem viver no céu. Isso significaria a chegada da hora da purificação.

Estamos Nos Aproximando Do Tremor Final

Assim, agora estamos nos aproximando do tremor final. Nesta hora, o Purificador irá aparecer do Leste. Quando as tábuas foram transmitidas, no início desta era, havia dois irmãos. O irmão mais velho partiu para o sol. Quando ele alcançasse o local onde o sol nasce, ele deveria tocar o chão com a sua fronte e esperar até um período de crises. Então ele seria chamado de volta pelo seu irmão mais novo. Ele é conhecido como o Purificador, Aquele que possui o conhecimento para nos ajudar a compreender como nos reunir novamente e derrotar aqueles que irão vir do Oeste trazendo consigo a Terceira Guerra Mundial. As suas profecias deixam claro que bastará este Ser para uma mudança completa. "Bastará apenas Aquele que possui um coração nobre e o caminho humilde."

Façam Suas Orações Em Casa

Em seu discurso, Lee Brown disse: "Se pudéssemos parar com os conflitos raciais e religiosos, nós não precisaríamos passar por este terceiro tremor. Os anciãos dizem que a chance de tal proeza ocorrer é mínima. A mim me parece também que é. Mas eles dizem que nós podemos "amortecer" o desastre, para que não tenha conseqüências tão terríveis. Como fazer isso? Através do compartilhar do ensinamento que irá nos reunir.

Dan Evehema, um dos anciãos Hopi que discursou para as Nações Unidas em 1992, concorda que a maioria dos Hopi espera uma transição turbulenta para a próxima era. No entanto, o grau da catástrofe será proporcional à iniqüidade que grassa entre as pessoas do mundo e ao equilíbrio da natureza. Seres humanos ainda podem reduzir a violência através de uma correção de seus tratos com relação à natureza e aos outros seres humanos.

Enquanto isso, Martin nos admoesta para que rezemos. "Para consertar as coisas, precisamos nos unir em nossas mentes e em nossos corações, através de orações. Por isso não se esqueçam de rezar em casa para que possamos eliminar alguns desses desastres que estão ocorrendo. Através de nossas orações, podemos ajudar a Mãe Natureza para que ela seja um pouco mais complacente conosco. Nós, como seres humanos, não somos perfeitos de forma alguma –cometemos erros durante algumas etapas de nossas vidas. Mas temos de continuar a rezar."

Em outro discurso de Martin, foi dito que "os terremotos são iminentes, mas não há nenhuma data certa para que ocorram. O grande terremoto que era para flagelar a Califórnia foi alterado, de certa forma, pelos tibetanos que ouviram falar do mesmo. Eles rezaram intensamente no local e ajudaram a diminuir a intensidade do terremoto que atingiu a Califórnia."

Essas palavras são interessantes, porque tanto o Dalai Lama como o Papa e a Mestra estiveram todos no Norte da Califórnia, dias ou semanas antes do terremoto de 1989. No caso da Mestra, o terremoto aconteceu meros vinte minutos após a Sua partida.

Como Microcosmos, Todos Somos Deus

Os Hopi acreditam que eles são um microcosmo do mundo e o nível de conflitos dentro de sua comunidade refletem a desarmonia na Terra e no Universo como um todo. Martin diz: "Até mesmo os anciãos se afastaram destes ensinamentos. Agora nós criamos caos." "Eu direi a vocês que, desde tempos remotos até agora, nós destroçamos as nossas intenções, destruímos o que tínhamos de fazer e o que deveríamos receber. Agora não nos amamos mais uns aos outros. Não nos preocupamos mais com o nosso vizinho."

Um dos meios para um microcosmo trazer mudança ao macrocosmo é mudar o microcosmo. Isto segue o princípio da holografia: o todo está contido em uma parte. Nós podemos mudar a Terra se pudermos reequilibrar as nossas comunidades. E nós também somos microcosmos, hologramas da Terra, tanto como indivíduos como uma comunidade de praticantes do Método Quan Yin. Nós podemos mudar os acontecimentos da Terra através da purificação de nós mesmos.

Quanto mais nos depurarmos através da meditação, através do perdão àqueles que nos feriram, através do amor àqueles que não nos amam, e enxergando Deus em cada aspecto da natureza, mais impacto receberá o planeta dos nossos atos.

O Povo Da Luz

Lee Brown afirmou, "Os Hopi em suas profecias dizem que haverá uma nova religião. Talvez seja uma verdadeira religião, trazendo a unidade, ou talvez não. Se ela não trouxer unidade, despontará uma segunda religião, e as pessoas desta religião serão conhecidas na linguagem Hopi como ‘o povo da luz ou da glória’. Nós estamos esperando há muito tempo por esse povo. Eles dizem que tal povo trará consigo um ensinamento que irá unir a Terra."

Ouvir e estudar a mensagem transmitida pela Profecia Hopi causou uma grande guinada em meus valores e nos meus pontos de vista. Eu reconheço que esta hora de purificação é uma preparação necessária tanto para a humanidade como para a Terra para que progridam mais um nível, adentrando na era da Terra humana. Minhas meditações adquiriram um novo significado e rezo agora para que eu, como microcosmo representando a desarmonia do todo, possa perdoar a todos aqueles que me feriram e possa vê-los como meus irmãos. Eu rezo para que as minhas ações possam ajudar a restaurar o equilíbrio na Terra ao invés de desequilibrá-la ainda mais. Rezo para que nós, os que andam sobre dois pés, abramos os nossos corações para que possamos ver a santidade permeando todas as coisas e para que possamos reconhecer que nós somos todos um. Acredito que as palavras da profecia Hopi, "façam as suas orações em casa", significam uma meditação em nome de Deus para que, destarte, possamos elevar as vibrações, não apenas as nossas, mas também as do planeta como um todo.


http://magazine.godsdirectcontact.net/portuguese/096/b-5.htm

Mais em:
http://midiaeprofecia.blogspot.com/search/label/Hopi

http://carolinecabus.vilabol.uol.com.br/translations/22022007.htm


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Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE IMORTALIDADE NA ÍNDIA

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Texto de Georg Feuerstein

Com a possível exceção dos pensadores profissionais — como, por exemplo, os sofistas gregos e os professores de filosofia das universidades modernas, para os quais o pensar constitui um meio de vida — as pessoas inclinadas à reflexão em todas as culturas e em todos os períodos têm sido sempre incitadas a pensar ao refletirem sobre a sua própria finitude. Isto fica bem ilustrado nos hinos dos antigos Vedas. As visões inspiradas pelo soma e os vôos metafísicos daqueles que compuseram esses hinos nos revelam uma cultura terra-a-terra, porém não grosseiramente materialista. Mesmo quando o povo védico orava pedindo mais chuva, mais gado ou vitória sobre o inimigo, eles jamais perdiam de vista as forças invisíveis que, segundo acreditavam, influenciavam ou guiavam o seu destino. Eles acreditavam e conversavam com deuses, espíritos dos ancestrais, demônios, gnomos, elfos e uma multidão de outras criaturas que o pensamento científico desalojou.


Acima de tudo, os indianos primitivos acreditavam que depois de uma vida longa, próspera e feliz sobre a terra eles podiam esperar uma vida futura igualmente feliz. Não punham em dúvida, nem por um momento, que a morte é apenas uma transição e não um fim. Para eles, se a vida terrena de um indivíduo foi justa e nobre, seu estado após a morte seria um mundo onde o leite e o mel fluiriam em abundância. Aos malfeitores, entretanto, pressagiava-se um mer­gulho na escuridão insondável.


As almas mais sensíveis e amadurecidas, capazes de compreender que até mesmo a mais maravilhosa das vidas sobre a terra é desfigurada por mudanças e pela morte, traduziam na forma de um impulso espiritual mais elevado seu desejo de escapar das garras da morte: Elas oravam e se preparavam para obter a imortalidade num domínio que ficava além até mesmo do paraíso celeste, onde o indivíduo razoavelmente devoto esperava reunir-se com sua família e com seus amigos. Elas desejavam compartilhar a imortalidade dos próprios deuses desencarnados.


Temos aqui a semente da noção hindu posterior de que a essência da personalidade humana transcende e se identifica perfeitamente como próprio fundamento do universo, como está formulado nos Upanishades: aham brahma asma ("Eu sou o Absoluto"), tat tvam ase ("Isto é você"), sarvam idam brahma ("Tudo isto é o Absoluto"). São estas as grandes formulações dos sábios upanishádicos. O Self transcendental (atman), que é o âmago subjetivo da personalidade humana, é imortal, eterno. É co-essencial com o núcleo mais profundo, ou dimensão suprema, do universo objetivo, conhecido como brahman. Tudo o que se pode dizer sobre o Absoluto é que ele existe, é singular supremamente consciente (e não destituído de percepção) e absolutamente bem-aventurado. Por isso, os sábios upanishádicos referem-se a ele como Ser-Consciência-Beatitude (sat-cit-ananda).


Qual é a relação entre essa Singularidade transcendental e o mundo do espaço-tempo, que é um teatro de sujeitos e objetos? Os sábios hindus refletiram profundamente sobre esta questão e chegaram a diferentes respostas, o que demonstra sua engenhosidade filosófica. As autoridades nos Upanishades mais antigos ainda consideravam o mundo como emanação do Ser Único, embora sugerissem diferentes versões dessa crença. Pensadores que vieram mais tarde, notavelmente o célebre proponente do não-dualismo vedanta, Shankara (79 d.C- 820 d.C.), tenderam para uma concepção mais sofisticada, que considera o mundo como um produto da ignorância espiritual (avidya), sem ser inteiramente ilusório. Algumas autoridades, como o autor que compôs Ioga-Vasishtlit do décimo século, assumiram uma posição ainda mais radical, sugerindo que mundo dos fenômenos é uma perfeita alucinação e que só existe o supremo Ser-Consciência. A mesma concepção idealista é compartilhada por alguma escolas do budismo Mahayana.


É importante compreender que essas formulações metafísicas não são meras especulações ou produto de conhecimentos livrescos. Elas se baseavam antes de mais nada, em efetivas realizações yogues. Mais do que discursos filosóficos, os Upanishades eram testemunhos das experiências místicas de centenas de sábios e de adeptos da ioga. Eles não se contentavam com a mera crença numa vida após a morte nem com pias esperanças numa imortalidade futura. O que buscavam era descobrir a imortalidade durante o próprio transcurso da vida. Para eles, liberdade não era apenas um slogan, nem tinha as estreitas conotações políticas que tende a possuir hoje. Liberdade significava ser radicalmente livre, em espírito.


Os yogues não esperavam libertar-se da escravidão política, nem do jugo das necessidades econômicas, mas sim das cadeias de seu próprio condicionamento psicomental. Quaisquer que fossem as circunstâncias com que se defrontassem, pretendiam permanecer alheios ao medo — até mesmo um estado de beatífica felicidade — e completamente despreocupados quanto ao seu passado, ao seu presente e ao seu futuro. Em sua busca da liberdade e da imortalidade eles exploraram uma grande variedade de meios — ascetismo severo (tapas) renúncia absoluta (vairagya) e as disciplinas mais completas da meditação e de êxtase que se acham no cerne daquilo que veio a ser conhecido como ioga. Grande avanço ocorreu, entretanto, quando descobriram que, para adquirir imortalidade, não se fazia necessário perder o corpo, mas que se poderia alcançar a perfeita liberdade espiritual mesmo permanecendo em forma encarnada. Desse modo, nasceu o ideal da "libertação em vida" (jivan-mukti), que tem coexistido desde essa época com o ideal mais antigo da "libertação desencarna da" (videha-mukti).


Pela sua significação para a humanidade, essa descoberta é mais importante que a invenção da roda, que a invenção da agricultura ou que a domesticação dos animais — muito embora a maior parte da humanidade continue completamente inconsciente dessa descoberta. E, assim, os grandes adeptos e sábios do hinduísmo e de outras tradições religioso-espirituais permanecem ignorados.


Por que é tão significativa a descoberta da libertação em vida? Porque, uma vez plenamente compreendidas as suas implicações, ela nos liberta da necessidade da busca religioso-moral por uma futura vida paradisíaca, assim como da busca de uma realização nos domínios condicionados da experiência. Ao mesmo tempo, ela nos liberta para uma atitude mais realista que idealista com relação à vida. Como assim? Os atores que levam seus papéis teatrais para fora do palco estão tendo sérios problemas psicológicos. Não obstante, essa situação retrata a nossa condição habitual: geralmente esquecemos que nossos papéis como parceiros num casamento, pais, donos de casa, responsáveis pelo sustento da família, motoristas de automóveis, contribuintes, bons cidadãos, e assim por diante, não nos definem exaustivamente. Pelo contrário: geralmente nos comportamos como se esses diversos papéis fossem nossas próprias células vivas, como se, sem eles, ficássemos reduzidos a nada. Estamos esmagados pelo fardo dessa noção errônea; no entanto, nem sequer sabemos que há uma alternativa.


Todavia, quando compreendemos que não somos idênticos a nenhum dos papéis que, com tanta habilidade, desempenhamos no decorrer de nossas existências convencionais, também deixamos de sofrer as limitações de nossos papéis múltiplos e, com freqüência, complexos. De repente, nos encontramos numa relação livre com relação a eles, capazes de responder ao jogo social que se desenrola à nossa volta sem sermos tragados ou diminuídos por ele. Somos "donos de nós mesmos", tendo conquistado uma autonomia alicerçada no reconhecimento da primazia da Consciência imortal (cit). Esse reconhecimento leva a uma crescente certeza que culmina no processo de autotranscendência extática permanente, conhecida como libertação ou iluminação plena.


O ser iluminado não busca realizar-se em e por intermédio de um papel qualquer, que "ele" pode temporariamente desempenhar, pois já é bem-aventu­rado e imortal. Esse ser não tem medo da morte e, por conseguinte, não precisa das incontáveis "buscas de visão" por meio das quais o indivíduo não-iluminado tenta afirmar sua própria existência e ludibriar a lei cósmica da entropia. O ser iluminado está, por certo, consciente de que o corpo-mente, o organismo psicobiológico como qual acontece de ele estar misteriosamente associado (pelo menos da perspectiva da não-iluminação), terá inevitavelmente de envelhecer e de morrer. Mas esse destino temível não desconcerta nem perturba o ser iluminado, pois "ele" também sabe que a mesma Consciência-Identidade per­manece para sempre, pouco importando que o corpo-mente, ou até mesmo todo o universo, venha a ser aniquilado. Na iluminação, não há a ilusão da proprie­dade. Adaptando a bem conhecida frase de E. F. Schumacher: na economia da iluminação, o infinito é belo.




Nos Upanishades e nas obras posteriores do Vedanta, a Realidade transcendental é, com freqüência, caracterizada como a eterna "Testemunha". É a observadora suprema dos conteúdos de consciência — os fugazes estados da mente, o torvelinho contínuo das sensações, emoções, fragmentos de pensamen­tos, pressentimentos, insights, desejos, atitudes, e assim por diante. Em Yoga: Immortality and Freedom, o falecido Mircea Eliade, talvez o maior historiador da religião de nosso século, observou:

É impossível... negligenciar uma das maiores descobertas da índia: a da consciência como testemunha, da consciência liberta de suas estruturas psicofísiológicas e de seu condicionamento temporal, a consciência do homem "liberado", a consciência de si mesmo, isto é, daquele que conseguiu emancipar-se da temporalidade e que, conseqüentemente, conhece a verdadeira, a inexprimível liberdade.


A noção de Testemunha transcendental constituiu, de fato, uma importante inovação conceituai. Essa noção se acha na origem de toda a tradição ascética do hinduísmo. Não obstante, revelou-se uma espada de dois gumes. Ela desfe­chou um golpe por um lado, no idealismo materialista convencional, que projeta o sujeito empírico, ou ego, em dimensões onde não há lugar para ele. Dessa maneira, ela solapou efetivamente o ideal arcaico de imortalidade em algum Elísio post-mortem na deleitosa companhia dos deuses. Por outro lado, entre­tanto, ela tendeu a podar a vida convencional, considerada como não tendo nada a ver com a Testemunha — pois a recomendação dos videntes upanishádicos — realizar a Auto-Identidade transcendental para além de todos os papéis —envolve uma progressiva rejeição de tudo aquilo que geralmente se considera como fazendo parte da existência humana normal: família, vida social, trabalho e, finalmente, o próprio corpo-mente. Quando interrogados sobre a natureza do Self, os sábios upanishádicos respondiam "Neli, neti" ("Não assim, não assim"). Esperava-se que aquele que exercitasse a prática espiritual aplicasse essa sabedoria à vida cotidiana que, segundo se supunha, devia ser simples e contemplativa. A tradição de renúncia (samnyasa, tyaga) é característica dessa atitude de negação.


Desse modo, o ideal de libertação em vida (jivan-mukti) representou um importante passo na evolução espiritual da humanidade. Não foi, entretanto, um passo suficientemente largo. Muito embora as pessoas pudessem dedicar-se a alcançar a iluminação durante a sua vida, ainda mantinham um relacionamento problemático com a encarnação. Para elas, o corpo-mente e o mundo em geral eram algo que devia ser deixado para trás, pelo menos emocionalmente. O preceito-chave era a dissociação. O resultado é que eles não escapavam inteira­mente da atração da primitiva noção arcaica de imortalidade. Embora a imortalidade já não fosse considerada como um objetivo na vida futura, ela ainda implicava uma forma de morte. O aspirante à espiritualidade tinha de retrair - se voluntariamente do mundo e de seu próprio corpo-mente até que o glorioso momento da iluminação fosse atingido. O adepto precisava morrer uma morte metafórica, que envolvesse um enfraquecimento interior das ligações com o mundo. Posteriormente, a partir da Auto-realização, o indivíduo poderia voltar para o mundo para viver nele mas não para ser dele — à maneira do lótus proverbial, que flutua sobre a água lamacenta.


Essa tradição tornou-se o estilo que as nossas mentes associam à espiritualidade da índia. Foi, de fato, a tradição que dominou durante séculos as culturas indiana e budista. As pessoas raramente se dão conta de que ela não constitui a flor suprema da herança espiritual da índia. A genialidade indiana, e também a budista, reconheceu a limitação inerente ao ideal da Testemunha transcendental — reconhecimento que se expressou como urna reavaliação total da dimensão física da existência no grande movimento espiritual (infelizmente muito caluniado) conhecido como tantrismo.


No âmago do tantrismo, temos a equação samsara = nirvana, a qual significa que o mundo condicionado do espaço-tempo é co-essencial — isto é, coexiste com — a dimensão não-condicionada da existência, que transcende o mundo espaço-temporal. Como, para a maioria das pessoas, isto tem tão pouco sentido quanto a famosa fórmula de Einstein E = mc2, faz-se necessária uma breve explicação. Samsara é o mundo das mudanças, tal como o percebemos através dos nossos sentidos. Segundo os adeptos do tantrismo, este mundo finito é apenas o aspecto mais externo de um campo infinitamente complexo. Desse modo, identificar-se apenas com o aspecto mais externo desse campo constitui a "ignorância" (avidya) que nos mantêm presos ao sofrimento inerente à limitação. No entanto, através de meios iogues é possível identificar-se com o campo cósmico total. Do ponto de vista da consciência não-iluminada, esse campo total fica além do mundo conhecido e cognoscível. Os mestres tântricos descobriram porém que esse campo é tudo o que existe: Por conseguinte, ele não fica realmente além dos mundos das mudanças. Ele é, em vez disso, subjacente à existência condicionada e, em última análise, não difere da mesma.


Este insight tem profundas implicações para nossa condição humana, como bem compreenderam os adeptos do tantrismo. Eles chegaram, assim, a considerar o corpo, e a existência corpórea em geral, como o "templo do Divino". O corpo deixou de ser encarado como um "mal-cheiroso saco de pele". A encarnação passou, em vez disso, a ser vista como uma oportunidade única de realizar o potencial do corpo — o potencial da divindade.


Esta nova atitude está vigorosamente expressa no Kularnava-Tantra, importante obra do tantrismo indiano, da seguinte maneira:
Sem o corpo, como pode a [suprema] meta humana ser realizada? Tendo, por conseguinte, adquirido uma moradia corporal, o indivíduo deveria levara cabo ações meritórias (punya).


Entre os 840.000 [tipos de] corpos de seres encarnados, o conhecimento da Realidade não pode ser adquirido a não ser por intermédio de um [corpo] humano.


Os mestres tântricos aspiravam a criar um corpo transubstanciado, que eles denominavam corpo adamantino (vajra) ou corpo divino (daiva) — um corpo que não é feito de carne, mas sim de substância imortal, de Luz. Em vez de considerar o corpo como um "tubo de carne" condenado a se tomar uma presa da doença e da morte, eles o consideravam como lugar de moradia para o Divino, e como a caldeira para o processo alquímico da perfeição espiritual. Para eles, a iluminação era um acontecimento que implicava todo o corpo. A encarnação de um mestre iluminado é apenas aparente. Seu corpo é na realidade, o corpo de tudo; por isso, ele pode assumir a forma que quiser. O adepto tântrico (siddha) possui um corpo transubstanciado e dotado de grandes poderes paranormais (siddhi). Em conseqüência disso, ao longo de toda a história da índia, os adeptos do espiritual têm sido celebrados e temidos como grandes magos.


O elemento mágico do tantrismo assumiu uma posição relevante na tradição do cultivo do corpo (kaya-sadhana), notavelmente nas escolas de hatha ioga, que são produtos do século X d.C. Provenientes sobretudo das camada sociais iletradas da sociedade indiana, os hatha iogues tenderam, com freqüência, a interpretar erroneamente os ensinamentos positivos do tantrismo com relação ao corpo. Em vez de se darem conta de que o corpo físico não pode sobreviver indefinidamente, e que o corpo tântrico imortal pertence a uma ordem mais espiritual do que material, eles levaram muito longe suas tentativo de imortalizar suas formas mortais. Inventaram, assim, uma série impressionante de técnicas para controlar as funções do corpo — desde práticas que efetivamente, interrompem a respiração até métodos para impedir a descarga seminal. Na hatha ioga, sob seu aspecto mais grosseiro, temos a antiga esperança védica de imortalidade transferida para o nível físico.


Sempre defendi a hatha ioga contra os preconceitos intelectuais, mas acredito que, não obstante, é verdade que o ideal de imortalidade do corpo não passa de um sonho impraticável — um sonho que, na realidade, pode se tornar perigoso para o sonhador. As lendas de Babaji, o mestre imortal do Himalaia são apenas isso: lendas. Não estou com isso negando a possibilidade de existirem adeptos de extraordinária longevidade. Aliás, eu escrevi uma introdução para uma biografia de um deles: Tapasviji Maharaj, cuja vida está tão bem documentada quanto é possível esperar-se na cultura indiana , via de regra tão indiferente ao tempo. Podemos aprender alguma coisa com esses ascetas excepcionais -por exemplo, que, tal como nós, eles estão destinados a morrer. Nenhuma ideologia e nenhuma tecnologia poderão impedir esse destino. Tudo o que nasce deve morrer. Mais precisamente, tudo aquilo que experimenta a si mesmo como nascido (isto é, o ego-self) deve morrer. Por conseguinte, afirma-se tradicionalmente que o Self transcendental "imorredouro" (anrita), é "não nascido" (aja).



Nossa cultura moderna é propensa a se deixar fascinar por indivíduo macróbios como Tapasviji Maharaj ou Shivapuri Baba, e pelo ideal de imortalidade física. A emergente disciplina médica da engenharia genética é nos resposta profana contemporânea ao antigo método da kaya-kalpa ("modelage do corpo"), uma maneira naturopática de rejuvenescimento do corpo graças jejum prolongado, à meditação e a remédios extraídos de ervas especiais. Pois em última análise, o que pretendem conseguir os engenheiros genéticos a não ser o prolongamento da vida? Embora possam se mostrar bem-sucedido em acrescentar alguns anos, e talvez até mais bem-estar às nossas vidas, não lhes será possível ensinar lições espirituais que cada pessoa deve aprender por mesma. E essas lições estarão, no futuro, tal como o estão agora, vinculadas fato inevitável de que a existência física é finita, muito finita, e que para conferir à vida um significado profundo e duradouro devemos incluir em seu âmbito a gloriosa dimensão daquilo que os antigos sábios e místicos da índia chamaram de Ser-Consciência-Beatitude.


Nós nos encontramos hoje em meio a uma radical transição cultural. Como audaciosamente declarou, há um século, Friedrich Nietzsche, o paternal Deus-Criador de nossos antepassados morreu para a maioria de nós. Já não acredita­mos no paraíso e na ressurreição da carne. Continuamos, porém, a lamentar essa perda, e estamos certamente perplexos. Alguns de nós se tomaram receptivos a uma nova possibilidade — uma possibilidade há muito tempo concebida em solo indiano, isto é, a de que a Realidade é imanente e transcendente e que podemos descobrir esta verdade num nível existencial e não apenas intelectual, exatamente porque ela é nós.


É claro que a mente racional se espanta com tudo isto. É assim que deve ser, pois a dúvida é o território da razão. Mas há também o coração, que se regozija com tal possibilidade. Juntos, cabeça e coração irão nos ajudarem nossa busca espiritual. Podemos nos sentir livres para ouvir os sussurros da imortali­dade.
Fonte: EXPLORAÇÕES CONTEMPORÂNEAS DA VIDA DEPOIS DA MORTE, organizado por Gary Doore
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

A ABORDAGEM PRAGMÁTICA DA VERDADE ESPIRITUAL / "A NECESSIDADE DA APOSTA"

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A ABORDAGEM EXPERIMENTAL DA VERDADE ESPIRITUAL


A atitude que estivemos discutindo poderia ser denominada abordagem “experimental” da verdade espiritual. (William James a chamou de abordagem "pragmática".) Observe-se que designá-la como "abordagem" implica que ainda não se conhece a verdade, mas que se está procurando descobri-la, ou pelo menos chegar mais perto dela.

Este ponto de vista está, por certo, muito distante da posição dogmática muitas vezes assumida pelas religiões institucionalizadas. Não obstante, ela não é inteiramente estranha a todas as grandes tradições espirituais do mundo. Pode ser encontrada, por exemplo, nos Sutras Iogues de Patanjali e nas escrituras do budismo primitivo. Na verdade, Buda insistia para que seus seguidores exami­nassem e testassem na prática as doutrinas por ele ensinadas, e que rejeitassem aquelas que achassem pouco razoáveis ou pessoalmente inaproveitáveis. O Kalama Sutra deixa isso bem claro:


Não acreditem na força das tradições, mesmo que tenham sido respeitadas durante muitas gerações e em muitos lugares; não acreditem em alguma coisa somente porque muita gente fala dela; não acreditem no poder dos sábios de antigos tempos; não acreditem que aquilo que vocês mesmos imaginaram foi um deus que os inspirou. Não acreditem em nada que dependa somente da autoridade de seus mestres e sacerdotes. Tendo investigado, acreditem naquilo que vocês mesmos testaram e acharam razoável, e que é para o seu bem e o de outros.


Nesta declaração, vemos claramente expressa a atitude "experimental" com relação à verdade espiritual. Aqui, Buda recomenda aos seus seguidores que acreditem, "depois de ter investigado", somente naquilo que eles próprios "testaram" (isto é, por meio de experimentação pessoal), e "acharam razoável", e que é "para o seu bem e o de outros". Dessa maneira, incita-os a não somente consideraras evidências da verdade de suas doutrinas (embora isto, com toda a certeza, esteja incluído naquilo que eles devem considerar), mas também a pesar as conseqüências práticas de crer nessas doutrinas.

Esse conselho é igualmente válido quando aplicado à questão de estarmos ou não justificados quando acreditamos numa vida depois da morte. Se as provas a favor ou contra a hipótese não são realmente conclusivas; se devemos, por conseguinte, decidir entre acreditar ou não acreditar, baseando-nos nas conse­qüências de nossa crença ou descrença*; e se o fato de acreditarmos nos torna mais fortes, mais corajosos, mais tolerantes e pacientes diante das dificuldades e dos reveses, menos propensos a nos sentirmos derrotados e desamparados do que estaríamos se tivéssemos adotado o agnosticismo ou o materialismo — então estes são legítimos fundamentos para optarmos por defender a fé como hipótese de trabalho; será baseando-nos nesta hipótese que haveremos de viver e de seguir uma disciplina espiritual: será graças a essa disciplina que podere­mos, eventualmente, chegar ao tipo de "evidência contemplativa" direta a que se refere Ken Wilber, e que nos trará a certeza final.

Como assinalou o filósofo William James em seu ensaio "The Will to Believe" ["A Vontade de Acreditar"], para estabelecer uma relação de amizade com uma outra pessoa, devemos, antes de mais nada confiar nessa pessoa mais do que nos poderia garantir qualquer prova que possamos ter de sua credibili­dade. Pois sem esse ato preliminar de confiança, a relação jamais se estabelecerá, e, por conseguinte, nunca teremos a oportunidade de conseguir provas num sentido ou no outro.

Da mesma forma, para testar a hipótese da sobrevivência, e verificar se ela traz benefícios para as nossas vidas devemos, primeiro, "confiar no universo", por assim dizer, o que significa confiar no fato de que o universo é basicamente bom; que ele é, na verdade, uma arena destinada ao desdobramento da consciência e do espírito; que ele é um lugar no qual nossos esforços morais e espirituais não são inúteis pois o resultado deles — o crescimento de nossa alma em virtude e sabedoria — prossegue para além da morte do habitáculo físico temporário da alma. Sem essa confiança preliminar, jamais teremos o incentivo e a energia necessários para empreender a disciplina espiritual indispensável para podermos verificar contemplativamente a imortalidade da alma de uma maneira pessoalmente convincente.




*Sobre isto temos mais alguma coisa em:


http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080304050722AASS2Iz

http://alainet.org/active/14311&lang=es

São 2 textos sobre a necessidade da aposta de Blaise Pascal

e

http://www.teoriadacomplexidade.com.br/textos/teoriadacomplexidade/
www.teoriadacomplexidade.com.br/textos/teoriadacomplexidade/Complexidade-e-a-Acao.pdf

“A Complexidade e a Ação” de Edgard Morin
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publicado por conspiratio às 20:57
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

A LUTA COTIDIANA NOS ENVELHECE INTERIORMENTE - KRISHNAMURTI

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A ALEGRIA DE VIVER



Já alguma vez cogitasses no por que muitas pessoas, ao se tornarem mais velhas, parecem perder toda a alegria de viver? No momento, a maioria de vós, que sois jovens, é relativamente feliz; tendes vossos pequenos problemas, vossas preocupações sobre os exames, mas, apesar dessas perturbações, há, em vossa vida, uma verdade? Há uma espontânea e natural aceitação da vida, uma visão das coisas despreocupada e feliz.

Mas, por que razão, ao nos tornarmos mais velhos, parecemos perder aquele ditoso pressentimento de algo transcendental, algo de mais significativo? Por que tantos de nós, ao alcançarmos a chamada maturidade, nos tornamos embotados, insensíveis à alegria, à beleza, ao céu sereno e às maravilhas da terra?

Quando uma pessoa faz a si própria esta pergunta, muitas explicações acodem-lhe ao espírito. Ternos muito interesse em nós mesmos - esta é uma delas. Lutamos para nos tornarmos alguém, para alcançarmos e conservarmos uma certa posição; temos filhos e outras responsabilidades, e ternos de ganhar dinheiro. Todas essas coisas que se agitam em nosso interior não tardam a deprimir-nos, e perdemos assim a alegria de viver. Vede os rostos dos mais velhos, de vosso círculo de conhecimentos, tristes que são, em maioria, e gastos, adoentados, reservados, alheados, não raro neuróticos, sem um sorriso. Não perguntais a vós mesmos por que são assim? E mesmo quando indagamos o porquê disso, a maioria de nós parece satisfazer-se com meras explicações.

Ontem de tarde vi um barco que subia o rio, de velas pandas, impelido pelo vento oeste. Era um barco grande e transportava pesada carga de lenha destinada à cidade. O sol se punha e a embarcação, desenhada contra o céu, mostrava singular beleza. O barqueiro só tinha de guiá-la; nenhum esforço era necessário, pois o vento fazia todo o trabalho. Analogamente, se cada um de nós compreendesse o problema da luta e do conflito, penso que poderíamos viver sem esforço, felizes, de rosto sorridente.

Para mim, é o esforço que nos destrói, esse lutar em que despendemos quase todos os momentos de nossa vida, Se observardes, ao redor de vós, as pessoas mais velhas, podereis ver que para quase todos a vida é uma série de batalhas consigo mesmos, com suas mulheres ou maridos, com seu próximo, com a sociedade; e essa luta incessante dissipa energia. O homem que vive alegre, verdadeiramente feliz, está livre de todo esforço. Viver sem esforço não significa tornar-se estagnado, embotado, estúpido; ao contrário, só os homens sensatos, altamente inteligentes, estão verdadeiramente livres do esforço e da luta.

Mas, quando ouvimos falar em viver sem esforço, queremos viver assim, desejamos alcançar um estado em que não haja luta nem conflito; tornamo-lo, pois, esse estado, nosso alvo, nosso ideal, e por ele lutamos; e desde esse momento perdemos a alegria de viver. Estamos de novo empenhados em esforço, luta. O objeto da luta varia, mas toda luta é essencialmente a mesma. Um luta pela promoção de reformas sociais, ou para achar Deus, ou para criar melhores relações no lar ou com o próximo; outro senta-se à margem do Ganges ou se prostra devotamente aos pés de um guru - etc. etc. Tudo isso representa esforço, luta. O importante, por conseguinte, não é o objeto da luta, porém, sim, compreender a própria luta.

Ora, é possível a mente não apenas perceber ocasionalmente que não está a lutar, porém estar a todas as horas completamente livre de esforço, de modo que possa descobrir um estado de alegria em que não haja nenhuma idéia de superioridade e inferioridade?

O caso é que a mente se sente inferior e por esta razão luta para "vir a ser" alguma coisa, ou conciliar seus vários desejos contraditórios. Mas, não estejamos a dar explicações sobre por que a mente tanto luta. Todo homem que pensa sabe por que há luta, interior e exteriormente. Nossa inveja, avidez, ambição, nosso espírito de competição, que nos impele à mais impiedosa eficiência - são obviamente estes os fatores que nos fazem lutar, no mundo atual ou no mundo do futuro. Por tanto, não temos necessidade de estudar livros de psicologia para sabermos por que lutamos; e o que certamente, tem importância é que descubramos se a mente pode ficar totalmente livre de luta.

Afinal de contas, quando lutamos, o conflito é entre o que somos e o que deveríamos ou desejamos ser. Pois bem; sem se procurarem explicações, pode-se compreender todo esse processo de luta, de modo que ele termine? Como aquele barco levado pelo vento, pode a mente existir sem luta? A questão é esta, sem dúvida, é não como alcançar um estado em que não haja luta. O próprio esforço para alcançar tal estado é, em si, um processo de luta e, por conseguinte, aquele estado nunca pode ser alcançado. Mas, se observardes, momento por momento, como a mente se deixa colher nesse torvelinho de incessante luta - se observardes simplesmente o fato, sem tentar alterá-lo, sem impor à mente um certo estado que chamais "de paz" - vereis que, espontaneamente, a mente deixará de lutar; e nesse estado ela é capaz de aprender infinitamente. Aprender já não é, então, mero processo de acumular conhecimentos, porém de descobrimento de extraordinárias riquezas existentes além do alcance da mente; e para a mente que faz tal descobrimento, há grande alegria.

Observai a vós mesmo, para verdes como lutais da manhã à noite, e como vossa energia se dissipa nessa luta. Se tratardes apenas de explicar por que lutais, ficareis perdido numa floresta de explicações e a luta prosseguirá; mas se, ao contrário, observardes vossa mente, com serenidade e sem dardes explicações; se deixardes simplesmente que vossa mente esteja cônscia de sua própria luta, vereis que muito depressa surgirá um estado no qual nenhuma luta haverá, um estado de extraordinária vigilância. Nessa vigilância, não há idéia de "superior" e "inferior", não há homem importante nem homem insignificante, não há guru. Todos esses absurdos desapareceram, por que a mente está inteiramente desperta; e a mente de todo desperta está cheia de alegria...

...Afinal de contas, que é "contentamento" e o que é "descontentamento"? "Descontentamento" é a luta pela consecução de mais, e o "contentamento" a cessação dessa luta; mas, não se chega ao contentamento, se se não compreende todo o "processo" relativo ao mais, e por que razão a mente o exige.

Se sois mal sucedido num exame, por exemplo, tereis de repeti-lo, não é verdade? Os exames, em qualquer circunstância, são uma coisa sumamente deplorável, porquanto nada representam de significativo, já que não revelaria o verdadeiro valor de vossa inteligência. Passar num exame é, em grande parte, um "golpe" de memória ou, também, de sorte; mas, vós lutais para passardes em vossos exames e, quando sois mal sucedidos, perseverais nessa luta. O mesmo "processo" se verifica diariamente, na vida da maioria de nós. Estamos lutando por alguma coisa e nunca nos detivemos para investigar se essa coisa é digna de lutarmos por ela. Nunca perguntamos a nós mesmos se ela merece nossos esforços e, portanto, ainda não descobrimos que não os merece e que devemos contrariar a opinião de nossos pais, da sociedade, de todos os mestres e gurus. É só quando temos compreendido inteiramente o significado do mais, que deixamos de pensar em termos de fracasso e de êxito.

Temos sempre medo de falhar, de cometer erros, não só nos exames, mas também na vida. Cometer um erro é coisa terrível, porque seremos criticados, censurados, por causa dele. Mas, afinal, por que não se devem cometer erros? Toda gente, neste mundo, não vive cometendo erros? E o mundo sairia da horrível confusão em que se encontra, se vós e eu nunca cometêssemos um erro? Se tendes medo de cometer erros, nunca aprendereis coisa alguma. Os mais velhos estão continuamente cometendo erros, mas não querem que vós os cometais e, com isso vos sufocam toda a iniciativa. Por quê? Porque temem que, pelo observar e investigar todas as coisas, pelo experimentar e errar, acabeis descobrindo algo por vós mesmo e trateis de emancipar-vos da autoridade de vossos pais, da sociedade, da tradição. É por essa razão que vos acenam com o ideal do êxito; e o êxito, como deveis ter notado, sempre se traduz em termos de respeitabilidade. O próprio santo, em seus progressos para a chamada perfeição espiritual, tem de tornar-se respeitável, porque, do contrário, não encontrará "aceitação", não terá seguidores.

Estamos, pois, sempre pensando em termos de êxito, em termos de mais; e o mais é encarecido pela sociedade respeitável. Por outras palavras, a sociedade estabeleceu, com todo o esmero, um certo padrão, pelo qual mede o vosso sucesso ou o vosso insucesso. Mas, se amais uma coisa e a fazeis com todo o vosso ser, então já não vos importa o êxito nem o fracasso. Nenhum homem inteligente se importa com isso. Mas, infelizmente, são raros os homens inteligentes, e ninguém vos aponta essas coisas. Tudo o que importa ao homem inteligente é perceber os fatos e compreender o problema - e isso não significa pensar em termos de êxito ou de fracasso. Só quando não amamos o que fazemos, pensamos nesses termos.





Krishnamurti




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publicado por conspiratio às 19:33
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