Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

CANÇÕES DE NINAR - NEUROCIÊNCIA

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E is, para mim, um dos mistérios neurocientíficos mais belos: por que gostamos de canções de ninar? Meu pai me ninava, segurando as mãos das duas filhas, uma de cada lado, com uma canção que hoje me faz chorar só de lembrar da única frase que me restou na memória. Minha mãe me ninava cantando sobre uma cama na varanda, com flores da roseira sopradas pelo vento fazendo as vezes do cobertor esquecido. É claro que ser ninado nos dá, justo quando ficamos mais vulneráveis, adormecidos, a segurança, o conforto e a tranqüilidade de termos bem perto alguém que amamos -e o cérebro dá grande valor a isso, com um sistema especializado em detectar carinhos. Quem foi ninado sabe que foi uma criança amada.
Mas não é só isso. Canções de ninar, pouco importa o tema, têm algo em comum: o ritmo, que conduz melodias simples a uma taxa de cerca de sete batidas a cada dez segundos. Para não me fiar apenas em minhas próprias canções de ninar, fui conferir as 22 canções de ninar do disco do Palavra Cantada, e lá estava o número: a maioria tinha de seis a oito marcações a cada dez segundos, e nenhuma passava de nove por segundo.
Por que o número é importante? Mircea Steriade, falecido neurocientista romeno que tinha o olhar cândido e a testa larga do meu avô cearense, explica. Especialista nos ritmos elétricos produzidos pelo cérebro nos vários estados de sono e vigília, Steriade descobriu que, quando adormecemos, o córtex produz ondas de aumento e então redução de sua atividade elétrica a um ritmo de cerca de sete ondas a cada dez segundos. Esse ritmo, sempre abaixo de uma onda por segundo, "recruta" o tálamo, que começa a produzir em sincronia com ele as ondas delta do sono profundo, que, por sua vez, invadem o restante do cérebro e nos tiram da vigília.
Canções de ninar, portanto, talvez sejam a maneira que temos para, com nossa voz e palmadinhas em uma cadência de 0,7 batida por segundo, induzirmos o córtex de nossos filhos a produzir, em resposta, as 0,7 ondas elétricas por segundo que convidam o resto de seu cérebro ao sono.
Meu filho de quatro anos me pede para ficar um pouco em sua cama, então deito e canto "Sereno" e "Fui no Itoro-ró" enquanto dou umas 0,7 palmadinhas por segundo em seu traseirinho sem fraldas. Logo depois, é minha vez de ser ninada por meu marido, com sua fala lenta e carinhos no meu cabelo: é a canção de ninar de gente grande. Nunca medi a freqüência da sua fala -mas sei que meu córtex gosta, porque adormece logo...



SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Fique de bem com o seu cérebro" (Editora Sextante) e do site O Cérebro Nosso de Cada Dia

http://www.cerebronosso.bio.br/

suzanahh@folhasp.com.br

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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

A MORTE NÃO EXISTE: EQM DE GEORGE RODONAIA

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A Morte Não Existe (EQM) Dr. George Rodonaia (Phd)


Intróito: No vídeo “Vida Após a Morte (Life After Life), produzido pelo médico Dr. Raymond Moody Jr. (autor do livro ”Vida Depois da Vida”), ele entrevista ao vivo pessoas que vivenciaram a EQM (Experiência de Quase Morte).

Trata-se de homens e mulheres que conheceram o “outro lado”, a dimensão do espírito, voltando para dar-nos o vivo testemunho de que não existe morte. E um deles afirma: “Não podemos morrer, porque já fomos criados para viver sempre”.

Entre os mais impressionantes relatos, destacamos o depoimento do psicólogo russo Dr. George Rodonaia (PHD), um cientista estudioso de física e química, anatomia e outras fisiologias. Sua narrativa pode trazer conforto espiritual aos que temem voltar a essa outra dimensão da vida e consciência. – Confira a seguir.

“A Morte Não Existe” – [Dr. George Rodonaia, PHD em Psicologia]
“Eu era um dissidente da União Soviética… e havia sido convidado pelos EUA em 1975… em 1975 foi quando recebi este convite. Em 1976, recebi o visto de exílio, e estava partindo para Nova York nesse dia.
Estava indo pegar meu passaporte… e já estava pronto para viajar. Minha família já estava no aeroporto me esperando. Então, andando na calçada fui atropelado por um carro. Foi tudo simulado pela KGB. Eles queriam me matar… e não me deixar partir. Então fui levado a um hospital. Os médicos fizeram tudo que podiam para me ajudar, mas… fui considerado morto.

Era a liberdade absoluta de seu corpo e mente. Isto me surpreendeu. E era muito interessante também. Estava feliz nessa experiência, porque podia ver os pensamentos deles. Podia ver tudo que estava acontecendo. Podia sentir cheiros, podia ouvir… e podia ver os pensamentos deles. Isso foi o que mais me deixou feliz e orgulhoso. Não sei se é uma boa palavra, mas me orgulhava desse poder.

Não estava me incomodando… via o meu corpo e o odiava… eu não queria voltar para ele. Era impressionante que… eu também não deixava o corpo. Eu estava por toda parte… onde pensavam em mim.
Mas estava com meu corpo. Quer dizer que eu não estava saindo de um lugar para outro. Estava em todo lugar ao mesmo tempo. Podia estar em Nova York, podia estar em Long View, Texas. Podia estar em Moscou, podia estar em Felia, Geórgia.. em qualquer lugar. Não havia nem tempo nem distância para mim..

Podia me comunicar com as crianças; crianças muito pequenas que não falavam nem andavam… e que estavam vindo daquele lugar para onde eu estava indo. E a comunicação com elas era impressionante, uma comunicação espiritual. Não falávamos com palavras. Falávamos através de uma comunicação mental. Ela havia quebrado o quadril… e ninguém entendia por que ela chorava tão alto.

Os médicos e os pais dela estavam muito preocupados. Eu disse: “Não chore. Ninguém vai mesmo entender o porquê. E ela parou de chorar e sorriu. Foi uma experiência incrível, pois as pessoas olhavam e diziam: “Por que não está chorando mais?” Eu queria contar-lhes… sabe? “Ela tem isso… aconteceu isso com ela”. Mas, não conseguia comunicar-me com eles.

Depois do terceiro dia, quando eu estava de novo em meu corpo, e depois de três dias quando já podia falar, disse a eles: “sua filha está chorando porque quebrou a bacia. Este é o diagnóstico que estão procurando.” Descobriram que era verdade. Ficaram chocados e surpresos”.

“Sentia aquela dor… e estava escuro. Não enxergava nada. Não conseguia mexer as mãos, não conseguia mexer o corpo… Compreendi que não tinha nada, mas eu existia. Isso me assustou. O medo… o desconhecido. Por que todos têm medo da escuridão? Porque não sabem o que há na escuridão. O medo da escuridão se deve ao desconhecido. O não-compreensível é o que faz você Ter medo. Eu tinha medo da escuridão, tinha medo de estar lá. Mas o que causava mais medo… era estar em algum lugar sem meu corpo.

Mas eu existia. Eu era um cientista, trabalhava com psicologia e línguas. Aprendi física, aprendi química, e muitas outras fisiologia… anatomia… e tudo se baseava no materialismo dialético. Materialismo histórico. E na minha cabeça, era impossível estar em um lugar sem o corpo. Onde está meu componente principal, minha vida, meu corpo? Estava morrendo de medo. Mas eu já estava morto. Essa era a sensação difícil de compreender… que você existe… mas você não existe. Se você pensa… você existe. “Se penso” pensei, “existo”. “Mas se existo e penso… por que não posso pensar positivamente sobre o que acontece à minha volta?”

E comecei a pensar sobre… a luz. Vi lua fora da escuridão. E isso me chocou. Mas o primeiro sentimento foi o de ir até essa luz… o primeiro pensamento que me veio foi… ir para essa luz. E fui em sua direção.
Uma coisa muito maravilhosa que aconteceu comigo… foi que vi meus pais, meus pais verdadeiros… e vi que foram assassinados. Foram assassinados pela KGB em Moscou… e isso me deixou feliz. Parece ridículo, mas fiquei feliz, porque sempre pensara que tinha sido abandonado por eles.

Estamos vivos devido ao amor. Foi isso o que me trouxe de volta. Francamente, eu não queria voltar. Mas, o amor me trouxe de volta, o amor dos que me queriam. A escuridão, onde estava antes… (esse é o inferno total). É o mesmo que disseram a você… separar-se da luz… do amor… de Deus… do infinito. Claro que isso é o inferno. É por isso que o suicídio foi condenado por todas as religiões. Dizem: “Você vai para o inferno”. Significa “para lugar nenhum”. “Lugar nenhum”, não existe. Significa ir para algum lugar que é o oposto da bondade.

Eu estava no necrotério no fim de semana, e na 2a. feira me tiraram do necrotério e me lavaram. E começaram a autópsia. Eram 11.00 horas da manhã quando abriram meu abdome. Tiraram um hematoma… hematoma. Começaram a autópsia tipo “T”… e uma imensa força me pegou… acho que pelo pescoço… não sei explicar o que era… e empurrou-me para baixo. E eu vi esse movimento para baixo… e então senti minha cabeça doer, e abri os olhos! Foi assim que voltei ao meu corpo.

Esse á a principal mensagem que eu trouxe: que o amor não pode ser mudado, isto é, ele é eterno. E o amor está sempre unido à vida. O amor é o que mantém vivo este mundo. O amor… a eternidade. O amor é a base da espécie humana. Estamos vivos devido ao amor. Vi a vida como infinita luz… infinita luz. Como… o ser eterno. Não podemos morrer porque já fomos criados para viver sempre… A dimensão do espírito é… vida eterna. A morte não existe. Não tenha medo. A morte é como uma ponte, uma estação… estação de trem, aonde se chega para passar a uma outra vida”.[.]


[Cf. “Life After Life” (“Vida Após a Morte” em português) 1992, Videolar]

http://www.magisterlux.com/site/?p=38


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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

OS SONHOS E O BUDISMO TIBETANO: YOGA DO SONHO

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O estado de existência que nos encontramos durante a meditação ou os sonhos é compreendido segundo o budismo tibetano como sendo um Bardo (sânscrito: Antarabava). De acordo com esta tradição, também existem outros Bardos que serão os nossos estados de existência que se darão no período compreendido entre a nossa morte e nosso posterior renascimento.


Ainda segundo esta tradição, a meditação e os sonhos, ambos podem ser utilizados para fim de nos preparar para a morte, para esses nossos futuros estados de existência. Nos preparar porquê? Segundo esta tradição a morte é um processo natural, no entanto, ainda assim, para muitos indivíduos, esta transição de estado é uma situação extremamente amedrontadora e que causa grande sofrimento. Isso porque, tudo aquilo que acumulamos nesta vida, tudo aquilo que até então era importante para nós - nossos familiares, amigos, posses, e especialmente nosso corpo - será perdido com a morte. O Bardo da meditação e o Bardo dos sonhos são oportunidades que temos para melhor compreendermos a realidade em que estamos, e também, as transições entre estes estados de realidade.



Nesse sentido, alguns conceitos tais como o da ilusão sansárica, em que a vida aqui nada mais é do que uma espécie de sonho; ou então, o conceito da impermanência das coisas, de que nada dura muito, que tudo é impermanente, de que os seres através da história, não importando o quão grandes, ricos ou poderosos, sempre se depararam com estas mudanças de estado: nascimento, doença, velhice e morte; etc. são exemplos de conceitos fundamentais para fim de nos encontrarmos mais equilibrados e menos aptos a sermos dominados pelas emoções e pelo sofrimento desta mudança inevitável.


No budismo tibetano uma prática relacionada com os sonhos é mundialmente conhecida como Dream Yoga (yoga dos sonhos). Nesta prática busca-se a lucidez no sonho (a consciência de que o sonho é apenas um sonho). Neste estado, assim como num estado de meditação profunda, os níveis de nossas ondas cerebrais encontram-se em um nível muito baixo, o que nos permite o isolamento do mundo externo, e também de nossas sensações corporais, e um maior contato com as raízes inconscientes de nossas estruturas mentais, muitas das quais geram as conseqüências negativas que vivenciamos no mundo cotidiano. Nesse sentido o yoga dos sonhos é uma técnica de auto-conhecimento, controle, purificação e desenvolvimento mental, e, como falado inicialmente, também uma forma de nos preparamos para as transições de estados existenciais.





Referências:

Rinpoche, Chagdud Tulku. Vida, Morte, Sonhos e Meditação: os Seis Bardos.


Disponível em: http://www.dharmanet.com.br/vajrayana/vida.htm

Fonte: http://yogadossonhos.blogspot.com/

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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

NADA É MECÂNICO, TUDO O QUE EXISTE É ESPIRITUAL

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Recebi meu emblema de aviador naval em 1956 e fui designado para servir numa esquadrilha de caça a jato, na costa ocidental dos Estados Unidos. Os atuais aviões a jato são máquinas muito complexas. Por isso, cada dia eu fazia trabalho mental de oração para os meus vôos. Eu realmente procurava compenetrar-me de que a Mente divina, Deus, está sempre presente para suprir-nos da inteligência de que necessitamos para enfrentar qualquer emergência.

Tive diversas oportunidades de comprovar essa compreensão acerca de Deus, quando eu era piloto. Por exemplo: houve um dia em que estava sobrevoando o Estado de Nevada, em exercício de tiro. Estava pilotando um avião monomotor de um só assento, quando o motor parou. Cessou o jato, e o aparelho perdeu toda a força, e a velocidade começou a diminuir rapidamente. Devo confessar que meu primeiro pensamento foi: «Agora aconteceu para mim. »

Chamei pelo rádio o comandante da esquadrilha e disse-lhe qual era o problema. De imediato os outros aviões interromperam o exercício que estávamos realizando. E um deles começou a voar ao lado do meu avião para dar a localização, se eu viesse a cair.

Eu estava a uns cento e sessenta quilômetros do campo de aterrissa­gem mais próximo. O terreno abaixo era montanhoso, muito acidentado, e uma aterrissagem de emergência estava fora de cogitação. Creio que a princípio fiquei muito assustado. Mas comecei a dizer, em voz alta: «Deus é a minha Vida. Não posso ter medo, porque sei que a Vida in­finita não pode ser destruída. » Lembrei-me também de parte de um versículo do livro de Isaías: «Na tranqüilidade e na confiança [está] a vossa força.» E poucos segundos depois eu já estava calmo.

Achava-me a cerca de 8,400 metros de altura, e por isso resolvi tentar fazer o motor pegar de novo, ao invés de lançar-me de pára-quedas imediatamente. Informei ao comandante da esquadrilha o que plane­java fazer e comecei a preparar o motor para o processo de reacendi­mento. Nesse ponto eu já estava bastante calmo para lembrar-me de todas as fases do processo, que era um tanto complicado. Pus todas as chaves nas posições em que deviam ficar e tentei dar o arranque, mas o motor não pegou. Enquanto isso, o avião desceu cerca de 1.800 me­tros. Mas ainda me achava em altitude suficiente para que o tentasse novamente. Foram necessários ainda uns dois minutos para o motor desafogar-se, antes que eu pudesse fazer outra tentativa de arranque em vôo.

Todo esse tempo eu estava ouvindo pelo rádio a conversa agitada ­os chamados de emergência que se faziam, e os avisos para uma base aérea próxima a que se pusesse de prontidão com equipamento de so­corro. Bem, como isso em nada ajudasse meu pensamento, desliguei o rádio, forcei-me a ficar reclinado no assento a orar fervorosamente. Tomei consciência da grande verdade de que Deus está sempre perto do homem, devido ao parentesco espiritual do homem com Deus. Em outras palavras, compenetrei-me de que o verdadeiro homem é a ex­pressão do Espírito infinito, e que, portanto é espiritual e jamais pode estar isolado da terna proteção de Deus.

Com esses pensamentos em mente, tentei novamente reacender o motor, mas ainda desta vez nada consegui. Perdi mais altitude, che­gando a uns 4500 metros. Ainda havia tempo para mais uma tenta­tiva, antes de abandonar o avião.

Novamente tive de esperar que o motor se desafogasse, e continuei a orar. Quando iniciei os vôos de treinamento minha mãe me havia indi­cado uma passagem adequada do livro Ciência e Saúde (p. 399), onde Mary Baker Eddy escreve: «Se é só a Mente que age, como pode o mecanismo ser automático?» Tornou-se-me óbvio que Deus, a Mente divina, está sempre presente, é suprema, onipotente.
Pela terceira vez tentei dar partida ao motor, e desta vez ele pegou. Consegui que funcionasse a quase toda a sua força e subi a 10.000 metros de altura. Voltei para minha base e fiz uma aterrissagem perfeita.

O pessoal de manutenção descobriu que devido a um descuido, uma das duas bombas propulsoras de combustível não tinha sido ligada e que a outra se consumira durante o vôo. Disseram que nessas condições seria possível reacender o motor, mas que parecia pouco provável que eu pudesse conseguir recuperar 95 % da força do motor e que pudesse subir a uma altura de 10.000 metros. Havia na esquadrilha a impressão geral de que algo extraordinário acontecera.

Mais tarde, meu comandante me disse que jamais tinha ouvido, numa emergência como aquela, alguém falar tão calmamente. Isso fez com que eu ficasse muito grato pela compreensão espiritual acerca de Deus, a qual me permitira superar o pânico momentâneo e refletir calmamente tanto em sentido espiritual quanto em sentido prático.

Ralph Burr, Wilmette, Illinois

Série de Programas de Rádio/TV, «Como a Ciência Cristã Cura» 1960

Do livro:
UM SÉCULO DE CURAS PELA CIÊNCIA CRISTÃ

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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

XAMANISMO E TEORIA QUÂNTICA

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por Martha Follain.

Colonizada pelos russos no século XVI, a Sibéria é o berço do xamanismo clássico. Mais de 50 tribos , divididas em 3 etnias principais, praticavam os rituais como religião. Em 1672, o padre Avvakum Petrovitch , da Igreja Ortodoxa Russa, publicou seu livro de memórias "Vida", um importante marco da literatura de seu país. Um dos trechos mais impactantes da obra é a descrição de seu encontro, durante um período de exílio na Sibéria, com uma figura completamente exótica aos olhos de um russo civilizado: um xamã .


Mircea Eliade, romeno, historiador das religiões e considerado o maior estudioso do xamanismo, em seu livro "Xamanismo e as Técnicas Arcaicas de Êxtase", na década de 50 (1950), explica que a palavra "xamã" vem do dialeto "tungus" , da palavra "saman" , aparentada com o termo sânscrito "sramana" , que significa "homem inspirado pelos espíritos ." O relato do padre Avvakum fez tanto sucesso entre os russos que, a partir da publicação de seu livro, descrever rituais xamânicos tornou-se comum entre os que viajavam pela Sibéria.


E, o que é xamanismo ? O xamanismo, provavelmente, é a mais antiga prática espiritual, médica e filosófica da humanidade , nascido nas tribos da Sibéria – povos "tungus" – espalhando-se pelo mundo: Patagônia, China, Escandinávia, Austrália e África. Muitos autores reconhecem no xamanismo, a raiz pré-histórica de todas as religiões – é o que afirma o antropólogo americano Weston La Barre. E, o que não se pode refutar é que, em toda parte do Planeta são observados rituais e crenças idênticas ou semelhantes às dos xamãs siberianos. Eles tratavam os doentes (sua principal função), previam o futuro, negociavam com a própria Natureza condições melhores de clima, caça e fertilidade. Já no início da humanidade, os hominídeos , ao observarem os ciclos da Natureza e suas manifestações, muito provavelmente, sem o saber, estabeleceram uma ponte com o macrocosmo, com o Universo.


O xamanismo é um conjunto de crenças ancestrais que, resgata a relação sagrada do homem com o Planeta. O antropólogo americano Michael Harner (que em 1960 foi iniciado como xamã nos Andes equatorianos), define-o como "uma grande aventura mental e emocional." O xamã estabelece contato com outros planos de consciência, a fim de obter conhecimento, equilíbrio, saúde, paz e tranqüilidade. Segundo a visão antropológica, xamã é o curador, o sacerdote da tribo que "viaja" por diversos mundos para obter informações para poder ajudar as pessoas.


Talvez, a melhor definição de xamã seja a de Mircea Eliade : "xamã é alguém capaz de abandonar seu corpo e viajar entre os mundos." A principal característica xamânica, segundo ele, é o estado de transe – com detalhes que o distinguem de outros arrebatamentos místicos. Trata-se de um estado alterado de consciência controlado , no qual o xamã entra e sai à vontade e, mesmo em transe, se mantém no controle, não sendo possuído pelos espíritos com os quais se relaciona. Porém, há uma curiosidade, envolvendo o estado de êxtase dos xamãs: experiências realizadas no laboratório do Monroe Institut, nos Estados Unidos, demonstraram que, o estado alterado de consciência dos xamãs, foge dos padrões até aqui conhecidos, em relação à freqüência das ondas cerebrais para estados meditativos: ondas alfa e ondas teta:


Alfa - Entre 7 e 14 ciclos por segundo está a faixa alfa de atividade cerebral. É nesta faixa que ocorrem os sonhos e as fantasias. A hipnose também acontece aqui.


Teta - Entre 4 e 7 ciclos por segundo está a faixa teta. Todas as experiências emocionais são registradas aqui. Essa também é a faixa em que acontece a regressão de memória.


Os xamãs não operam nem em alfa nem em teta mas sim, num estado de hiperconsciência, onde se manifestam ondas gama, de amplitude e freqüencia elevadas : em torno de 60 ciclos por segundo.


Neuropsiquiatras veriam aí, tendências psicóticas, já que, o que se sabe é que ondas que excedam 22 ciclos por segundo (ondas beta – de 14 a 22 ciclos por segundo) são consideradas uma anomalia, levando a pessoa a entrar num estado de histeria aguda. Quando estamos em estado de vigília e realizando as tarefas cotidianas, o cérebro opera nessa faixa: de 14 a 22 ciclos por segundo, na faixa de freqüencia Beta – que é a da mente consciente. (As freqüências inferiores a 4 ciclos por segundo levam a pessoa à total inconsciência, que é o estado de sono profundo).


O xamã é definido como "aquele que voa", e o xamanismo é a prática do êxtase. Para chegar a esse estado, o xamã utiliza "técnicas arcaicas de êxtase" – a mais conhecida delas é a música (sessões de canto e dança ao som repetitivo do tambor ou chocalho); outros métodos incluem combinações de jejum, isolamento, privação sensorial (como a reclusão em uma caverna escura) e o mais polêmico deles – o uso de plantas e fungos psicoativos.


Pode-se apontar no xamanismo, o crucial papel dos animais: no plano inicial, animais e seres humanos não se diferenciavam, eram como uma única entidade. Os xamãs acreditam que os animais são nossas entidades- guias , parceiros da Criação. Estão sempre no interior de cada ser humano , agindo sem que este o perceba .


Mas, seja qual for o método que o xamã pratique, usando psicoativos ou não, o que surpreende a comunidade científica é que os rituais promovem curas. A resposta de que seria por sugestão, não satisfaz mais os pesquisadores. A teoria quântica e seus paradigmas, que eliminaram as fronteiras entre matéria e energia, espaço e tempo, corpo e mente, é apontada por muitos físicos como uma explicação das curas xamânicas: segundo a teoria quântica o mundo funciona como um holograma (imagem tridimensional onde cada célula contém as informações do conjunto completo). Da mesma forma, cada partícula de matéria traz dentro de si todo o Universo. E, a mente humana tem a capacidade de interferir nessa partícula ínfima, quando liberta-se de seu limite racional-analítico, como ocorre nos estados de transe. Michael Talbot, físico, autor de "O Universo Holográfico" afirma: "A idéia do corpo físico como apenas um nível a mais no campo energético humano, semelhante a um holograma formado pela aura, pode explicar os poderes curativos da mente e o controle que ela exerce sobre o corpo em geral."


O modelo holográfico de David Bohm (físico inglês), sugere que todos os elementos estão intimamente ligados no Universo. " Por tudo o que sabemos hoje, não é mais possível tentar conhecer a realidade a partir de apenas um modelo. Devemos reconhecer que existem muitos modelos de realidade a serem compreendidos." E, isso implica uma pluridimensionalidade – e o xamanismo sempre trabalhou com a inclusão de outras dimensões, além das 3 conhecidas. Bohm, dizia nos últimos anos de sua vida que o holomovimento representa uma nova ordem que começa não nos campos de energia ou nas partículas elementares mas, antes numa totalidade indivisa da realidade. E, assim sendo, a maneira de perceber o Universos dos xamãs, encontra ecos na física quântica. Existe uma correlação fundamental, religando tudo que há. Os xamãs percebem o Universo de uma maneira bem mais ampla que aquelas propostas pelos modelos mecânicos do paradigma newtoniano-cartesiano. Eles não apreendem a realidade numa relação de causa e efeito: a realidade é para eles, como uma teia de aranha, uma rede próxima das interconexões observadas nos modelos da física quântica.
A física quântica, na realidade, redescobre conceitos muito antigos. Alguns físicos quânticos chegam a concluir que a matéria não poderia existir sem uma consciência para percebê-la. E, não é à toa que, rituais xamânicos estão acontecendo em alguns hospitais norte-americanos, promovendo curas e a perplexidade da comunidade médica: Centro Médico Fitzsimmons em Denver, no Colorado; Arctic Medical Research (relatórios de Young Ingram e Schwatz); etc.


Com certeza, existem outras hipóteses para explicar como funciona o transe curativo. Mas o fato é que, ainda conhecemos muito pouco sobre o cérebro humano (como atestam a neurologia, as neurociências, etc..) e que, talvez, só mais adiante, no futuro , será possível encontrar explicações – o mistério das curas xamânicas ainda está longe de ser decifrado.


Mas, no mundo inteiro, um número cada vez maior de pessoas e de povos despertam para a memória coletiva de suas culturas e para a tradição xamânica. Hoje, com as ameaças de guerras biológicas, crimes ecológicos, crueldade contra os animais, extinção de várias espécies de animais e de plantas, violência, doenças, destruição das águas, aquecimento global, fome, derretimento das calotas polares, etc., surge do inconsciente coletivo a força do arquétipo do xamã curador. O caos atual ativa o arquétipo do xamã primordial, que retorna para "acordar" a humanidade e curar a Mãe Terra. A existência e a natureza da sabedoria em vigor há milênios, num tempo em que nossos ancentrais viviam em comunidades tribais, tem hoje inspirado e despertado indivíduos, herdeiros espirituais dessa tradição. Despertam em várias partes do mundo, "novos xamãs" – surgem como os novos conscientizadores, curadores, terapeutas , professores e criadores, buscando soluções, propondo o desenvolvimento do lado direito do cérebro, conectado com o inconsciente. Xamãs urbanos distribuem-se pelo mundo todo, promovendo o harmonioso funcionamento do psiquismo (ecologia interna), assim como sugerindo atitudes mais harmônicas para a preservação do que ainda resta do Planeta.


As batalhas estão em curso, novas perspectivas sendo exploradas, inusitadas direções propostas. Com o maior grau de abertura de consciência, maior a capacidade de decidir nossos destinos e os do Planeta. Cada ser humano, individualmente, pode alcançar o conhecimento xamânico interior, que é nossa herança comum. O caminho xamânico proporciona uma experiência direta, única, peculiar e pessoal, sem a intermediação de estruturas impostas por uma religião, seita ou doutrina. Depende de cada um resgatar e utilizar a sabedoria atávica e sagrada dentro de si – cada ser humano acordar e voltar a tornar-se vivo e eterno, em comunhão com a Mãe Natureza.


Martha Follain


www.floraisecia.com.br
www.santaignorancia.rg.com.br
Grupo de Defesa Animal:
http://br.groups.yahoo.com/group/santapaciencia

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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

UMA SOCIEDADE EM COMUNHÃO: O POVO SONHO

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A SOCIEDADE EM COMUNHÃO: O POVO SONHO


Reedição de "Maggie's Farm", Alternative Network Magazine Edição n2 36, 1987

No meio da névoa encoberta das montanhas da Malásia Central, vive o extraordinário senoi - o Povo Sonho.
A tribo senoi é uma cultura única e admirável que tem sido um quebra-cabeça para os antropólogos desde os anos 30. É um povo completamente pacífico. Eles não têm sistema nu­mérico, linguagem escrita nem nenhuma tecnologia. Ainda as­sim, entre eles há cientistas surpreendentes com alto nível de sofisticação mental, social e bem-estar emocional.

Esse povo admirável é mestre no que nós, no Ocidente, chamamos de "resolução de conflitos". O segredo deles está ligado, de algum modo, ao fato de que a vida diária senoi ba­seia-se inteiramente em seus sonhos. Apartir do momento em que uma criança senoi pode falar, aprende a sonhar e a proje­tar a vida nos sonhos para dominar as forças que eles revelam.

Os sonhos são a verdadeira inspiração e fé dos senoi, pois eles acreditam que os sonhos revelam a mais profunda realida­de, a "palavra do espírito", da qual os eventos que experimen­tamos se originam. Os pais senoi encorajam seus filhos a viajar por localidades específicas em seus sonhos - como as florestas que existem na região - para ver se a pesca ou a caça serão boas no dia seguinte.

Espera-se que as crianças projetem suas almas além das fronteiras normais, pois eles acreditam que isso as torna carismáticas e fortes. Por outro lado, o medo conduz a alma de uma pessoa para o seu corpo o mais profundamente possível, o que, para os senoi, é uma condição desfavorável, que conduz à doença. Os senoi ensinam suas crianças a soltar os medos re­primidos através dos sonhos, que funcionam como uma "válvu­la emocional segura". Eles acreditam que qualquer coisa expe­rimentada num sonho pode ser usada com vantagem ou desvantagem, desde que o sonhador seja sábio o suficiente para saber usá-Ia.

A educação extensiva do sonho que as crianças senoi re­cebem em seus primeiros anos de vida tem produzido uma so­ciedade na qual os sonhos desempenham uma posição central na interação com os adultos. Eles são seriamente discutidos nos conselhos dos vilarejos, e decisões sobre onde e quando a terra deve ser semeada não são tomadas até que seja permitido sonhar com isso.

Quase toda a arte senoi, incluindo música, dança e deco­ração, é inspirada pelos sonhos, assim como a religião senoi. As crianças são planejadas e têm seu nome escolhido através dos sonhos, que desempenham também um papel importante no diagnóstico e tratamento das doenças. Os jovens encontram suas esposas primeiro em sonhos, e assim que ficam sabendo quem é ela e onde está viajam para encontrar a garota de seus sonhos!

Os senoi são "animistas" que acreditam que tudo na sel­va abundante a seu redor tem uma essência espiritual viva. Eles não vêem a si próprios como geradores de consciência, como nós, no Ocidente, mas sim como "canais" da essência vital, que é muito maior que qualquer indivíduo. A consciência é consi­derada mais importante que tempo, espaço ou matéria. E a base dessa crença é a evidência real dos sonhos, pois eles po­dem, muitas vezes, revelar uma visão do futuro ou um evento muito distante para ser conhecido por meios normais.

Talvez a característica mais impressionante dos senoi seja a timidez. Senoi simplesmente significa "gente", e os antro­pólogos acreditam que eles sejam os últimos remanescentes de uma cultura antiga de uma sociedade sofisticada que se esten­deu por todo o Sudoeste da Ásia, mas foi pressionada para o interior das montanhas devido a invasões de povos agressivos e mais avançados tecnologicamente.
Os senoi são pessoas extremamente gentis que abomi­nam a violência e têm um grande orgulho ao dizer: "Nunca sentimos raiva, somente os estrangeiros sentem raiva". Eles evi­tam os estrangeiros e a confrontação, retirando-se para o inte­rior da mata para sonhar.

Como quase nenhuma violência ou crime existe em sua cultura, os senoi nunca tiveram necessidade de criar um siste­ma de autoridade. Qualquer disputa (geralmente em relação às mulheres) é ouvida por um grupo selecionado para julgar o assunto tão rápido quanto possível. A única idéia tradicional de status é o título de "Tohat", ou curador. As crianças senoi não tomam parte em jogos competitivos, mas brigam e brincam como qualquer criança.

Pesquisadores acreditam que o equilíbrio psicológico extraordinário que caracteriza a sociedade senoi se deve ao fato de que as pessoas são criadas para apreciar a força fundamen­tal e psicológica que os sonhos revelam. A falta de conflitos na sociedade senoi é atribuída à sua técnica de dissipação de ten­são social em seus sonhos, que impede que essa tensão se ma­nifeste durante as horas em que estão acordados.

Os senoi são de uma gentileza fora do comum durante as horas em que estão acordados e acreditam que a violência nos sonhos não é ruim, pois matando as imagens que causam o terror eles destroem seu poder de ferir. Dados psicológicos de vários grupos revelam uma habilidade considerável para con­quistar "inimigos fantasmas" e encontrar "tesouros" em seus sonhos.

O adolescente senoi aprende a tocar o "poder" de seus sonhos através do desenvolvimento de relacionamentos pro­fundos, que duram a vida toda, com os "espíritos" que eles encontram em seus sonhos - os Gurag, ou ajudantes dos sonhos, que são considerados professores e dão aos senoi o dom das canções, das danças e dos poderes especiais.



A prática dos sonhos dos senoi funciona a partir do prin­cípio de que, acordados, criamos imagens de pessoas e objetos que vemos ao nosso redor. Através dessa gratidão pelo uso ati­vo do sonho, os senoi estão constantemente conscientes de que, num certo nível do nosso ser, estamos intimamente conectados com todos e com tudo o que conhecemos. Os senoi acreditam que tudo é vivo, reconhecem que o mundo, como o percebemos, está cheio do nosso próprio espírito e enten­dem que todos nós criamos o mundo que experimentamos. Através de seus sonhos, os senoi encontraram um meio de libe­rar o potencial criativo e ter acesso aos tesouros mais profun­dos da alma humana.

“COMUNHÃO INTERIOR” de Sondra Ray, Editora Gente, 1999
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publicado por conspiratio às 20:18
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SONO, MEDITAÇÃO E SONHOS

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Existe uma profunda ligação entre o sono, a meditação e os sonhos. O estudante que quiser progredir na ciência da meditação deve aprender a provocar e controlar o sono. Meditação sem sono prejudica o cérebro e não traz resultados. Quando o estudante começa a meditar de forma correta, numa primeira etapa experimenta as realidades ocultas na forma de sonhos. Vêm-lhe à mente muitas imagens confusas, enigmáticas e profundamente simbólicas. Despreparado, não consegue entender. Mas, se for persistente, começará a compreender o que eles (os símbolos) significam em sua vida interior e que papel representam.

Numa segunda etapa, o estudante deixará de sonhar. Se dará conta que está fora do corpo físico e então começará a exercer domínio sobre o processo. Quando uma pessoa se dá conta que está no mundo dos sonhos, pode conduzir a experiência. Isso representa um gigantesco passo dado rumo ao despertar da consciência. Muito mais tarde, no tempo, o estudante que persistir em sua disciplina dos sonhos e da meditação, acordará ou andará totalmente desperto nas dimensões sutis da natureza, podendo ali penetrar ou delas sair à vontade. A meditação é fundamental para o desenvolvimento dos chakras. Quanto mais se meditar, quanto mais profunda for a meditação, mais elevados serão os planos de consciência que se atingirá. Dia virá em que o estudante obterá o êxtase, o samadhi, o satori, o desprendimento total da alma ou da consciência de todas as amarras da matéria física, emocional e mental. Então, como São Tomás de Aquino, poderá dizer: "Tudo que antes havia lido, tudo que sabia através dos outros não passava de água de rosas...".



Fonte: http://yogadossonhos.blogspot.com/
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publicado por conspiratio às 16:31
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

MAGIA E SOBRENATURAL : UM ENFOQUE BUDISTA

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Magic in the Air - Ben Goossens

Perspectiva Budista sobre Magia e Sobrenatural


Os efeitos prodigiosos da magia estão à nossa volta onde quer que estejamos. Quantos tipos de poderes mágicos estão registrados nas escrituras budistas? Segundo a classificação mais comum, existem seis categorias principais. São elas a visão celestial, a audição celestial, o poder de ler a mente das outras pessoas, o poder de realizar milagres, o poder de conhecer vidas passadas e o poder de erradicar todo sofrimento.

A. A Visão Celestial

O olho humano só é capaz de enxergar coisas grandes. Para examinar as menores, precisamos de lentes de aumento ou de um microscópio. As pessoas com visão celestial conseguem ver até as coisas mais diminutas. O olho humano só pode ver os objetos que estão mais próximos; os que estão longe parecem um borrão indiscernível. Em contraposição, as pessoas com visão celestial vêem os objetos distantes tão bem quanto os que estão mais próximos. Nossa visão humana se limita aos nossos arredores. Aqueles com visão celestial, no entanto, podem vencer qualquer obstáculo vendo através de paredes e montanhas. O olho humano só pode ver onde há luz. A visão celestial funciona até mesmo na total escuridão. A visão humana está limitada a este mundo. A visão celestial abrange todos os reinos. Em resumo, ela é livre e ilimitada.

B. A Audição Celestial

A audição humana não é de longo alcance. Precisamos de amplificadores e microfones para poder ouvir os sons mais distantes. As pessoas com audição celestial são capazes de ouvir sons com nitidez, independentemente da distância. Maudgalyayana, o número um em poderes sobrenaturais entre todos os discípulos do Buda, uma vez resolveu averiguar o alcance da voz do Buda. Usando poderes mágicos, ele viajou até outro mundo de Buda, a trilhões de anos-luz de distância. Ali ele fez uso de sua audição celestial e, apesar da distância, ainda conseguiu distinguir com clareza a voz do Buda transmitindo seus ensinamentos.
Podemos saber português, mas talvez não inglês, japonês ou outras línguas. As pessoas com talento para línguas podem falar vários idiomas, mas ainda assim têm uma compreensão limitada de outros. As pessoas com audição celestial são capazes de entender todas as línguas. Além dos idiomas humanos, elas também entendem o cantar dos pássaros e o rugido dos animais.

C. Poder de Ler a Mente das Outras Pessoas

O poder de ler a mente das outras pessoas consiste na capacidade de saber com precisão o que os outros estão pensando. Vivemos reclamando, "você simplesmente não me entende...". Se já é difícil entendermos a nós mesmos, imagine entender os outros. Aquele que tem o poder de ler a mente alheia pode ver os pensamentos bons e ruins na mente das pessoas como se estivesse olhando através de uma lente transparente. Nem um único pensamento lhe passa despercebido.D.
O Poder de Realizar Milagres
As pessoas com o poder de realizar milagres podem transformar uma única entidade num número infinito delas e também fundir entidades inumeráveis numa única apenas. Para esses indivíduos, a distância não importa, pois eles podem ir tão longe quanto queiram, sem nenhuma dificuldade. Eles também podem atravessar o fogo, a água e o solo sem problemas. Podem ficar invisíveis se quiserem e depois reaparecer. O poder de realizar milagres permite que a pessoa transcenda a limitação do espaço. Permite até que ela atinja o sol e a lua e mude tudo à volta de acordo com sua vontade. Trata-se do poder mágico que livra o corpo das limitações físicas.

René Magritte


E. O Poder de Conhecer Vidas Passadas


Às vezes somos tão esquecidos que não conseguimos nos lembrar nem mesmo do que aconteceu ontem. As pessoas com excelente memória podem recordar o que aconteceu há meses ou anos atrás. Aqueles dotados do poder de conhecer vidas passadas podem se lembrar de fatos ocorridos em suas vidas passadas com tanta facilidade com que se lembram dos ocorridos no dia anterior. Além de conhecer o próprio passado, essas pessoas também conhecem o passado dos seres sencientes. Quando alguém morre, a pessoa dotada desse poder também pode predizer a retribuição futura do carma do falecido e o lugar onde ele renascerá.

F. O Poder de Erradicar Todo Sofrimento

Sofrimento é aflição. Aqueles com o poder de erradicar todo sofrimento não passarão por mais nenhuma aflição. Eles não estarão mais sujeitos aos ciclos de nascimento e morte nem terão que renascer neste mundo de ignorância. Os cinco poderes mágicos mencionados antes deste não são exclusivos dos praticantes do budismo — fantasmas, demônios, deuses e devas também podem ter poderes semelhantes, embora não tenham ainda como escapar dos ciclos de renascimento. Esses cinco poderes mágicos não são, portanto, supremos. Somente o poder supremo de erradicar todo sofrimento pode fazer com que a pessoa transcenda os ciclos de renascimento. Esse poder só está ao alcance de santos budistas, assim como o Buda e os Arhats. Esse poder está fora do alcance dos mortais ou dos espíritos não-iluminados.
Além da classificação dos seis poderes mágicos mencionados anteriormente, as escrituras também classificam os poderes mágicos de acordo com os vários modos pelos quais foram adquiridos. Em Da Sheng I Chang (Ensaios Sobre os Significados Mahayana), existem quatro tipos de poderes mágicos: os adquiridos por meio do cultivo, por meio da meditação, por meio de feitiços e encantamentos e por meio de espíritos malévolos. Segundo o Tsung Ching Lu (Registros do Espelho de Linhagem), a magia pode ser obtida usando-se um dos cinco métodos: cultivo, meditação, feitiços, carma e espíritos.
A. A Magia por Meio do Cultivo
O poder mágico supremo é adquirido por meio do cultivo do Caminho do Meio. Quando a pessoa é iluminada pela verdade do Caminho do Meio em toda a existência, ela consegue manter a mente livre do pensamento/diferenciação com respeito à miríade de objetos e acontecimentos com que se depara ao longo do dia. Essa pessoa conhece todos os fenômenos do universo, embora não tenha nenhum apego. O poder obtido por meio do cultivo faz dela um ser liberto e totalmente livre dos ciclos de renascimento.
B. A Magia por Meio da Meditação
O poder mágico pode obtido por meio de práticas de meditação. Assim como os Arhats, durante o cultivo é possível desenvolver um poder por meio dos quatro estados Dhyana e dos oito níveis de concentração mental. Isso permite que se compreendam os fenômenos físicos e se conheçam vidas passadas e futuras.
C. A Magia por Meio dos Feitiços
Feitiços e poções também podem produzir magia. Esse é o poder dos feiticeiros e dos bruxos, que podem evocar o vento e o fogo, tornar-se invisíveis ocultando-se sob a água ou sob o solo, etc. Esse tipo de poder é o que mais tende a ser usado como meio de prejudicar os outros.
D. A Magia como Resultado do Carma
Como resultado do carma, alguns seres vivos também podem ter poderes mágicos. Os fantasmas podem atravessar barreiras físicas e cruzar longas distâncias rapidamente. Os pássaros podem voar no céu e os peixes podem viver debaixo d'água. Cada ser vivo tem seu carma particular, que não é compartilhado com os outros. O resultado disso é uma combinação pitoresca de criaturas com diferentes aparências e capacidades.
E. A Magia dos Espíritos
Os espíritos e gênios podem absorver, por meio da magia, energias cósmicas do céu e da terra. Depois de um longo período de tempo, esses espíritos podem se manifestar na forma humana e pregar peças nas pessoas.
Portanto, o poder mágico ou sobrenatural pode ser obtido por meio do cultivo do Caminho do Meio, por meio da meditação e da concentração mental, com o uso de feitiços e poções, como resultado do carma, e também de outras formas. Entre os diferentes poderes mágicos, alguns são bons e outros são ruis. Eles também se dividem em vários níveis. O que todos nós devemos almejar é o poder supremo da erradicação de todo sofrimento por meio do cultivo da sabedoria.
Depois que tivermos adquirido esse poder por meio do cultivo, poderemos superar o processo de nascimento e morte sem sermos afetados pelas aflições geralmente associadas a ele. Seremos capazes de habitar na serenidade do Nirvana, sem nos apegar aos seus confortos. Ficaremos longe dos extremos e trilharemos o Caminho do Meio da Budeidade.

A Magia na Sociedade

A maioria das pessoas da nossa sociedade se sente particularmente atraída por fenômenos estranhos e fora do comum. Por outro lado, os ensinamentos profundos, formidáveis e práticos do Buda não despertam a mesma atenção. A magia tem de fato um grande poder para atrair as massas, pois satisfaz a curiosidade do povo. Que relação te, afinal, a magia com a vida das pessoas?
A Magia dá Esperança às Pessoas nos Tempos Mais Atribulados
Existe um ditado popular segundo o qual "Toda casa tem Amitabha. Toda família tem Kuan Yin (Avalokiteshvara)". O Bodhisattva Avalokiteshvara é uma figura de devoção muito conhecida pelo povo. Como o Bodhisattva Avalokiteshvara passou a fazer parte da vida de tantas pessoas? De acordo com o capítulo "O Portal Universal" do Sutra Lótus, quando os seres sencientes se deparam com dificuldades como as sete calamidades, que incluem enchentes, incêndios, violência, guerra, etc., o Bodhisattva Avalokiteshvara os protege e orienta. Esse bodhisattva às vezes até aponta para nós, por meio de um sonho, o caminho que leva à solução desses problemas aparentemente insolúveis. Esse bodhisattva tem um poder mágico ilimitado e lança mão dele para livrar os seres sencientes do sofrimento e das calamidades. O bodhisattva Avalokiteshvara passa a ser, portanto, uma chama de esperança para todos os seres que sofrem e estão em desespero.

Além do bodhisattva Avalokiteshvara, a deusa Ma Tzu também é muito respeitada. Como Taiwan é uma ilha cercada pelo mar aberto, as pessoas têm de ganhar seu sustento no mar e enfrentam todos os perigos imprevisíveis que isso significa. Conhecida por proteger as pessoas do afogamento, Ma Tzu é considerada a protetora dos marinheiros. Chi-Kung, considerado por muitos um Buda vivo, é outra figura cultuada pelo povo pelo fato de usar sua magia para resolver os problemas daqueles que sofrem. Assim, como a chuva depois de uma longa estiagem, a magia pode dar esperança àqueles que enfrentam uma situação desesperadora. As pessoas em geral ficam fascinadas com os fenômenos mágicos.

Por falar em "Buda Vivo", não faz muito tempo havia um monge budista, o Venerável Miao Shan, que o povo chamava de o "Buda Vivo da Montanha Dourada". A vida desse monge sempre fora cheia de histórias mágicas, pitorescas e incomuns. Ele e o abade do Templo da Montanha Dourada, o Venerável Tai Tzang, eram bons amigos. Houve, certa vez, uma jovem que sofria de uma doença rara e incurável e não conseguia engolir. Ela acabou se dirigindo ao Templo da Montanha Dourada para pedir ajuda. O Venerável Miao Shan, o "Buda Vivo", pediu que ela abrisse a boca, retirou dali um pouco de muco e a jovem foi milagrosamente curada.

Em outra ocasião, o Venerável Tai Tzang e o "Buda Vivo" estavam ambos na sala de banhos da comunidade. O Venerável Tai Tzang, conhecendo as numerosas histórias de cura do "Buda Vivo", implorou: ""Buda Vivo", sua compaixão, por favor, cure a doença que minha mãe tem a tanto tempo no estômago." Imediatamente o "Buda Vivo" pegou um pouco de água da banheira com as mãos em concha e disse: "Aqui está, esta é a tigela de sopa de prajna (sabedoria transcendental). Dê a sua mãe e ela ficará livre de toda doença" O Venerável Tai Tzang hesitou por alguns instantes, o que era compreensível, mas não disse nada. Apenas pensou consigo mesmo: "Isso é uma piada. Como alguém pode beber a água da banheira de uma casa de banhos comunitária?" O "Buda Vivo" então disse: "Por isso eu o aconselhei a não me procurar em caso de doença. Eu lhe prescrevi sopa de prajna e você a trata como se fosse água de banheira. O que espera que eu faça?" Por esse motivo, nem sempre ele concordava em curar as doenças das pessoas. Às vezes, quando não conseguia negar um pedido, ele empregava métodos incomuns como esse para ajudar o doente. Quando faleceu em Burma, em 1935, o Venerável Tzu Hung ajudou a providenciar seus funerais. Desde então, o "Buda Vivo" ainda é lembrado por muitas pessoas pelo seu poder de resolver os problemas das pessoas e lhes dar esperança.

Com os exemplos citados, podemos compreender que a magia não é algo que deva ser usado no dia-a-dia nem a toda hora. Contudo, seu uso ocasional serve como um tratamento de emergência, muito útil como lenitivo em momentos de sofrimento.

A Magia é Salvadora nos Períodos de Agitação Política ou Social

Há um ditado que diz: "Tempos incomuns exigem métodos incomuns". Em épocas de rebelião, de caos social ou de guerra, a pregação dos ensinamentos budistas pode não atrair a atenção necessária para amenizar a situação. Por outro lado, a magia pode ser empregada para causar um impacto instantâneo. Assim como acontece no caso de uma doença grave, o paciente precisa antes receber os primeiros-socorros para depois seguir um tratamento prolongado de reabilitação.

Durante o período da sublevação das Cinco Tribos e dos Dezesseis Estados Normandos (304-439 E.C.), os generais assassinos Shi Le e Shi Hu causaram uma rebelião homicida. Inúmeros inocentes perderam a vida. O Venerável Buddhacinga partiu da Ásia Central com a esperança de converter os generais em guerra.

"Vocês deveriam ter bom coração. Pensar no povo. Não matem pessoas inocentes", implorou o Mestre aos comandantes.

Os generais responderam ardilosamente: "Você quer que tenhamos bom coração. Queremos ver como é o seu coração".

"Tudo bem. Dêem uma boa olhada nele", replicou o Venerável Buddhacinga, tomando a espada de um soldado e cortando o próprio peito. Então, tomou o coração palpitante nas mãos e falou algo inclinando-se sobre uma bacia de água limpa. Na água, floresceu milagrosamente um lótus branco. Buddhacinga, então, estendeu calmamente o coração para os generais e disse: "Este é o meu coração, tão puro quanto esta flor de lótus branca".

Até mesmo os generais assassinos ficaram impressionados com tamanha bravura e poder e passaram a ser discípulos do mestre. Buddhacinga usou a magia para convertê-los e, assim, também salvou milhares de vidas. Durante os levantes, a magia pode ter o poder de um salvador.

Dizem es lendas que, durante a dinastia T'ang houve um mestre Ch'an, o Venerável Yin Feng, que também tinha um grande poder mágico. Certa feita, ele se deparou com uma batalha feroz entre dois exércitos e tentou estabelecer a paz por meio de paciente persuasão. Como ninguém prestava atenção aos seus conselhos, ele finalmente atirou seu cajado pelos ares e então voou até ele e dançou com o objeto na mão. Os soldados em guerra ficaram tão impressionados com a cena que esqueceram a luta. A batalha antes sangrenta foi instantaneamente interrompida pela magia do mestre Ch'an. A partir dessa ocasião as pessoas passaram a chamá-lo de Mestre do Cajado Voador.

Esse mestre Ch'an era muito bem humorado e cheio de surpresas Ch'an. Um dia em que fazia uma palestra sobre a vida e a morte, ele perguntou aos discípulos: "Vocês já viram alguém morrer enquanto está sentado meditando?"

Os discípulos responderam: Certamente que sim. Houve um mestre Ch'an que morreu enquanto meditava sentado".

"Então, vocês já ouviram falar de pessoas que morreram enquanto estavam de pé?", perguntou o mestre Ch'an.

"Já, já ouvimos. Os familiares do Venerável Fu morreram todos enquanto trabalhavam na fazenda. Muitos praticantes da Terra Pura também podem morrer como quiserem", responderam os discípulos.
O mestre Ch'an, então, perguntou: "E alguém de cabeça para baixo, já viram morrer?"

Surpresos, os discípulos responderam: "Nunca vimos nem ouvimos nada parecido".
"Ótimo. Nesse caso, eu mostrarei a vocês", disso o mestre Ch'an, que em seguida ficou de ponta-cabeça e entrou em Nirvana.
Os discípulos ficaram chocados e entristecidos. Providenciaram às pressas os funerais e se depararam com um difícil problema. Quando tentaram mover o corpo do mestre, descobriram que ele estava tão imóvel quanto um pilar de concreto. Não importava quanta força fizessem, não conseguiam erguê-lo do chão. Ninguém sabia o que fazer até a chegada da irmã do mestre, uma monja que há muito cultivava o Caminho. "Você usava magia para confundir as pessoas quando vivo", ralhou ela. "Ainda quer usar o mesmo truque para impressionar as pessoas depois da morte? Faça o favor de cair agora!"

Por mais estranho que pareça, o corpo caiu no mesmo instante. O mestre Ch'an não queria impressionar as pessoas com sua mágica. Ele só queria que elas vissem que os praticantes Ch'an podem lidar com o estado de morte com total controle e liberdade.

Os exemplos citados mostram que a magia pode ser um ótimo instrumento em tempos de agitação social. Alguns de vocês podem pensar: "Muito bem! Vou praticar com afinco e adquirir poderes sobrenaturais, também. Vou poder seqüestrar os líderes dos exércitos inimigos e todos os nossos problemas estarão resolvidos". Porém, não se trata apenas disso. Quando um líder cai, outro surge no lugar daquele, e, depois desse, outro e mais outro. A força não soluciona os problemas definitivamente.
Só a moralidade e a compaixão podem levar a uma paz duradoura.
Durante o período dos Três Reinos (222-265 E.C.), o sábio primeiro-ministro Kung Ming capturou e libertou sete vezes o rebelde Meng Huo, porque ele entendia que as pessoas só podiam ser persuadidas por meio de truques ou da força. Precisamos ter grande confiança na moralidade e na compaixão, embora os efeitos não sejam visíveis de imediato. A moralidade e a compaixão transformam maus hábitos e purificam a mente das pessoas. A magia, por mais poderosa que seja, só pode ser usada numa emergência, para proporcionar um alívio temporário. As soluções definitivas dos nossos problemas encontram-se sempre num plano normal e ordinário.

A Magia é um Expediente que se Usa na Pregação

A magia em geral é mais aceita pelas massas do que a razão. Ao longo da história, mestres budistas muito estimados pelo povo usaram a magia, em circunstâncias extraordinárias, como um método de disseminação dos ensinamentos budistas. Durante a Dinastia Han Oriental, sob o regime do Imperador Ming, o budismo foi introduzido na China. Os taoístas resistiram e desafiaram os missionários budistas para um duelo de magia aberto ao público. O Imperador facilitou e presidiu essa disputa histórica. Ele ordenou que duas grandes fileiras de mesas fossem colocadas num grande salão. As escrituras budistas e algumas relíquias do Buda foram dispostas numa das fileiras e as escrituras taoístas, na outra. Os sacerdotes taoístas chegaram orgulhosamente voando ou materializando-se. Os representantes budistas, Kashyapamatanga e Dharmaraksa, entraram no salão caminhando devagar.
A multidão estava apostando que os monges não seriam capazes de vencer os sacerdotes taoístas. Depois que ambos os lados haviam se acomodado em seus assentos, os sacerdotes taoístas iniciaram o ataque usando feitiços para reduzir a cinzas as escrituras budistas. Nada aconteceu. Em vez disso, a relíquia do Buda irradiou uma luz brilhante. Quando a luz chegou às escrituras taoístas, os livros pegaram fogo no mesmo instante e foram rapidamente destruídos. Nesse momento, Kashyapamatanga voou pelos ares e disse:

A raposa não pode se comparar ao majestoso leão;
A lamparina não pode competir com o brilho do sol e da lua;
O lago não tem a amplitude do oceano;
A colina não é tão alta e imponente quanto a montanha.
As nuvens do Darma cobrem o mundo,
Fazendo brotar e crescer sementes do bem.
A manifestação de poderes mágicos extraordinários
Não é nada mais que um meio de libertar os ignorantes.

Esses versos querem dizer que o espírito do budismo é tão digno e majestoso quanto o leão, o rei dos animais. Como pode o taoísmo, como a matreira raposa, se comparar a ele? O taoísmo é como a lamparina; sua sabedoria não se compara à do budismo, brilhante como a luz do céu e da lua. Um lago definitivamente não pode abarcar a imensidão do vasto oceano; a colina não é páreo para a grande e alta montanha; como o taoísmo pode se comparar com o reino soberbo do budismo? As nuvens auspiciosas dos ensinamentos budistas cobrem o mundo, possibilitando que aqueles com raízes de bondade germinem e cultivem as sementes bodhi, até finalmente atingir o fruto supremo da budeidade. Hoje, usei a magia como um meio de converter os seres vivos ignorantes a trilhar o caminho certo. A magia não é um fim em si mesmo."

Os sacerdotes taoístas ficaram todos petrificados ao ouvir os versos. Tentaram fugir, mas seus poderes mágicos não surtiram efeito. O Imperador Ming, impressionado com as virtudes e poderes de Kashyapamatanga e Dharmaraksa, mandou construir quatro templos na cidade e mais quatro em suas cercanias, para monjas e monges, respectivamente.

Esse foi o início, na China, dos monges e monjas do puro cultivo. Graças ao duelo de magia, o budismo finalmente plantou suas sementes na China e acabou por crescer e frutificar. Repito: embora o uso da magia não seja a solução final, ela pode, sem dúvida, ser um meio de disseminar os ensinamentos.

O Cultivo e o Uso da Magia

Visto que a magia está tão estreitamente relacionada a nós, como podemos conquistar poderes mágicos? Como devemos usar esses poderes? Devemos avaliar o verdadeiro sentido e as assombrosas aplicações da magia diretamente em nossa vida. Por exemplo, quando olhamos belas flores, um prado verdejante ou a lua no céu, nosso espírito se eleva naturalmente e se enche de alegria. Isso não é mágico? Quando queremos agradar uma pessoa, nós a elogiamos e ela fica radiante. Se dissermos as palavras erradas, no entanto, ela pode, em vez disso, brigar conosco. Essa não é a magia da linguagem? As emoções humanas, como a felicidade, a raiva, a tristeza e a alegria, não são todas mágicas?

A magia está em todo lugar à nossa volta. Temos de aprender a apreciar os encantos da magia na nossa vida diária. Quando queremos assistir a um programa de TV, apertamos o botão do controle remoto e instantaneamente a imagem aparece na tela. Essa imagem pode vir de longe, até mesmo de um outro país, numa transmissão via satélite. Essa não é uma visão celestial? Quando pegamos o telefone, podemos ouvir vozes que vêm de longe, apesar de obstáculos como as montanhas. A comunicação moderna não é um som celestial? Como os aviões, podemos voar como pássaros, alcançando qualquer destino que pretendamos. Não temos o poder milagroso de viajar para onde quisermos? Se formos observadores, descobriremos que nossa vida cotidiana é mágica. Acontece apenas que, se estivermos desatentos, a magia deixa de ser assombrosa.

René Magritte


A magia está também na natureza. Por exemplo, quando nuvens escuras encobrem o céu, a chuva cai. Às vezes, enquanto o sol ainda brilha, grandes gotas de chuva caem, mesmo assim. Não é um fenômeno mágico? Dependendo da interação de diferentes sistemas de pressão atmosférica, pode haver brisas suaves, rajadas de vento, furacões, tempestades ou neve. As estações mudam, mantendo o equilíbrio ecológico e permitindo que todos os seres vivos continuem a crescer. Todas essas mudanças na natureza podem ser vistas como magia.
Na nossa vida diária, a magia também é o acúmulo de experiências, a expressão da sabedoria humana e a utilização inteligente de recursos. As inscrições que encontramos no calendário chinês, como "início da primavera", "época de insetos", "chuvas", "equinócio de outono", "frio rigoroso", etc. descrevem períodos sazonais assim como foram identificados ao longo da experiência de incontáveis gerações e representam uma herança preciosa de nossos ancestrais. Os fazendeiros usam seus anos de experiência para prever o tempo e identificar a época adequada para plantar e colher.

Na nossa sociedade, muitos especialistas já nos advertiram sobre a explosão populacional, a poluição do meio ambiente e a crise energética, o que nos permite planejar o futuro desde já. Como é possível que todas essas pessoas vejam o futuro? A experiência nos habilita a predizer o futuro. Ela é uma magia poderosa.


Além da experiência, uma decisão tomada com sabedoria também pode ser mágica. O sábio primeiro-ministro Kung Ming conseguiu prever o futuro com precisão e sugerir estratégias incomuns que defenderam do perigo o Reinado de Shu, durante o Período dos Três Reinos. O Sr. Yang-ming Wang defendia "a visão das coisas por meio da consciência" e "o uso de ações para acompanhar o conhecimento na previsão do futuro".

A história está repleta de pessoas sábias que viram as mudanças do tempo e predisseram tendências futuras. Elas foram capazes de fazer essas predições por causa da sabedoria que tinham. Quando enfrentamos dificuldades, se analisarmos a situação, somos capazes de superá-las. Isso não é mágico? O acúmulo de conhecimento humano leva a muitos avanços científicos. Isso também é mágico. A lua é considerada romântica, misteriosa e bela, no entanto, está fora do nosso alcance. Agora, com as naves espaciais, pisamos na lua e caminhamos em sua superfície irregular. Para qualquer um que tenha vivido antes do século XX, esse ato não seria considerado magia?

Com os vários avanços tecnológicos do campo da medicina, atualmente temos muitos tratamentos que seriam pura magia aos olhos de nossos ancestrais. Se nossa pele for gravemente lesionada, podemos fazer um enxerto usando a pele de outra região do corpo. Se nossos rins ou nosso coração deixar de funcionar, podemos receber um transplante de um doador. Se não conseguimos enxergar, podemos fazer até um transplante de córneas. O sucesso dos bebês de proveta abre novos horizontes para a reprodução humana. Todos esses avanços seriam surpreendentemente mágicos para os nossos ancestrais. Inventamos o avião e técnicas para causar chuva artificial. Agora não voamos pelos ares e causamos raios e trovões? A magia não é exclusividade dos espíritos e devas.

Se usarmos nossos conhecimentos com sabedoria, também podemos realizar incontáveis milagres na nossa vida aqui na Terra.
Aprender magia não é considerado difícil no budismo. A questão mais importante é saber em que essa magia se baseia. Os poderes mágicos podem se apoiar em quatro fundamentos:


A . Compaixão

De acordo com o Shastra Mahaprajnaparamita, os Bodhisattvas renunciam aos cinco desejos e atingem diferentes estados de meditação. Com a compaixão por todos os seres, eles adquirem poderes mágicos. Realizam milagres para purificar a mente das pessoas. Por quê? Se não realizarem o extraordinário, muitas pessoas podem não ficar impressionadas nem serem salvas". Pelo amor que têm por todos os seres, mesmo quando os bodhisattvas erradicam todo sofrimento, eles não entram no Nirvana, diferentemente daqueles dos dois veículos (Sravakas e pratyekabudhas).

Os bodhisattvas fazem os grandes votos bodhi e adquirem poderes mágicos para que mais seres vivos possam ser salvos. Por que é preciso magia para emancipar as pessoas? Porque a maioria delas é ignorante, não aprecia a verdade do comum ou ordinário e só prestam atenção ao extraordinário. Os bodhisattvas têm de usar os milagres como um expediente para impressionar as pessoas. A magia é só um instrumento para os bodhisattvas. A budeidade é a verdadeira meta da prática do bodhisattva. Afinal de contas, aperfeiçoar-se sem desenvolver compaixão é seguir o caminho do mal. Conquistar poderes mágicos sem compaixão é como dar mais armas a uma criatura feroz. Os prejuízos resultantes serão ainda maiores.

Entre os exemplos de cultivo de magia sem compaixão figuram Devadatta usando magia para prejudicar o budismo e os espíritos maus usando magia para prejudicar pessoas inocentes. Portanto, antes de começar a aprender magia, a pessoa tem de observar um pré-requisito: desenvolver compaixão. Sem compaixão, ela não deve aprender magia.

B. Preceitos

Magia baseada nos preceitos puros significa que os praticantes devem seguir esses preceitos. Seguir os preceitos é um aspecto do treinamento tríplice dos budistas. O corpo e a mente têm de repousar nesses preceitos. Aceitando-os, sabemos distinguir o certo do errado, o que devemos e o que não devemos fazer. Quando temos a intenção de seguir os preceitos, vigiamos nossas atitudes com eles, não usamos a magia para prejudicar os outros e só a usamos nas ocasiões em que ela nos ajuda a realizar feitos positivos em relação à observação dos preceitos. Assim, quando aprendemos magia, temos de seguir os preceitos rigorosamente. Do contrário, o resultado é o poder destrutivo do mal.

C. Paciência

Para ter magia, também é preciso ter a disciplina mental da paciência. Se não possuímos a adequada virtude da paciência, perderemos o controle facilmente. Então, quando adquirimos mais poder por meio da magia, poderemos nos sentir inclinados a usá-la da forma errada, atacando aqueles de quem não gostamos. Se fizermos isso, a magia nada mais será do que outra arma eficaz para reprimir as pessoas. Devemos aprender a ter paciência e só usar a magia quando ela é absolutamente necessária. Mesmo nesse caso, qualquer demonstração de magia é apenas um meio de preservar a verdade e de beneficiar mais pessoas.

D. O comum

O sutra budista diz: "O comum é o Caminho". Os ensinamentos budistas servem para a purificação do caráter e para o aprimoramento, não para o excêntrico ou incomum. Quando a mente se baseia no que há de comum no cotidiano, ela pode perdurar pela eternidade. Em contraposição, a magia é só para o momento. Ela não pode eliminar os impedimentos inerentes aos nossos sofrimentos básicos, nem pode nos conduzir à libertação final na vida. Somente quando vemos a verdade suprema dos ensinamentos na nossa vida diária e nos purificamos para usufruir a completa libertação, podemos chamar a isso de magia de verdade.Minha avó materna tornou-se vegetariana e começou o cultivo diligente do budismo com cerca de 17 anos de idade. Ela cuidou de mim desde que eu era um garotinho. Exerceu grande influência sobre mim e ajudou a incutir em mim a causa para eu me tornar um monge posteriormente. Lembro-me que, quando era pequeno, ficava o tempo todo com ela e, à noite, era sempre despertado pelo ronco do seu estômago, que lembrava ondas quebrando na praia. Criança curiosa que era, perguntei a ela: "Vovó, por que sua barriga faz barulho?""É o resultado de anos de prática", respondeu ela confiante.

Depois que virei monge, estudei com muitos mestres budistas. A barriga de nenhum deles produzia tais ruídos. Será que esses mestres não eram tão desenvolvidos espiritualmente quanto vovó? Acabei crescendo e deduzindo a resposta. Passados sete ou oito anos, com cerca de vinte anos de idade, voltei para casa num verão para visitar minha avó. Avistei-a sentada, em solidão, sob uma árvore. Sentei-me ao lado dela e perguntei:— Vovó! Sua barriga ainda faz barulho?— Claro que sim! Como eu poderia perder o resultado de anos de prática?— replicou minha avó confiante.— Para que serve uma barriga que faz barulho? — perguntei de chofre — Ela pode fazer cessar o sofrimento e a dor, desenvolver virtudes e moralidade e interromper os ciclos de renascimento? Minha avó não soube o que responder. Nesse mesmo instante, um avião passou com seu motor ruidoso sobre nós. Implacável, perguntei ainda: — Esse avião pode fazer um barulho ainda mais alto que a sua barriga. Diga-me, como uma barriga que faz barulho pode contribuir para a vida de alguém?Ao ouvir minhas perguntas, minha avó ficou surpresa e confusa. Silenciosamente, ela se levantou e entrou em casa.

Desde então, décadas se passaram. Sempre que me lembro da expressão desapontada e confusa de minha avó, sinto um profundo arrependimento. Embora sua habilidade incomum pudesse ser considerada mágica, uma habilidade temporária na melhor das hipóteses, era apesar de tudo o fruto de décadas de diligente cultivo. Como pude ser tão insensível a ponto de minar a confiança dela daquela maneira? Por outro lado, acredito que ela tenha acabado por compreender minha intenção sincera de conduzi-la pelo caminho correto da prática pelo comum.

René Magritte

A Perspectiva Budista sobre Magia e Sobrenatural


A magia é uma esperança em tempos de tribulação; é a salvação durante rebeliões. É um expediente que se usa na pregação. A magia tem de ser praticada na vida cotidiana. Por fim, vamos falar sobre a perspectiva budista sobre magia e sobrenatural. Resumirei esse tema dividindo-o também em quatro pontos.A. A Magia Não é a Finalidade da Prática BudistaDe acordo com as escrituras, mesmo que dois mil anos tenham se passado, vários discípulos do Buda ainda vivem entre nós.

Mahakashyapa, um dos mais importantes discípulos do Buda, guarda o manto de seu mestre, em profunda meditação, no interior da montanha Kukkutapada. Ele espera pelo nascimento do Buda Maitreya, que acontecerá daqui a 56 trilhões e setecentos milhões de anos. Mahakashyapa apresentará ao Buda Maitreya o manto, que representa o Darma correto do Buda anterior, para que seus ensinamentos continuem a ser disseminados. Há algumas décadas, ouviu-se a história de um explorador francês que de fato encontrara Mahakashyapa na Índia.

O Venerável Pindolabharadvaja é outro discípulo do Buda que ainda vive entre nós. Ele é um dos dezesseis discípulos mencionados no Sutra Amitabha. Ele alcançou o fruto sagrado de Arhat. Por que um Arhat permaneceria aqui em vez de entrar no Nirvana? Porque um dia ele alardeou sua magia perante os fiéis. Certa vez, em estado de grande contentamento, ele disse aos fiéis: "Vocês acham que voar pelos ares é magia? Eu lhes mostrarei alguns feitos espetaculares".Então, saltou para o céu e realizou feitos miraculosos. Impressionados, os fiéis não paravam de elogiá-lo. Buda ficou extremamente descontente com esse incidente. Ele pediu ao Venerável que se apresentasse e repreendeu-o: "Meu ensinamento usa a moralidade para mudar as pessoas e a compaixão para salvar os seres vivos. Não faz uso da magia para impressionar e confundir o povo. Você empregou mal a magia hoje. Como punição, ordeno que fique neste mundo para conquistar mais méritos e arrepender-se desse mau comportamento antes de entrar no Nirvana".Por ter empregado mal a magia, o Venerável ainda tem de viver e sofrer por nós.

A magia não é capaz de aumentar nossa virtude ou erradicar o sofrimento. O uso incauto só criará mais obstáculos à emancipação. É óbvio que magia não é a solução para os ciclos de renascimento. Só a prática da virtude é uma abordagem segura e equilibrada para o Caminho do Buda.B. A Magia Não Pode Mitigar a Força do CarmaA força mais poderosa deste mundo não é a magia. É a força das ações, do carma. Na história da China, houve certa vez uma revolta e milhões de pessoas foram massacradas. Havia um ditado que dizia: "O rebelde Huang matará oito milhões. Se estiver incluído nesse número e for sua vez, você não escapará". Conta a lenda que esse rebelde de fato matou milhões de pessoas antes de ser pego. Seja essa uma história verídica ou pura lenda, discutiremos a frase "seu número e sua vez". O que isso significa? Significa que ninguém pode escapar do carma.

Aqueles cidadãos durante a revolta compartilharam um carma comum que tinha de ser pago com sangue. A magia não tem poder para vencer o obstáculo que representa o carma. Temos de colher o que plantamos. Não há escapatória.Certa feita, o Rei Virudhaka de Kosala atacou a pátria do Buda, Kapilavastu. Maudgalyayana, o primeiro em magia entre todos os discípulos do Buda, apresentou-se como voluntário para salvar o clã dos Shakya. O Buda respondeu com tristeza: Maudgalyayana, esse é o carma do clã dos Shakya e eles não se arrependeram dele. Hoje terão de pagar pelo que fizeram. Embora eles sejam minha família, nem a minha mágica pode poupá-los".Maudgalyayana não acreditou nas palavras do Buda. Voou para a cidade, que estava completamente cercada pelas tropas do rei. Juntou quinhentos membros do clã dos Shakya e, num passe de mágica, colocou-os em sua tigela de esmolas. Então, voou para fora da cidade em cheio de alegria, postou-se diante do Buda. "Senhor Buda", disse ele: "Olhe! Salvei um grupo de membros de seu clã".Ao olhar para a tigela, no entanto, ele ficou chocado. Os membros do clã tinham se transformado numa poça de sangue. Nem mesmo Maudgalyayana, que conquistara renome graças aos seus poderes mágicos, foi capaz de vencer a força do carma. Ele podia voar livremente pelo céu e se aventurara pelo inferno para salvar a mãe. Contudo, acabou sendo morto por uma pedra atirada por hereges.

Como pode um Venerável, dotado de tamanhos poderes mágicos, ser morto com tanta facilidade por uma pedra? Muitos dos discípulos do Buda ficaram perplexos e com raiva. O Buda falou aos discípulos: "A magia não pode mitigar a força do carma. Ser morto por uma pedra atirada por hereges é o carma de Maudgalyayana. Vocês não deveriam duvidar dos limites da magia. Mais importante é purificar diligentemente seus atos, palavras e pensamentos".Segundo um ditado: "O boxeador é morto por um soco. O nadador, afogado na água".

A magia não pode tudo. Não se deve pensar que ela faça alguém perder o medo. A força do carma anterior não pode ser influenciada pela magia. Se confiarmos apenas na magia, poderemos piorar a situação e até perder a vida.C. A Magia é Inferior às VirtudesOs iniciantes no estudo do budismo são os que sentem mais atração pela magia. Quando sabem que alguém passou por uma experiência sobrenatural, correm em revoada para ver essa pessoa. Geralmente, descuidam-se da prática da virtude em sua vida diária. Só se desenvolve a sabedoria por meio da concentração mental profunda advinda da meditação, e o sucesso da meditação depende de se seguir os preceitos no dia-a-dia. Se todos nós aqui somos estudantes dedicados ao budismo, temos de começar pelo alicerce da moralidade, não pela magia.Vocês realmente acham que a magia tornará suas vidas mais felizes? Como não podemos ler a mente de ninguém, mesmo que as pessoas nos odeiem e nos amaldiçoem, não ficamos sabendo disso e tudo parece muito bem. Se pudéssemos ler mentes, então saberíamos que esta pessoa é totalmente imoral, aquela é cheia de ódio e aquela outra está cheia de idéias mal-intencionadas. Não nos sentiríamos à vontade entre as pessoas. Mesmo quando preferíssemos ser poupados, ainda assim teríamos a informação de qualquer maneira. Todos os dias seriam longos demais.

Suponha que você fosse morrer amanhã, mas não soubesse disso; ainda assim, você teria um dia alegre. Mas, e se tivéssemos o poder de conhecer o futuro e descobríssemos que estamos destinados a morrer daqui a vinte anos? Desse dia em diante, viveríamos a vida ansiosamente, com a idéia de morte sempre nos espreitando. Se tivéssemos a visão celestial e descobríssemos que nosso cônjuge tem um caso extraconjugal, seríamos consumidos pelo ciúme e nossa vida se tornaria um inferno. Se não soubéssemos disso, poderíamos continuar a viver felizes como sempre.

Se tivéssemos a audição celestial, poderíamos ficar sabendo que os amigos em quem mais confiamos nos caluniam pelas costas e certamente sentiríamos raiva. Sem a audição celestial, podemos gozar de mais paz e tranqüilidade. A magia não faz necessariamente a vida melhor. A moralidade e a virtude são os verdadeiros tesouros inextinguíveis. Antes de conquistar grande virtude e moralidade, não devemos ter poderes mágicos. Uma vida de virtude é superior a uma vida de magia.

D. A Magia Não Pode Superar o Vazio

A magia está no reino dos fenômenos. A sabedoria prajna do budismo está no reino do vazio, que está em todo lugar, sem ser limitado por nada. Quando temos experiência na vida, a experiência é mágica. Quando temos diferentes capacidades na vida, essas capacidades são mágicas. Existe a verdade do vazio da vida; a verdade do vazio também é mágica. A sabedoria do vazio é muito profunda. Não é vácuo ou aniquilação, como as pessoas costumam pensar. O Vazio admite a existência. Ela é a fonte de todos os fenômenos. Por exemplo, por causa do espaço vazio nesta sala de conferências, podemos nos acomodar e tornar possível esta série de palestras. Quando nosso coração for tão grande quanto o universo, também teremos capacidade para tudo.

René Magritte

O vazio é a mais poderosa das forças. A magia não se compara à infinitude e à inesgotabilidade. Certa vez, o Mestre Ch'an Venerável Tao Shu mudou-se para as proximidades de um templo taoísta. Os sacerdotes taoístas ficaram muito irritados com a presença dele e passaram a fazer todo tipo de magia e truques para afugentá-lo. Quase todos os moradores foram embora assustados. O Mestre Ch'an, contudo, continuou ali como sempre. Vinte anos depois, os sacerdotes taoístas desistiram. As pessoas perguntavam: "Que mágica você usou para vencer aqueles sacerdotes taoístas?".O Mestre Ch'an respondia: "Ah, nenhuma. Usei o vazio para vencê-los. Os sacerdotes taoístas têm magias e truques.

'Ter' é ser finito, esgotável, limitado, mensurável. Eu não tenho magia nenhuma. 'Não ter' significa ser infinito, inesgotável, ilimitado, imensurável. Portanto, o vazio (não ter) pode vencer a magia (ter) por ser mais amplo, maior, mais elevado, superior".O budismo usa o vazio como existência. Ele é muito mais poderoso que a magia. A sabedoria do vazio é muito mais avançada do que a magia. Estaremos numa situação muito melhor atingindo a verdade do vazio do que o poder da magia. A verdade do vazio é, de longe, muito mais essencial e valiosa. Isso conclui minha palestra de hoje. Vamos recitar um sutra agora. Que a Jóia Tríplice abençoe a todos vocês. Até o próximo encontro. Obrigado a todos!

Da palestra realizada por Mestre Hsing Yün
em 14 de novembro de 1982 no Memorial
Dr. Sun Yat-sen, Taipe, Taiwan

Perspectiva Budista sobre Magia Sobrenatural
http://www.dharmanet.com.br/hsingyun/magia.htm
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

LÓTUS DO SONHO

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TARTHANG TULKU
A Expansão da Mente


Nos sonhos, podemos fazer o impossível - podemos trans­formar nosso corpo, usar de telepatia e até voar. Nosso estado de sonho é como sondar as profundezas do oceano, ao passo que nosso estado de vigília é como navegar na superfície do mar. Como os sonhos não são elaborados de forma consciente, mas brotam espontaneamente, conseguem se desviar dos filtros exis­tentes em nossa consciência do estado de vigília. Nossos sonhos podem nos levar a um conhecimento inalcançável em estado desperto.

Todavia, nem sempre é fácil trabalhar com o estado de so­nho, pois ainda precisamos usar nossos conceitos comuns para entrar em contato com as experiências oníricas. Há formas, po­rém, de nos sintonizarmos com a densidade e o ritmo do padrão dos sonhos, e, assim, explorarmos essa fonte de conhecimento. Uma delas é praticar certas visualizações logo antes de irmos dor­mir.

A fim de favorecer este tipo de visualização, o ideal é criar uma qualidade de sentimento adequada, relaxando-nos de mo­do profundo, imediatamente antes do sono. Em especial, relaxe a cabeça e os olhos, os músculos do pescoço e as costas, e, por fim, relaxe todo o seu corpo. Solte toda a tensão e, limpando a mente tanto quanto possível, simplesmente fique deitado e res­pire de forma muito lenta e suave. Deixe seu corpo e sua mente sentirem a qualidade leve e reconfortante do relaxamento.

Em seguida, conduza a mente da maneira delicada como você, talvez, conduziria uma criança pequena. A mente gosta muitíssimo de sentimentos; por isso, faça-a assentar-se com sen­timentos calorosos, alegres e tranqüilos. A mente pára de ficar pulando de um lugar para outro; suas preocupações e conceitos vão desaparecendo e você será capaz de relaxar profundamente. Agora, você está em condição de visualizar de modo eficaz.

Quando você estiver se sentindo bem calmo e sereno, visua­lize uma flor de lótus linda e suave, em sua garganta. O lótus tem pétalas rosa-claro que se curvam ligeiramente para dentro; e, no centro deste lótus, há uma chama luminosa de cor laranja avermelhado, que é clara nas bordas, passando a uma tonalidade mais escura no centro. Olhando com bastante suavidade, concentre-se na ponta da chama, e continue a visualizá-la tanto tempo quanto puder.

Esta chama representa a atenção pura, que tem a mesma qualidade luminosa da energia do sonho. As experiências da nossa vida no sonho e no estado desperto têm características diferentes. Mas, visto que sua estrutura é essencialmente a mes­ma, a atenção plena de um estado pode passar desimpedida pa­ra o outro.

Continue a manter a imagem do lótus e da chama. À me­dida que você faz isto, observe como os pensamentos surgem e como a imagem visual do lótus se entrelaça com eles. Note como esses pensamentos e imagens refletem as suas próprias associações, passadas e presentes, bem como as suas projeções futuras. Observe este processo, mas continue a se concentrar no lótus, de modo que sua visualização permaneça clara.

Pode ser que outras imagens continuem a entrar em sua mente, e talvez você sinta que não possa conservar a mente li­vre de pensamentos nem por um minuto. Não se preocupe com eles; apenas observe o que acontece, seja o que for. Embora ou­tras imagens e pensamentos apareçam na mente, enquanto o fio da visualização permanecer intacto, ele vai se transpor para o sonho. Todavia, tentar interpretar ou "pensar sobre" sua visua­!ização quebrará este fio. Cria-se um hiato entre o estado de vi­gília e o do sonho, e sua visualização e sua atenção pura se per­dem; sua atenção pura vai se perder no sonho. Portanto, tome cuidado para não forçar a visualização; apenas deixe que ela aconteça, mantendo, porém, sua concentração no lótus.

Deixe que a forma se reflita sobre sua atenção pura até que sua atenção e a imagem se tornem uma só coisa. Então, não ha­verá espaço para pensamentos - esta é a contemplação plena. Quando a concentração é completa, sujeito, consciência, objeto, imagens, todos se tornam uma só coisa.

De início, quando você passa para o estado dos sonhos e as imagens aparecem, talvez você não se lembre de onde elas vie­ram. Porém, sua atenção pura irá naturalmente se desenvolver, até que você seja capaz de ver que está sonhando. Quando ob­servar com muito cuidado, será capaz de ver toda a criação e a evolução do sonho. As imagens do sonho, que a princípio são borradas e difusas, vão se tornando claras e abrangentes.

Esta atenção clara é como ter um órgão especial de cons­ciência que nos possibilita ver o estado de vigília a partir do es­tado de sonho. Por meio desta prática, podemos ver uma outra dimensão da experiência, e ter acesso a uma outra forma de co­nhecimento de como a experiência surge. Isso é importante, pois, quando sabemos isto, podemos moldar nossas vidas. As imagens que emergem da atenção pura no sonho irão intensificar nossa atenção pura no estado de vigília, permitindo-nos ver melhor a natureza da existência.

Com prática continuada, vemos cada vez menos diferença entre o estado de vigília e o estado de sonho. Nossas experiên­cias na vida acordada se tornam mais vívidas e diversificadas, como resultado de uma atenção plena mais leve e refinada. Não ficamos mais limitados pelas concepções convencionais de tem­po, espaço, forma e energia. Dentro dessa perspectiva mais vas­ta, podemos também verificar que os assim chamados feitos e lendas sobrenaturais dos grandes ioguins e mestres não são mi­tos ou milagres. Quando a consciência une os vários pólos da experiência e passa além dos limites do pensamento convencio­nal, poderes ou habilidades psíquicos são, na verdade, naturais.

Este tipo de atenção plena, baseada na prática com sonhos, pode ajudar a criar um equilíbrio interno. A atenção plena alimenta a mente de um modo que nutre todo o nosso organismo. A atenção plena lança luz sobre facetas da mente até então não vistas, e ilumina o caminho para que exploremos dimensões sem­pre novas da realidade.




Tarthang Tulku

Do livro: A EXPANSÃO DA MENTE, Editora Cultrix
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

COM UM MESTRE VIVO

Sri Poonjaji


Prólogo

No dia 1º de Janeiro de 1990, deixei a minha vida para trás e parti em busca da iluminação. Minha mulher e meus amigos pensaram que eu estava louco. Como estava com quase quarenta e três anos de idade, eles atribuíram a coisa toda a uma crise da meia-idade.Quando parti, não tinha a mínima idéia de aonde iria ou do que iria encontrar. Nem tampouco tinha qualquer poder de decisão quanto a isso. Estava sendo atraído como um fragmento de limalha de ferro é atraído por um imã. Não sendo um principiante no caminho espiritual, eu dispunha de certos critérios para a minha busca. Eu queria decepar definitivamente a mente egóica.

Disse à minha esposa: "Eu quero despertar para a realidade não-dual."Eu pertencia a uma geração que tinha descoberto os psicodélicos vinte e cinco anos antes. Eu tinha experimentado livremente com LSD e outros alucinógenos na minha busca da liberdade. Como resultado destas experiências, considerava-me relativamente desperto, uma alma iluminada. O LSD havia me mostrado que esta "realidade da vigília" é um sonho, e eu tinha vivenciado a mim mesmo como imortalidade auto- consciente. Contudo, isto não era suficiente. O sofrimento egóico continuava. Na realidade, o ego reivindicava estas realizações como suas. Nos anos 60, participando dos movimentos pelos direitos civis e contra a guerra, eu tinha tido amplas oportunidades de entregar a minha vida à Vida. Colocando à prova a coragem das minhas convicções e estando disposto a morrer para deter o sofrimento do mundo, descobrira-me um servo da Mãe Terra.
Por isso, achei que "eu" tinha que fazer alguma coisa. E essa alguma coisa sempre acabava levando ao sofrimento.Na esteira da genuína abertura que muitos membros da minha geração vivenciaram com psicotrópicos, vieram os gurus. Quando a primeira onda de gurus veio à América, fiquei muito interessado. Em 1974 e 1975, sentei-me com Swami Mukhtananda e li com prazer Rajneesh e Da Free John. Acompanhei as aventuras de Ram Dass com Neem Karoli Baba e seus outros mestres.Enquanto estive com Muktananda, deleitei-me com o bhakti e o shakti. Não acreditava que meios não psicodélicos pudessem ser tão poderosos quanto o LSD para induzir certos estados. Mudei de idéia.

Contudo, não me sentia particularmente atraído pela vida em um ashram. Sabia tudo acerca dos gurus hindus públicos, de Sai Baba a Maharaji, porém quando considerava os seus seguidores e os seus ashrams, concluía que em vez de seres iluminados, eles criavam meros devotos. Eu procurava a iluminação e alguém que a pudesse transmitir diretamente. Por grandes e deleitosos que fossem, os estados de shakti não conduziam à plena auto-realização, pelo menos para mim ou qualquer outra pessoa minha conhecida.Nos primeiros anos do LSD, lendo os trabalhos de Carlos Castañeda, Gurdjieff e o Livro Tibetano dos Mortos, vi-me atraído pelo Budismo Tibetano. Em 1976, partilhei os livros de Evans-Wentz acerca do Budismo Tibetano com a minha futura esposa e exprimi o desejo de encontrar os verdadeiros detentores dessa linhagem.

Em 1978, foram eles que nos encontraram. Naquele ano, Kalu Rimpoche, mestre de meditação da linhagem Kagyu, veio à nossa cidadezinha na Califórnia e designou-me chefe do seu Dharma Center. Nós fizemos pujas e prostrações e aprendemos a entoar cânticos em tibetano. Ajudamos a organizar a visita do Karmapa a São Francisco e a sua Cerimônia do Chapéu Preto. Finalmente, os resultados não foram satisfatórios. Não vi ninguém se tornar iluminado.No começo de 1980, fui ao Japão. Encontrei-me com o mestre Zen mais idoso da época; chamei-o O'ji isan. Através da nossa relação de coração, ele me presenteou com um leque de ensino Zen. Também pratiquei combate dharma no Mosteiro Saikoji. Vivenciei um kensho, ou profundo despertar espontâneo, na presença do superior do mosteiro.
Isto foi comemorado em todo o mosteiro. Após o anúncio do meu kensho, passamos a noite bebendo cerveja e cantando. Até nos permitiram dormir até as 6:00 da manhã seguinte. Mesmo assim, na manhã seguinte, a mesma mente estava presente. Eu não estava satisfeito.
Pesquisei então a meditação vipassana. A interminável observação mental de objetos pareceu útil como estágio inicial, mas eu ansiava por aquilo que está para além do observador e do objeto observado.Também conheci e trabalhei com meu tio Henry, pajé dos Arapahoe (o Povo do Céu Azul). O tio é pura essência, com um coração do tamanho do céu. Eu amo o Tio e tudo que ele representa, e amo o trabalho que ele realiza neste mundo. Mas eu desejava algo mais.
Vários anos mais tarde, fui iniciado e adotado por um clã sufi Gnauer. Foi uma experiência profunda e mística. Fui posto à prova e tive que defender o nosso círculo em circunstâncias perigosas na costa do Marrocos. Layeshay, chefe do clã e descendente de escravos do palácio, abriu-me o seu coração e adotou-me como seu filho. Eu o amo e lembro com carinho o tempo que passamos juntos.
No inverno de 1989, eu era considerado "um sucesso". Estava casado há 13 anos com a minha melhor amiga e amante e estava feliz. Era um autor publicado e conduzia workshops, ensinando psicologia espiritual. Tinha um consultório particular bem-sucedido em São Francisco, um lar maravilhoso em Marin Country, e viajava pelo mundo afora conduzindo workshops. Trabalhando com o Eneagrama da Fixação de Caráter, eu tinha desenvolvido um novo mapa da psique que integrava o modelo budista tibetano, o trabalho Sufi sobre a essência e a psicologia ocidental.
Quando esse modelo ficou completo, examinei a mim mesmo e vi o que faltava em meu próprio desenvolvimento. Eu ainda não estava completamente desperto. Continuava sutilmente a gerar sofrimento na minha vida e na vida dos outros. Eu ainda agia baseado na fixação do ego, pelo menos durante parte do tempo.
Quando me senti atraído pela Índia e estava me preparando para a viagem, examinei a totalidade da minha vida. Estava disposto a abandonar tudo, exceto o meu amor por minha mulher. Passei vários dias de agonia, chorando e soluçando ao pensar em deixá-la. Mais tarde descobri, aos pés do meu Mestre, que tudo o que eu tinha que abandonar era o sofrimento! O amor nunca precisa ser abandonado.
Quando parti para a Índia, não tinha a mínima idéia de aonde deveria ir. O meu critério consistia em encontrar alguém plenamente iluminado que me pudesse transmitir a iluminação. Se não conseguisse achar ninguém com esse nível de realização, queria pelo menos encontrar alguns Sufis que conhecessem o eneagrama.Aterrissei em Delhi no dia 5 de janeiro de 1990. O meu plano era encontrar sufis iluminados, talvez na região fronteiriça com o Paquistão, ou viajar a Sikkim para encontrar um Lama tibetano de quem havia recebido uma transmissão não-verbal alguns anos antes.
Na minha primeira noite em Delhi, dirigi-me a Nizamuddhin, antigo bairro muçulmano, acerca da qual fui informado pelo meu hoteleiro. Visitei o santuário de Nizamuddhin, um santo sufi do século XV, e rezei pedindo orientação e pleno despertar. Fui então jantar no Karim's, um restaurante muçulmano local. Enquanto esperava para fazer meu pedido, observei outro homem entrar e sentar-se de costas para mim a uma mesa vizinha. Em lugar de vir tomar o meu pedido primeiro, o garçom aproximou-se do outro freguês. Fiquei irritado com essa desconsideração. Quando o garçom se aproximou para anotar o meu pedido, o outro freguês virou-se e disse: "Pagarei por qualquer coisa que ele quiser".
Perguntou então se podia juntar-se a mim.
Ele era um ministro do governo que se encontrava na cidade apenas por um dia. Sua irmã escrevia livros sobre os sufis e ele acreditava conhecer os notáveis dentre eles. Ele ia pegar um avião no dia seguinte, porém me daria uma lista dos mesmos. Após retornar à sua casa em Lucknow, ele me mandaria mais nomes. Conseguiu-me uma apresentação ao chefe dos sufis Naqsbandi na parte velha da cidade e mandou-me levar de volta para o meu hotel no seu carro oficial com chofer.
Passei as duas semanas seguintes visitando os santos Sufi Naqsbandi e de outras seitas. Aonde quer que fosse, ficava desapontado. Neste período, recebi o meu visto para o Paquistão e o Sikkim e fiz preparativos para voar para Lahore.
Antes de ir para o Paquistão, decidi visitar o meu novo amigo, o ministro do governo, em seu lar em Lucknow, onde ele havia prometido dar-me mais nomes. Eu sabia também que havia outro mestre em Lucknow. Eu conhecera um dos seus alunos na Califórnia, e havia-lhe pedido o endereço do seu mestre antes de partir, porém o meu pedido fora negado. A esta altura, eu não tinha nem o nome nem o endereço do mestre. Quando cheguei a Lucknow, liguei para a minha mulher, para ver se ela poderia obter o nome e o endereço deste outro mestre. Ela só pode dar-me o seu nome: Poonja. Senti um forte impulso para encontrá-lo, mas não tinha idéia de onde começar.
Subi ao telhado do meu hotel (o Carlton, que era um antigo palácio) e uma vez mais pedi ajuda. Olhei para o céu e vi um sinal. Nunca tinha visto nada semelhante. Um quadrado vermelho e um quadrado preto dançando juntos. Soube então que era lá que Poonja vivia. Uma semana depois, Papaji mostrou-me pipas indianas e eu reconheci as que havia visto.
Desci do teto e encontrei uma lista telefônica. A página dos "p" tinha sido arrancada. Encontrei outra lista e lá estava o endereço de um Poonja. Informando-me, descobri que ficava exatamente no lugar que as pipas tinham indicado.No dia 19 de janeiro de 1990, dia do meu quadragésimo-terceiro aniversário, caminhei pelas ruelas do mercado Narhi, um antigo bairro de Lucknow. Após ser guiado por vários vizinhos prestativos, alguém me mostrou uma pequena porta numa fileira de casas geminadas. Bati à porta. Um homem abriu a porta e, com um grande sorriso, disse: "Sim, ele está no andar de cima. Está á sua espera."
Subi as escadas de um minúsculo pátio até um quartinho. Ele estava sentado na cama. "Entre, entre", disse. O quarto tinha apenas espaço suficiente para a cama e uma cadeira. Convidou-me a sentar na cama ao seu lado.
"Por que você veio?", perguntou-me.
"Estou realmente pronto para despertar", eu disse. Ele riu muito e nos abraçamos. Naquele momento, não havia mais perguntas. Eu tinha encontrado o meu Mestre. Soube, sem sombra de dúvida, que estava olhando para o meu próprio si.
"Você sabe", ele disse, "um rapaz veio aqui recentemente, vindo da Austrália. Ele tinha um pergunta urgente. A pergunta tomou conta dele e ele pegou um avião para cá, trazendo apenas a roupa do corpo. Era inverno e ele tinha apenas uma camiseta e as suas calças. Emprestei-lhe o meu suéter e outras roupas de frio. Mas ele tinha que ter uma resposta à sua pergunta." Fez uma pausa e olhou para mim. "Ele queria saber 'É a minha vontade quem manifesta o Universo?'" Ao contar-me isso, Sri Poonjaji não deu nenhuma pista da resposta. Somente olhou para mim.
Pela primeira vez na vida, tinham-me feito uma pergunta de ordem espiritual para a qual eu não tinha qualquer resposta pronta. Eu sabia que "sabia" teoricamente, mas não diretamente. Enquanto ele olhava para mim, não consegui dizer nada. Naquele momento, a minha mente parou e todo o meu "conhecimento" desapareceu temporariamente.
Eu tinha encontrado alguém à minha altura.Dentro de alguns dias, comecei a escrever este livro. O título original era Com um Mestre Zen vivo. Passei os quatro ou cinco dias seguintes sozinho com Sri Poonjaji. Perguntei-lhe se podia chamá-lo Baba. Ele riu e disse que não se importava. Então percebi que os seus netos chamavam-no Papaji e logo comecei a fazê-lo também. Cada dia era uma eternidade atemporal de bem-aventurança. Dois dias depois, dei-lhe o meu passaporte, as minhas passagens e o meu dinheiro. Disse-lhe que já não me preocupava com a iluminação. Queria apenas dormir em frente à sua porta e cuidar dele. Ele riu e deu-me um tapa de brincadeira.
Saíamos diariamente para passear juntos. Ele me mostrava vistas do lugar e levava-me para saborear a comida local. Cada vez que parávamos para comprar algo, seja de um vendedor ambulante ou em alguma lojinha, era sempre ele quem pagava. À noitinha, comíamos juntos o jantar preparado por seus netos, e então subíamos para o seu quarto onde ele lia a sua correspondência e respondia às suas cartas. Nesses momentos, o Mestre, seu filho Surendra e eu discutíamos o satsang do dia. Eu lia as primeiras passagens deste livro para Papaji, o que ele apreciava e encorajava.
Certa noite, dei-me conta daquilo de que estava prestes a abrir mão. Não apenas esta vida ou este mundo, porém o universo inteiro!"Nada disso jamais existiu", disse ele com um sorriso.
"Papaji", disse eu, "embora soubesse que esta vida é um sonho, fiz votos de Bodhisattva. Eu prometi voltar".


"Oh, meu Deus!", disse ele, com um ar trocista de horror no seu rosto. "Ainda bem que eu o encontrei, ou você me teria trazido de volta com você!"Finalmente, disse que outras pessoas estavam esperando para vê-lo. Em tom de súplica, pedi a ele: "Não, não os deixe entrar. Tenho ciúmes."


Novamente, ele riu e deu-me um tapinha no rosto. "Sente-se e observe", disse.
O que eu vi foi um milagre. Vi pessoas entrarem e, no espaço de semanas, tornarem-se iluminadas e ir embora. Eu tinha pensado que ele era um mestre Zen. Contudo, quando um bhakta de Anandamaya Ma veio, ele falou como um hindu. Falou sobre os ensinamentos de Buda com praticantes de vipassana. Conversou com cristãos sobre o significado interior dos ensinamentos de Jesus. Quando alguém mencionou os sufis, ele contou estórias de Kabir.
O seu falar não diferia da profundidade do silêncio que irradiava dele. Quando lhe perguntei acerca da supressão da mente, ele me disse que ficasse apenas quieto. Eu o fiz, e a mente parou. Que milagre! Eu nunca estivera com um instrutor espiritual que houvesse simplesmente admitido a possibilidade da mente parar. Aqui estava um Mestre por cuja graça as mentes de dúzias de pessoas, sem esforço, paravam.


Lao Tzu (no clássico taoísta Tao Te Ching) e os mestres Chan Hui Neng e Huang Po, todos eles falam e escrevem a partir da "não-mente". A possibilidade da não-mente ser transmitida diretamente a todos os que a desejem estava muito além dos meus sonhos mais loucos. O que o meu Mestre me mostrou diretamente foi que a experiência de viver sem fazer referência à mente é o portal da bem-aventurança do reconhecimento de si.Observei um fluxo constante de gente do mundo inteiro passar pela sala de estar de Papaji. Agora os satsangs eram grandes demais para o seu quarto e seis a dez pessoas se espremiam na pequena sala de estar. Observei pessoas aprendendo sem esforço a abandonar a mente e a idéia de um ego pessoal, e assim, descobrindo o que sempre fora verdadeiro e presente. Uma após a outra, as pessoas identificavam-se a si próprias como "Vazio", "Silêncio", "Amor".Notei também uma incrível grosseria. A maioria não tinha a mínima idéia daquilo em que estavam se metendo. Alguns paravam a caminho do Rajastão, onde iram montar elefantes, outros vinham por alguns dias porque estavam nas vizinhanças. Papaji acolhia a todos em seu lar e tratava a todos como hóspedes. Servia chá com biscoitos e frutas, levava gente para passear e comprava comida para todos. Muitos desperdiçavam completamente esta extraordinária oportunidade. Viam um velho bondoso que parecia ser cheio de amor. Alguns chamavam-no Poonja, sem sequer a cortesia de acrescentar um ji. Era como dizer para alguém em sua própria casa: "Ei, Silva!". Alguns se sentavam na sua sala de visitas sem nem mesmo se apresentar. E outros, sem se dar conta daquilo em que se metiam, caíam na sua graça e despertavam.

Papaji dava um passeio diário e o satsang acontecia enquanto flanávamos pelas ruas ou quando nos sentávamos sob uma árvore. Ele nos levava até o centro do mercado para descobrirmos que o silêncio interior e o darshan não necessitam de nada exterior. Ele levava todo mundo para comprar doces no mercado ou para comer nas barracas de seus vendedores ambulantes favoritos.***Poonjaji diz que um verdadeiro mestre não pede absolutamente nada a seus discípulos. Ele é um verdadeiro mestre. Como ele não pedia nada, muitos não davam nada, nem sequer gentileza. Isso nunca o impediu de dar tudo. Para quem tinha olhos para ver, ali estava o evento mais raro do mundo: a oportunidade de privar com um santo vivo, um verdadeiro Buda, que enunciava a verdade pura e transmitia a chama da iluminação e da liberdade a todos quantos passavam pela sua porta.
Eu ficava estupefato ao ver pessoas, no decorrer dos nossos passeios, afastarem-se em grupos, tagarelando acerca de coisas inconseqüentes. Elas agiam como se este evento raro entre todos não fosse lá grande coisa. Estavam na presença de um verdadeiro Mestre vivo e consideravam-no como algo que lhes correspondia de direito. Outros eram de tal forma atraídos pelo amor vivo, que não podiam tirar os olhos dele. Absorviam profundamente e tudo lhes era dado! Nada era jamais pedido em troca.Papaji não me permitiu que ficasse com ele, ou que mudasse o que quer que fosse na minha vida. Em fins de fevereiro, tive que ir embora.
Disse-lhe que retornaria com minha esposa para vê-lo, e isso o deixou muito contente. Disse-lhe que minha esposa era uma deusa e que, embora tivesse começado como minha aluna, há vários anos era a minha mestra.Antes que eu deixasse a Índia, ele quis me mostrar o Ganga. Ele amava o Ganga e, muitos anos antes, durante o Kumbha Mela, ele tinha recebido darshan do espírito do Ganga. Após aposentar-se e depois que todos os seus filhos estavam casados, tendo portanto cumprido as suas obrigações, ele passara a viver numa caverna às margens do Ganga.Pegamos um trem noturno de Lucknow a Hardwar, na segunda classe. Dormimos com estranhos roncando num mesmo compartimento separado por cortinas. O trem chegou a Hardwar às 5:00 da manhã. Papaji levantou-se às 4:00 para assegurar-se de que tudo estava pronto. (Já mencionei que nessa época ele tinha oitenta anos de idade?) Ficamos sentados na estação das 5:00 às 7:00, para não incomodar ninguém no lugar onde ele alugava o seu quarto.Muita gente ofereceu-lhe casas e ashrams pelo mundo afora, contudo ele sempre recusou. "Repugna-me possuir um pedaço da Mãe Terra", diz ele.

"Uma vez eu visitei uma plantação de chá no sul. Depois de o administrador ter-me mostrado a propriedade, encontrei uma maravilhosa tangerineira. Eu disse à árvore: 'Ah, que maravilhosa mãe és para com todos os teus bebês'. Eu nunca colhi um fruto ou flor em toda a minha vida. Fiquei apenas admirando a árvore e, naquele momento, ela deixou cair uma dúzia de tangerinas aos meus pés. A Mãe Terra cuida muito bem de mim."

Sentados na estação, aguardando o amanhecer, ele me disse: "Uma vez cheguei a Delhi às 2:00 da madrugada. Dormi na soleira da porta de um amigo até que a família acordou às 6:00. Se eu tivesse um ashram, não me dariam esta liberdade."
Perguntei-lhe se era possível viver numa comunidade de pessoas iluminadas. Ele respondeu: "Que os ladrões vivam juntos, e que os poucos iluminados se espalhem pelo mundo."



Eli Jaxon-Bear
15 de Dezembro de 1991
Copyrights Eli Jaxon-Bear
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

A MORTE NÃO O PODIA TOCAR

Trailanga Swami *1601? +1881?


Láhiri Mahásaya tinha um amigo famoso, Swâmi Trailanga, a quem se atribuíam mais de trezentos anos de idade. Os dois iogues freqüentemente se sentavam juntos para meditar. A fama de Trailanga tão amplamente se difundiu que poucos indianos negariam autenticidade a qualquer relato de seus espantosos milagres. Se Cristo retornasse à terra e caminhasse pelas ruas de Nova York, exibindo seus poderes divinos, causaria entre o povo o mesmo medo reverente que Trailanga provocava, há décadas atrás, ao passar entre a multidão nas ruas de Benares. Ele foi um dos síddhas (seres que se fizeram perfeitos), os quais deram à índia alicerces de cimento contra as erosões do tempo.

Em muitas ocasiões viu-se o swâmi beber, sem efeitos nocivos, os venenos mais mortíferos. Milhares de pessoas, inclusive algumas que ainda vivem, puderam ver Traílanga flutuar no Ganges. Durante dias seguidos, ele costumava sentar-se em cima da água; ou, durante períodos muito longos, escondia-se sob as ondas. Um espetáculo comum no Ghat Maníkarnika era o corpo imóvel do swâmi sobre as lajes abra sadoras, inteiramente exposto ao sol impiedoso da índia.

Através destes feitos, Traílanga procurou ensinar a todos que a vida humana não depende de oxigênio nem de certas condições e precauções. Estivesse o corpo do grande mestre acima ou abaixo da água, desafiasse ou não seu corpo os inclementes raios solares, ele provava que vivia da consciência divina: a Morte não o podia tocar.

Este iogue não foi grande apenas espiritualmente; possuía também um físico avantajado. Seu peso ultrapassava as trezentas libras (136 quilos): uma libra para cada ano de sua vida! Como raramente ele comia, o mistério aumentava. Um mestre, contudo, facilmente ignora todas as regras comuns de saúde, quando assim deseja proceder por alguma razão especial, muitas vezes só dele conhecida.

Grandes santos, que despertaram do sonho cósmico de máya e chegaram à realização de que este mundo é uma idéia na Mente Divina, podem fazer o que bem entenderem com o corpo, pois sabem que não passa de uma forma manipulável de energia condensada. Embora, hoje, os cientistas compreendam que a matéria nada mais é que energia congelada, há muito tempo os mestres iluminados passaram vitoriosamente da teoria à prática, no campo do domínio sobre a matéria.

Trailanga permanecia sempre completamente nu. A polícia de Benares, atormentada, passou a considerá -lo uma desconcertante criança-problema. O swâmi, natural como o primitivo Adão no jardim do Éden, era inconsciente de sua nudez. A polícia, ao contrário, tinha plena consciência daquela nudez; e o trancava na prisão, sem cerimônia. Seguia -se um enleio geral; o enorme corpo de Trailanga era logo visto, em toda sua ausência habitual de vestuário, sobre o telhado da cadeia. Sua cela, ainda seguramente trancada, nenhuma chave oferecia ao enigma de sua evasão.

Agentes da lei, desanimados, cumpriam novamente seu dever. Desta vez, colocavam um guarda em frente à cela do swâmi. De novo, a Força curvava-se ante o Direito: logo se podia avistar o grande mestre em seu despreocupado passeio sobre o telhado.

A Deusa da Justiça usa uma venda nos olhos; a polícia burlada decidiu seguir-lhe o exemplo, no caso de Trailanga.

O grande iogue tinha por hábito manter silêncio . A despeito de um rosto gorducho e de um estômago do tamanho de um barril, Trailanga comia apenas ocasionalmente. Após semanas sem se alimentar, ele quebrava o jejum com caldeirões de leite coalhado que os devotos lhe ofereciam. Um céptico decidiu, certa vez, provar que Trailanga era um charlatão. Colocou, em frente ao swâmi, um grande balde com uma mistura de óxido de cálcio, usada para branquear paredes.





- Mestre -disse o materialista, com uma reverência de caçoada - eu lhe trouxe um pouco de leite coalhado. Beba-o, por favor, Sem hesitar, Trailanga sorveu, até a última gota, os litros de cal ardente. Em poucos minutos, o malfeitor caía ao solo, em agonia. - Salve-me, swâmi, salve-me! - gritava ele. - Estou em fogo! Perdoe-me pela maldade com que o submeti à prova!

O grande iogue quebrou seu silêncio habitual. - Você zombava disse ele - e, ao me oferecer veneno, não tinha consciência de que minha vida é una com a sua. Se não fosse o meu conhecimento de que Deus está em meu estômago, assim como está em cada átomo da criação, a cal me teria matado. Agora que você conhece o significado divino do bumerangue, nunca mais use de trapaça com os outros.

Débil ainda, o pecador curado pelas palavras de Trailanga retirou-se furtivamente.

A reversão da dor não resultou da vontade do mestre e, sim, da operação de uma lei de justiça que sustém até o mais longínquo corpo celeste em rotação no cosmo. Esta lei divina funciona instantaneamente para homens que alcançaram a realização de Deus, como Trailanga; eles aboliram para sempre todas as obstinadas contracorrentes do ego.

A fé nos ajustes automáticos da justiça (geralmente pagos em moeda inesperada, como no caso de Trailanga e de seu pretenso assassino) abranda nossa precipitada indignação contra a injustiça humana. “A vingança é minha; eu retribuirei, diz o Senhor”. Que necessidade há dos míseros recursos do homem? O universo trama a retribuição, pontualmente.

A mente obtusa não acredita na possibilidade da justiça divina, do amor, da onisciência, da imortalidade. “Ridículas superstições das Escrituras! “Homens com esta insensibilidade, irreverentes ante o espetáculo cósmico, provocam em suas vidas uma discordante sucessão de acontecimentos que por fim os compelirá a buscar a sabedoria.

Referiu-se Jesus à onipotência da lei espiritual, por ocasião de sua entrada triunfal em Jerusalém. Enquanto os discípulos e a multidão clamavam de alegria e proclamavam: “Paz nos céus e glória nas alturas”, certos fariseus queixavam-se do indigno espetáculo: - Mestre protestaram eles - repreende os teus discípulos.

Jesus, porém, respondeu que, se os discípulos fossem emudecidos, “as pedras imediatamente clamariam”. Nesta reprimenda aos fariseus, Cristo salientava que a justiça divina não é uma abstração figurativa e que o homem de paz, embora a língua lhe seja arrancada, ainda encontrará seu verbo e sua defesa nas pedras fundamentais da criação, nas próprias leis do universo.

“Pensais -dizia Jesus - silenciar os homens de paz? Pois esperais sufocar a voz de Deus, cuja glória e onipresença até as pedras cantam. Exigis que os homens não celebrem juntos sua ação de graças pela paz nos céus? Aconselhais que se reúnam em multidões e expressem sua unidade somente em ocasiões de guerra sobre a superfície terrestre? Então, preparai-vos, fariseus, para subverter os alicerces do mundo; pois os homens serenos, assim como as
pedras e a argila, e a água e o fogo e o ar se levantarão contra vós, para dar testemunho da harmonia divina que, existe na criação.”

Trailanga, iogue semelhante a Cristo, concedeu, uma vez, a meu sajo mama (tio materno) uma graça espiritual. Certa manhã, meu tio deparou com o mestre em meio a uma multidão de devotos no ghat de Benares. Deu um jeito de cortar caminho e aproximar-se de Trailanga, a fim de tocar humildemente os pés do iogue. E ficou assombrado ao se ver instantaneamente livre de uma dolorosa enfermidade crônica.



Shankari Mai Jiew

É mulher o único discípulo ainda vivo do grande iogue: Shânkari Mai Jiew. Filha de um dos discípulos de Trailanga, foi treinada pelo Swâmi, desde a primeira infância. Viveu durante quarenta anos numa série de cavernas solitárias no Himalaia, perto de Badrinath, Kedarnath, Amarnath e Pasupatinath, A bramachárini (asceta do sexo femi nino), nascida em 1826, já ultrapassou bastante o seu próprio centenário. Entretanto, não aparenta velhice, conservando
o cabelo negro, dentes brilhantes e uma energia admirável. Sai de sua reclusão periodicamente, para comparecer às melas ou concentrações religiosas.

Esta santa mulher visitava Láhiri Mahásaya, com freqüência; contou que, um dia, na zona de Barackpur, perto de Calcutá, enquanto estava sentada ao lado de Láhiri Mahásaya, o grande guru Bábají penetrou sem ruído na sala e conversou com ambos. - O mestre imortal usava uma tanga molhada - recorda ela - como se tivesse acabado de dar um mergulho no rio. Ele me abençoou com alguns conselhos espirituais.

Trailanga, em certa ocasião, em Benares, abandonou o silêncio costumeiro a fim de render pública homenagem a Láhiri Mahásaya. Um dos discípulos de Trailanga objetou: - Por que um swâmi e um homem, como o senhor, mostra tanto respeito a um chefe de família?

- Meu filho - replicou Trailanga - Láhiri Mahásaya é como um gatinho divino que permanece onde quer que a Mãe Cósmica o coloque. Enquanto representa o papel e cumpre os deveres de um homem do mundo, ele atingiu aquela realização de Deus que eu busquei pela renúncia de tudo - até de minha tanga!

Do livro de Paramahamsa Yogananda
AUTOBIOGRAFIA DE UM IOGUE CONTEMPORÂNEO
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

SABOREIE CADA COISA




Veja isto de maneira tranqüila. Não apresse as coisas. Saboreie-as mais. Faça mais planos e seja mais deliberado e específico sobre os planos que você está fazendo, e em tudo que fizer deixe sua intenção dominante o que lhe agrada quando você as imagina. Deixe seu desejo por prazer, seu desejo por sentir-se bem, ser sua única luz orientadora. Quando você procura estes pensamentos que o fazem se sentir bem, você sempre está em uma harmonia vibracional com a Energia que é sua Fonte. E sob essas condições, apenas o bem pode vir para você, e apenas o bem pode vir de você.


Abraham-Hicks


Excerto do Seminário em Philadelphia, PA/USA, em 14/Abr/1998
http://www.abraham-hicks.com/
Tradução: Luciene Lima, São Paulo, SP, Brasil

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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

MOUNI SADHU no ASHRAM de RAMANA MAHARSHI

Sri Ramana Maharshi e a montanha Arunashala


Maharshi deixou este mundo seis meses depois de eu ter deixado a Índia. Suas últimas palavras foram: “Dizem que estou morrendo, mas estarei aqui mais vivo do que nunca. Onde poderei eu ir?”

Muitos de seus discípulos que residiam à muitas milhas do “Ashram”, souberam de sua morte no próprio dia em que o Mestre deixou de viver em corpo físico. Pelas informações recebidas, verificou-se que a notícia foi comunicada misticamente, ou, poder-se-ia dizer, foi irradiada várias horas antes de ter sido dado o último suspiro pelo corpo de Maharshi, em lugares em que as cartas chegavam somente depois de uma semana.

Nenhum discípulo verdadeiro do Mestre sentiu tristeza ou desespero. O mesmo ambiente de lúcidas ondas de paz e luz espirituais foi sentido pelos corações de seus discípulos, tanto do ashram do santo, como do outro lado do oceano.

****

A princípio eu desejava falar-lhe, mas desanimava diante da superficialidade do que eu tinha a dizer-lhe. E, então, a intuição mostrou-me o caminho:

“O silêncio é a forma mais poderosa de ensinamento transmitido do Mestre para o discípulo. Não existe palavra pela qual se possa transmitir o que é importante, as verdades mais profundas.”(Palavras de Maharshi)
Comecei a escutar com muita atenção o Silêncio que rodeava o Mestre. Compreendi o grau elevado da concentração, em outras palavras, o controle dos movimentos do pensamento necessário para poder abrir a porta da mente às vibrações sutis irradiadas constantemente por Maharshi e que guiavam à elevada Iniciação. Compreendi também que meus exercícios anteriores não eram os melhores e que, então, provaram ser insuficientes. A princípio foi desanimador ver que todos os métodos anteriores tinham que ser examinados e modificados.

Cheguei a compreender que todo o conhecimento que eu podia alcançar ou assimilar ali, dependia de minha própria atitude, e que era responsável pelo que eu pudesse obter desta oportunidade única de estar aos pés de Maharshi, oportunidade que jamais se repetirá. Ou por outra, a luz que penetrar em meu ser será exatamente proporcional à abertura das portas de minha consciência.


Mouni Sadhu

Com algum esforço consegui acalmar minha mente. Ela já não cria pensamentos e os que aparecem imediatamente se desvanecem qual as pequenas nuvens no céu indiano. Contemplo o santo intensamente, olhando nos seus grandes olhos negros.

E repentinamente começo a compreender. Como poderei expressar em linguagem terrena exatamente o que compreendo? Como poderei dizer por palavras baseadas em idéias e experiências do homem comum, que criou e modelou a nossa língua, essas coisas mais elevadas e sutis? Poderei dizer que a vida de Maharshi não está concentrada neste vale terreno, que se estende além de do nosso mundo, que ele contempla um mundo real e diferente do nosso, um mundo que não está sujeito a tempestades e mudanças? Que ele é um facho de luz diante do trono do Mais Alto, espargindo seus raios por todos os lados? Que ele é como a fumaça do incenso que se eleva constantemente para o céu azul que vemos além do telhado do templo? Que seus olhos, que neste instante me fitam, parecem transmitir... Não, não posso dizer nada mais – nem posso pensar. Sinto apenas uma onda de lágrimas sobre a minha face, que flui silenciosa, abundante e serenamente. Não é de dor, sofrimento ou descontentamento. Não sei dizer sua causa.

E através dessas lágrimas vejo o mestre. Ele conhece bem a sua fonte. Sua fisionomia séria e quase solene expressa bondade, compreensão, amizade. É esse clarear da Luz Interior que o torna diferente de todas as outras fisionomias humanas. Na luz de seu fitar profundo repentinamente compreendo a razão e o motivo de minhas lágrimas. Sim, vejo, afinal. A Iluminação repentina é muito forte e não é possível crer imediatamente na verdade do que se vê. É “isso“ realmente possível? Mas o olhar de Maharshi parece trazer a confirmação. Posso dizer apenas que há momentos de experiências interiores, tão cheios de conseqüências que podem influir não somente sobre uma encarnação e sim em muitas.

“A paz que ultrapassa toda a compreensão humana.”
A meditação que acabo de descrever continua por alguns dias. E então se seguiu outra fase. As lágrimas deram lugar a uma quietude interior e a um sentimento de inexprimível, indescritível felicidade.

Essa disposição interior é independente de qualquer condição externa. Nem a dor das pernas, que muitas vezes nos incomoda, quando ficamos muitas horas sentados na mesma posição, nem as picadas dos mosquitos, nem o ardoroso calor, podem perturbar esta paz interior. Este estado se prolonga por tanto tempo quanto for possível não permitir que a mente crie novos pensamentos. Mas assim que a concentração cessa, a paz também desaparece. E novamente o mundo com seus problemas inquietantes, as ansiedades e expectativas aparecem.

Mas, uma vez descoberto o segredo dessa experiência, a porta para a sua repetição está aberta e podemos recorrer a ela novamente. Estou bem certo de que a assistência do Mestre é o fator mais importante nesse primeiro vislumbre da consciência supermental. Não creio que ele esteja interferindo ativamente, mas sua presença, sua irradiação constante produz, espontaneamente, esse efeito.

Então olho as pessoas que se acham no “hall” do templo – brâmanes e os sem casta, europeus e americanos, homens e mulheres, velhos, moços e crianças, todos se sentem felizes aos pés do Santo.


Do livro: "Dias de Grande Paz" de Mouni Sadhu


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publicado por conspiratio às 19:47
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

SONHO LÚCIDO - JOEL S GOLDSMITH


Por causa da influência hipnótica do pensamento e da crença universais, é necessário que firmemos e confirmemos nossa percepção consciente
da Presença. Ao sentirmos, uma vez, a presença consciente de Deus, não devemos pensar: “Agora, estou bem para sempre”. Você não está. Volte a ter esta sensação à tarde, se puder, e não se deite sem ela à noite. Nunca se deite sem ela à noite e pela seguinte razão: o sono é o estágio mais próximo da morte. Quando você dorme à noite, morre virtualmente, exceto que a profundidade de seu morrer não é tão profunda como a própria morte, portanto volta dela pela manhã. O intervalo do sono
é realmente só uma forma tênue da inconsciência total, que é a morte. A palavra “morte” significa a totalidade da inconsciência e, portanto, o
sono é o que há de mais próximo da morte.

Ninguém, neste caminho, deveria, em qualquer
ocasião, ir dormir em estado de inconsciência total ou de morte. Antes de ir dormir, firme
primeiro uma percepção consciente da presença de Deus. Então pode deixar seu corpo dormir ou ficar acordado, a noite toda, mas ele nunca
incomodará você, o que quer que você faça. O corpo não dorme. Ele está tão morto quando acordado como quando adormecido. É a nossa
percepção das coisas que dorme. Se tivéssemos de ficar acordados vinte e quatro horas por dia, na percepção consciente da presença de Deus,
o corpo continua trabalhando com a mesma regularidade e naturalidade.

Quando você atingir a percepção da presença
de Deus, esse “clique”, antes de se deitar, você pode dormir ou não. Não faz diferença. Mas, se
você dormir, não terá um sono inconsciente. Será deitar na cama e descansar o corpo, mas a consciência estará trabalhando, mesmo se
aparentemente você estiver dormindo. Você descobrirá que, às vezes, terá suas maiores iluminações espirituais durante o sono, já que sua consciência não está adormecida: é só o seu corpo que está descansando.


Joel S Goldsmith - A PALAVRA DO MESTRE


publicado por conspiratio às 16:25
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SURPREENDIDA PELA GRAÇA - Amber Terrell

Gangagi

Prólogo: A Busca Quando iniciei seriamente a busca espiritual, eu era uma estudante universitária no fim dos anos 60 e havia certas imagens em minha mente sobre como seria a iluminação. Como um ser iluminado, eu imaginava que continuaria sendo "eu", porém todos os aspectos indesejados da minha personalidade seriam corrigidos. Ao ter acesso à ilimitada inteligência do universo, eu seria brilhante, é claro. O melhor de tudo é que minha vida seria transformada em uma existência de bem-aventurança, um paraíso na terra, com saúde e circunstâncias perfeitas, totalmente isolada e protegida do mundo desgostoso, violento e egoísta que eu percebia ao meu redor.

Depois de passado mais de um quarto de século - consumido na intensa prática de meditação e ioga, jejuns, estudos, longos retiros em terras estranhas e anos de serviço a um mestre indiano -, comecei a me perguntar: Por que a iluminação não tinha acontecido? Por que a minha personalidade não tinha sido consertada? Por que, a essas alturas, minha vida não era o que imaginara que seria? No final de 1994, um grande desânimo havia se instalado. Embora muitas belas experiências, até mesmo espetaculares, tivessem ocorrido de vez em quando,embora tivesse aprendido como aquietar a mente e a respiração, e até vivenciado alguns dos siddhis, a iluminação permanecera um sonho, um conceito, existindo apenas na mente.

Tornou-se óbvio que, apesar de anos de esforço sincero, nenhum progresso real fora feito. Estava claro que faltava uma peça no meu acervo espiritual. Mas qual? Eu praticara com tanta dedicação, por tanto tempo. Na hora mais obscura e frustrada da minha busca espiritual, veio uma transmissão de Graça tão poderosa que a mente foi paralisada, o sonho foi despedaçado pela Realidade, todos os conceitos de iluminação foram rapidamente transformados em cinzas e, uma após outra, camadas de falsa identificação com a mente foram implacavelmente eliminadas. Esta transmissão tomou a forma de uma professora chamada Gangaji e emanou pura e diretamente da linhagem de um dos sábios mais respeitados deste século, Sri Ramana Maharshi. Gangaji apareceu em minha vida na primavera de 1995, trazendo uma guirlanda de rosas em uma mão e uma espada na outra.

Com as rosas ela me deu as boas-vindas, colocando-as em torno do meu pescoço em um abraço amoroso; com a espada, cortou minha cabeça. Este corte só foi extremamente doloroso enquanto tentei me apegar à minha cabeça, à "mente", como uma coisa real, como quem eu era. Conforme esta ilusão foi se enfraquecendo, através da Graça mais inimaginável, vi que tanto a espada quanto as rosas eram a mesma coisa- simplesmente aspectos de seu infinito Amor.
Gradualmente, ela revelou que este Amor é o meu próprio Amor, meu próprio Ser - não o ser individual, tal como é percebido pela mente, mas o verdadeiro ser, para além da mente, que algumas pessoas chamam de Ser de Cristo ou o Ser universal - o Amado sempre presente.


Todo ser humano, seja consciente ou inconscientemente, busca este Amado Ser em mil direções, mentais, emocionais e sensoriais. Esta caçada prossegue incessantemente nas esferas material e espiritual do mundo até que,finalmente, muitas vezes através do encontro com um poderoso reflexo do Ser em alguém ou alguma coisa, a pessoa é parada -derrubada, achatada, rendida - e na quietude d'Isso, ela vê o que não fora percebido, vê o que esteve sempre presente, vê finalmente que tudo que sempre foi desejado é, na realidade, quem a pessoa sempre foi. Neste ato de ver está o despertar de um sonho. Muitas pessoas especulam sobre se um professor humano é necessário para este despertar e, nos últimos anos, esta questão tornou-se tópico de um debate acirrado.

Algumas pessoas argumentam que a relação íntima entre professor e aluno, tão estimada e honrada nas tradições místicas do passado, é desnecessária ou inapropriada nesta nova era de uma vida consciente. Afinal de contas, a verdade não está dentro de nós? Em teoria, é claro, um professor externo não precisa necessariamente existir. O que cada um está buscando está mais próximo que a respiração, mais próximo que uma batida do coração. Mas a determinação e a implacabilidade necessárias para romper o hábito da identificação com a mente são raras. São mesmo sutis as maneiras com que o ego evita o aniquilamento, cuidadosamente servindo a si mesmo até sob o disfarce de "prática espiritual".

Na famosa história de Arthur C. Clark, 2001, Uma Odisséia no Espaço, o computador HAL 9000 pode ser visto como uma perfeita metáfora do ego humano. Na história, HAL é projetado para executar todos os procedimentos da nave espacial, incluindo os sistemas de manutenção da vida. Quando a tripulação percebe que HAL começou a cometer erros, erros que não está disposto a admitir, ela se dá conta de que o computador terá de ser desconectado e a nave deverá ser pilotada através de sinais de rádio enviados pelo computador gêmeo de HAL, que está na Terra. Mas HAL não é tão facilmente desconectável. Sua própria preservação torna-se mais importante do que o serviço à humanidade para o qual fora projetado. Ele começa a manipular e destruir qualquer coisa ou pessoa que ameace a sua existência, qualquer coisa que possa expor a mentira de sua traição.

O ego humano opera de maneira muito semelhante. Ele também não é facilmente desconectado. Ego é pura ilusão, criada pela errônea identificação de quem se é com a mente e suas projeções - mental, emocional, física e circunstancial. Como HAL, ele criará uma poderosa defesa para proteger esta ilusão. A maioria das pessoas não consegue ver através desta ilusão, ou desta defesa, tempo suficiente para romper o hábito da identificação mental. É como confiar em HAL para cortar seus próprios circuitos desorientados. Esta ruptura é tradicionalmente o papel do guru, que significa literalmente "o que dispersa a escuridão". O guru não é apenas alguém que atravessou a ilusão, mas alguém que reflete tão puramente esta realidade ilimitada que todos nós somos, que nosso próprio Ser infinito pode ser visto refletido nele. Uma indicação de que alguém encontrou seu verdadeiro professor está em ver o Ser no professor, como em um espelho sem mácula.

Esta visão é misteriosa. Não pode ser merecida. Não pode ser comprada. Não pode ser explicada nem compreendida pela mente. A única palavra que chega perto de descrevê-la é Graça. É um mistério como a Graça pode surgir na vida de uma pessoa e penetrar o sonho da separação. A partir do momento em que olhei nos olhos de Gangaji pela primeira vez, a Graça inundou todos os aspectos da minha vida como um rio caudaloso inunda o campo, afogando tudo por onde passa, não deixando qualquer estrutura feita pelo homem intacta, não deixando nada como era antes. No início, este afogamento provocou o surgimento de muito medo e luta. Quando tudo com que uma pessoa se identificava enquanto "si" está sendo dissolvido, uma espécie de morte é vivenciada. Ela não tem nada a ver com a morte física. É a morte do "pessoal", a morte da separação. É a morte espiritual de que falam todas as tradições místicas do mundo, de São João da Cruz, dos hinos védicos da Índia à poesia extática dos sufis. É uma verdadeira morte, uma morte definitiva - a morte da identificação com tudo que pode morrer e com tudo que pode nascer. É um despertar para a eternidade. Foi um grande choque descobrir que a iluminação não tem nada a ver com a realização de uma lista de desejos pessoais. A iluminação não é pessoal de modo algum.


Ironicamente, é esta preocupação com o pessoal, o apego à mente e à personalidade como o que nós somos, que obscurece a Verdade inacreditável - a iluminação já está aqui, já é quem nós somos! A todos aqueles que estão exaustos desta busca, que sentem um anseio que queima no fundo de seus corações, um anseio que sabem que jamais poderá ser satisfeito através dos habituais caminhos da carreira, do relacionamento ou da aquisição, aos que continuam insatisfeitos após anos de estudos e práticas espirituais, ofereço este relato de um encontro com a Graça, da dissolução da identificação com a mente, do fim de uma busca e do fim de uma buscadora.

Capítulo 1: Encontre o Buscador "Como uma lamparina que não bruxuleia, em um lugar sem vento" - é assim que o Bhagavad Gita descreve a mente de um ser iluminado. Libertada das angústias da raiva, medo e inveja, tal alma permanece em paz em meio ao mundo, indiferente às intermináveis polaridades dos "pares de opostos" - prazer/dor, ganho/perda, arrogância/falta de valor, aceitação/rejeição,felicidade/tristeza e assim por diante. Toda esta filosofia eu entendia muito bem. Mas filosofia e entendimento,finalmente havia compreendido, não podiam me dar a liberdade. Sentei-me no salão da Igreja Unitária de Boulder, Colorado, em meio a centenas de pessoas, esperando que o "satsang" começasse, perguntando-me por que tinha vindo.

Definitivamente, houvera alguma hesitação quando uma amiga telefonara para me convidar naquele dia. "Satsang significa 'associação com a Verdade' ", minha amiga explicara. Senti resistência. Parecia indiano. Tinha desistido da sabedoria da Índia. Por mais bela que parecesse em teoria, eu tinha deixado de acreditar que suas mensagens e práticas pudessem se traduzir em um real benefício para a vida de uma buscadora no Ocidente, no final do século XX. Minha amiga continuou, dizendo que satsang estava sendo oferecido por uma mulher chamada "Gangaji". Isto também parecia indiano. Mais resistência. Ela depois explicou que Gangaji é discípula de um mestre indiano chamado H.W.L.Poonja, a quem ela chama de Papaji. Ela tinha me falado sobre Papaji antes e me oferecera algumas fitas e livros, mas eu nunca me interessara.

Acontece que esta noite específica era 26 de abril de 1995, a véspera do vigésimo sexto aniversário do início consciente da minha busca espiritual,da minha iniciação nas práticas sagradas do Oriente. Eu estava profundamente desanimada. A data me lembrava como havia desperdiçado minha juventude e minha vida em uma busca ilusória pela iluminação. Eu estava desanimada o bastante para abrir mão de idéias preconcebidas e julgamentos e ser guiada,pelo menos por uma noite. Concordei em ir ao satsang e convenci meu marido,Toby, a ir comigo. Quando chegamos à igreja, o salão de reuniões estava quase repleto. A maioria das pessoas estava sentada no chão, ao estilo indiano, com almofadas ou cadeiras de meditação. Algumas cadeiras haviam sido colocadas no fundo da sala, mas já estavam ocupadas. Ao encontrar um espaço vazio no chão, mais para o fundo da sala, sentei-me e abracei os joelhos, espremida entre um homem grande e um banco encostado na parede, cheio de pessoas. "Estou ficando velha demais para esta coisa indiana", resmunguei. Na parte frontal do salão havia um pequeno sofá sobre uma plataforma levemente elevada, ladeada por um modesto arranjo de flores e duas grandes fotografias de homens indianos. Deduzi que estes deveriam ser os professores de Gangaji, pois tinha visto as mesmas duas fotos penduradas na parede da casa da minha amiga. Um destes rostos sempre havia atraído a minha atenção. Os olhos eram impressionantemente belos, nadando em compaixão e amor, de uma profundidade assombrosa. Descobri mais tarde que era uma foto de Sri Ramana Maharshi, o mestre de Papaji.

Uma câmera de vídeo e um equipamento de áudio estavam montados no centro do salão. Lâmpadas brilhantes para a gravação em vídeo estavam focalizadas no sofá sobre a plataforma, onde Gangaji aparentemente se sentaria. O resto do salão estava levemente iluminado. Olhei em torno, para os rostos dos buscadores presentes. Alguns pareciam cansados e esgotados, talvez pelo esforço e a frustração de anos de busca e de prática. Outros pareciam radiantes e abertos, com a alegria inocente da esperança e da expectativa - como a minha, vinte e seis anos antes.

Naquela noite não havia expectativa em meu coração, pelo menos não conscientemente. Novamente, um pensamento atravessou minha mente: por que eu tinha vindo? Para agradar à minha amiga, talvez? Embora os aspectos "mundanos", exteriores, de minha vida tivessem sido relativamente confortáveis nos últimos anos - um marido amoroso, um lindo cavalo árabe,trabalho que me agradava e muitos amigos maravilhosos -, uma profunda inquietação ainda me incomodava. Era um anseio por me libertar dos "pares de opostos", por ser como "lamparina em um lugar sem vento," por viver cada momento em conexão com o Infinito. Era um anseio que podia me acordar às quatro horas da madrugada, gritando para o universo, "EU NÃO ENTENDO! Fiz tudo que podia fazer e, ainda assim, EU NÃO ENTENDO!

Algumas semanas antes, um grito desesperado havia saído do meu coração, clamando por algum tipo de ajuda. Pedi a todos os guias e mestres que já tinham ouvido minhas preces algum dia por um professor de carne e osso, um exemplo vivo desta liberdade pela qual ansiava. A estas alturas, havia feito pesquisas, leituras e práticas suficientes para ser bastante específica sobre o que queria - não uma pessoa em um livro, não um monge, não um indiano, não um mestre desencarnado ascensionado, não algum professor remoto em um continente distante. Por mais grata que estivesse a todos os ensinamentos e professores que tinham me guiado até aquele ponto, sabia que o que precisava agora era um ocidental de carne e osso, alguém que estivesse vivendo o infinito, alguém que estivesse por perto, alguém que fosse simplesmente como eu.

Quando Gangaji entrou no salão naquela noite, alguma coisa parou dentro de mim, com uma espécie de choque suave. Primeiro, ela era ocidental, com cabelos louros e mais ou menos da minha idade. Minha amiga tinha deixado de me dizer que esta professora com um nome indiano era, na verdade, americana. Enquanto Gangaji atravessava a estreita passagem que havia sido cuidadosamente demarcada no chão com fita adesiva, por entre as almofadas e cadeiras de meditação, eu a observava com intensidade e interesse incomuns. Quando se sentou de pernas cruzadas no sofá, o tempo pareceu se distorcer por um momento e o salão entrou em um movimento lento. Alguma coisa nela parecia familiar, como se tivesse conhecido essa pessoa há muito, muito tempo. Não, era mais do que isto - curiosamente, ela me lembrava de mim mesma.




Gangaji fechou os olhos, assim como os demais, portanto supus que a noite começaria com uma meditação. Fechei meus olhos também, mas não consegui sossegar. Minha mente estava por todo o local e meu coração estava disparado. Estranhamente, sentia a presença dela no fundo da minha alma,como se ela estivesse observando meus fracassados esforços para meditar. Isto me irritou, me embaraçou ou, talvez mais exatamente, me humilhou, porque meditação era uma das coisas que acreditava que podia fazer realmente bem. Afinal de contas, vinha fazendo isto há vinte e seis anos - completados naquele dia!

Após quinze ou vinte minutos, Gangaji abriu os olhos. Juntando as palmas das mãos, disse suavemente: Bem-vindos ao satsang. Então, pediu que aqueles que nunca a tinham visto antes erguessem a mão, para poder cumprimentá-los. Ergui minha mão levemente. Havia um monte de pessoas novas e pareceu que os olhos dela varriam o salão rapidamente. Pensando que ela não tinha me visto,vi-me erguendo a mão um pouco mais alto. Não sei por que era importante que ela me visse. Não pensei realmente nisto. Foi apenas um impulso. Para minha surpresa, ela olhou em minha direção novamente e riu suavemente: Sim, eu vejo você. Fez isto com o tom e o sentimento que uma mãe atarefada empregaria com uma criança ansiosa que reclamasse ruidosamente a sua atenção. Embaraçada, deixei cair minha mão rapidamente e percebi uma estranha sensação de queimação, que atravessou repentinamente o meu corpo. Gangaji começou a falar ao grupo de aproximadamente quatrocentas pessoas, incluindo uma multidão excedente que estava em uma sala adjacente, diante de um monitor de vídeo. Ela falava muito claramente e com um leve sotaque sulista.

Você é mais do que bem-vindo ao satsang. No satsang, muito simplesmente, você pelo menos ouve que já é completamente, totalmente perfeito. Não estou falando de seu corpo, sua mente, suas emoções ou as circunstâncias de sua vida. Estes são inerentemente imperfeitos e permanecerão imperfeitos,perfeitamente imperfeitos. Minha mente se rebelou por um momento, "Espere um minuto! Não é assim que a iluminação deveria ser! Todos os problemas deveriam desaparecer. Você fica com uma saúde perfeita, não? Todo o mau karma é dissolvido. O que ela quer dizer com 'já somos perfeitos'? Como podemos ser perfeitos quando tantos aspectos de nossas vidas permanecem imperfeitos?" Mas estas vozes interiores logo quedaram silenciosas. Naqueles últimos anos do meu desânimo, eu tinha começado a me questionar se realmente entendia o que a iluminação significava. Sendo assim, escutei.


Você vestiu um manto chamado corpo, circunstâncias, pensamentos, emoções. Nenhum problema nisso. Qual pode ser o problema com um manto? Um conjunto de roupas? Inerentemente, nenhum problema. Só se você se identifica como sendo estas coisas é que você começa a sofrer. Porque, como você vê, estes mantos, estas roupas, começam a se desintegrar muito rapidamente. E, se você identificar a si mesmo como alguma coisa que obviamente se desintegra, existe um grande medo, um sofrimento desnecessário e uma busca por isso que é permanente. Minha mente era inerentemente muito analítica. Na faculdade, tinha me diplomado em filosofia e estudos religiosos e, depois da graduação, viajara pelo mundo, estudando as tradições místicas do Oriente e do Ocidente - tanto intelectual quanto experimentalmente. Sentia que sabia muito a respeito da verdade e a maioria dos meus amigos respeitava meus pontos de vista filosóficos. Não ficava facilmente impressionada com aqueles que professavam saber alguma coisa sobre espiritualidade e, geralmente, ficava entediada e me tornava crítica após alguns minutos. Por esta razão, nos últimos anos, raramente havia comparecido a palestras e reuniões deste tipo. Mas, conforme escutava as palavras de Gangaji, elas me transmitiam uma autoridade tranqüila e um tom de verdade que prendiam minha atenção como ninguém mais havia conseguido em anos. O componente analítico do meu cérebro parecia estar diminuído.

Na verdade,logo percebi que o que estava acontecendo "dentro" não era estritamente por causa das palavras dela. Alguma coisa mais profunda estava sendo transmitida, penetrando bem além da minha mente. - Isto é muito bom. Estou feliz por você ter buscado isto. E agora, PARE! [risadas] Encontre o buscador. Você verá que isto é apenas uma imagem, apenas uma idéia, baseada em outra idéia equivocada, a de que você não é Isso que já é inteiro, completo, perfeito e ilimitado. O que significa isto? Encontre o buscador. Nunca tinha pensado nisso. Novamente percebi que ela me lembrava de mim mesma. O que era? O modo como espremia os lábios um contra o outro, alguns de seus gestos? Eu não conseguia definir.

Este é o último satsang público durante algum tempo aqui em Boulder. Depois, estarei de volta durante quase todo o verão. Mas há bastante tempo. Temos, hmmm, uma hora, uma hora e quinze minutos. Tempo bastante. Você levou milhões de anos para chegar a este momento de ouvir e receber a Verdade. Esperemos que este seja um tempo bem utilizado. [risadas novamente] Ela parecia estar falando diretamente comigo. Pois, naquele momento, misteriosamente, senti a carga daqueles milhões de anos pesando sobre os meus ombros. Senti uma excitação, também, alguma coisa elétrica no ar, como se algo importante estivesse acontecendo, mas não tinha idéia do quê.

Gangaji pegou uma carta e pediu que o autor erguesse a mão, para que pudesse ver onde estava sentado. Na carta, a pessoa contava um monte de problemas pessoais. Gangaji rapidamente foi direto ao cerne do problema, indicando que este ser que estava consciente dos problemas não havia sido tocado por eles e, de fato, permanecia inalterado, quer as circunstâncias apresentassem problemas ou alegria. Fiquei admirada com esta resposta e reconheci sua verdade. Nunca tinha ouvido ninguém falar de uma maneira tão direta e verdadeira. Após ler mais algumas cartas, Gangaji começou a acolher perguntas da platéia. Conforme observava suas interações com as pessoas, ficava óbvio que, como eu, elas estavam recebendo algo mais do que simplesmente suas palavras. Isto tornou-se ainda mais aparente quando um homem perguntou sobre sua própria mente agitada. Gangaji nem respondeu, apenas olhou em seus olhos intensamente durante algum tempo. Finalmente, o homem sorriu e pude ver todo o seu rosto mudar, todo o seu ser relaxar. Gangaji reconheceu a mudança silenciosa, dizendo simplesmente: Sim, assim é melhor. Estava claro que alguma espécie de transmissão não-dita emanava dela e podia ser recebida por corações e mentes abertos. Sua mensagem central parecia ser: "Pare. Fique quieto." Mas não foi como se eu tivesse ouvido e então "feito" isto. A partir do momento em que ela entrou no salão, parece que uma profunda quietude tomou conta de mim - de surpresa.

Às vezes, a resposta de Gangaji a uma pergunta parecia gentil e amorosa; outras vezes, ela respondia mais rispidamente. Cada resposta parecia exatamente certa para a pessoa que perguntava, interrompendo suas queixas ou sua intelectualização, desviando-a da pergunta e direcionando-a para quem fazia a pergunta. A absoluta retidão de seu estilo revelou uma disposição implacável e nada sentimental, que eu achava levemente inquietante. Mas, enquanto observava sua interação com as pessoas, tive a estranha sensação de que estava vendo a Liberdade pela qual tanto ansiara. Alguma coisa na quietude e na confiança com as quais ela falava transmitia isto. Ela sabia o que estava dizendo. Podia-se sentir isto nas suas palavras. Ela sabia a partir da experiência direta, não de alguma coisa que tivesse memorizado, lido ou ouvido. Mais ou menos no meio da noite, percebi que estava perguntando a mim mesma se esta poderia ser a professora pela qual havia implorado. O universo realmente atende às preces tão rapidamente? Ficava espantada só de considerar esta possibilidade.

Enquanto o satsang avançava, dei-me conta de que estava sentindo um intenso e assombroso amor por ela e, ainda assim, definitivamente, também um grande medo. Pois em seus olhos percebia uma vastidão que poderia destruir tudo que pensava compreender, tudo que pensava ser. Em pouco tempo, a reunião terminou. Gangaji juntou as palmas das mãos novamente e disse Om Shanti, que eu entendi como "Paz para todos." Enquanto ela deixava o salão, meus olhos e meu coração a seguiram. Um profundo senso de gratidão tomou conta de mim e um anseio que minha mente não compreendia. Pediram ao grupo que ficasse sentado em silêncio durante cinco minutos, até que Gangaji e as pessoas que estavam ajudando nas mesas de informações do lado de fora tivessem oportunidade de sair do salão. Depois de alguns minutos, as pessoas começaram a se retirar lentamente do salão, enfileiradas. Quando meu marido me ajudou a me levantar, eu estava em uma espécie de torpor. Alguma coisa não estava funcionando direito no meu cérebro. Embora houvesse uma grande comoção ocorrendo ao meu redor naquele salão lotado, tudo parecia estranhamente quieto e imóvel. Quando cheguei à porta, pedi a Toby que deixasse uma doação substancial na cesta. Nossa amiga viu a nota que Toby estava segurando e comentou: "Só uns dois dólares está bom. Ninguém deixa tanto assim." Mas uma gratidão profunda e inexplicável tinha tomado conta de mim e percebi que estava arrancando a nota da mão do meu marido, garantindo a mim mesma que ela alcançaria seu destino na cesta.

Depois do satsang, nossa amiga nos convidou para tomar chá em sua casa. Achala era alemã e, já que Toby estava estudando alemão, eles conversaram facilmente um com o outro. Sentamo-nos à mesa de jantar, bebericando chá; enquanto ela e Toby tagarelavam sobre todo tipo de coisas, fiquei sentada em silêncio, incapaz de falar. Não que estivesse pensando em alguma coisa que Gangaji tivesse dito. Eu não estava pensando em nada. Havia apenas uma quietude imóvel e gigantesca me engolindo. Sabia que alguma coisa dentro de mim fora alterada radicalmente, mas não tinha idéia do quê nem como. Naquela noite, deitada na cama, meu corpo ainda queimava em um fogo estranho. Sentia um intenso anseio por estar na presença daquela mulher sobre quem nada sabia. Ela dissera que aquela seria sua última aparição em Boulder durante algum tempo. Para onde iria? Eu precisava saber.

Peguei o material impresso que Achala me dera, com a programação de Gangaji, e descobri que ela daria um retiro de uma semana, começando dentro de alguns dias no Estes Park, uma estância na montanha, a noroeste de Boulder. Imediatamente, eu quis ir. Na manhã seguinte, logo cedo, um telefonema para a Satsang Foundation & Press, a organização que apóia as atividades de Gangaji, revelou que o retiro estava lotado há semanas e que a lista de espera tinha mais de cem pessoas!

Decepcionada, desliguei o telefone. Examinando os folhetos novamente, descobri que haveria outro retiro no sul do Colorado, no fim de agosto. Um pensamento atravessou a minha mente: "Assim é ainda melhor; isto me dará mais tempo para investigar esta professora e seus ensinamentos, antes de me comprometer com um retiro de uma semana com ela." Mas uma forte voz que parecia vir do fundo da minha alma retorquiu: "Então será tarde demais." A força daquela voz me tomou de surpresa e passei a manhã lutando, discutindo, argumentando com ela. Mas, quando chegou a tarde, vi-me pegando o telefone novamente e ligando para a Fundação, desta vez pedindo que meu nome fosse adicionado à longa lista de espera para Estes Park. Em algum lugar dentro de mim, sabia que iria. Havia uma sensação de destino em relação a isto, como se estivesse sendo "chamada", uma sensação de que toda a minha vida até aquele ponto havia sido uma espera, uma preparação, um anseio por este encontro.

Nos dois dias que se seguiram, peguei alguns vídeos de satsang emprestados com Achala e vi um após o outro. Comecei a analisar as palavras de Gangaji, a compará-las com outros ensinamentos que havia estudado, a compará-la com outros mestres com quem estivera - a maioria deles indianos. Uma atitude crítica apareceu. Comecei a identificar algumas coisas que ela estava dizendo como vindas de uma perspectiva budista e percebi que estava oscilando, um minuto não querendo ir ao retiro, feliz por não ter conseguido entrar e, no momento seguinte, estando consciente de uma atração inexplicável, um desejo de estar perto de Gangaji novamente. Isto não fazia sentido algum. E, nos dias que se seguiram, comecei a fazer um esforço consciente para esquecer o retiro, Gangaji, a coisa toda, e me ocupar de outras atividades. No sábado, eu tinha empurrado o retiro para o pano de fundo da minha tenção. Então, naquela noite, a noite anterior ao início do retiro, me telefonaram da Fundação com notícias - devido a um cancelamento de última hora, tão de última hora que ninguém acima de mim na lista de espera poderia modificar seus planos, eu fora aceita no retiro...


Gangaji
Capítulo 2: O Cajado do Iogue
</a>Amber TerrelSurpreendida pela Graça - Amber Terrellhttp://www.shermantranslations.com/surpreendida.shtml

"Que choque foi para mim descobrir que a iluminação não tem nada a ver com auto-aperfeiçoamento, nada a ver com a realização de uma lista de desejos pessoais. A iluminação não é absolutamente pessoal. Ironicamente, é a preocupação com o pessoal, o apego à mente e à personalidade como sendo quem somos que obscurece a Verdade inacreditável: a iluminação já está aqui; ela já é quem somos." —Surpreendida pela Graça.



No domingo de manhã, Toby colocou minha mala e meu edredon em nossa caminhonete e partimos para Estes Park, pela auto-estrada 36, em direção ao norte. Já que só tínhamos um carro naquela época e Toby precisaria dele enquanto eu estivesse fora, o plano era que ele me deixaria no retiro e voltaria para me pegar oito dias depois.
Serpenteando por um cânion arborizado, a estrada nos conduzia através de algumas das mais belas paisagens do Colorado. Mas eu mal as percebia.

Uma estranha mistura de alegria e pressentimento predominava em minhas emoções. Toda a coisa começou a me parecer um pouco maluca. Estava sendo levada para uma semana inteira com um monte de pessoas sobre as quais nada sabia, com uma professora que acabara de conhecer. Isto não fazia sentido para a minha mente. Mesmo assim, havia também uma inexplicável excitação no fundo da minha alma e um misterioso "conhecimento" de que aquilo que aconteceria nos próximos dias alteraria minha vida para sempre. Toby percebeu alguma coisa estranha também. "Sinto que você não vai voltar de lá," ele disse. "Não a mesma, em todo caso."

Chegamos ao nosso destino no início da tarde. Situado em um vale na alta montanha, a uns 65 quilômetros de Boulder, Estes Park é uma bela estância de montanha, famosa por seus picos imponentes e por ser a porta de entrada do Parque Nacional das Montanhas Rochosas. Após a inscrição e a confirmação de presença, Toby encontrou o meu quarto, seguindo as instruções recebidas na mesa de recepção. Ficava no alojamento principal, bem ao lado do salão do satsang. Não havia outra bagagem, portanto deduzi que minha colega de quarto ainda não tinha chegado. Era um quarto grande, com banheiro e uma bela vista das montanhas. Havia apenas uma cama beliche perto da porta e uma cama de casal perto da janela. Os beliches não pareciam muito confortáveis, e eu preferia ficar perto da janela, onde poderia receber ar fresco, portanto pedi a Toby que colocasse minha mala e o edredon na cama de casal. Depois de ver que estava confortavelmente instalada, ele me informou que tinha que estudar em casa e precisava voltar imediatamente. Nós nos despedimos e ele foi embora.

Senti-me muito estranha por ter sido deixada ali assim. Nos nove anos em que estivéramos casados, nunca tínhamos nos separado por tanto tempo. Entretanto, eu tinha uma imagem de mim mesma como muito independente e ignorei os sentimentos de solidão. Examinando o cronograma do retiro, descobri que faltavam mais de duas horas para o jantar - tempo suficiente para completar minha rotina noturna habitual de ioga e meditação. Tomei um banho de chuveiro e, quando me preparava para fazer algumas posturas de ioga no chão, minha colega de quarto chegou. Deu para ver que ela ficou perturbada ao perceber a situação das camas. Finalmente, ela disse que não poderia dormir no beliche de baixo, porque tinha claustrofobia, e que estava preocupada porque o beliche de cima não agüentaria o seu peso, já que era bem avantajada. Parecia que eu não tinha escolha, a não ser dar-lhe a cama de casal.

Naquela noite, Gangaji nos recebeu com um satsang curto. Havia aproximadamente cento e cinqüenta pessoas, a maioria sentada no chão. Escolhi um lugar perto da porta lateral, encostada na parede, entre uma cadeira e uma mesa com uma enorme planta em cima. Sentia-me insegura. Nas últimas horas, depois que Toby havia me deixado ali, minha apreensão em relação a estar nesse lugar, com todos aqueles estranhos havia aumentado. Não me lembro muito do que Gangaji disse naquela noite, exceto: Para perceber a Verdade do seu Ser você precisa estar nu, exposto e disposto a morrer.

Isto me pareceu uma coisa bizarra e abusiva. Eu odiava ficar nua, evitava cuidadosamente todo tipo de exposição e não tinha idéia do que ela queria dizer com "disposto a morrer". Esta pessoa, tão tímida e reservada, não tinha intenção de fazer qualquer mudança neste sentido. Enquanto a escutava dando as boas-vindas ao grupo, senti resistência surgindo no mesmo instante - resistência a ela, resistência a estar ali, a esse grupo de estranhos. O que eu estava fazendo, experimentando "mais uma coisa espiritual"? Julgamentos começaram a aparecer: estas pessoas provavelmente não vêm praticando há tanto tempo quanto eu; provavelmente são iniciantes, para quem um retiro silencioso como este pode trazer algum sentimento de paz. Eu tinha passado anos em retiros silenciosos na Ásia e na Europa, muitos deles de quatro a cinco meses de duração. Não apenas sabia como silenciar a mente com minha prática de meditação, como tinha sido treinada para ensiná-la e fizera isto durante anos. Até experimentara alguns dos siddhis, poderes sobrenaturais. O que eu estava fazendo em um retiro para iniciantes? O que realmente precisava era de alguma coisa mais avançada. O que realmente precisava era encontrar a peça que estava faltando.

Enquanto isso, Gangaji estava sugerindo que este tempo no retiro era um tempo para "ver o que não foi visto", para reconhecer o que é que você está tentando obter e do que é que você está tentando se esquivar. E então, PARAR - parar todo movimento em direção a algo ou para se afastar de algo. "Retiro é um tempo para parar". Eu não entendi isto. Havia muitas coisas das quais me esquivava, tinha que me esquivar delas. Era uma pessoa do tipo reservada, muito comigo mesma. Pois sentia que havia uma pureza bem dentro de mim, e o mundo exterior constantemente apresentava inúmeras possibilidades de poluição.

Pouco mais de vinte minutos tinham se passado, após Gangaji nos ter dado as boas-vindas naquela noite, quando ela se despediu de todos, para que pudéssemos descansar, já que muitos tinham feito uma longa viagem para participar deste retiro. Voltei para o meu quarto, sentindo tudo menos disposição para descansar. Um redemoinho se agitava dentro de mim. Enquanto subia a escadinha do beliche, senti-me com oito anos novamente. Minha irmã e eu tínhamos dividido um beliche há muito tempo e eu sempre ficava com a cama de cima, porque ela costumava andar enquanto dormia.

Deitei na cama, tentando ficar confortável, e percebi que aquela queimação tinha surgido no meu corpo novamente. Pensei: "Talvez esteja ficando doente. Certamente estou com febre." Minha colega de quarto estava dormindo e roncando. Sentia-me desconfortável por dividir um quarto com uma pessoa que não conhecia. Em casa, estava acostumada a ter o meu próprio quarto, e meu marido tinha o dele. Uma natureza profundamente solitária estava cravada bem fundo nesta personalidade e precisava de uma enorme quantidade de espaço. Depois de passada uma hora sem sono à vista, comecei a chorar. Inicialmente, estava preocupada porque poderia perturbar a minha colega de quarto e tentei chorar baixinho, sufocando as lágrimas. Mas seu ronco pesado permanecia inalterado, apesar dos meus soluços. Aliviada de minha preocupação, deixei as lágrimas correrem livremente, soluçando até o início da manhã.

Não tinha idéia de por que estava chorando. Só me sentia terrível, encurralada, solitária, de um modo como jamais tinha me sentido antes. Mais ou menos no meio da noite, um plano de escapada formou-se em minha mente. Telefonaria para o meu marido de manhã, pedindo para ele vir me buscar. Provavelmente não haveria reembolso da taxa do retiro e ele ficaria furioso, mas valia a pena. Eu estava profundamente desconfortável e infeliz, talvez estivesse doente, e tinha que dar o fora dali. Mas quando a luz da manhã começou a brilhar mais, senti-me mais leve - o que não fazia absolutamente sentido. Depois de soluçar uma noite inteira, deveria estar exausta, um zumbi, um desastre emocional. Em vez disso, sentia-me limpa, profundamente lavada e muito mais leve. Decidi adiar o telefonema para meu marido.

No salão do satsang naquela manhã,encontrei o mesmo lugar disponível, encostada na parede lateral, como na noite anterior e, mais uma vez, agachei-me debaixo da planta, entre a mesinha e a cadeira. O homem sentado na cadeira sorriu para mim amistosasamente, mas a sensação de ser uma forasteira ainda estava nítida. Estava acostumada a participar de retiros com pessoas com quem convivia há anos, com as quais tinha crescido, que eram como a minha família. Havia uma sensação de estar perdida, solitária, de não saber o que estava acontecendo. Alguém anunciou, antes do satsang, que o salão estaria disponível vinte e quatro horas por dia para "sentar", mas não se poderia fazer ioga nem ler ou cochilar nele. Eu me perguntava o que era este "sentar".

Sempre tinha usado um mantra nas minhas meditações. Mas, a esta altura, tinha descoberto que Gangaji não ensinava qualquer técnica, não dava mantras, não encorajava prática de espécie alguma. Eu me perguntava: "Então o que todas estas pessoas estão fazendo sentadas tão silenciosamente? Não estão fazendo nada?" Não havia oportunidade de perguntar a ninguém sobre isto, porque o retiro estava sendo feito em "silêncio de conversação". Ninguém devia falar desnecessariamente fora do satsang. Eu não ia fazer perguntas no satsang - pelo menos não ainda.

Quando Gangaji chegou, a neve tinha começado a cair do lado de fora das grandes janelas panorâmicas. As montanhas pareciam etéreas, envolvidas em uma névoa branca. Muitas pessoas falaram sobre como estavam emocionadas por sentarem em satsang com Gangaji, em um lugar tão belo. Eu, porém, estava sentada ali, me sentindo como se tivesse sido atirada dentro da família de outra pessoa, na época do Natal, e que observava todos os outros abrirem os seus presentes.

Gangaji começou a manhã assim: Então, como vamos passar este tempo? Existe um grande benefício em ser removido da rotina normal do dia-a-dia. Mas eu não estou falando disto. Estou falando sobre internamente. Como você passa o seu tempo? Em que você está pensando? Está pensando em conseguir alguma coisa, perder alguma coisa, conservar alguma coisa ou evitar alguma coisa? Se está, isto é um desperdício de energia. Era exatamente o que eu estava pensando. Em me manter distante - distante de todas estas pessoas que não conhecia, distante de todo este jargão espiritual que parecia tão estranho, se comparado à linguagem com a qual estava acostumada, distante desta professora que falava tão severamente sobre estar "nu, exposto e disposto a morrer."

Gangaji continuou: Isto é o habitual, é claro. Qualquer que seja o foco, seja obter a próxima refeição, ou obter a próxima experiência, isto é o habitual. Portanto, a oportunidade do retiro, de um retiro silencioso é, antes de tudo, ver como você está passando o seu tempo e então parar. Assim mesmo, sem mais discussão. Ela começou a ler uma carta. Amada mestra: A noite passada eu estava estourando de raiva, medo, desespero. Vi vício por toda parte. Vi toda a minha vida como nada mais do que vários padrões de vício. Ela parou de ler e olhou diante de si, fixou os olhos no autor da carta e deu a esta pessoa um olhar duro. Pegou uma bolinha de espuma que alguém havia colocado em seu sofá e a atirou-a nele. Todo mundo riu.

Este é o vício, bem aqui. Fazer esta afirmação: "Vi toda a minha vida como nada mais do que vários padrões de vício." Desista deste vício. Realmente, isto merece ser apagado, terminado. Para meu espanto, Gangaji rasgou um pedaço da carta da pessoa, amassou-o em uma das mãos e jogou-o atrás de si, enquanto todo mundo ria. A pobre pessoa devia estar morrendo. Era isto que ela queria dizer com "disposto a morrer?" Eu sabia que não poderia suportar isto e, imediatamente, decidi que não escreveria nenhuma carta para ela.

Então Gangaji contou uma história de seu mestre. Vocês conhecem esta história que Papaji conta? Ele estava caminhando em Rishikesh e encontrou um iogue muito velho no caminho, que tinha um magnífico cajado no qual se apoiava. Então eles se sentaram, conversaram e fizeram uma ótima refeição juntos. Finalmente, o iogue disse: "Sabe, meu mestre me passou muitíssimos poderes, muitos siddhis. O mais poderoso de todos é o siddhi, o poder da imortalidade. Este cajado me dá o poder da imortalidade. Mas havia um poder que ele não podia me passar, porque ele mesmo não o tinha realizado, era o poder da liberdade, a verdade da liberdade. E o iogue disse a Papaji: "Vejo em seus olhos que você o conhece. Você tem este poder. Pode passá-lo para mim? Eu espero há tanto tempo." De repente, fui atraída por esta história. Eu também estava esperando há tanto tempo, praticando há tanto tempo. Eu também tinha alcançado siddhis, mas não a liberdade. Papaji disse: "Sim, tenho muito prazer em fazê-lo." E ele pegou o cajado do homem, quebrou-o e atirou-o no Ganga. Ele disse: "Agora você vai morrer como todos os homens e, assim, vai perceber quem morre."

Isto realmente me chocou e parou alguma coisa bem no fundo de mim. Eu tinha entendido a iluminação como sinônimo de perfeição relativa, como a posse de poderes. Um mestre anterior com quem havia estudado enfatizava a necessidade de se alcançar a perfeição da fisiologia, como veículo da consciência, da possibilidade de controlar o karma e as forças da natureza, e de desenvolver poderes sobrenaturais - estes poderes eram, de fato, a prova do nível de consciência de uma pessoa. Se eu o tinha entendido corretamente ou não agora é irrelevante. Mas esta idéia de desenvolver alguma coisa, de me aperfeiçoar de alguma maneira, estava profundamente enraizada em mim. Eu tinha trabalhado para isto durante anos. Agora, esta história de Papaji e do iogue sugeria que poderes e perfeição relativa não significavam nada. Uma pessoa podia ter os maiores poderes, até o da imortalidade do corpo, e ainda não ter a liberdade. Alguma coisa nesta história calou fundo em minha alma.

Ouvi com mais cuidado, enquanto Gangaji continuava. É muito útil saber como acalmar a mente. Mas, se isto se transforma em algum tipo de poder para manter algo afastado, ou evitar algo, então é inútil. E você o quebra. Você o atira fora. Você entende? Se você então transformar ter uma mente silenciosa no seu objetivo, quebre-o . Atire-o fora. É só mais um objetivo. Você irá realizar a mente silenciosa - e ainda estará buscando a verdadeira liberdade. Engoli em seco. A arrogância da noite anterior escorria de mim. Ela estava falando sobre mim. Eu era o velho iogue. Havia aprendido como silenciar a mente, a respiração, o corpo. Estudara poderes sobrenaturais. E ainda estava procurando a verdadeira liberdade.

Desde o início eu disse a vocês, não estou lhes ensinando poderes sobrenaturais. Existem lugares aonde vocês podem ir e aprender poderes sobrenaturais. E não há nada de errado nisso. Eu não estou lhes ensinando nada. Vim para convidá-los a penetrar na profundeza do seu ser. Isto não pode ser ensinado e não é um poder sobrenatural... É a disposição para desistir de todos os poderes. O poder de sofrer e o poder de ser feliz. É a disposição para deixar isto ser quebrado e jogado de lado.

Apesar da dor desta revelação, apesar de uma espécie de desesperança que isto trazia, apesar de toda a resistência na mente, havia um profundo e inegável "conhecimento" de que o que ela estava falando era a Verdade. A disposição de que ela falava era a disposição para despertar do sonho, em vez de continuamente tentar aperfeiçoar o sonho. Era um rude despertar. Era a disposição para deixar de lado todas as tentativas de realização pessoal. Senti uma "fresta" se abrir em algum lugar bem dentro de mim, quando tomei consciência desta disposição. Alguma coisa se afrouxou, algo que antes havia sido mantido bem apertado. Era como se, naquele momento, Gangaji quebrasse o meu cajado de iogue. Suas palavras seguintes atingiram o alvo como a flecha de um exímio atirador. Lenta e deliberadamente, como se diretamente para mim, ela disse: Você que pensou que estava no topo, agora você é apenas como todos os outros. Agora, nós começamos. Agora, você pode conhecer a liberdade.



"Este livro está pleno da emoção da Verdade. Quando li os primeiros capítulos do manuscrito, soube que Amber tinha encontrado a continuidade de "apaixonar-se pelo Ser. Ninguém se ilumina; em vez disso, você descobre que é a própria iluminação. —Michael J. Roads, autor de A natureza e o despertar do seu mundo interior e outros livros. "Surpreendida pela Graça é uma jornada clara, sincera e iluminadora de autodescoberta. Através deste relato honesto e inspirador, os leitores poderão se identificar com a aventura e descobrir uma verdade que satisfaz à alma." —Alan Cohen, autor de Ouse ser você mesmo e outros livros.

"Maravilhosamente inspirador. Você fez um ótimo trabalho ao capturar a essência do Satsang com Gangaji. Eu sei, estive em satsang com esta mestra divina. Sinto a sua presença diariamente." —Dr. Wayne Dyer, autor de Seus pontos fracos,

Para todo problema há uma solução e outros livros. Amber iniciou sua busca espiritual quando era uma jovem estudante universitária, no fim da década de 60. Após um quarto de século de meditação, ioga e uma intensa busca que a levou a viajar pelo mundo, tornou-se óbvio para ela que a iluminação permanecia um sonho, um conceito que existia apenas na mente. No momento mais sombrio e frustrante de seu anseio espiritual, surgiu uma transmissão de Graça poderosa que não apenas pôs um fim em sua busca, mas também revelou que a buscadora era uma ilusão. Esta transmissão tomou a forma de uma mestra americana chamada Gangaji, na linhagem de um dos mais respeitados sábios deste século, Sri Ramana Maharshi. Surpreendida pela Graça não é a história de uma busca espiritual, mas a narrativa de como esta busca finalmente chegou ao fim

Gangaji no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=wSGC5RsYlGI&feature=related

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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

UMA COMUNIDADE INVISÍVEL MEDITA NO MEIO DA GUERRA




EMISSÁRIO DA LUZ
JAMES TWYMAN

- Vou começar do começo - respondeu. - Em toda a história da humanidade, os homens sempre estiveram em conflito. Esse conflito se revela em todos os relacionamentos, inclusive entre grandes grupos de pessoas. Quando esse sentimento conflitante aumenta, os países entram em guerra. A luta mata milhares, milhões. Como você disse em sua aula, o conflito no mundo é o resultado do conflito que há em nós. Projetamos esse sentimento no mundo porque não estamos preparados para aceitar que nós somos a causa, e, portanto, a solução desse conflito. Dessa forma as guerras acontecem no mundo desde o início dos tempos, por­que não estamos preparados para enfrentar o conflito onde ele realmente está. Dentro de nós.

 


"Por milhares de anos vem existindo uma sociedade secreta, cuja responsabilidade era dar à humanidade a chance de amadu­recer. Essa sociedade sempre surge perto do lugar no mundo onde o conflito é maior, no país ou região que mais sofre com o ódio, a ganância e a guerra. Isso acontece porque o poder do trabalho deles é mais forte quando desfaz o conflito a partir do centro, ou do lugar onde é mais denso. Por isso essas pessoas vivem silenciosas, invisíveis, sem serem notadas, no centro do desespero, no meio do conflito. O trabalho delas não é visto pelo mundo. É um trabalho espiritual e sua função é espalhar a magnificência da Luz Divina. Dessa forma inspiram a paz, dão esperança e instilam o desejo de perdoar. As guerras acabam e as pessoas e os países aprendem com seus erros. A cada vez, a humanidade chega um pouco mais perto da aceitação da verdade da criação, de que a paz e o conflito existem dentro das pessoas, e que é dentro delas que podem ser resolvidos, sentidos e vividos. Essa comunidade, chamada de Emissários da Luz, continuará a existir nas .regiões de conflitos, extremos, até que isso aconteça. Depois não será mais necessária.

 


"Esse dia logo chegará. Quando o mundo parecer se afastar mais da paz estará mais próximo dela. Se você olhar para o mundo verá que temos agora mais poder, mais armamentos e mais ódio do que nunca. Mas, ao mesmo tempo, há mais com­preensão, mais esperança e mais desejo de paz do que antes. Essas duas experiências, aparentemente opostas, indicam que a humanidade está cada vez mais perto do momento' determinado em que ultrapassará esse sistema individualista e belicoso e che­gará a um mundo de paz, cooperação e harmonia. Isso foi sinali­zado pelas mudanças globais observadas nos últimos anos. Também foi profetizado por todas as culturas e religiões antigas. É esse o tempo ao qual todas se referiam. Mas nenhuma tinha conhecimento do trabalho e da missão dos Emissários. Porque era essencial que a presença e a influência deles continuasse secreta. A função deles é permanecerem ocultos, trabalhando pela humanidade e armando o palco silenciosamente para o dia em que essa tarefa não mais será necessária. Isso vai acontecer quando a humanidade amadurecer e aceitar a responsabilidade por tudo que cria.

 


- Você disse que esses Emissários da Luz estão por aí há milhares de anos - perguntei. - Como conseguiram se esconder, e como prosseguem quando uma geração morre?

 


- Como permaneceram escondidos é impossível dizer ­disse Duro. - Os Emissários possuem uma compreensão divina que o resto de nós desconhece. Eles têm a capacidade de estar, ou não estar, onde quiserem. Quanto à continuidade depois que mor­rem, quando cada Emissário termina sua obra, ele é liberado. Isso não quer dizer que morrem, mas que se modificam de alguma forma. Pode chamar isso de ascensão. Quando isso acontece eles têm de ser substituídos, porque é necessário que se mantenha um número determinado. Alguém, então, é chamado para ser Emis­sário. Não sei bem como isso acontece. Os escolhidos simples­mente se vêem lá, sem explicação. Talvez sintam uma necessi­dade incontrolável de visitar uma parte do mundo na qual nunca estiveram, talvez um lugar envolvido numa guerra terrível. Nin­guém compreende por que eles vão, mas eles sabem. Quando chegam são levados para a comunidade, que fica sempre escondi­da em alguma região remota. E então percebem que aquele é o lugar que estavam procurando. Então assumem seus lugares em tomo da roda.
Isso me deixou muito nervoso. Ele acabava de descrever o que tinha acontecido comigo. Eu senti um desejo misterioso de ir para a Bósnia e a Croácia, contrariando os conselhos de todos que eu conhecia. Achavam que eu era louco, mas eu tinha de ir. Seria possível que o que ele estava dizendo era verdade, e que eu tinha sido "escolhido"? Essa idéia me apavorou. Senti vontade de levantar, andar até o ponto de ônibus e ir embora.

 


Gordana e Snjezana estavam imóveis e não disseram uma palavra. Era óbvio que também era a primeira vez que ouviam aquela história. Pensei no sonho que tive quase duas semanas antes. Parecia coerente com o que Duro dizia. Lembrei da roda e do homem pelo qual senti uma enorme atração. E lembrei do que ele disse para mim sobre a paz e o mundo. Haveria uma conexão entre os dois? Contei meu sonho para Duro. Ele ouviu atentamen­te e pensou um pouco.

 


- Isso é muito interessante - disse finalmente. - Você já sabe mais do que eu imaginava. Muitas coisas que descreveu do sonho estão certas. Vou contar mais sobre eu mesmo e talvez você com­preenda.

 


"Sou médico. Algum ano atrás, antes da guerra, estava viajando de carona numa parte remota da Croácia, à procura de ervas medicinais e plantas que uso no meu trabalho. Estava sozinho. Num momento da minha viagem fiquei muito tonto. Senti que ia desmaiar. Devo ter desmaiado mesmo, porque quando despertei estava deitado numa pequena cabana. Só havia uma velha senho­ra comigo, sentada numa cadeira, num canto. Ela olhava para mim, mas não dizia nada. Sentei e olhei em volta. Não havia mo­bília, só o tapete no qual acordei e a cadeira. Espiei pela janela e vi algumas pequenas cabanas mais ou menos do tamanho da minha. Saí pela porta. Parecia que não havia mais ninguém por lá. Do outro lado das cabanas à minha frente havia uma construção grande e redonda. Comecei a andar naquela direção. Quando me aproximei vi que não era redonda, que tinha doze lados. Então vi um jovem sair de uma pequena porta de madeira. Ele me viu e acenou para eu acompanhá-lo.

"Quando entrei minha cabeça ficou leve, uma sensação quase igual à que tive quando estava viajando. A enorme sala era muito clara, só que não tinha janelas. Meus olhos tiveram de se acostumar com a claridade. Depois consegui olhar em volta e ver tudo. A casa era muito grande e tinha um desenho no chão, exa­tamente como o que você descreveu que viu em seu sonho. Em volta do círculo, nos doze pontos indicados pelo desenho, havia doze pessoas sentadas. Bem no centro, um homem, também sen­tado. Havia um brilho de luz em cima deles, como nuvem de fumaça. Também vi que de um lado havia cinco homens jovens de pé, mais ou menos da mesma idade que o rapaz que entrou comigo. Mais tarde fiquei sabendo que esses homens eram assis­tentes. A tarefa deles era atender às necessidades das doze pes­soas em volta da roda, seis homens e seis mulheres.

"Depois de alguns segundos o jovem levou-me para fora outra vez. Essa foi a primeira vez que estive com os Emissários da Luz. Como os outros, fui chamado, mas não para fazer parte da roda. Meu papel é mais distante, “de ligação”. Volto para lá quando sou chamado. Eu sou o elo entre aqui e lá. Para que eles possam fazer seu trabalho preciso cuidar de certas coisas no mundo. E foi assim que encontrei você. Você não foi chamado para ser um Emissário. Como eu, você foi escolhido para uma função especial. Desde o princípio sempre existiu alguém como eu agindo entre a roda e o mundo. Nunca houve ninguém como você. Sua função é diferente de tudo que já houve antes. A razão disso é o que estávamos conversando antes, as mudanças que estão ocorrendo no mundo. Até agora o trabalho dos Emissários foi sempre um segredo. Agora deve se tomar público. Todos devem conhecer essa obra, saber que estão prontos para entrar numa experiência global de paz e harmonia. Seu papel é aprender a prática e a espiritualidade dos Emissários, depois torná-la acessível para qualquer pessoa no mundo.”



Do livro "EMISSÁRIO DA LUZ" de James Twyman, Editora Rocco




Como Shakespeare, sei que existem muito mais coisas en­tre o céu e a terra do que a nos­sa vã filosofia poderia imaginar.
Levado por desconhecidos, através das zonas de conflito nas montanhas da Bósnia, ao encontro de uma comunida­de preocupada em manter o equilíbrio do planeta através de doze horas de meditação diária, James Twyman viven­ciou o que se esconde atrás de um dos véus de nossa per­cepção limitada e nos brinda com a narrativa dessa fantásti­ca experiência no oculto de uma outra dimensão.
Com sua guitarra, esse jo­vem professor do Curso em Milagres transformou-se no Trovador da Paz, cantando as principais orações das maio­res religiões do mundo e con­seguindo, por onde passa com sua música, atingir as multi­dões no fundo da alma, le­vando-as a repensar o porquê de suas existências.
O encontro com essas pes­soas, que se denominam Emissários da Luz, transfor­mou a sua vida assim como a de todos os que se envolve­rem com os ensinamentos de seu relato, mostrando quão prontos já estamos para, com um único passo, nos libertar­mos do medo que gera a agressão e finalmente transformarmos o Planeta Azul no Paraíso do Amor.

ANNA SHARP






VOZES DO CÉU 11 - MEDJUGORJE - PARTE 1-APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA RAINHA DA PAZ NA BÓSNIA http://www.youtube.com/watch?v=j_-wdstB-jI&feature=share&list=PLy4md1ho94B_7n7HFxNr3ROxoqJHFW9IT

 

 

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