Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

SER GUERREIRO


Nuvem Que Passa


Aloha lista;

O tema sobre manipulações é bem interessante, noto que ele foi abordado, permeado com a espreita e com as "manifestaçòes do espírito" e com a "perda da forma humana".

Paralelo a este tema quero abordar a questão de "ser guerreiro(a)" que algumas pessoas em pvt me escreveram questionando.

Cada um desses temas daria um tratado, mas vamos ousar abordá-los juntos, mesmo sabendo que palavras são sempre limitadas e expressam muito pouco do que queremos realmente expor.

Nascemos numa determinada condição.

TEmos uma familia, amigos e amigas que vão se agregando com o passar dos anos, relacionamentos, por vezes constituímos família e vem os filhos e filhas e, de repente, nos descobrimos já enredados em toda uma história de vida, composta por nossos atos, por nossas vivências.

Temos nosso trabalho, nossa vida social, nossas buscas...

Na maior parte das vezes não notamos isto acontecer, somos levados pelas situações de vida, uma após a outra e, de repente, descobrimos que somos "o que fizeram de nós".

O primeiro e mais dificil passo na trilha dos (as) guerreiros(as) é lidar com o "que fizeram de nós".

É muito dificil isso, mesmo quando pregamos que devemos mudar e tal e tal estamos usando toda uma sintaxe e modo de agir e portar-se completamente escravizado ao que "fizeram de nós".

Passamos a vida repetindo as mesmas histórias, as mesmas rotinas, as mesmas frases, costumo dizer que a maioria das pessoas só apresenta novidade nas duas primeiras horas que a gente conhece, depois é uma enfadonha variação sobre o mesmo tema, muitas vezes nem tão ampla assim, apenas o repetir e o repetir dos mesmos diálogos, dos mesmos medos, das mesmas carências, dos mesmos conceitos prontos.

Este é o primeiro ponto que o caminho dos (as) guerreiros (as) toca, somos criaturas de inventário.

Vivendo construímos uma vida, relacionamentos, geramos uma imagem que as pessoas se fiam, a ponto de poderem mesmo prever como vamos reagir numa situação.

E gostamos disso.

Dizemos : "Sou assim" , ou ainda, “é meu jeito", "sou desse jeito", "me conheço".

Quando nos dedicamos a uma sincera e profunda observação de nós mesmos vamos descobrir que o pretenso "eu" inexiste enquanto tal, isto é enquanto entidade singular, somos é aglomerado, uma aglomerado de sentimentos, de jeitos de reagir, de emocionar e raciocinar que de manhã quer uma coisa, de tarde outra e a noite outra.

Isto não é um tema para "crer" é algo para se observar e constatar.

Muitos caminhos propõe vários exercícios de auto observação para que possamos constatar o fato dessa multidão disfarçada de "eu" que somos, assim como a inexistência, até que trabalhemos para, de um ente singular e consciente em nós.

Vou sugerir um exercício simples, nos próximos sete dias tente se lembrar de acordar cada dia colocando primeiro um pé no chão, isto é, se amanhã ao acordar colocar o pé esquerdo, lembre-se de depois de amanhã colocar o pé direito e assim variando.

Há duas formas de abordar o caminho dos (as) guerreiros(as).

Podemos usar as informações dele oriundas para melhorar nossas vidas, como podemos usar as informações médicas para viver com mais saúde.

Mas isso não nos faz guerreiros(as) ou médicos, nos faz pessoas mais espertas que a média, que usam de conhecimentos mais especializados para viver com mais qualidade.

Ótimo isso, usamos tensegridade, usamos alguns conceitos do caminho que realmente tiram as bobeiras de nossa vida e nos tornam mais fortes e determinados no mundo, menos bobos e menos mimados.

Agora pretender SER um (a) guerreiro (a) é outra coisa, outro departamento, e não é para espiritos fracos, indecisos, que querem apenas melhorar sua "condição de vida" mas não tem as "vísceras de aço" e o "amor à vida" que os videntes vêem como condição básica para a ousadia de enfrentar a imensidão que nos envolve.

Por isso é importante deixar claro que existem muitos caminhos de xamanismo, caminhos que exigem muito menos que o Xamanismo guerreiro.

Não são caminhos "menores", "menos evoluídos", "mais fracos", não, nada dessas bobeiras compara-tivas, apenas são outros caminhos e tem todo seu valor , devem ser respeitados, tem suas metas, mas não devemos confundir o XAMANISMO GUERREIRO com toda sua exigência de disciplina e dedicação com outros caminhos.

Por isso considero bastante engraçado quando as pessoas ficam questionando a Taisha, a Florinda com suas colocações diretas e incômodas, o que elas falam não é para todos(as), as propostas que Taisha e Florinda , assim como CC, apresentam em seus livros iniciais, quando narram suas próprais trilhas iniciáticas, não são "verdades", são caminhos, são questões práticas que todo praticante efetivo encontra em seu caminho.

Digo isso com a convicção de quem encontrou os mesmos questionamentos e experiências em outros caminhos, bem antes de ter acesso a obra do novo nagual.

O primeiro passo para quem pretende iniciar-se na árdua trilha do(a) guerreiro(a) é saber que a vida comum ficou para trás.

Não adianta querer ser mais ou menos, querer ficar com um pé em cada canoa, ou tu passas a dimensão mitica do (a) guerreiro(a) que é um estado de sonho acordado, um mito que foi gerado alhures, na imensidão desconhecida do espaço-tempo e chega até nós ou é melhor assumir que queremos apenas tirar dicas desses conhecimentos para melhor viver, como alguém que lê obras médicas para se informar sobre um viver saudável, mas não quer ter o trabalho de se formar médico(a).

Tu podes saber muito de medicina e isso te ajudar bastante em tua vida, mas isso não te expõe a ter que sair de madrugada para atender alguém.

Um(a) xamã guerreiro(a), por exemplo, tem que apagar a própria vida e a própria rotina, por exemplo, para poder entrar e sair dos mundos vários que visita sem chamar a atenção.

Alguém que tem filhos, família, meio social, vida profissional rígida e exigente crê que pode fazer isso?
Não há como conciliar a mediocre vida "comum" e a avassaladora proposta do caminho do(a) guerreiro(a) Tolteca.

E o paradoxal é que o começo do caminho passa pela resolução do aqui e agora onde estamos, da vida cotidiana que vivemos, mas não se limita nela.

A vida comum pode ser usada como campo de treino e combate, como campo de desenvolvimento, mas isto já significa uma mudança imensa de nossa relação com a vida e com as pessoas do mundo que nos cercam.

Um homem ou mulher que começa a trilhar o CAMINHO vai notar que sua vida "comum" ficou prá trás e cada vez mais é distante qualquer coisa que nela estava.

Por isso é dito que a morte é o passaporte para o estado de guerreiro(a) e não é nada simbólica essa morte, é real, total, completa, o velho ser, que nasce para servir a designios vários que não o seu, tem mesmo que morrer, para que haja o renascimento completo e surja o novo ser.

Aprender a agir pelo prazer de agir é um dos pontos fundamentais nessa mudança.

É muito mais difícil que parece, eu convivo com pessoas que dizem a todo instante que aprenderam isso, mas basta observar o vocabulário que usam para notar que interiormente ainda estão em busca de aprovação, de recompensas, por mais "espirituais" que pintem essas recompensas.


Raramente entendemos quando o INTENTO nos envia alguém como seu elo, ficamos presos a nosso eu mesquinho, desconfiado e nem percebemos a imensa sorte que temos.

Uma das maldições dos seres humanos é essa, só perceberem as coisas depois que elas já não estão mais ao seu alcance.

Não ter história pessoal é uma conquista que precisa ser cuidadosamente trabalhada, mal direcionada pode levar a uma esquizofrenia completa, onde a pessoa não sabe para onde vai nem onde fica, o popular "onkotô" "pronkovô" " kenkosô".

Tem gente que não combina com a família, com o meio onde vive e quer usar de desculpas místicas para "fugir" desses desafios.

Isto é totalmente contrário a idéia do CAMINHO, que pretende mesmo usar os pequenos tiranos de nossa vida para a manobra sofisticada de tirar nosso ponto de aglutinação da posição auto reflexiva da importância pessoal e leva-lo ao ponto da implacabilidade.

E o CAMINHO não é de confusão, nem de atrapalhações, muito menos de fuga, neste sentido de perder o equilibrio existencial, justamente o contrário, só um profundo estabelecer de um equilibrio existencial pode nos colocar em sintonia com as energias mais amplas que nos abrem portas para mundos outros que não esse.

Assim, quando falo que a vida "comum" não combina com o Caminho, paradoxalmente, também digo que só resolvendo e atravessando a vida comum poderemos "entrar no caminho", pois nosso desafio é o mundo onde estamos, os maiores obstáculos estão na vida cotidiana e só quando eles forem vencidos poderemos ter certeza que estamos prontos a nos aventurar na vastidão.

Pois este tem sido o desafio, nós que nada somos, suportarmos sem ser destruídos, enfrentar a absoluta solidão da ETERNIDADE.

Sonhar não é fantasiar.

Sonhar é transformar o sonho em um local efetivo e pragmático de ação.

Sonhar tem poder porque podemos morrer nele, isto é uma frase fantástica para ser meditada.

Para um(a) xamã guerreiro(a) o sonhar é seu campo de ação e trabalho, tanto quanto o mundo cotidiano é seu campo de ação e trabalho.

Assim, tem valor, os momentos que estamos auto conscientes, tudo mais é fantasia e escapismo, quer neste mundo , quer em outros, com o agravante que o mundo dos sonhos pode nos iludir muito mais com imagens e vivências cheias de fantasias nas quais as pessoas adoram chafurdar.

Quando começam a me contar sonhos rocambolescos pergunto apenas: estavas aguda e totalmente consciente de si?

Se sim, o valor tá só nisso, se não nem esse valor tem.

Espreita não é fingimento.

Repito isso muito porque canso de ver pessoas que representam papéis apenas para "acariciar" seus egos já enormes e chamam isso de espreita.

Fico ouvindo termos como "vou dar uma espreitada em fulano", "espreitei isso e aquilo" e não noto nem um nanomilésimo de deslocamento do ponto de aglutinação, então onde a espreita?

Pois a espreita é o deslocamente e consequente nova fixação do ponto.

Espreita é um movimento ordenado e a consequente fixação do ponto de aglutinação em outra posição que não a usual, vc nasce de novo, é um novo ser.

Muda teu jeito, teus hábitos, teu linguajar, tua história, tudo e de tal forma isso ocorre que tudo que acontece na tua vida focaliza ainda mais o que está sendo espreitado, pois a espreita para um(a) guerreiro (a) do abstrato, que não tem propósitos ulteriores, que age pelo prazer de agir e é apenas reflexo do espirito é guiada pelo próprio INTENTO, cabendo-nos apenas fluir com as diretrizes, os sinais que o INTENTO claramente coloca em nossas vidas.

Um(a) guerreiro(a) do abstrato, do INTENTO, não fica escolhendo, vou espreitar isso agora, aquilo depois, apenas sente os sinais e vai, vai e vai e então as coisas acontecem e os sinais lhe mostram como agir e reagir e quando chega o momento encerra o seu papel e desaparece de cena, apenas isso.

Então mesmo que tudo que foi armado numa situação não dê certo, mesmo que as pessoas envolvidas numa complexa espreita falhem miseravelmente optando por ceder aos seus medos, voltando a sua forma antiga de agir e perdendo ( temporariamente que seja ) tudo que foi trabalhado, um(a) espreitador(a) em nada se apoquenta, pois desde o começo não esperava nada mesmo, apenas vai rir ( se este for seu estilo) e se recolher em si mesmo, aguardando o próximo desígnio do INTENTO, que nos enviará a outras plagas, para novas aventuras.

Desejar o PODER, pretender trilhar o CAMINHO é algo muito, muito sério, porque é avassalador.

É uma pretensão sem volta, quando pretendemos, sinceramente, ir ao CAMINHO, o CAMINHO vem até nós também, o mesmo tanto que lutamos pelo CAMINHO o CAMINHO luta por nós.

Ser um(a) guerreiro(a) não é uma decisão que tomamos, é algo que é decidido lá fora, nesta imensidão incomensurável da qual somos parte ínfima e insignificante.

Um(a) guerreiro(a) não se aventura no desconhecido por cobiça, isto seria tolice, a cobiça não funciona nesta vastidão.

D. Juan Matus dizia que só por AMOR, amor ao que intriga, ao mistério, a vida, isto é que motiva um(a) guerreiro(a) a esta tremenda aventura.

O pragmatismo de um(a) guerreiro(a) vem da constatação de que o pior que podia acontecer é morrer e isto é a única certeza que temos, daí que nós que já perderam tudo, o que mais temeriamos perder?

Um(a) guerreiro(a) nada tem, para nada ter a perder, assim sem apegos pode se lançar livre e voluntariosamente ao desconhecido, as vastidões da ETERNIDADE e suportar mesmo o frio olhar da INFINITUDE.

Um(a) guerreiro(a) sabe que a parte humana da TOTALIDADE é pequena demais, assim não há como "pedir" , "rezar" , "barganhar" com esta TOTALIDADE, como fazem as religiões, assim tudo que temos é nosso poder pessoal, nem mais nem menos.

Um(a) guerreiro(a) sabe que é efêmero, nada mesmo, que só tem este tempo mágico sobre a Terra e vai viver tempo de menos para presenciar todas as maravilhas possíveis, assim isto é uma pena, mas só isso, uma pena e ser um(a) guerreiro(a) é justamente usar esta constatação não para autocomiseração ou auto-piedade, mas para tornar mais forte seu propósito de trilhar com sabedoria e desapego o caminho da vida, regalando-se com cada detalhe, com cada momento.

Que prazer inenarrável há em assim viver, fazer de cada instante o único, cada tecla aqui tocada momento único e final dessa aventura chamada vida.

Assim não há espaço na vida de um(a) guerreiro(a) para estados de espiritos imbecis, limitantes, depressivos ou algo assim, isto tudo é pura frescura, pura bobagem que só cabe em quem se acha eterno e imortal.

Quem sabe que a morte está sempre caçando, que nada nos garante o próximo instante, quem disso está ciente nunca vai se entregar a tais estados de espirito, vai lutar bravamente para ter sempre o melhor de si presente.

Se tiver fome, dá um jeito, se estiver triste dá um jeito, se se machucar, dá um jeito, pois a imensidão de nossa sorte, em sabermos da trilha dos (a) guerreiros(as) não pode ser nunca deixada de lado.

Entregar-se a qualquer estado de espírito debilitante é ofensivo ao ser total, é tolice rematada e um(a) guerreiro está sempre em guarda com isso, mesmo sabendo que pode, às vezes, falhar e cair nesta armadilha, ainda assim, não se preocupa, ri, ri de si mesmo(a) e segue em frente.

Um(a) guerreiro(a) não se prende a nada, nem a ninguém, quando está num lugar todos a sua volta dizem que vai ficar ali para sempre tal a dedicação e seriedade com que se envolve com tudo e todos. Traça planos, age como se tivesse encontrado seu lugar definitivo, mas interiormente sabe que faz aquilo pelo ESPÍRITO, é o ESPIRITO que vai continuar ali, ele(a) guerreiro(a) apenas é um elo naquele momento, mas como uma nuvem vai passar e passar sempre.

Quem olha de fora vê o(a) guerreiro(a) se dedicando e agindo com foco total onde está, podem indagar o que realmente ele(a) quer com isso, quais são seus "interesses" pois dirão "ninguém age só por agir" todo mundo quer ganhar algo", mas o que não sabem é que tal agir dedicado é só sua impecabilidade, quando chega a hora, quando os ventos do INTENTO sopram, um(a) guerreiro(a) apenas parte, livre, como se nunca tivesse existido o ontem, o que foi válido para sua condição de guerreiro(a) guarda em seu álbum de "momentos valorosos", o mais é recapitulado, a energia do lugar, dos eventos e das pessoas que ficaram no(a) guerreiro(a) são devolvidas e a energia própria tomada de volta e assim inteiro, livre e pleno solta-se novamente nas correntes do vasto mar da ETERNIDADE ciente que um novo e desafiante momento está a caminho.

Não importa se os resultados de seus atos aparentem ser vitórias ou derrotas a olhos outros, interiormente, por ter seu elo de conexão limpo, sabe que agiu sempre pelo ESPÍRITO e isto é o que importa, é tudo mesmo que tem sentido e valor.

A testemunha silenciosa que temos, nossa única platéia, com um gesto especial o (a) xamã guerreiro (a) quando percebe que um ciclo de sua vida se encerra oferece tudo ao ESPÍRITO e segue em frente, livre, como poeira na estrada.

Só existe um tempo para um(a) guerreiro(a): o agora.

Só existe um lugar para um(a) guerreiro(a) : o aqui.

Tudo mais apenas pode dissipar seu poder e esvaziar sua chance de atingir a única meta que tem , uma meta tão abstrata, que o(a) guerreiro(a) sabe que mesmo tendo sua vida dedicada a ela, pode mesmo não alcançá-la, por isso, podemos realmente dizer que um(a) guerreiro(a) age pelo prazer de agir, pela sua impecabilidade e nunca por nenhum propósito ulterior.

Por isso o que está nos livros de Taisha, Florinda, CC é para nós totalmente real, nao uma biblia inquestionável, mas um Mapa, um mapa preciso de um território que só podemos percorrer como mitos.

Mas não é imitar que nos compete, imitar a forma é trair o ensinamento, é negar o conteúdo, o que buscamos é a compreensão dos cernes abstratos, pois são eles tudo que importa.

O que TAisha, CC, Florinda e outros viveram foram suas próprias formas de se relacionar com a ETERNIDADE, nós estamos em outro tempo e espaço, somos singularidades diversas e devemos buscar os cernes abstratos para então encontrar nossa própria e singular forma de manifestá-los.

Temos que sonhar um sonho de poder de nós mesmos, temos que crer que isso é possível, não cair na mediocridade das pseudo justificativas, das pseudo interpretações do "isto eu aceito", "isto nào aceito" pois não estamos falando de dogmas ou verdades, nem de principios religiosos, estamos falando do agir estratégico para atingir um estado de sonho acordado, uma configuração energética precisa que foi intentada pelos ancestrais xamãs que habitaram este mundo e que ainda vivem alhures.


O estado do(a) GUERREIRO(A) é um desafio imenso, mas há algo mais importante que este desafio, para nós, efêmeras criaturas fadadas a morrer e se dissolver na vastidão do mar escuro da consciência?

Há algo mais importante para dedicarmos cada inspiração, cada expiração e o espaço entre elas a esta meta?

Eu julgo que não e procuro ter nessa certeza a força motriz de meus atos.

publicado por conspiratio às 22:49
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

YOGA DOS SONHOS; DREAM YOGA; MILAM; YOGA DO ESTADO IDEAL; RMI-LAM (tibetano); SVAPNADARSANA (sânscrito)





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</a>http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=38953272

A Yoga dos Sonhos é uma prática avançada de meditação tântrica do budismo tibetano. Ela é uma das seis yogas (a na-ro'i-chos-droga) compiladas por Naropa em torno de 1016-1100, e depois repassadas ao seu discipulo Marpa. "O objetivo da Yoga é nos unir com nossa fonte espiritual"."Acordado ou adormecido, a vida é um sonho de nossa própria criação"



"Acordado, dormindo, sonhando conheça-se como luz." Shiva





Yoga dos Sonhos; Dream yoga; Milam; A Yoga do estado ideal; Rmi-lam (Tibetano); Svapnadarsana (Sânscrito)


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publicado por conspiratio às 21:46
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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

MATRIX E SONHO LÚCIDO



http://malprg.blogs.com/replay/budismo/index.html

Sonhos lúcidos - Mais interessante, e que por si só justifica o download do fanzine, é o artigo de Colin McGinn sobre a relação entre a Matriz e os sonhos. A partir de uma perspectiva mezzo fenomenológica, mezzo wittgensteiniana, McGinn explora as conseqüências de se levar ao pé-da-letra a afirmação, várias vezes repetida no primeiro filme, de que os humanos aprisionados na Matriz estão sonhando um sonho induzido. em vez de, por exemplo, uma alucinação fabricada pelos computadores. Para ele, os dois estados - sonho e alucinação -, embora superficialmente semelhantes, apresentam algumas diferenças essenciais. A mais importante para a argumentação de McGinn é que, com o devido treino, podemos adquirir um controle relativo sobre os sonhos (o que é conhecido no jargão psicológico como sonhos lúcidos), ao passo que as alucinações são por sua própria natureza independentes de nossa vontade consciente. McGinn considera Neo como um caso extremo de sonhador lúcido, e é daí que derivariam seus poderes sobre a Matriz: "Neo aspira a - e eventualmente obtém - um alto grau de controle sobre os objetos à sua volta, bem como sobre si mesmo. Ele expressa sua vontade sobre os objetos que ele encontra. Isso faz um sentido perfeito, dado que seu ambiente é o produto do ato de sonhar, dado que sonhos consistem de imagens e imagens são sujeitas à vontade."
A interpretação de McGinn - ainda que não inteiramente de acordo com o que é mostrado nos filmes - levanta uma perspectiva interessante, que permite lançar uma nova luz ao intrigante final de The Matrix Reloaded, quando, mesmo fora da Matriz, Neo começa a exibir o poder de controlar as Sentinelas.
Os sonhos lúcidos foram redescobertos por psicólogos como
Stephen LaBerge, cujas pesquisas introduziram o tema na agenda dos adeptos do movimento new age, ao lado da bioenergética, da meditação e dos cristais. Como o nome indica, um sonho lúcido ocorre quando o sonhador adquire consciência de estar sonhando e, mesmo assim, não desperta. Dessa forma, ele adquire a capacidade de dirigir o rumo do sonho, mudar os elementos que o incomodam ou introduzir elementos novos. Estudando a ocorrência espontânea desse fenômeno, LaBerge e outros desenvolveram algumas técnicas para induzi-lo artificialmente, de modo que hoje é possível encontrar livros com títulos como Sonhos Lúcidos em 30 Dias e outros que tais. Embora o final desses livros geralmente inclua um ou dois capítulos sobre as perspectivas filosóficas abertas pelos sonhos lúcidos, os autores parecem não enxergar neles muito mais do que uma forma divertida de estimular a fantasia: "Você gostaria de voar como o Super-Homem, cruzar a Terra para visitar a Grande Pirâmide, os Alpes Suíços ou uma distante praia do Taiti?", perguntam, por exemplo, Keith Harary e Pamela Weintraub na introdução de Sonhos Lúcidos em 30 Dias. "Você anseia por um romance com seu astro (ou estrela) de cinema favorito, tendo como cenário o pôr-do-sol da Califórnia e acrescido de piscinas com água quente e lugares especiais na platéia para assistir à entrega dos Prêmios da Academia? Você gostaria de discutir física com Einstein, ser psicanalisado por Freud ou multiplicado em clones por Watson e Crick? Não importa qual seja a sua fantasia, você poderá, com treinamento apropriado e prática, aprender a realizá-la em seus sonhos."
O estado de sonho - Não parece grande coisa realmente prum bichinho se assanhar, como diriam os Saltimbancos. Mas o treinamento de indução aos sonhos lúcidos tem antecedentes nobres, como a
incubação de sonhos na Grécia, ou a ioga do estado de sonho do budismo tibetano e, neste caso, a meta era bem mais profunda do que realizar "não importa qual seja a sua fantasia" - e isso nos leva diretamente a The Matrix.
A doutrina do estado de sonho foi codificada no primeiro dos Sete Livros Sapienciais do Mahaiana, geralmente publicados como apêndice ao
Bardo Thödol - O Livro dos Mortos Tibetano. Como os tais "programas do sono criativo" trombeteados por aí, o objetivo é adquirir a consciência de que se está sonhando mesmo durante o sonho. Mas, ao adquirir essa consciência, o iogue não vai desperdiçá-la construindo uma fantasia de que está transando com a Sharon Stone numa praia do Caribe, e sim explorá-la a fim de adquirir uma compreensão do que consiste o estado de sonho. De posse dessa compreensão, o passo seguinte é aprender a identificar as características do estado de sonho mesmo quando ele está acordado. Dessa forma, ele realiza plenamente - e não apenas de modo intelectual ou filosófico - que a realidade consensual que experimentamos quando estamos acordados é, ela mesma, nada mais do que um sonho e, assim, consegue se libertar dela pela iluminação.
Com isso em mente, se repassarmos os dois primeiros The Matrix dentro da perspectiva apresentada por Colin McGinn, percebemos que o percurso de Neo ao longo desses filmes segue exatamente o roteiro previsto pela ioga do estado de sonho. No primeiro filme, Neo adquire a consciência de que está sonhando e aprende a dirigir o sonho de acordo com sua vontade (o que os tibetanos denominam de "transmutação do conteúdo do sonho"). No segundo filme, ele aprofunda essa consciência até atingir a compreensão do que consiste o estado de sonho, que atinge seu ponto culminante durante o diálogo com o
Arquiteto (que, como mencionamos, é uma referência à frase do Buda ao atingir a iluminação: "Apanhei-te, Arquiteto. Nunca mais voltarás a construir.") E no epílogo de The Matrix Reloaded, ele finalmente parece dar os primeiros passos para identificar as características do estado de sonho mesmo no mundo supostamente real de Zion. Como dizem os autores anônimos dos Sete Livros Sapienciais do Mahaiana: "Se atinges o domínio desse processo, então, quer esteja no estado de sono ou de vigília, realizas que os dois estados são ilusórios e todos os fenômenos serão reconhecidos como nascidos da Clara Luz e os fenômenos e o espírito se misturarão."
É o que ocorre com Neo.


publicado por conspiratio às 23:32
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

SOBRE A MÚSICA...

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À medida em que apuramos nossa sensibilidade, parece ocorrer um fenômeno ímpar: não apenas ficamos mais à vontade com a diversidade, como também a percebemos em todos os lugares. É como se começássemos a enxergar beleza onde antes víamos o caos ou confusão. Ao sentirmos beleza e harmonia, por sua vez, abrimos as linhas de defesa, e tornamo-nos ainda mais receptivos, num ciclo virtuoso.Esse processo atinge também nossos gostos: começamos a tomar contato com o diverso e também a apreciá-lo, não mais nos sentindo estranhos, entediados ou desconfortáveis, mas ficamos instigados e tocados diante dele. Esse fenômeno não é de maneira alguma trivial, mas produz um efeito profundo no nível inconsciente - e quiçá em outros niveis... - provocando uma verdadeira mudança de perspectiva acerca do mundo.É sabido que nosso inconsciente é sensível não apenas ao discurso "manifesto" - aquele que o consciente racional identifica de maneira imediata - mas antes à forma como a mensagem é dita. Em outros termos, para o inconsciente, "a estrutura é a própria mensagem". Se, por exemplo, algém te diz "eu te amo" de maneira pouco sincera, é bem provável que no nível inconsciente você entenda: "esse sujeito é um mentiroso etc" e você ficará inseguro(a) na relação.É como se estivéssemos diante de vários níveis de linguagem e de conexão com o mundo: 1) um nível mais grosseiro, consciente, "manifesto", racional, explícito. Esse é o nível do pensamento, onde as idéias são formadas de maneira aparentemente autônoma. É o nível lógico; 2) um nível já mais sutil de ser apreendido, que poderíamos chamar de linguagem emocional e que já finca raízes no inconsciente; 3) um nível ainda mais sutil, que poderia chamar "espiritual", onde apreendemos que a harmonia subjaz exatamente onde os níveis "racional-consciente" e "emocional" percebem apenas o tédio ou o caos (ou seja, onde esses níveis não atribuem significado algum). Aqui, eu situaria a compaixão, o respeito, a delicadeza...; 4) outros níveis, que, sinceramente, ainda não vivenciei...Fiquemos, portanto apenas nos três primeiros níveis.Esses níveis de linguagem e de apreensão-interpretação do mundo interagem entre si, de alguma forma produzindo a visão total pelo qual o indivíduo apreende o mundo e sente sua vida. Porém, conforme a "perspectiva" adotada pelo indivíduo, haverá uma cisão maior ou menor entre eles. Ou melhor, penso que a real ou mais significativa diferença entre os seres - a maneira pela qual eles apreendem o mundo e vivenciam suas existências - reside e resulta exatamente no/do grau de separação entre os níveis; e que se traduz no grau de liberdade e de felicidade com que cada um vivencia sua existencia. Em suma, não importa o grau de erudição, de riqueza etc., o que importa é: até que ponto sou um ser livre, até que ponto sou realmente feliz, mesmo que trancado sozinho em um quarto escuro ? A resposta a essas indagações encontram-se exatamente no grau de cisão psíquica, de separação entre os níveis acima.É nesse sentido que gostaria de falar algo sobre a música pop.Ainda que estejamos diante de uma música "discursivamente" contestadora (portanto, no nível "consciente"), parece-me que a estrutura musical (no nível "inconsciente") consiste em uma infindável repetição e, sobretudo, em previsibilidade (basta voce ouvir os primeiros segundos da música, que voce já sabe o que esperar do resto; e, o que é pior, uma música tanto fará mais sucesso quanto mais competente for no cumprimento dessa previsibilidade). É como se, para o inconsciente, a mensagem musical fosse: É ISSO, É ISSO, É ISSO, É ISSO... O que também significa dizer: ESPERE ISSO MESMO, É ISSO QUE VAI ACONTECER, ESPERE ISSO MESMO, É ISSO QUE VAI ACONTECER... etc. Independentemente do discurso adotado. Ou seja, um processo ideológico de reafirmação é produzido em consonância com (e por) um universo simbólico que busca suprimir o inesperado, o diverso, o singular. Uma ideologia que apenas reafirma o senso-comum e, mais ainda, busca convencer os indivíduos de que "fora do senso-comum, só há barbárie...".Ora, aqui surge, em minha opinião, um diferencial importante em relação à música erudita. Esta expressa algo bem diverso daquela reafirmação, pois sua estrutura é infinitamente mais complexa, harmoniosa e, sobretudo, inesperada.
É normal, portanto, que no processo de sensibilização, o gosto musical se transfira para a música clássica, cuja linguagem é mais harmoniosa ao nível inconsciente para o indivíduo agora "mais desperto" para as singularidades.
Porém, mesmo no interior do campo da chamada "musica erudita", penso haver uma diferenciação nesse sentido. Pois se a música romântica tem um inegável apelo emocional, compositores como Bach, Vivaldi, Mozart inserem-se dentro de um campo de maior harmonia, mais sutil, diria mesmo "espiritual".
E é nessa mesma linha que avanço um pouco mais, ao propor que o mais harmonioso dos sons é o som produzido pelo próprio mundo, com sua infinita diversidade, imprevisibilidade e, por que não dizer, harmonia !
Postado por jholland em
www.metamorficus.blogspot.com
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publicado por conspiratio às 22:50
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

SONHOS: UMA PORTA ESQUECIDA -"A REALIDADE DO MUNDO DOS SONHOS NOS TEMPOS ANTIGOS E HOJE"

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Dream Temple - Gilbert Williams



Cleber Monteiro Muniz



Texto registrado.A divulgação deste artigo é autorizada desde que citados a fonte e o autor.
"I was but a traveler floating endless through the sea, on the other side of knowledge through the pliancy of dream."
(Solitude Aeturnus)
Nos tempos antigos, os sonhos eram considerados como a expressão de um mundo verdadeiro e diferente deste. O mundo espiritual era visto como importante e real, ao contrário do que ocorre hoje. As visões oníricas eram tomadas como o contato do homem com a dimensão desconhecida da existência. Disso decorria a grande importância atribuída aos sonhos nas culturas antigas e confirmada por Sanford (1988) ao abordar a questão da depreciação dos sonhos nos dias atuais:
"(...) enquanto nosso tempo ignora e despreza o assunto dos sonhos, nos tempos antigos eles eram muito mais valorizados. Tanto quanto conheço, não existe nenhuma cultura antiga na qual os sonhos não fossem vistos como extremamente importantes." (p.12)
Ao contrário do que ocorre na cultura moderna, na qual não se presta atenção cuidadosa aos sonhos e se os considera desprezíveis, o homem antigo atribuía importância extrema às experiências oníricas. Essa valorização demonstra que eram entendidos como portadores de alguma forma de realidade pois do contrário não seriam tomados em tamanha consideração. Não se dá importância ao que não existe. Até mesmo uma mentira ou um boato precisam existir, ainda que seja sob a forma de uma idéia vaga na cabeça de alguém, para que se dê a eles alguma importância.
Os comportamentos irracionais do homem, presentes ainda no mundo de hoje, seriam, para os primitivos, sinais da existência de uma realidade espiritual que envolveria forças que os ultrapassavam. Tais forças, incompreensíveis, moveriam os seres humanos e os arrastariam a comportamentos subversores do controle consciente, sendo, além disso, parte de um universo invisível e poderoso mas acessível por meio dos sonhos, nos quais também irromperiam. O mundo espiritual manifestado em sonhos corresponderia a uma forma específica de realidade que seria sinalizada pelo comportamento humano irracional. Haveria ligação entre o ato de nos comportarmos como se estivéssemos possessos e os sonhos pois um seria sinal do outro:
"O comportamento humano não é racional e a humanidade se comporta em todo o mundo como se fosse possessa. Para o homem primitivo tudo isso era sinal óbvio da realidade do mundo espiritual que lhe aparecia nos sonhos. (...) Persistimos em nosso materialismo racionalista, sob a ilusão de que somos racionais e os outros não. Se há distúrbios em nossos sentimentos e em nossa afetividade, atribuímos a causa ao que os outros nos fazem e continuamos pensando que só tem sentido o que nos parece lógico e racional, que só é real o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos e provamos. Os sonhos tem sentido, mas um sentido que não é lógico. São muito reais, mas sua realidade não é apreendida por nenhum dos sentidos do nosso corpo." (idem, p. 14, grifos meus)
Nos dias atuais, acreditamos que aquilo que não compreendemos não existe. Segundo essa forma de pensar, a existência não possuiria um aspecto desconhecido, um lado não entendido; o incompreensível seria inexistente. Levada ao extremo, tal idéia nos leva a crer que sabemos tudo, que não há mistérios. Trata-se de uma violenta inflação egóica. Em decorrência dessa inflação, rechaçamos o mundo dos sonhos enquanto modalidade especial de realidade por não compreendê-lo. Nosso ceticismo arbitrário não nos permite aceitar a existência daquilo que não conseguimos compreender através dos cinco sentidos. Esses são os únicos instrumentos que sabemos usar em nossos processos de cognição. Ignoramos que o problema está em nós e não no mundo onírico e que temos uma consciência adormecida e medíocre que nos impede de experimentar outras realidades. Não colocamos atenção sincera na limitação dos nossos sentidos usuais. Não percebemos os sonhos diretamente pelos órgãos sensoriais externos e, por isso, pensamos que eles não existem, nos esquecendo de que a realidade possui níveis ou facetas usualmente não-sensoriais. Em tais condições, tudo se passa, para nós, como se o usualmente não-sensorial fosse o nada. Se isso fosse verdade, não haveria um espectro contendo sons inaudíveis e feixes luminosos invisíveis ao olho nu, detectáveis apenas com o uso de equipamentos modernos.
Nem mesmo a religião conseguiu ampliar nossa consciência na direção de captar mais diretamente as realidades internas, apesar de aparentemente se posicionar contra o arbitrário ceticismo reinante. A igreja "já poderia nos ter resgatado dessa filosofia materialista e arrogante, se ela mesma não tivesse renegado suas próprias tradições e, como tudo o mais, sucumbido ao materialismo racionalista dos nossos dias.(...) Ao enfatizar a vida da instituição mais do que a da alma, deixou de lado os sonhos.(...) Foi o que minou a base da vida espiritual da igreja, expondo-a ao mesmo materialismo e racionalismo que ela combatia e que se estendeu pelo mundo inteiro. A igreja preferiu ignorar o fato de que a rejeição aos sonhos ia contra a visão contida na bíblia e no cristianismo primitivo." (ibidem, p.14). O significado que o mundo dos sonhos possui para os religiosos de hoje seria completamente estranho às comunidades cristãs do séc I. Ao rechaçá-lo, nossa igreja teve suas bases espirituais minadas. A vitalidade espiritual perdeu seu alicerce.
Certos sonhos que servem de fundamento às experiências religiosas possuem impressões de realidade tão impactantes que chegam ao ponto de aterrorizar o sonhador (Sanford, 1988). Eles "parecem carregados, de modo especial, com energia psíquica. São os sonhos chamados 'numinosos'. A palavra vem do latim numen, que significa a divindade ou a força espiritual atuante. Dizemos que experimentamos algo numinoso quando isso parece nos levar a participar da natureza de uma realidade espiritual diferente, que existe para além de nossa natureza pessoal. (...) A santidade de Deus é a própria numinosidade. [Rudolf] Otto enfatiza que, diante do Deus de Israel, o homem sente temor, admiração, horror, enfim, sente o ser próprio de criatura. A numinosidade constitui a matéria-prima da experiência religiosa." (pp. 33-34, grifo meu). Experiências oníricas numinosas nos dão a sensação de participar de uma realidade transpessoal. Sentimos estar em contato com algo verdadeiro que está além de nós mesmos e nos ultrapassa. Obviamente, a experiência não provocaria terror se o seu conteúdo não fosse tomado como real.
Segundo a Bíblia, a realidade transcendente se revela ao homem durante as horas do sono, embora ele não perceba:
"(...)Deus fala de um modo, sim, de dois modos mas o homem não atenta para isso.Em sonho ou em visão de noite, quando cai o sono profundo sobre os homens, quando adormecem na cama, então lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução, para apartar o homem do seu desígnio e livrá-lo da soberba; para guardar a sua alma da cova e a sua vida de passar pela espada." (Jó 33. 14-18, grifo meu)
Deus instrui o homem dentro do mundo onírico e torna-o receptivo à Sua instrução. Ele o protege e o ajuda a evitar a morte e a espada do inimigo. Isso não seria possível se o mundo dos sonhos fosse tomado como irreal.
Na autobiografia de um filósofo e teólogo persa do século XI, Al-Ghazzali (apud James, 1995), a realidade dos sonhos chegava a ser vista como a de um estado similar ao de Deus e fornecer o dom da profecia. Ele considerava que:
"Deus aproximou o profetismo dos homens ao dar-lhes um estado análogo a Ele em seus caracteres principais. Esse estado é o sono. Se dissésseis a um homem sem nenhuma experiência com um fenômeno dessa natureza que existem pessoas capazes, em dados momentos, de desmaiar de modo que pareçam mortas e que [nos sonhos] ainda percebam coisas que estão ocultas, ele o negaria [e exporia suas razões para isso]. Não obstante, suas alegações seriam refutadas pela experiência real." (p. 253)
Segundo Harnisch (1999), os sonhos, enquanto acontecimentos pertencentes a uma realidade paralela à vígil, eram levados a sério pelos índios da América do Norte. Os Sioux acreditavam que o mundo físico era apenas uma sombra do onírico, o qual chamavam de "mundo real", como vemos na história de Cavalo Doido (Brown, 1987):
"Desde o tempo da juventude, Cavalo Doido soubera que o mundo onde viviam os homens era apenas uma sombra do mundo real. Para chegar ao mundo real tinha que sonhar e, quando estava no mundo real, tudo parecia flutuar ou dançar. No seu mundo real, seu cavalo dançava como se estivesse furioso ou doido e por isso é que se chamou Cavalo Doido. Aprendera que, se sonhasse consigo no mundo real antes de ir para uma luta, poderia resistir a qualquer coisa." (p.210)
Segundo a história, foi por meio do conhecimento adquirido em sonhos que Cavalo Doido venceu sua maior batalha.
Além de real, o mundo dos sonhos era visto como tendo conexões com o mundo externo. Uma conexão de tal natureza pode ser encontrada em um relato de Enoch, infelizmente depreciado pela igreja e pouco divulgado, a respeito dos momentos que antecederam sua viagem através dos sete mundos celestes:
"No primeiro dia do primeiro mês, estava eu sozinho em minha casa descansando no meu leito, quando adormeci.E quando estava adormecido, uma grande tristeza tomou conta do meu coração e chorei durante o sono, e não podia entender que tristeza era aquela ou o que iria acontecer-me.E então me apareceram dois homens, extraordinariamente grandes, como eu nunca vira antes na Terra; suas faces resplandeciam como o sol, seus olhos eram como uma chama e de seus lábios saía um canto e um fogo variados, de cor violeta na aparência; suas asas eram mais brilhantes do que o ouro, suas mãos mais brancas do que a neve.Eles estavam em pé, na cabeceira do meu leito e puseram-se a chamar-me pelo nome.Acordei e vi claramente aqueles dois homens, de pé, na minha frente."(O livro dos Segredos de Enoch 1: 4-8)
Os homens que Enoch viu em sonho estavam na cabeceira de sua cama. Ao acordar, ele diz ter visto os mesmos homens à sua frente. De acordo com o relato, parece haver ocorrido uma sincronicidade: ele sonhou com algo e logo em seguida vivenciou a mesma cena no mundo externo. Os mesmos homens vistos por Enoch durante o sonho eram os que estavam em pé próximo à sua cama quando ele acordou.
Um contato com o mundo espiritual na ausência da vigília pode ser encontrado em uma revelação de Isaías. O profeta teve uma visão durante a qual perdeu os sentidos externos. Ele se manteve em silêncio e foi dado como morto pelos que o observavam:
"E enquanto Isaías falava sob a inspiração do Espírito Santo, e todos o escutavam no mais profundo silêncio, o seu espírito foi elevado acima dele mesmo, e ele não mais enxergou os que estavam em pé diante dele.E seus olhos permaneciam ainda abertos, mas a sua boca não proferia mais palavras, e o seu espírito foi levado acima dele mesmo.Ele, no entanto, vivia ainda; mas estava imerso numa visão celeste.E o anjo que lhe fora enviado para revelar-lhe esta visão não era um anjo deste firmamento, nem um desses anjos gloriosos deste mundo: era um anjo descido do sétimo céu.E o povo que lá se encontrava com a assembléia dos profetas acreditou que a vida de Isaías tinha-lhe sido subtraída.E a visão do santo profeta não foi deste mundo aqui, mas uma visão do mundo misterioso no qual não é permitido ao homem penetrar."(O Livro da Ascensão de Isaías 6: 10-15)
De acordo com o escrito, nos momentos em que os olhos de Isaías deixaram de captar as pessoas à sua frente, ele tinha uma visão de outro mundo, misterioso e impenetrável. Seus olhos se mantiveram abertos durante o contato, um possível indicador de que seu estado era o de um sonâmbulo ou algo semelhante. O fato do povo reunido julgá-lo sem vida é um indicador de que certas funções corporais típicas de quem está vivo, como o movimento e a fala, haviam sido suspensas (cadáveres normalmente não se movem). O estado do seu corpo não era vígil uma vez que não havia consciência desta realidade externa. A mesma ausência de consciência ocorre no sono usual, no sonambulismo, no desmaio, na meditação, no transe ou no coma: em todos esses estados o funcionamento das exopercepções é interrompido e o corpo desfalece. Entendo que sua consciência deixou o mundo externo e penetrou na dimensão onírica ou fez algo muito próximo disso, pois o profeta não dava sinais de estar acordado. O universo onírico existe paralelamente ao físico sob a forma psíquica (os mundos interno e externo são simultâneos e paralelos) e, em geral, quando se abandona um se vai para o outro. Em todo caso, o mundo acessado nessa experiência foi considerado real, o que favorece a afirmação de que os antigos não depreciavam a realidade interior.
Como se vê, os estados em que a consciência deixava o corpo físico eram a ponte para a realidade espiritual. As experiências que se tinha durante o sono funcionavam como portas ou "portais", através dos quais o homem poderia contatar outras realidades, distintas da usual. O universo além dos limites do estado vígil não era considerado irreal e nem visto como algo que tivesse uma existência vaga e ilusória ou, para ser mais exato, uma pseudoexistência. O fato de ser tratado como uma forma de manifestação divina demonstra que esse mundo era tomado em consideração seriamente.
A experiência mística era obtida enquanto se dormia. E nesse estado se poderia obter a autoridade de quem teve uma revelação de Deus. Uma autoridade de tal natureza, proporcionada pela experiência religiosa profunda, pode, segundo Willian James (1995) chegar a destruir as bases da formal concepção lógico-racional de realidade pois os "estados místicos, quando bem desenvolvidos (...) quebram a autoridade da consciência não mística ou racionalista, que se baseia apenas no intelecto e nos sentidos. Mostram que esta não passa de uma espécie de consciência. Abrem a possibilidade de outras ordens de verdade nas quais, na medida em que alguma coisa em nós responda vitalmente a elas, possamos continuar livremente a ter fé." (p. 263, grifo meu).Para ele, há várias formas de consciência que dão acesso a vários tipos de realidades e a religiosa, aquela que se tem nos estados místicos, seria uma delas. Deste modo, as experiências religiosas possuiriam um fundamento real, peculiar ao tipo de consciência que lhe corresponde, e não falso. Foi o que ocorreu com Enoch e Isaías, que tiveram experiências religiosas em estado extra-vígil e autênticas à sua maneira, desde um ponto de vista espiritual.
Atualmente, a valorização dos sonhos parece estar retornando. O ceticismo arbitrário, aquele que está fixo na dúvida unilateral e busca adaptar os fatos à teoria (crença) e aos métodos ao invés de adaptar estes últimos às evidências, está retrocedendo e a realidade do mundo onírico sendo levada em consideração. Sanford (1988) entende que hoje a ciência está investigando com mais cuidado e seriedade os desafios cognitivos que lhe são lançados pelos sonhos:
"Atualmente, estamos nos aproximando da mudança. Durante o século XX, o sonho volta a se tornar objeto válido de estudo e investigação. E temos, por exemplo, as pesquisas sérias relativas ao sono e aos sonhos que começaram a ser feitas depois da Segunda Guerra Mundial." (p.15)
Compreender a importância de explorar o mundo dos sonhos ao invés de esquivar-se ingenuamente dos problemas postos por ele é ampliar as fronteiras da ciência. É também aproximar-se mais da visão de Isaías, Enoch, Jó, dos povos ágrafos atuais e das culturas antigas e "pagãs", recuperando as bases verdadeiramente espirituais do cristianismo primitivo, descartadas pela igreja .
A idéia de um mundo interior real é compartilhada por Saiani (2000) para quem o pressuposto de que a "realidade objetiva" e o "puramente subjetivo" diferem é preconceituoso uma vez que a realidade abrange eventos físicos e psíquicos. Levada adiante, isso significa que existem objetos psíquicos assim como existem objetos físicos e que nem sempre o psíquico é subjetivo.
Além disso, Jung (1986) entendia que o eu está contido em um mundo, que esse mundo era a alma e que seria razoável atribuir-lhe a mesma validade que se atribui ao mundo empírico uma vez que ela possui tanta realidade quanto ele. Segundo seu pensamento, a psicologia deveria reconhecer que o físico e o espiritual coexistem na psique e que, por razões epistemológicas, esse par de opostos foi cindido pelo homem ocidental ( idem).
Dentro do homem há um universo verdadeiro, feito de imaginação, que se faz notar incessantemente por meio de pensamentos, sentimentos, recordações e dos sonhos, quando então se faz mais espesso e tangível. Esse mundo no qual a ciência está penetrando aos poucos, pertence a uma dimensão desconhecida do espírito humano. Nós a chamamos de inconsciente porque não temos, usualmente, contatos conscientes e diretos com ela (Sanford, 1988):
"(...)eis uma teoria básica sobre os sonhos: originam-se em outra dimensão de nossa personalidade a qual, pelo fato de não termos consciência da mesma, é chamada de inconsciente. (p.29, grifo meu)Além desta dimensão em que vivemos durante a vigília, há outra: a dimensão do inconsciente. As regiões de onde os sonhos provém parecem ainda ser pouco acessíveis à investigação científica no nosso atual estágio de desenvolvimento. Entretanto, a consideração séria dos mesmos enquanto realidade passível de estudo livre e dos relatos de pessoas que os experimentam conscientemente pode abrir novas portas nesse campo e ajudar a dissipar nossa ignorância, além de ocupar um espaço que de outra forma poderia ser destinado ao charlatanismo e às mistificações irresponsáveis.

http://gballone.sites.uol.com.br/colab/cleber.html

Dados do autor para bibliografia: Monteiro Muniz C - A realidade do mundo dos sonhos nos tempos antigos e hoje, in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, 2001, disponível em
Referências bibliográficas:
JAMES, William. As Variedades da Experiência Religiosa: Um Estudo sobre a Natureza Humana. (The Varieties of Religious Experience). Trad. de Otávio Mendes Cajado. Décima edição, 1995. São Paulo, Cultrix.
JUNG, C.G. & Wilhelm, R. (organizadores). O Segredo da Flor de Ouro: Um Livro de Vida Chinês. Trad. de Dora Ferreira da Silva e Maria Luíza Appy. Terceira edição. Petrópolis, Vozes, 1986.
O Livro da Ascensão de Isaías. In TRICCA, Maria Helena de Oliveira (org. e comp.). Apócrifos : Os Proscritos da Bíblia. Edição de 1995. São Paulo, Mercúrio, 1992.
O Livro de Jó. In: A Bílblia Sagrada: O Antigo e o Novo Testamento. Trad. de João Ferreira de Almeida. Segunda edição. Barueri, Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
O Livro dos Segredos de Enoch (II Enoch). In TRICCA, Maria Helena de Oliveira (org. e comp.). Apócrifos : Os Proscritos da Bíblia. Edição de 1995. São Paulo, Mercúrio, 1992.
SAIANI, Cláudio. Jung e a Educação: Uma análise da relação professor/aluno. Primeira edição. São Paulo: Escrituras, 2000.
SANFORD, J. A. Os Sonhos e a Cura da Alma (Dreams and Healing). Trad. de José Wilson de Andrade. Terceira edição. São Paulo, Paulus, 1988.




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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

INTEGRAÇÃO PELA DANÇA

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DANÇE, DANCE, DANÇE





''Esseehoseumundo,'' disse o homem ovelha. ''Naopensemuitosobreisso. Sevoceestaprocurandoisso, issoestaaqui. Esselugarestacolocadoparavoce. Especial. Enostrabalhamosespecialmenteduroparatrazervocedevoltaateaqui.Parainpedirascoisasdedesmoronarem. Paraimpedirvocedeesquecer.''
(...)
''Nosconectamoscoisas. Issoehoquefazemos. Comoumquadrodefusiveis. Nosconectamoscoisas. Aquiestaonoh. Enosamarramosisso. Nossomosolink. Naoqueremosqueascoisassepercam, entaonosamarramosonoh. Esseehonossotrabalho. Trabralhodeconexao. voceprocuraporisso, nosconectamos, voceencontraisso. Entendeu?''
(...)
''Voceperdeumuitascoisas. Muitascoisaspreciosas. Naoehculpadeninguem. Mascadavezquevoceperdealgo, vocedeixacairtodaumalinhadecoisascomisso. Agoraporque? Porquevocetinhaqueirefazerisso?''
''Eu nao sei.''
''Dificilquesejadiferente. Seudestino, oualgocomodestino. Tendencias.''
''Tendencias?''
''Tendencias. Vocetemtendencias. Entaosevocefizessetudodenovo, suavidainteira, voceteriaatendenciadefazerexatamenteoquevocefez, tudodenovo.''
''Sim, mas onde isso me deixa?''
''Comoeudisse, nosfaremostudooquepudermos. tentaremosreconectarvoceaquiloquevocequer,'' disse o homem-ovelha. ''Masnosnaopodemosfazerissosozinhos. Vocetemquetrabalhartambem. sentadovocenaovaiconceguirfazerisso, pensandovocenaovaiconseguirfazerisso.''
''Entao o que eu tenho que fazer?''
''Dance,'' Disse o Homem-ovelha. ''Vocetemquedancar. Enquantoamusicatocar. Voce tem quedancar. Nempenseoporque. Comeceapensar, seuspesparam, nosficamosparalizados, voceficaparalizado. Entaonaopresteatencao, naoimportaoquaoidiotaissoseja. Voceprecisamanteropasso. Vocetemqueseaquecer. Vocetemquesoltaroquetetranca. Vocetemqueusartudooquevocetem. Nossabemosquevoceestacansado, cansadoeassustado. Acontececomtodomundo, certo? Sonaodeixeseuspespararem.''




By Haruki Murakami, em Dance Dance Dance


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Mais um pouco sobre dança em:


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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

O CAMINHO DO XAMÃ

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O CAMINHO DO XAMÃ


MICHAEL HARNER




Quando o breve crepúsculo equatoriano foi substituído pela escuridão, Tomás pôs um quarto do líquido numa cabaça e disse-me que o bebesse. Todos os índios observavam. Senti-me como Sócrates entre os compatriotas atenienses, aceitando a cicuta — pois me ocorrera que um dos nomes alternativos que o povo do Amazonas peruano dava à ayahuasca era "a pequena morte". Bebi a poção rapidamente. Tinha um sabor estranho, ligeiramente amargo. Então, esperei que Tomás também bebesse, mas ele disse que afinal resolvera não participar.
Amarraram-me na plataforma de bambu, sob o grande teto feito de colmo da casa comunal. A aldeia estava silenciosa, exceto pelo cricrilar dos grilos e os guinchos do macaco ruivo, nas profundezas da selva.
Enquanto olhava para cima, na escuridão, tênues linhas de luz apareceram. Tornaram-se mais nítidas, mais intrincadas e explodiram em cores brilhantes. De muito longe vieram sons, como os de uma cascata, e foram se fazendo cada vez mais fortes, até encherem meus ouvidos.
Minutos antes eu me sentira desapontado, certo de que a ayahuasca não ia ter efeito sobre mim. Agora, o som da água em movimento inundava meu cérebro. Meu maxilar começou a ficar entorpecido, e aquele entorpecimento ia subindo para as têmporas.
Sobre a minha cabeça, as linhas indistintas formavam um dossel que parecia um mosaico geométrico de vidro pintado. A brilhante tonalidade violeta formava um teto que se expandia sem cessar sobre mim. Dentro daquela caverna celestial, ouvi o som da água aumentar e pude ver figuras nebulosas, que faziam movimentos espectrais. Quando meus olhos se ajustaram ao escuro, a cena movimentada reduziu-se a algo que se assemelhava a um imenso parque de diversões, a uma orgia sobrenatural de demônios. Ao centro, presidindo as atividades, e olhando diretamente para mim, havia uma gigantesca cabeça de crocodilo mostrando os dentes, de cujas mandíbulas cavernosas jorrava uma enxurrada torrencial de água. Lentamente, a água foi subindo, até que a cena transformou-se em simples dualidade de céu azul sobre o mar. Todas as criaturas se haviam desvanecido.
Então, da posição onde eu estava, próximo à superfície da água, comecei a ver dois barcos estranhos, vagando de cá para lá, flutuando no ar em minha direção e aproximando-se cada vez mais. Lentamente, juntaram-se, formando uma só embarcação, com imensa cabeça de dragão na proa, não muito diferente de um barco viking. No meio do navio erguia-se uma vela quadrada. Aos poucos, enquanto o barco serenamente flutuava de cá para lá sobre mim, ouvi um som rítmico sibilante e vi que se tratava de uma galera gigantesca, com centenas de remos, movendo-se em cadência com o som.
Tornei-me consciente, então, do mais belo cântico que tinha ouvido em minha vida, em alto som, e etéreo, emanado de miríades de vozes a bordo da galera. Olhando com mais atenção para o convés, pude distinguir grande número de seres com cabeça de gaio azul e corpo de homem, bastante parecidos com os deuses do antigo Egito, com cabeça de pássaro, que eram pintados nas sepulturas. Ao mesmo tempo, uma essência de energia, advinda do navio, começou a flutuar em meu peito. Embora eu pensasse que era ateu, fiquei inteiramente certo de que estava morrendo, e de que aquelas cabeças de pássaro tinham vindo buscar a minha alma para levá-la ao barco. Enquanto o fluxo da alma continuava a sair do meu peito, percebi que as extremidades do meu corpo iam fazendo-se entorpecidas.
Começando pelos braços e pelas pernas, vagarosamente, tive a impressão de meu corpo estar se tornando de concreto. Eu não podia me mover, nem falar. Aos poucos, esse entorpecimento fechou-se sobre o meu peito, na direção do coração, e tentei usar a boca para pedir ajuda, para pedir um antídoto aos índios. Por mais que tentasse, entretanto, não conseguia dominar a minha força o bastante para pronunciar uma palavra. Simultaneamente, meu abdômen parecia se tornar de pedra, e tive de fazer um tremendo esforço para manter meu coração batendo.
Comecei a chamar meu coração de amigo, meu mais querido amigo, a falar com ele, a encorajá-lo a bater, com toda a força que ainda me restava.
Fiz-me consciente do meu cérebro. Senti — fisicamente — que ele tinha sido dividido em quatro níveis distintos. Na superfície superior estava o observador, o comandante, consciente da condição do meu corpo e responsável pela tentativa de manter o coração funcionando. Percebi, mas apenas como espectador, a visão que emanava do que pareciam ser as partes mais profundas do cérebro. Imediatamente abaixo do nível mais alto, senti uma camada entorpecida, que parecia ter sido posta fora de ação pela droga, e ali não estava. O nível seguinte era a fonte de minhas visões, inclusive a do barco da alma.
Agora, eu me sentia virtualmente certo de que estava para morrer. Enquanto tentava avaliar meu destino, uma parte ainda Interior do meu cérebro começou a transmitir mais visões e in-formações — "disseram-me" que esse novo material me estava sendo apresentado porque eu ia morrer e, portanto, estava "pronto" para receber aquelas revelações. Informaram-me que se tratava de segredos reservados aos agonizantes e aos mortos. Apenas vagamente, pude perceber os que me transmitiam esses pensamentos: répteis gigantes, repousando apaticamente na mais ínfima região da parte de trás do meu cérebro, no ponto onde ele encontra a parte superior da coluna espinhal. Eu só podia vê-los de forma nebulosa e, assim, pareciam-me profundezas sombrias, tenebrosas.
Depois, eles projetaram uma cena diante de mim. Primeiro, mostraram-me o planeta Terra tal como era há uma eternidade atrás, antes que nele houvesse vida. Vi o oceano, a terra nua e o brilhante céu azul. Então, flocos pretos caíram do céu, às centenas, e pousaram diante de mim, na paisagem nua. Pude ver que esses "flocos" eram, na verdade, grandes e brilhantes criaturas negras, com reforçadas asas que assemelhavam-se ás dos pterodátilos e imensos corpos como o da baleia. Suas cabeças não eram visíveis a mim. Tombaram pesadamente, mais do que exaustas pela viagem feita, que durara épocas infinitas, Explicaram-me, numa espécie de linguagem mental, que estavam fugindo de alguma coisa, no espaço. Tinham vindo ao planeta Terra a fim de escapar desse inimigo.
Essas criaturas mostraram-me, então, como haviam criado a vida sobre o planeta, com o intuito de se ocultarem sob diversas formas e assim disfarçar sua presença. Diante de mim, a magnificente criação e a especificação das plantas e dos animais — centenas de anos de atividade — foram feitas em tal escala, e com tamanha intensidade, que me é impossível descrever. Aprendi que essas criaturas semelhantes a dragões estavam, assim, dentro de todas as formas de vida, inclusive no homem.
* Eram elas os verdadeiros senhores da humanidade e de todo o planeta, foi o que me disseram. Nós, humanos, não passávamos de seus receptáculos e servos. Por isso é que podiam falar comigo de dentro de mim.
Surgindo a partir das profundezas da minha mente, essas revelações alternavam-se com as visões da galera flutuante que quase terminara por levar minha alma para bordo. O barco, com sua tripulação de cabeças de gaio azul no convés, ia aos poucos se afastando, puxando minha força de vida com ele, enquanto seguia em direção a um grande fiorde, flanqueado por algumas colinas erodidas e áridas. Eu sabia que tinha apenas um momento para viver e, estranhamente, não sentia medo daquele povo de cabeças de pássaro, não me importava ceder-lhe a minha alma, se a pudesse manter. Receava, entretanto, que de alguma forma a minha alma não pudesse se manter no plano horizontal do fiorde, mas, por meio de processos desconhecidos, embora sentidos e temidos, fosse capturada, ou recapturada pelos alienígenas das profundezas, com seu aspecto de dragões.
Subitamente senti, de maneira clara, a minha condição de homem, o contraste entre a minha espécie e os antigos répteis ancestrais. Desatei a lutar contra a volta dos antigos, que começavam a parecer cada vez mais alienígenas, e que seriam, possivelmente, perversos. Voltei-me para o auxílio humano.
Com um último esforço, que não pode sequer ser imaginado, mal pude balbuciar uma palavra para os índios: "Remédio!"; vi que corriam para preparar o antídoto e senti que não conseguiriam prepará-lo a tempo. Eu precisava de um guardião que pudesse derrotar os dragões e, desesperadamente, procurei evocar um ser poderoso para proteger-me contra aqueles répteis alienígenas. Um deles apareceu diante de mim e, nesse momento, os índios abriram à força minha boca e nela derramaram o antídoto. Aos poucos, os dragões desapareceram, recuando para as profundezas. O barco das almas e o fiorde já não existiam. Eu, aliviado, relaxei.
O antídoto melhorou radicalmente o meu estado, mas não evitou que viessem novas visões, de natureza mais superficial. Com estas podíamos lidar, eram agradáveis. Fiz viagens fabulosas, á vontade, através de regiões distantes, mesmo para fora da Galáxia, criei arquiteturas incríveis, usei demônios de sorrisos sardônicos para realizar as minhas fantasias. Muitas vezes, dei comigo rindo alto, pelas incongruências das minhas aventuras.
Finalmente, adormeci.
Raios de sol infiltravam-se pelas gretas do telhado de colmo quando acordei. Estava ainda deitado sobre a plataforma de bambu e ouvia os ruídos normais da manhã em tomo de mim: os índios conversando, os bebês chorando e um galo cantando. Descobri, com surpresa, que me sentia repousado e tranqüilo, Enquanto ali ficava, olhando para o padrão lindamente tecido do forro de colmo, as lembranças da noite anterior passavam pela minha mente. Detive-me momentaneamente entre essas lembranças para apanhar meu gravador que estava na bolsa de pertences do meu trabalho. Enquanto remexia na bolsa, vários dos índios vieram cumprimentar-me, sorrindo. Uma mulher idosa, esposa de Tomás, deu-me uma tigela com peixe e molho de lanchagem, que tinham delicioso sabor. Então, retomei à plataforma, ansioso por colocar minhas experiências noturnas no gravador antes que me esquecesse de alguma coisa.
O trabalho de recordar foi fácil, exceto por um trecho do transe de que não podia me lembrar. Ficou em branco, como se a fita não tivesse sido usada. Lutei durante horas para lembrar o que acontecera durante aquela parte da experiência e, virtualmente, trouxe-a à força de volta à minha consciência. O material recalcitrante era a comunicação feita pelas criaturas em forma de dragões, incluindo a revelação do papel que tinham tido na evolução da vida deste planeta e o domínio inato que exerciam sobre a matéria viva, inclusive sobre o homem. Fiquei bastante animado ao descobrir de novo esse material, e não pude deixar de sentir a sensação de que eles não haviam imaginado que eu pudesse trazê-lo de volta das regiões mais recônditas da mente.
Tive até mesmo uma sensação muito peculiar de medo em relação à minha segurança, porque agora possuía um segredo que, segundo as criaturas, estava reservado aos mortos, aos agonizantes. Imediatamente, resolvi repartir essa parte do meu conhecimento com os outros, para que o "segredo" não ficasse somente comigo e minha vida não fosse ameaçada. Coloquei meu motor de popa numa canoa feita de um só tronco e parti para uma missão evangélica americana que ficava nas proximidades.
O casal da missão, Bob e Millie, era objeto de maior estima que os missionários comuns enviados pelos Estados Unidos: eram hospitaleiros, dotados de senso de humor e compassivos.
[1] Contei-lhes minha história. Quando descrevi o réptil de cuja boca esguichava água, marido e mulher se entreolharam, foram buscar a Bíblia, e leram para mim o seguinte trecho do Capítulo 12 no Livro do Apocalipse:
"E a serpente lançou pela boca um rio de água..."
Explicaram-me que a palavra "serpente", na Bíblia, era sinônimo das palavras "dragão" e "Satã". Continuei a minha narrativa. Quando cheguei ao trecho sobre as criaturas com aspecto de dragão a fugir de um inimigo que estava além da Terra e caindo aqui para escapar aos seus perseguidores, Bob e Millie ficaram impressionados e, de novo, leram para mim algo mais, da mesma passagem do Livro do Apocalipse:
"E houve uma batalha no céu: Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão. O dragão e seus anjos combateram, mas não conseguiram vencer, nem se encontrou mais seu lugar no céu. E o grande dragão, a antiga serpente, chamado Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro, foi expulso; foi atirado à Terra, e seus anjos com ele."
Ouvi com surpresa e assombro. Os missionários, por sua vez, pareciam tomados de respeitoso temor diante do fato de um antropólogo ateu aparentemente poder, por haver bebido um líquido de "feiticeiros", receber algo do mesmo material sagrado do Livro do Apocalipse. Quando terminei minha narrativa, senti-me aliviado por ter repartido meu novo conhecimento, mas também estava exausto. Caí adormecido no leito dos missionários, deixando-os a prosseguir com a conversa sobre aquela experiência.
Ao entardecer, quando voltei à aldeia em minha canoa, minha cabeça começou a latejar no ritmo do ruído do motor de popa; pensei que estava enlouquecendo; tive de tapar os ouvidos com a mão para evitar essa sensação. Dormi bem, mas no dia seguinte notei um entorpecimento ou pressão na cabeça.

* Em retrospecto, seria possível dizer que era quase como o DNA, apesar de que, naquele tempo, 1961, eu nada sabia sobre o DNA (ácido desoxirribonucléico).



[1] Seus nomes foram mudados.


Do livro O Caminho do Xamã, de Michael Harner, Editora Cultrix


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Agora, tinha muita vontade de pedir a opinião profissional do índio que mais entendia de assuntos sobrenaturais, um cego que fizera muitas viagens ao mundo dos espíritos com a ajuda da ayahuasca. Parecia-me bastante apropriado que um cego pudesse ser o meu guia no mundo das trevas.
Fui à cabana dele, levando meu caderno de anotações, e descrevi as visões que tivera, segmento por segmento. Primeiro, falei-lhe apenas das luzes brilhantes; então, quando cheguei às criaturas com aspecto de dragões, omiti o trecho em que chegaram do espaço e disse apenas: — Havia animais negros, gigantescos, algo assim como enormes morcegos, maiores que esta casa, e eles disseram que eram os verdadeiros senhores do mundo.
— Não havia a palavra dragão para os Conibo, assim "morcegos gigantescos" era o que de mais parecido havia para descrever o que eu tinha visto.
O índio fixou em mim seus olhos sem luz e disse, careteando um sorriso: — Ah! Eles estão sempre dizendo isso. Mas são apenas senhores das Trevas Exteriores.
Fez um movimento despreocupado com a mão, rumo ao céu. Senti um arrepio percorrer a parte inferior da minha espinha, porque eu ainda não lhe tinha dito que em meu transe eu os tinha visto chegar do espaço.
Fiquei estupefato. O que eu havia experimentado já era familiar para aquele xamã cego e descalço, conhecido por ele em suas próprias explorações do mesmo mundo oculto no qual eu me aventurara. A partir desse momento, decidi aprender tudo quanto pudesse sobre xamanismo.
E houve algo mais que me encorajou em minha nova indagação. Depois que contei toda a minha experiência, ele me disse que não conhecia ninguém que tivesse encontrado e aprendido tanto em sua primeira viagem com a ayahuasca.
— Sem dúvida, o senhor vai ser um mestre xamã — disse ele.
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

O PODER DA ORAÇÃO VAI ALÉM DO ESPAÇO-TEMPO

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EFEITO RETROATIVO DA PRECE?



CONTARDO CALLIGARIS

O poder da reza



Mistério: estudo mostra que uma reza retroativa ajudou pacientes anos depois da internação



UM AMIGO médico, Décio Mion, me fez conhecer um estranho debate que ocupou, de 2001 a 2003, as páginas do seríssimo "British Medical Journal".Premissa: várias pesquisas, há tempos, mostram os efeitos positivos da reza numa variedade de condições patológicas. Documenta-se que o doente encontra benefícios (quanto ao andamento de sua enfermidade) no ato de rezar ou na consciência de que seus próximos rezam por ele. Até aqui, tudo bem: o paciente acharia assim uma paz de espírito que melhora sua evolução.A coisa se complica: às vezes, as pesquisas mostram que a prece traz benefícios mesmo quando alguém reza por um doente sem que ele próprio saiba disso. Como explicar esses casos?Talvez o benefício seja fruto de uma intervenção caridosa da divindade solicitada, mas essa explicação depende de um ato de fé que não cabe na interpretação de uma pesquisa científica. Além disso, é curioso que os benefícios apareçam seja qual for o deus ou o intercessor que receba a oração.Resta, pois, imaginar que a intenção humana (o esforço cerebral de quem deseja que algo aconteça e reza por isso) tenha alguma realidade material (energia, partículas etc.) capaz de influir no andamento de um processo patológico. Estranho?Nem tanto: afinal, até poucas décadas atrás, ignorávamos a existência de uma série de partículas que, segundo a física de hoje, povoam nosso universo. Por que as nossas intenções não movimentariam uma energia desconhecida, mas capaz de alterar o mundo físico? Nos EUA, nos anos 60-70, foram organizadas reuniões diante da Casa Branca com a idéia de que, se todos se concentrassem, a energia do dissenso faria levitar a residência do presidente norte-americano. Embora cético, participei, convencido por um amigo que dizia: "Tentar não dói". Claro, não funcionou.Ora, no fim de 2001, o "British Medical Journal", depois de um editorial lembrando que a razão não explica tudo, publicou uma pesquisa, de L. Leibovici (BMJ, 2001, 323), que registra os efeitos benéficos (em pacientes com septicemia) de uma reza afastada não só no espaço, mas também no tempo. Explico.Foram incluídos no estudo todos os pacientes internados com septicemia, de 1990 a 1996, num hospital israelense; eram 3393. Em 2000 (de quatro a dez anos mais tarde), por um processo rigorosamente aleatório, os arquivos desses pacientes foram divididos em dois grupos: um grupo pelo qual haveria reza e um grupo de controle. Para cada nome do primeiro grupo, foi dita uma breve reza que pedia a recuperação do paciente e do grupo inteiro.Resultado: no grupo que recebeu uma reza em 2000, a mortalidade foi (ou melhor, fora, de 90 a 96) inferior, embora de maneira pouco significativa; no mesmo grupo, a duração da febre e da hospitalização fora (ou melhor, havia sido, de 90 a 96) significativamente menor.A publicação da pesquisa provocou uma enxurrada de cartas (BMJ, 2002, 324), algumas contestando as estatísticas, outras manifestando uma certa incompreensão do problema, que é o seguinte: como entender que uma reza possa agir não só sem que o paciente tenha consciência da intercessão pedida (com possível efeito psicológico positivo), mas à distância no tempo? Como entender, em suma, que uma reza dita em 2000 tenha um efeito retroativo em alguém que estava doente entre 90 e 96, quando a pesquisa e a reza nem sequer estavam sendo cogitadas?Uma tentativa de resposta veio em 2003. O "BMJ" (2003, 327) publicou um interessante e enigmático artigo de Olshansky e Dossey, "History and Mystery" (história e mistério), em que os dois médicos dão prova de conhecimentos de física quântica muito acima de minha cabeça. O argumento de fundo é o seguinte: há modelos do espaço-tempo nos quais é possível que haja relações físicas entre o passado e o presente (ou seja, modelos em que o presente pode alterar o passado).Que o leitor não me peça para explicar como isso aconteceria. As dimensões do "espaço de Calabi-Yan" e os "campos bosônicos", para mim, são tão obscuros quanto os ectoplasmas, os espíritos e os milagres.Moral da história: embaixo do sol (ou da chuva), deve haver muito mais do que imaginamos, até porque nossa ciência está longe de ser acabada. Alguns colegas positivistas talvez durmam mal com esse barulho.Eu não acredito nas paranormalidades, mas, em geral, durmo melhor ninado pelo mistério do que pelas certezas.
http://diacrianos.blogspot.com/2008/01/o-tempo.html



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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

STRESS, RESPIRAÇÃO, FALTA DE ENERGIA: QUANTOS VOLTS VOCÊ TEM?

O ESTRESSE ROUBA SEU OXIGÊNIO E SUA ENERGIA (Quantos volts você tem?)


Quantos volts você tem? [por Mayra Stachuk]

Olha ele de novo no banco dos réus: não bastassem dor de cabeça, cansaço, desânimo, tristeza, angústia, crises de tensão e ansiedade, para citar os sintomas mais comuns, o estresse acaba de ser acusado de outro efeito colateral danoso, o de roubar o oxigênio do sangue.

O acusador da vez é a bioenergopatia, método terapêutico baseado na teoria da bioenergética, que o americano Alexander Lowen criou em 1920, numa extensão dos estudos do austríaco Wilhelm Reich. Para a bioenergética, não existe separação entre corpo e mente, e as emoções e a personalidade do indivíduo influenciam diretamente os processos energéticos do organismo –a energia é produzida por respiração/ metabolismo.

Por esse raciocínio, o potencial elétrico de pessoas deprimidas é baixo, daí o desânimo; o das agitadas é elevado, daí a constante inquietação. O estressado também produz alta carga de energia, mas por outra razão, o baixo nível de oxigênio no sangue.

O problema todo, segundo o biólogo e terapeuta bioenergopata Geraldo Medeiros Jr. (nenhum parentesco com o endocrinologista Geraldo Medeiros), começa no fato de o estresse comprometer o processo respiratório. “O estresse vem, invariavelmente, acompanhado de enrijecimento muscular. Com os músculos contraídos, o diafragma não faz os movimentos completos, e tanto a inalação de oxigênio quanto exalação de gás carbônico são insuficientes”, explica.

Com a escassez de oxigênio, os glóbulos vermelhos se aglomeram, tornando o ambiente mais ácido e denso e dificultando o trânsito dos glóbulos brancos, principais agentes de defesa do organismo. O PH (potencial hidrogênico, indicador padrão para medição da acidez de uma substância) sangüíneo normal é de 7,35 a 7,45. O sangue sem oxigênio tem PH abaixo de 7,30.

“É por isso que muitas vezes as pessoas ficam debilitadas, mas não sabem o que têm. Quando o sangue está assim, já existem sintomas como dor de cabeça, sono fragmentado, alterações no metabolismo e a urina ácida, como se estivesse com cistite”, explica o bioenergopata. Nesse estágio, o estresse já está instalado e o indivíduo caminha para o desenvolvimento de outra doença.

Diagnóstico Medeiros Jr. diz que exames clínicos tradicionais não detectam esse quadro, mas ele pode ser identificado de duas formas, ambas da bioenergopatia. A primeira é medindo o potencial elétrico do indivíduo, ou seja, a eletricidade que o circunda, com um aparelho chamado multímetro, que faz a medição através de eletrodos colocados pelo corpo. Quanto maior o potencial, mais desvitalizado está o organismo. O normal é entre 1,5 mV e 4,5 mV (milivolts); com o estresse, pode chegar a 18 mV ou 20 mV.

Outra forma é examinar no microscópio a configuração dos glóbulos vermelhos em uma amostra de sangue. Se estiverem agrupados (veja imagens na pág. ao lado), o sangue está hipóxico, ou seja, com pouco oxigênio.

Nesse caso, Medeiros recomenda tirar do cardápio por pelo menos 30 dias alimentos que contenham ácido malônico, substância que não é produzida pelo organismo e que, em contato com o sangue, “seqüestra” suas moléculas de O2. Em sangues “saudáveis”, diz ele, esse processo não faz muita diferença; no hipóxico, já debilitado, acentua a deficiência. Quem tem ácido malônico: tomate, manga, maracujá, cebola roxa, azeitona preta e feijão preto.

De resto, é repetir a receita tradicional: comer e dormir direito, controlar, tanto quanto possível, a saúde física e mental e praticar atividades físicas para melhorar a respiração e promover o relaxamento muscular.

Evite alimentos que contêm ácido malônico, que “seqüestra” moléculas de oxigênio do sangue e acentua a hipoxia (mas não fazem mal quando o PH do sangue está normal)

O “assalto” do sangue

- Com o estresse, os músculos tendem a ficar contraídos, dificultando a atuação do diafragma e comprometendo o ciclo respiratório

- A tendência é inspirar menos O2 e exalar menos CO2

- Depois de algum tempo recebendo menos oxigênio, as hemácias (glóbulos vermelhos), que em estado normal são soltas, se agrupam na tentativa de obter oxigênio umas das outras

- Esse agrupamento tende a deixar o sangue mais ácido e denso, dificultando a circulação dos glóbulos brancos, principais agentes de defesa do organismo; o sistema imunológico fica mais lento e sujeito a vírus e bactérias


http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf1610200510.htm




O PODER DA RESPIRAÇÃO

Texto de Marietta Till


Certa vez, alguém que vivia em busca da verdade foi ter com um grande mestre a fim de ser levado à experiência dos estados su­periores da consciência. Vendo que ele estava mais interessado em obter poder sobre os outros do que no aperfeiçoamento espiritual, o mestre levou-o a um rio e, fazendo-o submergir, segurou-lhe a cabe­ça sob a água até ele quase se afogar. Só então o deixou livre, perguntando-lhe: "Qual era o seu maior desejo quando estava debaixo da água?" Esgotado e respirando profundamente, ele respondeu: "Eu queria ar!" "Então volte", disse o mestre, "quando o seu de­sejo pelo próprio aperfeiçoamento for tão grande quanto o seu an­seio por ar.”

Sem alento não há vida! Podemos viver um bom tempo sem alimento, mas só alguns minutos sem ar. Todos sabemos disso. Pou­cos, porém, sabem que respirar pode significar muito mais do que deixar que o corpo apreenda o ar de que necessita. Poucos sabem que a respiração representa um importante elo entre o corpo e o es­pírito, e que exerce uma profunda influência sobre o evento psicos­tomático. Por isso, o treinamento sistemático da respiração - apresentado neste livro com exemplos os mais variados - pode levar a um sensível bem-estar e a experiências positivas em todos os níveis da nossa existência.

Atualmente, o treinamento da respiração faz parte dos muitos caminhos de salvação oferecidos, podendo a "salvação" ter neles o significado de "cura". No entanto, a maioria das disciplinas que de­vem levar à salvação normalmente se restringe ao método da expe­riência corporal e da imaginação, negligenciando o importantíssimo papel que a respiração pode desempenhar nisso.




YOGA

O caminho hindu da ioga, com seu treinamento meditativo da respiração, faz parte dos mais conhecidos métodos de treinamento. Descobertos há milênios, durante largo período de tempo esses exer­cícios só foram transmitidos, em sigilo, nas associações secretas e nas escolas iniciáticas. (Além das escolas de mistérios do Egito e da era clássica, fazem parte delas os primeiros cristãos (os gnósticos), os monges do monte Atos, os fran­co-maçons e os rosa-cruzes.) Só agora, na nossa época, estes assomam novamente à luz, depois do longo tempo de subnutrição espiritual e de orientação puramente materialista que o mundo ocidental teve de atravessar.

Todos os caminhos e terapias alternativas dos nossos dias visam conduzir o homem de encontro ao seu interior, promover seu autoconhecimento e transformar o seu ego exterior numa forma superior de consciência. Uma contribuição essencial para isso pode re­sultar da respiração que é a expressão de um processo profunda­mente interior. Com ela, temos em mãos um instrumento que, con­duzido pela nossa vontade, tem a possibilidade de dirigir-se até os processos inconscientes e autônomos do nosso corpo, possibilidade essa da qual somente o homem, entre todos os seres vivos, pode dis­por.

Assim, por exemplo, a atividade cardíaca, a freqüência do pul­so, a digestão e também as emoções reprimidas podem ser influen­ciadas, profundamente modificadas e até eliminadas pela respiração objetivada. Quem não ouviu falar dos Yogues que se deixam enterrar vivos por três semanas? As nossas formas espirituais – a concentração, a memória e o discernimento –, tiram proveito da respiração orientada, do mesmo modo com que nossa constituição psíquica, a exercitar-se paciente­mente e a libertar-se da escória da emoção negativa.

Podemos experimentar em nós mesmos aquilo de que a respira­ção é capaz: sentando-nos em posição ereta, numa cadeira, concen­tramo-nos na respiração e, de olhos fechados, eliminamos todos os outros pensamentos. Agora, prolongamos, pouco a pouco, o tempo de expiração e da inspiração, "observamos a respiração". Depois de cinco minutos, iremos sentir que uma calma benéfi­ca nos invade, e que as nossas preocupações e os nossos problemas diminuíram. Outro exemplo: vamos a uma festa popular e entramos na "montanha russa". Cada vez que os carros descem, temos uma sen­sação de náusea no estômago; somos presas do medo. Mas, se inspi­rarmos profundamente enquanto descemos, o medo não se apresentará! Esses são apenas dois exemplos da influência da respiração orientada conscientemente.



Os chineses são da opinião que a respiração calma prolonga até mesmo a vida. Seus filósofos afirmam que, quando o homem nasce, é-lhe proporcionado um determinado número de respirações. Caso respire rápida e agitadamente, a sua energia vital logo chegará ao fim. Exemplo disso eles vão buscar no macaco arisco, de vida curta, e na tartaruga centenária com a sua respiração acentuadamente lenta.

Fontes bem orientadas e fidedignas vindas do Oriente nos fa­lam de resultados respiratórios verdadeiramente miraculosos. Sabe­mos, assim, de monges tibetanos que, no frio intenso, sentam-se nus sobre a neve, tendo de secar certo número de lençóis molhados, an­tes de serem admitidos em determinados rituais da vida monástica. Eles treinam o Tum-mo , um exercício respiratório que produz calor. A. Jusseck, um psicoterapeuta conhecido, ( ver A. Jusseck, O encontro do sábio dentro de nós, Goldmann 1986) que atualmente vive nos Estados Unidos, deve a esse exercício a salvação da sua vida, quan­do estava em Stalingrado.

A famosa exploradora do Tibete, Alexandra David-Neel , descreve como outros monges tibetanos que se submeteram, durante anos, a certos exercícios respiratórios são ca­pazes de vencer grandes distâncias como se tivessem "botas de sete léguas", mais voando como pássaros do que andando, tocando a ter­ra só de vez em quando com a ponta dos pés (A. David-Néel, Mystiques et Magiciens du Tibet, Librairie Plon 1972) .


Em tempos mais recentes, sabemos que, na psicoterapia, uma influência especial da respiração pode levar os pacientes a um nível diferente de consciên­cia ("estado Alfa ou Teta"), no qual tornam a surgir experiências que já haviam desaparecido da memória (terapia primária, rebir­thing). E o moderno método do superlearning que no estudo de lín­guas também é apoiado por exercícios respiratórios.

Esses exemplos devem ser suficientes para esclarecer o ex­traordinário efeito a que pode chegar a função respiratória orientada. A respiração correta promove não apenas a agilidade do corpo, a vi­gilância do espírito e o equilíbrio da psique, mas também uma capa­cidade maior do hemisfério direito do cérebro, ao qual compete a fantasia, a vida onírica e as capacidades criativas. Esse hemisfério foi negligenciado nos nossos dias em prol do culto do intelecto. Redescoberto, ele confere sentido e alegria à nossa existência e à nossa individualidade.

Respirar corretamente proporciona um acréscimo de energia ao nosso corpo sutil, também chamado corpo cinestésico, etérico ou corpo prana, porque, pela respiração, aspiramos não ape­nas oxigênio, mas também o elixir criativo da vida (que os hindus chamam de "prana" e os chineses de "ki"), que mantém vivo o nosso corpo psíquico, fortalece a membrana celular e reforça o sistema imunológico.

A respiração correta pode nos tirar da polaridade - que sofre­mos desde a "expulsão do paraíso" - e nos fazer voltar à unidade, na qual a criação já não se apresenta mais como algo separado de nós, mas como solidariedade do destino em relação a tudo o que vi­ve. Assim, o mergulho no interior de nós mesmos, mediante a respi­ração, não nos separa de modo algum dos nossos companheiros - coisa que muitos receiam; ao contrário, melhora nosso relaciona­mento social, a simpatia e o amor humano. O ar é o elemento de co­municação com o tu. Tudo tem de respirar, as plantas, os animais, as árvores e também a colmeia e até uma orquestra. O próprio universo, uma vez por dia, inspira - da meia-noite ao meio-dia - e novamente expira - do meio-dia à meia-noite. Por isso, o melhor momento para os nossos exercícios é a primeira metade do dia. Mas, o alento de Brahma, o grande criador dos mundos, abrange, segundo o pensa­mento hindu, eras siderais, cujo ciclo atual nos trouxe a era da escu­ra deusa Kali, dos sacrifícios humanos, das guerras e guerrilhas san­grentas, das agressões. Uma razão a mais para procurarmos auxílios libertadores que nos conduzam à luz!

Respirar corretamente significa levar a consciência a todas as partes do corpo. No entanto, este é o elemento fundamental da trans­formação integradora do nosso ser. Se unirmos o alento à força da nossa imaginação - como o faz um químico hábil com seus ingre­dientes - experimentaremos um surpreendente acréscimo das nossas possibilidades e, no fim de tudo, da totalidade da nossa força vital.

Um exemplo: de olhos fechados, imaginemos nosso joelho direito, com a rótula, os tendões e os ligamentos. Agora, "respiremos vigo­rosamente para dentro do joelho", o que vivifica ativamente a ima­ginação.

Podemos também pôr a mão direita - a doadora - sobre o joelho, imaginando que o fluxo energético passa, com a respira­ção, através do braço e da palma da mão, diretamente para o joelho. Dentro em pouco, a sensação de calor com a sua força de cura surgi­rá nesse local. Como um servo fiel, a respiração se submete à nossa vontade. Falando de "vontade", não devemos cometer o erro de evocar ambições competitivas nesses exercícios altamente diferenciados. Nesses exercícios, não interessa quem respira melhor, quem absorve mais ar ou quem suspende a respiração por mais tempo. Os efeitos devem se instalar bem devagar, como por si mesmos, como que "furtivamente". Não sendo assim, logo surgirão tensões e bloqueios, como podemos observar diariamente nos rostos crispados dos Yo­gues. Feitos com boa vontade e assiduamente, os exercícios respi­ratórios representam uma atividade relaxante, natural e alegre. Ran­ger os dentes durante sua execução é despropositado.




Hemácias grudadas – O que significa isto?

http://saudeblog.wordpress.com/2009/10/07/hemacias-grudadas-%E2%80%93-o-que-significa-isto/

Nos últimos meses, dezenas de trabalhos científicos vêm revelando o aumento da agregação eritrocitária (onde as hemácias, ou glóbulos vermelhos do sangue ficam aderidas umas às outras) em diversas situações.

Quando envelhecemos, por exemplo, a agregação eritrocitária aumenta enquanto a imunidade diminui. Cientistas australianos verificaram que na faixa de idade entre 50 e 59 anos a agregação das hemácias é significativamente maior do que em jovens entre 20 e 39 anos. E além das hemácias ficarem mais aderidas, a atividade de uma célula muito importante para a nossa defesa, o neutrófilo, diminui com a idade. Nesse estudo não foram estudados grupos mais idosos. (Christy RM, Baskurt OK, Gass GC, Gray AB, Marshall-Gradisnik SM. Erythrocyte Aggregation and Neutrophil Function in an Aging Population. Gerontology. 2009 Sep 24.).

Numerosas doenças tem sido correlacionadas com a agregação eritrocitária, como diabetes, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral (derrame), tumores malignos, infecções, entre outras. Mas qual o significado disto?
Hoje, vamos começar a discutir esse assunto, fundamental para entendermos a diferença entre a saúde e a doença.

Vejam a frase: “No atual estágio de evolução da medicina, em breve teremos a cura para muitas doenças”.

O texto acima parece ter sido feito nos dias atuais, mas, ao contrário do que parece, foi retirado de um livro médico do início do século XX. Naquela época, com o advento dos raios-x, a ciência médica parecia estar alcançando uma evolução nunca antes concebida. Estávamos conseguindo ver através da pele e dos músculos, sem necessidade de cortá-los.

É curioso como essas afirmações parecem risíveis, após um século. E com certeza daqui a um século os médicos de então olharão da mesma maneira os livros atuais. Portanto, para uma visão mais crítica, temos que ser modestos e destituirmo-nos de qualquer arrogância. Não estamos no “auge da evolução científica”. Doenças que afligem o homem há séculos, como o diabetes, a hipertensão, a doença coronariana, as doenças auto-imunes, a maioria das doenças neurológicas, só para citar algumas, continuam sendo um enigma e um desafio para a medicina.

Embora tenhamos algumas drogas para controlá-las, a origem e a cura dessas doenças continuam desconhecidas. Nós, médicos, encontramos palavras complicadas para denominarmos a nossa completa ignorância sobre o assunto, chamando a doença de essencial ou ideopática, para que não tenhamos que encarar a nossa impotência sobre o assunto.

Portanto, vale a pena descer do pedestal e avaliar com distância a atual visão do tratamento de doenças como a hipertensão e a obstrução das artérias coronárias.

Uma das formas de entender melhor um assunto é através de uma metáfora. O objeto dessa comparação pode ser o automóvel. O motor de um automóvel, se não forem tomados alguns cuidados, pode formar um tipo de borra, um tipo de depósito nas paredes internas, que podem obstruir os orifícios de circulação de óleo, podendo até impedir o funcionamento do motor. Já vi motores que explodiram devido ao excesso da pressão de óleo, causado por uma ou várias borras dessas. Ou seja, automóvel também tem “hipertensão arterial” e “infarto do miocárdio” se não for bem cuidado. A diferença entre o automóvel e o ser humano é que é só trocar o motor por um novo e está resolvido o problema. Agora imaginem se o raciocínio utilizado pelos engenheiros mecânicos e engenheiros químicos que cuidam dos automóveis e dos óleos fosse o seguinte.

- Seu carro ainda não tem uma borra aparente? Continue assim, no dia que formar uma borra, veremos o que podemos fazer.

- Vamos fazer exames para saber se há chance de formar borras. Vamos tirar um pouco de óleo e verificar se há micro borras. Mas há micro borras boas, e micro borras ruins. Vamos desenvolver um aditivo para colocar no óleo para diminuir as micro borras ruins.

- Mesmo com os aditivos para diminuir as micro borras ruins, muitos automóveis formam borras e ficam com problemas. Tudo bem, é só compararmos os automóveis “com aditivo” e “sem aditivo” e veremos que os com aditivo demoram mais para ter problemas.

- Quem normalmente faz os testes dos aditivos? – Engenheiros comprometidos com a fábrica de aditivos, que só podem publicar artigos elogiando os aditivos.

- Como formam as borras? Qual o princípio físico envolvido? Não, isso ninguém estuda.

- Os automóveis “com aditivo” ficam mais fracos? Outras partes do automóvel são prejudicadas? Não faz mal, desde que o motor forme menos borras.

- Todos os automóveis depois de uma certa idade, devem utilizar um produto que deixe o óleo mais fino, para passar mais fácil pelos canais e orifícios entupidos com borra.

- Impedir que a borra se forme? Como, se não sabemos os princípios físicos envolvidos.

- Se a pressão do óleo tiver ficando muito alta, podemos diminuir a quantidade de óleo ou aumentar o tamanho dos canos por onde ele passa. Não faz mal se outras partes do automóvel fiquem prejudicadas.

- No caso de urgência, tentamos desentupir os tubos onde o óleo passa ou colocar caninhos externos para desviar o óleo do local obstruído. Se nada der certo, trocamos o motor. Mas esses carros com motores novos tem que utilizar um grande número de aditivos que podem fazer o carro quebrar a qualquer momento.

- O dono do carro ficou deprimido depois de tudo isso. É só prescrever um antidepressivo para ele.
Parece surreal, não? Mas os engenheiros conhecem o problema, e tem desenvolvido óleos lubrificantes de qualidade superior, que impedem a formação das borras. É muito mais fácil prevenir do que remediar. E o dono do carro tem que trocar o óleo regularmente por outro de qualidade compatível. Mas se colocar um óleo com um detergente superior em um carro já com borras, elas podem até se soltar e entupir o motor.

Mas o que interessa é que os engenheiros conhecem os princípios físicos envolvidos com o que estão trabalhando. Agora troque o automóvel pelo seu corpo, os caninhos por onde circulam o óleo pelas suas veias e artérias, o motor pelo coração, a pressão de óleo pela pressão arterial, as micro borras pelo colesterol, os aditivos por estatinas, ácido acetil-salicílico e anti-hipertensivos.
Portanto, na medicina atual, não se conhecendo o princípio físico envolvido com a formação de ateromas, agregação eritrocitária e plaquetária, viscosidade do sangue, entre outros, estamos jogando no escuro de maneira semelhante aos engenheiros fictícios da história do automóvel e da borra.

Hoje na ciência médica estuda-se muito pouco sobre os princípios físicos da saúde e da doença. Mas, nos últimos 60 anos, vários cientistas já pesquisaram o assunto. E, possivelmente, estamos adentrando em uma nova área do conhecimento, que pode modificar completamente a visão da saúde e da doença e da prevenção e do tratamento médico.

publicado por conspiratio às 22:55
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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

ARTISTA, ALQUIMISTA, DIPLOMATA E IMORTAL: CONDE DE SAINT-GERMAIN

ARTISTA, ALQUIMISTA, DIPLOMATA, E IMORTAL: CONDE SAINT-GERMAIN



O lendário Conde de Saint Germain é um dos personagens mais intrigantes do século XVIII. Sua vida pode ser avaliada sob vários pontos de vista, desde a condição de um elevado e sábio alquimista até a de um simples e nobre excêntrico.O Conde Saint Germain teria nascido na Transilvânia, em 28 de maio de 1696; mas, outra fontes determinam seu nascimento em 1709. Era, provavelmente, filho de Francis II Rákóczi, príncipe exilado da Transilvânia. Mas, há referências de que poderia ser filho ilegítimo de Marie-Ann de Neuborg, esposa viúva de Carlos II da Espanha, com o desconhecido Conde Adanero.Sabe-se que o Conde Saint Germain teve sua educação acadêmica na Itália, sob os cuidados do Duque de Médici. Mas, estranhamente, os primeiros registros de sua vida pública e social iniciam-se apenas em 1743, quando então contava 47 anos de idade, na cidade de Londres. Aproximadamente dois anos mais tarde, esteve na cidade de Edimburgo (Escócia) onde teria sido retido sob a acusação de espionagem. Após recuperar a liberdade, conheceu o célebre filósofo e escritor suíço Jean-Jacques Rousseau, desaparecendo misteriosamente em 1746.Em 1758, na cidade francesa de Versalhes, retomou sua vida pública e convívio social. Porém, o Conde declarava-se um profissional de pedras preciosas (ourives e lapidador) e comerciante de tecidos que, segundo a lenda, possuíam uma fórmula misteriosa e nunca desbotavam.Neste mesmo período, infiltrou-se na corte francesa ao presentear com diamante e pedras preciosas. Conta-se que conquistou a confiança do monarca ao reconstituir, de modo misterioso, um diamante quebrado. Ainda, ganhou fama de ser um hábil violinista. Assim, aproveitando-se dos benefícios que sua popularidade lhe trazia, hospedou-se no vilarejo de Chambord, sob a tutela do Rei Luís XV.No ano de 1760, deixa a França e viaja para a Inglaterra, Países Baixos e Rússia, onde é acusado de conspirar contra o imperador e a favor de Catarina – A Grande, de modo que ela pudesse assumir o comando do estado russo. Em seguida, viaja para a Bélgica, onde, sob o nome de Conde de Surmount, adquire terras. Neste momento, o Conde oferece suas técnicas de tratamento de material ao governo belga; mas, sem obter sucesso. Porém, durante as negociações, o Conde Saint Germain, supostamente, transformou ferro em um material semelhante ao ouro, como uma forma de provar sua capacidade técnica.Após estes fatos, o Conde "desaparece" por onze anos e ressurge em 1774, na Bavária, sob o nome de Conde Tsarogy. Dois anos mais tarde, já estava na Alemanha, apresentando-se como Conde Welldone e comercializando poções, elixires, licores e cosméticos. Ainda, apresentou-se como membro da maçonaria e ganhava notoriedade na corte do Rei Frederico, ao transmutar metal comum em ouro. Ainda na Alemanha, em Schleswig-Holstein, mas sustentando o nome de Francis Rákóczi II, príncipe da Transilvânia, passou a produzir medicamentos naturais e doá-los aos pobres.Finalmente, em 1784, surgiram rumores de sua morte, que teria ocorrido em 27 de fevereiro daquele ano, vitimado por uma pneumonia. Não havia deixado testamento, apenas alguns escritos de cunho esotéricos e medicinais, além de uma respeitosa obra musical e (supostamente) o livro Santíssima Trinosofia. Porém, a trajetória do Conde Saint Germain não se encerra com este fato.A ImortalidadeEm 1789, no período inicial da Revolução Francesa, a condessa d'Adhemar, biógrafa e dama da corte de Maria Antonieta, recebeu um bilhete misterioso: "Encontre-me na Igreja da Recoleta". Ao chegar no local, a condessa se espanta ao ver o Conde de Saint Germain, que teria morrido cinco anos antes, ainda aparentando em torno de quarenta e cinco anos de idade.Giacomo Casanova, o músico Rameau e Madame de Gergy afirmavam ter conhecido o Conde em Veneza, no ano de 1710, sob o nome de Marquês de Montferrat e tê-lo reencontrado em 1775, com a mesma aparência.Em 1835, o Conde teria sido visto em Paris. Em 1867, em Milão e no Egito. Ainda, a teosofista Annie Besant, afirma tê-lo conhecido pessoalmente em 1896. C.W. Leadbeater, também adepto da Teosofia, teria o encontrado em 1926, na cidade de Roma. Ainda, há rumores de que viva atualmente na Holanda, na cidade de Ulsselstein, atuando como engenheiro ambiental.


Divino e ContestávelJean-Jacques Rousseau declarou que era "a mais fascinante e enigmática personalidade que já conhecera". Um homem que sabe tudo e que nunca morre“ dizia Voltaire a seu respeito, afirmando-se na época que o Conde Cagliostro era seu discípulo.
Versado em grego, latim, sânscrito, árabe, chinês, francês, inglês, italiano, espanhol e português, narrava fatos ocorridos milhares de anos antes e pouco registrados na literatura histórica. Capaz de hipnotizar um grande grupo de pessoas. Uma biografia com pouco ou nenhum registro confiável; surgimentos repentinos nas altas classes e desaparecimentos prolongados e inexplicáveis. Trabalhou com diplomacia secreta para Luis XV, mediando a paz entre França e Inglaterra. De estatura mediana e uma aparência física constantemente jovial, teria sido detentor da Pedra Filosofal e do Elixir da Juventude. A sua erudição era fantástica, sabia pintar, tocar cravo e violino, possuía conhecimentos de química e de alquimia que ultrapassavam os seus contemporâneos. Dizia-se que, além de possuir o elixir da longa vida, sabia como aperfeiçoar diamantes e fazer ouro.
Nutria grande admiração por culturas orientais, meditava por horas durante o dia e quando acordava desse estado relatava visitas feitas a terras distantes. Os seus conhecimentos de história pareciam sobrenaturais, costumava mencionar factos ocorridos na corte da Babilônia, histórias com milhares de anos, outros ocorridos na corte de Henrique IV e Francisco I, além de outros relatos incríveis. Não comia carne nem bebia vinho. Fato curioso que afirmava-se que o Conde não se alimentava em público; quando questionado a respeito, argumentava que utilizava-se apenas de alimentos específicos, preparados por ele próprio. Na verdade, nunca alguém presenciou o conde comer ou beber algo. Não havia testemunhos que pudessem dizer que conheciam a sua residência, inclusive enquanto viveu na corte, nunca dormia. Tinha habilidades curativas ou poderes sobrenaturais. Alguns relatos mencionam que sua aparência era a mesma em 35 anos. Segundo alguns registros de época acreditava-se que sua juventude era mantida pela alimentação equilibrada que fazia, ou pelo uso de plantas manipuladas que bem conhecia. Homem de comportamento refinado e misterioso que, aparentemente, possuía uma imensa fortuna (de origem desconhecida). Mesmo seu título nobiliárquico era alvo de contestações; bem como seus "pequenos milagres" ao transmutar material e produzir panacéias infalíveis.
Formou sociedades secretas, ocupou posição proeminente entre os Rosacruzes, os Maçons e os Cavaleiros Templários. ´
Deixou várias obras artísticas, e um livro alquímico, "A SANTÍSSIMA TRINOSOFIA", é atribuído a ele.


Referências em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Conde_de_St._Germain
clientes.netvisao.pt/.../historia_s.germain.htm
http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/personagens/germain.htm http://www.pax.org.br/newpax/sg/index.htm http://www.nitcult.com.br/nitiniciado.htm http://www.almanaque.cnt.br/SANGERMAIN.htm
http://www.angelfire.com/scifi/vitrinescifi/homem.htm
http://www.perfeitauniao.org/oficina/2001/o_conde_de_saint_germain.htm

ÁUDIO:http://www.escribacafe.com/podcast-no37-conde-de-saint-germain/
http://www.levir.com.br/salao7.php?num=0247
www.levir.com.br/salao7.php?num=038

LIVRO: "CONDE SAINT-GERMAIN"
de Isabel Cooper-Oakley,
Editora Mercuryo

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publicado por conspiratio às 17:19
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