Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

SURPREENDIDA PELA GRAÇA - Amber Terrell

Gangagi

Prólogo: A Busca Quando iniciei seriamente a busca espiritual, eu era uma estudante universitária no fim dos anos 60 e havia certas imagens em minha mente sobre como seria a iluminação. Como um ser iluminado, eu imaginava que continuaria sendo "eu", porém todos os aspectos indesejados da minha personalidade seriam corrigidos. Ao ter acesso à ilimitada inteligência do universo, eu seria brilhante, é claro. O melhor de tudo é que minha vida seria transformada em uma existência de bem-aventurança, um paraíso na terra, com saúde e circunstâncias perfeitas, totalmente isolada e protegida do mundo desgostoso, violento e egoísta que eu percebia ao meu redor.

Depois de passado mais de um quarto de século - consumido na intensa prática de meditação e ioga, jejuns, estudos, longos retiros em terras estranhas e anos de serviço a um mestre indiano -, comecei a me perguntar: Por que a iluminação não tinha acontecido? Por que a minha personalidade não tinha sido consertada? Por que, a essas alturas, minha vida não era o que imaginara que seria? No final de 1994, um grande desânimo havia se instalado. Embora muitas belas experiências, até mesmo espetaculares, tivessem ocorrido de vez em quando,embora tivesse aprendido como aquietar a mente e a respiração, e até vivenciado alguns dos siddhis, a iluminação permanecera um sonho, um conceito, existindo apenas na mente.

Tornou-se óbvio que, apesar de anos de esforço sincero, nenhum progresso real fora feito. Estava claro que faltava uma peça no meu acervo espiritual. Mas qual? Eu praticara com tanta dedicação, por tanto tempo. Na hora mais obscura e frustrada da minha busca espiritual, veio uma transmissão de Graça tão poderosa que a mente foi paralisada, o sonho foi despedaçado pela Realidade, todos os conceitos de iluminação foram rapidamente transformados em cinzas e, uma após outra, camadas de falsa identificação com a mente foram implacavelmente eliminadas. Esta transmissão tomou a forma de uma professora chamada Gangaji e emanou pura e diretamente da linhagem de um dos sábios mais respeitados deste século, Sri Ramana Maharshi. Gangaji apareceu em minha vida na primavera de 1995, trazendo uma guirlanda de rosas em uma mão e uma espada na outra.

Com as rosas ela me deu as boas-vindas, colocando-as em torno do meu pescoço em um abraço amoroso; com a espada, cortou minha cabeça. Este corte só foi extremamente doloroso enquanto tentei me apegar à minha cabeça, à "mente", como uma coisa real, como quem eu era. Conforme esta ilusão foi se enfraquecendo, através da Graça mais inimaginável, vi que tanto a espada quanto as rosas eram a mesma coisa- simplesmente aspectos de seu infinito Amor.
Gradualmente, ela revelou que este Amor é o meu próprio Amor, meu próprio Ser - não o ser individual, tal como é percebido pela mente, mas o verdadeiro ser, para além da mente, que algumas pessoas chamam de Ser de Cristo ou o Ser universal - o Amado sempre presente.


Todo ser humano, seja consciente ou inconscientemente, busca este Amado Ser em mil direções, mentais, emocionais e sensoriais. Esta caçada prossegue incessantemente nas esferas material e espiritual do mundo até que,finalmente, muitas vezes através do encontro com um poderoso reflexo do Ser em alguém ou alguma coisa, a pessoa é parada -derrubada, achatada, rendida - e na quietude d'Isso, ela vê o que não fora percebido, vê o que esteve sempre presente, vê finalmente que tudo que sempre foi desejado é, na realidade, quem a pessoa sempre foi. Neste ato de ver está o despertar de um sonho. Muitas pessoas especulam sobre se um professor humano é necessário para este despertar e, nos últimos anos, esta questão tornou-se tópico de um debate acirrado.

Algumas pessoas argumentam que a relação íntima entre professor e aluno, tão estimada e honrada nas tradições místicas do passado, é desnecessária ou inapropriada nesta nova era de uma vida consciente. Afinal de contas, a verdade não está dentro de nós? Em teoria, é claro, um professor externo não precisa necessariamente existir. O que cada um está buscando está mais próximo que a respiração, mais próximo que uma batida do coração. Mas a determinação e a implacabilidade necessárias para romper o hábito da identificação com a mente são raras. São mesmo sutis as maneiras com que o ego evita o aniquilamento, cuidadosamente servindo a si mesmo até sob o disfarce de "prática espiritual".

Na famosa história de Arthur C. Clark, 2001, Uma Odisséia no Espaço, o computador HAL 9000 pode ser visto como uma perfeita metáfora do ego humano. Na história, HAL é projetado para executar todos os procedimentos da nave espacial, incluindo os sistemas de manutenção da vida. Quando a tripulação percebe que HAL começou a cometer erros, erros que não está disposto a admitir, ela se dá conta de que o computador terá de ser desconectado e a nave deverá ser pilotada através de sinais de rádio enviados pelo computador gêmeo de HAL, que está na Terra. Mas HAL não é tão facilmente desconectável. Sua própria preservação torna-se mais importante do que o serviço à humanidade para o qual fora projetado. Ele começa a manipular e destruir qualquer coisa ou pessoa que ameace a sua existência, qualquer coisa que possa expor a mentira de sua traição.

O ego humano opera de maneira muito semelhante. Ele também não é facilmente desconectado. Ego é pura ilusão, criada pela errônea identificação de quem se é com a mente e suas projeções - mental, emocional, física e circunstancial. Como HAL, ele criará uma poderosa defesa para proteger esta ilusão. A maioria das pessoas não consegue ver através desta ilusão, ou desta defesa, tempo suficiente para romper o hábito da identificação mental. É como confiar em HAL para cortar seus próprios circuitos desorientados. Esta ruptura é tradicionalmente o papel do guru, que significa literalmente "o que dispersa a escuridão". O guru não é apenas alguém que atravessou a ilusão, mas alguém que reflete tão puramente esta realidade ilimitada que todos nós somos, que nosso próprio Ser infinito pode ser visto refletido nele. Uma indicação de que alguém encontrou seu verdadeiro professor está em ver o Ser no professor, como em um espelho sem mácula.

Esta visão é misteriosa. Não pode ser merecida. Não pode ser comprada. Não pode ser explicada nem compreendida pela mente. A única palavra que chega perto de descrevê-la é Graça. É um mistério como a Graça pode surgir na vida de uma pessoa e penetrar o sonho da separação. A partir do momento em que olhei nos olhos de Gangaji pela primeira vez, a Graça inundou todos os aspectos da minha vida como um rio caudaloso inunda o campo, afogando tudo por onde passa, não deixando qualquer estrutura feita pelo homem intacta, não deixando nada como era antes. No início, este afogamento provocou o surgimento de muito medo e luta. Quando tudo com que uma pessoa se identificava enquanto "si" está sendo dissolvido, uma espécie de morte é vivenciada. Ela não tem nada a ver com a morte física. É a morte do "pessoal", a morte da separação. É a morte espiritual de que falam todas as tradições místicas do mundo, de São João da Cruz, dos hinos védicos da Índia à poesia extática dos sufis. É uma verdadeira morte, uma morte definitiva - a morte da identificação com tudo que pode morrer e com tudo que pode nascer. É um despertar para a eternidade. Foi um grande choque descobrir que a iluminação não tem nada a ver com a realização de uma lista de desejos pessoais. A iluminação não é pessoal de modo algum.


Ironicamente, é esta preocupação com o pessoal, o apego à mente e à personalidade como o que nós somos, que obscurece a Verdade inacreditável - a iluminação já está aqui, já é quem nós somos! A todos aqueles que estão exaustos desta busca, que sentem um anseio que queima no fundo de seus corações, um anseio que sabem que jamais poderá ser satisfeito através dos habituais caminhos da carreira, do relacionamento ou da aquisição, aos que continuam insatisfeitos após anos de estudos e práticas espirituais, ofereço este relato de um encontro com a Graça, da dissolução da identificação com a mente, do fim de uma busca e do fim de uma buscadora.

Capítulo 1: Encontre o Buscador "Como uma lamparina que não bruxuleia, em um lugar sem vento" - é assim que o Bhagavad Gita descreve a mente de um ser iluminado. Libertada das angústias da raiva, medo e inveja, tal alma permanece em paz em meio ao mundo, indiferente às intermináveis polaridades dos "pares de opostos" - prazer/dor, ganho/perda, arrogância/falta de valor, aceitação/rejeição,felicidade/tristeza e assim por diante. Toda esta filosofia eu entendia muito bem. Mas filosofia e entendimento,finalmente havia compreendido, não podiam me dar a liberdade. Sentei-me no salão da Igreja Unitária de Boulder, Colorado, em meio a centenas de pessoas, esperando que o "satsang" começasse, perguntando-me por que tinha vindo.

Definitivamente, houvera alguma hesitação quando uma amiga telefonara para me convidar naquele dia. "Satsang significa 'associação com a Verdade' ", minha amiga explicara. Senti resistência. Parecia indiano. Tinha desistido da sabedoria da Índia. Por mais bela que parecesse em teoria, eu tinha deixado de acreditar que suas mensagens e práticas pudessem se traduzir em um real benefício para a vida de uma buscadora no Ocidente, no final do século XX. Minha amiga continuou, dizendo que satsang estava sendo oferecido por uma mulher chamada "Gangaji". Isto também parecia indiano. Mais resistência. Ela depois explicou que Gangaji é discípula de um mestre indiano chamado H.W.L.Poonja, a quem ela chama de Papaji. Ela tinha me falado sobre Papaji antes e me oferecera algumas fitas e livros, mas eu nunca me interessara.

Acontece que esta noite específica era 26 de abril de 1995, a véspera do vigésimo sexto aniversário do início consciente da minha busca espiritual,da minha iniciação nas práticas sagradas do Oriente. Eu estava profundamente desanimada. A data me lembrava como havia desperdiçado minha juventude e minha vida em uma busca ilusória pela iluminação. Eu estava desanimada o bastante para abrir mão de idéias preconcebidas e julgamentos e ser guiada,pelo menos por uma noite. Concordei em ir ao satsang e convenci meu marido,Toby, a ir comigo. Quando chegamos à igreja, o salão de reuniões estava quase repleto. A maioria das pessoas estava sentada no chão, ao estilo indiano, com almofadas ou cadeiras de meditação. Algumas cadeiras haviam sido colocadas no fundo da sala, mas já estavam ocupadas. Ao encontrar um espaço vazio no chão, mais para o fundo da sala, sentei-me e abracei os joelhos, espremida entre um homem grande e um banco encostado na parede, cheio de pessoas. "Estou ficando velha demais para esta coisa indiana", resmunguei. Na parte frontal do salão havia um pequeno sofá sobre uma plataforma levemente elevada, ladeada por um modesto arranjo de flores e duas grandes fotografias de homens indianos. Deduzi que estes deveriam ser os professores de Gangaji, pois tinha visto as mesmas duas fotos penduradas na parede da casa da minha amiga. Um destes rostos sempre havia atraído a minha atenção. Os olhos eram impressionantemente belos, nadando em compaixão e amor, de uma profundidade assombrosa. Descobri mais tarde que era uma foto de Sri Ramana Maharshi, o mestre de Papaji.

Uma câmera de vídeo e um equipamento de áudio estavam montados no centro do salão. Lâmpadas brilhantes para a gravação em vídeo estavam focalizadas no sofá sobre a plataforma, onde Gangaji aparentemente se sentaria. O resto do salão estava levemente iluminado. Olhei em torno, para os rostos dos buscadores presentes. Alguns pareciam cansados e esgotados, talvez pelo esforço e a frustração de anos de busca e de prática. Outros pareciam radiantes e abertos, com a alegria inocente da esperança e da expectativa - como a minha, vinte e seis anos antes.

Naquela noite não havia expectativa em meu coração, pelo menos não conscientemente. Novamente, um pensamento atravessou minha mente: por que eu tinha vindo? Para agradar à minha amiga, talvez? Embora os aspectos "mundanos", exteriores, de minha vida tivessem sido relativamente confortáveis nos últimos anos - um marido amoroso, um lindo cavalo árabe,trabalho que me agradava e muitos amigos maravilhosos -, uma profunda inquietação ainda me incomodava. Era um anseio por me libertar dos "pares de opostos", por ser como "lamparina em um lugar sem vento," por viver cada momento em conexão com o Infinito. Era um anseio que podia me acordar às quatro horas da madrugada, gritando para o universo, "EU NÃO ENTENDO! Fiz tudo que podia fazer e, ainda assim, EU NÃO ENTENDO!

Algumas semanas antes, um grito desesperado havia saído do meu coração, clamando por algum tipo de ajuda. Pedi a todos os guias e mestres que já tinham ouvido minhas preces algum dia por um professor de carne e osso, um exemplo vivo desta liberdade pela qual ansiava. A estas alturas, havia feito pesquisas, leituras e práticas suficientes para ser bastante específica sobre o que queria - não uma pessoa em um livro, não um monge, não um indiano, não um mestre desencarnado ascensionado, não algum professor remoto em um continente distante. Por mais grata que estivesse a todos os ensinamentos e professores que tinham me guiado até aquele ponto, sabia que o que precisava agora era um ocidental de carne e osso, alguém que estivesse vivendo o infinito, alguém que estivesse por perto, alguém que fosse simplesmente como eu.

Quando Gangaji entrou no salão naquela noite, alguma coisa parou dentro de mim, com uma espécie de choque suave. Primeiro, ela era ocidental, com cabelos louros e mais ou menos da minha idade. Minha amiga tinha deixado de me dizer que esta professora com um nome indiano era, na verdade, americana. Enquanto Gangaji atravessava a estreita passagem que havia sido cuidadosamente demarcada no chão com fita adesiva, por entre as almofadas e cadeiras de meditação, eu a observava com intensidade e interesse incomuns. Quando se sentou de pernas cruzadas no sofá, o tempo pareceu se distorcer por um momento e o salão entrou em um movimento lento. Alguma coisa nela parecia familiar, como se tivesse conhecido essa pessoa há muito, muito tempo. Não, era mais do que isto - curiosamente, ela me lembrava de mim mesma.




Gangaji fechou os olhos, assim como os demais, portanto supus que a noite começaria com uma meditação. Fechei meus olhos também, mas não consegui sossegar. Minha mente estava por todo o local e meu coração estava disparado. Estranhamente, sentia a presença dela no fundo da minha alma,como se ela estivesse observando meus fracassados esforços para meditar. Isto me irritou, me embaraçou ou, talvez mais exatamente, me humilhou, porque meditação era uma das coisas que acreditava que podia fazer realmente bem. Afinal de contas, vinha fazendo isto há vinte e seis anos - completados naquele dia!

Após quinze ou vinte minutos, Gangaji abriu os olhos. Juntando as palmas das mãos, disse suavemente: Bem-vindos ao satsang. Então, pediu que aqueles que nunca a tinham visto antes erguessem a mão, para poder cumprimentá-los. Ergui minha mão levemente. Havia um monte de pessoas novas e pareceu que os olhos dela varriam o salão rapidamente. Pensando que ela não tinha me visto,vi-me erguendo a mão um pouco mais alto. Não sei por que era importante que ela me visse. Não pensei realmente nisto. Foi apenas um impulso. Para minha surpresa, ela olhou em minha direção novamente e riu suavemente: Sim, eu vejo você. Fez isto com o tom e o sentimento que uma mãe atarefada empregaria com uma criança ansiosa que reclamasse ruidosamente a sua atenção. Embaraçada, deixei cair minha mão rapidamente e percebi uma estranha sensação de queimação, que atravessou repentinamente o meu corpo. Gangaji começou a falar ao grupo de aproximadamente quatrocentas pessoas, incluindo uma multidão excedente que estava em uma sala adjacente, diante de um monitor de vídeo. Ela falava muito claramente e com um leve sotaque sulista.

Você é mais do que bem-vindo ao satsang. No satsang, muito simplesmente, você pelo menos ouve que já é completamente, totalmente perfeito. Não estou falando de seu corpo, sua mente, suas emoções ou as circunstâncias de sua vida. Estes são inerentemente imperfeitos e permanecerão imperfeitos,perfeitamente imperfeitos. Minha mente se rebelou por um momento, "Espere um minuto! Não é assim que a iluminação deveria ser! Todos os problemas deveriam desaparecer. Você fica com uma saúde perfeita, não? Todo o mau karma é dissolvido. O que ela quer dizer com 'já somos perfeitos'? Como podemos ser perfeitos quando tantos aspectos de nossas vidas permanecem imperfeitos?" Mas estas vozes interiores logo quedaram silenciosas. Naqueles últimos anos do meu desânimo, eu tinha começado a me questionar se realmente entendia o que a iluminação significava. Sendo assim, escutei.


Você vestiu um manto chamado corpo, circunstâncias, pensamentos, emoções. Nenhum problema nisso. Qual pode ser o problema com um manto? Um conjunto de roupas? Inerentemente, nenhum problema. Só se você se identifica como sendo estas coisas é que você começa a sofrer. Porque, como você vê, estes mantos, estas roupas, começam a se desintegrar muito rapidamente. E, se você identificar a si mesmo como alguma coisa que obviamente se desintegra, existe um grande medo, um sofrimento desnecessário e uma busca por isso que é permanente. Minha mente era inerentemente muito analítica. Na faculdade, tinha me diplomado em filosofia e estudos religiosos e, depois da graduação, viajara pelo mundo, estudando as tradições místicas do Oriente e do Ocidente - tanto intelectual quanto experimentalmente. Sentia que sabia muito a respeito da verdade e a maioria dos meus amigos respeitava meus pontos de vista filosóficos. Não ficava facilmente impressionada com aqueles que professavam saber alguma coisa sobre espiritualidade e, geralmente, ficava entediada e me tornava crítica após alguns minutos. Por esta razão, nos últimos anos, raramente havia comparecido a palestras e reuniões deste tipo. Mas, conforme escutava as palavras de Gangaji, elas me transmitiam uma autoridade tranqüila e um tom de verdade que prendiam minha atenção como ninguém mais havia conseguido em anos. O componente analítico do meu cérebro parecia estar diminuído.

Na verdade,logo percebi que o que estava acontecendo "dentro" não era estritamente por causa das palavras dela. Alguma coisa mais profunda estava sendo transmitida, penetrando bem além da minha mente. - Isto é muito bom. Estou feliz por você ter buscado isto. E agora, PARE! [risadas] Encontre o buscador. Você verá que isto é apenas uma imagem, apenas uma idéia, baseada em outra idéia equivocada, a de que você não é Isso que já é inteiro, completo, perfeito e ilimitado. O que significa isto? Encontre o buscador. Nunca tinha pensado nisso. Novamente percebi que ela me lembrava de mim mesma. O que era? O modo como espremia os lábios um contra o outro, alguns de seus gestos? Eu não conseguia definir.

Este é o último satsang público durante algum tempo aqui em Boulder. Depois, estarei de volta durante quase todo o verão. Mas há bastante tempo. Temos, hmmm, uma hora, uma hora e quinze minutos. Tempo bastante. Você levou milhões de anos para chegar a este momento de ouvir e receber a Verdade. Esperemos que este seja um tempo bem utilizado. [risadas novamente] Ela parecia estar falando diretamente comigo. Pois, naquele momento, misteriosamente, senti a carga daqueles milhões de anos pesando sobre os meus ombros. Senti uma excitação, também, alguma coisa elétrica no ar, como se algo importante estivesse acontecendo, mas não tinha idéia do quê.

Gangaji pegou uma carta e pediu que o autor erguesse a mão, para que pudesse ver onde estava sentado. Na carta, a pessoa contava um monte de problemas pessoais. Gangaji rapidamente foi direto ao cerne do problema, indicando que este ser que estava consciente dos problemas não havia sido tocado por eles e, de fato, permanecia inalterado, quer as circunstâncias apresentassem problemas ou alegria. Fiquei admirada com esta resposta e reconheci sua verdade. Nunca tinha ouvido ninguém falar de uma maneira tão direta e verdadeira. Após ler mais algumas cartas, Gangaji começou a acolher perguntas da platéia. Conforme observava suas interações com as pessoas, ficava óbvio que, como eu, elas estavam recebendo algo mais do que simplesmente suas palavras. Isto tornou-se ainda mais aparente quando um homem perguntou sobre sua própria mente agitada. Gangaji nem respondeu, apenas olhou em seus olhos intensamente durante algum tempo. Finalmente, o homem sorriu e pude ver todo o seu rosto mudar, todo o seu ser relaxar. Gangaji reconheceu a mudança silenciosa, dizendo simplesmente: Sim, assim é melhor. Estava claro que alguma espécie de transmissão não-dita emanava dela e podia ser recebida por corações e mentes abertos. Sua mensagem central parecia ser: "Pare. Fique quieto." Mas não foi como se eu tivesse ouvido e então "feito" isto. A partir do momento em que ela entrou no salão, parece que uma profunda quietude tomou conta de mim - de surpresa.

Às vezes, a resposta de Gangaji a uma pergunta parecia gentil e amorosa; outras vezes, ela respondia mais rispidamente. Cada resposta parecia exatamente certa para a pessoa que perguntava, interrompendo suas queixas ou sua intelectualização, desviando-a da pergunta e direcionando-a para quem fazia a pergunta. A absoluta retidão de seu estilo revelou uma disposição implacável e nada sentimental, que eu achava levemente inquietante. Mas, enquanto observava sua interação com as pessoas, tive a estranha sensação de que estava vendo a Liberdade pela qual tanto ansiara. Alguma coisa na quietude e na confiança com as quais ela falava transmitia isto. Ela sabia o que estava dizendo. Podia-se sentir isto nas suas palavras. Ela sabia a partir da experiência direta, não de alguma coisa que tivesse memorizado, lido ou ouvido. Mais ou menos no meio da noite, percebi que estava perguntando a mim mesma se esta poderia ser a professora pela qual havia implorado. O universo realmente atende às preces tão rapidamente? Ficava espantada só de considerar esta possibilidade.

Enquanto o satsang avançava, dei-me conta de que estava sentindo um intenso e assombroso amor por ela e, ainda assim, definitivamente, também um grande medo. Pois em seus olhos percebia uma vastidão que poderia destruir tudo que pensava compreender, tudo que pensava ser. Em pouco tempo, a reunião terminou. Gangaji juntou as palmas das mãos novamente e disse Om Shanti, que eu entendi como "Paz para todos." Enquanto ela deixava o salão, meus olhos e meu coração a seguiram. Um profundo senso de gratidão tomou conta de mim e um anseio que minha mente não compreendia. Pediram ao grupo que ficasse sentado em silêncio durante cinco minutos, até que Gangaji e as pessoas que estavam ajudando nas mesas de informações do lado de fora tivessem oportunidade de sair do salão. Depois de alguns minutos, as pessoas começaram a se retirar lentamente do salão, enfileiradas. Quando meu marido me ajudou a me levantar, eu estava em uma espécie de torpor. Alguma coisa não estava funcionando direito no meu cérebro. Embora houvesse uma grande comoção ocorrendo ao meu redor naquele salão lotado, tudo parecia estranhamente quieto e imóvel. Quando cheguei à porta, pedi a Toby que deixasse uma doação substancial na cesta. Nossa amiga viu a nota que Toby estava segurando e comentou: "Só uns dois dólares está bom. Ninguém deixa tanto assim." Mas uma gratidão profunda e inexplicável tinha tomado conta de mim e percebi que estava arrancando a nota da mão do meu marido, garantindo a mim mesma que ela alcançaria seu destino na cesta.

Depois do satsang, nossa amiga nos convidou para tomar chá em sua casa. Achala era alemã e, já que Toby estava estudando alemão, eles conversaram facilmente um com o outro. Sentamo-nos à mesa de jantar, bebericando chá; enquanto ela e Toby tagarelavam sobre todo tipo de coisas, fiquei sentada em silêncio, incapaz de falar. Não que estivesse pensando em alguma coisa que Gangaji tivesse dito. Eu não estava pensando em nada. Havia apenas uma quietude imóvel e gigantesca me engolindo. Sabia que alguma coisa dentro de mim fora alterada radicalmente, mas não tinha idéia do quê nem como. Naquela noite, deitada na cama, meu corpo ainda queimava em um fogo estranho. Sentia um intenso anseio por estar na presença daquela mulher sobre quem nada sabia. Ela dissera que aquela seria sua última aparição em Boulder durante algum tempo. Para onde iria? Eu precisava saber.

Peguei o material impresso que Achala me dera, com a programação de Gangaji, e descobri que ela daria um retiro de uma semana, começando dentro de alguns dias no Estes Park, uma estância na montanha, a noroeste de Boulder. Imediatamente, eu quis ir. Na manhã seguinte, logo cedo, um telefonema para a Satsang Foundation & Press, a organização que apóia as atividades de Gangaji, revelou que o retiro estava lotado há semanas e que a lista de espera tinha mais de cem pessoas!

Decepcionada, desliguei o telefone. Examinando os folhetos novamente, descobri que haveria outro retiro no sul do Colorado, no fim de agosto. Um pensamento atravessou a minha mente: "Assim é ainda melhor; isto me dará mais tempo para investigar esta professora e seus ensinamentos, antes de me comprometer com um retiro de uma semana com ela." Mas uma forte voz que parecia vir do fundo da minha alma retorquiu: "Então será tarde demais." A força daquela voz me tomou de surpresa e passei a manhã lutando, discutindo, argumentando com ela. Mas, quando chegou a tarde, vi-me pegando o telefone novamente e ligando para a Fundação, desta vez pedindo que meu nome fosse adicionado à longa lista de espera para Estes Park. Em algum lugar dentro de mim, sabia que iria. Havia uma sensação de destino em relação a isto, como se estivesse sendo "chamada", uma sensação de que toda a minha vida até aquele ponto havia sido uma espera, uma preparação, um anseio por este encontro.

Nos dois dias que se seguiram, peguei alguns vídeos de satsang emprestados com Achala e vi um após o outro. Comecei a analisar as palavras de Gangaji, a compará-las com outros ensinamentos que havia estudado, a compará-la com outros mestres com quem estivera - a maioria deles indianos. Uma atitude crítica apareceu. Comecei a identificar algumas coisas que ela estava dizendo como vindas de uma perspectiva budista e percebi que estava oscilando, um minuto não querendo ir ao retiro, feliz por não ter conseguido entrar e, no momento seguinte, estando consciente de uma atração inexplicável, um desejo de estar perto de Gangaji novamente. Isto não fazia sentido algum. E, nos dias que se seguiram, comecei a fazer um esforço consciente para esquecer o retiro, Gangaji, a coisa toda, e me ocupar de outras atividades. No sábado, eu tinha empurrado o retiro para o pano de fundo da minha tenção. Então, naquela noite, a noite anterior ao início do retiro, me telefonaram da Fundação com notícias - devido a um cancelamento de última hora, tão de última hora que ninguém acima de mim na lista de espera poderia modificar seus planos, eu fora aceita no retiro...


Gangaji
Capítulo 2: O Cajado do Iogue
</a>Amber TerrelSurpreendida pela Graça - Amber Terrellhttp://www.shermantranslations.com/surpreendida.shtml

"Que choque foi para mim descobrir que a iluminação não tem nada a ver com auto-aperfeiçoamento, nada a ver com a realização de uma lista de desejos pessoais. A iluminação não é absolutamente pessoal. Ironicamente, é a preocupação com o pessoal, o apego à mente e à personalidade como sendo quem somos que obscurece a Verdade inacreditável: a iluminação já está aqui; ela já é quem somos." —Surpreendida pela Graça.



No domingo de manhã, Toby colocou minha mala e meu edredon em nossa caminhonete e partimos para Estes Park, pela auto-estrada 36, em direção ao norte. Já que só tínhamos um carro naquela época e Toby precisaria dele enquanto eu estivesse fora, o plano era que ele me deixaria no retiro e voltaria para me pegar oito dias depois.
Serpenteando por um cânion arborizado, a estrada nos conduzia através de algumas das mais belas paisagens do Colorado. Mas eu mal as percebia.

Uma estranha mistura de alegria e pressentimento predominava em minhas emoções. Toda a coisa começou a me parecer um pouco maluca. Estava sendo levada para uma semana inteira com um monte de pessoas sobre as quais nada sabia, com uma professora que acabara de conhecer. Isto não fazia sentido para a minha mente. Mesmo assim, havia também uma inexplicável excitação no fundo da minha alma e um misterioso "conhecimento" de que aquilo que aconteceria nos próximos dias alteraria minha vida para sempre. Toby percebeu alguma coisa estranha também. "Sinto que você não vai voltar de lá," ele disse. "Não a mesma, em todo caso."

Chegamos ao nosso destino no início da tarde. Situado em um vale na alta montanha, a uns 65 quilômetros de Boulder, Estes Park é uma bela estância de montanha, famosa por seus picos imponentes e por ser a porta de entrada do Parque Nacional das Montanhas Rochosas. Após a inscrição e a confirmação de presença, Toby encontrou o meu quarto, seguindo as instruções recebidas na mesa de recepção. Ficava no alojamento principal, bem ao lado do salão do satsang. Não havia outra bagagem, portanto deduzi que minha colega de quarto ainda não tinha chegado. Era um quarto grande, com banheiro e uma bela vista das montanhas. Havia apenas uma cama beliche perto da porta e uma cama de casal perto da janela. Os beliches não pareciam muito confortáveis, e eu preferia ficar perto da janela, onde poderia receber ar fresco, portanto pedi a Toby que colocasse minha mala e o edredon na cama de casal. Depois de ver que estava confortavelmente instalada, ele me informou que tinha que estudar em casa e precisava voltar imediatamente. Nós nos despedimos e ele foi embora.

Senti-me muito estranha por ter sido deixada ali assim. Nos nove anos em que estivéramos casados, nunca tínhamos nos separado por tanto tempo. Entretanto, eu tinha uma imagem de mim mesma como muito independente e ignorei os sentimentos de solidão. Examinando o cronograma do retiro, descobri que faltavam mais de duas horas para o jantar - tempo suficiente para completar minha rotina noturna habitual de ioga e meditação. Tomei um banho de chuveiro e, quando me preparava para fazer algumas posturas de ioga no chão, minha colega de quarto chegou. Deu para ver que ela ficou perturbada ao perceber a situação das camas. Finalmente, ela disse que não poderia dormir no beliche de baixo, porque tinha claustrofobia, e que estava preocupada porque o beliche de cima não agüentaria o seu peso, já que era bem avantajada. Parecia que eu não tinha escolha, a não ser dar-lhe a cama de casal.

Naquela noite, Gangaji nos recebeu com um satsang curto. Havia aproximadamente cento e cinqüenta pessoas, a maioria sentada no chão. Escolhi um lugar perto da porta lateral, encostada na parede, entre uma cadeira e uma mesa com uma enorme planta em cima. Sentia-me insegura. Nas últimas horas, depois que Toby havia me deixado ali, minha apreensão em relação a estar nesse lugar, com todos aqueles estranhos havia aumentado. Não me lembro muito do que Gangaji disse naquela noite, exceto: Para perceber a Verdade do seu Ser você precisa estar nu, exposto e disposto a morrer.

Isto me pareceu uma coisa bizarra e abusiva. Eu odiava ficar nua, evitava cuidadosamente todo tipo de exposição e não tinha idéia do que ela queria dizer com "disposto a morrer". Esta pessoa, tão tímida e reservada, não tinha intenção de fazer qualquer mudança neste sentido. Enquanto a escutava dando as boas-vindas ao grupo, senti resistência surgindo no mesmo instante - resistência a ela, resistência a estar ali, a esse grupo de estranhos. O que eu estava fazendo, experimentando "mais uma coisa espiritual"? Julgamentos começaram a aparecer: estas pessoas provavelmente não vêm praticando há tanto tempo quanto eu; provavelmente são iniciantes, para quem um retiro silencioso como este pode trazer algum sentimento de paz. Eu tinha passado anos em retiros silenciosos na Ásia e na Europa, muitos deles de quatro a cinco meses de duração. Não apenas sabia como silenciar a mente com minha prática de meditação, como tinha sido treinada para ensiná-la e fizera isto durante anos. Até experimentara alguns dos siddhis, poderes sobrenaturais. O que eu estava fazendo em um retiro para iniciantes? O que realmente precisava era de alguma coisa mais avançada. O que realmente precisava era encontrar a peça que estava faltando.

Enquanto isso, Gangaji estava sugerindo que este tempo no retiro era um tempo para "ver o que não foi visto", para reconhecer o que é que você está tentando obter e do que é que você está tentando se esquivar. E então, PARAR - parar todo movimento em direção a algo ou para se afastar de algo. "Retiro é um tempo para parar". Eu não entendi isto. Havia muitas coisas das quais me esquivava, tinha que me esquivar delas. Era uma pessoa do tipo reservada, muito comigo mesma. Pois sentia que havia uma pureza bem dentro de mim, e o mundo exterior constantemente apresentava inúmeras possibilidades de poluição.

Pouco mais de vinte minutos tinham se passado, após Gangaji nos ter dado as boas-vindas naquela noite, quando ela se despediu de todos, para que pudéssemos descansar, já que muitos tinham feito uma longa viagem para participar deste retiro. Voltei para o meu quarto, sentindo tudo menos disposição para descansar. Um redemoinho se agitava dentro de mim. Enquanto subia a escadinha do beliche, senti-me com oito anos novamente. Minha irmã e eu tínhamos dividido um beliche há muito tempo e eu sempre ficava com a cama de cima, porque ela costumava andar enquanto dormia.

Deitei na cama, tentando ficar confortável, e percebi que aquela queimação tinha surgido no meu corpo novamente. Pensei: "Talvez esteja ficando doente. Certamente estou com febre." Minha colega de quarto estava dormindo e roncando. Sentia-me desconfortável por dividir um quarto com uma pessoa que não conhecia. Em casa, estava acostumada a ter o meu próprio quarto, e meu marido tinha o dele. Uma natureza profundamente solitária estava cravada bem fundo nesta personalidade e precisava de uma enorme quantidade de espaço. Depois de passada uma hora sem sono à vista, comecei a chorar. Inicialmente, estava preocupada porque poderia perturbar a minha colega de quarto e tentei chorar baixinho, sufocando as lágrimas. Mas seu ronco pesado permanecia inalterado, apesar dos meus soluços. Aliviada de minha preocupação, deixei as lágrimas correrem livremente, soluçando até o início da manhã.

Não tinha idéia de por que estava chorando. Só me sentia terrível, encurralada, solitária, de um modo como jamais tinha me sentido antes. Mais ou menos no meio da noite, um plano de escapada formou-se em minha mente. Telefonaria para o meu marido de manhã, pedindo para ele vir me buscar. Provavelmente não haveria reembolso da taxa do retiro e ele ficaria furioso, mas valia a pena. Eu estava profundamente desconfortável e infeliz, talvez estivesse doente, e tinha que dar o fora dali. Mas quando a luz da manhã começou a brilhar mais, senti-me mais leve - o que não fazia absolutamente sentido. Depois de soluçar uma noite inteira, deveria estar exausta, um zumbi, um desastre emocional. Em vez disso, sentia-me limpa, profundamente lavada e muito mais leve. Decidi adiar o telefonema para meu marido.

No salão do satsang naquela manhã,encontrei o mesmo lugar disponível, encostada na parede lateral, como na noite anterior e, mais uma vez, agachei-me debaixo da planta, entre a mesinha e a cadeira. O homem sentado na cadeira sorriu para mim amistosasamente, mas a sensação de ser uma forasteira ainda estava nítida. Estava acostumada a participar de retiros com pessoas com quem convivia há anos, com as quais tinha crescido, que eram como a minha família. Havia uma sensação de estar perdida, solitária, de não saber o que estava acontecendo. Alguém anunciou, antes do satsang, que o salão estaria disponível vinte e quatro horas por dia para "sentar", mas não se poderia fazer ioga nem ler ou cochilar nele. Eu me perguntava o que era este "sentar".

Sempre tinha usado um mantra nas minhas meditações. Mas, a esta altura, tinha descoberto que Gangaji não ensinava qualquer técnica, não dava mantras, não encorajava prática de espécie alguma. Eu me perguntava: "Então o que todas estas pessoas estão fazendo sentadas tão silenciosamente? Não estão fazendo nada?" Não havia oportunidade de perguntar a ninguém sobre isto, porque o retiro estava sendo feito em "silêncio de conversação". Ninguém devia falar desnecessariamente fora do satsang. Eu não ia fazer perguntas no satsang - pelo menos não ainda.

Quando Gangaji chegou, a neve tinha começado a cair do lado de fora das grandes janelas panorâmicas. As montanhas pareciam etéreas, envolvidas em uma névoa branca. Muitas pessoas falaram sobre como estavam emocionadas por sentarem em satsang com Gangaji, em um lugar tão belo. Eu, porém, estava sentada ali, me sentindo como se tivesse sido atirada dentro da família de outra pessoa, na época do Natal, e que observava todos os outros abrirem os seus presentes.

Gangaji começou a manhã assim: Então, como vamos passar este tempo? Existe um grande benefício em ser removido da rotina normal do dia-a-dia. Mas eu não estou falando disto. Estou falando sobre internamente. Como você passa o seu tempo? Em que você está pensando? Está pensando em conseguir alguma coisa, perder alguma coisa, conservar alguma coisa ou evitar alguma coisa? Se está, isto é um desperdício de energia. Era exatamente o que eu estava pensando. Em me manter distante - distante de todas estas pessoas que não conhecia, distante de todo este jargão espiritual que parecia tão estranho, se comparado à linguagem com a qual estava acostumada, distante desta professora que falava tão severamente sobre estar "nu, exposto e disposto a morrer."

Gangaji continuou: Isto é o habitual, é claro. Qualquer que seja o foco, seja obter a próxima refeição, ou obter a próxima experiência, isto é o habitual. Portanto, a oportunidade do retiro, de um retiro silencioso é, antes de tudo, ver como você está passando o seu tempo e então parar. Assim mesmo, sem mais discussão. Ela começou a ler uma carta. Amada mestra: A noite passada eu estava estourando de raiva, medo, desespero. Vi vício por toda parte. Vi toda a minha vida como nada mais do que vários padrões de vício. Ela parou de ler e olhou diante de si, fixou os olhos no autor da carta e deu a esta pessoa um olhar duro. Pegou uma bolinha de espuma que alguém havia colocado em seu sofá e a atirou-a nele. Todo mundo riu.

Este é o vício, bem aqui. Fazer esta afirmação: "Vi toda a minha vida como nada mais do que vários padrões de vício." Desista deste vício. Realmente, isto merece ser apagado, terminado. Para meu espanto, Gangaji rasgou um pedaço da carta da pessoa, amassou-o em uma das mãos e jogou-o atrás de si, enquanto todo mundo ria. A pobre pessoa devia estar morrendo. Era isto que ela queria dizer com "disposto a morrer?" Eu sabia que não poderia suportar isto e, imediatamente, decidi que não escreveria nenhuma carta para ela.

Então Gangaji contou uma história de seu mestre. Vocês conhecem esta história que Papaji conta? Ele estava caminhando em Rishikesh e encontrou um iogue muito velho no caminho, que tinha um magnífico cajado no qual se apoiava. Então eles se sentaram, conversaram e fizeram uma ótima refeição juntos. Finalmente, o iogue disse: "Sabe, meu mestre me passou muitíssimos poderes, muitos siddhis. O mais poderoso de todos é o siddhi, o poder da imortalidade. Este cajado me dá o poder da imortalidade. Mas havia um poder que ele não podia me passar, porque ele mesmo não o tinha realizado, era o poder da liberdade, a verdade da liberdade. E o iogue disse a Papaji: "Vejo em seus olhos que você o conhece. Você tem este poder. Pode passá-lo para mim? Eu espero há tanto tempo." De repente, fui atraída por esta história. Eu também estava esperando há tanto tempo, praticando há tanto tempo. Eu também tinha alcançado siddhis, mas não a liberdade. Papaji disse: "Sim, tenho muito prazer em fazê-lo." E ele pegou o cajado do homem, quebrou-o e atirou-o no Ganga. Ele disse: "Agora você vai morrer como todos os homens e, assim, vai perceber quem morre."

Isto realmente me chocou e parou alguma coisa bem no fundo de mim. Eu tinha entendido a iluminação como sinônimo de perfeição relativa, como a posse de poderes. Um mestre anterior com quem havia estudado enfatizava a necessidade de se alcançar a perfeição da fisiologia, como veículo da consciência, da possibilidade de controlar o karma e as forças da natureza, e de desenvolver poderes sobrenaturais - estes poderes eram, de fato, a prova do nível de consciência de uma pessoa. Se eu o tinha entendido corretamente ou não agora é irrelevante. Mas esta idéia de desenvolver alguma coisa, de me aperfeiçoar de alguma maneira, estava profundamente enraizada em mim. Eu tinha trabalhado para isto durante anos. Agora, esta história de Papaji e do iogue sugeria que poderes e perfeição relativa não significavam nada. Uma pessoa podia ter os maiores poderes, até o da imortalidade do corpo, e ainda não ter a liberdade. Alguma coisa nesta história calou fundo em minha alma.

Ouvi com mais cuidado, enquanto Gangaji continuava. É muito útil saber como acalmar a mente. Mas, se isto se transforma em algum tipo de poder para manter algo afastado, ou evitar algo, então é inútil. E você o quebra. Você o atira fora. Você entende? Se você então transformar ter uma mente silenciosa no seu objetivo, quebre-o . Atire-o fora. É só mais um objetivo. Você irá realizar a mente silenciosa - e ainda estará buscando a verdadeira liberdade. Engoli em seco. A arrogância da noite anterior escorria de mim. Ela estava falando sobre mim. Eu era o velho iogue. Havia aprendido como silenciar a mente, a respiração, o corpo. Estudara poderes sobrenaturais. E ainda estava procurando a verdadeira liberdade.

Desde o início eu disse a vocês, não estou lhes ensinando poderes sobrenaturais. Existem lugares aonde vocês podem ir e aprender poderes sobrenaturais. E não há nada de errado nisso. Eu não estou lhes ensinando nada. Vim para convidá-los a penetrar na profundeza do seu ser. Isto não pode ser ensinado e não é um poder sobrenatural... É a disposição para desistir de todos os poderes. O poder de sofrer e o poder de ser feliz. É a disposição para deixar isto ser quebrado e jogado de lado.

Apesar da dor desta revelação, apesar de uma espécie de desesperança que isto trazia, apesar de toda a resistência na mente, havia um profundo e inegável "conhecimento" de que o que ela estava falando era a Verdade. A disposição de que ela falava era a disposição para despertar do sonho, em vez de continuamente tentar aperfeiçoar o sonho. Era um rude despertar. Era a disposição para deixar de lado todas as tentativas de realização pessoal. Senti uma "fresta" se abrir em algum lugar bem dentro de mim, quando tomei consciência desta disposição. Alguma coisa se afrouxou, algo que antes havia sido mantido bem apertado. Era como se, naquele momento, Gangaji quebrasse o meu cajado de iogue. Suas palavras seguintes atingiram o alvo como a flecha de um exímio atirador. Lenta e deliberadamente, como se diretamente para mim, ela disse: Você que pensou que estava no topo, agora você é apenas como todos os outros. Agora, nós começamos. Agora, você pode conhecer a liberdade.



"Este livro está pleno da emoção da Verdade. Quando li os primeiros capítulos do manuscrito, soube que Amber tinha encontrado a continuidade de "apaixonar-se pelo Ser. Ninguém se ilumina; em vez disso, você descobre que é a própria iluminação. —Michael J. Roads, autor de A natureza e o despertar do seu mundo interior e outros livros. "Surpreendida pela Graça é uma jornada clara, sincera e iluminadora de autodescoberta. Através deste relato honesto e inspirador, os leitores poderão se identificar com a aventura e descobrir uma verdade que satisfaz à alma." —Alan Cohen, autor de Ouse ser você mesmo e outros livros.

"Maravilhosamente inspirador. Você fez um ótimo trabalho ao capturar a essência do Satsang com Gangaji. Eu sei, estive em satsang com esta mestra divina. Sinto a sua presença diariamente." —Dr. Wayne Dyer, autor de Seus pontos fracos,

Para todo problema há uma solução e outros livros. Amber iniciou sua busca espiritual quando era uma jovem estudante universitária, no fim da década de 60. Após um quarto de século de meditação, ioga e uma intensa busca que a levou a viajar pelo mundo, tornou-se óbvio para ela que a iluminação permanecia um sonho, um conceito que existia apenas na mente. No momento mais sombrio e frustrante de seu anseio espiritual, surgiu uma transmissão de Graça poderosa que não apenas pôs um fim em sua busca, mas também revelou que a buscadora era uma ilusão. Esta transmissão tomou a forma de uma mestra americana chamada Gangaji, na linhagem de um dos mais respeitados sábios deste século, Sri Ramana Maharshi. Surpreendida pela Graça não é a história de uma busca espiritual, mas a narrativa de como esta busca finalmente chegou ao fim

Gangaji no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=wSGC5RsYlGI&feature=related

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publicado por conspiratio às 00:05
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