Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

UM MILAGRE NO TITANIC

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“Na Ciência Cristâ o homem é descendente do Espírito. O belo, o bom e o puro constituem a sua ascendência. Sua origem não está no instinto bruto, como a origem dos “mortais”, e o homem não passa por condições materiais antes de alcançar a inteligência”. “ O Espírito é a fonte primitiva e derradeira de seu ser. Deus é seu Pai e a vida é a lei de seu ser.”

Mary Baker Eddy



Entrevista: O Titanic
Testemunho da Época

Este testemunho foi publicado originalmente no The Christian Science Journal de Outubro de 1912, e traduzido agora da reimpressão apresentada recentemente no Christian Science Sentinel de 8 de dezembro de 1997

A noite em que o Titanic naufragou

Enquanto o Titanic afundava, e durante todo o tempo em que eu me empenhava em ajudar com os barcos [fazendo com que os passageiros entrassem nos botes salva-vidas], eu me aferrei à verdade, eliminando assim todo medo. Não pretendo dizer que alguém possa naufragar no meio do Atlântico à meia-noite e conseguir dissipar o medo sem esforço. Tive de trabalhar duro, mas as próprias condições em que nos encontrávamos a bombordo eram, por si mesmas, uma demonstração da operação da Verdade, pois não houve nenhum tropeço e todos os barcos foram rebaixados...

Chamei então os homens para que me seguissem rumo aos camarotes dos oficiais para contar as amarras do último barco, que ali estava guardado. Nem sequer tivemos tempo de abri-lo, simplesmente o baixamos ao convés do qual havíamos lançado os botes anteriores. Quando vi que ele já havia descido, corri para o outro lado do convés para ver se podia fazer mais alguma coisa. Vi que tudo que se podia fazer materialmente já estava feito e, de onde eu estava, olhei para a frente e caminhei para a água. A súbita imersão nessa água penetrantemente gelada dominou-me por completo durante alguns instantes e... quase no mesmo momento fui puxado com força ruma à grade que cobria um motor. Nessa circunstância eu afundei.

Quero salientar bem este detalhe, que assim que pude pensar, depois de entrar n’água, eu disse para mim mesmo: “Agora vou ver o quanto aprendi na Christian Science.” Não tive nenhuma dúvida de que eu podia ser salvo. Noutras palavras, não duvidei do poder divino para salvar-me. Creio que posso dizer, conscienciosamente, que perdi todo o medo e comecei novamente a pensar na verdade do ser. Foi nesse momento que fui puxado para o fundo, ainda pensando na verdade, e, quando me encontrei no fundo, vieram-me estas palavras do Salmo 91, com tanta clareza, que me pareceu compreendê-las completamente: “Porque aos seus anjos dará ordens a seu respeito”. Creio que imediatamente fui lançado para longe do motor e vim à tona, e encontrei um pedaço de madeira, que parecia estar atado por um cabo à chaminé. Fiquei quieto, e a água jorrou ao meu lado, carregando muitas pessoas para longe de mim.

De novo afundei, sempre aferrado à Verdade, e de novo voltei à tona. Meu pedaço de madeira havia desaparecido, mas ao meu lado estava a superfície plana do fundo do barco desmontável que eu havia jogado do outro lado do navio. Agarrei-o mas não tentei entrar nele.

Quero deixar bem compreendido que durante esse tempo que passei dentro d’água, este fato ficou claro para mim, com toda a calma: que existia um poder divino que podia ser utilizado de forma prática, e que também me parecia perfeitamente natural confiar neste poder com a compreensão espiritual com da qual a Bíblia fala tantas vezes, e que está explicado em “Ciência e saúde com a Chave das Escrituras”, da Sra. Eddy.

Ora ao afundar um navio grande como o Titanic também era preciso vencer o medo da sucção, e a essa altura a chaminé da frente caiu, e fui jogado, junto com o barco salva-vidas e outros sobreviventes para uns seis metros de distância, de modo que nada sentimos da sucção. Éramos cerca de trinta pessoas que ficamos boiando até o amanhecer nesse barco virado, e eu não conseguia vencer o frio intenso que sentia. Mas quando um homem me ofereceu uma garrafa com algo para tomar, com cheiro de essência de menta, senti aversão a recorrer a um meio material, e não aceitei.

Ao raiar do dia fomos recolhidos por dois barcos salva-vidas navegando perto de nós. Eu fui o último náufrago do Titanic a subir a bordo do Carpathia, e depois de conversar com o capitão desse navio, despi minha roupa molhada e me recolhi a um beliche, onde permaneci uma meia hora. Depois não precisei mais nem de beliche nem de cama, até chegarmos a Nova Yorque. As reações e efeitos de haver estado n’água – que eu pensei que sentiria – nunca ocorreram. Embora muita gente tenha ficado surpresa, isso simplesmente prova que “para Deus tudo é possível.”

Lieut. C. H. Lightoller, R.N.R.
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

RELAÇÃO ENTRE MENTE E CATÁSTROFES

.Paramahansa Yogananda disse:


"Os súbitos cataclismos que ocorrem na natureza, provocando devastações e sofrimento em massa, não são 'obras de Deus'. Tais catástrofes resultam dos pensamentos e das ações do homem. Sempre que o equilíbrio vibratório do mundo, entre bem e mal, for perturbado por um acúmulo de vibrações nocivas, resultantes de pensamentos e ações erradas do homem, vocês presenciarão calamidades (...)"

"Quando há predominância do materialismo na consciência do homem, há uma emissão de raios sutis negativos; seu poder acumulado perturba o equilíbrio elétrico da natureza e é então que acontecem terremotos, enchentes e outras catástrofes."

"Círculo Mundial de Orações", 1997

 

 
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

ACOSTUMAR-SE É ENVELHECER

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1- Atenção, Atenção, Atenção !


Por Harry R. Moody e David Carroll(*)
Como acadêmico e administrador, trabalhei no campo do envelhecimento por quase metade da minha vida. Contudo, ainda fico extremamente confuso sobre o que, psicologicamente, nos seres humanos os faz envelhecer. Quando esse processo realmente começa?
Um colega meu, o psicólogo dr. Robert Kastenbaum, também ficou intrigado com essa questão – tão intrigado que desenvolveu uma teoria bastante surpreendente para explicá-la. Ele acredita que o envelhecimento psicológico começa na infância.
O que o dr. Kastenbaum quer dizer com essa estranha afirmação é que, quando ficamos mais velhos, desenvolvemos uma diminuição gradual de reação à estimulação persistente, um processo que ele chama de ficar habituado.
Em termos psicológicos, ficar habituado significa tornar-se gradualmente desatento a um estímulo repetitivo, o tique-taque de um relógio, por exemplo, ou o som de pés se arrastando no apartamento do andar de cima. No início, esses sons nos perseguem durante o dia e nos mantêm acordados à noite. Depois, um filtro passa a funcionar nos nossos cérebros e, com o tempo, começa a bloquear os sons. Um dia despertamos e percebemos que nos tornamos tão acostumados a esses ruídos que, para todos os efeitos, eles não existem mais.
Essa “válvula mental de redução”, como Aldous Huxley a ela se referia, é essencial no que diz respeito à nossa vida e à nossa lida cotidianas; sem ela, ficaríamos enlouquecedoramente distraídos com as milhares de impressões irrelevantes que atingem os nossos sentidos a cada momento.
Contudo, o ficar habituado de que fala Kastenbaum é um grau mais sutil do que a pura reação física. É uma redução da nossa consciência, bem como dos nossos sentidos, um processo no qual, com o tempo, os estímulos comuns da vida, os prazeres simples e as pequenas alegrias, perdem a qualidade por força da simples repetição.
Esse processo se inicia na infância, no momento em que começamos a observar o mundo. Em princípio, tudo o que nos rodeia é brilhantemente vivo e animado – o gorjeio do pardal, o gosto do sorvete, a visão das nuvens de verão. Então, os anos se passam. Quando escutamos o gorjear de milhares de pardais, quando lambemos a nossa décima milésima casquinha de sorvete, quando vemos a nossa milionésima nuvem passar sobre a nossa cabeça, a imediação da nossa reação a esses estímulos diminui. Finalmente, ficamos insensíveis à sua beleza. O ficar habituado se estabelece e, com ele, uma sensação de nos tornarmos rígidos, endurecidos – mais velhos.


(*) O Texto aqui apresentado é um excerto do capítulo 5 do livro Os Cinco Estágios da Alma, de Harry R. Moody e David Carroll, lançado recentemente pela Nova Era. Tradução: Beatriz Penna.




2- A novidade e o hábito



Nesse sentido, o envelhecimento é menos cronológico ou físico do que psicológico. As suas origens podem ser remontadas mais diretamente a uma perda auto-induzida de flexibilidade mental do que a qualquer declínio natural no processamento cognitivo.
A razão pela qual nos sentimos mais vivos quando viajamos, por exemplo, ou quando nos encontramos em circunstâncias incomuns é que as novas impressões tendem a afrouxar as garras do hábito. Cores, sons, gostos, odores, idéias parecem mais vívidos quando estamos na estrada ou em novos ambientes. Até o próprio tempo parece diminuir o ritmo (o que nos faz pensar se o nosso sentido de tempo também não está condicionado à velocidade na qual processamos as impressões). Até certo ponto, isso explica por que gastamos tanto tempo de nossas vidas buscando experiências novas – um novo filme, um novo restaurante, um novo amante. Inconscientemente, estamos nos automedicando contra ficarmos habituados.
Evidentemente, de determinadas maneiras, ficar habituado é essencial à vida, fazendo com que não nos seja necessário reagir a cada fragmento de informação sensorial que passa no nosso caminho. Contudo, isso também nos torna velhos antes do tempo. Em resumo, o hábito é uma faca de dois gumes, proporcionando liberdade da sobrecarga sensorial, mas também fazendo com que as pessoas fiquem acomodadas, mesmo aquelas que, sob outros aspectos, são brilhantes e capazes. Lembro-me do filósofo alemão Emmanuel Kant. Intelectualmente, um dos maiores paladinos da filosofia da autonomia e da liberdade. Em sua vida particular, Kant tornou-se tão preso ao hábito quando envelheceu que os cidadãos da sua Königsberg natal estavam acostumados a acertarem os seus relógios pelos seus regulares passeios vespertinos.
O que o ficar habituado tem a ver com a espiritualidade?
Em seu sentido mais profundo, ficar habituado é mais do que simplesmente uma entrega crônica às rotinas. Em um nível mais profundo, pode ser considerado o oposto polar da consciência e da atenção, que são os pilares da vida espiritual.
A Bíblia nos prescreve: “Fique tranqüilo e saiba que Eu sou Deus.” Do mesmo modo, o objetivo da oração contemplativa é ancorar a nossa consciência no momento presente e manter as nossas mentes livres do fluxo de pensamentos mundanos que usurpam a nossa atenção. Se fazemos isso tempo suficiente e se somos capazes de aquietar as nossas mentes da maneira adequada, algo estranhamente maravilhoso acontece. Algumas pessoas experimentam a sensação de que estão se movendo de uma dimensão familiar para uma desconhecida. Outras sentem uma sensação de expansão, de se moverem para o exterior, além dos limites comuns da percepção cotidiana. Ainda outras descobrem um espaço ilimitado dentro de si mesmas que parece conter todas as coisas. As palavras perdem a importância.



3- Viver fora do momento

Faça uma experiência. Respire fundo algumas vezes, depois sente-se, relaxe o máximo que puder e não pense em absolutamente nada. Por mais ou menos 30 segundos, deixe que a sua mente fique totalmente em branco, como uma lousa sem nada escrito nela. Feche os seus olhos, respire totalmente e concentre a atenção na sua respiração. Inspire e expire mantendo a sua consciência fixa na respiração. Toda vez que perceber a sua atenção vagando, traga-a de volta à sua respiração.
Se você nunca tentou essa forma rudimentar de meditação, vai ficar surpreso em primeiro lugar com quão difícil é deter os seus pensamentos; em segundo, com quão calmo e enraizado no momento presente você vai se sentir mesmo depois de apenas 20 ou 30 segundos de esforço. Essa sensação de presença relaxada é o início da consciência. É o local de partida da prática contemplativa. Todas as religiões e todos os caminhos espirituais adotam alguma variação desse método como parte de sua prática espiritual.
Ficar habituado, por outro lado, é o que poderíamos chamar de “inconsciência” ou “desatenção”. Se consciência significa vivermos no aqui e estarmos visceralmente atentos ao que fazemos a cada momento, ficar habituado significa vivermos fora do momento, estarmos desatentos a nós mesmos e não observarmos o que fazemos. Significa permitirmos que as nossas mentes desperdicem o tempo pensando os seus pensamentos costumeiros e sonhando os seus sonhos costumeiros – eu quero, eu não quero, eu gosto, eu detesto, eu lembro, eu esqueço. Visto sob essa luz, ficar habituado é uma forma de sonho espiritual.
Como exatamente lutamos contra ficarmos habituados?
Antes de respondermos a essa pergunta, precisamos responder muitas outras que a precedem: qual é a diferença entre hábito e ficar habituado? E, se os hábitos são uma parte necessária da vida, não poderia ser perigoso eliminá-los?
Os hábitos, é verdade, são necessários. Alguns, como guardar as chaves do seu carro no mesmo lugar todas as vezes e escovar os seus dentes, são extremamente úteis. Talvez a maioria dos hábitos seja boa.
O perigo não está escondido em nenhum hábito em particular, embora certamente existam muitos sem os quais estaríamos melhor. Os hábitos individuais podem ser úteis ou prejudiciais, dependendo do caso. Por outro lado, ficar habituado, em seu sentido mais negativo, é mais um mecanismo mental cumulativo do que uma acomodação ajustada ao viver. Ele ocorre durante todas as nossas horas de vigília e causa o fechamento da nossa consciência a um nível tão empobrecido de percepção que só interagimos com o mundo no nível mais superficial através de idéias fixas, suposições preconcebidas e uma mente fechada.






4- O Nosso Universo é Reduzido

Em seu estudo seminal Sobre a Psicologia da Meditação, os psicólogos Robert Ornstein e Claudio Naranjo afirmam que a nossa suposta visão da realidade é, na verdade, uma construção mental subjetiva e tendenciosa na qual selecionamos um pequenino grupo de idéias e estímulos e eliminamos sistematicamente o resto. O homem e a mulher comuns acreditam que aquilo que vêem ao seu redor quando descem a rua é um reflexo exato do que realmente existe. Ornstein e Naranjo insistem que essa idéia é impossível de ser mantida, mesmo no nível mais elementar, se considerarmos as inumeráveis formas de energia que nos cercam a todo momento – eletricidade, magnetismo, radiação, ondas luminosas, sinais de rádio, raios X, para não mencionar as nossas próprias químicas interior e descargas elétricas, os nossos pensamentos, sentimentos, sensações, impulsos musculares.
Já que somos bombardeados por essa ampla saraivada vibratória em todos os momentos de nossas vidas, uma grande quantidade de energia deve ser gasta para que tudo isso faça sentido. Fazemos isso, em primeiro lugar, nos descartando e simplificando a maioria das informações que chegam aos nossos cérebros e, em segundo, separando e classificando esses dados em concisos pacotes de consciência e reação; como se fossem bytes de consciência.
O resultado desse esforço mental de organização é que o nosso universo se torna reduzido ao nível da nossa própria capacidade de compreendê-lo e processá-lo. Literalmente, “sintonizamos” a nossa consciência nos canais que são mais fáceis de conectar e bloqueamos o resto. “Quando nos tornamos experientes em lidar com o mundo”, escrevem Ornstein e Naranjo, “tentamos cada vez mais fazer com que outras coisas da massa de informações que chegam aos nossos receptores tenham um ‘sentido’ consistente. Desenvolvemos sistemas ou categorias estereotipados para classificarmos os estímulos que nos alcançam. Esse conjunto de categorias que desenvolvemos é limitado, muito mais limitado do que a riqueza dos estímulos. (...) Esperamos que os carros façam um determinado ruído, que os sinais de trânsito sejam de uma determinada cor, que o odor da comida seja de determinada maneira e determinadas pessoas digam determinadas coisas”.
Ornstein e Naranjo dizem que, como um resultado desse processamento estereotipado, o que nós realmente percebemos não são absolutamente carros ou sinais de trânsito ou comidas reais. São invenções dos nossos limitados sistemas internos de processamento que vêem o que o hábito nos diz para vermos e que são filtrados através das lentes das nossas próprias subjetividade, imaginação e sugestionabilidade. Sendo assim, em última análise, todo o nosso senso de realidade vem a ser construído não sobre as coisas como realmente são, mas sobre modelos interpretativos baseados em uma versão excessivamente editada e intensamente processada das experiências passadas e do futuro.
Então, ficar habituado é o subproduto de todas as rotinas e escaninhos aos quais as nossas mentes se entregam durante décadas. Perto da meia-idade, esse mecanismo se torna predominante em nós, censurando, classificando, distorcendo, julgando, supondo, rotinizando, mecanizando tudo o que vemos, sentimos e pensamos. O ficar habituado se estabelece, por exemplo, quando não escutamos mais o que as pessoas estão nos dizendo (porque as nossas noções preconcebidas nos dizem que já sabemos a verdade). Isso acontece quando ficamos entorpecidos diante das belezas sutis que nos cercam, quando paramos de ver as coisas como se fosse pela primeira vez, como uma criança é capaz de fazer. Ficar habituado é quando nos ouvimos expressar as mesmas desgastadas opiniões, quando nos pegamos contando uma história que já contamos centenas de vezes antes, exatamente da mesma maneira. Ficar habituado é falarmos automaticamente de coisas sobre as quais nada sabemos. É supor sem entender, julgar sem avaliar, reagir a partir de uma tendência em vez de um fato evidente. Resumindo, é uma redução da nossa percepção ao invés de uma expansão da nossa


consciência.






5- Para escapar da armadilha


Como escapamos dessa armadilha? Como superamos o emaranhado de hábitos que nos mantêm tão acorrentados e cegos? Uma resposta é simplesmente atenção.
Roshi Philip Kapleau conta a história de como um dia um homem veio até o mestre zen Ikkyu e lhe pediu para escrever um conjunto de máximas sábias para pessoas comuns lerem e entenderem.
Ikkyu escreveu uma única palavra em um pedaço de papel e o entregou ao homem. A palavra era “atenção”. “Isto é tudo?”, perguntou o homem, incapaz de esconder o seu desapontamento. “Você não pode acrescentar alguma coisa mais esclarecedora?”
Ikkyu pegou o papel de volta e escreveu a palavra “atenção” duas vezes.
“Realmente”, disse o homem, “não consigo entender o significado do que você me deu”.
Diante disso, Ikkyu escreveu a palavra três vezes: “Atenção. Atenção. Atenção.”
Imensamente irritado, o homem gritou: “De qualquer modo, o que significa esta palavra ‘atenção’?”
Ikkyu respondeu gentilmente: “Atenção significa atenção.”
Como começarmos a praticar a atenção em um nível cotidiano?
Começamos prestando atenção aos eventos que acontecem ao nosso redor – entrando na vida diária com total concentração nas atividades comuns. Abrir uma garrafa. Datilografar uma carta. Acender a luz. Atender o telefone. Tomar o café da manhã.
Nas culturas asiáticas, especialmente aquelas inspiradas por ideais espirituais, os exercícios são igualmente empregados para cultivar a atenção cuidadosa. Um dos mais conhecidos é a cerimônia do chá. Longe de ser uma pitoresca versão oriental de um intervalo para o café, como certa vez denominou-a um americano, a cerimônia do chá está profundamente imbuída do espírito zen e é um exercício ativo de atenção para todos os participantes. Cada movimento que o mestre do chá faz durante a cerimônia – e que, teoricamente, os convidados repetem do mesmo modo – tem um propósito. Nada está fora do lugar, nada é aleatório ou acidental. Ao mesmo tempo, apesar das regras tão precisas de comportamento, há, como em todas as artes sagradas, latitudes ilimitadas para a criatividade e para a espontaneidade.
Conta-se a história de um famoso mestre do chá que certo dia convidou um dignitário de alta categoria à sua casa de chá. Naqueles tempos, era costumeiro que o mestre do chá desse aos seus convidados um presente pequeno e apropriado. Contudo, naquele dia, enquanto a cerimônia prosseguia, nenhum presente estava disponível.
O mestre preparou e serviu o chá. O dignitário e as pessoas da sua comitiva beberam o chá, admiraram as xícaras antigas e fizeram os elogios apropriados. Mas onde estavam os presentes? Poderia o maior mestre do Japão estar cometendo uma tal violação da etiqueta?
Então, exatamente quando os convidados tinham terminado o seu chá e estavam se preparando para partir, o mestre do chá levantou-se, andou até a janela e abriu as cortinas. Do lado de fora, perfeitamente enquadrada pela janela, exatamente naquele momento, uma gloriosa Lua cheia estava se erguendo do mar, com o seu reflexo brilhando majestosamente no oceano abaixo. O mestre não havia se esquecido de dar um presente aos seus ilustres visitantes. Estava simplesmente aguardando o exato momento para dá-lo.




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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

MENTECORPO

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Autor: DEEPAK CHOPRA

 
"Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos! Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles. Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.

 

A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida. A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse .

 

Suas células estão constantemente processando as experiências e metabilizando-as de acordo com seus pontos de vista pessoais. Não se pode simplesmente captar dados brutos e carimbá-los com um julgamento. Você se transforma na interpretação quando a internaliza.

 

Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo – a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.

 

Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição. Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos.

 

A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido. O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.
Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: “ Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos.”

 

 
Você quer saber como esta seu corpo hoje? Lembre de seus pensamentos de ontem. Quer saber como estará seu corpo amanhã? Olhe seus pensamentos hoje!”

“Ou você abre seu coração, ou algum cardiologista o fará por você!”

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publicado por conspiratio às 16:40
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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

PARAR É VITAL - THICH NHAT HANH

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Sem objetivo
(Thich Nhat Hanh, “Paz a cada passo”).

No Ocidente, somos muito direcionados para os objetivos. Sabemos onde queremos ir e direcionamos nossas forças para chegar lá. Isso pode ser útil, mas muitas vezes nos esquecemos de apreciar também o caminho.

Existe no budismo uma palavra que significa "ausência de desejo" ou "ausência de objetivo". A idéia consiste em você não colocar um alvo à sua frente e sair correndo atrás dele, porque tudo já está aqui em você mesmo. Enquanto praticamos a meditação andando, não tentamos chegar a lugar nenhum. Damos apenas passos felizes, serenos. Se não pararmos de pensar no futuro, no que queremos realizar, perderemos nossos passos. O mesmo vale para a meditação sentada. Nós sentamos só para apreciar o estar sentado. Não nos sentamos a fim de alcançar um objetivo. Isso é de importância vital. Cada momento da meditação sentada nos traz de volta à vida, e nós devemos nos sentar de forma tal que nos sintamos bem o tempo todo. Quer estejamos chupando uma tangerina, tomando uma xícara de chá, ou caminhando em meditação, deveríamos fazê-lo "sem objetivo".

Muitas vezes dizemos a nós mesmos, "Não fique só aí sentado, faça alguma coisa!" Quando praticamos a plena consciência, porém, descobrimos algo inusitado. Descobrimos que o contrário pode ser ainda mais valioso: "Não fique aí fazendo alguma coisa. Sente-se!" Precisamos aprender a parar de vez em quando, a fim de ver com nitidez. A princípio, "parar" pode parecer uma "resistência" à vida moderna, mas não se trata disso. "Parar" não é só uma reação; é um estilo de vida. A sobrevivência da humanidade depende de nossa capacidade de desacelerar. Temos mais de 50.000 bombas atômicas, e mesmo assim não conseguimos parar de fabricar mais. "Parar" não significa um basta ao que é negativo, mas também permitir que se realize uma cura positiva. É esse o propósito da nossa prática — não evitar a vida, mas experimentar e comprovar que a felicidade é possível agora e também no futuro.

A base da felicidade é a plena consciência. A condição fundamental para ser feliz é ter a consciência de que se é feliz. Se não percebermos que estamos felizes, não estaremos realmente felizes. Quando estamos com dor de dente, nos damos conta de que não ter dor de dente é maravilhoso. Mas, mesmo assim, não nos sentimos felizes quando estamos sem dor de dente. Esquecemos o quanto é agradável não ter dor de dente. Há tantas coisas que são agradáveis, mas que não sabemos apreciar se não praticamos a plena consciência. Quando estamos com a mente alerta, valorizamos essas coisas e aprendemos a protegê-las. Ao cuidar bem do momento presente, estamos cuidando bem do futuro. Trabalhar pela paz do futuro é trabalhar pela paz no momento presente.

Nossos sentimentos desempenham um papel muito importante por dirigirem todos os nossos pensamentos e ações. Existe em nós um rio de sentimentos, no qual cada gota d'água é um sentimento diferente e cada um depende de todos os outros para sua existência. Para observar esse rio, sentamo-nos à sua margem e identificamos cada sentimento à medida que ele vem à tona, passa por nós e desaparece.

Há três tipos de sentimentos — agradáveis, desagradáveis e neutros. Quando temos um sentimento desagradável, podemos querer afastá-lo. O mais eficaz é voltar à nossa respiração consciente e apenas observá-lo, identificando-o em silêncio para nós mesmos. "Inspirando, sei que há um sentimento desagradável em mim. Expirando, sei que há um sentimento desagradável em mim." Chamar o sentimento pelo seu nome, "raiva", "tristeza", "alegria" ou "felicidade", nos ajuda a identificá-lo com clareza e reconhecê-lo em maior profundidade.

Podemos usar nossa respiração para entrar em contato com nossos sentimentos e aceitá-los. Se nossa respiração for leve e tranqüila — resultado natural da respiração consciente — nossa mente e nosso corpo irão lentamente se tornando leves, tranqüilos e claros. E da mesma forma nossos sentimentos. A observação plenamente consciente se baseia no princípio da "não-dualidade"; nosso sentimento não está separado de nós nem foi causado apenas por algo externo a nós. Nosso sentimento é nosso eu, e temporariamente nós somos esse sentimento. Não submergimos nesse sentimento, nem nos aterrorizamos com ele, tampouco o rejeitamos. Nossa atitude de não nos agarrarmos aos nossos sentimentos e de tampouco rejeitá-los é a atitude de desapego, uma parte vital da prática da meditação.

Se encararmos nossos sentimentos desagradáveis com cuidado, afeição e não-violência, podemos transformá-los naquele tipo de energia que é saudável e que tem a capacidade de nos nutrir. Através da observação consciente, nossos sentimentos desagradáveis podem ser muito esclarecedores para nós, proporcionando-nos revelações e compreensão a respeito de nós mesmos e da nossa sociedade.

O primeiro passo ao lidar com os sentimentos é reconhecer cada sentimento no instante em que surge. O meio para isso é a plena consciência. No caso do medo, por exemplo, você recorre à plena consciência, olha para o medo e o reconhece como medo. Você sabe que o medo brotou de você mesmo e que a plena consciência também brotou de você mesmo. Os dois estão em você, não em luta, mas cuidando do outro.

O segundo passo consiste em se tornar uno com o sentimento. Melhor não dizer, "Vá embora, Medo. Não gosto de você. Você não é eu." Muito mais eficaz é dizer, "Oi, Medo. Como é que você está hoje?" Em seguida, você pode estimular esses dois aspectos, a plena consciência e o medo, a se cumprimentarem como amigos e a se unirem. Isso pode parecer assustador, mas, como você já sabe que você é mais do que seu medo, não é preciso se amedrontar. Desde que sua mente esteja alerta, ele fará companhia ao seu medo. A prática fundamental é nutrir a plena consciência com a respiração consciente, para mantê-la alerta, cheia de vida e força. Embora no início sua plena consciência possa não ser muito potente, se você a alimentar, ela se tornará mais forte. Contanto que a sua consciência esteja plena e presente, você não será submerso pelo medo. Na realidade, você começará a transformá-lo no exato instante em que dentro de si der à luz a percepção.

O terceiro passo é o de acalmar o sentimento. Como a consciência plena está cuidando bem do seu medo, ele começa a acalmar-se. "Inspirando, acalmo as atividades do corpo e da mente." Você acalma seu sentimento só por estar com ele, como uma mãe segurando ternamente o filhinho que chora. Ao sentir a ternura da mãe, o neném se acalma e pára de chorar. A mãe é a sua mente alerta, nascida das profundezas da sua consciência, e ela tratará do sentimento da dor. A mãe que segura o bebê forma uma unidade com ele. Se a mãe estiver pensando em outras coisas, a criancinha não se acalmará. A mãe tem de abandonar as outras coisas e apenas segurar seu filhinho. Por isso, não evite seu sentimento. Não diga, "Você não é importante. Você é só um sentimento." Passe a formar uma unidade com ele. Você pode dizer, "Expirando, acalmo meu medo.”.

O quarto passo é largar o sentimento, soltá-lo. Graças à sua calma, você está à vontade, mesmo em meio ao medo; e sabe que esse medo não vai crescer e se transformar em algo esmagador. Quando você se descobre capaz de tomar conta do seu medo, ele já está reduzido a um mínimo, tornando-se mais brando e menos desagradável. Agora você pode sorrir para ele e deixá-lo partir, mas, por favor, pare por aqui. Acalmar e largar um sentimento são apenas curas para os sintomas. Você agora tem a oportunidade de se aprofundar e trabalhar na transformação da raiz do seu medo.

O quinto passo é olhar profundamente. Você examina em profundidade o seu bebê — seu sentimento de medo — para ver o que está errado, mesmo depois que o bebê parou de chorar, mesmo depois que o medo se foi. É impossível segurar uma criança no colo o tempo todo. Por isso, você deve examiná-la para ver a causa do que está errado. Com esse exame, você será o que o ajudará a começar a transformar o sentimento. Você perceberá, por exemplo, que seu sofrimento tem muitas causas, intensas e externas ao seu corpo. Se há algo de errado em volta dele, se você conserta a situação, com carinho e cuidado, ele se sentirá melhor. Ao examinar seu bebê, você verá os elementos que o estão fazendo chorar. Ao vê-los, você saberá o que fazer e o que não fazer para transformar o sentimento e se sentir livre.

Esse processo é semelhante ao da psicoterapia. Em companhia do paciente, o terapeuta observa a natureza da dor. Muitas vezes, o terapeuta pode revelar causas de sofrimento que se originaram da forma pela qual o paciente encara a vida, das opiniões que ele tem sobre si mesmo, sobre a sua cultura e o mundo em geral. O terapeuta examina esses pontos de vista e essas opiniões com o paciente, e juntos eles colaboram para libertá-los daquele tipo de prisão em que estava. No entanto, o esforço do paciente é crucial. O professor deve trazer à luz o professor que existe dentro do aluno; e o psicoterapeuta deve trazer à luz o psicoterapeuta que há no íntimo do seu paciente. O "psicoterapeuta interno" do paciente poderá então trabalhar em tempo integral de uma forma muito eficaz.

Thich Nhat Hann



O terapeuta não trata do paciente simplesmente lhe repassando um outro conjunto de opiniões. Ele tenta ajudar o paciente a perceber que tipos de idéias e de crenças causam o seu sofrimento. Muitos pacientes querem se ver livres dos sentimentos dolorosos, mas não querem se livrar das opiniões, dos pontos de vista que são as verdadeiras raízes dos seus sentimentos. Portanto, o terapeuta e o paciente têm que trabalhar juntos para ajudar o paciente a ver as coisas como elas são. O mesmo vale para quando recorrermos à plena consciência para transformar nossos sentimentos. Depois de reconhecermos o sentimento, de nos tornarmos unos com ele, de o acalmarmos o de o largarmos, podemos examinar suas causas em profundidade. Elas muitas vezes se baseiam em percepções incorretas. Assim que compreendemos as causas e a natureza dos nossos sentimentos, eles começam a se transformar.


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publicado por conspiratio às 23:27
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 O que é? |  O que é?

ENTREVISTA COM DEEPAK CHOPRA

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A sabedoria do silêncio
Felicidade, saúde e possibilidades infinitas é o que promete Deepak Chopra, o médico indiano que virou guru nos Estados Unidos. Sua receita é tão fácil quanto fascinante: reserve alguns minutos do dia para ficar em silêncio. Começa aí a mudança de consciência que, segundo ele, pode mudar o mundo. Por Lúcia Cristina de Barros




Deepak Chopra cita Shakespeare e Walt Whitman, o poeta americano. Do primeiro fala que "somos a matéria da qual são feitos os sonhos"; do segundo lembra que "tudo que pertence a você pertence a mim". "Essas não são metáforas, é a realidade", diz. "Nós não somos nosso corpo físico. Esse corpo é o lugar que nossas memórias, sonhos e esperanças chamam de lar por enquanto. Esse corpo não é a matéria sólida que vemos, e sim um rio de informações, que tem em si partículas que já estiveram em outros corpos e no mundo inteiro."



Poesia e prática, filosofia e ciência misturam-se no discurso deste endocrinologista de formação e guru a contra-gosto. De camisa xadrez e calça marrom, chegando do almoço num restaurante no bairro do Itaim, em São Paulo, Chopra é um homem de 1,70 m de altura, com uma barriguinha incômoda para quem faz exercício todo dia e olhos muito escuros, muito vivos. Ele é também um fenômeno: já vendeu mais de 10 milhões de livros em 30 idiomas, e diversificou seu negócio para incluir CDs, vídeos, séries de TV, filmes. Suas idéias lhe rendem cerca de US$ 15 milhões por ano e uma legião de admiradores que vão de Madonna e Demi Moore a executivos de algumas das maiores empresas do mundo, sem falar de políticos e reis.



Estudando a consciência há 20 anos, Chopra, 52, tem uma mensagem tão fácil quanto fascinante: para ele a consciência é responsável pelo mundo físico e quem desperta a sua está no caminho da saúde perfeita e da abundância --tudo o que todo mundo quer. Por isso mesmo 2.500 pessoas lotaram dois teatros em São Paulo, no mês de junho, pagando R$ 200 por convite, para ouvir Chopra, que já tinha vindo ao Brasil há 12 anos, no lançamento de seu primeiro livro. Na primeira palestra ele falou sobre "As Sete Leis Espirituais do Sucesso", seu maior best-seller no país. Na segunda, falou sobre "Intuição na Liderança", definindo as características dos líderes do próximo milênio para centenas de executivos que esqueceram de desligar seus celulares mesmo quando mantras eram entoados. Cada noite rendeu ao autor cerca de US$ 25 mil.



Nascido em Nova Delhi, na India, Deepak Chopra mudou-se para os Estados Unidos nos anos 70, e lá tornou-se um médico bem-sucedido, professor universitário e chefe de equipe do Memorial Hospital de Nova York. A grande virada em sua vida começou nos anos 80, quando descobriu a meditação. Ele parou de fumar e beber, tornou-se discípulo do guru indiano Maharishi Mahesh Yogi e representante nos Estados Unidos de uma empresa de divulgação e venda de produtos tradicionais (óleos, infusões e ervas) da medicina Ayurveda, a mais antiga do mundo, baseada no relacionamento entre ser humano e natureza.



Sua origem indiana, formação em medicina e sucesso profissional fizeram de Chopra o homem certo para criar uma ponte entre Oriente e Ocidente, divulgando não só a Ayurveda (ciência da vida), mas diversos ensinamentos dos "Vedas", antigas escrituras em sânscrito que datam de mais de cinco mil anos e reúnem a sabedoria indiana sobre todos os campos do conhecimento. O trabalho de Chopra é unir o que há de melhor nessa tradição aos conceitos mais avançados da ciência – tudo explicado em linguagem que faz sentido para o leitor contemporâneo.



Metade do tempo, este homem que não se define (não é autor, nem palestrante, nem mesmo Deepak –-já que, para ele, "definir-se é limitar-se") viaja pelo mundo, dando suas palestras. Não tem frescuras, seguranças ou assistentes. Pega o avião sozinho, desembarca no seu destino, faz o trabalho que tem que fazer --com uma atitude que mistura em doses iguais gentileza e determinação. Ele é simpático com seus admiradores, posa para fotos, autografa livros, abraça e beija novos conhecidos. Mas também deixa bem claro o que está disposto a fazer ou não.
A outra metade do tempo Chopra passa em La Jolla, um lugar maravilhoso na Califórnia, pertinho de San Diego, onde ele vive e dirige seu Center for Well Being (Centro para o Bem-Estar). É onde seus ensinamentos se materializam em cursos e tratamentos como yoga, meditação e desintoxicação (com técnicas que antigamente eram reservadas à realeza indiana). A idéia é cuidar ao mesmo tempo do espírito, da mente e do corpo.



Para quem torce o nariz para esse caldeirão borbulhante de idéias que prometem, no fim das contas, a milagrosa felicidade, Chopra diz apenas, com um sorriso: "Milagre é a palavra que usamos para designar o que ainda não entendemos. E os milagres de hoje são a ciência de amanhã."



Marie Claire - Tudo parece dar certo na sua vida. Quando o senhor exercia a medicina, era um importante endocrinologista. Quando decidiu começar a escrever, seus livros viraram best-sellers e hoje o senhor é uma das figuras mais importantes do que poderíamos chamar de "novo paradigma" na medicina, que é o reconhecimento da conexão mente-corpo. O senhor acha que essa trajetória era seu destino ou nós fazemos o nosso próprio destino?



Deepak Chopra - Acho que são as duas coisas. O que acontece é que uma série de situações, circunstâncias e eventos criaram as oportunidades certas para mim, como podem criar para você. Por outro lado, também coloquei minhas próprias intenções para fazer com que as coisas acontecessem. A verdade é que você está fazendo uma pergunta que os filósofos se fazem há milhares de anos: nós somos produto de um destino pré-determinado ou temos livre-arbítrio? A resposta é: as duas coisas. Quem não tem consciência vive num mundo pré-determinado. Quem tem consciência torna-se alguém que pode escolher e exerce esse poder. Entre esses extremos, então, de quem está totalmente inconsciente e de quem já atingiu a iluminação, há uma mistura de destino e livre-arbítrio atuando nas nossas vidas.



MC - O senhor num determinado momento mudou a sua vida: deixou a prática diária da medicina e se tornou um escritor e palestrante que roda o mundo e tem uma legião de seguidores. Como se deu esse processo?



Chopra - Eu mudei minha vida muitas vezes. A cada dois anos tomo um novo rumo, diferente daquele que eu vinha trilhando. Acredito que a chave para esse processo de mudança é querer deixar o passado para trás e estar confortável diante do desconhecido, do incerto. Caso contrário, podemos fingir que somos livres, mas de fato não somos. Estaremos apenas respondendo às circunstâncias de forma reflexiva. Em geral o que acontece é que as pessoas escolhem uma direção na vida e pronto: é isso. Elas definem quem são e definir-se é limitar-se. Eu nunca tentei me definir: sou um médico, ou sou um escritor, ou sou um palestrante. Esse tipo de categorização não importa. Quando você não se define, pode ser qualquer coisa: você entra no campo das possibilidades infinitas.



MC - Seu trabalho poderia ser incluído na área da auto-ajuda, que vem crescendo muito e é um espaço fértil para charlatães. Como separar o joio do trigo?



Chopra - Não sei se eu diria que desenvolvo um trabalho de auto-ajuda. Talvez você possa chamar assim. Mas eu prefiro os termos auto-realização, transformação, potencial humano. Bem, é verdade que há muitos charlatães trabalhando nessa área, assim como em todas as áreas. A gente tende a imaginar que todo mundo é sério, por exemplo, na medicina. Mas há muitos médicos picaretas, cientistas picaretas. Pessoas desonestas existem em qualquer lugar, em qualquer profissão. Não devemos presumir que na área dos estudos da consciência há mais gente desonesta do que nos meios científicos, ou em administração, ou o que for. Cabe às pessoas fazer escolhas informadas. Se eu digo que um determinado tratamento com ervas medicinais é bom para você, você pode entrar na internet e fazer uma pesquisa sobre o que são aquelas ervas, que estudos existem a respeito de sua eficácia, quais as suas indicações. Assim você pode decidir por sua conta se estou dizendo a verdade ou não. Quando afirmo que a meditação funciona e que há centenas de estudos científicos que provam que sua prática regular traz uma série de benefícios para as pessoas, você pode checar o que eu digo, não precisa simplesmente acreditar em mim. Aliás, não precisa e nem deve simplesmente acreditar em qualquer coisa que seja dita. O consumidor informado, educado, consciente sabe que hoje é possível obter dados sobre absolutamente qualquer assunto. Se você se der ao trabalho de buscar informações, vai encontrá-las. Então quem tem interesse em meditação, técnicas avançadas dessa prática, espiritualidade, deve ir atrás de informações, checar essas informações e fazer escolhas informadas.



MC - Seu nome está cada vez num maior número de produtos. O senhor não tem medo que essa expansão dos seus negócios acabe por transformá-lo numa espécie de fast-food da espiritualidade? Como o senhor mantém controle sobre tudo o que está sendo produzido e que leva a sua marca?



Chopra - A maioria dos produtos que hoje levam o meu nome são livros, fitas de vídeo, cassetes e CDs. Há poucos produtos de ervas e algumas outras coisas. Nesse exato momento minha organização está passando por uma transformação. Estou abrindo mão de todos os demais produtos para me concentrar em escrever meus livros, fazer meus vídeos e gravar meus cassetes e CDs. O resto vou entregar nas mãos de instituições reconhecidas, para que tomem conta de tudo. Ao mesmo tempo, fundei uma organização não lucrativa para poder canalizar os lucros da venda desses produtos para pesquisas e educação. Há sempre uma percepção de que quando alguém se torna popular, e hoje eu sou popular, todo o trabalho daquela pessoa é puramente moda, é aquilo que você está chamando de fast-food. Só que no meu caso não é. Meu trabalho é autêntico e não posso fazer nada se cada vez mais pessoas percebem isso e gostam disso.



MC - Uma crítica comum ao seu trabalho é que o senhor pega a sabedoria milenar indiana e transforma em pílulas para o consumo rápido do Ocidente.



Chopra - Na verdade, o que faço é interpretar de forma contemporânea o antigo conhecimento indiano. Porque se você for até a fonte, ou seja, se resolver estudar as antigas escrituras indianas, vai descobrir que há muita superstição, muita bobagem, muita porcaria ali, infelizmente. Assim, é preciso ser seletivo. Só porque alguma coisa é antiga, não quer dizer que seja boa. Muita gente faz essa confusão: acha que tudo que é antigo é sábio. Essa postura presume que nossos ancestrais sabiam mais do que nós sabemos hoje, e isso é falso. Nós temos a vantagem de saber o que eles sabiam e muito mais, graças ao que pudemos aprender através da ciência e da tecnologia. O que faço é, primeiramente, ser seletivo em relação à antiga sabedoria. Eu não tenho uma fé cega na milenar sabedoria indiana. Também não tenho uma fé cega num glorioso passado indiano, nem nas escrituras védicas, nem na espiritualidade do povo indiano. Muito disso tudo é exagerado, especialmente pelos próprios indianos – que são, aliás, um dos povos mais superficiais do mundo. Os indianos posam de grandes espiritualistas quando são materialistas ferrenhos, preocupados sobretudo em copiar o Ocidente.



MC - Então por que essa fama de que eles são tão espiritualizados?



Chopra - Nós tendemos a avaliar uma civilização ou uma cultura por seus luminares. Se pensamos na Grécia Antiga, por exemplo, o que nos vem à mente é Pitágoras, Sócrates, Aristóteles, Platão… Pensamos: ‘Uau! Que grande civilização!’ Mas, na verdade, os gregos naquela época eram na sua maioria bárbaros: sexistas, escravagistas, jogavam as pessoas com defeitos físicos aos leões. Essa era a Grécia. O mesmo é verdade da antiga civilização indiana. Há alguns poucos luminares, como o poeta Rabindranath Tagore ou Mahatma Gandhi. Você olha para os grandes homens e diz: puxa, a India era uma maravilha. Mas nem tudo na India era uma maravilha. Não vamos fingir que tudo que existia na India poderia ser aprovado sem reservas. É preciso ser seletivo. Antigo e eterno são conceitos diferentes. Algumas coisas antigas podem servir ou não para os dias de hoje. Já o que é eterno é válido sempre, a qualquer tempo. Meu trabalho é selecionar o que é eterno e explicar de forma lógica. Se eu não puder explicar de forma científica, lógica, eu não incorporo ao meu trabalho.



MC - A saúde perfeita é possível?



Chopra - Eu acredito que a saúde perfeita é o estado natural de todos os seres humanos.



MC - Mas do que a gente morreria se nunca adoecesse?



Chopra - A gente morreria, provavelmente, de tédio. (rindo)



MC - Mas e se a gente estivesse se divertindo?



Chopra – Aí, provavelmente, viveríamos por muito, muito tempo. Esta é uma questão absolutamente fascinante. Se olharmos para um grupo de pessoas idosas, digamos com mais de 100 anos, algumas delas terão artrite, mas nem todas; algumas terão doenças coronárias; mas nem todas; outras terão câncer, mas nem todas. O que você coloca, portanto, é que quando as pessoas envelhecem elas têm mais chances de apresentar doenças. Mas o fato de que algumas pessoas idosas adoecem e outras não significa que, apesar de certas doenças serem mais comuns entre os idosos, elas não são obrigatórias. Este é um insight interessante, que outras pessoas já notaram: envelhecer não significa que você tem que, necessariamente, adoecer. Mas aí vem o problema: do que nós morreríamos? Bem, com os conhecimentos científicos disponíveis hoje, acredita-se que o ser humano tem um relógio biológico com um limite que estaria, atualmente, por volta de 120, 121 anos. A teoria é que, basicamente, quando o relógio atinge essa idade a pessoa morre. Se isso é verdade ou não, ainda precisa ser verificado. Pessoalmente, acredito que viver para sempre acabaria por nos condenar ao tédio e à senilidade eternos. Quando nós percebemos de verdade quem somos, queremos sempre ter uma experiência nova de vida. Se eu compro um Jaguar hoje, posso achar que é um belo carro, mas daqui a alguns anos vou querer uma Ferrari, e depois vai ser qualquer outra coisa. O ser humano é assim: se cansa das coisas.
MC - Por falar nisso, é verdade que o senhor coleciona carros de luxo?



Chopra - Não. Fiz isso há vinte anos. Eu tinha uma coleção de Jaguares, que fui dando ao longo do tempo. Hoje em dia não dirijo, caminho. Não tenho sequer a carteira de motorista. Onde eu vivo, em La Jolla, na Califórnia, não é preciso dirigir para se locomer. A maior parte do tempo eu ando. E quando estou viajando, alguém dirige para mim, ou tomo um ônibus, ou um trem. Não estou mais preocupado com esse tipo de coisa.



MC - Voltando à questão da saúde. Quando o senhor fica doente, a que tipo de tratamento recorre?



Chopra - Eu nunca fiquei doente.



MC - Como assim? Desde quando?



Chopra - Desde que eu me lembre.



MC - O senhor está brincando. Nem um resfriado?



Chopra - Nem um resfriado, não que eu me lembre. Ninguém na minha família fica doente. Esse é um conceito estranho para nós. Meus filhos nunca tiveram nenhum problema de saúde. Acho que é porque somos uma família saudável. Meu pai está com 80 anos e ainda trabalha diariamente, atendendo seus pacientes. Ele é cardiologista e trabalha 12 horas por dia, não pára nunca. Quer dizer, hoje, claro, ele também acha tempo para meditar e medita todos os dias, graças a mim. Mas somos uma família de fato interessante, ninguém adoece. Meu avô, aliás, morreu de contentamento. Ele tinha um grande orgulho das conquistas do meu pai, que tinha se formado cardiologista. Um dia ele recebeu um telegrama avisando que meu pai tinha se tornado membro do Royal College of Physicians, na Inglaterra. Ele ficou tão feliz que acabou morrendo. Foi mesmo uma morte por alegria.



MC - O senhor às vezes fica estressado? Tem alguma coisa que o deixa estressado?



Chopra - Não, eu não fico estressado. Às vezes eu fico bravo, e claro que você poderia dar a esse sentimento outros nomes, se quisesse. Mas o fato é que quando me aborreço demonstro minha raiva por cinco minutos e pronto, acabou. E é muito difícil que eu fique realmente chateado. As coisas simplesmente não me incomodam.



MC - E antigamente, o que tinha a capacidade de estressá-lo?



Chopra - Receber críticas. Mas não mais. Aliás, outra coisa: o tráfego de São Paulo. Mas agora nem esse trânsito que vocês têm aqui me incomoda mais. De verdade.



MC - E qualquer pessoa pode chegar a essa tranquilidade e enfrentar o trânsito de São Paulo sem estresse?



Chopra - Sim, qualquer pessoa. O que acontece é que depois de algum tempo a gente percebe que está fazendo tempestade em copo d’água. Tudo é levado tão a sério, tudo vira um drama, uma novela. A vida não precisa ser assim. Depende de como você encara.



MC - Quais suas melhores qualidades?



Chopra - Eu sou divertido. Meus dois filhos podem confirmar isso. Nós nos divertimos muito juntos. Também acho que escrevo bem e sou um bom orador, um comunicador competente.



MC - O que o senhor costuma fazer com seus filhos para se divertir?



Chopra - Nós escalamos montanhas, mergulhamos, pulamos de pára-quedas... Adoramos esportes e praticamos em qualquer lugar do mundo. Podemos fazer mergulho no Caribe, esquiar na Europa, escalar uma montanha na Califórnia. O importante é que gostamos muito de atividades ao ar livre e sempre que estamos juntos fazemos alguma coisa assim.





MC - E isso acontece com frequência? Parece que o senhor passa a maior parte do tempo viajando.



Chopra - Eu diria que passo metade do meu tempo viajando. E minha intenção é parar com as viagens em dois anos. Mas isso ainda está no futuro, vamos ver o que acontece. Mesmo viajando bastante, porém, tenho tempo para minha família. Muitas vezes eles viajam comigo, se estou indo a algum lugar interessante. Se vou a Detroit, eles não vão junto. Mas se vou ao Havaí, aí vai a família toda.



MC - O senhor pode falar um pouco sobre sua família? O que fazem os seus filhos?



Chopra - Meu filho, Gautama ou Gotham, tem 24 anos, é escritor de ficção e também assina quadrinhos. Ele acaba de terminar uma série de quadrinhos de grande sucesso, "Bullet Proof Monk" (Monge à Prova de Balas), que mistura artes marciais e espiritualidade e será transformada em filme. Ele também apresenta um programa de TV especial, sobre espiritualidade, que é assistido diariamente por 10 milhões de crianças. Ele é um cara muito popular. Quando terminou a faculdade, no ano passado, se mudou para Los Angeles e agora está preparando dois romances. Minha filha, Mallika, tem 26 anos e está fazendo mestrado em Chicago. Ela estuda entretenimento e espiritualidade e pretende pegar meu trabalho e transformá-lo em algo mais acessível para um público mais jovem. Meus dois filhos meditam desde os 4 anos de idade.




MC - Mas no seu livro "As Sete Leis Espirituais para os Pais" o senhor não recomenda que as crianças só sejam introduzidas na prática da meditação a partir dos 6 ou 7 anos?
Chopra - Mas eu quebrei as regras. (rindo)



MC - Ok, o senhor pode. Bom, e sobre sua mulher?



Chopra - Minha mulher e eu somos casados há… meu Deus, faz tanto tempo… Quanto tempo? Ah, 28 anos. Nós temos uma relação maravilhosa porque é baseada na mais completa aceitação e confiança. Eu aceito e confio na minha mulher 1000% e ela me aceita e confia em mim. Por isso é uma relação muito bonita. Nós crescemos juntos ao longo de todos esses anos. Ela ajuda no Chopra Center for Well-Being tomando conta da decoração e escolhendo as obras de arte, que são muitas. Sempre que viajo fico prestando atenção em quadros, esculturas, qualquer coisa que eu ache que a Rita possa gostar. Ela coleciona arte – não necessariamente de artistas famosos, mas qualquer obra que a emocione.



MC - Há alguma coisa que o senhor gostaria de mudar na sua personalidade -- ou já mudou tudo o que queria?



Chopra - Já mudei o que me incomodava. Eu era muito intolerante, e não só com relação a críticas. Eu era intolerante com as pessoas em geral, com a demora de as pessoas entenderem as coisas. Era muito impaciente. Mas, ao longo dos últimos anos, alterei essas qualidades.
MC - Como é um dia típico na sua vida?



Chopra - Num dia típico eu levanto às quatro da manhã, medito por cerca de uma hora e meia a duas horas, e então vou fazer ginástica. Eu construí uma academia em casa e tenho um treinador que vem às 6h. Faço aula de tudo que você possa imaginar: bicicleta, yoga, boxe. O treinamento vai até as 7h30. Mesmo quando viajo não deixo de fazer exercícios. Hoje mesmo usei a academia do hotel. Depois, sento para escrever por duas horas, até as 9h30. O resto do dia faço o que as pessoas me mandam fazer. (risos) Até as 9h30 é meu tempo sagrado. Depois das 9h30 é o tempo de todo mundo, de quem quiser o meu tempo. Às 16h dou uma parada novamente.



MC - Nas suas palestras e nos seus livros o senhor cita muita poesia. Ler poesia é um hobby seu? E o senhor também escreve poemas?



Chopra - Eu escrevo poesia e já publiquei dois livros: um de poemas meus e outro com traduções originais de Rumi [poeta místico do Islã do século XIII]. Também coloquei música nos poemas dele e convidei algumas grandes vozes para declamá-los num CD: gente como Madonna, Demi Moore e outros grandes artistas e filósofos. Esse CD está fazendo um enorme sucesso, aliás. Estou preparando uma nova tradução, desta vez sobre os sentidos da morte na poesia de Rabindranath Tagore [poeta e filósofo indiano, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1913]. Além de poemas, escrevo romances. Já escrevi três histórias, sendo que uma delas, "The Lords of the Night" (Os Senhores da Noite), acabou de sair nos Estados Unidos, foi publicada na semana passada. É um romance baseado na Cabala, o tema é a religião. Conta a história de um falso profeta que aparece em Jerusalém mas que, na verdade, é o diabo. Então ele tem que ser mandado de volta para o inferno. Esse livro vai virar filme.



MC - O senhor é religioso?



Chopra - Não. Acredito que Deus nos deu a Verdade e aí veio o Diabo e disse: vamos organizar essa sabedoria, e é a isso que chamamos religião. Se você analisa as religiões, o que está em jogo é sempre poder, controle, dogma, ideologia, julgamento, punição. Deus é sempre um pai disfuncional em todas as religiões. A relação dos fiéis com o Deus das religiões é aquela de uma criança com um pai disfuncional, em vez de um pai amoroso. Mas Deus é puro amor.



MC - Alguns de seus últimos livros parecem apenas reciclar o que o senhor já havia dito em obras anteriores. O senhor ainda tem tempo para estudar?



Chopra - Eu estudo muito e sempre. A cada três meses, por exemplo, tiro uma semana para ficar em silêncio. Nesse período não tenho contato com ninguém. Meus assistentes acham o lugar certo, que pode ser em qualquer parte do mundo, desde que atenda a esse requisito de ser totalmente isolado. Já estive numa floresta na Costa Rica, no deserto da Califórnia, nos canyons em Utah. Meu próximo retiro será na Louisiania, quando este tour acabar. Fico lá sem relógio, telefone, fax, celular, nenhum contato humano. Alguém me deixa lá e volta para me buscar em seis ou sete dias. Um tempo de estudo, reflexão e silêncio.



MC - Um dos seus livros cita que o luxo seria a condição natural do ser humano…



Chopra - O luxo, não. A abundância. Não sei como está a tradução, mas o conceito é abundância. Essas são coisas diferentes. Eu acredito que a abundância é o estado natural do ser humano, é um estado de consciência em que você não se preocupa com nada.



MC - Como assim? O universo provê?



Chopra - Claro, mas o universo é você.



MC - Mas então você tem que ir lá e fazer as coisas acontecerem, e vai acabar se preocupando. Dá na mesma.



Chopra - O que você tem que fazer é perceber qual a fonte das coisas, de onde elas vêm. As pessoas me perguntam: de onde vai vir o dinheiro no fim do mês? Eu respondo: onde ele está no momento. O que é o dinheiro? Nós podemos simplesmente imprimir papel colorido e usá-lo como dinheiro? Não. Então de onde vem o dinheiro? Um amigo meu que trabalha com a Internet fez US$ 1,4 bilhão em um dia. Eu perguntei a ele: de onde vem todo esse dinheiro? Vem da consciência. O dinheiro é um símbolo, só isso. O dinheiro é um símbolo daquilo que consideramos útil e valioso – em outras palavras, é energia. Se a sociedade diz: bom, nós queremos ver filmes pornográficos, tem dinheiro nesse negócio. Porque é isso o que a sociedade está considerando que tem valor. Ou a sociedade diz: queremos fumar. Pronto: tem dinheiro aí. O dinheiro é uma forma de simbolizar o que a sociedade valoriza.



MC - E isso muda ao longo do tempo.



Chopra - Com certeza. E para saber onde está o dinheiro é muito interessante olhar para o passado, ver quais as fontes históricas de riqueza. Quando éramos caçadores e colhedores, o que não faz assim tanto tempo, tínhamos duas reações possíveis frente aos animais: lutar ou fugir. Diante dessa realidade, a origem da riqueza era qualquer coisa que pudesse matar, qualquer instrumento que facilitasse a caça: como o arco, a flecha e a lança. Muitos de nós ainda hoje somos caçadores, e para esses a fonte de riqueza são as armas. Depois, quando nos tornamos uma sociedade agrícola, o que passou a ter valor foram os produtos agrícolas e também os animais, porque você precisava ter vacas, galinhas, porcos. Os bichos eram parte daquele universo, assim como a terra. Já na era industrial, a fonte de riqueza eram as máquinas. Mas de que são feitas as máquinas? De aço, ferro, cobre. Então os recursos naturais passaram a ter valor. Agora estamos além desse modelo, numa sociedade pós-industrial. Qual a origem da riqueza hoje? Informação. Os países mais ricos do mundo são aqueles que produzem chips de silicone, que não são mais do que poeira com a capacidade de armazenar informação. Nesse exato momento estamos passando da era da informação para a era da consciência e a fonte de riquezas será a inteligência. Portanto, quem quiser ganhar dinheiro daqui para a frente deve parar de produzir cigarros e pornografia e começar a vender sabedoria. É melhor começar a pensar em riqueza como sinônimo de consciência. A idéia é que se você é capaz de dar, se é capaz de alimentar relacionamentos, isso alimenta seu diálogo interno, sua consciência. E fica claro que os relacionamentos são a coisa mais importante.



MC - O senhor é feliz?



Chopra - Sou um homem feliz, sim, mas não totalmente realizado. Uma parte de mim permanece em busca e espero que isso não mude nunca. Caso contrário vou morrer de tédio, como dizíamos antes.



MC - O que importa na sua vida hoje?



Chopra - Paz, harmonia, riso e amor. Esses não são conceitos abstratos, são realidade.



MC - E quais os seus próximos objetivos?



Chopra - No momento, estou trabalhando para estabelecer duas instituições não-lucrativas que serão centros de ensino da consciência para quem não pode pagar por esse conhecimento. Sei que muitas pessoas gostariam de fazer os cursos que oferemos no Centro em La Jolla, por exemplo, mas acham caro, elas têm que usar o dinheiro para pagar o aluguel. A idéia é levantar fundos com quem tem para financiar os estudos de quem não poderia pagar de outra maneira. Acredito que há duas formas de caridade: numa, você dá dinheiro para ajudar aqueles que não têm; em outra, você cria condições para que as pessoas se tornem independentes. A única caridade válida é aquela que faz com que as pessoas não voltem a precisar de caridade no futuro. É por isso que quero estabelecer instituições que ensinem às pessoas os princípios do auto-conhecimento, da criatividade e da intuição. Esse é o meu objetivo pelos próximos dois anos e tenho trabalhado muito por isso. Uma instituição será nos Estados Unidos e a outra na Europa, numa ilha grega.



MC - Por que uma ilha grega?



Chopra - Porque estive lá, comentei que era um lugar maravilhoso e me disseram que se eu quisesse criar lá uma instituição educacional, eu receberia a terra de graça. Então foi assim que tudo isso começou. E eu dedico a esse projeto o meu tempo, a minha energia, condições e dinheiro para que essa idéia se torne realidade. Além disso, tenho mais livros a caminho, alguns filmes, uma série de documentários em mitologia. Há muita coisa muito legal por vir.



MC - O senhor fala muito no conceito de "dharma", que poderíamos explicar como o caminho natural de cada pessoa, aquele que traz mais felicidade e crescimento. Como descobrir nosso dharma?



Chopra - Perguntando a si mesmo: se eu tivesse todo o tempo do mundo e todo o dinheiro do mundo, o que eu faria? Esse é o seu dharma, e uma vez que você o encontra, uma vez que você se coloca no seu caminho, nada pode detê-lo.



MC - E até para ajudar nessa descoberta do dharma, qual sua recomendação para as pessoas que estão em busca de mais felicidade?



Chopra - Ache tempo para explorar-se a si próprio. Torne-se inocente, brincalhão, sinta-se confortável diante do desconhecido.



MC - Mas como se faz isso?



Chopra - É simples. Em inglês nós dizemos: "take it easy". Relaxe, pegue leve. Para que tanta excitação, nervosismo, ansiedade? Para que tanto barulho?



MC - Sim, e como conseguimos essa atitude? Você simplesmente resolve que daqui para frente não vai fazer tanto barulho por nada?



Chopra - Exatamente. Você resolve e muda sua atitude. É assim. Claro, existem técnicas que ajudam nesse processo. Mas se você não estiver pronto para a técnica, não vai dominá-la. Basicamente são técnicas que libertam o ser humano. A meditação é uma delas.







Para saber mais:



O site www.chopra.com traz uma amostra do trabalho de Deepak Chopra, e até um tour virtual por seu Centro na Califórnia. Na lista de "coisas para fazer" no site, a última recomendação é a melhor: desligar seu computador, respirar fundo e sair para caminhar, ou cantar, ou dançar ou meditar.



No Brasil, Deepak Chopra é representado pelo CIYMA, Centro Integrado de Yoga, Meditação e Ayurveda, que oferece vários de seus cursos (como "Magia da Cura", sobre Ayurveda e "Meditação no Som Primordial") e tratamentos (como as massagens "Abhyanga", a quatro mãos; e "Shirodhara", em que um fio de óleo escorre sobre a testa). F: (011) 820-3686.
Os livros do autor são publicados pelas editoras Rocco e Best Seller.
O mundo de Chopra



- Medicina: "Não temos um corpo e uma mente, mas um ‘corpomente’, uma teia de inteligência sem costuras que expressa cada fagulha de intuição, cada alteração na configuração dos aminoácidos, cada vibração dos elétrons. Nosso corpo não é uma máquina porque é inteligente. Acho que essa é a descoberta mais importante da medicina no século 20." (Conexão Saúde)
- Saúde: "Sua saúde é a soma de todos os impulsos, positivos e negativos, que emanam de sua consciência. Você é aquilo que pensa." (Conexão Saúde)



- Cura: "Temos uma farmácia dentro de nós, extremamente requintada. Ela fabrica o remédio adequado, na hora certa, para o órgão preciso – sem efeitos colaterais." (O Caminho da Cura)



- Alimentação: "O vegetarianismo é a opção mais saudável. Se sua dieta incluir pequenas quantidades de ovos, frango e peixe você terá os mesmos benefícios que os vegetarianos rígidos. O corpo humano se mantém mais saudável quando a ingestão de gordura e proteína animal é pequena ou nula." (Conexão Saúde)



- Ritmo: "Os indivíduos realmente saudáveis e bem-sucedidos são aqueles que aprenderam cedo a ter uma boa noite de sono, a tirar uma parte do dia para descansar, a comer em paz, a levantar com o sol e ir para a cama cedo. O universo é nosso verdadeiro relógio." (Conexão Saúde)



- Realidade: "A realidade é construída na mente. Sem nossa percepção, pensamentos e experiências a realidade não tem valor. A forma, o tamanho, a aparência ou qualquer outro atributo de qualquer objeto são qualidades puramente subjetivas. Nós criamos a realidade." (Conexão Saúde)



- Oração: "Uma oração é um pedido feito por uma pequena parte de Deus a uma parte grande de Deus." (O Caminho para o Amor)



- Guerras: "As guerras são a manifestação de um tipo de perturbação na consciência coletiva chamado estresse. Se não concordássemos com as guerras, elas não existiriam. Tudo o que achamos horrível se transformou em realidade com a nossa concordância." (Conexão Saúde)



- Sucesso: "Quanto mais sintonizados estivermos, mais desfrutaremos da abundância do universo, que foi organizado para satisfazer nossos desejos e aspirações. Só sofremos e nos debatemos quando estamos num estado de desconexão. A intenção divina é que cada ser humano desfrute de sucesso ilimitado. Por conseguinte, o sucesso é natural." (As Sete Leis Espirituais para os Pais)



- Meditação: "Através da meditação podemos retirar a consciência do caos interno e externo (…) e transportá-la para o estado de tranquilidade e silêncio característicos da alma e do espírito. Com prática e dedicação, é possível alcançar o imenso conhecimento e desvendar as verdades definitivas da natureza." (Conexão Saúde)



- Vida: "A vida humana é o campo de todas as possibilidades. Todo homem traz dentro de si o embrião de Deus. E ele tem apenas um desejo. Quer nascer." (Conexão Saúde)



- Eu: "Você não precisa fazer nada para encontrar o Eu – você precisa parar de fazer alguma coisa." (O Caminho da Cura) - Desapego: "O amor mais puro situa-se onde é menos esperado – no desapego." (O Caminho do Mago)



CHOPRA E O AMOR



"A maioria de nós sai à procura do amor levado por duas forças psicológicas poderosas; a fantasia do romance ideal e um medo de que não o encontremos e nunca sejamos amados. Esses dois impulsos são auto-sabotadores, embora de maneiras diferentes. Se você levar consigo uma fantasia idealizada de como deveria ser o amor, vai perder a coisa real quando ela cruzar o seu caminho. O amor real começa com interações cotidianas que possuem a semente da promessa, não com o êxtase total."



"Quando você se apaixona, se apaixona por um espelho de suas necessidades mais atuais."


"Você descobre o caminho não pensando, sentindo ou fazendo, mas se entregando."


"O medo do compromisso reflete a crença de que o espírito é inalcançável. Desse modo, não há esperança de alcançar o amor."
"A união sexual imita a criação divina. O que você expressa através de sua paixão é o amor de Deus por Deus."
"A energia nascida do amor é criativa – renova tudo que toca."
"Qualquer desejo de crescer está seguindo o fluxo do amor."
"O amor é o início da jornada, o seu fim e a própria jornada."
"Os mestres espirituais nos dizem que o estado de iluminação – que é totalmente livre, extático e ilimitado -- é vislumbrado de perto no orgasmo; pelo menos, é este o seu potencial."
"Por que o sexo é tão poderoso? Porque estamos constantemente buscando o estado do êxtase original."
Passagens extraídas do livro "O Caminho Para O Amor"

http://marieclaire.globo.com/edic/ed101/chopra4.htm




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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

NOSSA MEMÓRIA NAS CÉLULAS

 

Memória Celular

Semana passada, um americano que havia recebido há 13 anos o coração de um suicida em um transplante
se matou da mesma forma que seu doador. Além do que, 1 ano depois do transplante, ele já havia procurado a família do doador para agradecer pelo órgão e acabou se envolvendo (e casando!) com a viúva do antigo dono do coração!

Isso nos dá realmente o que pensar. Afinal, não é o primeiro caso.

"Nunca vou esquecer o dia em que recebi aquele telefonema. Eu fui a primeira pessoa a quem mamãe ligou. Ela me disse: como é que ele foi capaz de se matar? Fizemos uma reunião de família e meu irmão falou: vamos doar todos os órgãos dele", conta a irmã do jovem Howie.

O fígado de Howie foi doado para Debbie Véga. "Naquele dia eu estava muito doente, e podia até ter entrado em coma se não tivesse recebido aquele fígado a tempo", diz Debbie.

A história ocorreu nos Estados Unidos. A operação foi um sucesso, mas logo depois coisas estranhas começaram a acontecer com a mulher que recebeu o fígado no transplante:
- "Dois dias depois do transplante, eu pedi ao meu marido: compre amendoim, compre salgadinho de queijo para mim. Só que eu nunca gostei de comer isso. Passei três ou quatro meses comendo essas coisas, sem parar. Aí comecei a fantasiar: será que era isso que o doador gostava de comer?"

Debbie voltou ao hospital para tentar conseguir informações sobre o doador. Ela perguntou a uma enfermeira: é um homem? Uma mulher? A enfermeira respondeu: é um garoto. Só disse isso. Houve outra mudança nos hábitos de Debbie depois do transplante: ela começou a praticar luta. Ela pensou: será que o doador gostava de lutar? Dois anos depois da operação, ela finalmente conheceu a família do doador. As irmãs do jovem confirmaram: sim, ele gostava de lutar, e dava chutes iguais ao dela.
- "Parece que é ele usando o corpo dela. É como se ele quisesse provar a todo mundo que continua vivo", diz a irmã.

Casos como esse são pesquisados pelo doutor Gary Schwartz, um professor de medicina da Universidade do Arizona. Ele diz:
- "Explicações meramente biológicas são insuficientes para entender esses fatos bizarros. Essas memórias dos transplantados sugerem a possibilidade de continuidade da consciência mesmo depois da morte".




Os céticos dizem que essas memórias são simples coincidências, ou talvez efeitos colaterais dos medicamentos que os pacientes devem tomar depois da cirurgia. Mas como explicar uma outra história contada por Debbie?




- "Assim que acordei da cirurgia, lembrei de uma coisa que parecia um sonho: vi uma cena, um rapaz, uma moça de aparência latina. Ela usava uma blusa listrada".




A irmã comenta:- "Isso me assustou, porque o meu irmão se matou na frente da namorada. Ela foi a última pessoa que ele viu: naquele dia, ela estava mesmo de blusa listrada".

O doutor diz que um dos casos mais fascinantes que estudou foi o de um jovem de 17 anos, um violinista, assassinado na rua. Seu coração foi transplantado para um homem de 47 anos, que, de repente, se apaixonou por música clássica. Passou a ouvir música clássica por horas e horas e disse que aquelas melodias comoviam seu coração. O problema do doutor Schwartz é demonstrar que células e órgãos podem guardar e transmitir algum tipo de memória. Mas ele acredita que existe uma espécie de energia que circula pelo corpo e leva informação a todas as células. É uma energia que teria origem no coração e estaria relacionada com nossas emoções.




- "Emoção é energia em movimento, ela pode estabelecer ligações biofísicas", defende o controvertido pesquisador.




Em uma ótima entrevista à Revista Planeta, o Dr. Paul Pearsall nos fala que as células têm memória e que o coração carrega um código energético especial, que nos conecta com os demais seres humanos e com o mundo à nossa volta. De certa maneira, sua teoria explica por que muitos transplantados passam a manifestar traços da personalidade do doador. Segundo Pearsall, "o fato de que as células têm memória é uma lei básica da natureza. Mesmo os mais simples organismos unicelulares lembram como se movimentar, encontrar alimento, fazer sexo e evitar os predadores. Os cientistas chamam isso de memória da função, mas, se uma célula pode lembrar, é bem provável que muitas células juntas poderiam ter memórias mais complexas e elaboradas. As células do coração são as únicas células rítmicas. Elas pulsam mesmo quando estão fora do corpo, e quando colocadas próximas a outras células do coração, se comunicam entre si e entram juntas numa batida rítmica. As células do coração retiradas por biópsia de um paciente e colocadas num prato de laboratório vibraram mais rápido quando seu doador estava sendo testado numa esteira ergométrica, num aposento no fim do corredor, bem distante do lugar onde suas células estavam sendo observadas. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, transferiram as memórias de vermes. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia mostraram que um único elétron podia alterar as memórias de nossos genes. Existem dezenas de fascinantes descobertas em pesquisas que indicam o princípio de que estamos ligados de uma maneira que ainda não entendemos."

O coração é muito mais do que um mecanismo bombeador. Ele não está a serviço do cérebro, mas é um parceiro para formar com ele nossa organização interna de manutenção da saúde(Paul Pearsall)

A medicina chinesa já sabia disso há alguns milhares de anos. Segundo eles, o coração é responsável por controlar o sangue, os vasos sanguíneos e a mente. Isso mesmo. Não só a atividade mental, como a consciência, ou, como eles chamam, "dotar a mente de tesouro". Quando há Ki/Qui (energia vital) em abundância no coração, isso se reflete no rosto, que possui muitos vasos sanguíneos. Um rosto brilhante e rosado revela uma pessoa sã, enquanto um rosto obscuro ou azul-purpúreo indica deficiência de Ki ou estagnação do sangue no coração.

Mas poderia um distúrbio mental afetar de forma irreversível a memória celular do coração? Vejamos o que diz o espiritismo, no capítulo 18 do livro de André Luiz (Psicografado por Chico Xavier)
Missionários da Luz, que trata de obsessão e seus efeitos no organismo:

A jovem que reagia contra o assédio das sombras demonstrava normalidade física razoável. Parecia alguém que fazia todos os esforços para defender o equilíbrio da própria casa. No entanto, os outros apresentavam lamentáveis condições orgânicas. A mulher possuída tinha sérias perturbações, desde o cérebro até os nervos lombares e sacros, apresentando completo desequilíbrio da sensibilidade, além de grave descontrole das fibras motoras. Esses desequilíbrios não se limitavam apenas ao sistema nervoso, mas atingiam também as glândulas e demais órgãos em geral.(...)Percebendo que Alexandre estava mais disponível, comentei o que havia observado, perguntando, em seguida:- Tendo em vista os desequilíbrios físicos que pude verificar nos assistidos, podemos considerá-los como doentes do corpo também?- Com certeza – afirmou Alexandre -, o desequilíbrio da mente pode causar perturbação geral do corpo físico. É por isso que as obsessões, quase sempre, vêm acompanhadas de aspectos muito complicados. As perturbações da alma levam às doenças do corpo.

- Mas e se conseguíssemos afastar os obsessores definitivamente? Como ex-médico encarnado, vejo que estes doentes psíquicos não têm as doenças restritas à mente. Com exceção da jovem mais forte, os outros apresentam estranhos desequilíbrios do sistema nervoso, com distúrbios no coração, fígado, rins e pulmões. Digamos que conseguíssemos fazer com que os obsessores desistissem de seu intento. Os obsidiados teriam de volta o equilíbrio físico, retomando a saúde plena?




Alexandre pensou um pouco, antes de responder, e disse:




- André, o corpo físico é como um violino que se entrega ao músico, que, nesse caso, é o espírito encarnado. É indispensável preservar o instrumento das pragas e defendê-lo de ladrões. (...) O violino simbólico de que falamos, quando entregue às forças do mal, pode ficar parcialmente destruído. E, mesmo que seja devolvido ao verdadeiro dono, pode não ter mais a qualidade que tinha antes. Um Stradivarius pode ser autêntico, mas não poderá ser ouvido com as cordas arrebentadas. Como vemos, os casos de obsessão apresentam complicações naturais e, para solucioná-los, não podemos dispensar a colaboração direta dos próprios interessados, os obsidiados.




- Entendo! Mas, suponhamos que os obsessores mudem de idéia e se afastem definitivamente do mal, depois de atacarem o corpo dos obsidiados durante longo tempo... Nesse caso, esses obsidiados não se recuperariam imediatamente? Não teriam a saúde completa novamente?




Com a paciência que lhe é peculiar, Alexandre respondeu:




- Já vi casos assim e, quando acontecem, os antigos perseguidores se transformam em amigos, ansiosos por reparar o mal praticado. Às vezes, com a ajuda dos planos superiores, conseguem a recuperação física plena daqueles que sofreram os seus ataques desumanos. No entanto, na maioria dos casos, os obsidiados não conseguem mais recuperar o equilíbrio do corpo físico.



- E vão com a saúde comprometida até a morte? – perguntei, muito impressionado.



- Sim – respondeu Alexandre, tranqüilamente.


Referência: Tratado de Medicina Chinesa (Ed. Roca);
Documentário "Transplante de Memórias", do Discovery Home and Health;
Paul Pearsall - Memória das Células (Ed. Mercuryo)

http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2008/04/memoria_celular.html
publicado por conspiratio às 19:40
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Domingo, 6 de Abril de 2008

EQM EM MG

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Experiências de quase morte (EQM)


Seriam as experiências de "quase morte" estudadas pela tanatologia, semelhantes? Tudo leva a crer que sim. Muitos dos símbolos encontrados nestes relatos evocam experiências vividas por muitos dos que morreram... e reviveram outra vez, para contarem as suas experiências, quando delas se lembram.


O senhor J. F. (já falecido definitivamente) era comerciante de grande sucesso, na cidade de Sete Lagoas - MG. Levado para o Hospital do Socór, em Belo Horizonte, devido à indicação de seu médico em vista da ameaça de um próximo e violento enfarte, foi colocado às pressas, na UTI do hospital, tão grave era o seu estado de saúde. Uma equipe médica o assistia, inclusive o diretor deste hospital, uma vez que o paciente era irmão de um médico, também presente, cirurgião e proctologista famoso, inventor de técnica cirúrgica citada em livros de medicina internacionais.
J. F. mal chegando a UTI, foi vítima de uma série de três paradas cardíacas consecutivas e "faleceu" na terceira série.



Do lado de lá


"Uma janela caiu de repente: blam... um momento de inconsciência e me vi em um local que emanava uma paz, felicidade e tranqüilidade absolutas. Como não visse ninguém, naquele belo local, pensei: Viu? Eu tinha razão de não acreditar em Deus e nem nos santos. Deus não existe!
-Deus existe! E você irá presenciar a forma pela qual Deus cria: através da natureza e da VIBRAÇÃO.



Eu estava tão extasiado de felicidade e paz que nem tive a curiosidade de olhar quem falava comigo. Mais um segundo de inconsciência e me vi num grande areal, um deserto. Um deserto coberto de espirais que me lembraram as espirais daquele inseticida -Boa Noite. Devagarzinho, todas aquelas espirais começaram a vibrar e a aumentar a sua vibração num crescendo e a zoar, até que eu não as via mais, tão velozes se tornaram. E... PRESENCIEI A CRIAÇÃO DA MATÉRIA !!!"


E a voz de J. F. tornava-se trêmula de emoção, quando descrevia esta etapa da sua experiência.Prosseguindo


"Outro momento de inconsciência e aconteceu-me um fato que não posso narrar. Não que não me permitissem narra-lo, é muito pessoal, cada um vai ter o seu próprio episódio quando chegar a hora. Observei toda a minha vida passar como se assistisse a um filme".


"Outro momento de inconsciência e me vi, já como sendo uma "energia" sem forma - mas era eu mesmo - na companhia de outras energias iguais a mim. Pairávamos nos ares. Na nossa frente corria um rio largo e na outra margem uma espécie de ilha. Nesta ilha vi uma multidão de energias como nós, os do lado de cá do rio. Soube, não sei como, de que nós, os do lado de cá, ainda poderíamos voltar à terra. Os do lado de lá do rio, já estavam definitivamente mortos! Um Ser pregava na ilha, para os que haviam morrido. Parecia-se muito com as imagens e retratos de Jesus Cristo. Jesus dizia: - "Aqui não existe o MEU, só existe o NOSSO. Aqui so existe o AMOR, a CARIDADE, o PERDÃO e a SABEDORIA."


"Neste instante, uma dor imensa percorreu o meu ser e gritei: "Deixa-me voltar, estou com as mãos vazias (e era milionário na terra!). Eu preciso fazer a minha bagagem para voltar com as minhas mãos cheias. Então, aquele Ser, Jesus, virou o rosto na minha direção e falou: "Vai, e dá testemunho de tudo o que viu e ouviu aqui. Você terá o espaço de dois anos para se realizar. Você....." blam, a janela caiu de novo e como se ela fosse um túnel, eu a atravessei. Não tenho a certeza, mas acho que vi, em cima da porta da UTI quando voltei, num relance, uma cabeça de carneiro... não sei porque"!


Do lado de cá - durante este tempo onde aconteceram estes eventos: do lado de lá. Após três paradas cardíacas, tentados todos os métodos de reanimação do paciente, em vão, os médicos deram os pêsames ao Dr. B. F. pela morte do seu irmão. Dentro de segundos, as células cerebrais de J. F. estariam mortas. Ele já estava, tecnicamente, morto.


-Que medicina é esta que não pode salvar meu irmão? Que médico sou eu, que também não conseguiu este feito? Ele já morreu, não é fato?Diante da aquiescência dos seus compungidos colegas;-Então, não vou me tornar um assassino, dêem-me estas coisas.As "coisas" era o aparelho de reanimação e B. F. deu um choque direto no coração de seu irmão, na mais alta capacidade daquele aparelho. J. F. subiu no ar com o tranco e seu irmão o agarrou para que não caísse no chão. Assim que pousou na maca, J.F. abriu os olhos e viu que o irmão chorava: -"Que é isto, mano? Homem não chora!"Virando-se para o diretor do hospital, acrescentou: -"Senta aí, doutor, o senhor irá escutar o depoimento de um homem que morreu e voltou a viver novamente"!


J. F. estava com as costelas quebradas pelo choque violento e, estranhamente, após tantos percalços, cheio de animação e de ...VIDA!Fizeram-lhe eletroencefalogramas, todos perfeitos. Depois, foi verificado que, naquela época, a nível mundial, ele e um russo haviam batido o recorde de sobrevivência sem seqüelas no lapso prolongado do tempo que durou esta experiência de quase morte.Obteve, também, alguns dons paranormais que exerceu no benefício de muitos: J.F. transformou a sua vida por completo.


J. F. morreu no prazo determinado pelo Ser?


Não, para que depois não se dissesse (os céticos de plantão), que ele faleceu em decorrência da sugestão colocada na sua mente. No início do ano fatídico, certa manhã, ao meio-dia, J.F. revolvia a terra em volta das suas roseiras, enquanto uma empregada varria o passeio do jardim. De repente, ela parou de escutar o barulho da enxada. Levantando a cabeça, viu o patrão ensimesmado, o queixo apoiado no cabo do instrumento, olhando para o nada.


-"Sêo J., o senhor está sentindo alguma coisa?"


-"Você acredita em mim? Aquele Ser que eu vi no além estava ali, com aquelas "energias" que fiquei conhecendo lá. Ele me disse que eu me preparasse, meu tempo foi abreviado. Eu vou é já!"
Era o início da semana. No final desta mesma semana, assustado e muito nervoso por conta de um pequeno acidente automobilístico acontecido com a sua esposa e com sua filha, após socorrê-las, J.F. disse à mulher: -"Vocês é quem foram as acidentadas, mas quem vai morrer sou eu!" E caiu morto por cima da sua esposa, deitada na cama, repousando. "Não deu tempo nem de eu colocar o remédio na sua língua", chorava ela.



Símbolos encontrados neste caso:


1. A espiral, um dos mais importantes dos símbolos - evolução, energia organizada;


2. Vibração e som, energizando as espirais e criando a MATÉRIA;


3. Deus cria através da NATUREZA E DA VIBRAÇÃO DE ENERGIA SONORA;


4. A figura do SER DE LUZ, neste caso, identificada como sendo Jesus. (Pode ser o Budha, Luz brilhante, etc. conforme a crença de cada um... ou descrença);


5. O RIO que separa a vida terrena da vida no "au dela". Na Grécia, chamava-se: Rio Letes, o rio do esquecimento...


6. Somos feitos de "energia organizada". Não morremos.


7. Continuamos vivendo "lá", cônscios do nosso EU e com todas as nossas faculdades vivas e conscientes;


8. A SABEDORIA, não com o sentido de ERUDIÇÃO e sim no sentido que os gnósticos davam à SOPHIA;


9. A aquisição de dons paranormais (no caso: de cura);


10. O desapego aos bens materiais e o afã em conseguir uma bagagem de riquezas espirituais.



J.F. levou uma vida de total desapego e de total desinteresse em servir os outros. Os céticos de plantão o apelidaram de Jesus Cristo. Mas ele não se ofendia e dizia: -"Eles bebem "pinga" de qualidade inferior, eu provei do uísque escocês da melhor qualidade e eles querem que eu volte para a pinga!"Este era seu jeito de falar...


Este fato impressionou muito, na época, o Dr. Pierre Weil, psicólogo transpessoal francês, radicado no Brasil, escritor lido em vários idiomas e figura ímpar da psicologia mundial. Fundador e Reitor da UNIPAZ - Universidade Internacional da Paz - Brasília - D.F. - Brasil.


http://www.jornalinfinito.com.br/

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publicado por conspiratio às 17:59
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