Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

MEDITAÇÃO AJUDA A RELATIVIZAR O PROBLEMA

Ken O’Donnell Ensina a Vencer o Stress

Eu vejo uma mosca na parede. Se eu pego a mosca e coloco debaixo do microscópio, aumentando a resolução, aquela mosca se torna um monstro. Se eu deixo a mosca em seu contexto, na parede, ela é apenas uma mosca. Se eu tiro do contexto, e fico analisando, aquilo se transforma num grande problema. Nós fazemos isto o tempo todo...





Compreensão inclui duas coisas: deixar as coisas no seu contexto e criar uma perspectiva mais ampla. Para isso naturalmente a meditação ajuda. A meditação cria sempre uma sensação de ser um observador desapegado da vida, e da sua vida. A meditação amplia a sua perspectiva das coisas; você vê as coisas no contexto e diminui o tamanho dos problemas. Como diz o ditado - você torna montanhas em sementes de mostarda.

A essência da meditação é ir para dentro e acessar o que é necessário para você viver a sua vida. E para ajudar os outros também.

Se eu descubro minhas qualidades primárias inatas, poderei desenvolver como um artista, pintando os valores necessários. Por exemplo, Amor é uma qualidade primária. É a base. Paz. Felicidade. Poder. Pureza. A pureza essencial da criança que está dentro de nós. Eu completaria isso com Verdade. Todos nós temos uma noção, mesmo sem passar pelo raciocínio, do que é verdadeiro neste mundo.

As outras qualidades e valores vêm de combinações entre elas. Paciência, doçura, coragem. São milhões de combinações. Com a meditação desenvolvemos nossa capacidade extraordinariamente.


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publicado por conspiratio às 18:43
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

SHIRLEY MACLAINE E OS EXTRATERRESTRES

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Cena do filme “Minhas Vidas”





Quando Shirley escreveu o relato autobiográfico “Minhas Vidas” ("Out on a limb") não ousou revelar tudo desta história, por receio de ridicularizar sua imagem pública. Depois da aceitação e do sucesso do livro, ela revelou mais um pouco no filme “Minhas Vidas” (“Out on a Limb” 1987) e noutro livro, cujo nome não lembro.

Filme "Out on a limb" - 1987 :
http://uk.youtube.com/watch?v=UjBbLGvnl3E

http://uk.youtube.com/watch?v=ccb2GsnOoBM

http://uk.youtube.com/watch?v=7OumqsFl2Pw
http://video.google.com:80/videoplay?docid=-4226805324117547844&q=vida+ap%C3%B3s+a+morte+duration%3Along&total=8&start=0&num=10&so=0&type=search&plindex=3
Um trecho do livro:


David parecia mesmerizado pela estrada. Olhava fixamente para a frente, sem dizer nada. Mas virou-se abruptamente para mim.

— Há uma coisa que preciso lhe dizer, Shirl. A respeito de uma garota chamada Mayan.

— Claro. O que você quiser. Ele ficou em silêncio por um momento.

— Faça-me algumas perguntas, a fim de que eu possa chegar onde quero, está bem?

— Claro — respondi, gostando do jogo. — Vamos ver ... Teve um romance com ela?

— Tive... mas não foi o que você chamaria de uma ligação amorosa típica. Foi mais como uma ligação amorosa cósmica.
Ri interiormente, pensando que todas as paixões pareciam cós­micas quando se as estava tendo.

— Eis uma coisa que posso compreender, David. O que ela fazia? Tinha alguma profissão?

David acendeu um cigarro e abriu a janela para respirar reais fundo.

— Ela é geóloga. Esteve aqui em cima numa expedição mi­neira.

— Aqui em cima? Ahn... Então você teve o seu caso de
amor nos banhos sulfurosos e ao longo das margens do borbulhan­te Mantaro?

Compreendi como devia estar parecendo sarcástica- assim agira a fim de deixar David à vontade coma provocação. Ele não reagiu.

— Não foi bem assim. Eu estava aqui em cima corri dois ou­tros caras, sem fazer nada de específico, quando a conheci.

— Uma conquista na montanha? — especulei, indo longe demais.
Mas David ainda não reagiu.

— Não foi isso. Eu estava andando sozinho uma manhã quan­do ela apareceu, nesta mesma estrada, guiando um velho Pontiac. Ela parou e saltou. Assim que a contemplei, pensei que era a mu­lher mais linda que eu já vira. Ela parecia quase translúcida. A pele brilhava. Não notei o que ela vestia... jeans provavelmen­te... mas a maneira como se movimentava era fluida. E lembro que não consegui desviar os olhos de seu rosto. Não sei... Acho que o efeito foi global. Fiquei siderado... e me sentia perfeita e maravilhosamente sereno. Em paz.

Notei que o rosto de David relaxava enquanto ele descrevia seus sentimentos. Desvaneceu-se toda a tensão muscular que geral­mente era visível nele. David dava a impressão de que ficara ins­tantaneamente hipnotizado.

— E o que mais ela parecia, David?

— Era pequena... do tipo mignon, cabelos pretos compridos, a pele maravilhosa, alva e transparente, olhos muito escuros, quase amendoados. Mas não eram olhos orientais, apenas enviesados. Aproximou-se de mim, quase como se soubesse que me encontraria ali. Começamos a andar juntos. E o mais estranho de tudo, embora assim não parecesse na ocasião, é que não dissemos nada um ao outro. Era como se não precisássemos falar. Eu jamais experimen­tara nada parecido antes e não pensei muito a respeito. Quase que sentia que ela sabia o que eu estava pensando.
David parou de falar por um momento, recordando. E depois sacudiu a cabeça com as lembranças, continuando:

— Isso mesmo. Depois de algum tempo, pensei que deveria dizer alguma coisa. E perguntei o que ela estava fazendo aqui em cima. Ela respondeu que estava com a sua gente, efetuando estudos geológicos nas montanhas. Perguntei-lhe quem era a sua gente. Ela fa­lou que me diria mais tarde. Não me incomodei. Perguntei de onde ela era. Ela disse que também me contaria mais tarde. E não lhe perguntei mais nada. Ela começou então a me interrogar sobre mim mesmo. Mas, por alguma razão que não posso explicar senti que não havia necessidade que ela fizesse isso.

— Como assim? — indaguei, sentindo que David estava em algum outro mundo, enquanto recordava o seu encontro extraor­dinário.
Ele hesitou por um instante.

— Sabe esse sentimento que se tem às vezes, quando se en­contra uma pessoa desconhecida, que ela realmente a conhece e compreende? Pois era assim. Senti que ela parecia saber tudo a meu respeito e que estava apenas me dando tempo para me acostumar à idéia.
David olhava para a frente, pensando.

— E você, David? Também sentia que a conhecia? Pensei que ele fosse me dizer que sentira já tê-la conhecido em outra vida ou algo assim.

— Não, não foi bem assim. — David tomou a hesitar. —Continuamos a andar e logo ela se pôs a falar sobre uma porção de coisas... o mundo, governos, atitudes diferentes em países di­ferentes, Deus, línguas. Era tudo grego para mim. Eu não estava interessado por tais, coisas na ocasião.

— Quer dizer que foi há muito tempo?

— Isso mesmo, foi há muito tempo. Comecei a pensar que ela era alguma espécie de espiã internacional, só que não podia imaginar para quem. Falou sobre a energia negativa de alguns dos nossos líderes mundiais e como as pessoas precisavam acreditar em si mesmas, que o relacionamento mais importante era entre cada alma e Deus. Perguntei se ela era alguma espécie de maníaca de Jesus, alguma fanática religiosa. Ela disse que de certa forma era muito mais do que isso. Mas acrescentou que se realmente compreendêssemos o que Cristo falara ninguém faria tal comentário desdenhoso. Ela falava e falava. Jantamos e ela continuou a falar. Eu estava adorando falar, escutar e ficar em companhia dela, mas não entendia a maior parte do que me dizia. Perguntei depois de algum tempo onde ela estava instalada. Mas ela não me disse. E não insisti. Pouco depois ela sorriu e disse que precisava ir embora, mas que tornaríamos a nos encontrar em breve. Ela apareceu no dia seguinte e me encontrou. Saímos para outro passeio durante o dia inteiro e ela falou mais ainda. Sempre coisas importantes. Eu não podia entender o que estava acontecendo e lhe disse isso. Ela disse que me contaria tudo quando chegasse o momento oportuno, mas se eu sentisse que estava aprendendo alguma coisa deveria en­tão apenas relaxar e aprender.

David fez outra pausa, sorrindo.

— Eu fazia uma caminhada pelas colinas todos os dias. E to­dos os dias ela me encontrava, não importando o lugar para onde eu fosse. Conversávamos sobre muitas coisas. Estávamos sentados um dia à beira do rio e ela começou a falar especificamente sobre a alma humana e o que era. Antes de conhecer Mayan, eu não me importava absolutamente se havia vida depois da morte ou se Deus estava vivo e feliz. E almas?... Essa não! Mas escutei atentamente e depois de algum tempo compreendi que ela parecia estar me trans­mitindo alguma informação científica importante. Ela disse que eu deveria anotar tudo, porque era capaz de absorver e um dia trans­mitiria à pessoa certa, que cuidaria para que fosse devidamente di­vulgado... e talvez essa pessoa seja você.

— Eu?

Fiquei aturdida. Estava completamente absorvida na história so­bre a tal Mayan e não me imaginava absolutamente como uma par­te dela.

— Talvez. Ela disse que eu deveria registrar tudo que estava me ensinando. Foi o que fiz. E disse também que deveria pôr tudo no papel, a fim de poder, olhar e mostrar aos outros.

— E você anotou?

— Claro. Você gostaria de ler?

— Gostaria muito. Mas acho que ainda não estou entendendo uma coisa. Por que não me deu esse material junto com todos os livros que me mandou ler?

— Por causa de quem ela é.

— Não estou entendendo. Quem ela é?

David ficou corado. E depois se fechou.

— Faça-me outras perguntas, Shirl.

Ele parecia um pouco tenso. Aquela era mais do que uma simples história de paixão incandescente nas montanhas. Era alguma espécie de terapia.

— Muito bem. Mayan ... É um nome -exótico. De onde ela é? David apagou o cigarro.

— Está querendo saber de que país ou cidade?

— Isso mesmo. — Eu não podia compreender o problema. — Pelo que você descreveu, ela parecia muito exótica. Não poderia ser da Polinésia?

— Não. Mais longe do que isso.

— Mais longe... Como assim? Mais longe a leste? Ela é do Japão, China ou algum país por lá?

— Não. Mais a leste e mais para cima.

— Mais para cima?

Eu estava começando a parecer com o homem sério num ato de vaudeville.

— Isso mesmo. Mais para cima e para fora.

— David, agora é você quem está para fora. O que está acon­tecendo? Do que você está falando? Vamos, conte-me logo. Isto é um jogo estúpido. Você já fez indicações demais... e agora conte tudo, pura e simplesmente. De onde ela poderia ser que é tão di­fícil dizer? De outro planeta?

David virou-se, tirando as mãos do volante, mantendo-as suspensas no ar.

— Certo! Você adivinhou. É isso mesmo.

— Como?

— Isso mesmo que você disse.

— A tal Mayan era de outro planeta?

— Exatamente. Por isso é que foi tão difícil contar. Mas é verdade. Juro por Deus que é verdade. E ela provou isso por di­versas vezes, o que lhe contarei mais tarde.

Senti que tinha de trancar a boca. Tirei do maço um dos ci­garros de David, acendi, dei uma tragada. Abri a janela do meu lado e soprei a fumaça para o ar noturno. Depois, segurando o ci­garro, afundei no assento e pus os pés no painel. Fiquei fumando. Lembro em detalhes de cada movimento que fiz, pois a coisa era tão espantosa que não podia deixar de sentir que David contava a verdade. Sei que deve parecer uma loucura, mas eu sentia que ele não estava maluco, com alucinações ou inventando coisas.

Fomos seguindo em silêncio. Não falei nada. David também não falou. A noite estava clara, seca e fria. As estrelas pairavam no céu como zircões. Levantei os olhos. Teria mesmo ouvido direito o que David dissera? Ele era um homem em que eu confiava. Fora um elemento da maior importância em minha crescente compreen­são espiritual. Eu pelo menos acreditava que ele acreditava no que dissera. Já ouvira antes falar de algumas pessoas que afirmavam terem mantido contatos com extraterrenos, mas nunca estivera em posição de lhes avaliar a sinceridade. Deixava isso aos cientistas ou psicólogos interessados.

Mas parecia agora que eu teria de 'fazer algum julgamento sobre um amigo. Fiquei olhando para as estrelas de cristal e lem­brei da luneta de Natal que ganhara quando era pequena, depois de meses de súplica. Lembrei das noites em que contemplara o céu através da luneta, sentindo que era o lugar a que pertencia. Não era esse o desejo obsedante de todos? O céu não era um lembrete fundamental de que nós, seres humanos, pertencíamos à vastidão mágica do cosmo? Que éramos todos uma parte integrante de um gigantesco enigma universal, que ainda não nos era muito claro por causa de nossa limitada percepção tridimensional? David e outros como ele desejavam tão intensamente compreender que passavam a acreditar que haviam mantido "contato" com outra peça do enigma cósmico?



***




Cena do filme “Minhas Vidas”





— Uma linda noite — disse a velha a David. — Seria uma boa noite para os astrônomos.

David esticou os braços por cima da cabeça e suspirou. Depois perguntou, em espanhol:

— Já viu algum disco voador?

— Muitos. E meu tio viu-os voarem direto para o Lago Ti­ticaca e desaparecerem. Ele ficou assustado a princípio, porque pensou que talvez estivesse louco. — Ela apontou a própria cabeça: — Mas depois vários amigos lhe disseram que tinham visto a mesma coisa. Ele sentiu-se melhor.
David tornou a suspirar fundo, como se estivesse aliviado pelo que ela dissera. A mulher foi até o fogão, a fim de pegar guisado para nós. Acompanhei-a.

— O que acha que eles são? — perguntei, sentindo-me como uma dos milhares de turistas que deveriam ter feito a mesma per­gunta.

— Ela foi pôr o guisado na mesa.

— São extraterrenos. Todo mundo sabe disso.

— E acha que eles são amistosos?

— Não sei. Mas acho que sim. Eles vivem lá no alto das mon­tanhas e voam seus discos para baixo das montanhas, a fim de que ninguém possa descobri-los.

Ela trouxe pão quente para acompanhar o guisado e pergun­tou se gostáramos de Ataura. Assenti e sorri. Mas ela não parecia particularmente interessada em prosseguir no tema anterior da con­versa; como nossa amiga no carro, os extraterrenos na paisagem não eram importantes, apenas uma curiosidade que não afetava sua vida. A vida cotidiana, tentando sobreviver, tinha muito mais significado para ela. Agora depois de cumprir as amenidades de conversa, ela ter­minou de nos servir e afastou-se para cuidar de suas outras tarefas.

Olhei para David através do guisado fumegante. Não estava com fome.

— É assim que todos se comportam por aqui — disse ele, como se pedisse desculpa. — Simplesmente estão acostumados. E não entendem por que pessoas como nós ficam tão intrigadas. Riem dos astrônomos que vêm até aqui para estudar e esperar. Dizem que os discos jamais aparecem quando eles estão aqui. Dizem que as pes­soas dos discos preferem ficara sós e é assim que os montanheses os tratam. Os montanheses não sabem por que eles estão aqui, mas muitos comentam que estão extraindo minerais das montanhas.

— E não sentem medo deles?

— Parece que não. Dizem que eles nunca fizeram mal a nin­guém e até fogem quando alguém se aproxima.

— E muitas pessoas já os viram?

— Shirley, todas as pessoas por aqui com quem conversei têm uma história de discos voadores. Todas, sem exceção.

Fitei-o nos olhos. Estavam calmos e eu diria mesmo que aliviados.

— Onde eu poderia encontrar a sua Mayan, David? Os ombros de David descaíram, como se um imenso peso ti­vesse sido removido.

— Eu próprio não consigo encontrar Mayan. Sinto uma sau­dade tremenda e estou sempre voltando às montanhas na esperança de encontrá-la. Ela mudou minha vida. Tudo o que penso agora é uma decorrência do que aprendi com ela. Mayan é a razão por eu ter encontrado tanta paz em mim. E quero transmitir tudo isso a você.

Olhei pela janela do prédio chamado COMIDA para a noite escura dos Andes.

— David, qualquer coisa que eu possa dizer sobre o que su­bitamente me descobri envolvida aqui seria uma obra-prima de in­compreensão.
Levantei-me. Deixamos o restaurante e atravessamos a estrada para o nosso "hotel".

— Mas de qualquer forma, David, obrigada por confiar em mim e ter contado tudo.

A mão dele apertou-me gentilmente o ombro. No escuro, a voz dele parecia estar prendendo na garganta.

— Boa noite, Shirley. E não deixe os percevejos lhe morderem.

Beijei-o no rosto e entrei no meu quarto escuro e úmido. Pe­guei no sono imediatamente, porque estava um pouco assustada para me manter acordada e pensar em tudo que vinha acontecendo.


"Encarando o problema do ponto de vista mais rigorosamente cien­tífico, a pressuposição de que, em meio às miríades de mundos espalhados pelo espaço interminável, não pode haver inteligência, tão maior do que a do homem quanto a dele é maior do que a de uma barata, ou nenhum ser dotado de poderes de influenciar o curso da natureza, tão maiores do que os dele quanto os dele são maiores que os de uma lesma, parece-me não apenas infundada, mas também impertinente. Sem ir além da analogia do que nos é conhecido, é fácil povoar o cosmo com entidades, em escala ascendente, até chegarmos a alguma coisa praticamente indistinguí­vel da onipotência, onipresença e onisciência." — Thomas H. Huxley

Saí para o sol na manhã seguinte completamente revigorada, como se tivesse dormido por uma semana. David estava esperando. Providenciara para mim pão e um pou­co do nosso famoso leite quente. Bebemos e comemos enquanto an­dávamos. Olhei pelas planícies montanhosas na direção dos Picos Gelados no horizonte.

- O que mais se esconde lá por cima além dos discos voado­res de que os moradores locais tanto falam? — indaguei, mastigando um pedaço de pão.
David riu.

— Já que você pergunta... Mayan disse que os vales entre os picos são inacessíveis por terra. É por isso que é mais seguro para eles. Quando ela me descreveu pela primeira vez, parecia o Hori­zonte Perdido.

— David... Mayan disse exatamente de onde era?

— Claro. Das Plêiades.

— E você alguma vez contestou a alegação dela de que era extraterrena?
David riu e cuspiu um pedaço do pão.

— Está brincando? Pensei que tinha entrado num boxe de um fumo errado. Ou que ela tinha. Claro que não acreditei. Mais do que isso: mostrei-me hostil depois que ela falou. E um dia, muito cedo, ao nascer do sol, muito antes de qualquer pessoa por aqui estar de pé, ela me instruiu a ir para a base de um dos contrafortes e ali observar um pico específico. Foi o que fiz. E sabe o que vi?

— O que foi?

Eu não tinha certeza se queria saber.

— Olhei para o céu e exatamente por cima do pico indicado apareceu um disco voador. Pensei que ia ficar doido. Desse mo­mento em diante, ela não teve qualquer problema comigo. Mas devo dizer que ela me censurou por obrigá-la a usar a técnica de "ver para crer". Ela disse que eu deveria ser mais inteligente, manter a mente aberta.

— Ou seja... crédula como eu?

— Eu lhe disse o começo... a verdadeira inteligência consiste
em manter a mente aberta. Isso não faz com que você seja uma tola.

— Não?

(Por que então era assim que eu me sentia?)

David fitou-me nos olhos.

— Não — disse ele, firmemente. — O que está lhe aconte­cendo é de fato espantoso, Shirl. Para deixá-la completamente ator­doada. Como aconteceu comigo. E está ocorrendo terrivelmente depressa. Mas não há jeito de se dizer essas coisas sem ir até o fim. É por isso que parece tão sufocante. Há uma porção de provas externas de objetos voadores não-identificados... de fontes como a Força. Aérea, estações de radar de rastreamento, literalmente cen­tenas de visões múltiplas, pessoas que os viram no mesmo tempo e lugar junto com outras... a tal ponto que não podemos deixar de admitir que existe alguma coisa. Certo?

— Certo.

— Muito bem. Se existem os discos voadores, então alguém tem de, estar controlando-os... pessoalmente ou por controle remo­to. E se não são pessoas da Terra... e todos parecem concordar que os objetos fazem coisas que a nossa tecnologia ainda não sabe como... então só podem ser extraterrenos.
Ele me observava atentamente para verificar como eu estava
absorvendo o que dizia.

— É uma pena que todos precisem de uma prova particular, Shirley. Pelo que Mayan me disse, os extraterrenos são superiores porque compreendem o processo do domínio espiritual da vida. Ela diz que a ciência, a ciência realmente avançada, e a compreensão espiritual são a mesma coisa. Até Einstein disse isso. Portanto, se você foi fundo na compreensão espiritual, por que não tentar fazer a ligação com a tecnologia superior? Mas se não lhe parece certo, então esqueça.

Esquecer? Mas como era possível esquecer uma coisa assim? David ficou me observando pensar... de "mente aberta", como ele diria.

— Não tem qualquer problema com a reencarnação, não é mesmo, Shirley?

— Não... não depois de tudo o que li sobre o assunto e o que experimentei pessoalmente. Quando desempenho um papel as­sumo o manto emocional de outra pessoa. O que me permite com­preender que a alma pode fazer a mesma coisa cada vez que reencarna.

Podia me lembrar dos muitos atores e atrizes que conhecera e manifestavam seu espanto pela origem de sua inspiração quando se confrontavam com papéis que eram totalmente estranhos a tudo o que já haviam experimentado. Muitas vezes baseávamos senti­mentos que devíamos expressar em ocorrências de nossas próprias vidas, mas com uma freqüência maior tínhamos de extrair senti­mentos e reações que jamais conhecêramos e, até onde podíamos saber, estavam além de nossa estrutura de referências. Contudo, o milagre da inspiração levava-nos a alguma compreensão mais pro­funda; e quando éramos particularmente bons, havia uma tênue res­sonância em nossas consciências, lembrando-nos que já passáramos emocionalmente por aquilo antes.

Talvez os atores fossem os reencenadores espirituais das experiências da alma. Talvez fosse por isso que me parecesse tão familiar. Minha mente tornou a vaguear para aquelas noites de verão obsedantes, em que eu ficava estendida na relva com a luneta. Era como se eu lembrasse os "sentimentos" que experimentara ao con­templar as estrelas. Sentia que eram familiares. Era tão simples assim. Estaria recordando um contato com o conhecimento da vida? Eu ou qualquer outra pessoa que vivia na Terra hoje já teria experi­mentado o contato com os "ajudantes" de outros lugares celestiais, durante a nossa longa luta através dos traumas do tempo? John McPherson e Ambres haviam dito isso. Mas quem seriam "eles"?

Mas que merda, pensei, está perfeitamente claro... eles são espíri­tos desencarnados que acreditam que o mundo sempre foi visitado
por extraterrenos. David é um espírito encarnado que acredita na mesma coisa... Minha mente pulou para a Bíblia e me perguntei se Ezequiel e Moisés, por exemplo, haviam experimentado as mes­mas circunstâncias, há muitos séculos, que David julgava ter passado agora com a sua Mayan. Era mais fácil naquele tempo, pensei. Milagres e maravilhas eram praticamente uma experiência cotidiana ... todos acreditavam nessas coisas naquele tempo.

Oh, Deus, pensei... exatamente como as pessoas por aqui...

Perguntei a David se poderíamos ficar sentados ao sol por algum tempo. Encontramos um trecho coberto de relva entre as rochas da montanha e nos deitamos. Respiramos fundo por alguns minutos e ficamos olhando para o céu.

Tentei apagar tudo de minha mente e apenas "ser". Senti que David fazia a mesma coisa. Passarinhos cantavam, o rio murmura­va. Um cachorro preto pequeno passou por nós, deixando a sua marca numa moita e depois se afastou, na maior felicidade.

Cerca de meia hora deve ter passado. Não falamos nada. Era agradável sentir-se em paz. E, depois, ouvi David dizer alguma coisa. A voz estava embargada, sonolenta. Ou talvez fosse eu que estivesse sonolenta. Olhei para ele.

— O que disse?

David suspirou, virou-se de lado e fitou-me.

— Quer conversar sobre Mayan? Ela disse muita coisa a seu respeito.

— A meu respeito? Não conheço qualquer Mayan, David. Ela é veu problema.

David sorriu.

— Ela não é um problema... embora possa ter criado pro­blemas para você.

— Como assim?

— É por isso que precisamos conversar a respeito dela. Pensei por um momento.

— Importa-se se eu gravar?

— De jeito nenhum.

Peguei o gravador e apertei o botão de gravar. Se aquilo estava realmente acontecendo, eu queria ser capaz de prová-lo mais tarde para alguém. Verifiquei se a fita estava correndo direito e, depois, falei:

— Pode me contar toda a história agora, David?

— Em primeiro lugar, lembra-se de um cara que apareceu em sua casa... há uns 10 anos, com três pedras enviadas pelo chefe masai que você conheceu tão bem?

Minha memória voltou ao passado. E recordei alguém tocando a campainha de minha casa em Encino, cerca de dois anos depois da minha viagem africana, em meados dos anos 60. Ele não se identificara. E não me causara qualquer impressão. Entregara-me três pedras coloridas, que dissera serem amuletos mágicos para a saúde, sabedoria e segurança. O chefe masai o encontrara num safari e lhe perguntara se era da América. Ele respondera que sim e o chefe perguntara então se me conhecia. Ele dissera que não, mas já ouvira falar de mim. E o chefe lhe pedira: "Pode entregar isto a ela?" E o cara dissera que sim, que daria um jeito de me entregar.

E foi então que me ocorreu.

— Como soube desse cara?

— Era eu.

— Você?

Minha voz se elevou num grito estrangulado.

— Isso mesmo. Fique calma, Shirl. Para dizer a verdade, eu não sabia na ocasião o que estava acontecendo. Tudo o que sabia era que o homem me dera as pedras e pedira para entregá-las a você. Pensei simplesmente "até aí"... e entreguei as pedras.

— E o que mais? — indaguei, beligerante, sentindo-me de alguma forma invadida.

— Muito tempo depois, Mayan me falou a respeito. Explicou o que significava. Disse que eu fora encaminhado a você porque nos conhecêramos em vidas anteriores e algum dia você haveria de querer uma prova disso.

— Mas por que todo o segredo? Por que não me disse quem era durante todo esse tempo?

Mesmo enquanto perguntava, eu já sabia a resposta.

— Você não estava: pronta, não é mesmo? O importante era entregar as pedras... mesmo antes que qualquer dos dois soube de que se tratava. E depois Mayan tinha de convencer-me. E agora eu tenho de convencer você...

— Acho que faz sentido, se há necessidade de prova. Mas qual é o objetivo? O que significa tudo isso?

— Em última análise, Shirley, significa que você deve se tornar uma mestra. Como eu. Só que numa escala muito mais ampla.

— Numa escala mais ampla?

— Isso mesmo.

— Mas o que está querendo dizer com isso? Não posso ensinar. Não tenho paciência. Sou apenas uma aprendiz.

— Mas você gosta de escrever, não é mesmo?

Santo Deus!, pensei. Terei de escrever um livro sobre tudo isto? Eu planejava fazer isso subconscientemente? Era por isso que levava o gravador a toda parte e tomava anotações ao final de cada dia?

— Ela achava que você, com sua propensão mental específica, poderia escrever um relato interessante e informativo a respeito de sua incursão pessoal por essas questões, talvez ensinar as pessoas a fazer a mesma coisa.
Isso fazia sentido? Meus outros dois livros haviam sido um re­lato, pessoal de minhas viagens e pensamentos através da Africa, índia, Butão, América, política, show business e China. Eu deveria agora escrever um relato sobre minhas vidas anteriores, Deus e ex­traterrenos!? Ri da lógica absurda da situação.

— Quem acreditaria se eu escrevesse para publicação a respeito de tudo isso?

— Ficaria surpresa. Há muito mais pessoas fazendo isso do que imagina. Todos estão motivados pelo desejo de conhecer a ver­dade. E todos mesmo.

— A verdade? Que verdade?

— A verdade simples de conhecer a si mesmo. E conhecer a si mesmo é conhecer a Deus.

— Está querendo dizer que essa é a Grande Verdade?

— Exatamente. O problema, Shirley, é que é tão simples. Deus é simplicidade. O homem é complexidade. O homem se fez com­plexo. Mas anseia pela compreensão, pela verdade por trás da complexidade. E aqueles que começam a compreender desejam parti­lhar a sua compreensão.

— Mas seria apenas a minha compreensão. Não seria neces­sariamente a verdade.

— Só há uma verdade, Shirley... que é Deus. Você pode ajudar outros a compreenderem Deus através de si mesmos, parti­lhando o relato de como compreendeu Deus através de si mesma.

Senti um aperto no estômago e no coração. Era verdade que eu adorava partilhar minhas aventuras através do que escrevia. Mas parecia-me absurdo dizer agora que eu escreveria para relatar como encontrara Deus. Nem mesmo tinha certeza se acreditava naquela coisa chamada Deus. Estava interessada pelas pessoas. A idéia de ter vidas anteriores me interessava porque oferecia uma explicação de quem eu era hoje.

— David, posso assumir minha identidade pessoal e como passei a ser quem eu sou. Mas não posso dizer que acredito em Deus.

— É isso mesmo, Shirley. Você acredita em Deus. Você conhece Deus. A crença implica aceitação de alguma coisa des­conhecida. Você simplesmente esqueceu o que já sabe.

Fiquei sentada em silêncio, ao sol, a mente em turbilhão. Eu esquecera o que já sabia. David pareceu sentir o meu relance de medo, porque se apressou em acrescentar:

—Não acha que escolheu o campo de trabalho errado se receia a humilhação pública?




***



Cena do filme “Minhas Vidas”



Eu estava tentando evitar que minha mente fervesse. Sentia que estava me estendendo muito além do que podia absorver. Era como tatear na escuridão, contando apenas com a ajuda de clichês como lanternas para iluminar o caminho ... frases como conhecimento interior, percepção superior, altas vibrações, paz interior, esclarecimento e assim por diante. Não sentia nenhuma dessas coisas. Ao contrário, sentia-me manipulada. David estaria me manipulando para escrever sobre tudo

— Pelo amor de Deus, David, disse mesmo que essa Mayan é
uma extraterrena? Pois muito bem: se você quer acreditar nisso, é problema seu... mas acho que tudo isso parece um monte de
merda!

Era mais do que eu podia agüentar. Estava subitamente domi­nada pela desconfiança, sentindo-me ridícula por estar fazendo per­guntas honestas, como se a conversa fosse crível, a uma pessoa que alegava ter tido um relacionamento com uma extraterrena. Era demais. E me senti mais do que apenas um pouco hostil. Queria ser mais do que agressiva. Escrever sobre aquilo? Eu não podia sequer continuar a pensar a respeito! Sentia que o cérebro estava a pique de explodir. Alcançara o limite da mente aberta.

David continuou sentado, serenamente. Depois se deitou, de barriga para baixo, parecendo despreocupado e alheio ao que estava acontecendo. Senti o pulso acelerar e comecei a calcular quanto tempo levaria para descer das montanhas e pegar um avião para voltar ao mundo são que podia compreender.

Minha mente e hostilidade estavam em disparada, como se tra­vasse um diálogo interior comigo mesma a propósito da estúpida abertura da mente e da verdade terrível de que poderia estar incluí­da entre os otários que nascem a cada minuto, como diria P. T. Barnum.

David respirava calmamente.

— David! — Minha voz era áspera.

— Estou aqui.

Ele respondeu prontamente. A voz irritantemente paciente.

— E então?

Falei bem alto, na defensiva. David soergueu-se, apoiado num cotovelo.


— E então o que, Shirley? Você parece ter aceitado a idéia da reencarnação, está pelo menos parcialmente convencida de que os discos voadores existem e também, em decorrência, alguma coisa que os controla. Mas o que a leva a pensar que a raça humana tem a exclusividade da vida no cosmo?

Eu não sabia o que pensar. Comecei a me sentir fisicamente desconfortável. A pele coçava. O sol estava sufocante. Eu não queria estar ali.

— Tente manter a calma — disse David finalmente. — Respi­re fundo e concentre-se nisso. Sei que o esforço é grande. Passei pelo mesmo processo. É de sobrecarga que está sofrendo. Sobrecarga de tudo. Procure apenas continuar em seu próprio ritmo. E tente prosseguir serenamente. Fará mais progresso assim.

— Progresso? — Eu estava gritando. — Você está destruindo
tudo em que a humanidade acredita, apresentando para substituir um monte de sandices metafísicas, uma mistificação absurda. E
chama a isso de progresso?

— É muito curioso. Eles pensam que as nossas prioridades não passam de mistificação. Nós ainda estamos na Idade das Trevas. É claro que o comportamento da raça humana me parece defensá­vel. Mas a verdade é que ainda somos basicamente um tanto primitivos.

— Tem toda razão. E sei disso muito bem. Mas o homem é provavelmente apenas um animalista. Isso explica por que agimos como agimos. Por que então você apregoa essas idéias de que somos melhores do que na realidade?

— Aí está! — exclamou David não tanto com um jeito de eu-não-disse e mais como se o seu argumento estivesse confirmado. — É esse o problema, não é mesmo? Está transtornada porque eu acredito em você mais do que você própria. E isso a desafia a melhorar mais do que se julga capaz.

Santo Deus!, pensei. Era justamente o que eu estava fazendo com Gerry. Soltei um grunhido, que acabou se transformando numa risada pela maneira como reduzia minha indignação cósmica a um exemplo pessoal.

- Está se sentindo melhor? — perguntou David. — Sei que você, quando entende, entende depressa.

— Oh, merda! Não sei... não sei do que você está falando.

— Sabe, sim — insistiu David, gentilmente. Levantei-me e comecei a andar em torno de David. Queria cutucá-lo com o pé. Não ... queria chutá-lo.

— Não tenha medo, Shirley. Lembre-se de que está no caminho certo ou não estaria aqui.

Isso me fez rir.

— E, no final das contas, é tudo uma questão de tempo, continuou David.

— Mas como você pode verificar, só de correr os olhos pelo mundo ... o tempo está se esgotando. Sei que é uma luta grande. Mas isso é a vida.
Ri de novo.

— E lembre-se de que você já passou por essa luta em muitas vidas. Assim, relaxe. Você pode consegui-lo outra vez.

Tornei a me ajoelhar no chão, ao lado dele.

— Mas se já passei antes por essa suposta luta espiritual, então tenho de fazer tudo de novo?

— Porque há outros aspectos do progresso de sua alma que precisam ser trabalhados. Paciência e tolerância, por exemplo. Não é suficiente compreender intelectualmente o aspecto espiritual do homem. Você tem de vivê-lo. Está me entendendo?

— De que jeito? Como Jesus Cristo ou algo parecido?

— Exatamente. Ele levou a progressão de sua alma até quase a perfeição. Outros também podem fazê-lo. E essa foi, na verdade, a mensagem de Cristo: todas as pessoas podem realizar o que ele realizou... conheça o seu potencial, isto é tudo que se toma neces­sário.

— E o que me diz dos seus extraterrenos? Eles também estão fazendo isso? E precisam?

— Claro que sim. Cada alma viva no cosmo precisa. Esse é o propósito da vida. Isso é tudo o que eles estão tentando ensinar... conheça todo o seu potencial. Os extraterrenos também estão ainda aprendendo sobre si mesmos. Mas o que está faltando na Terra é o nosso aspecto espiritual.

Levantei os olhos para o sol. Minha pele parara de comichar
e outra vez os raios do sol eram agradáveis. Suspirei interiormente e olhei para o gravador. Estava quase no fim da fita de 60 minutos. A voz de David soou como um murmúrio:

— Mayan sempre diz: ame a Deus, ame ao próximo, ame a si mesmo e ame a obra de Deus, pois você é uma parte dessa obra. Não se esqueça disso. E tem outra coisa. Ela me disse para não deixar, de lhe dizer algo mais. Que a fim de colher o fruto você precisa ir até a ponta do galho.

Ele parou de falar. Desliguei o gravador e deitei-me de costas.

Mas tenho a fita. Já a escutei muitas vezes desde então, ouvindo David repetir a mesma frase de McPherson e Gerry.


***

Fiquei deitada ali, imóvel, por um longo tempo. Depois, senti David se mexer. Virei-me e fitei-o. Ele abriu os olhos, protegeu-os do sol. Uma lágrima escorreu de um olho. Parecia que acabara de despertar de um sono profundo. Ele suspirou e espreguiçou-se.

— Eu fui longe. Desculpe, Shirley, mas me sinto tão sereno ao sol que vou até o fundo.

David sacudiu os braços pelo ar, tomou a esfregar os olhos, murmurando:

— Está tão quente e agradável...

Fiquei olhando para ele em silêncio.

— Em que está pensando? — perguntou David, limpando o suor do queixo. — Há quanto tempo está deitada assim?

— Há cerca de uma hora. E tenho uma coisa para dizer. Alguma coisa no meu tom de voz deve tê-lo despertado. Ele sentou e eu imitei-o.

— Tudo isso é inacreditável, David. Estou me sentindo como uma idiota. Ao diabo coma inteligência de mente aberta. Acho que devo ser uma crédula de primeira classe.

David fitou-me com uma expressão triste.
— Está se referindo a Mayan.

— Estou me referindo a tudo!

Eu estava quase em lágrimas de indignação, exasperação e um sentimento muito mais profundo. . . de medo pela possibilidade de minha raiva estar errada.. .

— Posso entender ... e como posso! Também passei por tudo isso. Mas, depois de algum tempo não pude mais ignorar que "sen­tia" certo o que ela dissera. Está me entendendo? Sei que se pode escarnecer dos sentimentos e tudo o mais. Mas quando se vai ao fundo, os "sentimentos" são tudo. Até mesmo os cientistas preci­sam de um "sentimento" em relação a alguma coisa antes de se empenharem em prová-la. Simplesmente "senti" que ela estava di­zendo a verdade.

Fitei-o em silêncio por algum tempo, os braços caindo pela relva. Depois me levantei, ainda a fitá-lo.

— David, como sabe que não estava apenas projetando algu­ma necessidade que sentia no fundo do subconsciente e que se ma­nifestou no fato de acreditar no que essa Mayan disse a respeito de si mesma? Talvez você precisasse acreditar. . . e ela percebeu-o e disse o que você queria acreditar.

David ficou atônito.

— Mas eu não queria acreditar! Já lhe disse isso. Foram ne­cessárias duas viagens até aqui e meses de conversa antes de me mostrar pelo menos cortês quando Mayan tentava me dizer essas coisas. Eu odiava o que ela estava dizendo. E Mayan quase desis­tiu de mim. Disse que minha hostilidade era quase impossível de suportar. E ela estava certa. Tumultuou todas as minhas convicções e até a minha sanidade por algum tempo. Eu gostava de carros bonitos, mulheres exuberantes e da minha vida em alta velocidade. A última coisa que eu queria era renunciar a tudo isso e me tornar espiritual. Nem mesmo me sentia infeliz. Não estava procurando por coisa alguma. Mas acabei tendo de admitir que fazia sentido o que ela dizia.

— O que fazia sentido? O fato de ela ser uma pessoa das Plêiades?
— Não, não era isso. A mensagem espiritual fazia sentido. Todos os seus ensinamentos e explicações sobre a reencarnação da vida, as leis e a justiça cósmica. Era isso que fazia sentido. E eu não tinha como escapar.

Observei-o atentamente. David parecia estar sendo sincero.

— Não quero convencê-la de coisa alguma, Shirley. O que você acredita é problema seu. Apenas acho que deve considerar a sério a possibilidade do que estou dizendo. Não vai fazer qualquer diferença para a minha vida, de uma forma ou de outra. Eu já sei no que acredito.

Fiquei parada, os braços imóveis nos lados do corpo.

Outro trem antigo, pintado de amarelo, estava atravessando as montanhas. Senti vontade de pular na carga de carvão recentemen­te extraído e afundar, até ficar preta com o resíduo. Isso seria real.

Queria dançar a cada música que ouvira nas vitrolas automáticas peruanas. Isso seria real. Queria também pular sobre as borbulhas
laranja do Mantaro, despreocupada, sem qualquer receio de que viesse a afundar. Queria marchar para os Picos Gelados Huaytapallana e passar por cima, a fim de poder verificar pessoalmente o que havia no outro lado.

Comecei a andar. David continuou onde estava. Caminhei sozinha pelo resto do dia. Meus pensamentos cho­calhavam ruidosamente como correntes grossas... cheios de confusão, medo, tristeza e ressentimento. E, depois, experimentava erupções de alegria. O que estava acontecendo? O que estava acon­tecendo comigo?

David estaria simplesmente acreditando no que precisava acre­ditar? Meus pensamentos voltaram à Califórnia. Kevin Ryerson e Cat precisavam acreditar em entidades espirituais? Sturé, Turid, Urs e Birgitta estavam tão angustiados em suas vidas que precisa­vam acreditar que aquela entidade espiritual encarnada realmente os orientava? Certamente eles não pareciam angustiados. Além disso, David jamais os conhecera... mas estavam todos pensando da mesma forma, nas mesmas coisas... da realidade da justiça cósmica cármica à existência da espiritualidade extraterrena.
***

Tornei a sair sozinha na manhã seguinte, a pensar... ou sem pensar realmente, apenas deixando que todas as novas experiências fossem absorvidas, sem tentar definir coisa alguma. Absorver um pensamento real novo, assumir uma nova posição, um conjunto to­talmente diferente de perspectivas sobre a vida, é um processo que toma e exige tempo, apenas tempo, para se consumar. Estamos tão acostumados às coisas com que crescemos que nem sequer nos lem­bramos dos tempos de silêncio necessários, os tempos de exclusão do mundo, os tempos solitários em que se está crescendo. E talvez as pessoas sempre precisem de alguma solidão. Eu precisava muito naquele momento.

A tarde já ia chegando ao fim quando voltei a me encontrar com David e sugeri:

— Vamos aos banhos sulfurosos.

— Está certo.

David me observava passar pelo turbilhão emocional com uma serena compreensão.

— Tive de fazer a mesma coisa — comentou ele um dia, sen­tado numa pedra, a olhar para uma margarida. — Apenas conheça a si mesma ... e em si mesma está o universo.

Uma noite, depois. do guisado, ele me perguntou se não gosta­ria de contemplar o céu por algum tempo. A comida nos deixara aquecidos e com uma sensação de reforço contra o frio.

— Vamos experimentar, Shirley. Se estiver muito frio, pode­remos entrar. Mas a palha é bem quente quando nos enterramos fundo.

Com uma pá de um dos trabalhadores que mastigavam coca, abrimos um buraco retangular relativamente fundo na terra macia, por trás do nosso "hotel". Jogamos palha dentro. Deitamos por cima, com mais palha ao redor. Parecia bastante quente para se poder relaxar. Se eu pensava estar aquecida, então ficava aquecida.

David contemplou o céu. Tinha no rosto uma expressão an­siosa. Fiquei imaginando como me sentiria em relação ao Peru quan­do fosse embora. Tinha o hábito curioso de sentir saudade de cada país que já visitara... até mesmo da União Soviética, de que não gostara muito. Alguma centelha em mim era sempre ateada quando ia a um novo lugar ;e geralmente me sentia obcecada quando partia. Perguntei-me em quantos países teria vivido nas minhas outras vi­das. E não compreendia por que não podia me lembrar.

As estrelas pareciam apenas meio metro acima de nossas ca­beças. Estremeci um pouco, mas aquela grandiosidade fazia com que o frio parecesse ridículo. David estava em silêncio ao meu lado. Ficamos olhando para o céu por cerca de uma hora.

E, depois, olhei para David.

— Estou contente por ter vindo até aqui, David. Obrigada.

E pouco depois adormecemos. Se os discos voadores aparece­ram, foi irrelevante para nós. Despertamos com o nascer do sol e passeamos pelas sombras do amanhecer durante duas horas. Quase não falamos. E mais tarde, enquanto comíamos o pão e tomávamos o leite quente, a conversa foi sobre a tranqüilidade de se saber que ninguém ou nada jamais morre. De tarde, andamos mais um pou­co... subindo e descendo as encostas das montanhas, ao longo do Rio Mantaro. Compramos iogurte na beira da estrada. Corremos e pulamos. Entramos no rio gelado, jogamos a água cor de laranja um no outro. Eu me sentia totalmente presente. E quando tirei um co­chilo, ao sol do fim de tarde, estendida na relva quente, senti que a mente e o coração eram como ondas suaves de veludo líquido, on­dulando sobre e ao meu redor.

Comecei a sentir (mais do que pensar a respeito) uma nova maneira de encarar a vida e a mim mesma. Era como se estivesse renunciando a um ego antigo. Um ego que acreditara que culpa, ciúme, materialismo, obsessão sexual e dúvida eram partes do ser humano. Eu chegara a um ponto em que aceitava a permanência dessas emoções, sentia-me relativamente resignada. Agora, estava me desfazendo da resignação e me aventurando a um novo tipo de pen­samento-vida, que exigia que não apenas anulasse esses negativos, mas também sabendo que, se não o fizesse, teria de pagar em meu próprio carma mais tarde. Como minha vida aparentemente não ter­minaria quando morresse, eu continuaria com isso pela eternidade. Assim, era melhor começar a trabalhar logo de uma vez. Tal con­ceito sempre fora estranho a tudo que eu já imaginara. Pensei em minha vida e nos relacionamentos que tinha.

Lembrei da súbita revelação de Gerry um dia, quando dissera que eu o romantizara a tal ponto que ele não poderia possivelmente corresponder. Era a minha maneira de programar o relacionamento, a fim de não poder dar certo. As noções românticas faziam isso. Tornavam a vida impossível de se viver... realisticamente ou de qualquer outra forma, porque as noções românticas eram impossí­veis de se manter.

Descobri-me a pensar em Gerry de uma maneira diferente. Mas David ajudou-me a compreender os meus próprios sentimentos. En­quanto conversávamos, fui compreendendo lentamente que sempre usara meus relacionamentos com os homens, envolventes, protetores, de casulo, como um meio para me conter. Para não ser realmente livre e expansiva, eu criava uma teia de suave segurança em torno de mim mesma e do homem em minha vida. O nós, portanto, fora mais importante do que o eu. Estava protegendo a mim mesma de meu próprio potencial, em nome do amor.


David e eu andávamos por quilômetros todos os dias, atraves­sando os trigais, percorrendo as margens do Rio Mantaro. Sentáva­mos e contemplávamos o sol nascer e se pôr. Quando meu conflito se aquietava, eu falava com David, que me lembrava de examinar os motivos, meu condicionamento e contradições de jamais esque­cer que era só minha a opção de alcançar uma nova liberdade e um novo processo de aprendizado.

Sentados ao sol, relaxados, no alto de uma colina ou nas águas borbulhantes, David voltava constantemente às suas conversas com Mayan. Ela falara uma vez na necessidade de todas as mulheres acreditarem em si mesmas como mulheres, a necessidade de se sen­tirem seguras nisso.

— As mulheres têm o direito, mesmo com a independência que já alcançaram nos Estados Unidos, de serem ainda mais independentes e livres — dissera Mayan. — Nenhuma sociedade pode funcionar democraticamente até que as mulheres sejam consideradas iguais sob todos os aspectos, particularmente para si mesmas. E ja­mais se chegará a isso por outro caminho que não o próprio esforço. Na verdade, só vale a pena aquilo que é conquistado pelo próprio esforço. As almas dos seres humanos, especialmente as mulheres, estão acorrentadas à terra através dos confortos do lar, terra e amor limitado. Continuarão a sofrer, até se aprender a romper esses gri­lhões por um conhecimento superior.

Ela lembrara a David que as mulheres são mais espertas do que os homens... o que ele repetiu com uma expressão tranqüila. Levava muito a sério tudo o que Mayan dissera.

Em outra conversa, Mayan descrevera a ciência como a criada de Deus. Mas ela dissera que a ciência possuía uma tecnologia tão avançada na Terra que se despojaria de sua própria capacidade de controlá-la, a tal ponto que a tecnologia se tomara totalmente amea­çadora à vida.

Precisávamos desmontar nossas usinas de fissão, nu­clear e concentrar os recursos de pesquisa na solução dos problemas dos perigosos desperdícios tecnológicos de todos os tipos. A tecno­logia em si mesma, dissera ela, não era uma coisa nociva... o ne­gativo era a maneira como se usava e o propósito como se usava. Como exemplo, ela citara o sol como uma fonte ilimitada de ener­gia que deveríamos aprender a acumular e utilizar. Assim, a ciência, através da tecnologia, serviria tanto ao homem como à Terra.

Mayan ressaltara continuamente que em todo o cosmo nada ti­nha um valor tão grande quanto uma única alma viva... e no valor dessa única alma viva estava o valor de todo o cosmo. Ela dissera que a humanidade segue uma projeção em espiral ascendente, que pode parecer que não estamos progredindo, mas isso não correspon­de à verdade. A cada renascimento e reflexão na vida posterior, a humanidade se descobre num plano mais elevado, quer possamos ou não percebê-lo. E ela dissera ainda que a progressão de cada alma individual afeta a mecânica e o movimento de todo o cosmo, porque cada alma individual é tão importante assim.

Mayan comentara que o homem tem o hábito de reduzir sua compreensão às percepções da própria mente, que nos é difícil rom­per as estruturas de referência e permitir que nossas imaginações efe­tuem saltos quantitativos para outras dimensões, transcendendo aos limites que nos eram impostos por vidas de pensamento estruturado.

Estávamos nos Andes há duas semanas e meia. Parecia dois anos e meio. Dizer que meu ponto de vista fora alterado era óbvio. Eu podia senti-lo em tudo que pensava. Sentia que meu potencial estava se abrindo. Agora, pensei, basta apenas que eu possa manter tudo isso quando voltar à terra! E especulava se o meu novo ponto de vista também mudaria a minha vida.


Fazíamos viagens constantes a Ataura para comprar pilhas para o gravador, papel, canetas e simplesmente para contemplarmos as multidões. Não vimos quaisquer distúrbios, mas havia guardas por toda parte. Quando eu fazia compras nos pequenos mercados, os le­gumes e frutas não eram frescos e os preços absurdamente altos. Uma única maçã custava o equivalente a 59 cents. Pequenos grava­dores eram vendidos a 450 dólares. Os preços de outros aparelhos elétricos seriam exorbitantes mesmo para uma economia próspera. Com tudo isso, não era de admirar que houvesse rebeldes incipientes por toda parte. Os preços eram astronômicos e os salários eram baixos Encontravam-se poucos americanos, quase sempre universitários em excursões pelos Andes.


Na feira aos domingos, em Ataura, apareciam pessoas de toda parte, percorrendo às vezes centenas de quilômetros, a fim de ven­der os artigos mais diversos, de antigas vitrolas a cabras. Comía­mos feijão e arroz. Eu não me importava se as cebolas por cima de tudo me deixavam ou não com azia. Continuávamos a ouvir as pes­soas nas lojas e restaurantes a falarem de discos voadores. David me traduzia tudo. Parecia que cada pessoa já tivera uma experiência com disco voador, descrevendo grandes espaçonaves, em formato de charuto, das quais saíam os discos ou então apenas os discos.

Quase todos tinham uma história sobre os Picos Gelados de Huaytapallana. Pareciam estar em chamas em determinadas ocasiões, "como céu se iluminando". Ou se viam formações de discos voado­res por cima. Parecia não haver muito medo nas testemunhas desses fatos, mas apenas respeito. E todos que já tinham visto os objetos voadores não-identificados estavam convencidos de que pertenciam a seres do espaço exterior.

***

Sobre o filme:

MINHAS VIDAS (OUT ON A LIMB) 1987 Legendado em portuguêsELENCO: Shirley MacLaine, Charles Dance, John Heard
SINOPSE


Shirley MacLaine sai a procura de si mesma, em busca de ligação entre matéria e espírito, pois sentia que faltava em sua vida um sentido, uma direção, um objetivo. Sua jornada espiritual foi longa, porém reveladora e espantosa em todos os momentos. entrou em contato com dimensões de tempo e espaço que até então para ela, pertenciam a ficção científica ou mesmo ao oculto. "Para se chegar ao fruto de uma árvore é preciso pagar um preço".

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publicado por conspiratio às 20:10
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

NATUREZA, REALIDADE E BELEZA - TITUS BURCKHARDT

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por TITUS BURCKHARDT

Quando se considera se há algo que possa possivelmente alertar as pessoas de mente não científica para a ameaça de poluiçào das águas, percebe-se rapidamente que o senso natural de beleza, que nos torna aptos a distinguir espontaneamente uma árvore enferma de uma saudável, deveria também dar o alarma nesta situação. Que não o tenha feito, ou dificilmente o tenha feito, deve-se ao fato de que o homem moderno separa completamente não somente o ‘belo’ do ‘útil’, mas também o ‘belo’ do ‘real’. Esse modo de pensar é como uma ruptura na consciência, e é difícil dizer se é causa ou efeito de um estado de coisas que, por um lado, leva sistematicamente o homem a destruir, em escala crescente, o equilíbrio natural das coisas e, por outro, impele-o periodicamente a fugir do mundo artificial que ele assim cria. Nunca antes existiram esses enormes aglomerados de edifícios de ferro e concreto e nunca antes os habitantes das cidades, em número tão grande, deixaram periodicamente suas casas a fim de redescobrir a natureza que eles mesmos tão inexoravelmente baniram. Não será exato dizer que, agindo assim, as pessoas estão apenas procurando preservar sua saúde. Muitos, senão todos, estão ao mesmo tempo procurando um relaxamento da alma que só é propiciado por ambientes cujo estado, ainda intacto e harmonioso, tenha garantido a preservaçãode tal beleza, que dá paz a alma e liberta a mente da pressão dos pensamentos calculistas. Apesar disto, as mesmas pessoas que nos feriados buscam consciente ou inconscientemente esta beleza, prontamente rejeitam-na como ‘romantismo’ sempre que ela ofereça obstáculos aos seus interesses utilitários.


A beleza representa sempre um equilíbrio de forças interior e inexgotável, e por isso subjuga totalmente nossa alma, dado que não pode ser nem calculado nem mecanicamente produzido. O senso de beleza pode portanto permitir-nos a experiência direta de relações antes que, com nossa razão discursiva, possamos percebe-las de modo diferenciado; nisto aliás, há uma defesa de nosso próprio bem-estar físico e psíquico, algo que não podemos negligenciar impunimente.
...
O homem contribuiu para desequilibrar a natureza quando perdeu seu equilíbrio interior.

(Titus Burkhardt)
publicado por conspiratio às 21:04
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

CIDADANIA E ESPIRITUALIDADE

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Mestria Pessoal e Cidadania


Leonard Orr

A menos que você se sinta bem vivendo como um eremita em uma caverna, ser um mestre yogue imortal exige muita aten­cão para com a sua comunidade. Cidadania responsável é um elemento essencial da prática do amor.

O fato é que a democracia está desaparecendo nos EUA e em todo o mundo. Todo o mundo tem o sentimento de que o governo não lhes está servindo e ninguém está querendo fazer alguma coisa a respeito.

Democracia é o que rege o povo; Governo controlado pelo governado. Governo do povo, pelo povo, e para o povo. Republicano significa que o povo se autogoverna através de representantes eleitos. A democracia republicana está morta hoje porque o povo - os eleitores e os cidadãos - não se importa mais com seus representantes eleitos. Na realidade, se você fizer um levantamento descobrirá que quase ninguém sabe quem são os representantes que elegeram.

O problema não ocorreu da noite para o dia ou mesmo em um ano. Começou há mais de duzentos anos, depois que a Constituição dos Estados Unidos da América foi escrita. A ex­pansão da população erodiu gradualmente o princípio de repre­sentação até que hoje nossos representantes não dão importân­cia a quem somos. E nós não nos importamos com quem se elege. Votar em eleições é um ato sem significado para a maioria dos cidadãos; muitos nem mesmo votam.

A única maneira de se resolver este problema é elegendo um líder comunitário para cada mil pessoas, que se torna um vigia profissional do governo em tempo integral para os cida­dãos. Esse representante comunitário eleito, pode nos informar sobre o que nossos outros representantes estão fazendo e pode iniciar a reformar os governos municipais, estaduais e nacionais (mesmo internacional?) para que eles se tornem novamente os empregados do povo em vez de nossos chefes. Nosso líder co­munitário eleito é nossa única esperança para reconquistarmos o controle do governo.

Não há outra maneira. Não podemos ter um governo do povo, para o povo e pelo povo sem o povo. Sem representantes comunitários e um encontro mensal local estamos sem poder.

Ou há democracia participativa ou nenhuma democracia. Mas como fazer o "povo" se interessar e participar? Esta per­gunta nos leva à psicologia e à iluminação espiritual. Por que as pessoas são vítimas, ignorantes, apáticas?

A única maneira de o "povo" ser iluminado, inspirado e educado é tendo um líder comunitário em cada quarteirão que possa alimentá-lo passo a passo com informação quando ne­cessitar ou estiver pronto para ela. Então, como conseguir um professor-líder em cada comunidade, eleito e pago?

Tem que começar por você e eu. Estou desejando ser um e, portanto, você pode votar em mim e contribuir com US$ 10 ou mais por mês para meu sustento. Dez dólares não parece muito, mas se eu conseguir mil pessoas para se juntar a você com a mesma contribuição mensal, ela torna-se US$ 10.000 por mês. Com esta verba mensal eu agora tenho o tempo e os meios para influenciar nossos representantes eleitos para seu proveito e o meu. Se os atuais membros eleitos não atuarem teremos o poder político para substituí-los. Se você também estiver querendo ser um líder comunitário eleito, livre, eu lhe apoiarei e trabalharei com você até que você tenha êxito.

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publicado por conspiratio às 20:49
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

IMORTALIDADE FÍSICA: A VIDA PERMANENTE

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A VIDA PERMANENTE

MARIE CORELLI


“Em sua dupla natureza, o Homem dispõe de poder de manter suas células sob seu domínio – pode renová-las ou destruí-las à vontade. Geralmente prefere destruí-las pelo seu egoísmo e obstinação – os dois elementos principais de desintegração de sua composição mortal.

Daí resulta o que chama morte – mas é apenas a mudança necessária de sua existência [produzida por ele mesmo], para uma fase mais sutil. Se aprendesse uma vez por todas, que pode prolongar sua vida na Terra, permanecendo moço e sadio por um período indefinido em que os dias e os anos não se contam, mas os episódios psíquicos ou as estações; passaria de uma alegria para outra, de um triunfo para outro com a mesma facilidade com que respira o ar.

É considerado bom o corpo de um homem que permaneça direito e que mova os seus membros com graça e facilidade, executando exercícios físicos para a melhora e fortalecimento de seus músculos, - e não é considerado louco por qualquer feito de valor físico ou habilidade que realize. Por que, pois, não há de treinar sua alma a permanecer tão direita como seu corpo, de modo que possa tomar posse completa de todos os poderes que a energia natural e espiritual pode fornecer?”

“Vós para quem estas palavras são escritas aprendei e lembrai- vos que o segredo da vida é a Harmonia com que os átomos de que seu corpo se compõe obedecem às ordens da Alma. Sêde o deus de vosso próprio universo! Governai o vosso próprio sistema solar, para que possa acalentar-vos e revivicar-vos com uma primavera continua! Fazei com que o amor seja o verão de vossa vida e que crie em vós a paixão do desejo nobre, o fervor da alegria, o fogo do idealismo e da fé! Considerai-vos parte do Divino Espírito de todas as coisas e sêde divino em vossa própria existência criadora. O Universo está aberto às investigações da vossa Alma se o Amor for a tocha que alumie o caminho.”

“O Pensamento é uma força motora real, mais poderosa do que qualquer outra força motora do mundo. Não é a simples pulsação num conjunto particular de células cerebrais, destinadas a terminar em nada, quando a pulsação cessou. O Pensamento é a voz da alma. Assim como a voz humana é transmitida a grandes distâncias pelo fio telefônico, assim também a voz da Alma é transmitida através das radiantes fibras ligadas aos nervos do cérebro. O cérebro recebe-o porém não pode conservá-lo – pois é transmitido pela sua própria força elétrica a outros cérebros – e não podeis conservar um pensamento exclusivamente para vós, da mesma forma que não podeis fazer monopólio da luz do Sol. Por toda a parte, em todos os mundos, através de todo o cosmos, as Almas falam através do intermediário material do cérebro, - almas que podem não residir neste mundo, mas estarem tão afastadas de nós como a última estrela visível ao mais forte telescópio. As harmonias que se sugerem ao músico no momento atual podem ter partido de Sírius ou Júpiter, impressionado seu cérebro terrestre com uma melodia espiritual de mundos desconhecidos, – o poeta escreve o que nem bem compreende, obedecendo à inspiração de seus sonhos, – e todos somos, enfim, apenas intermediários para a transmissão do pensamento, recebendo-o primeiramente de outras esferas, e depois transmitindo-o para outros. Shakespeare, o principal poeta do mundo, escreveu: “ Nada há de bom ou de mau, mas o pensamento é que o faz assim”, expressando assim uma verdade profunda, uma das verdades mais profundas do Credo Psíquico. Pois somos o que pensamos; e nossos pensamentos se resolvem nos nossos atos.”

“Na renovação da vida e conservação da juventude, o Pensamento é o fator principal. Se julgamos que somos velhos, envelhecemos rapidamente. Pelo contrário, se pensamos que somos moços, conservamos indefinidamente nossa vitalidade. A ação do pensamento influencia as partículas vivas de que se compõe nosso corpo, de forma que as fazemos, positivamente, envelhecer ou rejuvenescer, pela atitude que tomamos. A atitude mental da Alma humana deve ser gratidão, amor e alegria. Na Natureza Espiritual não há lugar para o medo, a depressão, a moléstia ou a morte. Deus tem em vista que a sua criação seja feliz, e harmonizando nossa Alma e nosso Corpo com a felicidade, obedecemos Suas leis e cumprimos Seus desejos. Portanto, para viver muito, alimentai pensamentos de felicidade! Evitai todas as pessoas que falam de moléstia, miséria e corrupção, pois estas coisas são os crimes do homem e ofendem o desígnio primário que Deus estabeleceu para a beleza. Respirai profundamente quantidade de luz e ar fresco, inalai o perfume das flores e plantas, afastai-vos das cidades e das multidões, não procureis a fortuna que não seja ganha pela vossa mão ou vosso cérebro, e acima de tudo, lembrai-vos que os filhos da Luz caminham na Luz, sem receios das trevas!”

“Para viverdes uma longa existência, deveis ter perfeito domínio sobre as forças que engendram a vida. Os átomos que de se compõe vosso corpo estão em perpétuo movimento, vosso Eu Espiritual deve guiá-los no caminho que devem tomar, pois do contrário, se assemelham a um exército sem organização ou equipamento, o qual é facilmente destroçado no primeiro assalto. Se os tiverdes sob vossas ordens espirituais, estareis praticamente imunes a toda moléstia. A moléstia nunca poderá entrar em vosso sistema se não for por alguma porta mal guardada. Podeis sofrer acidente, pela falta de outrem ou por vossa própria teimosia; se for pela falta de outrem, sabereis que estava destinada e preordenada a vossa remoção de uma esfera para a qual sois considerada imprópria.

Excetuando estes acidentes, vossa vida não necessita ter fim, mesmo neste planeta. Vosso Espírito, chamado Alma, é uma Criatura de Luz, e pode fornecer, incessantemente, raios revivificadores para cada átomo e célula de vosso corpo. É um suprimento inesgotável de ‘rádio’, pelo qual as forças de vossa vida podem tirar um sustento perpétuo. O homem emprega todo meio exterior de conservação própria, porém e esquece do poder interno que possui, o qual lhe foi concedido para que pudesse ‘encher a Terra e sujeitá-la’. ‘Encher’ a Terra é manifestar de bom grado, amor para com toda Natureza; ‘sujeitar’ a Terra é, em primeiro lugar, governar os átomos de que o organismo humano se compõe, conservá-los sob completa sujeição, de modo que, por meio desse domínio, todos os outros movimentos e forças atômicas deste planeta e da atmosfera que o circunda possam também ser governados.”





Marie Corelli




“Para a Alma que não quer estudar as necessidades de sua natureza imortal, a própria vida se torna uma cela estreita. Toda a criação espera por ela para fornecer-lhe o que pedir. Todavia ela perece no meio da abundância. O medo, a desconfiança, a raiva, a inveja e a insensibilidade paralisam sua existência e destroem sua ação; o amor, a coragem, a paciência, a brandura, a generosidade e a simpatia são reais forças vivas para ela a para o corpo que habita. Todas as influências do mundo social agem contra ela; todas as influências do mundo natural agem com ela. Nada há na Natureza pura que não obedeça ao seu mandado, e isso deve ser o suficiente para sua existência. A tristeza e o desespero resultam da má direção da Vontade; não há na Terra ou no céu outra causa de sofrimento ou perturbação.”


“Neste mundo”, prosseguiu lentamente, “não é o clima, nem o ambiente natural que afeta o homem, mas sim as influencias que seus companheiros exercem sobre ele. Os entes humanos vivem realmente rodeados pelas ondas de pensamento emitidas pelos seus cérebros e pelos dos que os rodeiam, e essa é a razão por que, se não forem bastante fortes para encontrar um centro de equilíbrio serão movidos por caminhos e tendências mentais que, de modo algum aceitariam livremente e de escolha própria. Se uma mente, ou antes uma Alma, pode resistir às impressões que lhes são enviadas por outras forças que não as próprias, se ela pode permanecer só, livre de obstáculo, na Luz da Imagem Divina, então adquiriu domínio sobre todas as coisas. Porém, é tão difícil de alcançar essa posição, que geralmente se torna impossível. Poe toda parte existem influências que agem ao redor de nós; homens e mulheres de grandes aspirações na vida são desviados de suas intenções pela indiferença ou o desânimo de seus amigos, feitos de bravura são impedidos em sua realização pela sugestão de temores que não existem realmente; e a força psíquica e poderosa mentalidade diariamente dissipadas por ondas cerebrais perturbadoras ou opostas, seriam suficientes para fazer o mundo num perfeito paraíso se fossem empregadas para este fim.”

“Já vos disse que estais sob a impressão de ter passado por certas aventuras ou episódios, que vos deixaram mais ou menos perturbada e embaraçada. Essas coisas só existiram em vossa mente! Quando vos levei para vosso quarto, na torre, vos coloquei sob a minha influência e a de outros quatro cérebros que agiam em combinação comigo. Tomamos posse completa de vossa mente e deixamo-la o mais possível vazia, como um quadro negro em que escrevêssemos o que quiséssemos. A prova consistia em examinar se vossa Alma, que é vosso Eu Real, podia suportar as nossas sugestões e resistir a elas. À primeira vista, isto parece como se tivéssemos exercido sobre vós uma alucinação para nosso entretenimento; porém não é assim, é simplesmente uma aplicação da mais poderosa lição de vida, a saber, a resistência às influências dos outros e vitória sobre elas, pois são as forças mais perturbadoras e debilitantes com as quais temos de lutar”.



A VIDA PERMANENTE
Marie Corelli - Empresa Editora O Pensamento - 1934
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

KRISHNAMURTI - MEDITAÇÃO E OUTROS TEXTOS

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KRISHNAMURTI


MEDITAÇÃO

Meditação é a atenção em que existe um estado de consciência, sem escolha, do movimento de todas as coisas – o grasnido dos corvos, o serrote elétrico, cortando a madeira, a agitação das folhas, o riacho barulhento, o menino gritando, os sentimentos, os motivos, os contraditórios pensamentos, e, indo mais para o fundo, a percepção da consciência total. Nesta atenção deixa de existir o tempo, como o dia de ontem, que tem continuidade no dia de amanhã, as distorções e movimentos da consciência aquietam-se e silenciam. Neste silêncio, há um imenso e incomparável movimento; movimento imperceptível, que constitui a essência do sagrado, da morte e da vida. Impossível é segui-lo, pois não deixa vestígio algum e é estático e silencioso, ele é a essência de todo movimento.

***

O fluxo exterior e interior da existência forma um único movimento. Com a compreensão do mundo exterior inicia-se o movimento interior, mas não em oposição ou em contradição entre si. Cessando o conflito, o cérebro, ainda que altamente sensível e alerta, aquieta-se. Somente então torna-se válido o movimento interior.

Deste movimento surge uma generosidade e uma compaixão que não resultam da razão ou do auto-sacrifício intencional.

A força e a beleza da flor estão em sua total vulnerabilidade.

Os ambiciosos desconhecem o belo. A beleza está na percepção da essência de todas as coisas.

***

O pensamento é matéria e pode ser transformado em qualquer coisa, bla ou feia.

Existe, porém, o sagrado que não vem do pensamento, nem de um sentimento por ele reavivado. Não é reconhecível pelo pensar nem pode ser por ele utilizado ou concebido. A palavra ou o símbolo não podem definir o sagrado. Ele é incomunicável. É um fato.

Um fato é para se ver, mas o ato de ver não se processa através da palavra. Quando se interpreta um fato, ele deixa de ser um fato.; torna-se algo inteiramente diferente. O “ver” é da mais alta importância. Encontra-se fora do tempo-espaço, é imediato, instantâneo. E o que se vê é sempre novo. Não existe a repetição nem o processo gradual do tempo.


***


Não existe lógica na verdade. A verdade não pode ser medida, avaliada. Só se pode medir e dimensionar aquilo que não é vivo.


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Domingo, 21 de Setembro de 2008

SAMSARA É PROCESSO, NÃO UM LUGAR

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Algúem disse: "meditar é chegar onde se está." Poderíamos dizer que, de modo inverso, sansara é não estar onde se está?

SANSARA

Por Ajaan Thanissaro


Samsara é uma palavra sânscrita que vem da combinação de Samsa (ilusão) e Ra (movimento). É a ilusão em movimento, representada de forma cíclica. Tem também o sentido de "perambulação". Muitas pessoas pensam que esse é o Nome Budista para o lugar em que vivemos no momento - o lugar que abandonamos quando vamos para nibbana (nirvana). Mas nos textos Budistas mais antigos samsara é a resposta, não para a pergunta "Onde nós estamos?", mas para a pergunta "O que estamos fazendo?" Ao invés de um lugar, é um processo: a tendência de ficar criando mundos e depois se mudando para dentro deles. À Medida que um mundo se desintegra, você cria um outro e lá se instala. Ao mesmo tempo, você dá de cara com outras pessoas que também estão criando os seus próprios mundos.

O jogo e a criatividade desse processo pode algumas vezes ser prazeroso. Na verdade, isso seria perfeitamente inócuo se não causasse tanto sofrimento. Os mundos que criamos insistem em desmoronar e nos matar. Mudar para um novo mundo requer esforço: não somente as dores e riscos do nascimento, mas também os severos golpes - mentais e físicos - que resultam ao passar da infância para a maioridade repetidas vezes. O Buda certa vez perguntou aos seus monges, "O que vocês acham que é maior: a água nos grandes oceanos ou as lágrimas que vocês derramaram nessa perambulação?" A resposta dele: as lágrimas. Pense nisso na próxima vez que estiver mirando o oceano ou brincando nas suas ondas.

Além de criar sofrimento para nós mesmos, os mundos que criamos se alimentam dos mundos dos outros, da mesma forma como o deles se alimenta do nosso. Em alguns casos essa alimentação pode ser prazerosa e benéfica para ambos, mas mesmo nesse caso essa situação terá um fim. De modo mais típico, ela irá causar dano a pelo menos uma das partes na relação, com freqüência a ambas. Quando você pensa em todo o sofrimento incorrido para manter apenas uma pessoa vestida, alimentada, abrigada e saudável - o sofrimento tanto daqueles que têm que pagar por essas necessidades, bem como daqueles que labutam ou morrem na sua produção - você verá o quão explorador pode ser mesmo o mais rudimentar processo de construção de mundos.

É por isso que o Buda tentou encontrar o caminho para parar essa 'samsar-ização'. E uma vez que ele o encontrou, ele encorajou outros a segui-lo também. Porque a 'samsar-ização' é algo que cada um de nós faz e cada um tem que parar isso por is mesmo. Se samsara fosse um lugar, poderia parecer egoísta que uma pessoa buscasse a escapatória, deixando OS outros para trás. Mas quando você compreende que é um processo, não há de modo algum nada de egoísta em Dar-lhe um fim. É o mesmo que abandonar um vício ou um hábito abusivo. Quando você aprende as habilidades necessárias para parar de criar os seus próprios mundos de sofrimento, você poderá compartir essas habilidades com OS outros para que else possam parar de criar OS deles. Ao mesmo tempo, você nunca mais terá que se alimentar dos mundos dos outros, portanto, você estará reduzindo o fardo deles também.

É verdade que o Buda comparava a prática de parar o samsara ao ato de ir de um lugar ao outro: desta margem de um Rio para a outra margem. Mas os trechos nos quais ele faz essa comparação, com freqüência concluem com um paradoxo: a outra margem não possui um "aqui," nem um "Ali," nem um "no meio". Sob essa perspectiva, é óbvio que os parâmetros de tempo e espaço do samsara não se referem ao contexto preexistente no qual perambulamos. Eles são os resultados da nossa perambulação.

Para alguém viciado em construir mundos, a ausência de parâmetros conhecidos soa perturbadora. Mas se você estiver cansado de criar sofrimento incessante e desnecessário, talvez queira tentar algo novo. Afinal, você vai sempre poder recomeçar a construir se a falta de "aqui" ou "Ali" resultar maçante. Mas dentre aqueles que aprenderam como romper esse hábito, ninguém se sentiu mais tentado a 'samsar-izar' outra vez.


http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/samsara.php

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publicado por conspiratio às 00:44
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Sábado, 20 de Setembro de 2008

EDUCADOS PARA SER DESATENTOS - KRISHNAMURTI

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Interrogante: Sinto que minha vida diária é sem importância e que eu deveria estar fazendo algum coisa.

Krishnamurti: Se estais comendo, continuai a comer. Se ides a um passeio, passeai. Não digais: "Eu devia estar fazendo outra coisa". Quando lêdes, prestai toda a atenção a isso, não importa se estais lendo uma novela policial, uma revista, a Bíblia, ou o que quer que seja. A atenção completa é ação completa, e então não se diz: "Eu devia estar fazendo outra coisa". Só quando não estamos atentos, sentimos vontade de dizer: "Ora, eu devia estar fazendo coisa melhor". Se estamos completamente atentos quando comemos, essa atenção é ação. O importante não é o que estamos fazendo, porém, sim, se somos capazes de dar-lhe toda a nossa atenção. Por essa palavra não entendo uma coisa que se aprende por meio da concentração, numa escola ou nos negócios, porém à capacidade de prestar atenção com o corpo, os nervos, os olhos, os ouvidos, a mente, o coração - completamente. Se assim fizermos, ocorrerá uma mudança extraordinária em nossa vida. Alguma coisa estará então a exigir toda a nossa energia e vitalidade, toda a nossa atenção. A vida está a exigir essa atenção todos os minutos, mas de tal maneira fomos educados para a desatenção, que estamos sempre a procurar um meio de fugir da atenção para a desatenção. Dizemos: "Como posso prestar atenção? Sou indolente." Pois sêde indolente, mas dai toda a atenção à indolência; ficai totalmente atento ao estado de desatenção. Tomai conhecimento de que estais completamente desatento. Então, quando sabeis que estais totalmente atento à desatenção - estais atento.

(Krishnamurti, 28 de julho de 1966)




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publicado por conspiratio às 23:01
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DIÁRIO DE KRISHNAMURTI (1961)

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25 de outubro

O capim de talo longo, que cresce livremente no jardim, com sua frágil e dourada floração, quase se partia com o incessante balanço provocado pela brisa do entardecer. Mas, tal somente aconteceria se soprasse um vento mais forte. Um feixe de capim bege-dourado agitava-se ao vento; cada talo tinha seu próprio ritmo e esplendor, mas formavam todos uma única onda em movimento. De colorido indescritível, à luz vespertina, tanto podia refletir o poente radioso como o dourado da terra, das nuvens e dos montes. A rude beleza das flores chamava-nos a atenção, e impressionava a estranha delicadeza daquela erva silvestre que exalava ligeiro odor de trigo, evocando tempos remotos; puras e vigorosas na forma, transmitiam incrível vitalidade. Uma nuvem lumi­nosa cruzou o céu, enquanto o sol desaparecia por trás do monte escuro. Um perfume agradável vinha da terra molhada e respirava-se um ar mais fresco. Era o início do período de chuvas e com ela renascia a esperança.


Súbito, ao voltarmos para o quarto, a "coisa" singular aconteceu novamente; lá estava "ela", sutil, envolvente e repentina. Alguém entrou e saiu logo em seguida; falava-se de assuntos irrelevantes. Chocava sua acolhedora presença naquele aposento; impossível resistir ao seu apelo insistente. Esse mesmo fenômeno teve lugar mais de uma vez, em Wim­bledon; ali, ao dobrarmos uma esquina, deparou-se-nos aquela misteriosa força que parecia aguardar-nos à sombra do arvoredo, à beira de um caminho de grande movimento, em local tão distante daquele em que nos encontramos agora. Atônitos, estancamos ali, à sombra daquelas árvores, mudos de espanto, abertos e vulneráveis. Não se tratava de uma fantasia ou sonho; a pessoa que nos acompanhava sentiu-o também. Mais de uma vez, fomos surpreendidos por sua presença amorosa e con­vidativa, exibindo sempre uma qualidade nova, uma nova beleza e serie­dade. No quarto, estávamos, então, perante aquele mesmo fenômeno, inédito e inesperado. A beleza imobilizava o corpo e a mente, tornan­do-nos sobremodo despertos e sensíveis. Nosso ser inteiro tremia, quando, passados alguns instantes, aquele estado, impossível de descrever e ima­ginar, se desvaneceu rapidamente. Toda atividade do cérebro é medíocre e são frágeis e ilusórias as ações baseadas na emoção ou no sentimento. A emoção e o pensamento, sempre estreitos e limitados, ignoram o ver­dadeiro significado de fenômenos extraordinários que lhes são inacessíveis. Alheia a toda forma de repressão e controle, aquela coisa estranha brota da infinita solidão.


O requinte nada tem em comum com a sensibilidade: enquanto esta revela um estado de integração, aquele equivale a um fragmento. A sensibilidade é uma só: ou exprime a totalidade de nosso ser, de um estado de consciência plena, ou simplesmente não existe. Inútil o seu
cultivo lento e paciente ao longo dos anos, pois ela não resulta da experiência ou do pensamento; tampouco é a expressão de um estado emo­cional. Sem os excessos do romantismo e da fantasia, ela tem a qualidade do equilíbrio e da precisão. Somente os sensíveis podem encarar o real sem se enredarem em conclusões, opiniões e interpretações. Somente eles podem permanecer sós com a ação demolidora da solidão. Ao cessar de buscar o prazer, o ente sensível atinge a austeridade da compreensão e da lucidez. O prazer faz parte do requinte e este depende da educação, da cultura e do ambiente. Não há fim para o processo do refinamento; por resultar da escolha, do conflito e do sofrimento, existe sempre aquele que seleciona, a entidade que busca requintar-se, o ser que discrimina e exclui, nascendo daí a eterna dor. O refinamento leva ao isolamento, à indiferença e à fragmentação, frutos da atividade intelectual. Ainda que tenha elevado valor estético e moral, o requinte decorre do egocentrismo. Fútil e superfi­cial, ele pode ser motivo de prazer e satisfação, mas falta-lhe a genuína ale­gria e profundidade. De fato, sensibilidade e refinamento em nada se asse­melham; enquanto este conduz à morte pelo isolamento, aquela é a dádiva da vida plena.


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publicado por conspiratio às 18:28
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PLANTAS SOB STRESS PRODUZEM SUA PRÓPRIA 'ASPIRINA'

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Cena de "A Profecia Celestina"


Plantas sob estresse produzem sua própria 'aspirina', diz estudo

Descoberta foi feita por acaso em nogueiras na Califórnia
Uma equipe de pesquisadores americanos descobriu acidentalmente que algumas plantas são capazes de lançar no ar um gás de composição similar à de um dos analgésicos mais utilizados pelo ser humano, a aspirina, quando ameaçadas por perigos como estiagem, mudanças drásticas de temperatura ou pragas de insetos.

Os cientistas do Centro Nacional para a Investigação Atmosférica do Colorado concluíram que, da mesma forma que os seres humanos usam o ácido acetilsalicílico (nome científico da aspirina) para baixar a febre, as plantas lançam no ar uma substância química parecida com o analgésico para melhorar suas defesas e se recuperar de alguma lesão.

"Os cientistas dizem que quantidades significativas de substâncias químicas podem ser detectadas na atmosfera quando as plantas respondem a secas e outros perigos", disse o repórter da BBC, Richard Hamilton.

Os especialistas destacaram em artigo na revista Biogeosciences que os agricultores poderiam se beneficiar desse fenômeno porque a presença de emissões de salicilato de metila tem potencial para dar aos fazendeiros um alerta antecipado para possíveis dificuldades em seus cultivos, permitindo que eles tomem medidas contra pragas, por exemplo.

A substância química liberada também pode ajudar as plantas a sinalizarem um possível perigo umas para as outras.

"Esta descoberta traz uma prova de que a comunicação entre plantas ocorre no nível do ecossistema, disse Alex Guenther, co-autor do estudo.

"Parece que as plantas têm a habilidade de se comunicar através da atmosfera."

A equipe disse que descobriu a presença da substância química acidentalmente quando estava monitorando emissões de compostos orgânicos voláteis em uma plantação de nogueiras na Califórnia.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/09/080919_plantaestressada.shtml
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publicado por conspiratio às 15:52
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

PAUL BRUNTON NO HIMALAIA

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Fonte: Paul Brunton, Um Eremita no Himalaia, Ed. Pensamento


Ultimamente, minhas excursões à quietude produziram em mim um sentimento de maior contato com o meio ambiente. Como disse o poeta Shelley, sinto-me "unificado com a natureza". Sentado à beira do meu rochedo, munido de toda a paciência do mundo, deixando que a beleza e a serenidade da vizinhança pene­trem em mim, começo a sentir-me, eu próprio, como uma parte da tranqüila paisagem. Estou absorvendo na minha natureza a quietude do Himalaia. Meu corpo parece despontar da terra pedregosa e escura como qualquer pequena árvore. Agacho-me ao solo, enraizado como o cedro à minha frente. A vida que pulsa nas minhas veias parece ser a mesma que corre na seiva das plantas ao meu redor. Até mesmo a sólida montanha deixou de ser uma simples massa de rocha cristalina, para transformar-se numa formação viva obedecendo a determinadas leis, da mesma forma pela qual a minha carne obedece a essas leis.

E, à medida que esse espírito unificador penetra mais e mais em mim, um benfazejo sentimento de bem-estar parece ser o resultado. Eu e todas estas árvores amigas, esta terra amável, estes picos brancos e reluzentes, estamos unidos num só orga­nismo vivo e o todo, positivamente, é bom no seu íntimo. O universo não é morto, porém vivo; não é maléfico, porém bené­fico; não é uma casca oca, mas o corpo gigantesco de um Grande Cérebro. Sinto pena dos materialistas que, de forma muito honesta porém dispondo de poucos dados, acham que a morte é o rei do mundo e o Demônio mora no íntimo das coisas. Se lhes fosse possível calar seus cérebros superativos e enquadrar-se na personalidade panorâmica da Natureza, eles descobririam o quanto estão errados.

No entanto, com as mais recentes descobertas dos cientistas de que dispomos, apenas os tolos e sectários poderão defender as teses do materialismo. A forma misteriosa pela qual este crescente sentimento de unidade mescla-se com um sentimento de completa bondade vale ser assinalada. O sentimento de unidade não se deve a qualquer esforço da minha parte; pelo contrário, vem-me não sei de onde. A harmonia vai surgindo gradualmente e atravessa-me o ser como música. Uma ternura infinita se apossa de mim, aplacando o duro cinismo que uma reiterada experiência da ingratidão e desones­tidade humanas gravou fundamente no meu temperamento. Sinto a bondade fundamental da Natureza, a despeito da sua aparente fachada de ferocidade. Assim como os sons de todos os instrumentos de uma orquestra afinada, todas as coisas e todas as pessoas parecem entrar em doce relacionamento, que subsiste no coração da Grande Mãe.

Começo a compreender por que meu venerável Mestre não me sugere nenhum tipo especial de meditação e não me fornece nenhuma fórmula mística para ser ponderada e destrinçada. Ele não deseja que eu realize qualquer esforço no sentido de atingir uma posição mais elevada, quer apenas que as coisas corram natu­ralmente. Ele não me exibe um quadro daquilo em que me devo transformar, mas diz apenas, sê! Em suma, trata-se de não fazer nada a fim de permitir que algo seja feito comigo.

Nós, humanos, nos tornamos tão importantes e orgulhosos aos nossos próprios olhos que não nos ocorre que a Grande Mãe, que nos gera tão pacientemente no seu seio, nos alimenta com tanta abundância de alimentos e nos chama de volta quando estamos suficientemente cansados, tem um objetivo próprio que deseja conseguir em nós, desde que lhe permitamos. Nós organi­zamos nossos planos e projetos, nós decidimos aquilo que quere­mos da vida e nós pensamos, lutamos e até mesmo padecemos em nossos esforços para obter a satisfação de nossos desejos.

Se, porém, dedicássemos uma quarta parte do nosso tempo a suspender os nossos esforços e deixar tranqüilamente que o cére­bro da Natureza penetrasse no nosso, poderíamos proceder a uma sábia revisão do rol das coisas que desejamos e, ao mesmo tempo, garantir a ajuda da Natureza na obtenção dessas coisas.

O mundo não passa de um grande hotel, onde a Mãe Natu­reza nos aloja e alimenta, paga a nossa conta e depois segue em frente. Pois a Natureza tem um desígnio para cada um de nós e apenas desistindo durante algum tempo do contínuo exercício das nossas vontades poderemos nos familiarizar com tais propó­sitos. Se, no entanto, agirmos assim, talvez constatemos, surpreen­didos, que ela também tem uma forma de chegar aos seus fins, silenciosa porém eficazmente, diante de nossos olhos, desde que a ajudemos despindo-nos do nosso egoísmo. Então os desígnios da Natureza e os nossos tornar-se-ão um só. As ambições mudar­-se-ão em aspirações e as coisas que outrora desejávamos em nosso próprio benefício serão alcançadas quase sem esforço, através de nós para o benefício de outros também. Cooperar por esta forma com a Mãe Natureza é cessar de carregar as cruzes da vida e deixar que ela faça esse trabalho por nós; tudo se torna fácil, até mesmo miraculoso.

já tinha visto essas verdades antes, mas agora, no meu refú­gio montês e mais intimamente vinculado à Mãe, vejo-as com espantosa claridade.

Um poeta disse que a Natureza é a roupagem de Deus. Sim, mas para mim a Natureza não pode ser distinguida de Deus. Sei que quando estou reverenciando a Natureza não me estou entregando a um solilóquio; alguém acolhe a minha reverência. Se Deus é o Grande Arquiteto então a Natureza é o Mestre de Obras do universo, no sistema Maçônico do nosso mundo.

Meu Mestre explica a inutilidade de qualquer esforço sepa­rativo, através de um sorriso significativo. E pergunta-me: — Que pensarias tu de um homem que entrasse num compartimento de um vagão de estrada de ferro com uma mala na cabeça, depois se acomodasse num banco e se negasse a colocar a mala no chão? As pessoas, no entanto, negam-se a entregar a Deus os espinhos das suas existências, insistindo em carregá-los por si próprias, na ilusão de que ninguém mais poderá fazê-lo, assim como o homem do trem estava na ilusão de que não era o trem mas ele próprio quem iria transportar as malas. Assim, também, Deus sustenta a Terra, sustenta-nos a nós e aos nossos fardos, levando tudo Consigo.


***


Certa tarde, enquanto estávamos sentados nas proximidades da margem de um pequeno regato, o Iogue Pranavananda come­çou a falar acerca do seu professor, o Swami Jnanananda:

— Meu Mestre pertence a uma rica família que mora em Andhra, na zona nordeste de Madras. Com cerca de dezessete anos de idade ele teve um sonho no qual apareceu-lhe uma Grande Alma e pediu-lhe que deixasse o lar, mas tal pedido gerou um conflito íntimo no seu ser e ele não obedeceu de pronto. A Grande Alma apareceu-lhe novamente num segundo sonho, repetindo o pedido, mas desta vez o conflito íntimo tornou-se mais agudo do que nunca, sem que ele pudesse definir-se entre o seu desejo de obedecer e a sua esposa. Uma vez mais ele vacilou, faltando-lhe coragem para romper os laços de família. No entanto, A Grande Alma veio ter com ele uma terceira vez, tocou-o num sonho, e deu-lhe então forças para obedecer. Assim sendo, ele deixou o lar e, renunciando ao mundo, desapareceu em procura da verdade. Viajou para o norte e para o oeste em procura de um professor. Alguns anos mais tarde, ao encontrar seu mestre, este último disse-lhe simplesmente: — A meta espi­ritual já está em tuas mãos.

"Ele percebeu o quanto era avançado espiritualmente o jovem. E isso foi comprovado, pois logo após, o meu reverendo Mestre entrou no estado mais elevado de transe espiritual, do qual emergiu um novo homem.

"No entanto, meu professor queria tornar a sua realização perfeita, firme e sem solução de continuidade, de modo que, para esse fim, veio para o Estado de Tehri e foi viver solitário em Gangotri, em 1923. Lá estando teve uma experiência que serviu para provar a força da sua conquista espiritual. Viu-se um dia frente a frente com um enorme tigre, o qual não fez nenhuma tentativa de atacá-lo, mas aquietou-se nas patas traseiras e que­dou-se a observá-lo, durante algum tempo, antes de embrenhar-se na mata e desaparecer.

"Meu Mestre permaneceu nas vizinhanças durante todo um inverno, quando nenhuma outra alma teria ousado fazê-lo por causa da neve, de três metros de altura, que sepultava toda a região. Durante toda a estação hibernal não era possível obter ali qualquer espécie de comida, mas as autoridades de Tehri conseguiram que os funcionários governamentais mais próximos enviassem suprimentos de quando em quando. Mas o que é de pasmar é que Swami Jnanananda insistiu em permanecer quase inteiramente nu durante toda a sua estada, não usando senão uma sumária tanga. Jnanananda vivia numa caverna aberta, sem porta e sem lareira. Quando lhe perguntavam como podia suportar nu tanto frio, ele dizia: — Diante da minha gruta em Gangotri eu costumava sentar-me numa pedra para meditar e entrar em Samadhi. Habituei-me às inclemências do tempo sem maiores dificuldades. Um dia senti necessidade de atirar fora todas -as minhas roupas, sem qualquer razão aparente. Senti que alguma força interior me instava. Essa força e o nome do Senhor torna­ram-me totalmente indiferente ao frio, que eu não sentia. —Imagine-o vivendo naquela região desolada e bravia, cercado apenas de neve e gelo, com grandes avalanchas desabando, de tempos em tempos, das encostas e ameaçando soterrá-lo. Sua única companhia era o silencioso Himalaia, os animais selvagens que por vezes se arriscavam a passar por ali e uns poucos habi­tantes das montanhas. Hoje, se perguntarmos ao homem que costumava trazer comida ao Swami, descobriremos o quanto ele aprendeu a amar essa grande alma, pois seus olhos se iluminam ao falar nela e seu coração se enche de júbilo. . . "

De repente, Pranavananda pára de falar. Seus olhos quase se fecham. Sua respiração torna-se agitada e estertorante. Ima­gino que vai ter um ataque. Mas não, logo ele se acalma e começa, através de estágios tranqüilos, a entrar em transe. Seu corpo mantém-se sereno e imóvel, a não ser pelo ligeiro movi­mento de erguer e baixar os ombros que acompanha a respiração.
Então dou-me conta de que uma modificação vital se operou na atmosfera. A misteriosa quietude que anuncia a chegada de um estado mais elevado de consciência ou de um ser superior invade o ar. Percebo de pronto que algo importante aconteceu, de modo que faço uma meia volta a fim de olhar de frente o Togue, sento-me no chão; tranco as pernas em postura de medi­tação e tento ajustar-me mentalmente àquilo que estava por vir.

Perante o olho interior, a imaginação, a epífise — o nome pouco me importa — fulgura um rosto de homem, barbado, usando óculos e com um nariz largo. Um sorriso amigo lhe baila nos lábios. Recebo um olhar penetrante e, logo depois, uma mensagem.

Compreendo.

É o Swami Jnanananda. Usando dos poderes misteriosos que têm os homens da sua classe, ele projetou sua mente, sua alma, seu corpo sutil — uma vez mais o nome pouco me importa — sobre seu discípulo e eclipsou-o. No momento, os dois são espiritualmente unos, seus corações se mesclam. Este processo de autotransferência poderá surpreender o mundo, mas significa, em menor escala, a mesma coisa que Jesus quis dizer ao procla­mar: — Eu e meu Pai somos um só. — Este é o verdadeiro significado da condição de discípulo, seu segredo mais íntimo. Não é à toa que as tradições yogues da índia declaram que render-se ao Mestre é uma condição essencial, mas os tolos sem­pre puseram esta verdade no plano material e não conseguiram compreendê-la. Tudo aquilo que um verdadeiro Mestre exige do seu discípulo é uma íntima identificação consigo e não a entrega de bens materiais. Esta última é a marca registrada da charlatanice. A primeira é o atalho que elimina todas as longas e laboriosas disciplinas impostas por caminhos diferentes.

Durante meia hora nos mantivemos em completo silêncio, o discípulo eclipsado e eu. Procuro colocar-me em harmonia com as vibrações mais elevadas que agora dominam o ambiente. O mestre fala-me, sem se valer do uso de palavras, sem discursar, e eu me torno sensível e receptivo tanto quanto posso. O mundo exterior talvez não veja senão dois homens calados, um com os olhos semicerrados, outro com os olhos bem arregalados. Mas eu vejo uma presença sublime, cuja visita ergue-me provisoria­mente acima do meu pequenino ego.

Finalmente, meu companheiro retorna lentamente à sua condição normal, vira a cabeça e depois toca os olhos com o lenço. Continuamos sentados, não mais frente a frente, porém ambos imersos no mais absoluto mutismo. Mais tarde, quando nos levantamos e caminhamos juntos pelo vale, falamos acerca de outros assuntos e não tocamos naquele. A experiência vivida não constitui um tema fácil para conversação e deixamos que ela passasse sem ser mencionada.

De volta ao bangalô, pondero no breve esboço de vida do seu mestre que o meu amigo traçou para mim. Imagino-o em Gangotri, sentado-se para meditar, com talvez uma pele de corça estendida sobre um banco de gelo; a neve caindo por toda parte, quase soterrando-o; e os ventos cortantes uivando em torno. Como terá podido ele resistir à tremenda dureza da vida num ermo tão entorpecente? Como pôde suportar todo um inverno himalaio nas alturas de Gangotri, três mil e quinhentos metros no nível do templo, ultrapassada apenas pelo pico nevado que tem uma altitude de sete mil metros? Como sobreviveu a tudo, nu e sem lareira, e emergiu são e salvo da sua odisséia? (O médico oficial do Estado de Tehri, Dr. D. N. Nautyal, examinou Swami Jnanananda depois da sua volta e constatou que o seu pulso bate agora num ritmo de 30 pulsações inferior ao normal, segundo me declarou um funcionário do governo.)

O corpo obedece a determinadas leis naturais e qualquer outro homem que tentasse viver nu em condições semelhantes pereceria inevitavelmente. No entanto, Jnanananda parece haver interrom­pido o funcionamento de tais leis por um simples ato de sua vontade.

Qual é a explicação?

Encontro alguma indicação a respeito, parte em dois antigos volumes hindus e parte nas declarações de um asceta tibetano que, conheci em Buda-Gaya há alguns anos.

Um dos volumes é o Hatha Yoga Pradipika, um texto sâns­crito para uso daqueles que estão praticando o Controle do Corpo.

Descreve-se ali um rigoroso e difícil sistema de autodisciplina, envolvendo grandes esforços da vontade e prometendo por fim aos seguidores a capacidade de resistir a quaisquer mudanças de temperatura. O outro livro é o famoso Bhagavad Gita, um manual de Ioga e filosofia, que aconselha o praticante a recolher sua mente tão profundamente na direção do seu centro espiritual a ponto de esquecer as sensações físicas. "Coloque-se além dos opostos calor e frio", são as palavras ali impressas.

Dos tibetanos aprendi que entre os avançados ascetas do reino dos lamas existem numerosos que se especializam em gerar, por meio de determinados exercícios físicos e práticas mentais, um calor interno, uma sutil força ígnea a que chamam tomo. Nesses exercícios a respiração profunda se combina com esforços da vontade e da imaginação. Primeiro, canta-se uma invocação secreta a fim de receber o poder mágico requerido, a seguir o poder de visualização é conseguido e uma imagem subjetiva do fogo é produzida. Depois as chamas são avivadas, com o acompa­nhamento de respirações profundas, a partir da sua origem imagi­nária junto do órgão sexual e enviadas à cabeça. A teoria desses ascetas é que o fogo imaginário aquece o fluido sexual, o qual é a seguir distribuído pelas artérias e nervos através do corpo, por meio de outros exercícios. Por fim, o asceta entra num transe durante o qual permanece durante algum tempo com a mente focalizada na miragem do fogo por ele criada. Meu informante tibetano pretende que esta prática afugenta por completo qual­quer sensação de frio do corpo e permite ao homem sentir uma agradável quentura, mesmo estando ele enfiado no mais rigo­roso inverno. Na verdade, acrescentou, alguns ascetas sentam-se propositalmente em água gelada quando entregues à prática deste exercício.


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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

SONHOS PODEM NOS AJUDAR

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Texto de Soozi Holbeche

Estados alterados

Portanto, parece que o sono é um período de purgação, cura, relaxamento físico e ajuste psicológico. As palavras de Edgar Cayce condizem com as descrições de inúmeros sobreviventes de experiências de quase-morte e sugerem que no sono podemos ter experiências semelhantes àquelas da morte e do pós-morte.

O Livro Tibetano dos Mortos descreve vividamente as imagens de medo, horror, ameaça ou punição que podemos ver após a morte, mas salienta que essas são formas-pensamento criadas pela própria pessoa e baseadas em suas crenças. Os lamas tibetanos são treinados para man­ter consciente uma pessoa moribunda o maior tempo possível, para po­der guiá-la através dessas ilusões, à medida que vão surgindo. Nos dias precedentes, durante e após a morte, o paciente será lembrado de que deve deslocar-se em direção à luz, enfrentar qualquer vulto ameaçador, mas não se envolver emocionalmente com isso, pois trata-se apenas de uma fantasia de sua imaginação. A ioga tibetana do sonho é uma espécie de ensaio geral para dominar os desafios dessa experiência. Como nas antigas escolas de mistério, o aluno aprende a se manter consciente durante toda a noite, enquanto se encontra num estado semelhante ao sono. Ele controla o que se passa em seu mundo interior, e assim fica pre­parado para fazer o mesmo na morte.

Depois de um acidente em que o carro que eu dirigia foi atingido por um caminhão e ficou despedaçado, tive um sonho no qual eu via seis senhores do carma, altos e impressionantes, diante de mim. Senti meus joelhos tremerem. O primeiro apontava para um corpo que apa­receu miraculosamente ao meu lado, em pé, vazio mas ereto, como uma armadura. Entrei nele e representei como se fosse um mímico, até que o segundo senhor apontou para outro corpo, onde também tive de entrar. Fiz isso seis vezes até que uma voz disse: "Você escolheu viver doze vidas em uma. Agora você completou seis." Enquanto eu olhava para esses vultos severos que estavam à minha frente, de repente percebi que eram aspectos de mim mesma, e que eu julgava a mim própria. Imediatamente, todos nos pusemos a rir. Era como se eles estivessem sobre pernas de pau e elas caíssem. Acordei absolutamente certa de que para mim Deus era um Deus de amor e humor, e que se escolhermos acreditar na punição e no julgamento, nós os administramos a nós mes­mos.

O sono como um caminho para entender os outros


Pesquisas parapsicológicas sobre a natureza da consciência indicam que durante o sono há uma comunicação telepática mais intensa com os outros. Nós "abandonamos" os limites do ego e nos tornamos mais abertos, mais receptivos para as pessoas conhecidas e desconhecidas que estão à nossa volta. O físico Albert Einstein escreveu sobre a ne­cessidade de nos libertarmos da prisão do sentimento de que estamos separados de todas as outras pessoas, ampliando o nosso círculo de solidariedade a fim de abranger todas as criaturas viventes. Parece que durante o sono todos podemos fazer isso. Quanto mais próximos esti­vermos uns dos outros, mais empatia sentiremos; portanto, maior a pro­babilidade da "sintonia" telepática ou clarividente. Maridos e esposas, amigos e amantes, podem não só desenvolver idênticos padrões de sono, mas também com freqüência sonhar os mesmos sonhos ao mesmo tempo. Combinar-se com outra pessoa durante o sono é fascinante; mas também pode ser um ótimo recurso para lidar com os problemas da vida desperta.

Uma vez passei quatro semanas viajando pela Europa com um grupo de vinte e cinco pessoas que brigavam e discutiam o tempo todo. Infelizmente, a responsabilidade de arranjar os quartos era minha e todas as noites vinha aquela fila de pessoas dizendo: "Eu não quero dormir com X porque ele ou ela fuma/ ronca/ levanta às duas da manhã/ fica muito tempo no banheiro/ não pára de falar/ não diz uma palavra/ não gosta de mim, e assim por diante. Certa ocasião, chegamos depois da meia-noite num hotel que cometeu um engano com a nossa reserva. Então nos ofereceram dois quartos grandes com colchões no chão. Todos nos amontoamos, independentemente de sexo, propensão a roncos ou qualquer outra coisa. Tínhamos de estar de pé às cinco horas da manhã para pegar um ônibus e, apesar de haver apenas dois banheiros, todos estavam prontos, alegres e de bom humor. Daquele momento em diante, as discussões sobre quem deveria dormir onde terminaram: era como se da noite para o dia todas as nossas arestas tivessem sido aparadas e juntadas.

Dormir no mesmo quarto que os outros é um outro caminho para a percepção e a compreensão. Um grupo de homens de negócios, cuja empresa estava repleta de problemas comerciais e de relacionamento — que as reuniões oficiais não tinham resolvido —, leu um artigo no jornal que afirmava que "dormir junto era estar reunido". Então eles decidiram sair para fazer um acampamento no fim de semana e levaram uma barraca grande onde todos dormiriam juntos. Eles não sabiam nada sobre sonhos ou incubação de sonho (ver Capítulo 7). Nesse fim de semana eles se refestelaram, não discutiram quase nada sobre negócios, dormiram mais do que comeram e, sem terem tido nenhum sonho má­gico ou recebido nenhuma revelação profunda, voltaram para casa. No entanto, em algum nível inconsciente ocorreu uma harmoniza­ção. Na semana seguinte, cada homem produziu uma idéia que por si só não era prática, mas que, ao se juntar com as idéias dos outros, desenvolveu-se num empreendimento bem-sucedido em sua execução. Desde então eles têm utilizado muitas vezes a técnica de "dormir jun­tos", e a empresa agora está prosperando.

A psicóloga-clínica, minha amiga Sylvia, arranjou um emprego num hospital americano que logo ela descobriu ser famoso pela violência de seus internados, e também pelos tratamentos que eles recebiam com drogas, camisas-de-força e celas acolchoadas. Após o primeiro dia ela já queria ir embora, e nessa noite adormeceu exausta e irritada, e sonhou que sua mente tornava-se uma teia pulsante de luz que se expandia até
conter o hospital inteiro. Ela via cada piso, corredor e ala, enquanto os rostos dos reclusos surgiam e desapareciam ao seu redor.

Então pareceu a Sylvia que ela estava flutuando fora de seu corpo até o último andar do hospital, onde ainda não tinha estado. Havia uma série de portas trancadas com cadeados, mas ela as atravessou e chegou às alas onde os pacientes pareciam estar em compartimentos como gaio­las, isolados por arames. Quando a viram, flutuaram em direção a ela, gritando, chorando e pedindo ajuda. Ela não sabia como ajudar, mas cumprimentou cada um deles, pegou-lhes nas mãos, afagou-lhes o rosto, disse-lhes como ela se chamava e prometeu voltar.

Quando acordou, não se lembrou de nada disso, mas mergulhou em seu trabalho com um novo vigor e sentiu uma relação diferente com o pessoal. À tarde, a enfermeira-chefe disse-lhe que queria apresentá-la a pacientes e funcionários que ela ainda não conhecia. Elas foram para o último andar do hospital e, de repente, Sylvia reconheceu os corredores e as portas com cadeado da noite anterior. A enfermeira-chefe disse que era muito perigoso entrar naquela ala sem a companhia de dois enfermeiros, pois ali estavam os internos mais violentos e loucos do hospital, mas que ela podia olhar através dos visores.

No entanto, Sylvia insistiu em entrar e, ao fazê-lo, todos os pacientes se levantaram, dizendo: "Sylvinha, Sylvinha, você voltou!" Ela sentiu calafrios na espinha à medida que cumprimentava cada paciente, exatamente como fizera no sonho. De algum modo, a sua consciência se combinara com a de seus pacientes — não foi unilateral, mas mútuo. Eles a reconheceram.

Antes de ela chegar, os psicólogos só entravam nessas alas com um guarda. Sylvia, que sempre entrava sozinha, nunca sofreu nenhum mal, e passou os vinte anos seguintes trabalhando para reabilitar essas pessoas. Quando precisava aprofundar o trabalho com alguém em par­ticular ou com um determinado grupo, ela dormia no hospital com eles; não no mesmo quarto, mas tão próximo quanto possível. Para Sylvia, o sono era tão produtivo quanto qualquer coisa que fizesse durante as horas de vigília, permitindo-lhe reagir intuitivamente ao temperamento de todos que estavam ao seu redor. (Nem sempre é possível dormir com todos aqueles com os quais queremos uma boa relação! Porém, eu acho que escrever o nome da pessoa num pedaço de papel e dormir sobre ele pode produzir resultados semelhantes. É como se, ao fazê-lo, "chamássemos" o outro para dentro da nossa órbita.)


Edgar Cayce


Provavelmente, a pessoa mais produtiva em seu sono, em todos os tempos, foi Edgar Cayce, que freqüentemente era chamado de "o profeta adormecido". Mesmo quando criança, ele dormia sobre os livros e da noite para o dia absorvia a informação que eles continham. Ao acordar era capaz de repetir fluentemente o que tinha aprendido enquanto dormia. No tempo em que era jovem, Cayce estava vendendo enciclopédias — um trabalho que ele odiava — quando as suas cordas vocais ficaram paralisadas e ele perdeu a voz. Depois de falharem todos os tratamentos ortodoxos, sua família levou-o a um hipnotizador numa feira local, o qual submeteu-o a um profundo estado de sono ou transe, em que Cayce diagnosticou a causa e recomendou o tratamento para a sua própria condição. Mais tarde ele aprendeu a auto-induzir esse estado, que con­tornava a mente consciente e dava acesso ao que chamava de sabedoria do subconsciente, e que para Jung era o inconsciente coletivo. Ele pre­cisava apenas do nome e da localização geográfica de qualquer pessoa em qualquer parte do mundo para dar um diagnóstico detalhado da condição do indivíduo.

Durante a vida ele ajudou milhares de pessoas, e desde a sua morte em 1945, suas leituras mediúnicas, cuidadosamente documentadas pela Associação para a Pesquisa e a Iluminação, em Virgínia Beach, têm ajudado outros milhares. A vida e o trabalho de Cayce têm sido tema de dezenas de livros. Ele é ainda o exemplo mais extraordinário de como podemos utilizar o sono para mergulhar no inconsciente, embora sempre insistisse que qualquer um que estivesse disposto a desenvolver suas faculdades psíquicas e espirituais poderia fazer o mesmo.


Do livro: “COMO OS SONHOS PODEM NOS AJUDAR”, Soozi Hojbeche, Editora Cultrix, 1994


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Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

LIVRO DAS ATITUDES

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Tome uma atitude sensual


A atitude sensual é aquela que nos torna verdadeiramente conscientes do sentir e nos convida a estar presentes com todo o nosso Ser quando tocamos, ouvimos, olha­mos intencionalmente para alguém ou para alguma coisa, quando saboreamos alimen­tos e percebemos fragrâncias e odores no mundo que nos cerca. A atitude sensual nos leva a experimentar o princípio de unidade que está por trás de tudo o que é vivido consciente e amorosamente com os nossos sentidos. Quando estamos sensualmente atentos, nossa Essência Divina se gratifica intensamente e nos libertamos da ilusão da separatividade.

Do Livro das Atitudes, de Sônia Café e Neide Innecco, Editora Pensamento.
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

EXERCÍCIO E LONGEVIDADE

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Bob Delmonteque

MITICO NAKATANI
Sarada aos 72 anos de idade pela corrida
08/07/04

"Comecei a me sentir mal com 54 anos e fiquei doente até os 57. Sentia cansaço, dores, falta de ar e problemas de respiração. Tinha de pingar o soro no nariz para acordar, para dormir, para tudo. Fui a cinco médicos, e ninguém descobria o que eu tinha. Acho que era depressão, mas antigamente não chamavam assim. No princípio achei que fosse dengue, mas o médico disse que era um problema de coluna. Fiquei um ano tratando a coluna. Aí fiz tratamento para gastrite.

Depois fui ao especialista em fígado, mas não melhorava. Sentia enjôo, cansaço e sempre queria deitar-me. Tinha ainda mais problemas, precisava ser operada das hemorróidas e das amígdalas, pois sempre estava gripada. Mas pensei: "Do jeito que estou fraca, se for operada, já morro de uma vez".

Fui ao posto de saúde, onde a médica era boa e descobriu que o problema era intoxicação por remédio. Ela me mandou parar toda a medicação. Melhorei, graças a Deus. A médica dizia que eu tinha de tomar o sol da manhã. Então comecei a caminhar.

Quando você não está bem, não quer fazer nada. Mas ela mandou tomar um suquinho antes da caminhada, e aquilo foi muito gostoso. Só que caminhar é muito monótono e pensei: "Acho que correr anima mais". Então comecei a correr, fiquei mais forte e saudável.

Comecei sozinha para ter certeza de que conseguiria. Depois, achei que estava bom e entrei no clube japonês para correr com a turma. Era sempre a última na saída e na chegada. Todo mundo ria: "Você não tem jeito para correr". Mas pensava que um dia eu conseguiria. E consegui.
Corria na pista com a turma, mas aquilo não era nada para mim e comecei a correr na rua, na rodovia dos Imigrantes. No começo, fazia 1 km por dia. Hoje, o treino é de 5 km a 10 km durante a semana. Aos sábados, faço um percurso em subida na USP de 10 km, mais 6 km em terreno plano.

Senti totalmente as mudanças no corpo. Antes, eu me alimentava mal porque não tinha vontade de comer. Se você não está bem, não consegue se alimentar. Comia só a metade de um pão francês -com sacrifício- porque era obrigada. Isso é que foi me prejudicando. Tinha médico que dizia que eu não podia comer arroz também. Então, comia só a papa do arroz e aquilo não me sustentava.Então, saindo, andando e correndo, sentia mais fome e comia muito bem. Comecei a comer o pão francês inteiro, bananas, laranjas, tudo. Agora como demais.

Enquanto estava doente, pesava 34 kg e não aumentava o peso. Quando era solteira, era gordinha, gordinha. Pesava mais de 50 kg. Naquela época, nunca pensei em correr. Não tem a gincana japonesa? Mas eu falava: "Não gosto de correr porque, em vez de correr, eu mais caio".
Hoje estou com 41 kg [1,38 m de altura]. Para a maratona de Paris, em abril de 2004, eu pesei 40 kg. Depois da maratona, você fica um mês parada e já engorda. O técnico não me deixa correr depois da competição. Mas todo dia faço uma caminhada ou um pouquinho de corrida. Agora, preciso tirar esse quilo que está sobrando.

A principal modificação que senti em meu corpo foi a força dos pés. Eu sentia muita fraqueza. Por isso eu tropeçava e caía muito. Mas, como o técnico indicou musculação, fortaleci os pés e não caí mais. Ele me mandou fazer hidro, natação e musculação. Já estou me sentindo bem melhor. Estou em forma.

A natação relaxa o corpo, por isso ela é gostosa. Você esquece aquele cansaço que teve na corrida. A hidro é ainda mais gostosa porque tem a água aquecida.Hoje eu me sinto outra, totalmente diferente e disposta para tudo. Se alguém me pede alguma coisa, posso estar cansada, mas ajudo. Não precisei ser operada e nem sei mais se tenho amidalite, porque não pego gripe. Corro na chuva ou no sol.

A relação com a minha família também mudou. Meu marido quer saber como foi meu dia. Meus filhos perguntam se corri bem, se não me machuquei. Ficou mais unida a família, e me perguntam: "Será que eu consigo?". E eu digo: "Treinando, vocês vão conseguir".
http://runforlifenews.blogspot.com/2008/05/longevidade-e-competitividade-mitico.html

Minha maior conquista com a corrida foi minha saúde. Por isso falo para todo mundo: "A melhor coisa é não ficar parada. Alguma coisa você tem de fazer, correr ou andar". Meu sonho agora é correr até os 80 anos e meu próximo desafio é a maratona de Barcelona [Espanha], em agosto de 2005. Se eu puder, continuo. Os médicos dizem que não é bom eu correr, mas, para mim, é o contrário. Eu estou melhorando cada vez mais."

Depoimento dado à Maria Fernanda Gonçalves, free-lance para a Folha

Mitico Nakatani em 2008:
Longevidade e competitividade é Mitico Nakatani aos 76 anos






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Como ultrapassar os 100 anos
(c) Dr. Alessandro Loiola


Em polonês, "STO LAT" é uma forma de cumprimento bastante comum e significa "que você viva cem anos! ".
Desejar vida longa e próspera a alguém é uma das saudações mais bonitas que você pode fazer. Em teoria, quanto mais vivemos, maiores serão nossas chances de sucesso e felicidade.


Calcula-se que uma de cada 50 mulheres e um de cada 200 homens vivos hoje chegarão ao centenário. E os cientistas dizem que é apenas o começo, pois temos potencial biológico para viver ainda mais, até os 130-150 anos de idade.
Então qual será o segredo? Como fazer parte desta estatística e comemorar um supercentenário sendo capaz de amarrar os próprios cadarços (se é que irão existir cadarços até lá)?


Inúmeros centros de pesquisa em todo o Mundo vêm se debruçando sobre o assunto, com algumas conclusões em comum.


Dentre várias, selecionei 05 medidas essenciais para você envelhecer com saúde:


1º - RESPEITE SEU ESTÔMAGO
O ditado "o peixe morre pela boca" também pode ser aplicado aos mamíferos. O alimento é o combustível do corpo. Cuide bem do seu motor, e ele lhe garantirá uma viagem longa e tranqüila. Por exemplo: 70% do colesterol presente no seu organismo são produzidos por você mesmo, principalmente pelo seu fígado. Seguir uma dieta capaz de reduzir os níveis de colesterol é tão importante quanto levar uma dieta pobre em gorduras. Quer outro exemplo? A qualidade da dieta influencia o risco de desenvolver vários tipos de câncer - e os tumores malignos são uma das principais causas de óbito na Terceira Idade.


2º - RESPEITE SUA HIDRATAÇÃO
Um ser humano é pouco mais que um saco plástico contendo cerca de 40 litros de líquido viscoso e 20 quilos de miúdos secos. A água corresponde a 60% do seu peso . Assim como o radiador do seu carro, você precisa manter o nível de água dentro do ideal, sob o risco de ferver e ter de interromper a viagem antes do previsto. Mas atenção: não inclua bebidas alcoólicas na lista de líquidos preferenciais para hidratação. Ao invés disso, abuse da água potável e dos sucos de frutas naturais.


3º - RESPEITE SEU CÉREBRO
Considere o cérebro como o se fosse o "músculo" mais eficiente do seu corpo. Não o deixe atrofiar por falta de exercícios! Procure estar à volta com atividades que estimulem o raciocínio, desde jogos de memória até equações de física quântica. À noite, premie o esforço dos neurônios com sono de boa qualidade.


4º - RESPEITE SEUS OSSOS
Para cada 1 hora de exercícios regulares, você adiciona 3 horas à sua vida. É uma boa troca, não? Mas nada de exageros: para subir uma escada aos 80 ou levantar-se da cadeira aos 90, você precisará de ossos flexíveis. Na Terceira Idade, um esqueleto estável é mais importante que braços definidos ou um abdome tanquinho. Respeite seus ossos fazendo alongamentos pelo menos duas vezes por semana e obedecendo aos limites de velocidade no trânsito.


5 º - PROCURE UM SENTIDO
Envelhecer significa livrar-se de alguns pesos. Filhos, contas, emprego, responsabilidades... muita coisa sai de cima dos seus ombros. Mas uma carga menor também pode significar um sentido menor para a vida. Essa é uma armadilha comum. A resposta é procurar sempre um novo lugar, uma nova perspectiva existencial. Como disse John Barrymore, "só envelhecemos de verdade quando começamos a trocar nossos sonhos por arrependimentos". Portanto: Aposentou-se? Assuma riscos diferentes, reinvente desafios, volte a estudar, compre um animal de estimação, participe de grupos de leitura, desempenhe trabalhos voluntários (que tal lecionar para crianças carentes?). Separou ou enviuvou? Viaje, faça aulas de dança, conheça pessoas e comece a namorar novamente. Certamente existem aventuras neste mundo que você gostaria de fazer e ainda não fez. Se não forem contra a Lei, faça-as imediatamente!


Então, abraços e "STO LAT"




"As rugas devem indicar apenas onde os sorrisos estiveram"! Mark Twain


***



Mais alguns exemplos de atletas longevos:



Bob Delmonteque - basta entrar em: http://www.bobdelmonteque.com/




Buster Martin




por Rodolfo Lucena

A fortuna não lhe sorriu ao longo da vida, mas hoje a fama abre os braços para ele: aos 101 anos, Buster Martin aparece em jornais do mundo todo e dá entrevistas a rádios e TVs. Virou uma espécie de garoto-propaganda da capacidade física dos anciãos. Mais velho trabalhador da Grã-Bretanha, esse lavador de carros e pai de 17 filhos se prepara para participar, no próximo domingo, de uma maratona.Com o número 32.858 no peito, Martin vai largar na tradicional maratona de Londres para percorrer 42.195 m, sabendo que pode até não completar a prova. "Vou fazer o melhor possível", disse ele à Revista, por telefone, destacando que o importante é mostrar que pessoas mais velhas podem ser ativas e participativas.E isso ele tem sido. Aposentado aos 97, não agüentou ficar sem trabalhar. Acabou conseguindo uma vaga na Pimlico Plumbers, maior empresa de encanamento de Londres, onde se encarrega de lavar as mais de cem vans da companhia. Martin é também um dos astros anciãos da banda The Zimmers, que foi tema de um documentário da BBC no ano passado, quando lançou seu single "My Generation".Mais idoso integrante do seu grupo musical, esse ex-militar e ex-garoto de recados no mercado de Brixton tornou-se, em março, o mais velho meio-maratonista do mundo ao completar, em 5h13min13s, a "Roding Valley Half Marathon". Com direito a várias paradas para uma cerveja.Entusiasmado, dedica seu esforço na maratona à arrecadação de fundos para uma instituição de caridade, a Rhys Daniels Trust. Ele é orientado por Harmander Singh, técnico do lendário Fauja Singh, recordista da prova na faixa etária de mais de 90 anos (com o excelente tempo de 5h40 na maratona de Londres de 2003). Mas o indiano começou a correr cedo, aos 89 anos, em comparação com o senhor centenário nascido na França, que só agora desperta para a corrida de longa distância.Martin treina três vezes por semana por cerca de três horas e meia. Faz alongamentos, enfrenta distâncias curtas e também treinos mais longos, além de uma sessão de boxe. E trabalha todos os dias na lavação dos furgões. Num dos intervalos de sua ativa vida, concedeu esta entrevista. Leia a seguir os principais trechos.Então o senhor vai correr a maratona de Londres...Vou tentar. E, se eu conseguir, vai ser o máximo. Eu quero ser uma fonte de inspiração, em vez de ficar sentado em uma cadeira de rodas e tudo o mais. É mais uma chance para eu mostrar às pessoas que ainda tenho muita vida em mim. Sempre fui muito ativo, tanto no meu trabalho no mercado quanto nas Forças Armadas. Quando eu decido fazer alguma coisa, em geral, eu consigo.


O senhor correu em março uma meia-maratona. Como foi?Foi ótimo, eles me deram cerveja de graça durante a prova. Eu gosto de beber e não fico bêbado. Não me chame de senhor, apenas de Buster.
Por que fazer esse esforço todo, em vez de ficar em casa, vendo TV e tomando cerveja?Porque o tédio é um assassino. Não importa se estou correndo, trabalhando ou treinando na sala de ginástica, o que quero é me manter ativo e sempre muito ocupado. Nunca gostei muito de TV, mas realmente aprecio uma ou mais cervejas por dia.


O senhor viveu vários momentos marcantes de sua cidade. Quais foram as grandes mudanças, na sua opinião?As piores mudanças em Londres são o espírito da cidade, que está menos amistosa, e o comportamento da juventude, que tem muito menos respeito. A melhor mudança é a diminuição da discriminação contra os mais velhos. Há muita gente, como a empresa em que trabalho, que respeita a geração mais antiga e a contribuição que podemos dar. Essa realmente é uma mudança muito boa, pois os mais velhos também têm muito a oferecer.


O que o seu médico diz da sua decisão de correr a maratona?Ele diz para eu ir com calma e ter sempre alguém comigo enquanto treino ou participo de corridas.


Qual é a lembrança mais querida na sua vida?
O nascimento de meu primeiro filho, em 1920.


E há alguma imagem do passado que o atormenta?Minhas experiências durante o serviço militar vão ficar comigo por toda a vida. Foi um período muito difícil, mas eu tinha muito orgulho de servir ao meu país.
Quais são os principais fatores de sua longevidade?É muito simples: o desejo de ficar sempre ativo e de aproveitar cada minuto da vida. Se eu acordo de manhã, tenho confiança de que vou viver um bom dia.


muito vivo e ativo

Buster Martin nasceu na França, em 1º de setembro de 1906, mas foi levado para a Grã-Bretanha aos três meses; órfão, viveu em um orfanato, do qual foi expulso aos dez anos, por comer demais
> Desde os 99 anos, trabalha como lavador de vans na Pimlico Plumbers. Seu primeiro emprego, logo depois de sair do orfanato, foi no mercado de Brixton, no subúrbio de Londres, como garoto de recados
Entrou nas Forças Armadas aos 15 anos e chegou a ser instrutor de educação física. Serviu na Segunda Guerra. Deu baixa em 1955. Voltou a trabalhar no mercado de Brixton, onde se aposentou aos 97 anos
É viúvo de Iriana Martin, com quem casou aos 14 anos, ficando com ela por 35 anos. O casal teve 17 filhos; o mais velho tem hoje 88 anos e o mais novo, 70


É integrante da banda de anciãos The Zimmers




'How To Live Forever'
http://www.liveforevermovie...

Buster Martin 101 'How To Live Forever'


An official excerpt from the upcoming documentary, "How To Live Forever," directed by Mark S. Wexler. For more info on the film, please go to


Jack LaLanne 'How To Live Forever'


*Gangue de adolecentes apanha de um senhor de 100 anos
http://forum.hardmob.com.br/archive/index.php/t-290130.html



http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq0409200814.htm

Stanley Shechter


*Piscina com história: Nadadores melhoram rendimento à medida que envelhecem quando técnica é aperfeiçoada com o tempo
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Recrie seu cérebro Como? Andando, correndo, escalando, pedalando, jogando tênis...
Revista Isto É, 06 junho 2007 n°1962, ano 30


OS BONS EFEITOS DA GINÁSTICA ULTRAPASSAM A BARREIRA DOS MÚSCULOS. ELA É A NOVA APOSTA DA MEDICINA PARA MANTER OS NEURÔNIOS JOVENS E ATIVOS, AGUÇAR A MEMÓRIA E MELHORAR A CAPACIDADE DE RESOLVER PROBLEMAS


Você já testemunhou uma autêntica revolução no conhecimento humano, com resultados imediatos na sua vida cotidiana? É isso o que a ciência está agora oferecendo. Explica-se. Ao contrário do que foi ensinado durante os últimos 100 anos, os neurônios (células nervosas do cérebro) não se perdem irremediavelmente com a passagem do tempo, impondo falhas à memória e dificuldades no aprendizado. Limpe tudo isso da mente. Os especialistas hoje provam que o cérebro de uma pessoa adulta fabrica novas células para repor peças desgastadas e pode se manter jovem, melhorando a capacidade de resolver problemas - ou seja, aprimorando a inteligência. E o gatilho para essas mudanças, segundo os mais recentes estudos de neurologia, está em uma receita simples: a atividade física.


Um desses trabalhos acaba de ser publicado nos Estados Unidos. O pesquisa dor Charles Hillman, da Universidade de Illinois, avaliou o desempenho na escola e a performance física de 259 estudantes das primeiras séries equivalentes ao nosso ensino fundamental. Eles foram submetidos ao mesmo protocolo de treinos físicos e a resposta do organismo à carga de atividades foi medida. Depois, as crianças passaram por uma bateria de provas, com direito a intervalos a cada 40 minutos. Os alunos que tiraram as melhores notas em matemática e leitura foram aqueles que se empenharam e se saíram bem nos exercícios. De acordo com Hillman, são necessários mais estudos para compreender o efeito deles sobre os alunos. Mas o cientista já tem seus argumentos: a atividade física, particularmente a aeróbica (como ginástica e ciclismo), modifica as funções relacionadas à aprendizagem e estimula os impulsos elétricos do cérebro. É possível também que os estudantes tenham se sentido motivados quando fizeram os exercícios. E quem cumpre uma tarefa com ânimo tem, de fato, melhores resultados.


Há alguns anos os cientistas vêm apontando uma associação entre a malhação e a saúde do cérebro. Não se sabia, porém, quais mecanismos estavam envolvidos nessa relação. Um estudo de 1998 abriu novos campos para a neurociência, impulsionando mais pesquisas sobre o funcionamento cerebral. Naquele ano comprovou-se a produção de neurônios no encéfalo de adultos. "Descobriuse que eles surgem a partir de células-tronco armazenadas em regiões específicas. Essas estruturas se transformam em neurônios que regeneram o cérebro. Trata-se de um marco que permite uma nova visão do envelhecimento", diz o neurocientista Cícero Galli Coimbra, chefe do laboratório de Neuropatologia e Neuroproteção da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).


A revelação deu origem a muitos outros trabalhos científicos que procuravam explicar de que modo seria possível estimular a reposição dos neurônios avariados. Um dos caminhos escolhidos foi investigar melhor o que se passava com o corpo quando submetido a exercícios. E o que se viu é que os benefícios vão além do desejado aumento no volume de músculos, da redução da flacidez e da proteção contra doenças cardiovasculares. A atividade física promove uma espécie de chacoalhão que deixa o cérebro muito mais ativo. O uso de sofisticados exames de imagem revelou que, sob efeito da ginástica, há atividade mais intensa no hipocampo, região associada à memória e aprendizagem. Experimentos com ratos apontaram outras novidades: a prática regular de exercícios contribuía para a transformação em neurônios de células-tronco preservadas no ventrículo, uma das partes do hipocampo.


Os especialistas acreditam que o desenvolvimento de novas células nervosas é fruto de um processo que envolve a melhora da comunicação entre as células (algo estimulado pela maior irrigação sangüínea proporcionada pelos exercícios), e muitas outras reações químicas. A principal delas é a elevação da produção de uma proteína chamada BDNF, espécie de tonificante das células nervosas. A presença dessa substância aumenta no cérebro quando o corpo é exercitado. "O BDNF é normalmente fabricado pelos neurônios, mas seus níveis já sobem sob efeito de uma única sessão de exercícios", diz o neurofisiologista Ricardo Arida, do Laboratório de Fisiologia do Exercício da Unifesp. Pesquisas conduzidas pelo neurocientista Fernando Gómez-Pinilla, da Universidade da Califórnia (Ucla), comprovam que o BDNF é, até o momento, a mais importante chave bioquímica que prepara a mente para novos conhecimentos. Em experiências com ratos, ele separou dois grupos para serem submetidos a exercícios, numa roda, e a testes de aprendizado. Com a atividade, o nível da proteína subiu em todos os animais, mas em parte deles Gómez-Pinilla utilizou uma droga para bloquear o BDNF. Em seguida, o especialista escondeu um objeto e estimulou os ratos a localizá- lo. As cobaias que não receberam o remédio o encontraram rapidamente, demonstrando esperteza. As demais nem sequer se aproximaram do alvo.


Por que a maior ativação do BDNF está ligada à melhora da performance cerebral? "Ele tem a capacidade de modular a comunicação entre as células nervosas. Quanto mais BDNF, mais aguçado esse processo", disse Gómez-Pinilla a ISTOÉ. A comunicação, também chamada de sinapse, é a via pela qual se conduzem todos os aprendizados. Mas não é só isso. Para Sidarta Ribeiro, do Instituto de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte, sua ação aguça a atenção e a percepção. Além disso, a substância tem um fundamental papel de regenerador do cérebro. "O aumento das taxas de BDNF acelera a especialização das células-tronco em neurônios. Ao longo do trajeto, eles irão refazer circuitos danificados pela morte dos seus antecessores", diz Ribeiro. Não é à toa, portanto, que o psiquiatra americano John Ratey, da Universidade de Harvard, apelidou a substância de "o miraculoso estimulante do cérebro". Ele sabe do que fala. Há anos o médico estuda o programa de atividades esportivas e recreativas dado às crianças americanas nas escolas públicas. Ratey observou que alunos com dificuldades nas habilidades verbais melhoraram depois que passaram a se exercitar. Por isso, ele concede tanto cartaz ao BDNF, até então um ilustre desconhecido do público. Em breve, Ratey lançará nos Estados Unidos o livro The revolutionary new science of exercise and brain. Algo que pode ser entendido como a nova e revolucionária ciência do esporte e do cérebro.
Essas descobertas da neurociência também apontam benefícios para a memória. Os especialistas perceberam que a mágica proteína tem potencial para turbinar as lembranças guardadas há dias e meses. Estudos divulgados este ano pelos renomados cientistas Ivan Izquierdo e Martin Cammarota, do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, confirmam as conexões entre o BDNF e a memória. Eles a suprimiram em ratos e viram que os animais simplesmente ignoraram objetos já conhecidos ou perderam a noção de espaço. "Ficamos surpresos ao perceber que existe ação dessa proteína até 12 horas depois da aquisição da memória recente", diz Cammarota. Eles notaram ainda que a substância entra em cena toda vez que uma informação arquivada é solicitada pelo cérebro.


Diante dessas informações, ninguém precisa ser um Albert Einstein para concluir que estimular a produção do BDNF melhora a performance do cérebro. Mas os neurocientistas ressaltam que é fundamental investigar com quais outros agentes bioquímicos ele interage no organismo. É possível que se descubra, no futuro, que a proteína não faz milagres sozinha. O fato é que a atividade física tem sido uma boa aposta para a saúde cerebral por vias que até agora são pouco compreendidas. Estudos demonstram que ela pode retardar os efeitos do mal de Alzheimer, doença neurodegenerativa que apresenta a perda de memória entre seus sintomas. Em indivíduos que tinham o hábito de malhar verificou-se que a enfermidade tardou mais a chegar. E pesquisas com animais sugerem que a ginástica diminui a formação de placas semelhantes às encontradas no cérebro de portadores de Alzheimer.


Novas dúvidas, evidentemente, surgem por causa dos avanços da neurociência. Uma delas é sobre a relevância da proliferação dos neurônios. "Não adianta ter muitas células nervosas se elas não estiverem conectadas e ativas", diz o psiquiatra Henrique Del Nero, professor da Universidade de São Paulo. Ele fez exames de imagem no cérebro de cinco pessoas com sintomas de demência após longa dependência de álcool e drogas. E viu que, apesar de os neurônios estarem vivos e nos seus devidos lugares, poucos trabalhavam: "Diversas áreas do cérebro estavam com um padrão preguiçoso." O passo adiante dado por Del Nero foi tratar esses pacientes com os mesmos remédios empregados contra Alzheimer e, sobretudo, com exercícios intensos. "Eles tiveram uma melhora impressionante."


Outra questão é saber qual o melhor exercício para rejuvenescer o cérebro, aprimorar a memória e aumentar a nossa inteligência. Os cientistas não fecharam questão quanto a isso. Mas os estudos indicam que os mais benéficos são aqueles que promovem condicionamento cardiovascular - caso da caminhada. Os exercícios devem durar mais de 20 minutos, ser praticados durante cinco dias na semana e ter intensidade moderada. Isso não significa que esportes ou atividades que exigem mais força da musculatura não possam surtir efeito. O detalhe é que as pesquisas ainda não conseguiram comprovar esse benefício.


Um aspecto discutido largamente é por que, se a atividade física é tão essencial para nos tornar mais espertos, não se encontram tantos gênios entre os atletas. Para os especialistas, tudo depende da nossa noção de inteligência. Desportistas como craques do futebol (acostumados a sofisticados treinamentos) podem não dominar física quântica ou geometria. Do ponto de vista da neurociência, porém, os intensos treinos os tornam mais inteligentes, sim. "As comunicações entre neurônios ficam mais rápidas, bem como as respostas. A máquina funciona muito melhor", diz Ribeiro. Por outro lado, um mestre da matemática pode ter uma péssima noção espacial e se perder nas ruas de sua cidade. Quem dá esse exemplo é o pesquisador Gómez-Pinilla, da Ucla. Captado esse ponto, resta a dúvida se é exagero pedir para o filho se exercitar na semana anterior a uma prova. "Não é. Fazer uma atividade física com regularidade não faz mal. E para a criança pode ser uma brincadeira que vai ativar os mecanismos cerebrais", diz o professor. E conclui: "Nós passamos muito tempo sentados e nosso organismo foi criado, ao longo da evolução humana, para ser movimentado. Então, mexa-se e recupere o potencial do seu cérebro
MENTE & CÉREBRO & GINÁSTICA
O sedentarismo é o grande vilão no desencadeamento de algumas formas de demência, indicam as pesquisas. Um trabalho da Universidade de Harvard e outras três instituições, com mais de 18 mil mulheres entre 70 e 81 anos, demonstrou que, quanto mais tempo dedicado às atividade físidas, em especial as caminhadas, menor é o declínio cognitivo.

A FORÇA DOS EXERCÍCIOS

Boa parte dos problemas de saúde mental dos idosos é causada pela má saúde física. A troca de massa muscular por gordura, a tendeência ao sedentarismo e à hipertensão comprometem o desempenho cardiovascular, o que aumenta a possibilidade de microderrames e acidentes vasculares - sobretudo por causa do acúmulo de placas ateroscleróticas nas artérias, com o passar do tempo.

O exercício físico intenso também é um dos melhores estabilizadoresde humor que a neurociência moderna conhece. No final dos anos 90, a neurociência descobriu que a ação antidepressiva e estabelizadora do humor do exercício físico está relacionada a uma
ação surpreendente do corpo sobre o cérebro: a capacidade de fazer com que aumente a produção de neurônios novos no hipocampo e no sistema de recompensa.

Hoje se sabe que o hipocampo, conhecido por seu papel na formação de novas memórias, também atua como a origem de um sistema de alarme que nos lembra de tarefas a cumprir e gera a ansiedade que nos chama a atenção para os deveres. Como os neurônios no hipocampo novos têm ação inibitória, funcionam como um freio que mantém sob controle a percepção do stress e a resposta a ele. Disfunções nesse sistema, como a perda do controle inibitório interno do hipocampo, causam ansiedade e aumentam a resposta ao stress.

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Contar com maior quantidade de neurônios no hipocampo ANTES de ocorrerem situações estressantes também confere uma grande vantagem ao cérebro: ele responderá de forma mais adequada e saudável em situações de stress crônico. O aumento de células neurais a cada dia pode até dobrar se acrescentarmos o exercício físico à rotina.






POR QUE OS ESTRESSADOS VIVEM MENOS?


Não é novidade que o stress pode encurtar a vida de uma pessoa, mas só agora pesquisadores descobriram como isso acontece dentro das células. Cada cromossomo possui, em cada uma de suas extremidades, uma espécie de relógio do envelhecimento chamado telômero. Toda vez que a célula se divide, os telômeros são ligeiramente encurtados. No sistema imunológico, porém, uma enzima chamada telomerase preserva o tamanho dessas extruturas.


Cientistas da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriram que o cortisol, hormônio do stress, diminui a atividade da enzima telomerase, o que acaba causando a acaleração do envelhecimento das defesas imunológicas. Logo, o organismo fica mais suscetível a doenças infecciosas e tumores, por exemplo. O estudo foi publicado na revista Brain, Behavior and immunity.


(Da revista Mente & Cérebro - número 188)


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E ainda:
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</a>http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf0604200804.htm



Buster Martin, 101, muito vivo e ativo

TAI CHI E LONGEVIDADE - MESTRE TAOÍSTA DE 116 ANOS
http://www.youtube.com/watch?v=bQh3h5ILC1Q




BRASILEIRA DE 80 ANOS BRILHA NO LEVANTAMENTO DE PESO
http://esporte.uol.com.br/ultimas-noticias/2012/01/26/brasileira-de-83-anos-brilha-no-levantamento-de-peso-com-titulos-e-recordes-mundiais.htm

Malvina 80 anos, no campeonato de levantamento de peso
http://www.youtube.com/watch?v=lxKI2GFRwRE&feature=related




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Sábado, 13 de Setembro de 2008

O FUTURO NA VISÃO (EQM) DE HOWARD STORM

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Cada religião começa com revelações de Deus e, com o tempo, temos pervertido essas revelações e criado tradições reli­giosas para servir a nossos piores instintos. Deus nos deu uma revelação de Sua vontade ao afirmar o valor de cada indivíduo. Quando pervertemos a vontade de Deus cons­truindo tradições religiosas que depreciam outro povo, distorcemos terrivelmente a vontade do Criador de manei­ra a negar a vontade de Deus. Não há nada que façamos que O desagrade mais; este é o pecado imperdoável contra o Espírito Santo. Todos do céu se horrorizam quando os homens usam o nome de Deus para fazer mal uns aos ou­tros. É o nosso pior erro.

(...)


Explicaram-me que Deus estava muito infeliz com o rumo que a humanidade tomara e que interviria para mudar o mundo. Observava-nos afundar nas profundezas da depra­vação e da crueldade no próprio momento em que nos dava os instrumentos para tornar a Terra um lugar mais divino. Interferira muitas vezes antes; desta vez, porém, mudaria o curso dos eventos humanos. Quando Deus desvelara o pró­prio coração e a mente ao se fazer presente perante nós na pessoa de Jesus Cristo, o mundo era consumido pela tirania do Império Romano. O Espírito de Deus revelado em Jesus Cristo derrotara o Império Romano através do amor.


Todas as forças do mal que trabalham no coração huma­no frustraram o poder do Espírito de Cristo. Nós regredimos, repetidamente, à brutalidade do Império Romano — a não ser em um ponto: temos cada vez mais conhecimento dado por Deus, conhecimento esse que usamos para a destrui­ção. Deus inspira cada descoberta da ciência. Usamos essa inspiração para avançar em nossos meios destrutivos. Os imensos dons que Deus quer nos dar não serão concedidos até que sejamos amorosos o bastante para manejá-los.

Deus quer nos dar o poder de controlar a matéria e a energia com nossa mente, a capacidade de nos comunicarmos diretamen­te através de nossos pensamentos, de viajar pelo tempo e o espaço à vontade, de alcançar conhecimento pela contem­plação. O poder dessas dádivas está além de nossa mais desvairada imaginação, mas elas não serão nossas até que amadureçamos espiritualmente e possamos usar esses po­deres com amor e sabedoria.

Perguntei:

— Quando será?

Disseram que esse tempo está próximo. Ponderei que a humanidade não se tornara melhor com as lições das duas guerras e que estávamos prestes a ter uma terceira guerra mundial ainda pior.

Eles disseram:

— Não haverá mais guerras mundiais.

Retruquei:

— Existem muitas armas nucleares prontas para ser dis­paradas a qualquer minuto. Alguém, em algum lugar, vai apertar o botão e haverá uma guerra nuclear.

Responderam:



— Não, isso não vai acontecer. Deus não permitirá uma guerra nuclear.

—Deus estenderá a mão e agarrará os mísseis para im­pedi-los de explodir?

— Não. Deus porá um fim à Guerra Fria. Deus ama cada criatura e não permitirá que o mundo seja destruído pela insensatez humana.

— Como fará isso?

— Deus está mudando os corações das pessoas para o amor ao redor do mundo.

— A Guerra Fria não terá fim por uma centena de anos — insisti.

— A Guerra Fria terminará em dois anos.

Fui cético.
— O que virá a seguir?

— A humanidade está no início de uma grande trans­formação. Trata-se de uma revolução espiritual que afetará cada ser no mundo.

Perguntei como seria o mundo quando essa mudança tivesse lugar.

Fomos para um belo cenário natural arborizado. Não havia sinal de instrumentos feitos pelo homem. Disseram-me que aquele era o futuro e que estávamos num jardim do qual as pessoas cuidavam. Pessoas chegaram; elas conver­saram umas com as outras. Usavam roupas simples e ornamentos exóticos. Pareciam americanos nativos em seus tra­jes. Perguntei o que faziam. Cada qual passava a maior parte de seu tempo com as crianças, ensinando-as acerca do amor e das maravilhas do mundo natural. Não faziam distinção entre trabalho e diversão. Todos participavam da educação infantil, e ensinar era a atividade mais importante de suas vidas. As pessoas produziam alimento sentando-se perto das plantas e se comunicando com elas. Em poucos minu­tos podiam colher frutos e vegetais maduros. Imediatamente comiam o que produziam, sem cozinhar. As roupas eram fei­tas de fibras finamente tecidas. Havia muito pouco metal, a não ser o dos ornamentos.

Perguntei:

— Isto é o paraíso?

Eles riram e me disseram:



— Não é o paraíso; contudo, comparado ao mundo em que você vive, é um paraíso. Nesse mundo futuro, haverá enfermidades, mas o tratamento das doenças sempre será bem-sucedido. As pessoas se reunirão em torno daquele que necessitar de ajuda e, através da prece, do toque e da meditação, a moléstia será curada. Plantarão apenas alimento suficiente para suas necessidades. Coletivamente, todas as pessoas do mundo controlarão o tempo. O clima será regu­lado pela vontade coletiva da humanidade. As plantas se­rão amadas e cultivadas por indivíduos. Todos os animais viverão em harmonia com as pessoas. Haverá incontáveis comunidades por todo o mundo, e cada uma terá sua pró­pria identidade e cultura. Existirão muitos idiomas dife­rentes, porém todos serão capazes de se comunicar por te­lepatia. Não haverá nenhuma tecnologia, porque não serão necessários dispositivos: os humanos terão o poder de con­trolar a matéria e a energia. As pessoas ficarão dentro de suas comunidades, a menos que queiram experimentar a vida numa cultura que tenha música, vegetação ou investi­gação científica diferentes.


Nesse futuro que me foi mostrado, todos eram estudan­tes da natureza, que conheciam intimamente e com a qual podiam se comunicar, sabendo as sensações e a vibração de cada parte da criação. Pessoas exploravam o espaço exterior sem se mover um centímetro. Comunicavam-se telepaticamente com todos na Terra, e mantinham relacionamentos com seres inteligentes de outros mundos. Não havia viagens espaciais, porque não era preciso. As pessoas se postavam num lugar e compartilhavam experiências de vida através de galáxias. Valorizavam a experiência de vida que lhes fora dada nesse mundo, porque sabiam que era um dom precioso de Deus. Não mantinham posses. O bem-estar da comu­nidade media-se por sua saúde e crescimento espiritual. Quando alguém passava por atribulações, recebia apoio da comunidade. Se quisesse, um indivíduo poderia se tornar recluso por tanto tempo quanto precisasse. Quando uma pessoa se considerasse satisfeita por ter tido toda a expe­riência de vida de que precisava, a comunidade se reunia em torno dela. Faziam uma celebração enquanto tal pessoa jazia deitada e seu espírito se alçava ao céu — o que era causa de imenso regozijo. As pessoas nasciam, cresciam, aprendiam e morriam. Viviam para amar a Deus, amar umas às outras e a si próprios.

Fiquei intrigado, porque julgara que a ficção científica com a qual eu crescera já havia nos dado uma idéia aproximada do que seria o mundo futuro. O futuro que me mostravam era completamente diferente daquilo que eu esperava. As pessoas viviam com extrema simplicidade e harmonia. Não havia nenhuma privação. Todo mundo era feliz. Não exis­tia discórdia.

Perguntei:


— Quando isso ocorrerá?

— Em duzentos anos — disseram.

— Nem em duzentos mil anos — eu os contradisse. —As pessoas não estão prontas para algo assim.

Eles então me responderam:


— Este é o futuro que Deus quer para a humanidade, e acontecerá.
Este é o mundo que Deus criou para nele viver­mos; Deus criou os seres humanos para viver assim.

— Como irá acontecer? — perguntei.

— Deus está mudando o mundo agora. Deus quer uma conversão mundial. Cada pessoa será por Ele despertada a fim de que cumpra o destino para o qual foi criada. Os que aceitarem a vontade de Deus devem florescer, e os que ne­garem Seu amor devem perecer.

— Serão os Estados Unidos — perguntei — o líder do mundo nesta mudança?

— Foi dada aos Estados Unidos a oportunidade de ser o instrutor do mundo — mas muito se espera daqueles a quem muito se dá. Os Estados Unidos já receberam mais benesses do que qualquer outro país na história do mundo; mesmo assim, não é uma nação generosa com suas dádivas. Se os Estados Unidos continuarem a explorar o resto do mundo através do consumo ávido dos recursos mundiais, terão a bênção de Deus retirada. Entrarão em colapso econômico, o que resultará em caos civil. A natureza gananciosa do povo levará as pessoas a matar por uma latinha de gasolina. O planeta observará, horrorizado, o país ser destruído pelos conflitos. O resto do mundo não interferirá, porque foram vítimas dessa exploração. Darão as boas-vindas à aniquila­ção de um povo tão egoísta. Os Estados Unidos devem mudar imediatamente e ensinar ao mundo lições de bon­dade e de generosidade. Hoje em dia, os Estados Unidos são o principal exportador da guerra e da cultura da violên­cia para o mundo. Isso terá um fim, porque vocês têm as sementes de sua própria destruição dentro de si. Ou des­truirão a si mesmos, ou Deus porá um fim nisso, se não houver mudança.

— Os Estados Unidos têm condições de pacificar o mun­do. Com seu conhecimento nas áreas médica, agrícola, manufatureira e científica, a América poderia ensinar países menos afortunados a proporcionar a cada pessoa alimento, roupas, teto, cuidados médicos, educação e prosperidade econômica. Os Estados Unidos têm o poder de ajudar o mundo a ter acesso a água limpa, saneamento básico e hi­giene. Milhões de pessoas no mundo morrem por não ter coisas que nos Estados Unidos existem em abundância. Esta não é a vontade de Deus. Deus quer que vocês saibam que todos são irmãos; quer a mesma chance de satisfação para todos. Deus vê o povo dos Estados Unidos se tornar cada vez mais ganancioso, egocêntrico e negligente. Precisa ha­ver um retorno a Deus, ou o reinado dos Estados Unidos terminará.

Desde 1985, quando me contaram essas coisas sobre o futuro, a Guerra Fria terminou com pouco derramamento de sangue. Sinais de um grande despertar espiritual ocorre­ram em escala mundial. O interesse por Deus, religião, vida após a morte e espiritualidade pessoal mostra enorme cres­cimento. O egocentrismo da cultura americana não se alte­rou muito, o que é motivo de grave preocupação. Não sei se o país mais rico do mundo está condenado a perder a bên­ção de Deus, ou se o povo dos Estados Unidos irá se tornar a luz moral do mundo. Por quanto tempo Deus permitirá que a injustiça continue? O futuro jaz nas escolhas que fi­zermos com acerto, no momento presente. Deus está interfe­rindo de maneira direta nos acontecimentos humanos.


Do livro: “MINHA EXPERIÊNCIA DE QUASE MORTE”, Howard Storm, Editora ARX


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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

O QUE ACONTECE À TERRA ACONTECE AOS FILHOS DA TERRA - CARTA DO CACIQUE SEATTLE

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Em 1854, "O Grande Chefe Branco" em Washington fez uma oferta por uma grande área de território indígena e prometeu uma "reserva" para os índios.

A resposta do Chefe Seattle, aqui reproduzida na íntegra, tem sido considerada uma das declarações mais belas e profundas já feitas sobre o meio-ambiente:

“Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A idéia é estranha para nós.Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los?Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo.

Cada pinha brilhante, cada praia de areia, cada névoanas florestas escuras, cada inseto transparente, zumbindo,é sagrado na memória e na experiência de meu povo.
A energia que flui pelas árvores traz consigo a memóriae a experiência do meu povo. A energia que flui pelas árvores traz consigo as memóriasdo homem vermelho.


Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quandovão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da Terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos. Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, todos pertencem à mesma família.

Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que quer comprar nossa terra, ele pede muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que reservará para nós um lugaronde poderemos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Então vamos considerar sua oferta de comprar a terra. Mas não vai ser fácil. Pois esta terra é sagrada para nós.

A água brilhante que se move nos riachos e rios não ésimplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de queela é o sangue sagrado de nossos ancestrais. Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de queela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagradae que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisasda vida de meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai.

Os rios nossos irmãos saciam nossa sede. Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se deensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês, e consequentemente vocês devem ter para com os rios o mesmocarinho que têm para com seus irmãos. Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras. Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranhoque chega à noite e tira da terra tudo o que precisa. A Terra não é seu irmão, mas seu inimigo e quando ele o vence, segue em frente. Ele deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa. Ele seqüestra a Terra de seus filhos, e não se importa.

O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhossão esquecidos. Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, comocoisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes. Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto. Não sei. Nossas maneiras são diferentes das suas. A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho. Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende.

Não existe lugar tranqüilo nas cidades do homem branco. Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ouo ruído das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não entendo. A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos. E o que é a vida se um homem não pode ouvir o choro solitáriode um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa. Sou um homem vermelho e não entendo.


O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, eo cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisascompartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo hálito. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo há dias esperando a morte, ele é insensível ao mau cheiro.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o aré precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritoscom toda a vida que ele sustenta.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la separada e sagrada, como um lugar onde mesmo o homem branco pode ir para sentir o ventoque é adoçado pelas flores da campina.

Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem brancodeve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não entendo de outra forma. Vi mil búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelohomem branco que os matou da janela de um trem que passava.

Sou um selvagem e não entendo como o cavalo de ferro que fumapode se tornar mais importante que o búfalo, que nós só matamospara ficarmos vivos.

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O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreriade uma grande solidão do espírito. Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem. Todas as coisas estão ligadas.

Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pésé as cinzas de nossos avós. Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terraé rica com as vidas de nossos parentes. Ensinem as seus filhos o que ensinamos aos nossos, que a Terra é nossa mãe. Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra. Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.

Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem –o homem pertence à Terra. Isto nós sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Todas as coisas estão ligadas.

Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra. O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela. O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus anda e fala com ele como de amigo para amigo, não pode ficar isento do destino comum.


Podemos ser irmãos, afinal de contas. Veremos. De uma coisa nós sabemos, que o homem branco pode um diadescobrir – nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejampossuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo. Ele é Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para como homem vermelho quanto para com o branco. A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezopor seu criador. Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos.

Mas em seu desaparecimento vocês brilharão com intensidade, queimados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e para algumpropósito especial lhes deu domínio sobre esta terrae sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não entendemos quando osbúfalos são mortos, os cavalos selvagens são domados, os recantossecretos da floresta carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vistadas montanhas maduras manchadas por fios que falam.

Onde está o bosque? Acabou. Onde está a águia? Acabou. O fim dos vivos e o começo da sobrevivência.”


Extraído de The Irish Press, sexta-feira, 4 de junho de 1976.

http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3981&ReturnCatID=1773



Pronunciamento do Cacique Seattle

Em 1854, o presidente dos Estados Unidos propôs comprar uma grande área de terra dos índios peles-vermelhas, prometendo uma reserva para que nela eles pudessem viver. A resposta do Cacique Seattle é tida como uma profunda declaração de amor ao Meio Ambiente, brotada do coração puro e simples de um índio cheio de reconhecimento à Natureza por tudo de bom que ela dá ao homem. Eis a resposta:



A "CARTA" DO CACIQUE SEATTLE


Introdução: o cenário histórico


A equipe de Floresta Brasil fez uma pesquisa sobre a história da carta que o cacique Seattle teria mandado ao presidente norte-americano Franklin Pierce, em 1854, em resposta à proposta deste último de comprar terras que até então tinham “pertencido” à sua tribo.
Antes de continuarmos, parece oportuno observar que a palavra “chief”, da língua inglesa, tem como correspondente na língua portuguesa a palavra “cacique”. Assim, se estivermos falando português, parece mais adequado nos referirmos à personalidade que teria escrito a carta como “cacique Seattle”, e não "chefe Seattle".


Um outro aspecto que resultou de nosso estudo é que descobrimos, para nossa surpresa, que é possível encontrar várias versões dessa "carta". O que imediatamente traz a dúvida: Qual das versões seria a “carta” verdadeira? Pois bem, continuando a pesquisa, descobrimos que muito provavelmente o cacique Seattle jamais escreveu carta alguma com o conteúdo que lhe é atribuído, ao presidente Franklin Pierce.


O que terá acontecido então?


Pois bem: segundo as fontes que pesquisamos, os índios Duwamish habitavam a região onde atualmente se encontra o estado de Washington - no extremo Noroeste dos Estados Unidos, fazendo divisa com o Canadá. E a famosa "carta" parece ter sido, na verdade, um texto publicado em um jornal local baseado na inspirada reflexão que o cacique Seattle fez para sua tribo, reunida naquele deslumbrante cenário natural, sobre as relações do homem com a Natureza, em resposta à proposta presidencial, de compra de terra, trazida pessoalmente pelo recém-chegado encarregado de assuntos indígenas do governo norte-americano.

O primeiro registro conhecido sobre a fala do cacique Seattle parece ser um artigo publicado pelo Dr. Henry Smith, no Jornal Seattle Sunday Star, em 1887. O Dr.Smith teria estado presente quando do pronunciamento do Grande Cacique, tendo o texto do artigo se baseado nas anotações que seu autor teria feito na ocasião do discurso.
Para uma melhor compreensão do discurso em si um discurso cujo conteúdo e cujas palavras ainda hoje, passado mais de um século, soam tão sábias e profundas - resolvemos oferecer aos interessados no assunto 2 (dois) textos:

- o primeiro texto traz a impressionante descrição que o Dr. Smith fez sobre o local onde o fato ocorreu, sobre a atitude dos ouvintes - de profundo silencio e atenção e, mais impressionante ainda, sobre a forte, solene e carismática personalidade do orador e, finalmente, sobre a forma com que a fala foi proferida. De fato, o cenário descrito faz com que nos perguntemos se aquele não foi um daqueles raros e mágicos momentos da história da humanidade em que um coração forte, sensível e inspirado, consegue verbalizar palavras que chegam fundo no coração de outros homens. Mesmo que estes outros homens, como nós, tomem conhecimento daquelas palavras muitos e muitos anos depois... Confirmando o que disse Seattle: “Minhas palavras são como as estrelas, que não empalidecem”

- o segundo texto é o pronunciamento do cacique propriamente dito. A versão que apresentamos é a tradução de uma das mais famosas versões divulgadas durante a década de 70. A foto do Grande Cacique Seattle (1787-1866) é de autoria de E.M.Sammis: seu original encontra-se na “Special Collection” da Universidade de Washington, sob o nº NA 1511.
Ambos os textos, do artigo do Dr. Henry A. Smithe e do pronunciamento em si, foram obtidos, em inglês, no site:


http://www.geocities.com/RainForest/Andes/8032/page16/html </span>

O texto do artigo do Dr. Henry Smith, que se encontra logo abaixo, foi traduzido pela equipe de Floresta Brasil diretamente do artigo original, publicado em inglês em 1887, que se encontra na seção em língua inglesa de nossa página (
http://www.florestabrasil.org.br/). </span>

"O velho cacique Seattle era o maior índio que eu jamais havia visto. E o que tinha aparência mais nobre. Em seus mocassins, ele media mais de 1,80m, ombros largos, tórax amplo e traços finos. Seus olhos eram grandes, inteligentes, expressemos e amigáveis quando em repouso, e espelhavam fielmente os variados estados de espírito da grande alma que olhava através deles. Normalmente ele era solene, calado e digno, porém nas grandes ocasiões movia-se na multidão como um Titã entre Liliputianos, e o que dissesse era lei.

Quando se levantava para falar, em reuniões, ou para oferecer conselho, todos os olhos se voltavam para ele, e então frases profundas, sonoras e eloqüentes fluíam de seus lábios assim como trovões de cataratas fluindo continuamente de fontes inexauríveis. Suas diretrizes soavam tão nobres como teriam soado aquelas do mais cultivado chefe militar que estivesse no comando das forças de todo o continente. Nem sua eloqüência, nem sua dignidade ou sua graça haviam sido adquiridas. Elas eram tão próprias da sua personalidade quanto as folhas e as flores o são em um pessegueiro em flor.

Sua influência era maravilhosa. Ele poderia ter sido um imperador, mas todos os seus instintos eram democráticos, e ele comandava os seus leais cidadãos com suavidade e com paternal benignidade.

Ele sempre era alvo de especial atenção pelo homem branco, principalmente quando sentado à sua mesa. Era nessas ocasiões que ele demonstrava, mais do que em qualquer outro lugar, o cavalheirismo que lhe era genuíno.

Assim que o Governador Stevens chegou em Seattle e disse aos nativos que tinha sido indicado com comissário para assuntos indígenas para o território de Washington, estes lhe prepararam recepção frente dos escritórios do Dr. Maynard's, na margem próxima da Rua Principal - Main Street. A baía enxameava de canoas enquanto a margem esta tomada por uma morena e movimentada massa humana. Quando o timbre de trombeta da voz do velho cacique espalhou-se sobre a imensa multidão como o rufar de um tambor, formou-se um silêncio tão instantâneo e perfeito como aquele que segue o crack do trovão em um céu limpo.

Sendo então apresentado à multidão nativa pelo Dr. Maynard, em um tom conversacional, direto e objetivo, o Governador deu imediatamente início a uma explanação sobre sua missão, que é conhecida demais para que requeira recapitulação.

Quando ele se sentou, o cacique Seattle levantou-se com a dignidade de um senador que carrega em seus ombros a responsabilidade sobre uma grande nação.

Colocando uma mão sobre a cabeça do Governador, e lentamente apontando para o céu com o dedo indicador da outra, em tom solene e impressionante, começou seu memorável pronunciamento.
Fonte: "Trechos de um diário: O Cacique Seattle: Um cavalheiro por instinto". 10º artigo da série “Primeiras Reminiscências” - Seattle Sunday Star, 29 de outubro de 1887 do articulista Henry Smith (tradução livre, pela equipe de Floresta Brasil)





O PRONUNCIAMENTO DO CACIQUE SEATTLE

(discurso pronunciado após a fala do encarregado de negócios indígenas do governo norte-americano haver dado a entender que desejava adquirir as terras de sua tribo Duwamish).

O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade.

Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.

Minhas palavras são como as estrelas que nunca empalidecem.
Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo, cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho.

O homem branco esquece a sua terra natal, quando - depois de morto - vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos da campina, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, porque esta terra é para nós sagrada.

Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora, deixa para trás os túmulos de seus antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe - a terra - e seu irmão - o céu - como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto.

Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende.

Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das assa de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende; o barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou recendendo a pinheiro.

O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem.
O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragrância das flores campestres.

Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós - os índios) matamos apenas para o sustento de nossa vida.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si.

Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.

De uma coisa sabemos. A terra não pertence ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.

Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mais algumas horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará, para chorar sobre os túmulos de um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo. Vamos ver, de uma coisa sabemos que o homem branco venha, talvez, um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgues, agora, que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra; mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. Esta terra é querida por ele, e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. Os brancos também vão acabar; talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios desejos.

Porém, ao perecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela força de Deus que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial, lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é para nós um mistério, pois não podemos imaginar como será, quando todos os bisões forem massacrados, os cavalos bravios domados, as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde estará a águia? Irá acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça; será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver.

Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos, e por serem ocultos, temos de escolher nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir as reservas que nos prometestes. Lá, talvez, possamos viver o nossos últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e praias, porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe.
Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Preteje-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse: E com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração - conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus, esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.

http://www.ufpa.br/permacultura/carta_cacique.htm

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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

BLAVATSKY E A FÍSICA DO SÉCULO 21

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Teosofia de Helena Blavatsky
Antecipa a Física do Século 21

Sylvia Cranston


Reproduzimos a seguir a primeira parte do Capítulo 3, Parte 7, da obra “Helena Blavatsky” de Sylvia Cranston (Ed. Teosófica, Brasília, 1997, 678 pp.) O capítulo é intitulado “A Ciência e A Doutrina Secreta.”


Em 1988, por ocasião dos cem anos da publicação da obra “A Doutrina Secreta” [de Helena Blavatsky], foram realizados vários simpósios nos Estados Unidos, Europa e Índia. Em uma palestra na cidade de Culver, na Califórnia, o destacado teosofista norte-americano Jerry Hejka-Ekins observou:
[1] [LEIA AS NOTAS NUMERADAS NO FINAL DO ARTIGO]

“É muito pouco provável que algum crítico literário, examinando ‘A Doutrina Secreta’ em 1888, pensasse que esta obra pudesse ter mais do que algumas poucas edições. É uma obra de tamanho considerável, com cerca de 1500 páginas, cheia de termos filosóficos e religiosos do Extremo Oriente que contrastavam com a ciência do século dezenove e com as teorias agora descartadas. Mas, de qualquer modo, cem anos depois, ‘A Doutrina Secreta’ continua sendo impressa e ainda está sendo estudada... O que há em ‘A Doutrina Secreta’ que a faz perdurar e continuar influenciando o pensamento atual quando outras obras foram esquecidas há muito tempo? Talvez este livro pertença realmente ao século vinte e tenha sido escrito 100 anos antes do seu tempo... Se a autora não fosse capaz de antecipar as descobertas futuras, o livro teria se tornado obsoleto em pouco tempo diante do avanço da ciência. No entanto, HPB fez a predição de que ‘só no século vinte, partes desta obra, se não a integridade, seriam aceitas’
[2].”

Profecias são raras em “A Doutrina Secreta”. A que se segue é particularmente fascinante pois foram dadas as datas específicas em que ela se realizaria:
[3]

“O total exato, a profundidade, a amplitude e a extensão dos mistérios da natureza só se encontram na ciência esotérica oriental. Eles são tão vastos e profundos que apenas um número muito restrito entre os mais altos Iniciados — aqueles cuja própria existência só é conhecida de uns poucos Adeptos — são capazes de compreender tais conhecimentos. Tudo, porém, está ali; e os fatos e processos do laboratório da natureza podem, um por um, abrir caminho na ciência exata, quando uma assistência misteriosa é proporcionada a uns poucos indivíduos em seus esforços para desvendar os seus arcanos. É no fim dos grandes ciclos relacionados com o desenvolvimento das raças que geralmente se produzem esses acontecimentos. Estamos chegando precisamente ao final do ciclo de 5000 anos do presente Kali Yuga ariano; e entre este momento [1888] e o ano de 1897 será feita uma enorme ruptura no véu da natureza, e a ciência materialista receberá um golpe mortal.”
[4]

Há duas partes na profecia. A primeira levanta a questão sobre se alguma descoberta científica notável seria permitida no período mencionado de nove anos. David Deitz, em seu trabalho “The New Outline of Science” (“Uma Nova Visão da Ciência”), nos dá uma visão geral bastante útil:

A história da civilização mostra poucos contrastes maiores do que a diferença entre os pontos de vista dos físicos do século dezenove e do século vinte. Quando o século dezenove estava terminando, os físicos sentiam que haviam completado as suas tarefas. Um eminente cientista daquele tempo, ao fazer uma conferência em 1893, disse que era muito provável que as grandes descobertas no campo da Física já tivessem sido feitas. Ele esboçou a história e o desenvolvimento da ciência, resumindo ao final as teorias bem estruturadas do século dezenove — segundo ele afirmava — totalmente suficientes. O físico do futuro, disse ele tristemente, nada terá a fazer senão repetir e refinar as experiências do passado, acrescentando mais uma ou duas decimais a algum peso atômico ou constante da natureza.”
[5]

“Mas, dois anos mais tarde, no dia 28 de dezembro de 1895, Wilhelm Conrad Roentgen apresentava ao secretário da Sociedade de Física Médica de Würzburg o seu primeiro relatório escrito sobre a sua descoberta [acidental] dos raios-x. No primeiro dia de 1896, ele enviou pelo correio cópias do texto impresso para amigos cientistas em Berlim e outros lugares. Enviava com o texto algumas cópias das primeiras fotografias feitas por ele com os raios-x... das quais a mais espetacular mostrava os ossos de uma mão humana. Ali estava exatamente o que o orador de 1893 havia dito que não poderia ocorrer: havia sido feita uma nova descoberta... Roentgen havia encontrado alguns raios misteriosos que penetravam em objetos opacos tão facilmente como a luz do sol atravessa os vidros de uma janela. No século dezenove não havia físicos que pudessem explicar esse fenômeno surpreendente... Não só os físicos mas as pessoas por toda parte ficaram excitadas com a novidade. Roentgen ficou famoso da noite para o dia.” [Ele recebeu, em 1901, o Prêmio Nobel da Física.]

“A segunda grande descoberta no reino da física atômica foi a da radioatividade, realizada por Antoine Henri Becquerel em Paris, [em 1896] poucas semanas depois do anúncio de Roentgen. O pai de Becquerel, também físico, tinha investigado a fluorescência, o fato de que muitas substâncias submetidas à luz do sol reluziam mais tarde no escuro. Becquerel recordava o trabalho de seu pai e perguntou-se se havia alguma semelhança entre a fluorescência e os raios-x. Em função disso, ele envolveu uma chapa fotográfica em papel preto e colocou sobre ela um cristal de sal de urânio que o seu pai havia usado. Ele expôs este conjunto aos raios do sol. Ao revelar a chapa fotográfica, constatou que ela estava manchada ou escurecida como se alguma luz tivesse penetrado nela através do papel negro. Ele supôs que a ação da luz do sol tinha feito com que o urânio emitisse raios-x.”
[6]


Durante os preparativos para experiências posteriores, Becquerel descobriu acidentalmente não os raios-x que ele buscava, mas a radioatividade. Sobre o assunto, o eminente físico moderno Robert Millikan observa:

“A radioatividade era revolucionária para o pensamento humano, pois significava que alguns dos “átomos eternos”, isto é, os de urânio e tório, são instáveis e lançam fora espontaneamente com grande energia pedaços de si mesmos, desta forma transformando-se em outros átomos... De todas as novas descobertas, esta era a mais espantosa para o pensamento humano e estimulante para a imaginação, pois destruía a idéia da imutabilidade dos elementos e mostrava que os sonhos dos alquimistas poderiam tornar-se verdade um dia.”
[7]

A próxima “revelação” ocorrida dentro do período de tempo previsto em “A Doutrina Secreta” foi a mais importante de todas; a descoberta do elétron, em 1897, por sir J. J. Thomson. O dr. Karl Compton, ex-presidente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, fez o seguinte comentário em 1936, quando se afastava do cargo de presidente da Associação Americana Para o Progresso da Ciência:

“A história da ciência está cheia de exemplos de que um novo conceito ou descoberta pode levar a avanços tremendos em campos novos e vastos cuja própria existência era, até então, insuspeitada... Mas, do meu ponto de vista, nenhum exemplo foi tão dramático como o da descoberta do elétron, a menor partícula do universo que, no período de uma geração, transformou não só a estagnada ciência da Física, mas também uma Química puramente descritiva e uma estéril Astronomia em ciências que se desenvolvem dinamicamente, cheias de aventura intelectual, com interpretações inter-relacionadas e valores práticos.”
[8]

A descoberta de Thomson foi a culminação de uma série de experimentos iniciados por sir William Crookes, que se dedicava ao estudo das descargas elétricas em alto vácuo no tubo de Crookes, inventado por ele. Este tubo iria tornar-se um protótipo para os tubos de televisão e luz fluorescente usados hoje. As experiências de Crookes implicavam a existência de um quarto estado da matéria, que ele chamava de matéria radiante, e que, dez anos depois, constatou-se serem elétrons! É interessante que, em 1888, em “A Doutrina Secreta”
[9] , HPB predizia que: “a descoberta da matéria radiante do sr. Crookes conduzirá a um estudo mais completo sobre a verdadeira origem da luz, revolucionando todas as teorias atuais”.

A descoberta do elétron, observa o renomado físico norte-americano Robert Millikan, foi “extremamente útil para a humanidade, com suas milhares de extensões e aplicações para o rádio, para as comunicações de todo tipo, para a produção cinematográfica e inúmeras outras indústrias...” As descobertas científicas foram poderosamente aceleradas pelo uso de instrumentos eletrônicos.

A própria obra “A Doutrina Secreta” foi usada para diversas finalidades. O major Herbert S. Turner, inventor do cabo co-axial utilizado na telefonia e instalado de um lado a outro dos Estados Unidos no final da década de 1940, relacionou sua invenção com algumas passagens-chave de “A Doutrina Secreta”
[10] como o conceito de círculo-que-não-pode-ser-transposto [11] , aplicadas por ele em idéias de caráter profundamente oculto em relação ao mundo da energia física. [12]

A profecia de “A Doutrina Secreta” que estamos examinando afirma que como resultado da “enorme ruptura feita no véu da natureza... a ciência materialista receberá um golpe mortal”. Em “Time, Matter and Values” (“Tempo, Matéria e Valores”), após haver descrito as novas descobertas da Física, Millikan conclui: “como resultado, o materialismo dogmático na Física está morto”.
[13]

Raymond S. Yates, em seu livro “These Amazing Electrons” (“Esses Elétrons Surpreendentes”), assevera: “A velha escola estava em plena retirada. A Física estava totalmente confusa. Estava momentaneamente atordoada por uma avalanche de questões ponderáveis. O último tijolo sólido do edifício do materialismo caíra, e o pequeno e cômodo sistema de categorias e os refúgios engenhosos, construídos com tanto trabalho, haviam caído com um ruído surdo e inquietante”.
[14]

Segundo David Deitz, quando o século dezenove terminou já era claro que uma “verdadeira revolução acontecera no campo da Física”. Ele continua:

“Quatro descobertas significativas — os raios-x, a radioatividade, o elemento químico rádio e o elétron — convenceram os cientistas de que a sua tarefa estava apenas começando, e não terminando. Havia chegado o momento de invadir o interior do átomo. É arriscado, no entanto, afirmar que alguém pudesse prever, no começo do século vinte, os grandes avanços que seriam feitos na visão teórica, ou as aplicações espetaculares que surgiriam a partir desse novo conhecimento.”
[15]

O ciclo do despertar científico, que se seguiu à descoberta do elétron, continuou a aprofundar-se com três descobertas adicionais, que abalaram ainda mais os alicerces das doutrinas materialistas:

1898 — Rádio. O elemento descoberto por Marie Curie e seu marido, Pierre, é quatro vezes mais radiante do que o urânio de Becquerel.

1900 — A Física Quântica. Max Planck lançou as bases da teoria quântica em 1900 ao mostrar que a matéria emite e absorve radiação em pequenos pacotes ou quanta, mais tarde chamados de fótons por Einstein, ficando demonstrado que a luz pode, portanto, ser vista como partícula e como onda. (Mais de duas décadas depois, Louis de Broglie demonstrou que a matéria também se comporta com a dualidade partícula-onda). Em 1913, Niels Bohr afirmou que os elétrons saltam de uma órbita para outra em torno de um núcleo atômico ao absorver ou emitir quanta de energia, sem atravessar o espaço entre uma órbita e outra (em outras palavras, dão um salto quântico, expressão freqüentemente usada hoje em diversos contextos). Este foi um grande golpe contra a doutrina mecanicista.

1905 — A Equação de Einstein E = mc². A teoria de Einstein “acrescentou o reconhecimento de que a massa ou matéria é equivalente à energia, e de que o tempo e o espaço são partes integrantes do continuum de matéria-energia que constitui o universo”.
[16]

Como foi indicado no prefácio deste livro, um certo número de cientistas tem-se interessado por “A Doutrina Secreta”. De acordo com uma sobrinha sua, Einstein tinha sempre uma cópia dessa obra na sua mesa de trabalho. Detalhes do seu testemunho são dados na Nota 22 da Parte 7, ao final deste livro, onde se evidencia também que duas pessoas poderiam ter despertado o interesse de Einstein nesta obra.
[17] “A Doutrina Secreta” contém muitos ensinamentos que eram negados pela ciência nos dias de HPB, mas que foram comprovados mais tarde como verdadeiros, e é possível que essa obra contenha sugestões de outras verdades que ainda serão aceitas. Aqui estão três exemplos de descobertas pré-configuradas por HPB, no campo da Física.

1. Os átomos são divisíveis.

Sir Isaac Newton escreveu na sua obra “Optics” (“Ótica”) que: “No início Deus formou a matéria em partículas maciças, sólidas, duras, impenetráveis e em movimento, com os tamanhos, formas, propriedades e proporções em relação ao espaço que eram mais adequados ao objetivo em função do qual foram criadas”.
[18] Mais tarde, os cientistas eliminaram a teologia contida nessa declaração, mas conservaram a idéia das “partículas duras e impenetráveis”, ou átomos, como os tijolos básicos da construção do universo. Quando o elétron foi descoberto em 1897, os tijolos começaram a fragmentar-se. O átomo era divisível.

E aqui está o que HPB disse em “A Doutrina Secreta”
[19]:

“O átomo é divisível e deve compor-se de partículas ou sub-átomos... A ciência do ocultismo é toda baseada na doutrina da natureza ilusória da matéria e na divisibilidade infinita do átomo.”

Quanto à divisibilidade infinita do átomo, um cientista amigo escreveu para esta autora: “A ciência avançou nessa direção só passo a passo — encontrando primeiro o elétron e depois os prótons, mais tarde os nêutrons e a seguir os quarks e outras partículas, pensando, a cada vez, que havia encontrado a última partícula. Agora, finalmente, chegou às ondas puras, como na teoria das cordas, que corresponde à ciência da D.S.”
[20]

Quando os quarks foram localizados pela primeira vez, Werner Heisenberg comentou:

“Mesmo que os quarks pudessem ser encontrados, segundo tudo o que sabemos, eles poderiam ser divididos novamente em dois quarks e um antiquark etc., e, assim, eles não seriam mais elementares que um próton... Nós teremos que abandonar a filosofia de Demócrito e o conceito de partículas elementares fundamentais. Devemos, em vez disso, aceitar o conceito das simetrias fundamentais, que tem base na filosofia de Platão.”
[21]

2. Os átomos estão em movimento perpétuo.

Os cientistas do tempo de HPB não só acreditavam que os átomos eram indivisíveis mas também que eles eram imóveis, exceto no estado gasoso. “A Doutrina Secreta” declara:
[22]

“Diz o ocultismo que nunca a matéria se acha mais ativa do que quando parece morta. Um bloco de madeira ou de pedra está imóvel e é impenetrável em todos os sentidos. Não obstante, na realidade, suas partículas estão animadas por um movimento vibratório incessante, eterno, tão rápido que, para o olho físico, o objeto parece em absoluto desprovido de movimento; e a distância daquelas partículas entre si, no seu movimento vibratório, é tão grande — vista de outro plano de existência e percepção — como a que separa flocos de neve ou gotas de chuva. Mas, para a ciência física, esta idéia é um absurdo.”

Hoje é difícil pensar que algum dia isso foi considerado um absurdo.

Segundo “A Doutrina Secreta”, o movimento incessante dos átomos no que vemos como um objeto sólido está de acordo com uma lei universal subjacente ao cosmo de que “não há repouso nem interrupção de movimento na natureza”.
[23] Isso está de acordo com a visão de Einstein, segundo “The Theory of Relativity” (“A Teoria da Relatividade”), de Garrett Service:

“Pesquisas científicas mostram que, nas coisas infinitamente pequenas assim como nas infinitamente grandes, tudo é movimento... e não encontramos nada em repouso. Assim sendo, diz Einstein, o movimento deve ser visto como a condição natural e também real da matéria, algo que não necessita de ser explicado, porque surge da própria substância do universo. É a verdadeira essência da existência.”
[24]

Em “A Doutrina Secreta”, HPB afirma que “o movimento abstrato absoluto” é um símbolo do próprio Absoluto.
[25]

3. Matéria e energia são conversíveis.

A ciência do século dezenove acreditava no oposto. Einstein desaprovou a crença antiga em 1905 com a sua famosa equação E = mc2. Millikan traduz a equação da seguinte maneira:

“m é massa em gramas; c é velocidade da luz em centímetros por segundo (30.000.000.000 cm/s); e E é energia em unidades de energia, isto é, em ergs. Expressa na linguagem comum de engenharia, a equação de Einstein diz que, se um grama de massa é transformado em calor a cada segundo, são gerados continuamente 90 bilhões de quilowatts de energia.”

“A concepção extraordinariamente importante aqui”, acrescenta Millikan, é que a própria matéria é conversível em energia radiante”.
[26] Uma maneira mais geral de explicar este fato agora comprovado seria dizer que a matéria é energia condensada, enquanto energia é matéria que se expandiu. HPB cita um trecho de um artigo da revista “The Path” (janeiro de 1887, p.297) em “A Doutrina Secreta” [27] :

“Como declarou um teosofista norte-americano, ‘as mônadas (de Leibnitz) podem ser consideradas como força, de certo ponto de vista; e, de outro, como matéria. Para a ciência oculta, força e matéria não são mais que dois aspectos da mesma substância’.”

Essa substância ela chamava de prakriti, que emana da matéria primordial, ou mulaprakriti (a raiz da matéria).

Em “Ísis Sem Véu”
[28], HPB postula diretamente a conversibilidade de força em matéria ao afirmar:

“Toda manifestação objetiva, seja no movimento do corpo de um ser vivo, seja no movimento de algum corpo inorgânico, requer duas condições: vontade e força — além de matéria, que é aquilo que faz com que o objeto que se move seja visível aos nossos olhos; e essas três são todas forças conversíveis...”

A referência que se segue
[29] é especialmente interessante, não só porque a expressão energia atômica indica que os átomos têm energia, mas porque HPB parece ter sido a primeira pessoa a usar esta expressão tão comum hoje:

“O ‘movimento ondulatório das partículas vivas’ torna-se compreensível com a teoria de um... Princípio Vital universal, que é espiritual, independente de nossa matéria e que se manifesta como energia atômica somente no nosso plano de consciência.”

Tendo em vista tudo o que foi dito antes, não é surpreendente ser informada pelos atuais editores de “A Doutrina Secreta” que eles têm recebido pedidos freqüentes de exemplares dessa obra feitos por professores universitários. Um professor do Instituto de Tecnologia da Califórnia comprou o livro diversas vezes nos últimos anos. Perguntado amavelmente sobre a razão disso, soube-se que, cada vez que um exemplar estava demasiadamente marcado, dificultando a sua leitura, ele comprava outro exemplar.

Esta escritora soube em 1982, quando visitava Boston e Cambridge, que os professores e alunos de química do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estavam fazendo planos para investigar os ensinamentos em “A Doutrina Secreta” relativos às suas especialidades. Em 1988, soube-se, por meio de Philip Perchion, um cientista que havia trabalhado na bomba atômica, que professores e estudantes do MIT haviam formado uma sociedade alquímica e que estudavam regularmente “A Doutrina Secreta”. Ele também disse que ele e vários professores de química — a maior parte professores aposentados do MIT — encontravam-se periodicamente para discutir a D.S. no Harvard Club, em Nova Iorque.


Albert Einstein e “A Doutrina Secreta”:

Texto Completo da Nota 22, Parte 7, do
livro “Helena Blavatsky”, de Sylvia Cranston:

Veja o prefácio, NF # 11. Robert Millikan pode ter sido um dos primeiros cientistas a apresentar “A Doutrina Secreta” para Einstein. De 1921 a 1945 ele foi o diretor do Laboratório Norman Bridges no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena; ele era também o presidente do comitê executivo do Cal Tech.

Nos anos 30, Millikan ajudou a trazer Einstein para os Estados Unidos. Por três verões, Einstein trabalhou em Cal Tech, antes de aceitar um posto em Princeton.

Millikan estava profundamente interessado em “A Doutrina Secreta”. Durante seu mandato em Cal Tech, uma cópia do livro, na biblioteca da escola, era tão solicitada que para alguém conseguir o seu empréstimo tinha que colocar o nome numa longa lista de espera. Parece provável que Millikan tenha sido um dos que despertaram o interesse de Einstein pela Doutrina Secreta.

Outra pessoa pode ter sido Gustav Stromber, um astrofísico do Observatório Mount Wilson, de Los Angeles, que foi um bom amigo de Einstein e trabalhou com ele no observatório. Quando a obra de Stromberg “Soul of the Universe” (“Alma do Universo”) foi publicada, tinha na orelha uma recomendação de Einstein.

É interessante notar que, durante este período, Boris de Zirkoff, compilador de “H.P.Blavatsky Collected Writings”, visitava freqüentemente o observatório e fez amizade com os astrônomos de lá. Disse ele que todos estavam interessados em teosofia, particularmente o dr. Hubbell. Stromberg visitou a Sociedade Teosófica em Point Loma, e, certa vez, fez uma palestra lá; ele escreveu até mesmo a introdução para um livro de astronomia de dois teosofistas de Point Loma. Stromberg afirma:

“ ‘Star Habits and Orbits’ é descrito como ‘astronomia para estudantes de teosofia’. Isto inclui, conseqüentemente, dois temas diferentes; primeiro, a descrição dos fatos astronômicos fundamentais, e, segundo, uma interpretação destes fatos do ponto de vista dos ensinamentos teosóficos (.....) O grande edifício da ciência moderna é incompleto sem a apresentação de um mundo não-físico, a partir do qual a energia, a organização e a mente temporariamente emergem e vão para dentro do mundo físico de espaço e tempo. Teorias físicas modernas mostram a insuficiência dos conceitos materialistas que até recentemente caracterizaram a ciência natural apontam diretamente para um mundo que está em contato íntimo com a nossa própria consciência.

Há muitos caminhos para o conhecimento e nenhum deles deve ser negligenciado. Sabendo, como sabemos agora, que a nossa mente, inclusive a nossa capacidade de pensar, tem suas raízes num mundo invisível mas não desconhecido, é concebível que possam existir homens e mulheres inspirados capazes de perceber algo dos mistérios fundamentais da vida e do universo sem o uso de microscópios e telescópios.” (Charles J. Ryan e L. Gordon Plummer, “Star Habits and Orbits”, Covina, Califórnia, EUA, Theosophical University Press, 1944, pp. V-VI.)

[ Assim termina o texto da Nota 22, parte 7, do livro de Sylvia Cranston. ]


Sylvia Cranston, autora do livro “Helena Blavatsky - a Vida e a Influência Extraordinária da Fundadora do Movimento Teosófico Moderno” (Ed. Teosófica) , foi associada da Loja Unida de Teosofistas, LUT, e teve uma longa vida dedicada à causa da teosofia. Morreu na segunda metade da década de 1990.



NOTAS

[1] “The Secret Doctrine in the Light of Twentieth Century” (“A Doutrina Secreta à Luz do Pensamento do Século Vinte”), revista “Sunrise”, publicada pela Sociedade Teosófica de Pasadena, abril-maio de 1989, pp 150-151.
[2] Veja “A Doutrina Secreta”, H.P.B., ed. Pensamento, SP, volume III. Na edição em inglês, “The Secret Doctrine”, Theosophy Co., Los Angeles, veja vol. II, p. 442.

[3] Volume II, pp. 323-324 da edição em português de “A Doutrina Secreta”, Ed. Pensamento.

[4] “A Doutrina Secreta”, HPB, Ed. Pensamento, SP, volume II, pp. 323-324. Em inglês, “The Secret Doctrine”, vol. I, pp. 611-612.

[5] “O diretor do Departamento de Física da Universidade de Harvard desencorajava o estudo de graduação, pois só bem poucos problemas permaneciam sem solução”. (Gary Zukav, “The Dancing Wu Li Masters”, Nova Iorque, Bantam, , 1980, p. 311.)
[6] David Dietz, “The New Outline of Science” (“O Novo Perfil da Ciência”), Nova Iorque, EUA, Dodd, Mead, 1972,, pp. 259-263.

[7] Robert Millikan, “The Autobiography of Robert A. Millikan”, Nova Iorque, EUA, Prentice-Hall, 1950, pp. 272, 271. Em 1909, o próprio Millikan cumpriu um importante papel ao determinar as cargas elétricas exatas dos elétrons, e em 1923 recebeu o Prêmio Nobel de Física pela descoberta dos raios cósmicos.

[8] “Science”, 8 janeiro 1937, p. 598.

[9] Volume II, p. 333 da edição em português, da Ed. Pensamento.

[10] “A Doutrina Secreta”, volume I, pp. 176-179, especialmente 177. Em inglês, “The Secret Doctrine”, Theosophy Company, Los Angeles, Volume I, pp. 129-132.

[11] O círculo-que-não-pode-ser-transposto (ring-pass-not no original) é aquilo que separa o mundo da forma do mundo sem forma.

[12] “Theosophia”, volume 4, número 22, novembro-dezembro de 1947, p. 15.

[13] Robert Millikan, “Time, Matter and Values” (“Tempo, Matéria e Valores”), Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA, University of North Carolina Press, 1932, p. 96.

[14] Raymond F. Yates, “These Amazing Electrons” (“Esses Eletrons Incríveis”), Nova Iorque, EUA, the Macmillan Company, 1937.
[15] Dietz, “The New Outline of Science”, p. 277.

[16] A. March e I.M. Freeman, “The New World of Physics” (“O Novo Mundo da Física”), 1963; citado na revista “Sunrise”, novembro de 1975, p. 81.

[17] Veja a Nota 22 da parte 7 do livro de Sylvia Cranston, completa, ao final do presente texto.

[18] M.R. Crossland, editor, “The Science of Matter”, Nova Iorque, EUA, Penguin, 1971, p. 76.

[19] Vol. II, p. 232 da edição em português.

[20] “Em 1984”, escreve Stephen Hawking, “houve uma mudança de opinião notável em favor do que é chamado de teoria das cordas ..... O que antes se via como partículas, é agora representado como ondas vibrando no cordel de uma pipa ou pandorga”. (Hawking, “A Brief History of Time” – “Uma Breve História do Tempo”, p. 158-160 da edição em inglês).

[21] Werner Heisenberg, “Science”, 19 de março de 1976, p. 1165.

[22] Volume II, p. 220 da edição em português.
[23] Blavatsky, “The Secret Doctrine”, vol. I, p. 97; veja também vol. I, pp. 2, 55 e nota de rodapé da p. 76.

[24] S. Garrett Service, “The Einstein Theory of Relativity” (“A Teoria da Relatividade de Einstein”), Nova Iorque, EUA, E. M. Radimann, 1928, p. 48.

[25] Vol I, p. 14 da edição em inglês.

[26] Millikan, “The Autobiography of Robert A. Millikan”, p. 273.

[27] Vol. II, p. 335 da edição em português.
[28] Página 260, no volume I, da edição brasileira. Em inglês, “Isis Unveiled”, Theosophy Co., Los Angeles, Vol I, p. 198.

[29] “A Doutrina Secreta”, vol. IV, p. 242, da edição em português.



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PROFECIAS HOPI

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Três grandes profecias Hopi: 1. Se escavarmos coisas preciosas da terra, estaremos atraindo o desastre; 2. Perto do dia da purificação, haverá teias de aranha de um lado a outro do céu; e, 3. Um recipiente de cinzas poderá um dia cair do céu, queimar a terra e agitar os oceanos.

http://cenainesquecivel.blogspot.com/2008/03/koyaanisqatsi-uma-vida-fora-do.html



Esperança Na Profecia Hopi



Pela Irmã Iniciada Susan Barney, San Jose, CA, EUA

Era ao cair da tarde quando Martin Gashweonoma, o Guardião da Profecia Hopi e Emory Holmes, o Curandeiro Hopi, subiram ao palanque. As suas faces eram brilhantes e redondas, com seus cabelos amarrados à moda tradicional, suas franjas formando uma janela para se enxergar o mundo. Eu tinha recebido informações sobre a Profecia Hopi e estava ansiosa para ouvi-lo.

Os Hopi são um povo antigo que vive nas planícies desérticas do nordeste de Arizona, pouco mudando em relação aos seus ancestrais de milhares de anos atrás. As suas profecias e seus ensinamentos foram transmitidos oralmente, de geração a geração, por milhares de anos. Eles também possuem duas tábuas de pedra que, de acordo com seus ensinamentos, foram transmitidas pelo Criador no alvorecer desta era. Martin Gashweonoma era o responsável pelas tábuas.

Os Hopi têm uma elevada reputação, tanto entre as outras tribos como entre os cientistas e os acadêmicos, pelos seus conhecimentos médicos, pela sua visão global, artes, artesanatos e práticas espirituais antigas, que eles ainda mantêm. Os seus povoados são considerados os mais antigos assentamentos do continente norte-americano. A sua sociedade, predominantemente agrária, cultiva grãos, milho, algodão e frutas como produtos primários, causando espanto aos cientistas modernos pela capacidade que os Hopi têm de obter um rendimento agrário tão elevado em um terreno tão árido. Os Hopi diriam que a sua habilidade de gerar abundância está relacionada diretamente com sua ligação no campo criativo com as forças invisíveis que mantém harmonia na natureza. E seus ensinamentos antigos indicam que tal comunhão vital irá desempenhar um papel chave na sobrevivência da raça humana.

A Hora da Purificação Se Aproxima

Martin e Emory subiram ao palanque e nos fitaram com expressões dolorosas em suas faces. Eu senti neles a inquietação e um sentimento de inutilidade sobre o impacto do discurso que iriam proferir. Martin começou a falar em sua língua Hopi nativa com a tradução de Emory: "Nós estamos indo de lugar em lugar, espalhando a profecia aos quatro cantos, tentando fazer com que as pessoas saibam, que compreendam. Mas elas fazem ouvidos moucos às palavras que temos de transmitir..."
Enquanto ouvia, imaginei que não seria improvável que as pessoas sentissem mal-estar devido à mensagem deles. Falavam de uma hora da purificação que se aproximava celeremente, trazendo consigo massivas mudanças na terra, deixando apenas um punhado de pessoas vivas. Eles nos aconselharam a armazenar alimentos não-perecíveis porque a fome era iminente e seria o único meio pelo qual poderíamos sobreviver. Eles nos disseram para que rezássemos em casa para que a Mãe Terra fosse mais complacente conosco. Salientaram que precisávamos unir como um só povo. E eles estenderam a esperança de que alguém, com um coração puro, viria nos salvar de alguma maneira.

As previsões das Profecias Hopi se estendem desde o início desta era até o seu fim, com uma vasta parte delas focada no final dos tempos. A freqüência do cumprimento das previsões sobre o final do mundo aumentou exponencialmente nos últimos 90 anos, trazendo-nos para as etapas finais, a hora da purificação. É nesse período que há um imperativo para que reconheçamos a futilidade da guerra e reconheçamos todas as raças e todas as cores como pertencendo a uma mesma família. É também uma hora de consertar os abusos da tecnologia e da industrialização, harmonizando-as novamente com a natureza e com a terra. Se nós não fizermos isso, Martin avisa que a Mãe Terra irá fazer por nós. "A Mãe Terra irá sobreviver com ou sem os de dois pés (humanos)."

"Quando os anciãos nos legaram estes ensinamentos, disseram que alguém, além dos mares, iria ouvir sobre os ensinamentos e viria a nós em nossa terra e falar as mesmas coisas, o mesmo conhecimento. Então saberemos que o que os anciãos falaram é Verdade."

(...)

Quatro Eras

Os Hopi falam de quatro eras evolutivas pelas quais os homens vêm passando. Em todas elas os humanos começaram com um equilíbrio perfeito com a Terra, o Criador e entre si. Mas ao fim de cada era, eles haviam dado as costas às leis da natureza e aos princípios espirituais. A primeira era foi destruída por terremotos, a segunda por gelos, no período glacial, e a terceira por uma inundação. Agora nos aproximamos do final de uma outra era com a terra longe de sua harmonia e as pessoas negligenciando os princípios espirituais.

Cada uma dessas três eras que passaram parece ser um período de provas pelo qual os humanos tinham de passar para que assimilassem o que tinham de aprender. Esta era atual, a quarta, é a última. De acordo com os Hopi, os maiores e os mais elevados poderes que temos serão despertos nesta nova era, à qual se referem como a era do humano.

Quatro Cores de Pessoas E Quatro Custódias

Em 1996, no Congresso Continental dos Índios, Lee Brown, um líder espiritual Nativo Americano, contou como os Hopi obtiveram tais tábuas e o compromisso que as acompanhou.

No início desta era, o Criador separou as pessoas em quatro cores e deu à cada raça um ensinamento primário. No final da era, as quatro raças devem voltar a se unir e compartilhar seus ensinamentos. "E quando vocês se reunirem novamente, irão compartilhar o que sabem para que possam viver em paz na Terra e para que surja uma grande civilização."
"Ele deu duas tábuas para cada raça e avisou para que não as desprezassem porque não apenas os seres humanos passariam por tempos difíceis, mas praticamente toda a Terra iria morrer. Assim, Ele deu a cada um de nós uma responsabilidade, o que chamamos de Custódia. Aos Índios, os peles-vermelhas, Ele deu a Custódia do Solo. Nossa missão era de aprender neste ciclo os ensinamentos do solo, sobre as plantas que crescem no solo, os alimentos que podem ser tomados e as ervas que detêm o poder da cura, para que quando nos reuníssemos com os outros irmãos, pudéssemos compartilhar este conhecimento com eles. Algo de bom era para acontecer no solo."

"Ao Sul, Ele deu ao povo de pele amarela a Custódia do Vento. Eles deveriam aprender sobre o céu e sobre a respiração, descobrindo como aproveitá-los para o nosso progresso espiritual. No fim, eles deveriam compartilhar tais descobertas com todos."

"Ao Oeste, Ele deu às pessoas de tez negra a custódia da Água. Estes deveriam aprender os ensinamentos da água, que é o principal elemento, o mais humilde e ao mesmo tempo o mais poderoso."

"Ao Norte, Ele conferiu ao povo de cor branca a Custódia do Fogo. Se prestarem atenção nas coisas que eles fazem, vocês irão encontrar a presença do fogo. O fogo consome e movimenta. E é por isso que foram os irmãos brancos que começaram a se movimentar sobre a face da Terra para que nos reuníssemos como uma grande família humana."
Os Hopi mantêm as tábuas em seu território onde recitam os seus ensinamentos por milhares de anos a seu povo. No entanto, foi apenas no século XX que a existência e a localização das outras tábuas foram esclarecidas. As tábuas do povo negro são mantidas pela Tribo Kukuyu, no pé do Monte Kenya. Os tibetanos mantém as tábuas do povo amarelo. Os Hopi acreditam que as tábuas do povo branco se encontram na Suíça. Interessante é notar que todas elas são guardadas por pessoas que moram nas montanhas.

Lee Brown explicou que, um dia, cientistas ocidentais chegaram a eles, pedindo para determinar a idade das tábuas. "Os cientistas vieram aos Hopi e disseram: ‘Queremos um fragmento das tábuas de pedra’. Eles justificaram o pedido, afirmando: ‘Queremos levar a um laboratório científico para determinar a idade das tábuas.’ Os Hopi replicaram: ‘Sabemos quantos anos elas têm.’ Mas os cientistas insistiram, ‘Nós queremos confirmar.’ Assim, os Hopi deixaram que levassem um pequeno fragmento, que foi submetido à datação de carbono-14. O resultado foi que as tábuas tinham entre 10 mil e 50 mil anos. Por isso, quando digo que ‘há milhares de anos existiam Nativos que falavam de tais coisas’, não há exagero, mas sim verdade nessas palavras. Eles passaram os ensinamentos aos seus filhos há milhares de anos, e seus filhos passaram aos seus, que passaram aos seus, que passaram aos seus. E eles falavam sobre o povo que viverá nesta era."

Três Tremores Anunciando O Final Dos Tempos E Suas Oportunidades Para A Paz

O maior problema que enfrentamos hoje é a falta de união entre os vários povos da Terra, que se recusam a se considerar irmãos entre si. Nós continuamos lutando para dominar o mundo. Por causa disso, entramos no que os Hopi se referem como final dos tempos, um tempo de três grandes tremores, cujo objetivo é nos despertar de nosso estupor. Muitas das profecias correlacionam este final dos tempos com a hora da purificação. Os dois primeiros tremores correspondem às duas Guerras Mundiais, e cada uma foi seguida por uma oportunidade de se alcançar a paz. Mas os anciãos sabiam que a era de paz não alvoreceria até que o ciclo da humanidade estivesse completado, com todas as quatro cores sentadas em torno do círculo, reconhecendo uns aos outros como irmãos e compartilhando a sabedoria de suas Custódias. Somente a partir desse acontecimento, a paz se instauraria na Terra.

Assim, quando foi criada a Liga das Nações após a Primeira Guerra Mundial e novamente quando a ONU foi fundada após a Segunda, os Hopi, juntamente com outros povos indígenas, bateram às portas de tais instituições, requisitando admissão. No entanto a permissão foi negada, garantindo que a paz não iria prevalecer.

As profecias afirmam que o tempo iria correr mais rápido se a paz não fosse alcançada após o segundo tremor. Homens iriam se transformar em mulheres e mulheres, em homens. A águia iria chegar à Lua. Os netos não iriam ter tempo para os seus avôs e os pais não iriam ter tempo aos filhos. Mas o sinal indicaria que o terceiro grande tremor chegaria, o ápice do final dos tempos, quando as pessoas fossem viver no céu. Isso significaria a chegada da hora da purificação.

Estamos Nos Aproximando Do Tremor Final

Assim, agora estamos nos aproximando do tremor final. Nesta hora, o Purificador irá aparecer do Leste. Quando as tábuas foram transmitidas, no início desta era, havia dois irmãos. O irmão mais velho partiu para o sol. Quando ele alcançasse o local onde o sol nasce, ele deveria tocar o chão com a sua fronte e esperar até um período de crises. Então ele seria chamado de volta pelo seu irmão mais novo. Ele é conhecido como o Purificador, Aquele que possui o conhecimento para nos ajudar a compreender como nos reunir novamente e derrotar aqueles que irão vir do Oeste trazendo consigo a Terceira Guerra Mundial. As suas profecias deixam claro que bastará este Ser para uma mudança completa. "Bastará apenas Aquele que possui um coração nobre e o caminho humilde."

Façam Suas Orações Em Casa

Em seu discurso, Lee Brown disse: "Se pudéssemos parar com os conflitos raciais e religiosos, nós não precisaríamos passar por este terceiro tremor. Os anciãos dizem que a chance de tal proeza ocorrer é mínima. A mim me parece também que é. Mas eles dizem que nós podemos "amortecer" o desastre, para que não tenha conseqüências tão terríveis. Como fazer isso? Através do compartilhar do ensinamento que irá nos reunir.

Dan Evehema, um dos anciãos Hopi que discursou para as Nações Unidas em 1992, concorda que a maioria dos Hopi espera uma transição turbulenta para a próxima era. No entanto, o grau da catástrofe será proporcional à iniqüidade que grassa entre as pessoas do mundo e ao equilíbrio da natureza. Seres humanos ainda podem reduzir a violência através de uma correção de seus tratos com relação à natureza e aos outros seres humanos.

Enquanto isso, Martin nos admoesta para que rezemos. "Para consertar as coisas, precisamos nos unir em nossas mentes e em nossos corações, através de orações. Por isso não se esqueçam de rezar em casa para que possamos eliminar alguns desses desastres que estão ocorrendo. Através de nossas orações, podemos ajudar a Mãe Natureza para que ela seja um pouco mais complacente conosco. Nós, como seres humanos, não somos perfeitos de forma alguma –cometemos erros durante algumas etapas de nossas vidas. Mas temos de continuar a rezar."

Em outro discurso de Martin, foi dito que "os terremotos são iminentes, mas não há nenhuma data certa para que ocorram. O grande terremoto que era para flagelar a Califórnia foi alterado, de certa forma, pelos tibetanos que ouviram falar do mesmo. Eles rezaram intensamente no local e ajudaram a diminuir a intensidade do terremoto que atingiu a Califórnia."

Essas palavras são interessantes, porque tanto o Dalai Lama como o Papa e a Mestra estiveram todos no Norte da Califórnia, dias ou semanas antes do terremoto de 1989. No caso da Mestra, o terremoto aconteceu meros vinte minutos após a Sua partida.

Como Microcosmos, Todos Somos Deus

Os Hopi acreditam que eles são um microcosmo do mundo e o nível de conflitos dentro de sua comunidade refletem a desarmonia na Terra e no Universo como um todo. Martin diz: "Até mesmo os anciãos se afastaram destes ensinamentos. Agora nós criamos caos." "Eu direi a vocês que, desde tempos remotos até agora, nós destroçamos as nossas intenções, destruímos o que tínhamos de fazer e o que deveríamos receber. Agora não nos amamos mais uns aos outros. Não nos preocupamos mais com o nosso vizinho."

Um dos meios para um microcosmo trazer mudança ao macrocosmo é mudar o microcosmo. Isto segue o princípio da holografia: o todo está contido em uma parte. Nós podemos mudar a Terra se pudermos reequilibrar as nossas comunidades. E nós também somos microcosmos, hologramas da Terra, tanto como indivíduos como uma comunidade de praticantes do Método Quan Yin. Nós podemos mudar os acontecimentos da Terra através da purificação de nós mesmos.

Quanto mais nos depurarmos através da meditação, através do perdão àqueles que nos feriram, através do amor àqueles que não nos amam, e enxergando Deus em cada aspecto da natureza, mais impacto receberá o planeta dos nossos atos.

O Povo Da Luz

Lee Brown afirmou, "Os Hopi em suas profecias dizem que haverá uma nova religião. Talvez seja uma verdadeira religião, trazendo a unidade, ou talvez não. Se ela não trouxer unidade, despontará uma segunda religião, e as pessoas desta religião serão conhecidas na linguagem Hopi como ‘o povo da luz ou da glória’. Nós estamos esperando há muito tempo por esse povo. Eles dizem que tal povo trará consigo um ensinamento que irá unir a Terra."

Ouvir e estudar a mensagem transmitida pela Profecia Hopi causou uma grande guinada em meus valores e nos meus pontos de vista. Eu reconheço que esta hora de purificação é uma preparação necessária tanto para a humanidade como para a Terra para que progridam mais um nível, adentrando na era da Terra humana. Minhas meditações adquiriram um novo significado e rezo agora para que eu, como microcosmo representando a desarmonia do todo, possa perdoar a todos aqueles que me feriram e possa vê-los como meus irmãos. Eu rezo para que as minhas ações possam ajudar a restaurar o equilíbrio na Terra ao invés de desequilibrá-la ainda mais. Rezo para que nós, os que andam sobre dois pés, abramos os nossos corações para que possamos ver a santidade permeando todas as coisas e para que possamos reconhecer que nós somos todos um. Acredito que as palavras da profecia Hopi, "façam as suas orações em casa", significam uma meditação em nome de Deus para que, destarte, possamos elevar as vibrações, não apenas as nossas, mas também as do planeta como um todo.


http://magazine.godsdirectcontact.net/portuguese/096/b-5.htm

Mais em:
http://midiaeprofecia.blogspot.com/search/label/Hopi

http://carolinecabus.vilabol.uol.com.br/translations/22022007.htm


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Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE IMORTALIDADE NA ÍNDIA

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Texto de Georg Feuerstein

Com a possível exceção dos pensadores profissionais — como, por exemplo, os sofistas gregos e os professores de filosofia das universidades modernas, para os quais o pensar constitui um meio de vida — as pessoas inclinadas à reflexão em todas as culturas e em todos os períodos têm sido sempre incitadas a pensar ao refletirem sobre a sua própria finitude. Isto fica bem ilustrado nos hinos dos antigos Vedas. As visões inspiradas pelo soma e os vôos metafísicos daqueles que compuseram esses hinos nos revelam uma cultura terra-a-terra, porém não grosseiramente materialista. Mesmo quando o povo védico orava pedindo mais chuva, mais gado ou vitória sobre o inimigo, eles jamais perdiam de vista as forças invisíveis que, segundo acreditavam, influenciavam ou guiavam o seu destino. Eles acreditavam e conversavam com deuses, espíritos dos ancestrais, demônios, gnomos, elfos e uma multidão de outras criaturas que o pensamento científico desalojou.


Acima de tudo, os indianos primitivos acreditavam que depois de uma vida longa, próspera e feliz sobre a terra eles podiam esperar uma vida futura igualmente feliz. Não punham em dúvida, nem por um momento, que a morte é apenas uma transição e não um fim. Para eles, se a vida terrena de um indivíduo foi justa e nobre, seu estado após a morte seria um mundo onde o leite e o mel fluiriam em abundância. Aos malfeitores, entretanto, pressagiava-se um mer­gulho na escuridão insondável.


As almas mais sensíveis e amadurecidas, capazes de compreender que até mesmo a mais maravilhosa das vidas sobre a terra é desfigurada por mudanças e pela morte, traduziam na forma de um impulso espiritual mais elevado seu desejo de escapar das garras da morte: Elas oravam e se preparavam para obter a imortalidade num domínio que ficava além até mesmo do paraíso celeste, onde o indivíduo razoavelmente devoto esperava reunir-se com sua família e com seus amigos. Elas desejavam compartilhar a imortalidade dos próprios deuses desencarnados.


Temos aqui a semente da noção hindu posterior de que a essência da personalidade humana transcende e se identifica perfeitamente como próprio fundamento do universo, como está formulado nos Upanishades: aham brahma asma ("Eu sou o Absoluto"), tat tvam ase ("Isto é você"), sarvam idam brahma ("Tudo isto é o Absoluto"). São estas as grandes formulações dos sábios upanishádicos. O Self transcendental (atman), que é o âmago subjetivo da personalidade humana, é imortal, eterno. É co-essencial com o núcleo mais profundo, ou dimensão suprema, do universo objetivo, conhecido como brahman. Tudo o que se pode dizer sobre o Absoluto é que ele existe, é singular supremamente consciente (e não destituído de percepção) e absolutamente bem-aventurado. Por isso, os sábios upanishádicos referem-se a ele como Ser-Consciência-Beatitude (sat-cit-ananda).


Qual é a relação entre essa Singularidade transcendental e o mundo do espaço-tempo, que é um teatro de sujeitos e objetos? Os sábios hindus refletiram profundamente sobre esta questão e chegaram a diferentes respostas, o que demonstra sua engenhosidade filosófica. As autoridades nos Upanishades mais antigos ainda consideravam o mundo como emanação do Ser Único, embora sugerissem diferentes versões dessa crença. Pensadores que vieram mais tarde, notavelmente o célebre proponente do não-dualismo vedanta, Shankara (79 d.C- 820 d.C.), tenderam para uma concepção mais sofisticada, que considera o mundo como um produto da ignorância espiritual (avidya), sem ser inteiramente ilusório. Algumas autoridades, como o autor que compôs Ioga-Vasishtlit do décimo século, assumiram uma posição ainda mais radical, sugerindo que mundo dos fenômenos é uma perfeita alucinação e que só existe o supremo Ser-Consciência. A mesma concepção idealista é compartilhada por alguma escolas do budismo Mahayana.


É importante compreender que essas formulações metafísicas não são meras especulações ou produto de conhecimentos livrescos. Elas se baseavam antes de mais nada, em efetivas realizações yogues. Mais do que discursos filosóficos, os Upanishades eram testemunhos das experiências místicas de centenas de sábios e de adeptos da ioga. Eles não se contentavam com a mera crença numa vida após a morte nem com pias esperanças numa imortalidade futura. O que buscavam era descobrir a imortalidade durante o próprio transcurso da vida. Para eles, liberdade não era apenas um slogan, nem tinha as estreitas conotações políticas que tende a possuir hoje. Liberdade significava ser radicalmente livre, em espírito.


Os yogues não esperavam libertar-se da escravidão política, nem do jugo das necessidades econômicas, mas sim das cadeias de seu próprio condicionamento psicomental. Quaisquer que fossem as circunstâncias com que se defrontassem, pretendiam permanecer alheios ao medo — até mesmo um estado de beatífica felicidade — e completamente despreocupados quanto ao seu passado, ao seu presente e ao seu futuro. Em sua busca da liberdade e da imortalidade eles exploraram uma grande variedade de meios — ascetismo severo (tapas) renúncia absoluta (vairagya) e as disciplinas mais completas da meditação e de êxtase que se acham no cerne daquilo que veio a ser conhecido como ioga. Grande avanço ocorreu, entretanto, quando descobriram que, para adquirir imortalidade, não se fazia necessário perder o corpo, mas que se poderia alcançar a perfeita liberdade espiritual mesmo permanecendo em forma encarnada. Desse modo, nasceu o ideal da "libertação em vida" (jivan-mukti), que tem coexistido desde essa época com o ideal mais antigo da "libertação desencarna da" (videha-mukti).


Pela sua significação para a humanidade, essa descoberta é mais importante que a invenção da roda, que a invenção da agricultura ou que a domesticação dos animais — muito embora a maior parte da humanidade continue completamente inconsciente dessa descoberta. E, assim, os grandes adeptos e sábios do hinduísmo e de outras tradições religioso-espirituais permanecem ignorados.


Por que é tão significativa a descoberta da libertação em vida? Porque, uma vez plenamente compreendidas as suas implicações, ela nos liberta da necessidade da busca religioso-moral por uma futura vida paradisíaca, assim como da busca de uma realização nos domínios condicionados da experiência. Ao mesmo tempo, ela nos liberta para uma atitude mais realista que idealista com relação à vida. Como assim? Os atores que levam seus papéis teatrais para fora do palco estão tendo sérios problemas psicológicos. Não obstante, essa situação retrata a nossa condição habitual: geralmente esquecemos que nossos papéis como parceiros num casamento, pais, donos de casa, responsáveis pelo sustento da família, motoristas de automóveis, contribuintes, bons cidadãos, e assim por diante, não nos definem exaustivamente. Pelo contrário: geralmente nos comportamos como se esses diversos papéis fossem nossas próprias células vivas, como se, sem eles, ficássemos reduzidos a nada. Estamos esmagados pelo fardo dessa noção errônea; no entanto, nem sequer sabemos que há uma alternativa.


Todavia, quando compreendemos que não somos idênticos a nenhum dos papéis que, com tanta habilidade, desempenhamos no decorrer de nossas existências convencionais, também deixamos de sofrer as limitações de nossos papéis múltiplos e, com freqüência, complexos. De repente, nos encontramos numa relação livre com relação a eles, capazes de responder ao jogo social que se desenrola à nossa volta sem sermos tragados ou diminuídos por ele. Somos "donos de nós mesmos", tendo conquistado uma autonomia alicerçada no reconhecimento da primazia da Consciência imortal (cit). Esse reconhecimento leva a uma crescente certeza que culmina no processo de autotranscendência extática permanente, conhecida como libertação ou iluminação plena.


O ser iluminado não busca realizar-se em e por intermédio de um papel qualquer, que "ele" pode temporariamente desempenhar, pois já é bem-aventu­rado e imortal. Esse ser não tem medo da morte e, por conseguinte, não precisa das incontáveis "buscas de visão" por meio das quais o indivíduo não-iluminado tenta afirmar sua própria existência e ludibriar a lei cósmica da entropia. O ser iluminado está, por certo, consciente de que o corpo-mente, o organismo psicobiológico como qual acontece de ele estar misteriosamente associado (pelo menos da perspectiva da não-iluminação), terá inevitavelmente de envelhecer e de morrer. Mas esse destino temível não desconcerta nem perturba o ser iluminado, pois "ele" também sabe que a mesma Consciência-Identidade per­manece para sempre, pouco importando que o corpo-mente, ou até mesmo todo o universo, venha a ser aniquilado. Na iluminação, não há a ilusão da proprie­dade. Adaptando a bem conhecida frase de E. F. Schumacher: na economia da iluminação, o infinito é belo.




Nos Upanishades e nas obras posteriores do Vedanta, a Realidade transcendental é, com freqüência, caracterizada como a eterna "Testemunha". É a observadora suprema dos conteúdos de consciência — os fugazes estados da mente, o torvelinho contínuo das sensações, emoções, fragmentos de pensamen­tos, pressentimentos, insights, desejos, atitudes, e assim por diante. Em Yoga: Immortality and Freedom, o falecido Mircea Eliade, talvez o maior historiador da religião de nosso século, observou:

É impossível... negligenciar uma das maiores descobertas da índia: a da consciência como testemunha, da consciência liberta de suas estruturas psicofísiológicas e de seu condicionamento temporal, a consciência do homem "liberado", a consciência de si mesmo, isto é, daquele que conseguiu emancipar-se da temporalidade e que, conseqüentemente, conhece a verdadeira, a inexprimível liberdade.


A noção de Testemunha transcendental constituiu, de fato, uma importante inovação conceituai. Essa noção se acha na origem de toda a tradição ascética do hinduísmo. Não obstante, revelou-se uma espada de dois gumes. Ela desfe­chou um golpe por um lado, no idealismo materialista convencional, que projeta o sujeito empírico, ou ego, em dimensões onde não há lugar para ele. Dessa maneira, ela solapou efetivamente o ideal arcaico de imortalidade em algum Elísio post-mortem na deleitosa companhia dos deuses. Por outro lado, entre­tanto, ela tendeu a podar a vida convencional, considerada como não tendo nada a ver com a Testemunha — pois a recomendação dos videntes upanishádicos — realizar a Auto-Identidade transcendental para além de todos os papéis —envolve uma progressiva rejeição de tudo aquilo que geralmente se considera como fazendo parte da existência humana normal: família, vida social, trabalho e, finalmente, o próprio corpo-mente. Quando interrogados sobre a natureza do Self, os sábios upanishádicos respondiam "Neli, neti" ("Não assim, não assim"). Esperava-se que aquele que exercitasse a prática espiritual aplicasse essa sabedoria à vida cotidiana que, segundo se supunha, devia ser simples e contemplativa. A tradição de renúncia (samnyasa, tyaga) é característica dessa atitude de negação.


Desse modo, o ideal de libertação em vida (jivan-mukti) representou um importante passo na evolução espiritual da humanidade. Não foi, entretanto, um passo suficientemente largo. Muito embora as pessoas pudessem dedicar-se a alcançar a iluminação durante a sua vida, ainda mantinham um relacionamento problemático com a encarnação. Para elas, o corpo-mente e o mundo em geral eram algo que devia ser deixado para trás, pelo menos emocionalmente. O preceito-chave era a dissociação. O resultado é que eles não escapavam inteira­mente da atração da primitiva noção arcaica de imortalidade. Embora a imortalidade já não fosse considerada como um objetivo na vida futura, ela ainda implicava uma forma de morte. O aspirante à espiritualidade tinha de retrair - se voluntariamente do mundo e de seu próprio corpo-mente até que o glorioso momento da iluminação fosse atingido. O adepto precisava morrer uma morte metafórica, que envolvesse um enfraquecimento interior das ligações com o mundo. Posteriormente, a partir da Auto-realização, o indivíduo poderia voltar para o mundo para viver nele mas não para ser dele — à maneira do lótus proverbial, que flutua sobre a água lamacenta.


Essa tradição tornou-se o estilo que as nossas mentes associam à espiritualidade da índia. Foi, de fato, a tradição que dominou durante séculos as culturas indiana e budista. As pessoas raramente se dão conta de que ela não constitui a flor suprema da herança espiritual da índia. A genialidade indiana, e também a budista, reconheceu a limitação inerente ao ideal da Testemunha transcendental — reconhecimento que se expressou como urna reavaliação total da dimensão física da existência no grande movimento espiritual (infelizmente muito caluniado) conhecido como tantrismo.


No âmago do tantrismo, temos a equação samsara = nirvana, a qual significa que o mundo condicionado do espaço-tempo é co-essencial — isto é, coexiste com — a dimensão não-condicionada da existência, que transcende o mundo espaço-temporal. Como, para a maioria das pessoas, isto tem tão pouco sentido quanto a famosa fórmula de Einstein E = mc2, faz-se necessária uma breve explicação. Samsara é o mundo das mudanças, tal como o percebemos através dos nossos sentidos. Segundo os adeptos do tantrismo, este mundo finito é apenas o aspecto mais externo de um campo infinitamente complexo. Desse modo, identificar-se apenas com o aspecto mais externo desse campo constitui a "ignorância" (avidya) que nos mantêm presos ao sofrimento inerente à limitação. No entanto, através de meios iogues é possível identificar-se com o campo cósmico total. Do ponto de vista da consciência não-iluminada, esse campo total fica além do mundo conhecido e cognoscível. Os mestres tântricos descobriram porém que esse campo é tudo o que existe: Por conseguinte, ele não fica realmente além dos mundos das mudanças. Ele é, em vez disso, subjacente à existência condicionada e, em última análise, não difere da mesma.


Este insight tem profundas implicações para nossa condição humana, como bem compreenderam os adeptos do tantrismo. Eles chegaram, assim, a considerar o corpo, e a existência corpórea em geral, como o "templo do Divino". O corpo deixou de ser encarado como um "mal-cheiroso saco de pele". A encarnação passou, em vez disso, a ser vista como uma oportunidade única de realizar o potencial do corpo — o potencial da divindade.


Esta nova atitude está vigorosamente expressa no Kularnava-Tantra, importante obra do tantrismo indiano, da seguinte maneira:
Sem o corpo, como pode a [suprema] meta humana ser realizada? Tendo, por conseguinte, adquirido uma moradia corporal, o indivíduo deveria levara cabo ações meritórias (punya).


Entre os 840.000 [tipos de] corpos de seres encarnados, o conhecimento da Realidade não pode ser adquirido a não ser por intermédio de um [corpo] humano.


Os mestres tântricos aspiravam a criar um corpo transubstanciado, que eles denominavam corpo adamantino (vajra) ou corpo divino (daiva) — um corpo que não é feito de carne, mas sim de substância imortal, de Luz. Em vez de considerar o corpo como um "tubo de carne" condenado a se tomar uma presa da doença e da morte, eles o consideravam como lugar de moradia para o Divino, e como a caldeira para o processo alquímico da perfeição espiritual. Para eles, a iluminação era um acontecimento que implicava todo o corpo. A encarnação de um mestre iluminado é apenas aparente. Seu corpo é na realidade, o corpo de tudo; por isso, ele pode assumir a forma que quiser. O adepto tântrico (siddha) possui um corpo transubstanciado e dotado de grandes poderes paranormais (siddhi). Em conseqüência disso, ao longo de toda a história da índia, os adeptos do espiritual têm sido celebrados e temidos como grandes magos.


O elemento mágico do tantrismo assumiu uma posição relevante na tradição do cultivo do corpo (kaya-sadhana), notavelmente nas escolas de hatha ioga, que são produtos do século X d.C. Provenientes sobretudo das camada sociais iletradas da sociedade indiana, os hatha iogues tenderam, com freqüência, a interpretar erroneamente os ensinamentos positivos do tantrismo com relação ao corpo. Em vez de se darem conta de que o corpo físico não pode sobreviver indefinidamente, e que o corpo tântrico imortal pertence a uma ordem mais espiritual do que material, eles levaram muito longe suas tentativo de imortalizar suas formas mortais. Inventaram, assim, uma série impressionante de técnicas para controlar as funções do corpo — desde práticas que efetivamente, interrompem a respiração até métodos para impedir a descarga seminal. Na hatha ioga, sob seu aspecto mais grosseiro, temos a antiga esperança védica de imortalidade transferida para o nível físico.


Sempre defendi a hatha ioga contra os preconceitos intelectuais, mas acredito que, não obstante, é verdade que o ideal de imortalidade do corpo não passa de um sonho impraticável — um sonho que, na realidade, pode se tornar perigoso para o sonhador. As lendas de Babaji, o mestre imortal do Himalaia são apenas isso: lendas. Não estou com isso negando a possibilidade de existirem adeptos de extraordinária longevidade. Aliás, eu escrevi uma introdução para uma biografia de um deles: Tapasviji Maharaj, cuja vida está tão bem documentada quanto é possível esperar-se na cultura indiana , via de regra tão indiferente ao tempo. Podemos aprender alguma coisa com esses ascetas excepcionais -por exemplo, que, tal como nós, eles estão destinados a morrer. Nenhuma ideologia e nenhuma tecnologia poderão impedir esse destino. Tudo o que nasce deve morrer. Mais precisamente, tudo aquilo que experimenta a si mesmo como nascido (isto é, o ego-self) deve morrer. Por conseguinte, afirma-se tradicionalmente que o Self transcendental "imorredouro" (anrita), é "não nascido" (aja).



Nossa cultura moderna é propensa a se deixar fascinar por indivíduo macróbios como Tapasviji Maharaj ou Shivapuri Baba, e pelo ideal de imortalidade física. A emergente disciplina médica da engenharia genética é nos resposta profana contemporânea ao antigo método da kaya-kalpa ("modelage do corpo"), uma maneira naturopática de rejuvenescimento do corpo graças jejum prolongado, à meditação e a remédios extraídos de ervas especiais. Pois em última análise, o que pretendem conseguir os engenheiros genéticos a não ser o prolongamento da vida? Embora possam se mostrar bem-sucedido em acrescentar alguns anos, e talvez até mais bem-estar às nossas vidas, não lhes será possível ensinar lições espirituais que cada pessoa deve aprender por mesma. E essas lições estarão, no futuro, tal como o estão agora, vinculadas fato inevitável de que a existência física é finita, muito finita, e que para conferir à vida um significado profundo e duradouro devemos incluir em seu âmbito a gloriosa dimensão daquilo que os antigos sábios e místicos da índia chamaram de Ser-Consciência-Beatitude.


Nós nos encontramos hoje em meio a uma radical transição cultural. Como audaciosamente declarou, há um século, Friedrich Nietzsche, o paternal Deus-Criador de nossos antepassados morreu para a maioria de nós. Já não acredita­mos no paraíso e na ressurreição da carne. Continuamos, porém, a lamentar essa perda, e estamos certamente perplexos. Alguns de nós se tomaram receptivos a uma nova possibilidade — uma possibilidade há muito tempo concebida em solo indiano, isto é, a de que a Realidade é imanente e transcendente e que podemos descobrir esta verdade num nível existencial e não apenas intelectual, exatamente porque ela é nós.


É claro que a mente racional se espanta com tudo isto. É assim que deve ser, pois a dúvida é o território da razão. Mas há também o coração, que se regozija com tal possibilidade. Juntos, cabeça e coração irão nos ajudarem nossa busca espiritual. Podemos nos sentir livres para ouvir os sussurros da imortali­dade.
Fonte: EXPLORAÇÕES CONTEMPORÂNEAS DA VIDA DEPOIS DA MORTE, organizado por Gary Doore
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Sábado, 6 de Setembro de 2008

LIBERDADE É ESSENCIAL. A LIBERDADE É DIVINA

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A Natureza da Liberdade

Saanen, 31 de julho de 1962.

Krishnamurti

No outro dia, falávamos sobre a ação livre de idéia uma vez que, conforme dissemos, o pensamento é uma resposta da memória; o pensamento é sempre limitado, condicionado pelo passado e , por isso,jamais levará à liberdade.

Acho muito importante compreender esse fato. Se não compreendermos, por inteiro, o processo de autodefesa do pensamento, não poderá haver liberdade psicológica. E liberdade (que não é uma reação à não-liberdade nem o oposto disso) é essencial, pois só em liberdade podemos descobrir.Só quando a mente está de todo livre é que pode perceber o verdadeiro.

A verdade não é uma coisa contínua que se possa manter mediante prática ou disciplina, mas algo que se percebe num lampejo.A percepção da verdade não surge através de qualquer forma do pensamento condicionado, razão pela qual o pensamento não pode imaginar, concebernem formular o que seja a verdade.

Para se entender, plenamente, o que é a verdade, tem de haver liberdade.Para a maioria de nós, liberdade é apenas uma palavra, uma reação ou uma idéia que serve de fuga à nossa escravidão, ao nosso sofrimento, à rotina entediante do dia-a-dia; mas isso, absolutamente, não é liberdade.A liberdade não vem através da busca porque não podemos buscar a liberdade e tampouco procurá-la. A liberdade só vem quando compreendemos todo o processo da mente que cria suas próprias barreiras, limitações e projeções a partir de uma base de experiência condicionada e condicionante.

Para uma mente de fato religiosa, é importantíssimo compreender aquilo que transcende a palavra, que transcende o pensamento e toda experiência. E, para compreender isso, para estar com o que se acha além de toda experiência, para perceber isso profundamente e num lampejo, a mente deve estar livre. Idéia, conceito, padrão, opinião, julgamento ou qualquer disciplina organizada impedem a liberdade da mente. Essa liberdade traz a sua própria disciplina – não a disciplina da submissão, da repressão ou do ajustamento, mas a disciplina que não é produto do pensamento, que não tem motivo.

Seguramente que, num mundo confuso, com tanto conflito e miséria, é mais do que urgente entender que a liberdade é o primeiro requisito da mente humana - não o conforto nem o fugaz momento de prazer nem a continuidade desse prazer, mas uma liberdade total, que é a única origem da felicidade. A felicidade não é um fio em si mesma; como a virtude. É um subproduto da liberdade. Uma pessoa livre é virtuosa; mas o homem que pratica a virtude, submetendo-se a um padrão estabelecido pela sociedade, jamais saberá o que é liberdade e, por isso, jamais será virtuoso.

Gostaria de falar sobre a natureza da liberdade e ver se podemos, juntos, encontrar tateando o caminho para ela; mas não sei como escutam o que estamos dizendo. Escutam apenas as palavras? Escutam para compreender, para experimentar? Se escutam em qualquer desses dois sentidos, nesse caso muito pouco valor terá o que se está dizendo. O importante é escutar, não as palavras nem com a esperança de experimentar essa coisa extraordinária que é a liberdade, mas escutar sem esforço, sem luta, serenamente. Isso, contudo, exige atenção. Por atenção, quero dizer estarmos totalmente empenhados nisso, com a mente e o coração. Se ouvirem desse jeito, descobrirão por si próprios que não podemos ir em busca de tal liberdade, que ela não provém do pensamento nem de exigências emocionais ou histéricas. A liberdade surge, sem que precisem procurá-la, quando há total atenção.

Atenção total é o estado da mente que não tem limites nem fronteiras e que, portanto, é capaz de captar cada impressão, de ver e ouvir tudo.
E isso podemos fazer; não é coisa tão difícil assim. Torna-se difícil unicamente porque estamos presos a hábitos e isso é uma das coisas de que gostaria de falar.

Cremos poder escapar da inveja gradualmente e fazemos esforço para nos livrar dela aos poucos e, assim, acabamos introduzindo a idéia de tempo. Dizemos: "Tentarei livrar-me da inveja amanhã ou um pouco maisadiante"; entrementes, porém, continuamos invejosos. As expressões tentar e entrementes são a própria essência do tempo e, quando introduzem o fator tempo, não conseguem libertar-se do hábito. Ou rompem com o hábito de uma vez por todas, ou ele continua, embotando a mente e criando novos hábitos.

Mas será possível a mente livrar-se, por completo, dessa idéia de atingir alguma coisa gradualmente transcender algo, ficar livre gradualmente? Para mim, liberdade não é uma questão de tempo – nãoexiste nenhum amanhã no qual se possa ficar livre da inveja ou adquirir uma virtude. E, não havendo amanhã, não há medo. Só existe o pleno viver no agora; o tempo cessou de todo e, desse modo, acaba aformação de hábitos. Com a palavra agora refiro-me ao que é instantâneo, que não é reação ao passado nem uma forma de evitar o futuro. Há tão-somente um momento de atenção total; toda atenção, nesse momento, está aqui, no agora. Certamente que toda existência está no agora; quer sintam uma enorme alegria, quer experimentem rofundo sofrimento, ou seja o que for, só no presente é que isso acontece. Através da memória, no entanto, a mente acumula a experiência do passado e a projeta no futuro.

Se não estivermos livres do passado, não haverá liberdade pois a mente nunca é nova, fresca, inocente. Só a mente fresca e inocente é livre. Liberdade nada tem que ver com idade, com experiência. A mim me pareceque a essência mesma da liberdade está no compreender o mecanismo do hábito, tanto consciente como inconsciente. Não é uma questão de por fim ao hábito, mas de ver toda a estrutura do hábito. Temos deobservar como formam os hábitos e como, por rejeitar um hábito ou resistir a ele, criamos outro hábito. O que importa é estarem inteiramente cônscios do hábito; nesse momento é que poderão ver, por si mesmos, que findou o processo de formação de hábitos. Resistir ao hábito, lutar contra ele ou rejeitá-lo só dá continuidade ao hábito.

Quando lutam contra o hábito, dão vida a ele e, então, apenas atentos à estrutura do hábito como um todo, sem resistência, descobrirão estarem livres do hábito e, nessa liberdade, ocorre algo novo.
Do livro: "Sobre a Liberdade", Editora Cultrix
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publicado por conspiratio às 19:47
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KRISHNAMURTI E A CARNE

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"Mas há aqueles que matam: matam por desporto, por divertimento, matam para obter lucro – por exemplo, a indústria da carne. São os mesmos que destroem a Terra, espalham gases venenosos, poluem o ar, as águas, e poluem-se uns aos outros. É o que estamos a fazer á Terra e a nós próprios. Viver sem causar sofrimento ou morte a outros significa não matar um ser humano nem qualquer animal, por desporto ou para sustento."


http://pt.wikiquote.org/wiki/Jiddu_Krishnamurti
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

A ABORDAGEM PRAGMÁTICA DA VERDADE ESPIRITUAL / "A NECESSIDADE DA APOSTA"

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A ABORDAGEM EXPERIMENTAL DA VERDADE ESPIRITUAL


A atitude que estivemos discutindo poderia ser denominada abordagem “experimental” da verdade espiritual. (William James a chamou de abordagem "pragmática".) Observe-se que designá-la como "abordagem" implica que ainda não se conhece a verdade, mas que se está procurando descobri-la, ou pelo menos chegar mais perto dela.

Este ponto de vista está, por certo, muito distante da posição dogmática muitas vezes assumida pelas religiões institucionalizadas. Não obstante, ela não é inteiramente estranha a todas as grandes tradições espirituais do mundo. Pode ser encontrada, por exemplo, nos Sutras Iogues de Patanjali e nas escrituras do budismo primitivo. Na verdade, Buda insistia para que seus seguidores exami­nassem e testassem na prática as doutrinas por ele ensinadas, e que rejeitassem aquelas que achassem pouco razoáveis ou pessoalmente inaproveitáveis. O Kalama Sutra deixa isso bem claro:


Não acreditem na força das tradições, mesmo que tenham sido respeitadas durante muitas gerações e em muitos lugares; não acreditem em alguma coisa somente porque muita gente fala dela; não acreditem no poder dos sábios de antigos tempos; não acreditem que aquilo que vocês mesmos imaginaram foi um deus que os inspirou. Não acreditem em nada que dependa somente da autoridade de seus mestres e sacerdotes. Tendo investigado, acreditem naquilo que vocês mesmos testaram e acharam razoável, e que é para o seu bem e o de outros.


Nesta declaração, vemos claramente expressa a atitude "experimental" com relação à verdade espiritual. Aqui, Buda recomenda aos seus seguidores que acreditem, "depois de ter investigado", somente naquilo que eles próprios "testaram" (isto é, por meio de experimentação pessoal), e "acharam razoável", e que é "para o seu bem e o de outros". Dessa maneira, incita-os a não somente consideraras evidências da verdade de suas doutrinas (embora isto, com toda a certeza, esteja incluído naquilo que eles devem considerar), mas também a pesar as conseqüências práticas de crer nessas doutrinas.

Esse conselho é igualmente válido quando aplicado à questão de estarmos ou não justificados quando acreditamos numa vida depois da morte. Se as provas a favor ou contra a hipótese não são realmente conclusivas; se devemos, por conseguinte, decidir entre acreditar ou não acreditar, baseando-nos nas conse­qüências de nossa crença ou descrença*; e se o fato de acreditarmos nos torna mais fortes, mais corajosos, mais tolerantes e pacientes diante das dificuldades e dos reveses, menos propensos a nos sentirmos derrotados e desamparados do que estaríamos se tivéssemos adotado o agnosticismo ou o materialismo — então estes são legítimos fundamentos para optarmos por defender a fé como hipótese de trabalho; será baseando-nos nesta hipótese que haveremos de viver e de seguir uma disciplina espiritual: será graças a essa disciplina que podere­mos, eventualmente, chegar ao tipo de "evidência contemplativa" direta a que se refere Ken Wilber, e que nos trará a certeza final.

Como assinalou o filósofo William James em seu ensaio "The Will to Believe" ["A Vontade de Acreditar"], para estabelecer uma relação de amizade com uma outra pessoa, devemos, antes de mais nada confiar nessa pessoa mais do que nos poderia garantir qualquer prova que possamos ter de sua credibili­dade. Pois sem esse ato preliminar de confiança, a relação jamais se estabelecerá, e, por conseguinte, nunca teremos a oportunidade de conseguir provas num sentido ou no outro.

Da mesma forma, para testar a hipótese da sobrevivência, e verificar se ela traz benefícios para as nossas vidas devemos, primeiro, "confiar no universo", por assim dizer, o que significa confiar no fato de que o universo é basicamente bom; que ele é, na verdade, uma arena destinada ao desdobramento da consciência e do espírito; que ele é um lugar no qual nossos esforços morais e espirituais não são inúteis pois o resultado deles — o crescimento de nossa alma em virtude e sabedoria — prossegue para além da morte do habitáculo físico temporário da alma. Sem essa confiança preliminar, jamais teremos o incentivo e a energia necessários para empreender a disciplina espiritual indispensável para podermos verificar contemplativamente a imortalidade da alma de uma maneira pessoalmente convincente.




*Sobre isto temos mais alguma coisa em:


http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080304050722AASS2Iz

http://alainet.org/active/14311&lang=es

São 2 textos sobre a necessidade da aposta de Blaise Pascal

e

http://www.teoriadacomplexidade.com.br/textos/teoriadacomplexidade/
www.teoriadacomplexidade.com.br/textos/teoriadacomplexidade/Complexidade-e-a-Acao.pdf

“A Complexidade e a Ação” de Edgard Morin
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publicado por conspiratio às 20:57
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

A LUTA COTIDIANA NOS ENVELHECE INTERIORMENTE - KRISHNAMURTI

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A ALEGRIA DE VIVER



Já alguma vez cogitasses no por que muitas pessoas, ao se tornarem mais velhas, parecem perder toda a alegria de viver? No momento, a maioria de vós, que sois jovens, é relativamente feliz; tendes vossos pequenos problemas, vossas preocupações sobre os exames, mas, apesar dessas perturbações, há, em vossa vida, uma verdade? Há uma espontânea e natural aceitação da vida, uma visão das coisas despreocupada e feliz.

Mas, por que razão, ao nos tornarmos mais velhos, parecemos perder aquele ditoso pressentimento de algo transcendental, algo de mais significativo? Por que tantos de nós, ao alcançarmos a chamada maturidade, nos tornamos embotados, insensíveis à alegria, à beleza, ao céu sereno e às maravilhas da terra?

Quando uma pessoa faz a si própria esta pergunta, muitas explicações acodem-lhe ao espírito. Ternos muito interesse em nós mesmos - esta é uma delas. Lutamos para nos tornarmos alguém, para alcançarmos e conservarmos uma certa posição; temos filhos e outras responsabilidades, e ternos de ganhar dinheiro. Todas essas coisas que se agitam em nosso interior não tardam a deprimir-nos, e perdemos assim a alegria de viver. Vede os rostos dos mais velhos, de vosso círculo de conhecimentos, tristes que são, em maioria, e gastos, adoentados, reservados, alheados, não raro neuróticos, sem um sorriso. Não perguntais a vós mesmos por que são assim? E mesmo quando indagamos o porquê disso, a maioria de nós parece satisfazer-se com meras explicações.

Ontem de tarde vi um barco que subia o rio, de velas pandas, impelido pelo vento oeste. Era um barco grande e transportava pesada carga de lenha destinada à cidade. O sol se punha e a embarcação, desenhada contra o céu, mostrava singular beleza. O barqueiro só tinha de guiá-la; nenhum esforço era necessário, pois o vento fazia todo o trabalho. Analogamente, se cada um de nós compreendesse o problema da luta e do conflito, penso que poderíamos viver sem esforço, felizes, de rosto sorridente.

Para mim, é o esforço que nos destrói, esse lutar em que despendemos quase todos os momentos de nossa vida, Se observardes, ao redor de vós, as pessoas mais velhas, podereis ver que para quase todos a vida é uma série de batalhas consigo mesmos, com suas mulheres ou maridos, com seu próximo, com a sociedade; e essa luta incessante dissipa energia. O homem que vive alegre, verdadeiramente feliz, está livre de todo esforço. Viver sem esforço não significa tornar-se estagnado, embotado, estúpido; ao contrário, só os homens sensatos, altamente inteligentes, estão verdadeiramente livres do esforço e da luta.

Mas, quando ouvimos falar em viver sem esforço, queremos viver assim, desejamos alcançar um estado em que não haja luta nem conflito; tornamo-lo, pois, esse estado, nosso alvo, nosso ideal, e por ele lutamos; e desde esse momento perdemos a alegria de viver. Estamos de novo empenhados em esforço, luta. O objeto da luta varia, mas toda luta é essencialmente a mesma. Um luta pela promoção de reformas sociais, ou para achar Deus, ou para criar melhores relações no lar ou com o próximo; outro senta-se à margem do Ganges ou se prostra devotamente aos pés de um guru - etc. etc. Tudo isso representa esforço, luta. O importante, por conseguinte, não é o objeto da luta, porém, sim, compreender a própria luta.

Ora, é possível a mente não apenas perceber ocasionalmente que não está a lutar, porém estar a todas as horas completamente livre de esforço, de modo que possa descobrir um estado de alegria em que não haja nenhuma idéia de superioridade e inferioridade?

O caso é que a mente se sente inferior e por esta razão luta para "vir a ser" alguma coisa, ou conciliar seus vários desejos contraditórios. Mas, não estejamos a dar explicações sobre por que a mente tanto luta. Todo homem que pensa sabe por que há luta, interior e exteriormente. Nossa inveja, avidez, ambição, nosso espírito de competição, que nos impele à mais impiedosa eficiência - são obviamente estes os fatores que nos fazem lutar, no mundo atual ou no mundo do futuro. Por tanto, não temos necessidade de estudar livros de psicologia para sabermos por que lutamos; e o que certamente, tem importância é que descubramos se a mente pode ficar totalmente livre de luta.

Afinal de contas, quando lutamos, o conflito é entre o que somos e o que deveríamos ou desejamos ser. Pois bem; sem se procurarem explicações, pode-se compreender todo esse processo de luta, de modo que ele termine? Como aquele barco levado pelo vento, pode a mente existir sem luta? A questão é esta, sem dúvida, é não como alcançar um estado em que não haja luta. O próprio esforço para alcançar tal estado é, em si, um processo de luta e, por conseguinte, aquele estado nunca pode ser alcançado. Mas, se observardes, momento por momento, como a mente se deixa colher nesse torvelinho de incessante luta - se observardes simplesmente o fato, sem tentar alterá-lo, sem impor à mente um certo estado que chamais "de paz" - vereis que, espontaneamente, a mente deixará de lutar; e nesse estado ela é capaz de aprender infinitamente. Aprender já não é, então, mero processo de acumular conhecimentos, porém de descobrimento de extraordinárias riquezas existentes além do alcance da mente; e para a mente que faz tal descobrimento, há grande alegria.

Observai a vós mesmo, para verdes como lutais da manhã à noite, e como vossa energia se dissipa nessa luta. Se tratardes apenas de explicar por que lutais, ficareis perdido numa floresta de explicações e a luta prosseguirá; mas se, ao contrário, observardes vossa mente, com serenidade e sem dardes explicações; se deixardes simplesmente que vossa mente esteja cônscia de sua própria luta, vereis que muito depressa surgirá um estado no qual nenhuma luta haverá, um estado de extraordinária vigilância. Nessa vigilância, não há idéia de "superior" e "inferior", não há homem importante nem homem insignificante, não há guru. Todos esses absurdos desapareceram, por que a mente está inteiramente desperta; e a mente de todo desperta está cheia de alegria...

...Afinal de contas, que é "contentamento" e o que é "descontentamento"? "Descontentamento" é a luta pela consecução de mais, e o "contentamento" a cessação dessa luta; mas, não se chega ao contentamento, se se não compreende todo o "processo" relativo ao mais, e por que razão a mente o exige.

Se sois mal sucedido num exame, por exemplo, tereis de repeti-lo, não é verdade? Os exames, em qualquer circunstância, são uma coisa sumamente deplorável, porquanto nada representam de significativo, já que não revelaria o verdadeiro valor de vossa inteligência. Passar num exame é, em grande parte, um "golpe" de memória ou, também, de sorte; mas, vós lutais para passardes em vossos exames e, quando sois mal sucedidos, perseverais nessa luta. O mesmo "processo" se verifica diariamente, na vida da maioria de nós. Estamos lutando por alguma coisa e nunca nos detivemos para investigar se essa coisa é digna de lutarmos por ela. Nunca perguntamos a nós mesmos se ela merece nossos esforços e, portanto, ainda não descobrimos que não os merece e que devemos contrariar a opinião de nossos pais, da sociedade, de todos os mestres e gurus. É só quando temos compreendido inteiramente o significado do mais, que deixamos de pensar em termos de fracasso e de êxito.

Temos sempre medo de falhar, de cometer erros, não só nos exames, mas também na vida. Cometer um erro é coisa terrível, porque seremos criticados, censurados, por causa dele. Mas, afinal, por que não se devem cometer erros? Toda gente, neste mundo, não vive cometendo erros? E o mundo sairia da horrível confusão em que se encontra, se vós e eu nunca cometêssemos um erro? Se tendes medo de cometer erros, nunca aprendereis coisa alguma. Os mais velhos estão continuamente cometendo erros, mas não querem que vós os cometais e, com isso vos sufocam toda a iniciativa. Por quê? Porque temem que, pelo observar e investigar todas as coisas, pelo experimentar e errar, acabeis descobrindo algo por vós mesmo e trateis de emancipar-vos da autoridade de vossos pais, da sociedade, da tradição. É por essa razão que vos acenam com o ideal do êxito; e o êxito, como deveis ter notado, sempre se traduz em termos de respeitabilidade. O próprio santo, em seus progressos para a chamada perfeição espiritual, tem de tornar-se respeitável, porque, do contrário, não encontrará "aceitação", não terá seguidores.

Estamos, pois, sempre pensando em termos de êxito, em termos de mais; e o mais é encarecido pela sociedade respeitável. Por outras palavras, a sociedade estabeleceu, com todo o esmero, um certo padrão, pelo qual mede o vosso sucesso ou o vosso insucesso. Mas, se amais uma coisa e a fazeis com todo o vosso ser, então já não vos importa o êxito nem o fracasso. Nenhum homem inteligente se importa com isso. Mas, infelizmente, são raros os homens inteligentes, e ninguém vos aponta essas coisas. Tudo o que importa ao homem inteligente é perceber os fatos e compreender o problema - e isso não significa pensar em termos de êxito ou de fracasso. Só quando não amamos o que fazemos, pensamos nesses termos.





Krishnamurti




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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

BHARTRIJI: UM YOGI IMORTAL

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OS GRANDES IMORTAIS DO ORIENTE

BHARTRIJI

Bhartriji é um Yogue, não um guru. Mantém um endereço local no planeta Terra há dois mil anos. No momento atual em seu desenvolvimento pessoal ele é um mestre total de seu corpo. Pode ter um aspecto idoso ou jovem. Pode sintonizar a idade do seu corpo tão facilmente como sintonizamos o canal em nos­sa TV. Ele não reencarna; tem um corpo imortal que dominou. Iogues que atingem este nível de mestria têm um corpo indestrutível, de luz branca, mas parecem comuns à observação superficial. Na verdade, ao estudar-se qualquer encarnação di­vina, é difícil descriminar o ordinário do miraculoso. No final não há diferença.

Bhartriji não chama pessoas a si como faz Babaji. Entre­tanto, quando as pessoas o procuram pelo saber, ele habitual­mente as serve de alguma forma. Os imortais ensinam pelo exem­plo, não através de aulas. Eles vêm os mistérios da vida de for­ma tão simples e óbvia que nada precisa ser dito.

O ashram de Bhartriji está situado no vilarejo de Bhartara, designado em sua homenagem, no distrito de Alwar, no estado de Rajasthan, índia. Está na estrada que liga Nova Delhi a Jaipur, próximo a um local popular com os turistas, chamado de Reser­va Florestal de Sariska. A reserva florestal de 160 km1 é, na verdade, a casa de Bhartriji. Ele é o senhor do meio ambiente, natural e humano.

Bhartriji faz uma demonstração pública de ioga imortal a cada 108 anos. A última foi em 1898. A próxima será em 2006.

A demonstração consiste em ele ser enterrado vivo e a sepultura ser permanentemente selada com cimento. O fato de Bhartriji estar ou não morto fica à escolha do observador. Bhartriji não se importa com o que você faz com essa demonstração. No seu ashram há sete sepulturas, todas intactas, porque ele fez essa demonstração a cada 108 anos nos últimos 753 anos. Talvez esta vez cientistas ocidentais, estudantes e a mídia cobrirão o evento.

Iogues imortais como Bhartriji não dão explicações cien­tíficas ou filosóficas. Eles simplesmente fazem as coisas e dei­xam-nos descobrir como elas são. Acredito que Bhartriji teleporta ou desmaterializa seu corpo para fora das tumbas de­pois que são seladas. Então ele reaparece decorridos 108 anos para manter sua promessa de fazê-lo novamente. Claro que esta demonstração de ioga imortal é somente uma diversão, a menos que nos inspire a praticar a ioga.
Jesus também fez uma demonstração pública de ioga imor­tal através de sua morte e ressurreição. Ele disse: "Se eles não acreditam em Moisés e os Profetas, também não acreditarão que as pessoas ressuscitam". A demonstração de Jesus produ­ziu os mesmos resultados durante 2000 anos assim como os exemplos e demonstrações de Bhartriji.

Normalmente Bhartriji não se apresenta ao público no pe­ríodo entre essas demonstrações. Como foi mencionado, ele é um yogue, não um guru. A maior parte do tempo vive a vida para si próprio e para Deus, não para outros.

Aprendi muito com Bhartriji. Visitei-o quatro vezes: em 1981, 1985, 1989 e 1991. Por causa da benção de Babaji, Bhartriji sempre apareceu para mim. (Babaji também me contou que fui Vikram, irmão de Bhartriji em sua última família). Cada vez que vou ao ashram de Bhartriji passo mais tempo com ele e aprendo mais a meu respeito e sobre os potenciais infinitos da vida. Ele é um dos heróis verdadeiros deste planeta. Bhartriji escreveu muitos livros há 1700 anos que ainda são impressos e Bartriji traduzidos para o inglês. Bhartriji, seus escritos e seu ashram são acessíveis a todos.

Durante minha viagem pela índia em 1989, conheci um grande sacerdote chamado Shastriji. Foi ele quem primeiro me falou sobre Bhartriji. Shastriji disse que Babaji apareceu para ele em um sonho e contou-lhe que eu era Vikram, irmão de Bhartriji. Strastrij i deu-me um livro sobre Vikram e claro que não pude dormir antes que o lesse até o fim.

Conquanto eu não tenha tido nenhuma retrocognição so­bre ter sido Vikram, o fato explicaria meu intenso interesse em Bhartriji. Quando leio livros sobre Vikram sinto imediatamente uma completa unidade com a matéria. Vikram serviu de uma maneira que nenhum outro rei que eu tenha lido a respeito serviu. Este tipo de serviço é o ponto central de minha vida desta vez.

Bhartriji talvez seja a maneira mais fácil para Ocidentais estudarem os Yogues imortais. Todo mês de setembro, durante a lua nova, há um festival no Ashram Sariska, de Bhartriji, ao qual comparecem milhares de imortais e aspirantes a imortais. É como se fosse um pequeno Kumbh Mela para saddhus imortais.

As acomodações no ashram propriamente dito são um pouco austeras para a maioria dos Ocidentais, mas próximo ao ashram há uma casa de hóspedes do Serviço Florestal com chu­veiros e também, nas proximidades, há um hotel confortável cha­mado Sariska Palace que dispõe de banheiras e água quente.

Bhartriji vive nesse ashram a maior parte do tempo, mas só pode ser reconhecido pelo lótus em suas pegadas ou se ele desejar que você o conheça. Mesmo sendo esquivo ele cria experiências fantásticas para qualquer um que se interessar a visitar seu ashram com sinceridade no coração. Freqüentemente aparece para as pessoas em seus sonhos enquanto elas estão lá e algumas vezes se materializa e desmaterializa nos aposentos das pessoas. Ele também aconselha àqueles que pedem. Ele pode dar iluminação total e imortalidade (Deus deu-lhe esse poder), mas poucos pedem. Se você for para seu ashram poderá ter que dominar as lições mais objetáveis incorporadas lá, antes que ele apareça para você. Qualquer um que for lá perde­rá algo de sua mente superficial. Isto é garantido!

Bhartriji aceita alunos se demonstrarem suficiente resis­tência. Se você se dedicar a Bhartriji por vários anos ou talvez um século ou dois, ele poderá aceitá-lo. Ele é conhecido por submeter seus alunos a muitas provas severas. Por isso tem pou­cos alunos. Um que tenho conhecimento é um juiz da Suprema Corte em Rajasthan; ele é irmão de Shastriji.

Bhartriji não promete estar com você como Jesus fez. Mas se você visitá-lo, ele lhe ensinará tanto, tão rapidamente, que sua mente racional poderá levar anos para absorver o que foi ensinado.

Bhartriji é um verdadeiramente grande iogue. Tem passa­do anos, senão séculos sem alimentos ou água. Isto não é a média do estilo de vida Ocidental civilizado, para dizer o míni­mo. A cultura dos imortais está além da civilização popular. O guru de Bhartriji é Babaji no seu corpo de Goraknath. Goraknath manteve seu corpo por mais de nove mil anos (ver capítulo 9).


A História de Bhartriji (resumida)


Seguir as vidas de yogues imortais pode ser confuso para estudantes mortais, até que abram seus olhos para a realidade da imortalidade física. Muitos estudantes Ocidentais têm dificul­dade em marcar encontros com Bhartriji e outros imortais por­que há tantas evidências das existências deles em séculos dife­rentes, que sentem que deve haver erros em algum lugar.

Bhartriji ou Bhartrihari (também pronunciado Bhartariji) é um dos imortais mais fáceis de ser rastreado através da história. Ele é o imortal mais famoso que conheço depois do próprio Babaji. Vou lhes contar um pouco sobre Bhartriji mesmo que isto soe fantástico.

Bhartriji nasceu antes de Jesus Cristo. Bhartriji era seu primeiro nome. "Ji" significa "governante" ou domínio; "hari" é um sufixo dado aos renunciados, significando "puro e livre do mal". Jesus Cristo e Bhartriji são contemporâneos que ilustram dois caminhos e estilos diferentes de imortalidade. Jesus era um guru e um professor; Bhartriji não tinha missão pública talvez porque fosse rei de toda a índia antes de se tornar um iogue. Bhartrihari provavelmente sentiu que completara seu serviço pú­blico e então se ocupou durante vários séculos em meditar até purificar-se e obter a mestria sobre si próprio. A tradição diz que Bhartriji meditou por setecentos anos. Foi o tempo que ne­cessitou para descobrir como se tornar o cientista supremo - o mestre do universo físico.

Bhartriji tem mais evidência histórica sobre sua presença física que a maioria dos imortais. Ele foi imperador de toda a índia um pouco antes da época de Cristo. Recebeu a imortali­dade física em 56 a.C., como um dom especial e foi iluminado mais tarde. Seu irmão mais moço, Vikram, substituiu-o no reina­do e o calendário Indiano (Hindu) é calculado hoje pelo reinado de Vikram assim como o calendário Cristão é calculado pela vida de Cristo. É interessante o fato de o calendário Cristão ser calculado por um imortal e o calendário Indiano por um mortal, conquanto o irmão de Vikram seja um imortal.

Bhartriji começou como um rei, mas ele não tem nenhum interesse na fama ou riqueza. Ele possui a maior riqueza e poder imagináveis. Ele tem riqueza espiritual infinita no reinado de Deus. Seus poderes de fato vão muito, muito além da ficção científica, além da sua imaginação.

A história pessoal de Bhartriji é similar a de Buddha no sentido de que ele era um rei que desistiu de seu reinado para tornar-se um saddhu - aquele que pratica a purificação espiritual em tempo integral, dorme no chão e recebe comida e roupa como um mendigo o faz, exceto pelo fato de que não mendigam. No princípio eles podem mendigar, mas tão logo sua fé evolui até um certo nível, eles nunca mais o fazem; somente pedem a Deus e se Deus e as pessoas não lhes oferecem comida eles não comem. Bhartriji é um mestre na transfiguração, alimentos, sono, os elementos, etc.

Bhartriji é diferente de Buddha pelo fato de haver medita­do por setecentos anos antes de tornar-se iluminado. Também começou a trilhar a senda espiritual muito mais tarde na vida que Buddha. E diferentemente de Buddha e Jesus, Bhartriji nunca se interessou em se tornar um professor espiritual ou um guru e salvar o mundo ou seu país. Foi Bhartriji que disse, "sou um iogue, não um guru".

Quando Bhartriji tornou-se imortal em 56 a.C. ele era im­perador de toda a índia. Um bom rei era conhecido por sua honestidade. Eis a história de como Bhartriji tornou-se imortal.


***


Bhartriji é o autor de Bhartrihari Shatkam, um marco na literatura humana, escrito quando ele só tinha 300 anos. Nessa idade ele sobreviveu à senilidade conquanto ainda não fosse ilu­minado. Esses versos são a sabedoria amadurecida. O Shatkam tem sido um clássico da literatura Hindu e da cultura Budista por 1500 anos. Tem sido utilizado no treinamento oficial dos mon­ges Budistas por 1700 anos, o único livro não-budista a ser utilizado em tal treinamento. Bhartriji escreveu outros livros sobre gramática sânscrita, epistemologia e a ciência de dominar o tempo. Sua epistemologia - a ciência de como nossas idéias se relacionam com seus objetos - é considerada por muitos pro­fessores Ocidentais a melhor do mundo. Esses livros estão dis­poníveis no idioma.

À proporção que crescemos para a iluminação a vida tor­na-se mais simples. Os segredos da vida e do universo tornam-se óbvios. Uma das razões pelas quais os grandes imortais não lecionam é porque nossas mentes confusas tomam-se um misté­rio para eles. Eles não podem mais compreender como não per­cebemos o óbvio dia após dia. Deus é tão comum que ninguém o nota. Todos os grandes poderes divinos são simples e óbvios, uma vez que os tenhamos dominado. Caminhar sobre as águas é tão fácil quanto dirigir um automóvel, após termos aprendido. A imortalidade física é natural. É a morte que não é natural à nossa natureza divina.

Se você desejar orientação de Bhartriji, pode usar este mantra: Om Bhartriji Jai Shree Bhartriji.



Extraído de “Libertando-se do Hábito de Morrer”, de Leonard Orr


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publicado por conspiratio às 20:52
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

BABAJI SEGUNDO LEONARD ORR

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OS GRANDES IMORTAIS DO ORIENTE

Os Corpos de Babaji

Eu não seria capaz de escrever isto se não houvesse co­nhecido Babaji pessoalmente em diversos de seus corpos e visto fazer isto de fato. Entretanto, em cada corpo, sua transcendência total e Presença Divina podem ser vistas, se você puder ver.

Babaji apareceu para mim durante três minutos em Houston, Texas, em novembro de 1977 e chamou-me para ir a índia. Visitei-o cinco vezes durante um mês em cada visita. Meu pensamento no momento que o vi em Herakhan foi, "Este cara ou é um João ninguém ou é maior que Jesus Cristo".Esqueci-me totalmente deste pensamento, mas Babaji lembrou-me dele qua­tro anos depois. Observei através de todo o nosso relaciona­mento que ele podia acompanhar meus pensamentos melhor do que eu. Ele faz isso para milhares de pessoas - na verdade para todos na Terra. É desta maneira que podemos saber que ele é Deus e não somente um gum ou iogue imortal.

Estou totalmente convencido que Herakhan Baba é o eter­no Babaji, conhecido como o Cristo Iogue da Índia naAutobi­ografia de um Iogue de Paramahansa Yogananda. É meu grande privilégio e benção conhecê-lo na forma física e ser ensinado por ele.

Babaji tanto morre conscientemente como alcança a vitó­ria sobre a morte em todos os métodos. Ele joga pessoalmente todos os jogos possíveis. Ele é o experimentador por excelên­cia. Babaji é Deus na forma humana, mas é também o Espírito Infinito Eterno distribuído igualmente através do tempo e espa­ço. Temos que nos lembrar que quando ele está num corpo ele também está dentro de nós e de tudo, e além de todas as coisas.

Uma vez um devoto lhe perguntou, "Você é Deus?" Babaji respondeu, "Deus está em toda a parte; Eu sou daqui".Este é o paradoxo dos corpos de Deus. Ele está neles e em toda a parte ao mesmo tempo.

Não estou lhe contando isto para que você desenvolva um sistema de crença sobre Babaji ou construa uma nova orga­nização religiosa (se bem que uma devesse ser construída). Es­tou lhe contando isto para abrir seus olhos porque como a Bíblia diz, "Muitos acolheram anjos sem perceber". Talvez Babaji visi­te todos pelo menos uma vez na vida. Se você o reconhecer ou desejá-lo muito, ele poderá visitá-lo com mais freqüência.

Quando Babaji apareceu para mim e chamou-me para ir a Herakhan ele apareceu em um corpo diferente daquele que conheci na índia. Era um corpo que ele possui nas profundezas do Himalaia. Portanto quando o encontrei em Herakhan tive que me debater desde o princípio com a idéia de que Babaji tem mais de um corpo no planeta Terra agora. Desde então, ele apa­receu para mim em várias partes do mundo em pelo menos dez corpos, incluindo corpos de animais. Algumas vezes ele aparece em outros corpos menos significantes como (pessoas e crian­ças) para enviar uma mensagem. Alguns de seus corpos são mate­rializados por um dia e em alguns outros ele vive uma vida inteira.

Portanto, procurar e estudar as teofanias de Babaji nas escrituras, na literatura e na forma física é o que mais amo. Apren­der dele a praticar o que aprendo é a fonte de minha alegria e estado de animação. Procurei Babaji para aprender como me tornar um mestre iogue imortal. Isto é o que ele me ensinou. Ainda tenho muito que fazer, aprendendo o básico repetida­mente até que o domine.

Krishna, Goraknath, Vaisishtha, Chaitanya Maha Prahu e, claro, Herakhan Baba estão entre seus corpos mais recentes e famosos. Como mencionado, Babaji é chamado de "Abba" por Jesus na história da Bíblia; é também chamado de Anjo do Senhor no Velho Testamento. No Alcorão tem mais de um nome. Kadir é seu nome na forma humana como professor de Moisés.

Um corpo que estou estudando agora é o de Sita Ram Baba em Pokhara, Nepal. Ele é um saddhu obscuro. Conheço muitos saddhus mas eles não possuem a presença e o estilo de Babaji. Ele tem. Este corpo pode parecer ter vinte e quatro anos com uma perna aleijada. or causa desse defeito, a maioria das pessoas que me acompanhava não pôde reconhecê-lo porque esperava ver um corpo modelado de uma estrela de rock e não conseguiu se libertar daquela expectativa. Mas para mim sua comunicação foi muito poderosa interiormente, da forma que só Babaji pode fazer. Ele agiu assim porque eu estava aberto para vê-lo daquela forma. Estou disposto a ver além das aparências.

Babaji não teve começo para muitos nascimentos. Ele nun­ca perdeu sua divindade; Ele foi um mestre iogue em sua primei­ra vida e venceu a morte.

Como mestre iogue ele tem a capacidade de transformar seu corpo em luz. Pode desmaterializar seu corpo, ir a qualquer parte do universo à velocidade do pensamento e rematerializá­lo novamente quando desejar. Pode comandar os processos de envelhecimento ou de rejuvenescimento. Conquistou a vida eterna do seu espírito, mente e corpo. Tem a idade de milhares de anos e no entanto seu corpo permanece jovem. É humanamente rico e comum, assim como é especial, exaltado e divino. Parece ser necessário vivenciá-lo para usufruí-lo. Minhas palavras simples­mente não são suficientes.

Como mencionado, Babaji i apresentou-se no drama hu­mano como Shiva, o iogue, durante algumas centenas de milha­res de anos. Depois de Shiva, Babaji veio como Ram. (É uma vergonha que tantos Ocidentais sejam ignorantes não só sobre as histórias de Deus Pai em sua forma humana encontradas nas escrituras indianas, mas também sobre as histórias da Bíblia). Babaji tinha tanto prazer na sua apresentação como Ram, que também assumiu sua forma, como Shiva o iogue, para ver-se como Ram. Depois de Ram, Babaji veio como Krishna, um poderosíssimo salvador do mundo que viveu antes do tempo de Moisés e Abraão, há cerca de cinco mil anos atrás.

Goraknath é um corpo de Babaji que foi bem documentado na história por mais de mil anos (ver capítulo 9). Suas ativi­dades são mencionadas freqüentemepte desde antes da época de Cristo até 1200 d.C. Como Goraknath, Babaji concedeu a imortalidade física à dois reis em 57 a.C. Ambos estão vivos e ativos na história humana hoje. Um é Gopchand, um rei em Ben­gala. O outro é Bhartriji que mantém um templo simples e um ashram em Bhartara situada em Rajasthan (ver capítulo 8). Quan­do Jesus visitou Babaji, este último era conhecido como Munindra em Benares. Munindra ordenou Jesus como o Rei Ioga dos Ju­deus. Moisés e Elias também vieram para ver Babaji em Benares.

Durante os últimos dois séculos Babaji tem sido chamado principalmente pelos nomes Herakhan Baba e Brahmachari Baba. Dos princípios de 1800 até 1922, ele passou a maior parte do tempo no vilarejo Herakhan e nas cercanias do sopé do Monte Kailash. Esta montanha é conhecida como a mais sagrada da Terra.

De 1924 a 1958 ele viveu como um simples iogue no po­voado de Dhanyon perto de Almora em Uttar Pradesh. Nesta localidade ele também viveu parte do seus tempo como Goraknath vários séculos antes. Goraknath é considerado o deus principal dos habitantes da área.

Babaji materializou seu corpo atual na forma adulta numa caverna em 1970. Passou a maior parte do ano no seu ashram em Herakhan. Desmaterializou seu corpo anterior em 1922. Ou seja, ele levitou e tornou-se luz como fez Jesus na sua ascensão após a ressurreição. Durante sua permanência anterior na Terra tornou-se conhecido como Herakhan Baba e foi enquanto esta­va naquele corpo que iniciou Lahiri Masaya no kriya ioga. Por essa razão tornou-se conhecido no mundo Ocidental como Babaji, o Cristo Iogue da índia, no livro Autobiografia de um Iogue.

Eu vivenciei a humanidade de Babaji da forma mais rica­mente humana que qualquer outra pessoa que eu já tenha co­nhecido. E vivenciei sua divindade como situada numa classe única, conquanto saiba que ele é somente espírito, mente e cor­po como eu. Eu diria que sua divindade pura torna-o capaz de ser humano na forma como os humanos são realmente esperados ser.

Em um certo nível de desenvolvimento espiritual as pes­soas tornam-se perceptivas do corpo físico de Babaji quando ele está no mundo e são naturalmente atraídas para ele. Visitá-lo é a peregrinação suprema. Babaji i trabalha silenciosamente a maioria das vezes. O fato de ele estar querendo agora se tornar visível e falar às nações é um sinal que as pessoas podem estar atingindo a maturidade espiritual.

Seja como Shiva, Ram, Krishna, Goraknath, Munindra, Lama Baba ou qualquer das suas milhares de aparições não reconhecidas, ele utiliza os jogos da vida para elevar nossas consciências e nosso gozo do espírito, mente e corpo.

Extraído de “Libertando-se do Hábito de Morrer”, de Leonard Orr


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publicado por conspiratio às 17:42
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